DiscoverE eu com isso?
E eu com isso?

E eu com isso?

Author: Instituto Brasil Israel

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O 'E eu com isso?' é o podcast do Instituto Brasil-Israel. Com convidados diferentes, aprofundamos questões religiosas, éticas, políticas e sociais, sempre evitando análises rasas e estereótipos vazios.
Anita Efraim é jornalista, mestre em comunicação política pela Universidad de Chile e santista.
Amanda Hatzyrah é professora e pesquisa temas relacionados à literatura e cultura judaica, língua hebraica e sociedade israelense, na Universidade de São Paulo.
João Torquato é músico ativista do movimento negro e pesquisa os conflitos que se originaram a partir da desintegração da Iugoslávia.
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Viver em Israel é uma experiência que carrega inúmeras camadas de significado. Quando pensamos em quem decide ir morar ou estudar no país, nos vem à cabeça um perfil específico ou até mesmo estereótipos. Mas o que acontece quando alguém vem de um contexto um pouco diferente? Como é viver em Israel sendo negro, não judeu, e trazendo uma visão de mundo que não se encaixa nas narrativas mais conhecidas? Será que Israel é um país majoritariamente branco e racista como muitos dizem por aí? Pra ter essa conversa hoje com a gente, nós convidamos o Rodrigo Vieira, que é planejador urbano dedicado ao desenvolvimento sócio-territorial e à moradia digna. Ele lidera a área de inovação e melhorias contínuas em Tecnologias Sociais na Gerando Falcões, integrando parcerias público-privadas e envolvendo a comunidade. Ele é formado em arquitetura e urbanismo e é mestre em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Tel Aviv. A trajetória do Rodrigo é marcada por iniciativas que abordam parcerias com companhias israelenses para soluções socioambientais e territoriais em diversas regiões do Brasil.
No final de 2025, o Irã voltou ao centro do noticiário internacional, mas não por uma guerra externa ou por negociações nucleares. O que vemos agora são protestos internos de grande escala, espalhados por diversas cidades, impulsionados por uma combinação explosiva de crise econômica, repressão política e desgaste profundo do regime. Com relatos de milhares de mortos, prisões em massa e apagões de internet, as manifestações levantam uma pergunta central: estamos diante de mais um ciclo de repressão brutal ou de uma fissura estrutural no sistema político iraniano?O Irã de hoje expõe um dilema conhecido em outros contextos autoritários: um Estado que se sustenta pela repressão, mas que enfrenta uma sociedade cada vez mais fragmentada, cansada e sem ilusões. Ao mesmo tempo, a oposição, dentro e fora do país, aparece dividida, disputando legitimidade, narrativas e até símbolos do passado. Enquanto o regime acusa interferência estrangeira e tenta controlar a informação, manifestantes arriscam a vida em um ambiente de violência extrema e isolamento digital. Para discutir o que está por trás dessas manifestações, os limites da oposição iraniana, o papel da comunidade internacional e os cenários possíveis para o futuro do país, a gente conversa hoje com Monique Sochaczewski, doutora em História, Política e Bens Culturais, professora do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP) e Cofundadora e Pesquisadora Sênior do Grupo de Estudos e Pesquisa sobre o Oriente Médio (GEPOM)
Nos últimos anos, o debate sobre antissemitismo voltou ao centro da política global. Mas não apenas como um fenômeno ligado à extrema direita, às teorias conspiratórias ou ao negacionismo histórico. Cada vez mais, ele também aparece em ambientes progressistas, em discursos que se apresentam como antirracistas, decoloniais ou defensores dos direitos humanos. Em cidades como Nova York, lar da maior comunidade judaica fora de Israel, esse debate ganhou contornos muito concretos: decisões institucionais, disputas simbólicas e tensões reais sobre segurança, liberdade de expressão e pertencimento. Quando o antissemitismo deixa de ser apenas uma ideologia e passa a moldar políticas públicas, em ambos os lados do espectro político, o que está realmente em jogo? A ascensão de figuras políticas ligadas à extrema direita e à extrema esquerda tem revelado algo inquietante: apesar das diferenças ideológicas profundas, certos discursos se encontram quando o assunto é o judeu, seja como símbolo de poder, de opressão ou de ameaça. Em Nova York, a eleição de Zohran Mamdani e decisões como o fim da proibição de protestos em frente a sinagogas reacenderam um debate sensível: onde termina a crítica política legítima e onde começa a intimidação de uma minoria? Para discutir os pontos de encontro entre extrema direita, extrema esquerda, antissemitismo contemporâneo e as preocupações das comunidades judaicas, a gente conversa hoje com Fábio Zuker, que é pesquisador com enfoque na área socioambiental, doutor em antropologia pela Universidade de São Paulo, realizou pós-doutorado na Princeton University (EUA) Collège de France na França.
O 7 de outubro aconteceu há mais de dois anos. Todos os reféns vivos voltaram a Israel e, entre os mortos, há um corpo que ainda não foi devolvido pelo grupo terrorista Hamas. Mas nada disso quer dizer que o assunto está encerrado. Cada um dos ex-reféns têm seu próprio tempo para estar pronto para contar o que aconteceu durante o período em cativeiro. Alguns relatos têm saído na imprensa israelense, enquanto outros podem não ser publicados nunca.Nesse episódio, a gente vai trazer algumas das histórias desses ex-reféns. Então, fica aqui o aviso de conteúdo sensível, com descrições de tortura, violência psicológica, física e sexual. Quem traz pra gente esses relatos que estão sendo publicados em Israel é Daniela Kresch, jornalista e correspondente do IBI. 
2025 foi um dos anos mais tensos e imprevisíveis da história recente de Israel. Depois de 2024, ainda  marcado pelo ataque de 7 de outubro de 2023 e pela guerra que se seguiu, o ano seguinte viu, finalmente, um cessar-fogo negociado entre Israel e o Hamas que incluiu rodadas de trocas de prisioneiros palestinos e a devolução dos reféns em posse do grupo terrorista, em um processo que se deu sob mediação internacional, em particular pelos EUA. Esse acordo, por enquanto, evitou a continuação imediata de uma ofensiva em grande escala e permitiu a entrada de ajuda humanitária em Gaza.Olhar para Israel em 2025 não é só observar um país em crise, é tentar entender como política, trauma, guerra, religião e identidades em confronto moldam não apenas o presente, mas aquilo que Israel pode se tornar. É um ano que mistura tentativas de normalização com rupturas profundas, e que devolve ao mundo perguntas sobre democracia, segurança e futuro. Para falar um pouco sobre como foi 2025 em Israel e o que esperar para 2026,  hoje a gente recebe o historiador, assessor do IBI e apresentador do podcast “Do Lado esquerdo do Muro” João Miragaya.
Há muito tempo, a direita americana vive uma disputa interna feroz, mas nos últimos meses essa briga ficou escancarada. A entrevista de Tucker Carlson com Nick Fuentes, um nacionalista branco, antissemita e referência da alt-right,  acendeu um alerta não só nos Estados Unidos, mas em vários países que costumam reverberar as tendências políticas americanas. De um lado, temos a direita institucional, que tenta manter distância do extremismo. Do outro, um ecossistema radicalizado que usa teorias conspiratórias, revisionismo histórico e antissemitismo como pilares de identidade. E essa disputa não fica só lá: ecos desse processo já aparecem aqui no Brasil, em influenciadores, grupos ultranacionalistas, conspiracionistas e até segmentos que tentam reempacotar discursos extremistas em linguagem de “patriotismo” ou de “anti-globalismo”A ascensão de Fuentes e sua influência entre parte da direita americana não é só sobre política nos EUA, é um alerta sobre como narrativas radicais podem se disseminar. No Brasil, especialmente nas últimas décadas, elegemos olhares cada vez mais polarizados, visões ultraconservadoras misturadas com nacionalismo, nostalgia autoritária, xenofobia, e até negação histórica. A pergunta é: será que há uma ponte intencional ou orgânica — entre essa “nova direita radical” dos EUA e centros extremistas ou influências similares no Brasil? Para conversar com a gente sobre o tema, nós convidamos o Renato Levin-Borges, mais conhecido como Judz, que é professor de Filosofia licenciado e bacharel pela PUC-RS, mestre em Educação pela UFRGS e doutor pela mesma instituição.
Chanucá é mais do que a festa judaica das luzes, é também uma celebração profundamente ligada à resistência, à afirmação cultural e ao direito de existir mesmo quando o mundo tenta apagar quem você é. Num mundo em que pessoas negras, LGBTQIA+, indígenas e tantos outros grupos minorizados lutam por visibilidade, dignidade e sobrevivência, Chanukah vai além do símbolo religioso, abrindo espaço para iluminarmos debates que, muitas vezes, ficam na sombra. E para falar do tema, convidamos Max Guerchfeld, que cresceu no movimento juvenil Noam, onde foi madrich/educador, em 2020, e também atuou como rosh chinuch/diretor educativo e mazkir/secretário geral. Ele morou em Israel em 2023, pelo programa Shnat Hachshará, estudando e fazendo trabalho voluntário. Atualmente cursa Psicologia na PUC-SP e é Moré de Bar Mitzva, na Comunidade Shalom.
Se você acompanha o nosso podcast, sabe que de vez em quando gostamos de falar de filmes e séries que tratam da experiência judaica. E, depois de um ano de espera, finalmente chegou à Netflix a segunda temporada de “Nobody wants this”, ou, em português, “Ninguém quer”.Se você não lembra, ou ainda não viu, a primeira temporada da série apresenta a história do rabino Noah Roklov, que vive um dilema quando se apaixona por Joanne, uma podcaster não judia. A partir desse relacionamento, considerado pouco convencional dentro da comunidade retratada na produção, a série aborda temas como casamento inter-religioso, conversão e crise de identidade.Nós três assistimos à série e vamos conversar sobre o que achamos, o que mudou, o que a segunda temporada aprofunda, e se achamos que vale a pena seguir acompanhando a segunda temporada.
 A crise climática é, ao mesmo tempo, um desafio científico, político e humano. Ela atravessa fronteiras, afeta comunidades inteiras e redefine as relações entre países. Mas, diante de um problema tão global, o que realmente acontece nos espaços onde esses debates deveriam ganhar forma? Como as decisões ou a falta delas, tomadas por líderes mundiais moldam o futuro de regiões como a Amazônia? As conferências climáticas nasceram da urgência de responder a essas perguntas. Mas o que acontece quando essas discussões esbarram em interesses econômicos, disputas geopolíticas e desigualdades estruturais?Na última Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP30, realizada em Belém, governos, cientistas, ativistas e comunidades tradicionais se encontraram para discutir o futuro do planeta. Muito se falou em preservação da Amazônia, em transição energética, em justiça climática. Mas o que realmente foi decidido? O que ficou só no discurso? E, sobretudo: como essas negociações internacionais impactam o Brasil, a região amazônica e populações diretamente afetadas pelas mudanças climáticas?Pra discutir tudo isso, a gente conversa hoje com o Rafael Stern, cientista na área de geociências, pesquisador de pós-doutorado na Universidade de Stanford, doutor pelo Instituto Weizmann, mestre pelo INPA em Manaus e geógrafo pela UFF. Ele também já trabalhou como consultor no Ministério da Agricultura de Israel.
Hoje a gente vai falar sobre um tema sensível, complexo e que atravessa história, halachá e vida cotidiana: o guet, o divórcio judaico. Um processo que tem milhares de anos, mas que continua levantando questões muito atuais sobre autonomia, justiça e o papel das comunidades. No episódio de hoje, a gente quer olhar para o guet não só como um procedimento haláchico, mas como uma lente para discutir poder, igualdade, agência e cuidado. Porque, no fundo, o guet coloca perguntas difíceis: quem tem o direito de encerrar um vínculo? Como comunidades acolhem quem decide se separar?  Para nos ajudar a atravessar essas camadas, convidamos o Rabino Leandro Galanternik, que estudou na Argentina e em Israel, atualmente mora em São Paulo, serve como rabino na Sinagoga Beth Jacob em Campinas, é co-presidente de Marom Olami, é casado com a rabina Fernanda e pai de duas meninas
#349 Mulheres escribas

#349 Mulheres escribas

2025-11-1941:05

Hoje a gente vai falar sobre um acontecimento histórico e profundamente simbólico. Pela primeira vez na América Latina, uma Torá, livro sagrado do judaísmo, foi escrita inteiramente por uma mulher.  Mais do que um feito religioso, essa Torá representa um gesto de inclusão e de transformação. Nessa conversa, a gente vai mergulhar no significado desse processo, que levou sete anos, e nas reflexões que ele desperta sobre tradição, espiritualidade e igualdade. Sua autora é a nossa convidada hoje, a Rachel Reichhardt é soferet, estudiosa formada em educação judaica pela Universidade Hebraica de Jerusalém. Também convidamos o rabino Adrián Gottfried, formado pelo Seminário Rabínico Latino-Americano, em Buenos Aires, mestre em Estudos Judaicos, pelo Jewish Theological Seminary of America, de Nova York, e rabino da Comunidade Shalom em São Paulo.
O cinema tem essa capacidade de revelar o que muitas vezes fica escondido nos gestos discretos, nos silêncios, nas contradições que moldam o cotidiano. A IV Mostra de Cinema Israelense deste ano se dedica exatamente a isso: olhar para trajetos, fronteiras e memórias que atravessam vidas comuns, mas que raramente ocupam o centro das narrativas oficiais. Ao invés de buscar explicações ou soluções, esses filmes se aproximam das fissuras, dos afetos ambíguos, das tensões morais e dos desejos que coexistem com feridas antigas.De 10 a 19 de novembro, acontece a IV Mostra de Cinema Israelense – Trajetos, Fronteiras e Ecos da Memória, uma mostra gratuita e online. A seleção deste ano se afasta das narrativas mais previsíveis sobre identidade ou diversidade em Israel e escolhe outro caminho: observar a intimidade de personagens que lidam com traumas, deslocamentos, relações familiares fragmentadas, fronteiras internas e externas. Para entender esse olhar e o que ele diz sobre Israel contemporâneo, a gente recebe hoje o curador da mostra, Bruno Szlak, que é Mestre e Doutor pela área de Estudos Judaicos da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
#347 Nós lembramos?

#347 Nós lembramos?

2025-11-0542:52

Lembrar é mais do que registrar o que aconteceu, é decidir o que permanece. A memória, tanto individual quanto coletiva, é uma construção, feita de escolhas, silêncios e repetições. Nem tudo o que vivemos vira lembrança, e nem toda lembrança vem para nos confortar. Às vezes, lembrar é uma forma de resistência. Outras vezes, é a única maneira de reconstruir sentido depois do horror. Mas o que significa lembrar quando o tempo passa, as testemunhas desaparecem e o esquecimento parece inevitável. Em tempos de excesso de informação, em que tudo é registrado, arquivado e compartilhado, lembrar parece mais fácil do que nunca, mas, paradoxalmente, também mais superficial. Ao mesmo tempo, vemos a disputa por narrativas se intensificar: o que é lembrado, o que é esquecido, e por quem? O Holocausto, o genocídio de Ruanda, as ditaduras latino-americanas e tantas outras tragédias nos mostram que a memória não é um arquivo estático, e sim um campo de batalha simbólico. Pra pensar sobre isso, sobre o valor do testemunho, os processos de reparação e o desafio de ensinar a lembrar, a gente conversa hoje com Carlos Reiss, Coordenador-Geral do Museu do Holocausto de Curitiba, que há mais de uma década atua na construção de espaços de memória, educação e diálogo sobre o passado e suas reverberações no presente.
As universidades nasceram do desejo humano de compreender o mundo, de fazer perguntas, de duvidar, de abrir espaços para o pensamento. Mas o que acontece quando o próprio espaço que deveria abrigar o diálogo se fecha ao outro? Quando a busca pelo conhecimento é substituída pela tentativa de silenciar? A história mostra que momentos assim costumam deixar marcas profundas, não apenas nas instituições, mas na sociedade que elas refletem. Na última semana, a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH) decidiu romper o convênio acadêmico que mantinha com a Universidade de Haifa, em Israel. Segundo o diretor, seria um “gesto simbólico” diante do que chamou de “crimes em Gaza”. Mas o gesto levantou uma série de questões: O que significa romper uma parceria acadêmica? Que impacto isso tem sobre estudantes e pesquisadores? E, sobretudo, o que essa decisão diz sobre o papel das universidades diante de conflitos políticos? Pra discutir esse tema, a gente conversa hoje com Marta Topel, professora do Departamento de Letras Orientais da USP.
Nos últimos meses, um aumento de incidentes antissemitas tem chamado atenção em universidades de países como França, Reino Unido, Alemanha e Espanha. Muitas vezes, críticas ao governo de Israel, que são legítimas em uma democracia, muitas vezes ultrapassam fronteiras e se transformam em hostilidade contra judeus e judias.Movimentos como o BDS e certos discursos políticos têm sido apontados como fontes de intimidação para estudantes judeus, que relatam evitar usar símbolos judaicos ou expressar sua identidade por medo de represálias. Há também críticas à lentidão das universidades em reagir a casos de antissemitismo e também ao silêncio ou cumplicidade de parte do corpo docente. Para conversar sobre o tema com a gente, convidamos o Edgar Santos que é ativista e estudante da Universidade de Bristol, onde estuda Filosofia e Língua Portuguesa. Ele é membro da Union of Jewish Students (UJS) e presidente da Associação de Estudantes Judeus da Universidade de Bristol (Jsoc), onde representa estudantes judeus no espaço político no Reino Unido, na Europa e em Israel na luta contra o antissemitismo e na promoção dos direitos no meio universitário. Atualmente, faz um intercâmbio com o Labô na PUC, até Dezembro. Vive em Londres, embora tenha nascido em Portugal e seja filho de pais brasileiros.
Depois de 738 dias, os vinte reféns israelenses sequestrados no dia 7 de outubro de 2023 voltaram para casa. A libertação faz parte do acordo de cessar-fogo firmado entre Israel e o Hamas no Egito, com mediação dos Estados Unidos, Catar e Turquia. Em troca, Israel libertou quase dois mil prisioneiros palestinos, entre eles 250 condenados à prisão perpétua. Esse momento encerra a guerra mais longa da história recente de Israel, mas também abre uma nova fase de incertezas e desafios, tanto políticos quanto emocionais.Essa volta dos reféns não encerra apenas um capítulo, ela expõe uma fratura que atravessa todo o país. Porque Israel não está voltando ao que era antes do 7 de outubro. Está voltando para um lugar desconhecido, onde a confiança virou dúvida e onde a palavra “segurança” já não significa o mesmo. Há quem veja nesse acordo uma vitória humanitária. Há quem veja uma capitulação política. E no meio disso, estão as famílias das vítimas israelenses e também das palestinas,  tentando entender o que fazer com esse retorno tão tardio. A pergunta agora não é só “quem voltou?”, mas “quem somos depois disso?”.Para falar sobre esse tema, a  gente conversa hoje com Daniela Kresch, jornalista e correspondente do IBI  em Israel, país onde ela reside há mais de duas décadas, testemunha direta desse processo.
A vida em Israel não é a mesma dois anos após o 7 de outubro, um evento que trouxe angústias e muita incerteza para a população da região. Nesse período de festas e começo de um novo ano judaico, que costumava ser de celebrações, os israelenses ainda lidam com a dor e a perda resultantes da guerra, da situação dos reféns e da população em Gaza. Apesar do cenário pessimista, existe um desejo entre a população israelense de ver essa fase como temporária e de retomar uma rotina, mesmo que ela seja diferente da anterior. Quem conversa com a gente hoje é a Revital Poleg, foi diplomata do Ministério das Relações Exteriores de Israel e Representante Geral da Agência Judaica no Brasil, e é colaboradora do IBI.
Pra quem não conhecia Charlie Kirk, ele era um norte-americano de 29 anos, ativista e comunicador de extrema-direita, grande defensor de Donald Trump, propagador de teorias conspiracionistas, como ideias de fraude nas eleições norte-americanas de 2020, marxismo cultural, globalismo e o negacionismo quanto às mudanças climáticas. Em 10 de setembro, Kirk foi assassinado durante um evento em uma universidade nos Estados Unidos e suas posições viraram tema de interesse no debate público não só nos Estados Unidos, mas em todo o mundo.A morte dele foi motivo de comoção entre algumas pessoas da comunidade judaica. Em Israel, por exemplo, teve até prefeito querendo homenagear Kirk com o nome de rua. Ele era visto como um defensor de Israel, e as homenagens vinham junto com fotos dele com a esposa em Jerusalém. Ainda que visto como um ativista a favor de Israel, Charlie Kirk tem um relevante histórico de declarações antissemitas. Ele disseminava teorias conspiratórias contra judeus, além de atacar outras minorias. Esse fenômeno nos trouxe a pensar sobre a ideia de um antissemitismo sionista, será que isso é possível? Para nos ajudar a refletir sobre o tema conversamos agora com Daniel Douek, cientista social assessor do IBI e mestre em letras pelo programa de estudos judaicos e arábes da USP.
Sempre que nos deparamos com negacionismo, ou seja, a recusa em aceitar um fato comprovado e documentado, seja ele científico, histórico ou social, é importante nos perguntarmos: a quem e para que serve? Com a guerra em curso em Israel, não poderia ser diferente. Sim, há quem negue os horrores da guerra, por mais factuais e concretos que sejam. E a pergunta que fazemos hoje é: isso é conveniente para quem? Nosso convidado é o historiador João Miragaya, que é assessor do IBI, e mora em Israel desde 2009.
Rosh Hashaná e Yom Kipur marcam o período mais intenso do calendário judaico. São dias de reflexão, de balanço pessoal e coletivo, mas também de esperança e renovação. O Ano Novo Judaico e o Dia do Expiação, conhecido também Dia do Perdão, convidam cada indivíduo a olhar para si, para os outros e para o mundo de uma forma mais profunda, em busca de transformação e reconciliação. Como define nosso convidado, é o período de "Copa do Mundo espiritual" do judaísmo. As Grandes Festas judaicas, especialmente Rosh Hashaná e Yom Kipur, não falam apenas da relação entre cada pessoa e Deus, mas também da responsabilidade que cada um tem diante da comunidade e da sociedade. Como podemos ser melhores neste momento? E como podemos melhorar o mundo a partir dessa transformação? Para responder a essas perguntas, recebemos hoje o rabino Lucas Lejderman, também conhecido como Pato, rabino do Círculo Israelita de Santiago, no Chile, que vai nos ajudar a mergulhar no sentido profundo desses dias e em como eles se conectam com a nossa realidade.
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Comments (1)

Camis

Vc escuta o episódio querendo negar que isso seja verdade. Vou conferir a indicação da série Babylon Berlim que foi deixada no final do episódio.

Oct 7th
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