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Ecio Costa - Economia e Negócios
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Ecio Costa - Economia e Negócios

Author: Ecio Costa

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CEDES - Consultoria e Planejamento
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A saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda encerra um período marcado por forte deterioração das contas públicas, mudanças significativas na condução da política fiscal brasileira e desempenho econômico que se sustentou principalmente em expansão fiscal forte, com déficits elevados e recorrentes e forte crescimento do endividamento público. A comparação entre os indicadores fiscais e macroeconômicos dos governos recentes evidencia diferenças importantes entre o cenário herdado ao final de 2022 e o quadro atual das finanças públicas e da economia como um todo. No campo fiscal, o primeiro ponto central é o resultado primário, que mede se o governo gasta mais do que arrecada antes do pagamento de juros. Ao final de 2018, o governo que antecedeu Paulo Guedes entregou um déficit de R$ 116 bilhões. No fim de 2022, mesmo após enfrentar a pandemia e o maior choque econômico global em décadas, a gestão de Guedes entregou superávit primário de R$ 54 bilhões (0,6% do PIB), o único superávit em cerca de dez anos. Já a atual gestão recebeu esse resultado positivo e o transformou novamente em déficit. Em 2023 o saldo já foi negativo em 2,1% do PIB, pressionado por despesas extraordinárias como precatórios, e os números seguintes continuam no vermelho: cerca de -0,9% do PIB em 2024 e aproximadamente -0,5% do PIB em 2025, segundo dados do Banco Central. Outro indicador relevante é a dívida bruta do governo geral, que mede o estoque total da dívida pública em relação ao PIB. Em dezembro de 2018, a dívida estava em 75,3% do PIB. Ao final de 2022, após a pandemia e os gastos emergenciais necessários para sustentar renda e empresas, ela foi entregue em 72,9% do PIB, uma queda de cerca de 2,4 p.p. no período. Durante a pandemia, a dívida chegou a atingir 86,9% do PIB em 2020, mas voltou a cair rapidamente nos anos seguintes com a retomada econômica e o ajuste fiscal. A atual gestão recebeu a dívida nesse patamar de 72,9% e a trajetória voltou a subir: 73,8% em 2023, 76,1% em 2024 e chegando a 78,7% do PIB em 2025, um aumento de quase 6 p.p. desde o início do governo. A mesma tendência aparece na dívida líquida do setor público. Em 2018 ela estava em 52,8% do PIB e em 2022 havia caído para 57,1% do PIB, uma melhora relevante após o pico da pandemia. Já no atual governo, a dívida líquida voltou a subir e atingiu cerca de 65,3% do PIB em 2025, representando um aumento de mais de 8 p.p. em apenas três anos e atingindo o maior nível da série. A situação das empresas estatais federais também mostra uma mudança clara de tendência. Durante o governo anterior, o conjunto das estatais registrou superávit primário em todos os anos, com média próxima de R$ 8,8 bilhões por ano. No período mais recente, o cenário se inverteu e passou a registrar déficits recorrentes. Em 2024 o resultado negativo foi de cerca de R$ 8,1 bilhões, e déficit de R$ 5,9 bilhões em 2025. Outro ponto frequentemente discutido é a política tributária. Enquanto a estratégia anterior priorizou ajuste pelo controle de despesas e reformas estruturais, como teto de gastos e reforma da Previdência, sem criação de novos impostos relevantes, o atual período ficou marcado por uma série de mudanças tributárias, com criação e/ou aumento de impostos. Ao todo, foram contabilizadas cerca de 30 medidas que criaram ou aumentaram tributos, envolvendo alterações em diversos setores e bases de arrecadação. O objetivo declarado foi elevar a arrecadação para tentar fechar as contas públicas, por sua vez, descontroladas. Essa estratégia se reflete na carga tributária total, que representa o peso dos impostos sobre a economia. Em 2019 ela estava em 31,9% do PIB, já em 2022 havia subido para 33,1% do PIB, aumento de cerca de 1,2 p.p., muito associado ao boom das commodities e ao crescimento da arrecadação naquele período. Já no governo atual a carga tributária atingiu 34,2% do PIB, o maior nível da série histórica, fruto do crescente aumento de impostos. No mercado de trabalho, os dados mostram uma recuperação importante após a pandemia. Entre 2020 e 2022, o país gerou cerca de 4,6 milhões de empregos formais. Já entre 2023 e 2025, foram criados 4,4 milhões de empregos formais. Em termos acumulados, os números são semelhantes, mas é importante considerar que o primeiro período partiu de um cenário muito mais adverso, marcado pela pandemia. A taxa de desemprego, medida pela PNAD Contínua, também seguiu trajetória de queda. Ela estava em 11,6% no início de 2019 e caiu para 7,9% no final de 2022, uma redução de 3,7 p.p. No governo atual continuou caindo, chegando a 5,1% em 2025, o menor nível da série histórica, mas os dados mascaram o forte papel exercido pelos programas de transferência de renda. No campo monetário, a taxa Selic média foi significativamente mais alta no período recente. Durante a gestão anterior, a média ficou próxima de 6,5% ao ano, com mínima histórica de 2% em 2020 e taxa de 13,75% no final de 2022, após o ciclo de aperto para conter a inflação. No período seguinte, a média da Selic ficou em 12,7% ao ano. Isso aparece claramente no gasto com juros da dívida, que atingiu cerca de 8,1% do PIB em 2024, o equivalente a R$ 950 bilhões, e chegou a 9,7% do PIB em 2025, ultrapassando R$ 1 trilhão pela primeira vez. Em relação à inflação, o desempenho recente foi ligeiramente melhor. Entre 2019 e 2022, a inflação média anual foi de cerca de 6,2%, com forte aceleração global em 2021 e 2022, por conta da pandemia e da invasão russa à Ucrânia. Já entre 2023 e 2025, a média ficou próxima de 4,6% ao ano, refletindo a desaceleração inflacionária mundial após o choque da pandemia e da guerra na Ucrânia. No crescimento econômico, o PIB brasileiro teve média anual de cerca de 1,4% entre 2019 e 2022, período impactado pela forte recessão de 2020. Entre 2023 e 2025, a média aproximada foi de 3,4% ao ano, com crescimento mais forte impulsionado pela forte expansão fiscal que o atual governo vem promovendo. A cotação do Dólar também apresentou mudanças ao longo dos períodos. Em 2018 estava próximo de R$ 3,65. Ao final de 2022 estava em torno de R$ 5,17, refletindo o ambiente global de forte aversão ao risco durante a pandemia. Nos anos seguintes permaneceu na faixa de R$ 4,99 a R$ 5,40, encerrando o ano de 2025 em R$ 5,65 e só tendo forte queda agora em 2026 por conta da atual política de desvalorização do Dólar adotada por Trump. Além dos indicadores centrais das contas públicas, os dados complementares ajudam a ampliar a visão sobre o período. Um dos pontos mais relevantes é o comportamento do déficit nominal, que inclui tanto o resultado primário quanto o pagamento de juros da dívida pública. Em 2022, o déficit nominal estava em 4,7% do PIB. Já nas projeções mais recentes para 2025, esse número chega a cerca de 8,3% do PIB, o equivalente a R$ 1,06 trilhão. No campo das reformas estruturais, também há diferenças claras entre os períodos. Entre 2019 e 2022, o país aprovou um conjunto amplo de reformas, entre elas estão a reforma da Previdência (EC 103/2019), que alterou regras de aposentadoria e deve gerar cerca de R$ 800 bilhões ao longo de dez anos; a autonomia do Banco Central (LC 179/2021); o novo marco do saneamento, que abriu espaço para investimentos privados no setor; a privatização da Eletrobras; a Lei de Liberdade Econômica; além de novos marcos regulatórios para ferrovias, gás natural e cabotagem (BR do Mar), entre outras mudanças institucionais. No período mais recente, as principais mudanças estruturais vieram em outra direção. Destacam-se a reforma tributária sobre o consumo (EC 132/2023), considerada a maior mudança no sistema tributário brasileiro em décadas, além da criação do novo arcabouço fiscal (LC 200/2023), que substituiu o antigo teto de gastos, mas que não tem controlado a expansão de gastos, gerando déficits recorrentes. Também foram aprovadas regras para a regulamentação do mercado de apostas esportivas (bets), avanços no acordo Mercosul e União Europeia, iniciado há décadas, mas um retrocesso no processo de entrada do Brasil na OCDE, com a elevação do IOF com fins arrecadatórios. Outro indicador importante para avaliar a dinâmica de crescimento é a taxa de investimento da economia, medida pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) como proporção do PIB. Entre 2019 e 2022, essa taxa subiu de 15,5% para 17,0% do PIB. Nos anos mais recentes, a taxa permaneceu relativamente estável. Em 2023 ficou em torno de 16,4% do PIB e voltou para 16,9% em 2024 e 16,8% em 2025, indicando um nível de investimento semelhante ao final do período anterior. A balança comercial brasileira continuou registrando resultados positivos ao longo de todo o período, impulsionada principalmente pelo agronegócio e pelas commodities minerais e energéticas. Entre 2019 e 2022, o superávit acumulado foi de cerca de US$ 221 bilhões. Já entre 2023 e 2025, o saldo acumulado chegou a aproximadamente US$ 242 bilhões, impulsionado especialmente pelo forte resultado de 2023, quando a safra recorde e as exportações de petróleo ajudaram a elevar o superávit comercial ao seu maior nível observado na séria histórica, de quase US$ 100 bilhões. De lá para cá, porém, o superávit tem caído, com resultado mais fracos em 2024 e 2025. O ano de 2026 deve continuar com a mesma tendência de política fiscal expansionista, mesmo após a saída de Haddad, pois esta é a linha de política econômica adotada pelo atual governo. Os indicadores mencionados tendem a continuar seu processo de deterioração ao longo do ano e 2027 será, como já mencionado diversas vezes, um ano difícil, de muitos ajustes, para quem assuma o posto de Ministro da Fazenda, devido à herança de gastos descontrolados e contínua elevação de impostos deixada pela gestão Haddad.
O IPCA registrou alta de 0,70% no mês, resultado acima do observado em janeiro, quando o índice havia avançado 0,33%. Com isso, a inflação acumulada no ano chegou a 1,03%, enquanto no acumulado de 12 meses ficou em 3,81%, abaixo dos 4,44% registrados no período imediatamente anterior. Para efeito de comparação, em fevereiro de 2025 o índice havia sido significativamente mais alto, com variação de 1,31%, mas ainda assim trouxe preocupações diante do horizonte de aumento de preço de combustíveis pela frente. O resultado de fevereiro foi influenciado principalmente pelo comportamento dos preços no grupo Educação, que apresentou alta de 5,21% e respondeu sozinho por 0,31 p.p. do IPCA, cerca de 44% da inflação do mês. Esse movimento está associado aos reajustes tradicionalmente aplicados no início do ano letivo. Dentro do grupo, os cursos regulares tiveram aumento de 6,20%, com destaque para as elevações no ensino médio (8,19%), ensino fundamental (8,11%) e pré-escola (7,48%). Outro grupo que exerceu pressão relevante sobre a inflação foi o de Transportes, que registrou alta de 0,74% e impacto de 0,15 p.p. no índice geral. O destaque foi a passagem aérea, que avançou 11,40%, além das altas no seguro de veículos (5,62%), conserto de automóvel (1,22%) e ônibus urbano (1,14%). Em várias capitais houve atualização das tarifas do transporte coletivo, como em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Recife, onde houve reajuste no início de fevereiro. Por outro lado, os combustíveis ajudaram a limitar uma pressão inflacionária ainda maior. No mês, o grupo registrou queda de 0,47%, puxada principalmente pela redução da gasolina (-0,61%) e do gás veicular (-3,10%). No grupo Alimentação e bebidas, os preços subiram 0,26%, uma leve aceleração em relação aos 0,23% de janeiro. A alimentação no domicílio avançou 0,23%, com aumentos expressivos em alguns itens, como açaí (25,29%), feijão-carioca (11,73%), ovo de galinha (4,55%) e carnes (0,58%). Em contrapartida, outros produtos importantes registraram queda, caso das frutas (-2,78%), óleo de soja (-2,62%), arroz (-2,36%) e café moído (-1,20%). Já a alimentação fora do domicílio desacelerou, passando de 0,55% em janeiro para 0,34% em fevereiro. Entre os demais grupos, Saúde e cuidados pessoais avançou 0,59%, influenciado principalmente pelos artigos de higiene pessoal (0,92%) e pelos planos de saúde (0,49%). O grupo Habitação registrou alta de 0,30%, após ter apresentado queda no mês anterior. O resultado foi puxado principalmente pelos reajustes nas taxas de água e esgoto, enquanto a energia elétrica residencial teve variação de 0,33%, mesmo com a manutenção da bandeira tarifária verde. Na análise regional, a maior variação do IPCA em fevereiro foi registrada em Fortaleza, com alta de 0,98%, influenciada principalmente pelos aumentos nos cursos regulares e no preço da gasolina. Já a menor variação ocorreu em Rio Branco, onde o índice avançou apenas 0,07%, refletindo quedas nos preços da energia elétrica e do automóvel novo. Entre as principais capitais do país, São Paulo registrou inflação de 0,97%, enquanto Recife apresentou alta de 0,73% no mês. Os olhos estão todos voltados para a próxima reunião do COPOM onde há uma expectativa de início de cortes na Selic, mas o contexto atual de elevação de preços de combustíveis pode jogar um balde de água fria neste cenário. Apesar do resultado ter sido de elevação da inflação na comparação mensal, em relação ao ano passado foi menor, trazendo o acumulado de 12 meses para um patamar abaixo de 4%, mas que pode se reverter com o resultado de março, caso os preços dos combustíveis sigam o aumento do preço do barril de petróleo.
O volume de vendas do comércio varejista registrou crescimento de 0,4% em relação a dezembro de 2025, segundo o IBGE. As vendas do varejo, sem descontar a inflação, aumentaram 0,5% na mesma base de comparação. Na comparação com janeiro de 2025, o varejo teve alta de 2,8% no volume de vendas, enquanto a receita nominal avançou 4,7%. No indicador acumulado em 12 meses, o volume vendido no comércio varejista registra crescimento de 1,6%, enquanto a receita nominal apresenta expansão de 6,0%. Quando se observa o comércio varejista ampliado, que inclui as atividades de veículos e motos, material de construção e o atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo, o volume de vendas apresentou crescimento de 0,9% frente a dezembro. A comparação com janeiro do ano passado mostrou alta de 1,1%. O resultado positivo do mês foi sustentado principalmente pelo crescimento de veículos e motos, partes e peças (2,8%) e material de construção (3,4%) na comparação mensal. No recorte por atividades do varejo restrito, quatro das oito atividades pesquisadas registraram crescimento na passagem de dezembro para janeiro. O principal destaque foi o segmento de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com avanço de 2,6%, seguido por tecidos, vestuário e calçados (1,8%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,3%) e hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,4%). Por outro lado, houve retração em equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-9,3%), livros, jornais, revistas e papelaria (-1,8%) e combustíveis e lubrificantes (-1,3%), enquanto móveis e eletrodomésticos apresentou estabilidade. Na comparação interanual, seis das oito atividades do varejo apresentaram crescimento. O segmento de móveis e eletrodomésticos destacou-se com alta de 6,1% em relação a janeiro de 2025, mantendo uma sequência de resultados positivos iniciada em julho de 2025. Outro segmento que manteve desempenho positivo foi o de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que avançou 5,6%, registrando o quinto resultado positivo consecutivo. Parte desse desempenho tem sido favorecida pela valorização do real frente ao dólar, que reduz o custo de produtos importados, como celulares, televisores e computadores. O setor de artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria também manteve trajetória consistente, com alta de 5,1% frente a janeiro do ano anterior, registrando o 35º resultado positivo consecutivo nessa base de comparação. Já o segmento de hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceu 2,9% na comparação interanual, registrando o segundo mês consecutivo de expansão e exercendo a maior influência positiva sobre o resultado agregado, com contribuição de 1,6 p.p. para o crescimento total do varejo. No varejo ampliado, o segmento de veículos e motos, partes e peças apresentou queda de 3,3% em relação a janeiro de 2025, sendo o principal responsável pela pressão negativa sobre o indicador agregado, com impacto de -0,6 p.p.. O setor acumula retração de 3,8% em 12 meses, refletindo a sensibilidade do mercado automotivo às condições de crédito e às taxas de juros. O material de construção também apresentou recuo interanual (-2,3%), retomando a trajetória de queda observada ao longo do segundo semestre de 2025. Em contrapartida, o atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo registrou crescimento de 2,0%, marcando o quinto resultado positivo consecutivo. No recorte regional, o comércio varejista apresentou resultados positivos em 20 das 27 unidades da federação na comparação mensal com ajuste sazonal. Entre os maiores avanços destacam-se Rondônia (5,5%), Pernambuco (5,5%) e Amazonas (4,8%), enquanto a principal queda foi registrada na Bahia (-1,4%). No varejo ampliado, também houve predominância de resultados positivos, com destaque para Tocantins (9,6%), Pernambuco (4,0%) e Mato Grosso (3,6%). O crescimento do varejo tem sido muito volátil, com meses de queda e recuperação, mas com crescimento do valor da receita praticamente anulado pela inflação, como apontou o resultado de janeiro. Crédito caro, endividamento elevado e atividade econômica em desaceleração são os fatores que se contrapõem à taxa de desemprego em sua mínima histórica e rendimento real mais alto.
O saldo da balança comercial em fevereiro apresentou uma reversão de um déficit de US$ 0,5 bilhão em 2025 para um superávit de US$ 4,2 bilhões em 2026, combinando um aumento de valor de 15,6% nas exportações e queda de 4,8% nas importações. A china aumentou sua participação em 38,7% no destino das exportações brasileiras, enquanto os EUA tiveram queda de 20,3%. Analisando os principais produtos exportados, os quatro principais foram petróleo, com aumento de 76,5% em valor exportado e chegando a uma participação de 14,2% do total das exportações em fevereiro; soja, com aumento de 15,5% em valor e 11,2% em participação; minério de ferro, 20,9% em aumento de valor e 7,9% de participação; e, carne bovina, com 41,8% de aumento em valor exportado e 5,1% em participação do total exportado. A China continua aumentando sua participação como destino das exportações brasileiras, com aumento de 38,7% no valor exportado para lá e aumento da participação para 27,4%. Os EUA, por sua vez, tiveram queda de 20,3% como destino das exportações brasileiras, com participação agora de 9,6%, bem abaixo dos 13,9% do ano passado e perdendo espaço para as exportações brasileiras para a União Europeia, que cresceram 34,7% em valor e responderam em fevereiro por 16,1% das exportações totais do Brasil. No acumulado do ano, com o resultado de fevereiro, o saldo apresentou um crescimento de 329%, passando de US$ 1,9 bilhão em 2025 para US$ 8,0 bilhões em 2026, revertendo uma tendência de queda do saldo que vinha se acumulando desde 2023, quando houve um recorde de quase US$ 100 bilhões de saldo positivo naquele ano. O cenário pela frente é bastante incerto, pois com o conflito do Irã, as exportações de petróleo devem ter um aumento de valor significativo, desde que os preços continuem seu processo de forte elevação, impactando o resultado do mês de março. por outro lado, as importações de produtos derivados do petróleo, como combustíveis, bem como fertilizantes, uréia e outros itens podem também ser influenciadas por esse aumento.
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Na comparação com o trimestre encerrado em dezembro, subiu de 5,1% para 5,4%. Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, quando o desemprego estava em 6,5%, houve queda de 1,1 p.p. Em números absolutos, cerca de 5,9 milhões de pessoas estão desocupadas no país, o menor contingente desde o início da série. Esse número representa uma redução expressiva de 17,1% na comparação anual. A taxa de subutilização da força de trabalho, que inclui pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e aquelas que poderiam trabalhar, mas não estão procurando emprego, ficou em 13,8%. O resultado representa queda de 1,8 p.p. em relação ao mesmo período de 2025. Já o número de desalentados, pessoas que desistiram de procurar trabalho por acreditarem que não encontrariam emprego, somou 2,7 milhões. Outro destaque foi a continuidade da redução da informalidade no mercado de trabalho. A taxa de informalidade ficou em 37,5% da população ocupada, o menor nível desde julho de 2020. No mesmo período de 2025 era de 38,4%. Em termos absolutos, isso significa que cerca de 38,5 milhões de trabalhadores estavam em ocupações informais. Segundo o IBGE, essa queda vem sendo observada desde 2022 e ganhou mais intensidade a partir de 2023, refletindo tanto a redução do emprego sem carteira assinada no setor privado quanto o avanço da formalização entre trabalhadores por conta própria. Os dados de empregos formais do Caged apresentam que o Brasil registrou abertura de 112.334 vagas com carteira assinada em janeiro, elevando o estoque total de empregos formais para 48,6 milhões de vínculos ativos no país. No acumulado de 12 meses, entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, o saldo foi positivo em 1.228.483 postos de trabalho, com crescimento de 2,6% no estoque de empregos formais. Na análise setorial dos empregos formais, quatro dos cinco grandes setores da economia registraram saldo positivo em janeiro. A indústria liderou a geração de empregos, com 54.991 vagas, seguida pela construção (50.545 vagas), serviços (40.525 vagas) e agropecuária (23.073 vagas). O único setor com saldo negativo foi o comércio, que fechou 56.800 postos de trabalho, movimento associado à sazonalidade do início do ano, após o encerramento de contratos temporários realizados durante o período de maior atividade do fim de ano. Regionalmente, 18 das 27 unidades da federação registraram saldo positivo de empregos formais em janeiro. Os maiores saldos foram observados em Santa Catarina, com 19 mil vagas, seguido por Mato Grosso, com 18.731 postos, e Rio Grande do Sul, com 18.421 vagas. Entre os resultados negativos, destacaram-se Rio de Janeiro, com fechamento de 13.009 vagas, além de Alagoas, com 2.922 postos a menos, e Ceará, com redução de 1.291 vagas. O leve aumento da taxa de desemprego na comparação com o trimestre encerrado em dezembro não alivia a pressão que o mercado de trabalho aquecido tem trazido sobre a inflação, o que torna um componente difícil para auxiliar na redução dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central. A desaceleração da economia, medida pelo PIB, e os números recentes do IPCA, por sua vez, podem ajudar nessa indicação de queda dos juros.
O petróleo atingiu o patamar de US$ 80,00 o barril do brent e pode chegar a ultrapassar os US$ 100,00 se o conflito permanecer por mais tempo que o previsto, impactando o crescimento do PIB global, numa desaceleração projetada pelo Bradesco de 0,4 p.p., e de queda consequente de 0,2 p.p. no PIB brasileiro. O petróleo mais caro também vai alterar outras variáveis macroeconômicas no Brasil. A arrecadação federal tende a se beneficiar com a elevação do preço do barril, com aumento dos royalties pagos, dos dividendos da Petrobras, caso faça o repasse dos preços aos consumidores, e dos impostos sobre os combustíveis, além do aumento no imposto de renda pago pelas empresas do setor. As contas externas tendem a se beneficiar com o impacto na balança comercial oriundo do aumento do valor das exportações. O aumento do preço de US$ 60 para US$ 80 por barril eleva o saldo da balança comercial em US$ 11 bilhões, diminuindo o déficit da conta corrente, e impactando o Real positivamente em relação a outras moedas de países emergentes. O aumento do preço do barril de petróleo impacta a inflação no curto prazo, desde que a Petrobras faça o repasse da defasagem dos preços domésticos de diesel e gasolina em relação aos preços internacionais, medidos pelo Preço de Paridade de Importação (PPI). Segundo a Stonex, divulgado pelo Valor, a defasagem hoje, com o barril em US$ 80,00, está em R$ 1,1 por litro de diesel, ou 35,9% no PPI do Golfo do México. No caso da gasolina, está em R$ 0,50 ou 19,5%. Segundo a Abicom, a defasagem é ainda maior, de R$ 1,31 (40%) para o diesel. Na época da invasão russa à Ucrânia, o barril de petróleo chegou a bater US$ 122,00, trazendo um impacto significativo na inflação via repasse instantâneo aos preços nacionais. A política atual é de suavização desse repasse, que pode atenuar os efeitos sobre os preços de diesel e gasolina, retardando o impacto direto do reajuste do diesel e da gasolina sobre o IPCA, mas também indireto, através dos produtos transportados pelo país. O impacto sobre os juros vai depender da duração do conflito, que pode fazer com que os preços do petróleo permaneçam altos por um longo período, obrigando a Petrobras a fazer o repasse domesticamente, gerando um efeito bola de neve sobre a inflação e, consequentemente, sobre a manutenção dos juros em um patamar mais elevado por mais tempo.
O crescimento em 2025 do PIB foi puxado por quatro atividades: Agropecuária, Indústrias extrativas, Informação e comunicação e Outras atividades de serviços, que contribuíram juntos com 72% do avanço da economia no ano. Por outro lado, Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos (-0,4%) e as Indústrias de Transformação (-0,2%) fecharam o ano com variações negativas. Os dados para o 4º trimestre mostram a contínua desaceleração da economia brasileira, com crescimento de somente 0,1% em relação ao trimestre anterior. O IBGE ajustou o crescimento do 3º trimestre, antes de 0,1% para um crescimento de 0,0% agora. No 2º trimestre, o crescimento havia sido de somente 0,3%, deixando todo o impulso da economia para o início do ano, no 1º trimestre, quando o PIB avançou 1,5%, evidenciando o franco declínio da economia. Os dados são reforçados pela queda nos investimentos e consumo das famílias ao longo do ano. O consumo das famílias fechou o ano com um crescimento de 1,3%, mas no último trimestre, o crescimento foi de 0,0%, trimestre tradicionalmente mais forte em termos de consumo. Os investimentos avançaram 2,9% no ano, mas caíram 3,5% no último trimestre, após leve recuperação no 3º trimestre (+0,1%) e queda de 2,5% no 2º trimestre. Imagem ótica da despesa O resultado do ano aponta para uma economia que foi puxada principalmente pela agropecuária e indústria extrativa, sofrendo influências de aumento de demanda internacional para o consumo de milho, soja, petróleo e minérios. O consumo das famílias dentro do país, mesmo com uma expansão de 12,9% no crédito, programas de transferência de renda e aumento real da massa salarial, sofre de um aumento considerável do endividamento das famílias, freando o consumo. A economia segue em ritmo de redução expressiva na atividade econômica em 2026, com crescimento que deve ficar abaixo de 2,0%, sendo puxada pelo setor externo e gastos governamentais dentro do país. A taxa de juros alta tende a frear o consumo e a produção, mesmo com o início de um ciclo de redução ao longo deste ano. As incertezas políticas devem frear os investimentos e as medidas do governo de aumento de crédito e programas de transferência de renda irão continuar exercendo estímulo de curtíssimo prazo.
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Apesar de, em janeiro, o superávit primário ter sido de R$ 103,7 bilhões, abaixo do observado em 2025, de R$ 104,1 bilhões, e com uma arrecadação recorde no mês de janeiro de R$ 325,8 bilhões, o déficit nominal continua a crescer, descontroladamente. O superávit veio dos governos central e regionais, com R$ 87,3 bilhões e R$ 21,3 bilhões, respectivamente. Em sentido contrário, as empresas estatais registraram déficit de R$ 4,9 bilhões no mês. As estatais federais tiveram o maior déficit da história em janeiro, R$ 3,3 bilhões. No acumulado em doze meses, o setor público consolidado apresenta um déficit de R$ 55,4 bilhões, equivalente a 0,43% do PIB, o mesmo percentual registrado em dezembro de 2025. Quando se incorporam os juros da dívida, o quadro fiscal ganha outra perspectiva e bastante negativa. Os juros do setor público consolidado somaram R$ 63,6 bilhões em janeiro, significativamente superior aos R$ 40,4 bilhões registrados em janeiro do ano anterior. Essa elevação reflete o crescimento do estoque da dívida líquida ao longo do período. No acumulado em doze meses, o setor público consolidado registra déficit nominal de R$. 1.086,2 bilhões, equivalente a 8,49% do PIB, superior ao déficit de R$ 1.062,6 bilhões (8,34% do PIB) registrado até dezembro de 2025. A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG), que engloba Governo Federal, INSS e governos estaduais e municipais, manteve o mesmo de nível de dezembro, 78,7% do PIB (R$ 10,1 trilhões) em janeiro. Embora a relação dívida/PIB tenha avançado apenas 0,1 p.p. em janeiro frente a dezembro, o movimento acumulado ao longo do atual governo Lula já representa elevação de 7,1 p.p. A arrecadação recorde de janeiro não foi suficiente para aliviar a trajetória da dívida em relação ao PIB, que deve ultrapassar 80% este ano, já que as eleições e o descontrole fiscal devem prevalecer. O déficit nominal crescente é alimentado por emissões de dívida que refletem um descontrole fiscal não registrado no Arcabouço Fiscal que é divulgado pelo governo, pois muitas despesas ficam de fora dele, mascarando o real déficit das contas públicas.
O indicador considera operações com atraso superior a 90 dias e vem em trajetória de alta desde o ano passado. Nos três últimos meses de 2025, já havia alcançado 4%, superando inclusive o pico observado em maio de 2017, após a última grande recessão econômica. O movimento atual ocorre em um contexto diferente, marcado por juros elevados por um período prolongado, maior endividamento das famílias, aumento da carga tributária e desaceleração forte da economia. Um dos principais motivos para essa piora é o nível da taxa básica de juros. Desde junho, o BC mantém a Taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas. Juros nesse nível encarecem o custo do crédito, as parcelas pesam mais no orçamento e sobra menos espaço para organizar as contas. A expectativa do mercado é que o ciclo de cortes tenha início em março. No crédito com recursos livres, aquele negociado diretamente entre bancos e clientes, a inadimplência subiu para 5,5% em janeiro, acima dos 5,4% registrados em dezembro. Já no crédito direcionado, como financiamentos imobiliários e rurais, o indicador avançou de 2,2% para 2,5%. A diferença revela que o problema está mais concentrado nas linhas sensíveis ao ciclo econômico e, principalmente, nas modalidades emergenciais. Outro elemento importante é o nível de endividamento das famílias. Em dezembro, o estoque de dívidas correspondia a 49,7% da renda acumulada em 12 meses, o maior percentual desde julho de 2022, quando chegou a 49,9%. Já o comprometimento mensal da renda com o pagamento de dívidas ficou em 29,2%, relativamente estável desde setembro, mas ainda em patamar elevado. As instituições financeiras, por meio da Febraban, demonstram preocupação com a qualidade da carteira, especialmente no crédito livre às famílias. Em pesquisa recente, 79% dos bancos afirmaram esperar estabilização da inadimplência em breve, enquanto 21% projetam continuidade da alta. A projeção é que a inadimplência da carteira livre encerre 2026 em 5,2%, já incorporando a expectativa de queda da Selic para abaixo de 12,25% ao final do ano. No fim das contas, o recorde da inadimplência é resultado de uma combinação de fatores: juros altos por tempo prolongado, famílias já bastante endividadas, maior uso de linhas de risco e desaceleração da economia, que dificulta a vida das empresas. O comportamento do indicador nos próximos meses dependerá, sobretudo, da trajetória da política monetária, da evolução do mercado de trabalho e da capacidade de reestruturação das dívidas em um ambiente ainda financeiramente restritivo.
A Resenha Regional, um levantamento feito regularmente pelo Banco do Brasil, aponta agora, no seu relatório de fevereiro deste ano, que o Brasil deve crescer 2,0% em 2026, enquanto o Nordeste deve crescer acima desse patamar, com um crescimento de 2,2%, puxado principalmente pela indústria, que deve ter um crescimento de 3%, e pelo setor de serviços, com crescimento de 2,2%. Os principais vetores para o crescimento da economia em 2026 na região Nordeste vêm dos investimentos públicos e das obras de infraestrutura. Há investimentos públicos acontecendo em diversos estados do Nordeste, como a Transnordestina, a ampliação da Refinaria Abreu e Lima e obras de infraestrutura que vêm sendo desenvolvidas pelos estados em parceria com o governo federal. Além disso, há incentivos que estão sendo voltados à aquisição da casa própria, como no estado de Pernambuco, com o programa Morar Bem, com Entrada Garantida, que ajuda a enquadrar mais famílias no programa Minha Casa Minha Vida, e isso tem impulsionado muito esse mercado desde o lançamento do programa. Os programas para reforma de moradias também vão estimular a construção civil e o varejo de materiais. Na Bahia, há uma expansão da produção automobilística prevista com a fábrica BYD. Há também o turismo na Paraíba, com vários investimentos no polo turístico que estão acontecendo, bem como a própria construção civil, que tem apresentado forte expansão em João Pessoa. No Ceará, há a previsão da construção de um mega data center, com investimentos de mais de R$ 200 milhões. Outros investimentos estão sendo anunciados por todos os estados, e vale chamar a atenção para os investimentos em infraestrutura de rodovias aqui em Pernambuco, que também vão ajudar muito nesse sentido. Estes são dados que têm ajudado a puxar o PIB do Nordeste na sua participação, onde hoje 70,8% vêm do setor de serviços, 20,4% vêm da indústria e 8,8% da agropecuária, representando 13,8% do PIB nacional. No comércio, houve crescimento em 2025, com vários estados avançando, inclusive Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas e Ceará, enquanto outros tiveram crescimento mais discreto. No setor de serviços, a maior parte da região registrou avanço em 2025, enquanto Pernambuco apresentou estabilidade, e Bahia e Piauí apresentaram retração. No turismo, todos os estados do Nordeste tiveram desempenho positivo no ano passado, com forte recuperação da demanda e fortalecimento das atividades que ajudam no fluxo de visitantes. Com relação à indústria, apenas a Bahia apresentou crescimento de janeiro a novembro. Pernambuco teve retração, que veio por conta de uma paralisação na Refinaria Abreu e Lima, mas apresenta, ao longo de 2026, uma recuperação. Em termos de emprego formais, todos os estados do Nordeste tiveram crescimento no ano de 2025. A Paraíba liderou o crescimento regional, com alta de 6,03%, com contratações no setor de serviços. Depois veio o Piauí, com 5,81%, por conta da construção civil. A região encerrou o ano com aumento de 4,38% no número de empregados, com a criação de 347,9 mil vagas formais, o que ajuda bastante na redução da taxa de desemprego em todos os estados do Nordeste. Bastante relevante para o crescimento da economia nordestina, que vai repercutir em aumento de emprego e de renda para a população. Apesar das incertezas das eleições, a região Nordeste apresentará esse desempenho, com setores avançando bem acima do restante da economia. O importante é entender melhor como a dinâmica desses setores e regiões se dá, para que seja potencializar o crescimento econômico como um todo.
As transações correntes do balanço de pagamentos registraram déficit de US$ 8,4 bilhões em janeiro, resultado melhor do que o observado no mesmo mês de 2025, quando o saldo negativo havia sido de US$ 9,8 bilhões. A melhora na comparação interanual foi puxada pelo desempenho mais favorável da balança comercial e pela redução do déficit na conta de serviços, ainda que parte desse avanço tenha sido compensada pelo aumento do déficit em renda primária. No acumulado em doze meses, o déficit atingiu US$ 67,6 bilhões, o equivalente a 2,92% do PIB, mostrando recuo tanto em relação ao mês anterior (US$ 69,0 bilhões) quanto frente a janeiro de 2025 (US$ 72,4 bilhões). A melhora do resultado corrente passa pelo comércio de bens. A balança comercial apresentou superávit de US$ 3,5 bilhões, mais que o dobro do registrado um ano antes (US$ 1,4 bilhão). As exportações somaram US$ 25,3 bilhões, com leve recuo de 1,2% na comparação interanual, enquanto as importações totalizaram US$ 21,8 bilhões, registrando queda mais intensa, de 10,0%. Na conta de serviços, o déficit foi de US$ 4,0 bilhões em janeiro, redução de 12,8% frente ao mesmo mês de 2025. Houve aumento nas despesas líquidas com aluguel de equipamentos, que cresceram 21,7%, alcançando US$ 1,1 bilhão, e com serviços de propriedade intelectual, que avançaram 4,9%, totalizando US$ 805 milhões. Em contrapartida, houve queda nas despesas líquidas com telecomunicações, computação e informações (recuo de 11,9%) e com transportes (redução de 68,7%). Já as despesas líquidas com viagens internacionais somaram US$ 1,5 bilhão, 48,4% superiores às de janeiro de 2025. Por outro lado, a conta de renda primária voltou a pressionar o resultado externo. O déficit alcançou US$ 8,3 bilhões, aumento de 18,7% em relação aos US$ 7,0 bilhões observados um ano antes. As despesas líquidas com juros somaram US$ 3,7 bilhões, crescimento de 18,3%, enquanto as despesas líquidas de lucros e dividendos atingiram US$ 4,7 bilhões, alta de 16,8%. No financiamento do déficit externo, os investimentos diretos no país (IDP) totalizaram US$ 8,2 bilhões, acima dos US$ 6,7 bilhões registrados em janeiro de 2025. Desse total, US$ 6,9 bilhões corresponderam à participação no capital e US$ 1,3 bilhão às operações intercompanhia. No acumulado em doze meses, o IDP alcançou US$ 79,1 bilhões (3,42% do PIB), superando tanto o valor de dezembro de 2025 quanto o de janeiro de 2025, reforçando a continuidade da entrada de capital produtivo. As reservas internacionais somaram US$ 364,4 bilhões em janeiro, aumento de US$ 6,1 bilhões em relação ao mês anterior. O aumento decorreu principalmente da variação por paridades (US$ 5,1 bilhões) e das receitas de juros (US$ 789 milhões), parcialmente compensadas por variações negativas de preço. Não houve intervenções do Banco Central no mercado de câmbio no período, e o saldo de linhas com recompra permaneceu estável em US$ 14,8 bilhões.
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Estamos iniciando o ano com uma valorização bastante relevante do Real em relação ao Dólar, muito impactada por questões internacionais, especificamente dos EUA. O governo de Donald Trump tem adotado uma política de desvalorização do Dólar frente às demais moedas, como forma de melhorar o desempenho das exportações americanas. Isso ajuda a explicar o movimento recente, mas não deve continuar da mesma forma até o final do ano. Vários fatores devem impactar o câmbio ao longo deste ano, e é importante se preparar para a oscilação que isso tende a trazer. Primeiro, temos uma política monetária ainda bastante contracionista aqui no Brasil, com taxa de juros elevada, de 15% ao ano. No entanto, a expectativa é de que essa taxa comece a cair ao longo do ano, com possibilidade de encerrar próximo de 12%. Essa redução deve gerar pressão sobre o câmbio, porque os títulos brasileiros, em Reais, passarão a pagar menos. Consequentemente, investidores internacionais podem sair do país diante de um prêmio menor e de uma maior aversão ao risco elevado do componente fiscal. Nos EUA, o caminho também aponta para juros mais baixos. A política monetária americana passou por uma pausa, mas há expectativa de continuidade na redução da taxa, inclusive com pressões políticas. Atualmente em 3,75%, essa taxa pode cair a depender do resultado do PIB, da taxa de desemprego e, principalmente, da inflação. As decisões do Federal Reserve são fundamentais, porque influenciam diretamente o fluxo de capitais e o comportamento do câmbio tanto lá quanto aqui. Além disso, há a expectativa em torno da corrida eleitoral no Brasil. A depender das pesquisas e das declarações dos candidatos, especialmente em relação à política fiscal que será adotada no próximo ano, o Dólar tende a oscilar. O mercado reage às expectativas de equilíbrio ou descontrole fiscal, maior risco da economia brasileira atualmente, e isso influencia diretamente a taxa de câmbio. De fato, é possível que até o final do ano o câmbio apresente uma deterioração, com o Real se desvalorizando frente ao Dólar. A taxa pode retornar para um patamar mais próximo de R$ 5,50, ou até ultrapassar esse nível, dependendo da combinação dessas variáveis. Portanto, o câmbio atual, em torno de R$ 5,20, pode ser interessante para empresas, investidores e turistas que pretendem viajar ao exterior, já que esse patamar pode não se manter até o fim do ano.
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Segundo prévia do Banco Central, a economia brasileira deve crescer 2,45% em 2025. O resultado vem abaixo do observado nos últimos 4 anos, desde a retomada da economia após a pandemia. O resultado, medido pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), apontou uma queda de 0,2% em dezembro, comprovando a desaceleração da economia brasileira. A queda de 0,2% na comparação com novembro interrompeu a recuperação registrada no mês anterior, quando a alta foi revisada de 0,68% para 0,59%. Na comparação interanual, o IBC-Br avançou 3,05% frente a dezembro de 2024. No trimestre encerrado em dezembro, a alta foi de 0,42% sobre o trimestre imediatamente anterior e de 1,69% em relação ao mesmo período de 2024. Na abertura por setores, a agropecuária avançou 2,26% frente a novembro, sendo o principal destaque do mês. A indústria também cresceu, 0,32%, enquanto serviços recuou 0,26%. O componente de impostos caiu 0,17% e o indicador ex-agropecuária registrou retração ainda maior, de 0,31%. No acumulado de 2025, todos os setores apresentaram crescimento, com destaque para a agropecuária, que avançou 13,05%. O setor de serviços cresceu 2,06%, a indústria teve alta de 1,45% e o componente de impostos, 1,24%. O ano de 2026 deve continuar apresentando desaceleração da economia, mesmo com o início da redução de juros prevista para março, pois o efeito da redução leva alguns meses para ser sentido. Outro componente importante para impulsionar o crescimento da economia em 2026 vem de mais uma expansão fiscal, turbinada com as eleições, mas o ambiente de incertezas com o resultado delas serve como um freio para investimentos, pois não se sabe como 2027 será em termos de políticas governamentais.
Apesar disso, o setor de serviços encerrou 2025 com crescimento de 2,8%. A queda no último mês do ano interrompeu uma sequência de nove altas consecutivas e um mês de estabilidade, período em que o setor acumulou ganho de 3,6%. Ainda assim, o nível de atividade permanece elevado: está 19,6% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020) e apenas 0,4% abaixo do recorde da série histórica, alcançado em novembro de 2025 e sendo o principal setor que tem puxado a economia. Na comparação com dezembro de 2024, o volume de serviços avançou 3,4%, marcando o vigésimo primeiro resultado positivo consecutivo nessa base de comparação. O acumulado nos últimos doze meses ficou em 2,8%, um pouco acima do ritmo observado até novembro (2,7%). Já a receita nominal apresentou alta de 7,7% frente a dezembro do ano anterior e avanço de 7,5% tanto no acumulado do ano quanto em 12 meses. A queda de 0,4% em dezembro foi disseminada em três das cinco grandes atividades investigadas, com destaque para transportes (-3,1%), que apresentou queda em todos os seus segmentos: transporte terrestre (-1,7%), aquaviário (-1,4%), aéreo (-5,5%) e armazenagem e serviços auxiliares aos transportes e correio (-4,9%). Também registraram retração os outros serviços (-3,4%) e os serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,3%). Por outro lado, informação e comunicação (1,7%) e serviços prestados às famílias (1,1%) evitaram uma queda mais intensa do indicador geral. Na comparação anual, todas as cinco atividades avançaram em dezembro, com destaque para informação e comunicação (6,8%) e serviços profissionais, administrativos e complementares (4,4%), que exerceram os principais impactos positivos. No primeiro caso, o resultado foi impulsionado por segmentos ligados à tecnologia, como desenvolvimento e licenciamento de softwares, portais e provedores de conteúdo, tratamento de dados e consultoria em TI. No segundo, sobressaíram atividades como intermediação de negócios por aplicativos e plataformas de e-commerce, serviços de engenharia e consultoria em gestão empresarial. Os demais avanços na comparação anual vieram de outros serviços (2,8%), transportes (0,8%) e serviços prestados às famílias (1,8%). No caso dos transportes, contribuíram positivamente o rodoviário de cargas, o transporte aéreo de passageiros e atividades de logística. Já nos serviços às famílias, destacaram-se serviços de bufê e a produção e promoção de eventos esportivos. No acumulado de 2025, o crescimento de 2,8% foi sustentado por quatro das cinco grandes atividades e por 53,6% dos 166 tipos de serviços investigados. Informação e comunicação (5,5%) foi novamente o principal motor do setor ao longo do ano, reforçando o papel estratégico das atividades ligadas à tecnologia. Também contribuíram positivamente transportes (2,3%), serviços profissionais e administrativos (2,6%) e serviços prestados às famílias (1,1%). A única influência negativa no ano veio de outros serviços (-0,5%), pressionados por segmentos como atividades auxiliares dos serviços financeiros, manutenção e reparação de veículos, e administração de cartões de crédito. Regionalmente, em dezembro, 16 das 27 unidades da federação registraram queda frente a novembro, com impactos mais intensos em estados como Santa Catarina (-3,9%), Rio Grande do Sul (-2,8%) e São Paulo (-0,3%), além de retrações expressivas no Pará (-7,3%) e em Mato Grosso do Sul (-5,2%). Em contrapartida, Rio de Janeiro (1,3%), Paraná (1,5%) e Mato Grosso (4,3%) lideraram as contribuições positivas no mês.
O ano só começa depois do Carnaval, mas promete ser um ano bem difícil. Por isso, é importante você, como empreendedor, ter um ano de organização, cautela e fortalecimento dos fundamentos da sua empresa. A gente vai passar por um ano com muitos feriados, Copa do Mundo e eleição. Isso vai diminuir muito, em alguns negócios, o seu faturamento. Para outros, que são voltados para o turismo e serviços relacionados a esses feriados, festas e à eleição, é um ano até mais interessante de aumento de receita. Porém, com muita cautela, porque a gente ainda tem muitas incertezas pela frente. Uma taxa Selic a 15%, que deveria ter iniciado sua trajetória de queda no início do ano, ficou para março, mas talvez não caia, porque o IPCA teve uma elevação acima do normal no mês de janeiro, e isso vai dificultando cada vez mais o custo do crédito e, consequentemente, o acesso ao crédito pelas empresas. É um ano de organização, de redução de despesas, para que haja uma boa gestão de risco e um aprimoramento na governança corporativa como pilares fundamentais para atravessar esse ambiente de alta imprevisibilidade. O caixa é um instrumento de sobrevivência relevante em momentos como esse. Inclusive, se fala que “cash is king”, ou seja, o caixa é rei: tendo recursos em caixa, você vai ter uma facilidade maior de passar por momentos turbulentos. Gestões eficientes de estoques, de clientes e de fornecedores estratégicos vão ajudar nesse momento. 2026 é um ano de aumento de gastos por parte do setor público, como eu já comentei várias vezes, mas também podem surgir oportunidades. E 2027 é o que me preocupa ainda mais, porque é um ano de forte arrumação, e essa arrumação vai incluir redução de despesas por parte do governo para tentar reequilibrar suas contas, que estão com crescimento de 20% em termos reais, ano após ano, nos últimos três anos, na gestão atual. Isso tem inflado o crescimento da economia, com o PIB puxado muito por conta disso, mas também tem gerado inflação e juros muito elevados. O ano de 2027 deve trazer essa correção, independentemente de quem vai ganhar, seja de esquerda ou de direita. É importante se preparar para esse ciclo. Lembrando que existem, em regiões como Nordeste, Norte e Centro-Oeste, fundos constitucionais que são repassados pelo Banco do Nordeste, pelo BASA e pelo Banco do Brasil, por exemplo, onde o crédito é mais em conta, um crédito direcionado. Os princípios de governança são ainda mais exigidos na busca por crédito direcionado. E essa é a grande dificuldade, principalmente das pequenas e médias empresas, que precisam fazer o dever de casa antes para poder ter esse acesso. É importante se preparar, se organizar para um ano importante que começa pela frente e, ainda mais, olhando para 2027.
O IPCA de janeiro teve variação de 0,33%, repetindo o resultado observado em dezembro de 2025, mas acima das expectativas. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses avançou para 4,44%, acima dos 4,26% registrados no período imediatamente anterior. O resultado pode frustrar as expectativas de início de redução de juros em março? O principal destaque do mês foi o grupo Transportes, que registrou alta de 0,60% e respondeu pelo maior impacto individual no IPCA de janeiro, com contribuição de 0,12 p.p. Esse movimento foi fortemente influenciado pela elevação dos combustíveis, que subiram 2,14% no mês. A gasolina avançou 2,06% e foi o item com maior impacto isolado sobre o índice geral, enquanto o etanol (3,44%), o óleo diesel (0,52%) e o gás veicular (0,20%) também contribuíram para a alta. Além dos combustíveis, os reajustes nas tarifas de transporte público urbano tiveram peso relevante. O ônibus urbano subiu 5,14%, refletindo aumentos expressivos em capitais como Fortaleza, São Paulo e Rio de Janeiro, combinados com políticas de gratuidade aos domingos e feriados. Também houve alta no metrô (1,87%), no trem (1,56%), na integração de transporte público (6,88%) e no serviço de táxi (1,47%). Apesar dessas pressões, o grupo Transportes teve algum alívio com quedas expressivas em itens como transporte por aplicativo (-17,23%) e passagem aérea (-8,90%). Outro grupo que chamou atenção foi Comunicação, que apresentou a maior variação percentual entre todos os grupos, com alta de 0,82%. O resultado foi puxado principalmente pelo aumento nos preços dos aparelhos telefônicos (2,61%) e por reajustes em planos de serviços, que afetaram itens como TV por assinatura (1,34%) e combos de telefonia, internet e TV (0,76%). Já em Saúde e cuidados pessoais, a inflação foi de 0,70%, a segunda maior variação do mês, com destaque para os artigos de higiene pessoal, que subiram 1,20%, e para os planos de saúde, com alta de 0,49%. Enquanto isso, Alimentação e bebidas apresentou desaceleração, passando de 0,27% em dezembro para 0,23% em janeiro. Alimentação no domicílio subiu 0,10%, influenciada pelas quedas expressivas do leite longa vida (-5,59%) e do ovo de galinha (-4,48%), que ajudaram a conter a inflação. Por outro lado, itens como tomate (20,52%) e carnes (0,84%) exerceram pressão de alta. Alimentação fora do domicílio também perdeu fôlego, com variação de 0,55%, abaixo dos 0,60% registrados no mês anterior. Habitação registrou queda de 0,11%, o principal fator foi a redução de 2,73% na energia elétrica residencial, maior impacto negativo do mês sobre o IPCA, resultado da mudança da bandeira tarifária amarela, vigente em dezembro, para a bandeira verde em janeiro, sem cobrança adicional. Ainda assim, houve pressões pontuais, como o aumento da taxa de água e esgoto (2,56%) e do gás encanado (0,95%), influenciados por reajustes tarifários em diversas capitais. O grupo Vestuário também apresentou variação negativa, com recuo de 0,25%, contribuindo para conter a inflação no mês. Do ponto de vista regional, a maior variação foi registrada em Rio Branco, com alta de 0,81%, impulsionada principalmente pelo aumento da energia elétrica residencial e dos artigos de higiene pessoal. No outro extremo, Belém apresentou a menor variação, de 0,16%, influenciada pela queda nos preços da energia elétrica e das passagens aéreas. No acumulado em 12 meses, algumas capitais já operam com inflação acima da média nacional, como São Paulo (4,92%), Vitória (5,06%) e Porto Alegre (5,06%), enquanto outras permanecem abaixo, como Campo Grande (3,60%) e São Luís (3,56%). O resultado traz mais dúvidas sobre a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central em relação ao início do processo de redução da taxa de juros, muito esperada para o mês de março, quando ocorre a próxima reunião. A inflação permanece sendo afetada por itens que empurram o acumulado de 12 meses para cima, dificultando a convergência para o centro da meta no próximo ano.
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