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Literatura Oral
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Vem acessar o Literatura Oral onde todo o conteúdo está concentrado!
O episódio completo está no canal do Literatura Oral no YouTube!Te inscreve no canal e confere lá o #123 ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA - JOSÉ SARAMAGOhttps://www.youtube.com/watch?v=kVNdYBliEJ4&list=TLPQMjYwNDIwMjWoQwpA1ERWKA&index=1
Sobre a vulnerabilidade de mulheres viajando sozinhas e abuso de autoridade.
No último episódio,terminei de comentar MB, de Gustave Flaubert. Hoje vou conversar com vocêssobre Marina Colasanti.A escritora nasceu em1937, na Eritreia, um país do nordeste da África. Na época que Marina nasceu, aEritreia era uma colônia italiana. Ela faleceu recentemente, aos 87 anos, em 28de janeiro de 2025, no RJ, onde ela morou desde os 11 anos. Marina foijornalista, artista plástica (ela ilustrou alguns de seus livros), tradutora, ecomo escritora escreveu mais de 70 obras, incluindo literatura infantil. Recebeuvários prêmios literários. O Prêmio Jabuti, Marina conquistou seis vezes. Em2023, recebeu o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto da obra, sendo que foi aprimeira mulher a receber essa condecoração entregue pela ABL. Marina erafeminista, fez parte do Primeiro Conselho Nacional pelos Direitos da Mulher, em1985. Esse Conselho foi criado logo no primeiro ano da volta do governo civildepois da ditadura. Era um órgão do governo federal, com objetivo de promoverpolíticas para as mulheres.
O farmacêutico lê sobre um novo método de
curar pés tortos. Ele e Emma convencem Charles a estudar a respeito para curar
o pé torto de Hippolyte, carregador de malas da pensão que mancava. Só que o
cara nem queria ser operado, vivia bem daquele jeito. Conseguia trabalhar e
tudo. O farmacêutico enche a cabeça de Emma que se desse certo, Yonville seria
a primeira cidade a realizar o procedimento e Charles ficaria rico. Pronto!
Essa possibilidade bastou pra Emma achar o marido interessante!
já tava na hora de comentar esse clássico, que eu até falei nele em muitos outros episódios. Mas agora temos um episódio todinho pra saber mais sobre Madame Bovary. Antes de começar, se for a tua primeira vez por aqui, peço que te inscreva no canal. E vale lembrar que, os comentários que eu vou apresentar aqui, as chaves de leitura que eu vou sugerir, não substituem a tua leitura pessoal da obra! Combinado?
Madame Bovary foi publicado em 1857 e foi um escândalo. Flaubert chegou a responder a um processo. Mas por que será que isso aconteceu? Mesmo quem não leu o romance ou só conhece a história por cima, sabe que a protagonista é uma mulher casada que tem casos extraconjugais. Mas o que levou a obra a ser criticada e o escritor a ser processado não foi a história de uma mulher adúltera, somente, mas a criação de uma personagem, com a autenticidade peculiar a um Romance Realista, que ousou. Emma ousou buscar sua felicidade e ousou rompeu paradigmas. Flaubert foi processado porque Emma poderia influenciar (mal) as leitoras. Em sua defesa, o escritor declarou “Emma Bovary sou eu!”, numa tentativa de mostrar que a insatisfação pessoal que acometeu a personagem poderia ocorrer a qualquer pessoa.
Felippe D’Oliveira nasceu em Santa Maria, em 1890, e faleceu em Paris, em 1933. Era jovem, tinha 43 anos, morreu em um acidente de carro. Os organizadores da obra dizem de Felippe que ele “sempre buscou se refazer frente às inovações de seu tempo”. Foi erudito, participante ativo da vida literária da sua época. Foi uma personalidade complexa e um poeta de projeção nacional. Morou anos no RJ do começo do século XX. Então ele experimentou a corrente modernista e viveu o período da Bélle Epóque.
Felippe teve uma vida intensa. Nasceu 12 dias depois que o pai foi assassinado por questões políticas. E ele próprio foi engajado em atividades políticas. Com o irmão, João Daudt de Oliveira, trabalhou pela vitória da Aliança Liberal, em 1930, numa tentativa de possibilitar ao RS participar do poder federal. Felippe D’Oliveira foi a pessoa designada para ir a Pernambuco tentar a adesão do governador desse estado à Aliança Liberal. O pai dele era de Pernambuco. Getúlio Vargas era o candidato da AL, que perdeu pra um paulista, Julio Prestes. Só que teve a Revolução de 30 e Getúlio acabou presidente. Essa revolução foi um movimento armado, um golpe de Estado, que impediu o presidente eleito de tomar posse. Quando Vargas assumiu, em novembro de 1930, foi o fim da República Velha. Vargas impôs um governo provisório e com isso membros da AL ficam contra, inclusive Felippe, que assumiu a liderança do movimento revolucionário no RJ contra o Estado provisório imposto por Vargas. Assim, o poeta foi condenado à prisão ou ao exílio, e passou a ser procurado pela polícia federal de Vargas. A última carta de Felippe pro Brasil foi em 31 de dezembro de 1932, e o acidente em que ele perderia a vida aconteceu no fevereiro seguinte. Então Felippe D’Oliveira morreu exilado. Eu comentei esse pedacinho da História política do Brasil pra mostrar como o poeta, que nasceu aqui no interior do RS, teve envolvimento na política nacional, além da sua poesia também ter tido expressividade nacional. Isso já seria muito pra uma vida, mas Felippe ainda foi um empresário bem sucedido, no ramo farmacêutico/laboratorial, que era a área de trabalho do tio, que assumiu a função de pai na criação dele. E também se destacou na publicidade da empresa da família, como editor e como atleta, tendo participado na idealização da primeira piscina olímpica do Brasil!
A história de The Visitor, ou de A visita, é a seguinte: Anastasia volta para Dublin, capital da Irlanda, pra casa da avó. Ela cresceu nessa casa e quando tinha 16 anos se mudou pra Paris, com a mãe. Agora ela tá retornando com 22. A história começa no trem chegando em Dublin, em uma noite chuvosa. Anastasia é a protagonista. Outras personagens importantes são a avó, que só conhecemos pelo sobrenome, Sra. King. Katharine, que é a governanta da avó. E uma amiga da família, Norah Kilbride. Anastasia retorna pra morar com a avó porque a mãe dela faleceu, mas a avó deixa claro desde o início que não quer a neta ali. Por que será?
*Atenção para não confundir quando eu me refiro à nora da Sra. King, que é a mãe da Anastasia, uma personagem sem nome, e quando me refiro a Norah, que é uma amiga da família. A pronúncia é a mesma. Durante a edição, percebi que poderia gerar dúvidas. Fiquem atentos!
No último episódio, vimos que FT faliu porque
investiu muito do seu capital na bolsa de valores, e ele não entendia desse
tipo de investimento. Confiou em um amigo, o Inocêncio Braga, e perdeu tudo, em
função da baixa do preço internacional do café. FT trabalha com exportação de
café. O restante do capital dele tava investido em outras empresas do mesmo
ramo, que também faliram com a oscilação dos preços internacionais. A atitude
dele foi drástica. Ele se matou e em pouco tempo a família se viu sem nada, nem
casa, nem reservas, nem nada. E foram morar numa casinha que FT tinha dado à
Nina, que foi salva da falência porque estava no nome da sobrinha.
Pessoal, a Jucelia, que acompanha o LO,
comentou no último episódio algo que eu não tinha me dado conta. A falência de
Francisco Teodoro é a segunda falência na vida da Camila. Lembram lá no início
do romance, quando a mãe dela começa a conversar com FT na casa das tias, na
noite em que ele foi conhecer Camila? A mãe diz que Camila é a filha mais velha
e mais instruída, porque pegou os tempos das vacas gordas na família, quando o
pai exercia um cargo lucrativo. E da mãe de Camila, FT teve a impressão de ser
uma rainha destronada, quer dizer, alguém que teve posses, que experimentou uma
vida de luxo, e perdeu tudo. Por duas vezes, Camila empobrece pela inabilidade
dos homens em gerir o capital. Primeiro foi o pai que faliu, depois o marido.
No último episódio, vimos que Francisco
Teodoro aceitou participar de uma especulação com o Inocêncio Braga. Ele tava
inseguro sobre aplicar nesse negócio, mas como viu o Braga lendo um artigo de
jornal em inglês, traduzindo pra ele, achou que o amigo fosse muito inteligente
e aplicou logo praticamente todo o seu capital. Agora ele tá vendo notícias de
baixa do valor do café no mercado internacional e tá entrando em parafuso.
Vimos
também que Ruth foi passar uns dias com as tias e ficou chocada com o
tratamento que elas dispensam à empregada, uma menina preta. Ruth incentiva
Sancha a fugir e no último dia de visita às tias, acorda com a notícia de que
Sancha de fato fugiu, de madrugada! Vimos que Nina é apaixonada por Mário, que
não toma jeito e não quer saber de trabalhar! Sobre a Nina, deixa eu frisar que
ela é feia.
Vamos relembrar mais um pouco sobre a autora?
Eu confesso pra vocês que eu não conhecia ela. Fui pesquisar e me informar
porque entrou na lista de leituras pro vestibular da UFRGS, com este romance, A falência. E adorei saber que na época
de Machado de Assis tinha essa escritora mulher produzindo bastante e
escrevendo sobre direitos das mulheres, escrevendo de forma a fazer os leitores
pensarem sobre essas ideias, de voto feminino, de abolição da escravidão.
Júlia Lopes de Almeida participou da I Conferência
pelo Progresso Feminino, que aconteceu no RJ, em dezembro de 1922. Mas bem
antes disso, quando escreveu o romance A
falência, esse assunto já interessava à escritora. O A falência foi publicado em 1901 e conta uma história situada em
1891, e Júlia já colocou nesse livro conteúdo convidando o público a pensar
sobre a emancipação feminina, que era assim que chamavam as pautas do feminino
naquela época. É por isso que tem pastor que quer as mulheres longe dos livros
e das universidades. Porque quem aprende a pensar criticamente com os livros
não se deixa manipular.
Vem aí uma playlist de entrevistas no podcast Literatura Oral. Te inscreve no canal do YouTube do LO para acessar. Logo mais, coloco a primeira entrevista, que será poesia em diálogo com balé clássico! 🩰📚🎙☘☘☘🤞
A
falência é um romance de 1901. Portanto,
podemos situar no início da estética do Modernismo. A história começa no ano de
1891, então a narrativa fala de um tempo um pouco anterior ao ano de publicação
da obra, que foi 1901. E em 1891 o Brasil estava passando por mudanças. Por
exemplo, a escravidão tinha sido abolida, ainda que só em teoria, em 1888. Era
o auge do comércio do café, com plantações e exportação do grão, e é essa a
ocupação do protagonista, Francisco Teodoro.
A gente pode dizer que o protagonismo da obra
fica dividido entre esse casal, Francisco e Camila. Camila é uma mulher
burguesa nos moldes da época, mas só até por ali. Assim como em outros romances
do Realismo e do início do Modernismo, ela é uma personagem feminina que ganha
importância dentro da trama e que subverte o que a sociedade ditava como ideal
para o feminino. Por exemplo, Camila tem um caso com o médico da família. Só
que ela não é apaixonada por ele, ela tá nesse caso por tédio e procurando
diversão. Ela sabe que o marido também teve casos, mas não sofre com isso, como
sofriam de amor as protagonistas do Romantismo, por exemplo. É uma mulher
ciente dos seus desejos e ciente de como a sociedade funciona, e joga bem com
as regras sociais.
Júlia Lopes de Almeida nasceu no RJ, em 1862 e faleceu em decorrência da febre amarela, na mesma cidade, em 1934, o mesmo ano em que fica pronta a vacina contra essa doença. A gente pode imaginar que o RJ seja um cenário presente na obra dela, né? Mas ela também morou em Campinas, SP, e em Lisboa, Portugal. Além de escritora, Júlia foi teatróloga e abolicionista. Como escritora, escreveu romances, literatura infantil, crônicas, peças e matérias jornalísticas. Na literatura infantil, ela foi pioneira no Brasil, publicando contos com a irmã Adelina Lopes Vieira. Casou com o poeta português Filinto de Almeida. Os três filhos do casal também foram escritores.
Um dos primeiros romances escritos por Júlia Lopes de Almeida foi publicado em 1888, com o título Memórias de Martha. 1888 foi um ano importante na história brasileira, porque em 13 de maio foi abolida a escravidão, com a assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel. O primeiro romance é uma autobiografia ficcional, uma narrativa em primeira pessoa de Martha contando sua vida. Martha é personagem de ficção, mas o livro é narrado como se fosse uma história real, uma autobiografia. E já é muito interessante e diferente pra época, porque Júlia escreve um romance em que uma mulher é protagonista. Então é livro de autoria feminina com protagonista feminina. É a história de uma menina pobre, que viveu em cortiço no RJ, e cuja mãe criava ela sozinha, tendo de se virar pra dar conta de tudo. Vejam que interessante e pertinente a temática que Júlia escolhe abordar no seu primeiro romance. Quem aí tá lembrando das lavadeiras do cortiço de Aluízio Azevedo? Memórias de Martha foi publicado aos poucos, no jornal O País, em folhetim, como era comum a publicação de romances na época.
Julia Almeida participou de Sociedades Femininas da época. Foi presidente de uma, patrona de outra, e participou do planejamento da Academia Brasileira de Letras, em 1897.
Hoje vou comentar um clássico da literatura inglesa, Robinson Crusoe, de Daniel Defoe. Ou Robinson Crusoé, como eu sempre escutei, na pronúncia brasileira. Ao longo do episódio aqui eu vou falar às vezes Crusoe, às vezes Crusoé, mas tá tudo certo, beleza?Esse livro do Daniel Defoe é do século XVIII e é considerado o expoente do romance inglês e uma das primeiras obras literárias desse gênero, romance. O jeito que Defoe escreveu esse livro ainda é muito diferente do que a gente conhece e tá acostumado por romance hoje, mas na época ele foi um visionário e investiu seu tempo em escrever de uma forma diferente de tudo que existia até então. Quando eu falar romance aqui, pessoal, eu tô falando do gênero literário, da forma de escrever literatura que é uma narrativa em prosa e mais longa que um conto. Em prosa significa que não é em verso, é do jeito que a gente fala, com frases corridas. Antes dos romances, os textos literários eram escritos em verso. Mesmo as histórias longas, as epopeias, eram longos textos em versos. Essa foi uma grande inovação do romance, escrever como a gente fala, com linguagem em prosa e próxima do estilo popular, simples.
Nesse episódio, citei: WATT, Ian. A ascensão do romance. Tradução Hildegard Feist. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.
Minhas impressões (resumidas) da leitura de Calibã e a Bruxa, de Silvia Federici. Tradução Coletivo Sycorax. Editora Elefante.
Alareer publicou o livro Gaza writes back, que é uma compilação
de crônicas de escritores de Gaza sobre a vida no território. E também publicou Gaza unsilenced, que significa Gaza não silenciada. Quer dizer, ele foi atuante em escrever e em incentivar outros escritores a contar sua realidade para o mundo, em impedir que seu território ficasse invizibilizado. Esse poema que eu vou ler, If I must die, que significa “se eu devo morrer”, ele escreveu quando esse último conflito começou, em outubro. E no poema tem uma frase que passa a tarefa de não se calar ao leitor ou interlocutor. O leitor deve levar adiante seu legado de manter viva a esperança das crianças de Gaza. O poema traz a imagem de uma pipa, que o interlocutor deve fazer na cor branca para que a criança em Gaza veja como um anjo. É uma mensagem de esperança escrita por alguém numa zona de conflito, sabendo que poderia morrer a qualquer momento e ainda assim refletindo sobre o futuro, sobre a necessidade de comunicar amor e esperança.
Entre os temas preferidos do poeta está a infância, em que o ponto de vista em alguns poemas é como se fosse o de um menino, é o olhar de criança sobre a vida. E em outros é uma constatação de que o menino ainda vive no adulto, que nem viu o tempo passar. O poeta coloca em sua poesia também a singeleza da vida, a morte, e fala muito na passagem do tempo.
Quanto à forma, Quintana assume forma livre. Bem alinhado com o momento em que ele escreve, que passou pela estética do Modernismo. Pelas temáticas abordadas, a poesia dele também se aproxima do Simbolismo, aquela estética que predominou no final do século XIX, no Brasil, e que combinava figuras de linguagem com imagens oníricas, vagas, etéreas. Em algumas poesias, Quintana constrói uma voz poética que explora essa temática.
Uma forma de começar a explicar um texto é dizer em que pessoa ele é narrado, se é em primeira pessoa, com o narrador participando da ação narrativa, ou em terceira, com o narrador contando a história de alguém. E nesse aspecto O cemitério de Praga é interessante, porque são três vozes narrativas: do protagonista Simone Simonini, do abade Dalla Picolla e do narrador.
Gregório era filho de
portugueses ricos e como acontecia naquela época para quem podia estudar, foi
fazer faculdade de Direito em Coimbra, Portugal. Como todos os brasileiros
filhos de portugueses tinham cidadania portuguesa, naquela época, ele é
considerado luso-brasileiro. Chegou a trabalhar em Portugal e lá já escrevia sátiras,
que são textos em prosa ou em verso, que ridicularizam as instituições ou os
costumes. De volta ao Brasil, ele se dedicou à poesia em diferentes estilos,
como lírico-filosófica, sacra, erótica, pornográfica. Mas são as suas poesias
satíricas atacando o governo e o clero que dão mais o que falar. Ele não tinha
papas na língua e atacava a hipocrisia da sociedade bahiana dizendo tudo o que
ele queria dentro dos versos. Isso rendeu várias inimizades e ele foi enviado
para Angola, outra colônia portuguesa. Ficou proibido pra sempre de botar o pé
na Bahia, mas conseguiu autorização de voltar ao Brasil. Morreu no Recife, em
1696, aos 60 anos.




