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Podcast Archai
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Orlando Luiz de Araújo (UFC) conta para nós sua trajetória nas Letras que começou com interesse pela Literatura Brasileira. Relembra como as aulas do professor Eleazar Magalhães Teixeira, o criador do Núcleo de Cultura Clássica no Ceará, fisgaram-no para os Estudos Clássicos. A partir do seu interesse pelo teatro e das suas pesquisas sobre tragédia grega, especialmente obra de Sófocles, Orlando Araújo explica como o diálogo entre os gêneros o conduziu para a epistolografia. Em seguida, nos apresenta a personagem Alcífron, autor das cartas de pescadores, camponeses, parasitas e hetairas. Explica a estimativa destas 122 cartas que variam de V a.C a III d.C. Destaca os principais temas: as dificuldades cotidianas, a sobrevivência no mar e no campo, a relação entre o campo e a cidade, a busca por banquetes e a exclusão social. Explica a influência da comédia nova de Menandro; traços de retórica, elegia, épica e sentenças. Destaca a relevância da obra, o estilo e a possibilidade de ser voz para um grupo. Por fim, comenta sobre seu projeto de tradução e estudos das Cartas das Cortesãs, de Alcífron, e das Cartas de Amor, de Aristêneto para contribuir com pesquisas sobre questões de sexualidade e gênero.
Weberson Grizoste (UEA) conta sua trajetória nos Estudos Clássicos, a partir da religião e da literatura latina. Explica como relaciona Gonçalves Dias, considerado o Virgílio brasileiro, com a Amazônia, a língua e as literaturas nas suas práticas pedagógicas e pesquisas. Fala sobre o grupo Latinitates - Estudos clássicos e humanísticos e sobre o Laboratório de Cultura Clássica, a divulgação dos estudos clássicos e as apresentações teatrais, na praia. Em seguida, Weberson Grizoste apresenta a personagem Eneias e destaca que a definição depende da fonte. Para Virgílio, o troiano que lança as bases da gente latina na Itália; para Homero, a grande esperança troiana protegida pelos deuses; para Ovídio, o homem da religião romana destinado à divinização; e para Tito Lívio, trata-se de uma figura histórica que inicia a trajetória de Roma no Lácio. Por fim, interpreta a trajetória de Eneias, a vida e a morte como faces diferentes de uma mesma moeda. Comenta ainda sobre outras personagens que estão no caminho de Eneias: um catálogo de mortes.
Luiz Carlos André Mangia Silva (UEM) conta para nós sua trajetória nas Letras Clássicas, a partir da poesia e tradução poética. Comenta sobre o jornal "Colunas Gregas", que faz parte de um projeto de extensão sobre a Grécia antiga e temas da literatura lusófona em diálogo com o clássico. No segundo bloco deste episódio, Luiz Carlos André Mangia Silva apresenta a personagem Leônidas de Tarento, epigramatista do período helenístico. Analisa os principais temas: votivos e sepulcrais. Destaca a sensibilidade e singularidade do poeta por incluir trabalhadores simples, a infância e mulheres parturientes em seus epigramas. Por fim, demonstra relevância e atualidade deste poeta e estabelece conexões e diálogos na atual exposição da antologia grega.
Marly de Bari Matos (USP) compartilha sua trajetória acadêmica nos estudos clássicos, desde o contato inicial com o Latim até o trabalho de tradução das cartas de Cícero, além de sua pesquisa sobre a representação da infância na literatura latina. Comenta ainda sobre dois grupos de pesquisa: Educação e Games que integra estudantes de Letras com outras áreas da tecnologia e gamificação; tradução e estudo da literatura técnica e didática romana, incluindo o De Re Rustica. No segundo momento, Marly de Bari Matos apresenta-nos a personagem Dido, uma das maiores personagens da literatura latina dentro da Eneida. Ela é apresentada como uma refugiada que fugiu do reino de seu pai após seu irmão, Pigmalião, assassinar seu marido, Siqueu. Ela foi acolhida na costa da Líbia, onde erigiu Cartago. Eneias a encontra no Canto I, em um templo dedicado a Juno, sua protetora. Marly apresenta as transformações da personagem, ao longo do poema épico, e o desfecho. Explica a relação com outros gêneros, o elegíaco, principalmente quando trata do par amoroso.
Tereza Pereira do Carmo (UFBA) conta como chegou aos estudos clássicos por meio da leitura, da mitologia e do latim. Comenta sobre o projeto de Extensão AdMithos que integra performances com contação de mitos. Analisa o potencial da extensão e a relação com a permanência dos estudantes. Descreve que explora a cidade de Salvador com os alunos e relaciona os estudos clássicos ao contexto local. Na segunda parte deste episódio, Tereza Pereira do Carmo nos apresenta a personagem Tiestes a partir do castigo de Tântalo. Em seguida, explica as versões do mito de Tiestes através das fontes, de Homero a Higino e compara com a versão de Sêneca.
André Malta (USP) conta esta experiência multifacetada nos estudos clássicos e no jornalismo. "Isto aqui não é grego", seu canal no Youtube, traz temporadas que vão desde a Ilíada, traduções e tradutores, autores greco-latinos até a literatura contemporânea. Na segunda parte deste episódio, André Malta nos apresenta a personagem Hermes, um deus multiforme, mensageiro, condutor e próximo do universo humano. Ele analisa as representações de Hermes nas principais fontes, interpreta trechos memoráveis da Ilíada e da Odisseia em que Hermes aparece. Por fim, nosso convidado indica leituras sobre o tema para os ouvintes.
Julio Cesar Magalhães de Oliveira (USP) nos conta sobre sua trajetória acadêmica e o interesse pela História Antiga. Fala sobre o projeto "Vozes subalternas" e a intersecção entre a academia e as redes sociais com o projeto "Subalternidades Digitais". Por fim, comenta sobre o estudo da História Antiga no Brasil e a arqueologia, ao trabalhar com o contexto da vida das populações urbanas e trabalhadores. Aponta um terreno propício para estes estudos no Brasil e um interesse crescente sobre o tema entre estudantes da graduação. No segundo bloco, Julio Cesar Magalhães de Oliveira nos apresenta Agostinho de Hipona, mais conhecido como Santo Agostinho. Ele nos explica que Santo Agostinho refere-se ao que ele se tornou na posteridade e seu legado, enquanto Agostinho de Hipona remete ao homem que viveu em sua época. Descreve a trajetória de Agostinho, até o momento de sua conversão, fala sobre a atuação de Agostinho como bispo e sobre o fim de sua vida. Por fim, comenta sobre a descoberta de novas cartas e sermões e sobre o próprio esforço de Agostinho para preparar seu legado para a posteridade.
Teodoro Rennó Assunção (UFMG) relembra sua trajetória acadêmica e conta como chegou aos Estudos Clássicos. Comenta também sobre outras publicações suas que conectam temas como cinema e futebol, demonstrando uma totalidade através da diversidade. Na segunda parte deste episódio, Teodoro Rennó Assunção nos apresenta a personagem Hesíodo e a visão de mundo proposta no conjunto desta obra poética. A Teogonia, uma cosmogonia - nascimento do mundo e dos primeiros deuses - e uma história da família de Zeus até o estabelecimento definitivo de seu poder. Os Trabalhos e os Dias, a perspectiva humana da Idade de Ferro. Comenta sobre outras obras que são atribuídas ao Hesíodo, como o Escudo de Héracles e o Catálogo de Mulheres. Por fim, realiza uma análise comparativa com diferenças e semelhanças entre os poemas de Hesíodo e de Homero.
Julia Myara (PUC-Rio) compartilha sua trajetória filosófica, que começa com Platão e chega a Górgias, cujo texto O Elogio de Helena a leva a refletir sobre gênero na mitologia. A partir daí, ela se aproxima de figuras como Helena, Medeia e Circe. Em seus cursos livres, conecta filosofia antiga a autoras contemporâneas como Margaret Atwood, Elena Ferrante e Silvia Federici. No segundo bloco, apresenta Circe, sua genealogia e sua relação com o phármakon. Circe é vista como uma divindade transformadora, que revela a essência dos seres. Myara interpreta Circe como símbolo da superação do narcisismo e da preservação da identidade. Mesmo poderosa, Circe permite que Odisseu parta, reconhecendo a alteridade. Ao final, Julia lê um trecho da Odisseia em que há a representação de Circe.
Gabriele Cornelli (UnB) é o Coordenador da Cátedra UNESCO Archai sobre as Origens Plurais do Pensamento Ocidental e idealizador deste Podcast Archai. Para celebrarmos este Episódio 100 convidamos Gabriele a relembrar sua trajetória acadêmica e falar sobre a Cátedra, um lugar em que nos sentimos acolhidas na interdisciplinaridade nos Estudos Clássicos e num espaço de diálogo plural e acolhedor. Gabriele conta também da experiência na posição de Presidente da International Plato Society (2013-2016), um projeto coletivo dos platonistas do Brasil, que permitiu trazer o simpósio platônico mundial para o Brasil (e para o Sul do mundo) pela primeira vez. Perguntamos para ele sobre como vê os estudos de Platão no Brasil hoje. Defende que uma sociedade científica é preponderante para o avanço da ciência de forma democrática e plural, permitindo a reunião de especialistas com diferentes leituras e abordagens, evitando individualismos. Gabriele conta da experiência de ser Editor de uma das mais importantes coleções de estudos platônicos internacionais, a coleção Brill Plato Studies. Perguntamos para ele sobre sua tradução recém-publicada, o diálogo Fédon, de Platão, pela coleção Penguin Clássicos, da Companhia das Letras. Por fim, Gabriele embra sobre como surgiu a ideia do Podcast Archai. No segundo bloco, Gabriele fala de Platão. E nos apresenta como nasce o Platão filósofo, a partir da morte trágica de Sócrates, que o levou a questionar profundamente os valores da vida social, o que é verdade, o que é mentira, e o faz repensar tudo: da poesia à política. Relata sobre o local onde teria sido a Academia de Platão, em Atenas. Relaciona o espaço público e a filosofia. Comenta sobre a famosa frase de Whitehead, sobre todas a historia da filosofia ser nada mais do que uma série de notas de rodapé a Platão, e a relação que se tem, muitas vezes, com os clássicos. Discorre sobre porque Platão escreve diálogos e a capacidade literária (e filosófica) de Platão e o legado dos diálogos socráticos, como memória de Sócrates, que era uma figura central para sua geração. O diálogo é a grande ferramenta da filosofia, um dispositivo para mostrar que a filosofia se faz dialogando, sem o autor em primeira pessoa, mas como um espaço onde o pensamento acontece. Discute o chamado mundo das ideias, comenta a imagem mais famosa de Platão, o Mito da Caverna, e interpreta as metáforas em sua obra. Relaciona os principais temas: a tragédia grega; a Democracia; as soluções utópicas e as interpretações contemporâneas dos diálogos. Há neste episódio o time completo do Podcast Archai e a participação especial da atual diretoria da Sociedade Brasileira de Platonistas, que além de enviar perguntas, convida toda a audiência para o XIV Simpósio da SBP. Gabriele responde a todas as perguntas -com sua habitual generosidade- e nos ensina sobre a filosofia dialógica de Platão (e de Sócrates) por meio de um metapoético e metafilosófico diálogo neste podcast. Somos suspeitas, mas… é mesmo imperdível.
Gilson Charles dos Santos (UnB) narra sua trajetória até os Estudos Clássicos, comenta os projetos dos quais participa, relembra sua atuação como professor de português como língua estrangeira e estabelece relações entre aquela experiência e sua prática atual. Na segunda parte, Charles apresenta o estrategista Júlio César, personagem de extrema importância tanto pelo que representou quanto pelo período histórico em que viveu (100–44 AEC). Ele o descreve como uma força disruptiva em um sistema de organização social que havia se expandido excessivamente, mantendo, no entanto, estruturas administrativas ainda limitadas — um grande império com a organização de uma cidade. Gilson Charles analisa as fontes antigas sobre a vida de Júlio César e discute sua influência na história ocidental após a queda de Roma e, por fim, reflete sobre os motivos que levaram a sua morte, situando-a no contexto das tensões políticas e sociais da República Romana.
Fernanda Cunha Sousa (UFJF) relembra sua trajetória nas Letras Clássicas: destaca a Extensão na Universidade ao relacioná-la ao currículo. Explica as atividades do CirceA; descreve a experiência de compor duas diretorias da SBEC e refere-se ao livro "Os Estudos Clássicos na Pandemia". No segundo bloco, Fernanda Cunha Sousa apresenta-nos a personagem Ovídio e tudo o que este poeta elegíaco, multifacetado e cosmogônico representa para ela. Destaca o legado, os gêneros, temas e principais obras compostas por Ovídio.
Carolina Kesser (UFPel) conta sua carreira na ceramologia e destaca a importância da cerâmica enquanto cultura material arqueológica. Fala sobre os trabalhos desenvolvidos no LECA, explica as atividades realizadas no âmbito do ensino, pesquisa e extensão ao celebrar o ciclo de continuidade dos projetos. No segundo bloco deste episódio, Carolina Kesser apresenta Geropso, uma personagem de um vaso grego. Descreve o vaso e interpreta as cenas e os elementos desta representação ao analisar questões sobre identidade, gênero, etarismo, representações do corpo, a partir desta imagem.
Priscila Scoville (UFRGS) relembra sua trajetória e o que a trouxe para os Estudos Clássicos e Egito. Conta sobre a experiência em fazer parte do LEAO e explica como o Laboratório funciona. Comenta sobre os desafios e possibilidades da pesquisa em Antiguidade Oriental no Brasil. Por fim, fala sobre a sua atuação como professora da Educação Básica, na International Schooling de Cingapura, e as conexões nesta experiência. Na segunda parte deste episódio, Priscila Scoville nos apresenta a personagem Tiye, apelidada de rainha plebeia. Explica as representações da Tiye, e como ela se tornou responsável por manter as relações diplomáticas do Egito.
Robson Tadeu Cesila (USP) relembra sua trajetória acadêmica e o percurso nas Letras Clássicas. Conta como foi compor a equipe que comentou e editou traduções realizadas por Odorico Mendes de obras tão importantes da Literatura Latina. Analisa a importância das traduções como prática pedagógica e contribuição na divulgação científica.Comenta sobre as práticas letradas na Antiguidade e a história do livro. No segundo bloco deste episódio, Robson Tadeu Cesila apresenta o poeta latino Marcial e destaca a diversidade de sua obra. Explica as datas pouco precisas a partir de referências da própria obra poética do autor. Comenta sobre a recepção contemporânea da obra de Marcial e os limites do humor, ao considerar o epigrama satírico. Por fim, mostra outros poemas de Marcial e demonstra a obra dele como possibilidade de fonte para compreender a vida popular romana.
Jane Kelly Oliveira (UEPG) descreve como começou sua trajetória na Universidade e nos Estudos Clássicos. Relembra o Giz-èn-scÉne e como ele marcou sua pesquisa e atuação docente. Comenta acerca dos desafios curriculares e resoluções transdisciplinares, por meio do diálogo entre o clássico e o moderno. No segundo bloco, Jane Kelly Oliveira nos apresenta a personagem Lisístrata, de uma peça de mesmo nome do comediógrafo Aristófanes. Lisístrata convoca e mobiliza todas as mulheres da Grécia para dar fim à Guerra do Peloponeso. Jane Kelly demonstra os debates, interpretações contemporâneas e a recepção fílmica desta protagonista.
Ana Thereza Basílio Vieira (UFRJ) narra sua trajetória no Latim e nos Estudos Clássicos. Comenta sobre sua atuação na área de traduções, relembra sua experiência na edição da CODEX e suas pesquisas recentes sobre Plínio, o Velho. No segundo bloco, Ana Thereza Basílio Vieira apresenta-nos a personagem Fedro, o fabulista, primeiro autor dedicado às fábulas no cenário romano. Explica a obra de Fedro e analisa a estrutura da Fábula. Destaca as inovações deste autor, além de sua contribuição para o gênero. Por fim, reflete sobre a moral presente nas fábulas de Fedro, discute o tema da escravidão e compara suas obras com as fábulas de Esopo.
Erica Angliker (Escola Britânica de Atenas/ Unicamp) conta para nós sua história - que começa com Física - até a Arqueologia. Aproxima as ilhas gregas e a religião; explica o programa de escavação da Escola Brasileira de Verão e fala sobre novos projetos. No segundo bloco, Erica Angliker apresenta a personagem Cleópatra da Macedônia, uma das três irmãs de Alexandre, o Grande. Comenta sobre a formação e função da Cleópatra da Macedônia, e das mulheres, para o papel político. Por fim, explica como foi o funeral da Cleópatra, fala sobre os tesouros e descreve o que foi impactante, em sua análise, a partir da cultura material e herança cultural.
Camila Diogo de Souza (UFF) relembra e conta para nós como foi sua trajetória no mundo dos Estudos Clássicos, na História e Arqueologia. Comenta sobre a publicação de um Dossiê que percorre todos estes anos de pesquisa, na cidade de Argos. No segundo bloco, Camila Diogo de Souza apresenta a personagem Perseu e explica como a mitologia encontra arqueologia, ao aproximar as fontes materiais, literárias e a cidade Argos.
Camila Ezídio (U. Porto/ UFBA) relembra o percurso na filosofia e formação da professoralidade. Explica suas pesquisas no pós-doutorado e ao comentar sobre a História da Filosofia e o estudo das mulheres-filósofas, nos fala sobre a Hildegarda de Bingen. No segundo bloco, Camila Ezídio apresenta a personagem Dhuoda, ao contextualizar historicamente e socialmente o processo de composição da obra "Liber Manualis". Em seguida, compara as semelhanças e diferenças entre "Liber Manualis", de Dhuoda com "Ética a Nicômaco", de Aristóteles e "De magistro", de Agostinho. Por fim, analisa a atualidade e temas presentes nesta obra ao destacar a figura ativa materna de Dhuoda na educação de Guilherme, seu filho.




