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Poesia Recitada

Author: Uenes Vilaça

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Description

Recitação de poesias
29 Episodes
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Encantos e Desencantos - Junior Ferreira
Canção de Mim Mesmo - Walt Whitman
Retrato - Cecília Meireles
Elegia Primeira - Cecília Meireles
Declamação de "O crepúsculo é este sossego do céu ..." de Cecília Meireles, Elegia 7.
Põe quanto És no Mínimo que Fazes Para ser grande, sê inteiro: nada           Teu exagera ou exclui. Sê todo em cada coisa. Põe quanto és           No mínimo que fazes. Assim em cada lago a lua toda           Brilha, porque alta vive
AS MISÉRIAS DA ÉPOCA Se eu soubesse que esse mundo Estava tão corrompido Eu tinha feito uma greve Porém não tinha nascido Minha mãe não me dizia A queda da monarquia Eu nasci, fui enganado Pra viver neste mundo Magro, trapilho, corcundo, Além de tudo selado. Assim mesmo meu avô Quando eu pegava a chorar, Ele dizia não chore O tempo vai melhorar. Eu de tolo acreditava Por inocente esperava Ainda me sentar num trono Vovó para me distrair Dizia tempo há de vir Que dinheiro não tem dono.
O MAL E O SOFRIMENTO Se eu conversasse com Deus Iria lhe perguntar: Por que é que sofremos tanto Quando viemos pra cá? Que dívida é essa Que a gente tem que morrer pra pagar? Perguntaria também Como é que ele é feito Que não dorme, que não come E assim vive satisfeito. Por que foi que ele não fez A gente do mesmo jeito? Por que existem uns felizes E outros que sofrem tanto? Nascemos do mesmo jeito, Moramos no mesmo canto. Quem foi temperar o choro E acabou salgando o pranto? Leandro Gomes de Barros
SONETO DE SEPARAÇÃO De repente do riso fez-se o pranto  Silencioso e branco como a bruma  E das bocas unidas fez-se a espuma  E das mãos espalmadas fez-se o espanto.  De repente da calma fez-se o vento  Que dos olhos desfez a última chama  E da paixão fez-se o pressentimento  E do momento imóvel fez-se o drama.  De repente, não mais que de repente  Fez-se de triste o que se fez amante  E de sozinho o que se fez contente.  Fez-se do amigo próximo o distante  Fez-se da vida uma aventura errante  De repente, não mais que de repente.
SONETO DE FIDELIDADE De tudo ao meu amor serei atento Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto Que mesmo em face do maior encanto Dele se encante mais meu pensamento. Quero vivê-lo em cada vão momento E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto Ao seu pesar ou seu contentamento E assim, quando mais tarde me procure Quem sabe a morte, angústia de quem vive Quem sabe a solidão, fim de quem ama Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal, posto que é chama Mas que seja infinito enquanto dure.
POEMA DOS OLHOS DA AMADA Ó minha amada  Que olhos os teus  São cais noturnos  Cheios de adeus  São docas mansas  Trilhando luzes  Que brilham longe  Longe nos breus...  Ó minha amada  Que olhos os teus  Quanto mistério  Nos olhos teus  Quantos saveiros  Quantos navios  Quantos naufrágios  Nos olhos teus...  Ó minha amada  Que olhos os teus  Se Deus houvera  Fizera-os Deus  Pois não os fizera  Quem não soubera  Que há muitas eras  Nos olhos teus.  Ah, minha amada  De olhos ateus  Cria a esperança  Nos olhos meus  De verem um dia  O olhar mendigo  Da poesia  Nos olhos teus.
SANTUÁRIO Vou me confessar para lua  Diante desses Santuários O cheiro da manhã atenua Meu orar com canários Diante dessa imensidão Saber aproveitar o momento De ser como um dente de leão Dançando nos braços do vento  Chorar diante da beleza Se purificar sem palavra A lágrima rega a certeza Somente o amor que lavra 
ONDAS DA VIDA Apegados a eternidade como vão utopia Inventamos vidas, deuses e até mitologia Como órfãos agonizando as voltas que dá o pião Nos filhos moram anseios da nossa própria correção Quando atiro um limão no mar Temos ondas a propagar  Por quanto tempo nos peixes Por mais que este mar tu deixes? Por certo nossas ondas de legado É um existir que é prolongado Quem deixou saudades não morre Este é a chama que a alma socorre Uenes Vilaça
BEM VINDOS À CAVERNA Pseudos deuses iludidos por mera sombra Peões de carbono que a morte assombra Mal há consenso entre o que pensa e faz Quer ser dono do outro e nem de si é aliás Vemos o mundo por um vidro que reflete As mãos sujas de sangue do que se comete O maior pecado é pensar diferente do gado Ai de quem viu o sol e não somente sombreado! Vi o desconforto dos porquês de uma criança Se confrontar  com a realidade sem esperança Da nossa acomodação com um injusto sistema  E o que fazemos com a sombra deste poema? Uenes Vilaça
Fome - Braulio Bessa

Fome - Braulio Bessa

2020-09-1903:00

FOME Eu procurei entender qual a receita da fome, quais são seus ingredientes, a origem do seu nome. Entender também por que falta tanto o “de comê”, se todo mundo é igual, chega a dar um calafrio saber que o prato vazio é o prato principal. Do que é que a fome é feita se não tem gosto nem cor não cheira nem fede a nada e o nada é seu sabor. Qual o endereço dela, se ela tá lá na favela ou nas brenhas do sertão? É companheira da morte mesmo assim não é mais forte que um pedaço de pão. Que rainha estranha é essa que só reina na miséria, que entra em milhões de lares sem sorrir, com a cara séria, que provoca dor e medo e sem encostar um dedo causa em nós tantas feridas. A maior ladra do mundo que nesse exato segundo roubou mais algumas vidas. Continuei sem saber do que é que a fome é feita, mas vi que a desigualdade deixa ela satisfeita. Foi aí que eu percebi: por isso que eu não a vi olhei pro lugar errado ela tá em outro canto entendi que a dor e o pranto eram só seu resultado. Achei seus ingredientes na origem da receita, no egoísmo do homem, na partilha que é malfeita. E mexendo um caldeirão eu vi a corrupção cozinhando a tal da fome, temperando com vaidade, misturando com maldade pro pobre que lhe consome. Acrescentou na receita notas superfaturadas, um quilo de desemprego, trinta verbas desviadas, rebolou no caldeirão vinte gramas de inflação e trinta escolas fechadas. Sendo assim, se a fome é feita de tudo que é do mal, é consertando a origem que a gente muda o final. Fiz uma conta, ligeiro: se juntar todo o dinheiro dessa tal corrupção, mata a fome em todo canto e ainda sobra outro tanto pra saúde e educação. Braulio Bessa
CARPE DIEM Aproveita o dia, Não deixes que termine sem teres crescido um pouco. Sem teres sido feliz, sem teres alimentado teus sonhos. Não te deixes vencer pelo desalento. [ou] permitas que alguém te negue o direito de expressar-te, que é quase um dever. [ou] abandones tua ânsia de fazer de tua vida algo extraordinário. Não deixes de crer que as palavras e as poesias sim podem mudar o mundo. Porque passe o que passar, nossa essência continuará intacta. Somos seres humanos cheios de paixão. A vida é deserto e oásis. Nos derruba, nos lastima, nos ensina, nos converte em protagonistas de nossa própria história. Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua, tu podes trocar uma estrofe. Não deixes nunca de sonhar, porque só nos sonhos pode ser livre o homem. Não caias no pior dos erros: o silêncio. A maioria vive num silêncio espantoso. Não te resignes, e nem fujas. Valorize a beleza das coisas simples, se pode fazer poesia bela, sobre as pequenas coisas. Não atraiçoes tuas crenças. Todos necessitamos de aceitação, mas não podemos remar contra nós mesmos. Isso transforma a vida em um inferno. Desfruta o pânico que provoca ter a vida toda a diante. Procures vivê-la intensamente sem mediocridades. Pensa que em ti está o futuro, e encara a tarefa com orgulho e sem medo. Aprendes com quem pode ensinar-te as experiências daqueles que nos precederam. Não permitas que a vida se passe sem teres vivido… Walt Whitman
A LUCIDEZ PERIGOSA Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço. Além do que: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano - já me aconteceu antes. Pois sei que - em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade - essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém. Clarice Lispector
O SONHO Sonhe com aquilo que você quiser. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas. O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido. Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado. A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade. A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre. Clarice Lispector
RETRATO DO ARTISTA QUANDO COISA A maior riqueza do homem é sua incompletude. Nesse ponto sou abastado. Palavras que me aceitam como sou— eu não aceito. Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc. etc. Perdoai. Mas eu preciso ser Outros. Eu penso renovar o homem usando borboletas. Manoel de Barros
Eclesiates 1

Eclesiates 1

2020-09-1603:28

Palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém. Vaidade de vaidades, diz o pregador, vaidade de vaidades! Tudo é vaidade. Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, que faz debaixo do sol? Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece. Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu. O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos. Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr. Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir. O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol. Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Já foi nos séculos passados, que foram antes de nós. Já não há lembrança das coisas que precederam, e das coisas que hão de ser também delas não haverá lembrança, entre os que hão de vir depois. Eu, o pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém. E apliquei o meu coração a esquadrinhar, e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; esta enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens, para nela os exercitar. Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito. Aquilo que é torto não se pode endireitar; aquilo que falta não se pode calcular. Falei eu com o meu coração, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; e o meu coração contemplou abundantemente a sabedoria e o conhecimento. E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito. Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor. Eclesiastes 1:1-18
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Comments (1)

Carlos Daniel

eu ti gosto, você foi minha primeira experiência com poesia, e hoje o que eu mais amo é poesia

Dec 12th
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