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Psicanálise de Boteco
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Psicanálise de Boteco

Author: Alexandre Patricio de Almeida

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Freud explica ou Freud implica?
Já passou da hora de a psicanálise descer da sua “torre de marfim” e se tornar mais acessível. Alexandre Patricio de Almeida (@alexandrepatricio) — psicanalista, mestre, doutor e pesquisador de pós-doutorado em Psicologia Clínica pela PUC-SP — apresenta, ao lado de Filipe Pereira Vieira (@filipepv), psicanalista, mestre e doutorando em Psicologia Clínica pela PUC-SP, conversas sobre temas do cotidiano à luz da teoria psicanalítica. Sem jargões desnecessários e com a aposta de que é possível pensar profundamente sem complicar.
223 Episodes
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Em latim, deceptio quer dizer engano, e foi dessa pista que partimos para entender por que dói tanto quando alguém que amamos nos decepciona: afinal, quem enganou quem? Com Freud, em “Introdução ao narcisismo” (1914) e “Psicologia das massas e análise do Eu” (1921), vemos que só nos decepcionamos com quem investimos: na paixão, colocamos no outro a perfeição que perdemos na infância e deixamos nosso juiz interno de férias, e é por isso que, no começo, a pessoa parece perfeita enquanto os amigos falam sozinhos. Com Melanie Klein, sobretudo em “Notas sobre alguns mecanismos esquizoides” (1946), discutimos o gesto tão comum de transformar o amigo que falhou em alguém que “nunca prestou”, apagando anos de história, e o caminho mais difícil (e mais maduro) de reconhecer que quem nos feriu é a mesma pessoa que um dia cuidou de nós. Com Winnicott, destacamos a importância da desilusão no amadurecimento emocional. Crescer implica abandonar, gradualmente, a expectativa de que o outro corresponda aos nossos desejos e reconhecer sua existência independente, com qualidades, limitações e contradições. Por isso, o conselho “não crie expectativas” pode ser um dos piores que já recebemos: não há encontro afetivo sem alguma idealização, e amar também exige suportar a distância entre aquilo que imaginamos e aquilo que o outro efetivamente pode oferecer.
Nesse episódio, conversamos sobre aquilo que herdamos sem perceber. As frases que repetimos sem notar, os medos que parecem vir de antes de nós, os assuntos que, em algumas famílias, nunca puderam ser ditos. A psicanálise nos mostra que nem sempre somos marcados pelo que foi falado, mas também pelo que permaneceu sem palavras e atravessou gerações. Logo, podemos nos perguntar: até que ponto a herança é o destino? Ao longo da conversa, chegamos a uma conclusão que serve, aqui, como um convite: herdar não nos obriga a repetir. Podemos reconhecer o que recebemos e, assim, escolher o que faremos com isso.
Culpa materna

Culpa materna

2026-06-0159:30

Nesse episódio, recebemos Elisama Santos (@elisamasantosc) - psicanalista, escritora best-seller, palestrante e podcaster - para uma conversa necessária sobre um dos afetos mais presentes e menos elaborados na experiência de maternar: a culpa.Partimos da clínica para chegar à cultura: o ideal impossível de maternidade, a herança patriarcal que transforma o cuidado em cobrança e os efeitos disso na vida psíquica das mulheres.Com Melanie Klein, tensionamos a ideia de que tudo depende do ambiente, ao enfatizar o peso dos fatores inatos, como a inveja e a voracidade, na constituição psíquica do bebê. Nesse deslocamento, a mãe deixa de ocupar o lugar de causa absoluta.Já com Donald Winnicott, abrimos espaço para um respiro: a mãe não precisa ser perfeita; precisa ser suficientemente boa.A proposta do episódio é retirar a culpa materna do registro da falha individual e recolocá-la dentro de um campo mais amplo, em que o psíquico, o relacional e o cultural se entrelaçam sem reduzir a complexidade da maternidade em si.
Nesse episódio, falamos sobre a dificuldade de pedir ajuda. Partimos de Freud, em “Introdução ao narcisismo” (1914), para pensar aqueles sujeitos que não conseguem depender de ninguém devido a uma onipotência narcísica que torna o amparo quase intolerável. Num outro extremo, recorremos a Ferenczi (1933), para refletir sobre os efeitos de traumas precoces em sujeitos que foram obrigados a amadurecer antes do tempo e a carregar a vida nas costas. Vale lembrar que, quando pedir ajuda nunca pôde ser uma experiência segura, a autossuficiência se organiza como defesa. Também conversamos sobre os efeitos clínicos desse funcionamento. No fim, Filipe leu um trecho de seu artigo “A recusa do amparo: defensividade e medo da dependência”, que aborda o manejo desses pacientes na perspectiva winnicottiana.
Nesse episódio, partimos de uma descoberta da neurociência para chegar onde a psicanálise já estava há muito tempo: os nossos pensamentos não são eventos isolados, particulares, que acontecem num plano separado da vida real. Eles são atos. Atos psíquicos que têm consequências biológicas, relacionais e subjetivas. Um estudo publicado na “Biological Psychology” mostrou que pensamentos negativos ruminativos aumentam os níveis de cortisol e alfa-amilase - marcadores de estresse no corpo - mesmo em repouso. Ou seja: a mente que rumina adoece o corpo o tempo todo. Fechamos o episódio com trechos do livro “O Perigo de Estar Lúcida”, de Rosa Montero.*Artigo científico do episódio:Engert, V., Smallwood, J., & Singer, T. (2014). Mind your thoughts: associations between self-generated thoughts and stress-induced and baseline levels of cortisol and alpha-amylase. Biological Psychology, 103, 283–291.🔗 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25457636/
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