DiscoverA Arte da Guerra
A Arte da Guerra
Claim Ownership

A Arte da Guerra

Author: O Jornal Económico

Subscribed: 87Played: 4,212
Share

Description

O mundo como nunca o ouviu. O podcast semanal do Jornal Económico, "A Arte da Guerra", conduzido pelo jornalista António Freitas de Sousa, conta com a análise do embaixador Francisco Seixas da Costa aos temas internacionais mais pertinentes.
209 Episodes
Reverse
Numa altura em que a guerra da dupla Estados Unidos-Israel contra o Irão está longe de poder ser concluída, as metástases da operação – a que “só falta chamar operação militar especial” – espalham-se em seu redor à velocidade dos mísseis.E a resistência do antigo império persa parece estar muito para lá do que era antecipado, numa lógica sacrificial que vai alterar a relação de forças no Médio Oriente, isso é certo, mas não permite uma antecipação clara do ‘dia seguinte’.
Em mais um programa monotemático – o que à partida costuma ser um mau sinal – vale a pena entender o ‘dia antes’ e o ‘dia depois’ de mais uma ação militar da dupla Estados Unidos-Israel contra o Irão. Sendo o ‘dia antes’ conhecido – mesmo que não explique de todo a ação militar – já o ‘dia seguinte’ é uma nebulosa difícil de antecipar.Entretanto, à volta das fronteiras do Irão, o resto do mundo vai-se afundando em mais um momento de inflação, crise energética e tensão acrescida. É o ‘menu’ do costume quando a guerra conta mais que a diplomacia.
Um país dentro de um país. É assim que os cartéis que gerem a produção e a venda de drogas no México querem que as coisas continuem. Aparentemente, a presidente do México – apoiada pelo presidente dos Estados Unidos – quer mudar esse estado de coisas.Mas a violenta intervenção contra os cartéis mexicanos deixa claro, por outro lado, que o tema era uma mera desculpa quando aplicado à Venezuela.Entretanto, o vizinho a norte passa por um período de grande esplendor, como se um sonho todos os dias se tornasse cada vez mais real. Mas talvez seja um exagero de Donald Trump.Exagero é com certeza o tempo que a guerra na Ucrânia já dura: quatro anos, milhares de mortos, todo uma nova Europa, mais negra e mais insegura, que se vai formando diante dos olhos espantados dos europeus.
Há um ano em Munique, JD Vance, vice-presidente dos Estados Unidos, veio dizer à Europa que o continente se afundava em imigrantes, devaneios intelectuais e desprezo pela segurança.Um ano depois, o secretário de Estado Marco Rubio veio dizer o mesmo, com a ‘boa nova’ da oferta de salvação. A Europa aplaudiu – com a honrosa exceção de Kaja Kallas.Na mesma altura, na Bélgica, a União Europeia institucionalizava a opção pela cooperação reforçada – um instrumento que não é novo, mas que tem tudo para ‘deslaçar’ a Europa.Ainda na Europa, desta vez na Suíça, Estados Unidos e Irão tentam encontrar um acordo que Israel tratará de impossibilitar.
As espantosas repercussões do caso Epstein não param de crescer e prometem chegar aos lugares mais recônditos do planeta.Enquanto lá não chegam, vão empestando algumas das sociedades mais civilizadas do mundo, entre elas os Estados Unidos, o Reino Unido, a Noruega ou a Suécia. Impressionante como um tipo qualquer que se tornou milionário conseguiu deixar a descoberto a que há de pior na alma humana.Na Índia, continua o ‘carrocel’ dos acordos comerciais: depois da União Europeia é a vez do Brasil – ao que não é alheio o facto de mais de 1,4 mil milhões de almas estarem ansiosas por passarem à condição de consumidores.Ainda a oriente, a primeira-ministra japonesa, mais uma ‘dama de ferro’, tem caminho inesperadamente livre para fazer mais ou menos o que quiser tanto na política interna como externa; não é todos os dias que se vê alguém a governar com uma maioria qualificada – o que pode bem servir para se avaliar o que pode resultar de um poder demasiadamente concentrado.
Perante mais uma ronda de negociações entre Rússia, Ucrânia e Estados Unidos, coloca-se a questão de se saber se os seus resultados podem beneficiar de algum modo aqueles que querem o estabelecimento da paz. Para todos os efeitos, a Europa continua a ser o parente pobre deste choque de forçar que se dá, mais uma vez, no Emirados Árabes Unidos.Do outro lado do Atlântico, o ‘caso’ Epstein’ espalha as suas metástases por todo o lado – inclusivamente para o lado de cá do oceano – o que não é necessariamente mau para Donald Trump.Entretanto, vale a pena tentar-se perceber para onde vai a Índia e a sua frenética atividade na área da negociação de parcerias estratégicas comerciais com os principais blocos económicos.
Ainda as consequências do que foi dito em Davos, com destaque para a intervenção do primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, uma espécie de grito de independência, mas também do presidente ucraniano, que quis ‘colar-se’ aos Estados Unidos em detrimento de uma Europa que está ao seu lado desde o primeiro instante.Entretanto, a União Europeia na Índia e o Reino Unido na China tentam em paralelo manter-se ao largo das consequências da estratégia comercial dos Estados Unidos.A palavra de ordem é encontrar alternativas a um mercado que se vai fechando, mas principalmente que confunde taxas alfandegárias com armas letais no combate geopolítico.
As tarifas impostas por Donald Trump transformaram-se numa arama de arremesso contra tudo o que mexe, sejam países inimigos, amigos ou outros.Desta vez o alvo são os países europeus – ou mais propriamente os oito países europeus que que não souberam incorporar as mais recentes lições da geografia, que dizem que a Gronelândia é dos Estados Unidos.Toda uma nova conceção do que é a ordem mundial observada a partir das varandas da Casa Branca chegou a Davos – e não foi para ser negociada ou debatida, mas apenas anunciada.Quem quer, quer; quem não quer, tem de querer. Uma boa oportunidade para o Vinho do Porto.Em Espanha, Pedro Sánchez resiste a tudo – respaldado pela força da economia, mas com certeza também pela força política que tem demonstrado nos palcos internacionais.
No Irão, na Ucrânia e até talvez mesmo no Mercosul.O fantasma do presidente dos Estados Unidos está por todo o lado, como se apenas a agenda da sua administração tivesse força de lei.Num contexto em que apenas a agenda da administração Trump tem força de lei, a crise no Irão, a continuação da guerra na Ucrânia e mesmo assinatura do tratado comercial entre a União Europeia e o Mercosul estão com certeza na mira das fantasias de Donald Trump.
A começar na Venezuela; os Estados Unidos dão mostras de que a sua nova estratégia de segurança não é letra morta num qualquer documento emanado da Casa Branca. O regresso em força da Doutrina Monroe não é uma promessa: é uma certeza a que os países da América do Sul são ‘convidados’ a aderir com todas as suas capacidades, por muito que isso queira dizer submissão à vontade soberana do ‘grande irmão’ do norte. Cuba, Colômbia, México e Brasil que se cuidem!A continuar na Gronelândia; será ali, naquela ilha tão próxima do Canadá (o 51º Estado dos EUA?) que os Estados Unidos colocam o limite oriental do Hemisfério Ocidental, deixando de fora o resto da Europa. Será 2026 o ano da morte da NATO – no caso de ela ainda estar viva?  Já se ouvem os primeiros acordes do Réquiem pela morte da aliança EUA-Europa. Ou já estaremos no segundo andamento?E a acabar na Ucrânia; a grotesca declaração de Volodymyr Zelensky sobre a Venezuela vai ajudar a Ucrânia a manter-se à tona? E o que vale a ‘profissão de fé’ de gauleses e britânicos em enviar tropas para a linha de guerra, uma vez conseguido o cessar fogo? Moscovo alguma vez admitirá tal coisa? A resposta é ‘não’!
O que esperar de 2026?

O que esperar de 2026?

2025-12-3045:461

Por todos os quadrantes de observação que se possam comentar, fica claro que o programa "A Arte da Guerra" tem as próximas 52 seções mais que asseguradas. Da Europa aos Estados Unidos, da América do Sul aos mares da China, não há qualquer dúvida que o ano que agora chega estará repleto de tensões, confrontos e guerras.
A revista do ano 2025

A revista do ano 2025

2025-12-2341:201

No penúltimo capítulo do ano de "A Arte da Guerra", vale a pena revisitar os últimos 12 meses – sendo certo que não parece haver grandes motivos para ficarem saudosos na memória coletiva do mundo. Por esse motivo, também nada indica que possam servir de antecâmara a um 2026 minimamente mais feliz.
Se o cessar-fogo em Gaza era um assunto que não induz nenhum otimismo, tudo ficou ainda mais difícil com o massacre na Austrália e com a resposta do governo israelita, para o qual a explicação da tragédia reside no facto de o governo australiano ter reconhecido o Estado da Palestina.Pouco otimismo merece também a ronda de negociações de um cessar-fogo para a Ucrânia, desta vez concentradas em Berlim – o que por certo pouco terá agradado a Paris.Entretanto, na América do Sul, o Chile é mais um país a abraçar proposta de extrema-direita, o que coloca mais pressão sobre as eleições presidenciais que hão de decorrer no Brasil em outubro do próximo ano.
A nova Estratégia de Segurança dos Estados Unidos abre um novo capítulo da presença dos EUA no mundo ou será apenas uma ‘manifestação de interesses’ por parte do atual presidente, eventualmente para esquecer com a próxima administração? Partindo-se do princípio que é uma estratégia que ‘veio para ficar e ficou mesmo’, o que será da NATO? E da União Europeia? E do Médio Oriente? Por falar em Médio Oriente, vale a pena percorrer um ano de Síria sem a presença venenosa da família al-Assad. Como também vale a pena perceber-se em que ponto está a persistente crise política em França – num quadro em que ‘macroonistas’ e socialistas testam a possibilidade de um alinhamento circunstancial, mas em que todos já só pensam nas presidenciais de 2027.
Num quadro em que um acordo de paz para a Ucrânia está ainda muito longe, não ajuda o facto de o lado norte-americano – onde não há vestígio da “excelente escola de diplomacia” dos Estados Unidos – apresentar diversos discursos, pontos de vista e posturas, conforme os envolvidos.A Ucrânia e os países europeus que apoiam o país têm um caminho cada vez mais estreito para fazerem valer os seus pontos de vista. Estreito é também o caminho dos palestinianos – que todos os dias morrem em Gaza apesar do cessar-fogo – que assistem a novas peripécias do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, desta vez na frente da Justiça.Como estreito é também o caminho de entendimento entre os Estados Unidos e a Venezuela – que a administração Trump considera, contra todas as evidências, um narco-Estado.
O plano de paz de 28 pontos – que é o tema único do programa desta semana – que se transformou num segundo e num terceiro plano, é uma forma de constatação de que a guerra foi ganha pela Rússia e que, nesse contexto, é a Ucrânia que tem de ceder. Território, perspetivas e futuro e identidade. O plano, que começou mal (ninguém sabia dele senão nos círculos mais restritos da Casa Branca e do Kremlin), parece neste momento estar condenado ao fracasso, como estiveram todos os outros, se é que alguma vez chegou a haver um. Para já, ninguém acredita que possa vir a ser um plano eficaz.
Num quadro em que o Irão continua a ser ‘o’ inimigo dos Estados Unidos no Médio Oriente, a visita de ‘estadão’ do príncipe-herdeiro da Arábia Saudita à Casa Branca assume os seus verdadeiros contornos. E percebe-se melhor a razão que leva Donald Trump a correr o risco de intranquilizar os seus amigos israelitas ao permitir a venda de caças F-35 ao reino árabe. Com a União Europeia prestes a tomar uma decisão sobre o uso dos ativos russos congelados em Bruxelas, percebe-se melhor a razão que leva o presidente ucraniano a fazer um périplo de compras que o levou a Atenas, Paris e Madrid. Mais a norte, e perante as inesperadas dificuldades do primeiro-ministro britânico em ‘singrar’ à frente do executivo apesar de anos e anos seguidos de governos conservadores, percebe-se melhor a razão que leva o povo a apostar cada vez mais no extremista Nigel Farage.
A COP30 tem todos os ingredientes para voltar a ser uma deceção, dez anos depois do Acordo de Paris: o mundo não consegue responder sustentadamente aos desafios do clima e da sustentabilidade. O presidente do Brasil fez o ‘trabalho de casa’, pelo menos na perspetiva de ser um líder dos países do sul, que se querem libertar das direções políticas do norte desenvolvido.Em regime de sobrevivência política está também outro presidente, Volodymyr Zelensky, novamente a braços com um escândalo de corrupção, mais um, que pode colocar em causa o plano da Comissão Europeia – para muitos altamente inaceitável – de criação de um empréstimo para financiar o apoio externo com base nos ativos russos congelados no espaço do bloco.Outro presidente, o angolano João Lourenço, liderou as comemorações dos 50 anos da independência do seu país.
A ‘onda democrata’ que se verificou nas eleições locais norte-americanas esta semana é uma péssima notícia para a administração Trump – principalmente no que diz respeito a Nova Iorque, a capital social e económica do país. Com um ‘mayor’ que Trump apelida de comunista e jihadista, tudo indica que a administração federal fará tudo o que estiver ao seu alcance para boicotar a agenda e o desenvolvimento da carreira política de Zohran Mamdani. Numa operação que os brasileiros consideram maioritariamente justificável, a polícia do Rio de Janeiro realizou uma intervenção armada nas favelas que deixou ficar para trás mais de uma centena de mortos. Uma péssima notícia para o presidente Lula da Silva, que quer transmitir ao mundo a imagem de um Brasil moderno e alinhado com os valores da democracia. A República Checa ‘guinou’ à direita e é apenas o mais recente país a infletir para esse contexto político, no que é uma péssima notícia para a União Europeia.
O grau de arbitrariedade com que o presidente Donald Trump gere a agenda mundial está a tornar-se um modo de operar dos Estados Unidos, mas, pior que isso, está a ter a capacidade de instituir uma forma nova de fazer política. Uma vez instalada, essa fórmula tem todas as condições para acabar com a forma como a diplomacia superintendia o negócio global até aqui. Antes disso, vale a pena um exemplo prático: Javier Milei, presidente da Argentina, cuja retórica e maneirismos saíram reforçados das eleições desta semana. Alheio a tudo isto, Timor-Leste entrou na ASAEN – o que é um bom sinal. Mas há também um mau sinal vindo daquele jovem país: a geração da Revolução tarda em dar lugar às novas gerações.
loading
Comments