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Kályton | Pobreza Em Análise | Psicanálise
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Kályton | Pobreza Em Análise | Psicanálise

Author: Kályton

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Description

"O Trauma da Pobreza" é um podcast do psicanalista Kályton Resende, dedicado a oferecer alternativas práticas ao capitalismo, sexismo, racismo e novas formas de colonialismo. Kályton utiliza sua experiência pessoal e expertise em psicanálise para explorar o sofrimento psíquico dos pobres em ascensão social, especialmente pela educação. Com uma abordagem ética e analítica, o podcast investiga as condições que nos oprimem e alienam, promovendo reflexão e combate às injustiças sociais.
28 Episodes
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Pobreza Afetiva

Pobreza Afetiva

2025-08-1601:34:43

O impacto da pobreza e sua relação com os afetos na infância
O desamparo no processo de ascensão social e a demanda de amparo como antipolítica.
A quebra do pacto narcísico da pobreza.
Atravessar a angústia que a ascensão social implica não é fácil, mas com terapia é possível.
Trauma da pobreza brasileira em trajetórias de ascensão social
Substituir a palavra pobre por humilde é uma questão de moralização da condição financeira e socioeconômica do pobre. Quincas Borba nos ajuda a entender como é esse sentimento humilde à espreita da oportunidade de ser rico.
Quincas Borba como um caso de Neurose de Classe brasileiro. Obra de Machado de Assis.
Rápida ascensão social através do trabalho. Diferente da ascensão através da educação, chefes e gerentes assumem posições de poder dentro das empresas. Essa rápida ascensão que tem a ver com o cargo coloca em questão sua frágil posição frente aos herdeiros da burguesia que podem tomar esse lugar por serem deles desde o berço.
Trajetórias em ascensão social
Você não é um dos nossos

Você não é um dos nossos

2025-08-2101:08:04

Sentimento de insuficiente em relação aos filhos da burguesia. Mobilidade social é também sobre aprender a lidar com sentimento de não pertencimento
Medo de Perder Tudo

Medo de Perder Tudo

2025-08-1603:35

O medo da queda é um sentimento de que você vai perder algo que conquistou independente do seu esforço. Diferente da síndrome do impostor ou sabotador comuns na classe média. O medo da queda tem a ver com a negação da conquista merecida.
O não-lugar

O não-lugar

2025-08-1647:01

A neurose de Classe, como qualquer neurose, em alguma medida é sempre de repetição. Você precisa repetir bastante aquele núcleo não elaborado, até elaborar aquele buraco onde você se meteu lá trás no processo de ascensão social e que você não consegue elaborar.Os textos de Freud “Recordar repetir elaborar” e “Os que fracassam no triunfo” nos mostram que se não elaborar o trauma, você vai ficar no mesmo lugar. O que, aliás, tem a ver com a pulsão de morte, que por sua vez, tem a ver com a compulsão à repetição.Veja, existe um gozo que precisa repetir e precisando repetir mais uma vez acaba te colocando na mesma posição ou uma certa familiaridade de uma determinada cena. Nesse contexto, você pode até trocar as peças como em um jogo de xadrez, substituindo os personagens à revelia, mas a regra do jogo continua a mesma: voltar para o mesmo lugar.
Desde muito cedo você percebeu através dos seus pais que a vida era dura. Se você for a mais velha sabe muito bem ser a última e a colocar o interesse do outro na frente do seu. Eu não to aqui para romantizar sofrimento, estou aqui para denunciá-los. Teve que ser forte para cuidar dos outros, normalmente irmãos mais novos. Quem cuidou de ti? Teve que ser forte para abrir mão dos seus interesses individuais para favorecer o coletivo. Quem te recompensou? Teve que ser forte para defender os outros. Quem te defendeu? cuidar de tudo e todos, ter fama de resolver problemas, proatividade, a mãozona do grupo, te colocou em um lugar de doação. A imagem de pessoas fortes, firmes e cuidadores passa a impressão de quem não sofre, que não precisam de carinho e cuidados. Ao longo do tempo você percebe que todos estão bem encaminhados e se vê muitas vezes sozinha. O homem da casa tem que passar segurança em substituição do pai ausente. O semblante de alguém forte muitas vezes camufla tamanha fragilidade. Ter que ser forte não é ser forte, ficamos por aqui.
Quem sonhou um futuro para você?
A psicanálise pressupõe que o fundamento da identidade está na relação do indivíduo com os genitores ao evidenciar os processos de identificação que funcionam dentro dessa relação, no EU submetido ao desejo do outro. Nesse sentido, os problemas de identidade têm sempre essência psíquica, à condição de levarem em conta a atividade psíquica como aquela que integra o social, ou seja, o mundo exterior com seus conflitos e contradições. É a sociedade que lhe impõe a identidade pelas posições que define para cada indivíduo na rede social. A sociologia pressupõe que o fundamento da identidade esteja na relação do indivíduo com um sistema de parentesco, com os grupos em que nasceu, as instituições e redes sociais às quais pertence, as classes sociais que caracterizam o funcionamento social do qual participa. Mas essa relação está marcada pela problemática familiar, ou seja, pelo modo como os genitores e ascendentes se posicionam dentro desse conjunto de relações. as abordagens da identidade mostra que se trata de uma noção abrangente, multidimensional, que descreve os diversos registros que constituem a personalidade do indivíduo. Isso nos pareceu necessário para compreender a situação de quem muda de classe social e analisar as tensões que esses deslocamentos provocam.
Lidar com dinheiro no processo de ascensão social é a mesma coisa querer que um app funcione na velha versão sem querer atualizá-lo. nesse caso, o problema é a atualização, não o celular. Isso quer dizer que você não pode resolver novos problemas com velhas soluções.
A classe é a valorização do conhecimento de prestígio como base de sua reprodução social. Já a reprodução desses privilégios positivos se dá a partir do capital cultural. A renda é a variação dos recursos financeiros em determinado momento em determinadas famílias. Duas famílias com rendas de 10.000,00 não quer dizer muita coisa sem levar em consideração suas variáveis: quantos filhos, há doenças crônicas, deficiência, onde moram. A lista seria extensa.
“A fé popular e a negligência da esquerda” será o tema da nossa Conversa no Telegram na segunda dia 11/07 às 19:00. Dra. Bianca Ramires é professora da rede pública, mestrado e doutorado em Letras, ativista, militante de esquerda e membro do Coletivo Abrigo. Para fazer parte da nossa Conversa basta clicar no link que está na descrição e entrar no canal do TELEGRAM "neurose de classe". Trata-se de uma sala de bate-papo via audio onde cada participante ocupa o lugar de ouvinte ou falante. A palavra circula livremente, somos efeitos e afetados pelo dizer de cada membro. Seja bem vinde.
A Neurose de Classe é um podcast idealizado pelo psicanalista Kályton Resende. Os assuntos abordados atravessam o sofrimento psíquico no processo de ascensão social.  Felipe B. Zorzi é bacharel em relações internacionais, mestre e doutor em ciência política pela UFRGS com período sanduíche na Universidade de Harvard.  Para fazer parte da nossa Conversa basta clicar no link que está na descrição do Instagram e Tiktok para entrar no canal do TELEGRAM. Trata-se de uma sala de bate-papo via audio onde cada participante ocupa o lugar de ouvinte ou falante. A palavra circula livremente, somos efeitos e afetados pelo dizer de cada membro. Seja bem vinde.
Vidas paralisadas por não conseguirem se mover. O impasse nasce do choque entre a origem e a nova posição social. Sai-se da pobreza, mas a pobreza não sai da pessoa, e é justamente isso que impede de seguir adiante. O termo transclasse foi formulado pela filósofa francesa Chantal Jaquet em sua obra Les transclasses ou la non-reproduction (2014). Jaquet descreve o movimento de sujeitos que atravessam as fronteiras de classe sem repetir o destino social herdado, enfatizando as nuances entre ruptura e continuidade, entre herança e reinvenção. Ela parte do contexto francês, marcado por políticas públicas mais sólidas e por uma tradição de reflexão filosófica sobre desigualdade e reprodução social.Entretanto, quando deslocamos o termo para o Brasil, a simples tradução não dá conta da densidade do fenômeno. Nossa realidade está atravessada por desigualdades históricas, raciais e estruturais de herança escravista, onde a travessia de classe não é apenas uma não-reprodução, mas carrega marcas traumáticas que se inscrevem no corpo e no inconsciente. É aí que se evidencia a diferença entre pensar o conceito europeu e o brasileiro.Se na França a ênfase está no desvio das determinações de classe, no Brasil a ascensão implica lidar com feridas psíquicas e sociais que não se apagam com a mudança de renda ou escolaridade. O que se chama de transclasse em Jaquet toca apenas a superfície do que nomeio como Trauma da Pobreza. Minha teoria nasce dessa realidade específica: a pobreza como inscrição subjetiva que permanece mesmo quando o sujeito já não é mais pobre. Mais do que um deslocamento social, trata-se de um atravessamento psíquico que exige elaboração para que não se repita em forma de sintomas, angústias e medos, sobretudo o medo da queda.O termo transclasse, dialoga profundamente com o espírito do nosso tempo. A ideia de que o sujeito pode “transicionar” de classe sugere que basta não se identificar mais com a origem para dissolver os conflitos da travessia social. O problema é que essa perspectiva reduz a complexidade do sofrimento a uma questão de identificação imaginária, como se bastasse mudar o espelho em que o sujeito se olha para a ferida desaparecer.Essa crítica é fundamental, sobretudo no Brasil, onde a mobilidade social não se resume a identificações, mas se confronta com desigualdades históricas, raciais e estruturais. O Trauma da Pobreza que elaboro não é apenas a descrição de uma travessia, mas a nomeação da marca psíquica que permanece inscrita mesmo quando o sujeito já não ocupa materialmente a posição da pobreza. Não se trata de mudar de bairro, país ou escola, transformações que sempre exigem algum nível de adaptação. Trata-se de uma especificidade: a pobreza deixa resíduos que não desaparecem com o aumento da renda ou a conquista do diploma.O Trauma da Pobreza é importante, pois trata-se do meu esforço conceitual para pensar a mobilidade social a partir do sofrimento da ascensão social. Tal conflito não se explica pela simples mudança de lugar, mas pelo trauma que a pobreza inscreve na subjetividade. É essa a minha marca autoral, frequentemente invisibilizada e até apropriada por criadores de conteúdo que recorrem a autores franceses como se fossem credenciais de legitimidade intelectual. Enquanto isso, eu, um intelectual brasileiro, nomeei o indizível: o sofrimento psíquico específico da ascensão social. E a pergunta que ecoa é simples: por que um brasileiro, que ousou explicar o problema, insiste em ser apagado?
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