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Cosme Rímoli

Author: Cosme Rímoli

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Jornalista esportivo Cosme Rímoli entrevista grandes nomes do universo do esporte em um bate-papo sobre o que rola dentro e fora de campo.
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Imagine a Seleção Brasileira com Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e... Djalminha.Quanto talento junto.Uma atitude impensada, que só não foi perdoada por medo da repercussão da imprensa de Felipão, treinador que dizia ser a favor da hierarquia."O treinador do La Corunã, o Irureta, me perseguia desde que eu cheguei. Naquele dia, nós discutimos por um pênalti em um treino. Nem houve cabeçada, só encostei a minha cabeça nele, irritado. Eu telefonei para o Felipão avisando o que havia acontecido. Ele me disse para abafar o caso. Mas a imprensa não deixou."A tradução: Felipão o convocaria para a Copa de 2002. Mas ficou 'de mãos amarradas' quando as imagens da cena vazaram pelo mundo. O então presidente Ricardo Teixeira não quis a chamada. Para 'não pegar mal'.E assim, o Brasil desperdiçou um gênio.Por ironia do destino, já havia sido assim com o pai de Djalminha. O espetacular zagueiro Djalma Dias. Muito genioso também, acabou injustiçado nas Copas de 1962 e 1966.Djalma deu uma entrevista reveladora. Mostrou sua personalidade forte participando de uma greve de silêncio no Flamengo, clube que o revelou. Mas com 15 anos. Foi vendido de forma precipitada na Gávea. Entrou em choque com Renato Gaúcho, o ídolo maior na época. Trocaram empurrões em um Fla-Flu.O Guarani se aproveitou. Mas Djalminha faria história no Palmeiras da Parmalat."Foi um time que tinha muitos recursos. Não fizemos 102 gols no Paulista, de 1996, que ganhamos, por acaso. Eu, o Müller, o Rivaldo nos entendemos de cara." Djalminha é modesto. Os três foram protagonistas de lances geniais juntos. Como a Parmalat só assumiu o Palmeiras para movimentar dinheiro, logo desmanchou o time fabuloso que havia montado."Fui para La Coruña e conseguimos o que ninguém esperava. Derrubamos o Barcelona e o Real Madrid. Fomos campeões espanhóis. Vive momentos importantíssimos da minha carreira e de vida por lá", relembra. Infelizmente também com o medíocre técnico Irureta.Na Espanha, Djalma apostava com Ronaldo Fenômeno quem dava mais caneta, ou seja, colocava a bola no meio das pernas dos adversários. Cada caneta valia mil euros, cerca de R$ 6 mil. "Ele foi um grande desperdício para a Seleção Brasileira", decretou Ronaldo.Essa é a sensação que o acompanha até hoje.Muito firme nas suas opiniões, se tornou comentarista. Irritado com o racismo, inspirado em Seu Jorge, fez um rap em homenagem a Vinicius Júnior. E ele 'cantou' na entrevista.Só o Brasil e suas injustiças foi capaz de deixar esse gênio fora das Copas do Mundo.Azar do Brasil...
A trajetória é mais do que especial.Improvável.Nascido no alto deste país/continente, em Belém, passando por equipes humildes como Jaderlândia, Tok Disco, Palmeiras de Abaetetuba, só haveria uma maneira deste homem chegar a vestir a camisa 10 do Santos, do Barcelona e disputar uma Copa do Mundo.A sua genialidade.Sim, porque ele foi um gênio com a bola nos pés.Quem o enxergou e fez questão de colocar o seu dinheiro para comprá-lo e levá-lo ao Santos, entregando sua camisa 10, tem nome e sobrenome.É o rei do futebol. Edson Arantes do Nascimento."A minha vida é um milagre de Deus. Tudo foi planejado por Ele. Só pode ser. E sou muito grato por tudo que me foi oferecido", diz Giovanni, em entrevista mais do que esperada há anos.Só ele, Sócrates e Weverton tiveram a honra de representar a região Norte deste país em uma Copa do Mundo. O caminho improvável de Giovanni foi aberto por sua genialidade, disciplina e vontade de vencer.Do alto do seu quase 1m90, ele desfilava talento, dribles improváveis, elegância e muita eficiência. Deslumbrou não só Pelé como dirigentes do Barcelona, que venceram disputa ferrenha com gigantes europeus para contratá-lo.Foi Giovanni que, em 1995, fez a torcida santista renascer, levando o time para a final do Brasileiro, em 1995. O Santos havia perdido a primeira partida por 4 a 1 para o Fluminense, no Maracanã. Precisava de uma virada histórica."O Giovanni teve uma atuação espetacular, que me emocionou muito. Foi maravilhoso em campo." As palavras foram de Pelé, na vitória inesquecível, para qualquer santista, por 5 a 2. Ele havia prometido e fez dois gols. Pintou o cabelo de vermelho, também cumprindo promessa. E ganhou, para sempre, o apelido de Messias.O Santos não venceu o Brasileiro porque foi terrivelmente prejudicado. Teve gol legítimo anulado e o Botafogo fez um impedido, o de Túlio. E levou o título, com o Pacaembu lotado e revoltado. "Não me conformo até hoje com o que aconteceu. Houve coisa a mais do que simples futebol naquela decisão", lastima Giovanni.O Santos não conseguiu segurá-lo. Foi para o Barcelona. E de lá para a Seleção e à Copa do Mundo de 1998."Se eu soubesse o que iria acontecer, não iria. O Zagallo me levou por causa do Zico, que pediu a minha convocação. Acabei queimado e na reserva. Atuei só 45 minutos. Estava no meu auge. Foi o Rivaldo, que é meu irmão, que me acalmou. Não queria estar ali, sabia que estava sendo prejudicado." Zagallo cometeu a heresia de improvisar o lateral Leonardo como meia no Mundial. Desprezou todo o talento de Giovanni. Havia uma grande proteção para os jogadores oriundos de times do Rio de Janeiro.Giovanni enfrentou problemas com outro treinador no Barcelona, o 'exterminador de brasileiros', o holandês Van Gaal. "O problema foi quem me contratou foi o presidente Josep Nuñez. Foram confrontos cansativos e desgastantes. Havia a pressão da imprensa, da torcida, da direção para que eu jogasse. O ambiente ficou insuportável." Ele teve uma temporada excepcional, em 1997/1998, quando o Barcelona venceu a Liga Espanhola e a Copa do Rey. Em uma história maravilhosa foi para a Grécia. E se tornou um dos maiores ídolos do Olympiacos."Recebi um sinal de Deus, em Fernando de Noronha."Além de tudo isso, descobriu Paulo Henrique Ganso, no Pará e o trouxe para os holofotes do futebol mundial.A história de Giovanni é mesmo divina.A entrevista?Um privilégio...
Por qualquer ângulo da análise, Zinho é um gigante injustiçado.Nascido na violenta Baixada Fluminense, filho de um paraibano caminhoneiro e de uma dona de casa baiana, estava predestinado a ser um dos grandes jogadores de futebol deste país.Aos três anos, seus primos foram comemorar nas ruas o título mundial da Seleção de 1970. Ele foi atrás deles. Se perdeu. Sua mãe se desesperou. Agarrou o sapatinho do pé esquerdo que ficou em casa. Se ajoelhou, pediu a Deus, que ele fosse encontrado. E profetizou que, se ele voltasse, ainda seria campeão do mundo, dentro do campo, com a camisa da Seleção. 24 anos depois, a premonição deu certo.'Mas eu fui massacrado. Pela imprensa. Principalmente por Galvão Bueno, o narrador da Globo, que mantinha o monopólio da transmissão da Copa. Ele não entendia minha função tática. O Parreira me pediu para fechar o meio-campo, dar segurança para que o Leonardo e o Branco atacassem. A ordem era que oito jogadores ficassem atrás da linha da bola, marcando. Era assim que ganhamos a Copa, depois de 24 anos."O Galvão tinha em mente o Brasil de 1970 e 1982. Não entendeu o que se passava em campo. E pegou muito pesado comigo. Minha família sofreu demais. Minha irmã recebia fotos de enceradeira, dizendo que era eu na Seleção. Um absurdo. Pagamos pela ignorância de quem não entendia de futebol", desabafa Zinho.Galvão Bueno reconheceu sua perseguição e fez questão de pedir desculpas, no documentário de sua carreira, a Zinho. 'Falei que era uma pena que ele não pudesse pedir para quem merecia ouvir as desculpas. E sofreu com suas palavras. Meu pai que, infelizmente, morreu."Para quem não sabe, Zinho era muito habilidoso. Era ponta esquerda driblador. Mas inteligentíssimo, com visão de jogo diferenciada, se tornou meia. E com potencial físico extraordinário. Daí suas múltiplas funções em campo. Fez história por onde passou. Foi campeão brasileiro cinco vezes. Só ele e Adílio, na história. Saiu do Flamengo chorando, sem querer ir para o Palmeiras. Foi comprado pela Parmalat. "Meu pai, seu Crizan, foi decisivo. Falou que eu iria mudar a história do Palmeiras, que estava em jejum de títulos há 16 anos. E acabou sendo a melhor coisa que fiz. "E fomos quebrar esse jejum em cima do maior rival, o Corinthians. Eu marquei naquela final inesquecível. Dia 12 de junho de 1993. Não é mais o Dia dos Namorados. É o Dia da Paixão Palmeirense."A minha emoção foi a mesma de ganhar a Copa do Mundo."Zinho é um gigante. Tem 37 títulos na carreira. Tetra virou seu apelido. Mas, para ser titular do Brasil na Copa dos Estados Unidos, sofreu demais. A começar pelas Eliminatórias que a Seleção precisou vencer o Uruguai para se classificar. "Disputei toda eliminatória com a minha mãe muito doente. Ela teve um AVC e ficou com parte do corpo paralisada. No dia decisivo, contra os uruguaios, minha mãe entrou em coma. Ninguém sabia. Se o Romário fez os dois gols, eu joguei bem demais. No dia seguinte, enquanto todos comemoravam, eu enterrava a minha mãe", relembra emocionado.Dona Lita faleceu. Mas acertou na previsão, seu filho foi campeão do mundo, com a camisa da Seleção. Fez história no Flamengo, Palmeiras, Grêmio, Cruzeiro, por onde passou. Se tornou excelente comentarista. Começou na RECORD e está há 11 anos na ESPN.Entrevistá-lo foi um privilégio.REDE SOCIALInstagram: @cosmerimoli
A segunda parte da entrevista histórica com Marcelinho Carioca mergulha no Corinthians.Em tudo o que ele viveu de bom e ruim. 'Formamos mesmo uma equipe espetacular, que foi campeã do mundo. Mas eu, o Edilson, o Vampeta, o Freddy (Rincón)... Éramos um time de bandidos", diz e cai na risada.Marcelinho estava disposto a falar. Mostrar o trauma que tinha contra o Palmeiras, o 'grande rival'. Até que começou a marcar. E ganhar títulos contra o rival. Até que chegou a fatídica decisão por pênaltis da semifinal da Libertadores de 2000. 'Caí no truque do Marcos. O Pracidelli (preparador de goleiros) ficou atrás do gol gritando que eu iria rolar a bola no meio do gol. E eu ia fazer isso mesmo. Quando ouvi, quis mudar e o Marcos acertou o canto. A estratégia foi fantástica. Foi uma das piores noites da minha vida. Saí do Morumbi às três da manhã. Os torcedores tentaram virar o meu carro."Ele assume que o Corinthians virou o amor de sua vida. Acumulou títulos. Mas a saída foi lastimável. Uma armação da MSI, de Kia Joorabchian. "Eu tinha voltado por pressão da torcida. O time precisava de mim, eu estava pronto. Só que eu não era escalado. Veio a eliminação da Libertadores de 2005. A imprensa e os torcedores pedindo por mim. Mas a MSI tinha outros planos." Kia queria a saída de Marcelinho, para não ofuscar os jogadores caríssimos que contratou. Como Tevez. 'Chega em um treino, o Mascherano, do nada, me dá três pontapés violentos. Eu reajo. Sou expulso do treino. O Mascherano me chama e me diz, desculpe Marcelo. Um dia você vai entender o que aconteceu hoje. E mandam o roupeiro avisar que eu estava fora do Corinthians. O Mascherano me provocou para que eu reagisse e fosse mandado embora. Foi um descaso, uma tristeza imensa. Mas meu amor pelo Corinthians não mudou."Sobre Luxemburgo, Marcelinho detalha a guerra pública na Band. 'Foi armado. Eu estava ganhando muito espaço na tevê. Incomodando pessoas importantes. Fui de coração aberto. E o Luxa me atacou por conta de vaidade. Uma mulher que não quis ficar com ele na Bahia. Preferiu ficar comigo. Eu nunca levei mulheres para a concentração antes do jogo. Depois, muita gente leva. Antes, não. Não sou louco. E o Luxa sabe disso."Pouca gente sabe que houve a reaproximação, depois de anos. 'O encontrei em um bar. As pessoas pegaram os celulares imaginando que iríamos brigar. Mas nos abraçamos e nos perdoamos. Eu o desafiei muito como técnico. Mas ele foi o melhor que eu tive.'Quanto ao sequestro, ele foi sincero. Contou em detalhes. Chorou ao lembrar do desespero. E do medo que teve de morrer. "Foi Deus quem evitou o pior. Tomei coronhada. Fui para o cativeiro. Acreditei que minha vida iria acabar. Mas Deus surgiu na hora certa. Foi desesperador."Aos 54 anos, Marcelinho saiu com os olhos marejados da entrevista.Se expôs como nunca.Foi um privilégio para o canal.O maior ídolo da história do Corinthians mostrando seu lado humano. O que fica longe dos holofotes...
As lágrimas de Marcelinho Carioca rolaram pela sua face, várias vezes, nesta entrevista. 'Nunca me abri tanto', disse, após três horas de conversa.Para orgulho deste jornalista, que completa 40 anos de profissão.A entrevista teve de ser dividida em duas partes, para quem acompanhar possa entender melhor esse ídolo complexo. Vencedor, polêmico, rebelde, Genial em campo. Desafiador de qualquer regra assim que as partidas acabavam.Enfrentou jogador, treinador, dirigente, jornalista até sequestradores.Como compreender que o menino mirrado, subnutrido, que saiu da favela da Sulacap, perto do Morro do Pica-Pau, no Rio de Janeiro, vendia salgados nas praias cariocas, buscava garrafas vazias para vender, almoçava cuscuz com leite condensado virou milionário, que dirige sua Mercedes pelas ruas paulistanas? A explicação está na sua relação com uma esfera leve, hoje de material sintético, chamada bola.Marcelinho detalha, em lágrimas, trechos de sua existência que pouquíssimas pessoas sabem. 'Meu pai queria ser jogador e o meu avô, que era marinheiro, proibiu. Ele iria assinar com o Fluminense. Meu avô impediu. A mágoa, a frustração do meu pai foi tanta, e para sempre, que ele não quis nem no enterro do seu próprio pai. Ele sofreu muito. Eu pude dar a alegria de ser jogador para ele. Meu pai se realizou em mim." O filho de um gari se transformou no maior ídolo da história do gigante Sport Clube Corinthians Paulista. Sim, justo os paulistas, que mantêm rivalidade histórica e feérica com os privilegiados moradores do Rio de Janeiro, transformaram um adjetivo pátrio em seu sobrenome. Marcelinho Carioca."Eu sempre amei o Rio de Janeiro. E muito mais o Flamengo. Meu sonho de infância era jogar no Maracanã. Quando treinei com o Zico, meu ídolo maior, chorei, mostrei o meu talento para bater falta para ele, chorei, o abracei."Meu pai varria o Maracanã quando estreei pelo Flamengo. Foi um sonho. Ganhei títulos pelo clube que amava. Mas, de repente, fui vendido, de surpresa para o Corinthians. Fui vendido para o Flamengo pagar os salários do Renato Gaúcho e do saudoso Gaúcho. O clube jogou fora uma geração que seria campeã do mundo. Eu, o Djalminha, Júnior Baiano, Marquinhos, Paulo Nunes. Todos vendidos à força.'Fiquei revoltado. Não queria vir, de jeito nenhum para o Corinthians. Foi a melhor coisa que aconteceu na minha história. 'Estava chegando ao clube que virou meu amor. Tanto que tatuei as iniciais Corinthians Paulista na minha pulso. A camisa branca e preta foi mesmo a minha segunda pele.'Corinthians é a minha vida!'"Não joguei uma Copa do Mundo pela Seleção por pura injustiça dos treinadores. Principalmente na de 1998 e de 2002. O Felipão se vingou de mim por não ter ido jogar no Cruzeiro."Quem quiser descobrir quem é, de verdade, Marcelinho Carioca, esta é uma grande oportunidade.Como esse homem de 1m65, que calça 35, explosivo, talentoso, desrespeitoso, colecionador de títulos, melhor cobrador de faltas da história do futebol, que pagou caro por desafiar o sistema, virou o maior dos ídolos do Parque São Jorge?Três horas com ele já é o início deste caminho.Agora, uma hora e meia.A segunda parte, na semana que vem...
Xuxa? Viviane? Adriane Galisteu?Não. A mulher mais importante da vida do piloto Ayrton Senna é Betise Assumpção.Ela foi quem acompanhou de muito perto os últimos anos de vida de um dos ícones do esporte brasileiro, mundial.Depois de uma insistência de anos, finalmente cedeu e aceitou dar entrevista ao canal.Betise vive há anos Inglaterra e recebe inúmeros pedidos de entrevista de inúmeros veículos de comunicação do planeta. Cineastas imploram por depoimentos em documentários sobre Senna ou a Fórmula 1.Ela foi assessora de imprensa de Senna. Estava ao seu lado em todos os Grandes Prêmios na Europa. De personalidade fortíssima, forjada talvez no machismo que enfrentou quando era repórter do Estado, da Folha e da revista Placar, no início da década de 90, ele enfrentou os afoitos jornalistas que cobriam Fórmula 1, em relação ao Senna. "Era uma bagunça. Um caos. Repórteres do mundo todos o metralhavam de perguntas, não o deixavam andar. Eu dividi todos em três grupos. Por idiomas, os que falavam inglês, italiano e português. De personalidade fortíssima. Sempre foi muito competente. Além de organizar as entrevistas, combinava com Senna o que deveria e o que não deveria ser dito, até onde ele poderia e deveria se expor. Ele era um piloto extraordinário nas pistas. Tricampeão do mundo, bonito, filho de família rica, de ótima formação educacional, mas a sua imagem de homem determinado, corajoso, competitivo, a ponto de enfrentar o sistema que privilegiava os europeus, principalmente quando o francês Jean-Marie Balestre comandava a Fisa, a Federação Internacional de Automobilismo, protegia Alain Prost. E se irritava com um sul-americano 'roubando' o protagonismo dos europeus. Balestre chegou a ser preso ao fim da Segunda Guerra, por seu envolvimento com o nazismo. A rejeição ao brasileiro Senna, representante do Terceiro Mundo, era escancarada.Era Betise quem colocava os limites nas declarações de Ayrton. Moldava a imagem do brasileiro, escrevia textos diários, com palavras do piloto, que chegavam a mais de 300 veículos no mundo todo. E eram publicados. Lembrando que o período era antes da Internet.Sobre a relação íntima com a Globo e com Galvão Bueno, era é prática. "A Globo tinha na Fórmula 1 um produto que era seu. O Senna era tricampeão do mundo. Explorava ao máximo. E o Galvão se tornou amigo íntimo dele. Era uma decisão do Ayrton ter essa proximidade. Foi bom para os dois lado. O que facilitou também foi o fato de o Brasil ser carente de ídolos. Como é até hoje."Ela foi a primeira assessora pessoal de um piloto na F1. Senna a conhecia do Brasil. E sabia que Betise seria a assessora, o escudo que precisava para domar a imprensa. A família de Senna, muito presente, também a aprovava. "O Senna foi a pessoa mais focada, mais intensa que eu conheci. Extremamente competitivo." Na vida pessoal, ela revela que Adriane Galisteu o deixou mais humano. "Ela era uma menina, quebrava a rigidez com que ele levava a vida. Estava ficando mais alegre, mais solto. Fez muito bem para ele."Mesmo há 32 anos, Betise lembra como se fosse hoje, o fim de semana trágico em Ímola, que Senna morreu. 'A pista era muito perigosa. Tinha várias falhas. Na sexta, o carro do Rubinho Barrichelo voou e só foi parar no ground rail. Saiu vivo por pura sorte. No sábado, o austríaco Roland Ratzenberger morreu. O Ayrton ficou abalado, como todos os pilotos. E revoltado. Criticou a falta de segurança em Ímola.'Valeram os anos de espera. A entrevista de Betise foi muito reveladora. E um mergulho profundo nos últimos anos de Ayrton Senna. Revelado por quem esteve ao seu lado. Mais do que Xuxa, Galisteu ou Viviane...
“Aceitei dinheiro, sim.“Por R$ 68 mil acabei com a minha carreira.“Com a minha vida!“Com a minha família.“Com meu casamento.“Minha filha não fala comigo.“Ninguém me dá emprego.“Virei sinônimo de juiz ladrão“Passo vergonha onde eu vou.“Fiquei preso ao lado da cela do Paulo Maluf, na Polícia Federal. Quando ele me viu, bateu palmas. Sabia que eu passaria a ser o foco das notícias no Brasil."Tentei me matar três vezes."Edilson Pereira de Carvalho quase foi o representante da arbitragem do país na Copa de 2002. Merecia a indicação. Era um excelente juiz.Mas tudo veio abaixo em 2005, quando foi revelado que Edilson recebia dinheiro para manipular jogos. No Campeonato Paulista, na Libertadores e no Brasileiro de 2005.Foi comprovado por gravações incontestáveis.“Acabei tirando a credibilidade do futebol brasileiro. Jamais pensei que iria fazer isso. Cedi à tentação do dinheiro fácil.”“Eu recebia em dinheiro vivo. Já peguei um pacote em pleno aeroporto de São Paulo. Ninguém desconfiava de mim. Eu era um ótimo árbitro.”Justo na semana que a CBF anuncia a profissionalização de juízes no país, a história de Edilson deixa explícito: os árbitros são o elo mais fraco, mais suscetível, mais amador no futebol pentacampeão do mundo.Na assustadora entrevista, Edilson revela o esquema simplório até que abalou o esporte mais amado deste país.Ele recebia dinheiro de Nagib Fayad, um apostador milionário. A Polícia Federal descobriu: ele ganhava cerca de R$ 400 mil por jogo que Edilson manipulava.Nagib e Edilson eram absolutamente amadores. Ficavam combinando os jogos que o árbitro iria garantir o resultado por telefone.“Eu até comprei um celular de São Paulo. Mas não adiantou nada, a Polícia Federal grampeou e pegou nossas conversas.”Além de Edílson, o árbitro Paulo José Danelon também aceitou dinheiro para manipular jogos, pago por Fayad.O esquema foi desarticulado pela Polícia Federal. A notícia passada para a revista Veja. E o escândalo veio à tona.Edilson foi preso.“Fiquei na cela ao lado da do ex-governador Paulo Maluf. Ele me viu e bateu palmas. Falou: ‘obrigado, Edilson’. O Maluf sabia que eu passaria a ser o foco das notícias no Brasil.”Ele e Fayad ficaram presos apenas cinco dias. Por um motivo muito simples.“Árbitro aceitar corrupção não era crime. A partir de 2023, um juiz que aceitar dinheiro de apostador poderá ficar até seis anos na cadeia.A legislação mudou por causa de Edilson.E também o Campeonato Brasileiro de 2005.Todos os jogos que ele apitou tiveram de ser refeitos. O Corinthians acabou beneficiado, ultrapassando o Internacional em pontos.“Eu apitei também Libertadores e Paulista de 2005. Por que essas partidas não foram disputadas de novo?”, pergunta irônico.Edilson foi banido do futebol. Perdeu o seu escudo Fifa. Nunca mais pôde apitar.Desde então sua vida virou um tormento.Seu nome passou a ser sinônimo de ‘juiz ladrão’ nos estádios do país.Nunca mais se firmou em emprego algum. Quando descobria quem era, acabava despedido.“Perdi o respeito, o orgulho que minha família tinha de mim. Passei a beber ‘bebida forte’, como gim, uísque. E só chorava em casa.“Peguei cerca de 100 fitas dos meus jogos, enrolei e um lençol e coloquei fogo.“Tentei tirar a minha vida três vezes com o revólver que eu tinha. Uma vez, a bala passou e furou o telhado.“Minha mulher acabou se separando de mim. Minha filha não fala mais comigo.“Acabei com a minha vida!"Minha punição é perpétua..."
Tupãzinho. Apelido dado a Pedro Francisco Garcia. Não por lembrar o artilheiro, habilidoso, letal que vestiu a camisa do Palmeiras, na década de 60, que tinha o apelido de Tupãzinho, por conta de seu pai, que se chamava Tupã e fez história no Internacional."Meu nome no início da carreira era o meu mesmo, Pedro Garcia. Mas os dirigentes do São Bento disseram que não iria chamar a atenção de ninguém. E decidiram que iria mudar para Tupãzinho, em homenagem à cidade que nasci", revela.Tudo em Tupãzinho é simples, direto, sem complicações. "Eu sou uma pessoa que cresceu na zona rural. E que sempre entendeu a vida de maneira direta. É preciso ter sonho. E trabalhar muito forte para realizar. Eu sempre amei futebol, o Corinthians. E trabalhei muito para chegar aonde eu desejava. Vestir a camisa do time do meu coração, em pleno Pacaembu lotado. Ajudar o meu clube. Fazer história. E me desdobrei em campo para conseguir o que queria", relembra, orgulhoso.De físico franzino, Tupãzinho jogava futebol, quando era garoto, no Tupã Futebol Clube. Se destacou e foi jogar no São Bento, de Sorocaba. No Paulista de 1989, foi o melhor em campo em um confronto contra o seu time do coração. O Corinthians venceu por 3 a 0, mas ele foi o melhor em campo.Tanto que, quando Guinei foi contratado para a zaga do time da capital, ele foi como contrapeso. "Fomos como experiência, por três meses. E logo de cara fomos bem. Disputamos um ótimo Paulista. E veio o Brasileiro de 1990."O histórico presidente Vicente Matheus havia montado a equipe com jogadores medianos. 'Não vou mentir. Foi uma equipe para não ser rebaixada. Só que deu liga. O técnico Nelsinho chegou e crescemos de forma inesperada na fase decisiva. Ninguém acreditava na gente. O Corinthians não priorizava o Brasileiro. Mas fomos ganhando. Derrubamos favorito atrás de favorito. Ficou no caminho o Atlético Mineiro, o Bahia. Para vencer o Bahia tivemos de enfrentar até bonecos de vodu, que colocaram no vestiário. O meu tinha agulhas nos joelhos, no ombro, na cabeça, lá em Salvador. Ninguém ligou, porque sabíamos que fariam isso para nos abalar. Ganhamos e chegamos na final contra o São Paulo do Telê Santana, que tinha uma seleção", relembra.Tupãzinho admite que o histórico time jogava para o Neto. Quase como a Argentina faria em 2022, no Catar, com Messi. 'Ele tinha um poder de decidir os jogos. E jogava mais à frente para definir os lances. A bola parada dele era mortal. Assim como seus lançamentos. Além disso, o Neto era um dos líderes do time.'Mas, por melhor que tenha sido o Brasileiro de Neto, a história reservava a Tupãzinho o privilégio de fazer o gol decisivo que mudou a história do Corinthians. 'Antes, o clube só pensava em ser campeão paulista. Quando eu peguei o rebote do chute do Fabinho, que bateu no Cafu, deu o carrinho. E quando a bola passou pelo Zetti e, foi para as redes, vi meu mundo mudar.' E do Corinthians. O clube passou a ter objetivos muito maiores do que o provinciano prazer de lutar para se impor 'no quintal', em São Paulo.A conquista do Brasileiro fez tudo mudar de ponta-cabeça. E logo, em 1991, veio o precipitado e fracasso plano 'Rumo a Tóquio'. E na Libertadores de 1991, o time entrou como se fosse a competição mais fácil. E acabou passando vexame, eliminado nos primeiros jogos eliminatórios, para o Boca Júniors. Muitas emoções estavam reservadas a Tupãzinho. A pior delas. 'Perder a final do Paulista de 1993, quando vencemos o primeiro jogo contra o Palmeiras. E o Viola imitou um porco. No jogo decisivo, eles ganharam por 4 a 0. E acabaram o jejum de títulos (16 anos) bem em cima de nós. A torcida do Corinthians queria invadir o ônibus, o hotel onde estávamos. Queriam bater na gente. Foi o pior momento da minha carreira."
Maguila, Hortência, Paula, Montanaro, Ruy Chapéu, Emerson Fittipaldi, Bernard...Ídolos que, se houvesse o mínimo de lógica, não se encontrariam em um mesmo dia na televisão deste país.Não até o início da década de 80.Em 1983, houve uma revolução."O Johnny Saad, presidente da Band, nos chamou. O Luciano do Valle e a mim. Fizemos uma reunião e ele nos ofereceu dez horas de programação nos domingos. A Band precisava de audiência e verba comercial."Ele nos liberou para escolher os esportes que quiséssemos. Era um desafio enorme. Nós aceitamos e fomos para a batalha. Fizemos algo inédito e conseguimos revolucionar o esporte na tevê deste país. Foi uma grande batalha, que nos deu muito orgulho. O resultado foi inesquecível."Quem relembra é Francisco Leal, o Quico. Ele e Luciano do Valle criaram uma empresa de marketing esportivo, que fez história, a Luqui, iniciais do nome do narrador e do apelido do empresários.'O Luciano era o melhor narrador de televisão deste país, de todos os tempos. E tinha uma visão mercadológica incrível. Ele tinha as ideias e eu as colocava em prática. Tudo nasceu quando ele decidiu deixar a TV Globo. Nós já éramos parceiros desde sempre. E partimos para criar eventos esportivos."Quico é filho do grande apresentador Blota Júnior. Portanto tinha proximidade umbilical com a tevê.'O primeiro grande evento foi uma ideia incrível que ele teve. A Seleção Brasileira de Vôlei enfrentar a campeã olímpica, a União Soviética, em pleno gramado do Maracanã. Os dirigentes do futebol não queriam o jogo lá. Uma gráfica instalada dentro do Maracanã falsificou ingressos, nos roubou. Caiu uma chuva terrível. Mas houve o jogo, histórico. Em cima de um carpete colocado em cima da quadra. A TV Record transmitiu. Mais de 95 mil torcedores foram ao Maracanã. Foi maravilhoso', relembra Quico.O Brasil venceu, com o inesquecível saque 'Jornada nas Estrelas' de Bernard. Mas os vitoriosos foram Luciano e Quico. Foi o sucesso da transmissão que os levou a criar o Show do Esporte. 'O esporte era desprezado pelas tevês. A nossa grande visão foi fazer acordos com as federações de vôlei, basquete, boxe. Nós também enfrentamos preconceitos."Mostramos que a sinuca não era coisa de malandro. Colocamos um smoking no Rui Chapéu e ele ganhou um desafio do campeão mundial. Mostramos o talento de Paula e Hortência, em duelos incríveis por seus times. O Luciano criou a Copa Pelé, com as estrelas veteranas do futebol do planeta. Beckenbauer, Paulo Rossi e tantos outros vieram jogar. Decidimos apostar na Fórmula Indy e o Emerson Fittipaldi disparou a ganhar. Compramos o futebol italiano, com sucesso fabuloso. Foi uma época incrível.'Ele lembra também do Brasileiro de 1990. 'O pessoal da Globo estava desencantado com o futebol depois da Copa. E largaram o Brasileiro. Compramos e foi um estrondoso sucesso, com o Corinthians ganhando o seu primeiro título."Quico se transformou até no empresário do maior peso pesado brasileiro de todos os tempos: Maguila. 'Foi uma loucura. Eu e o Luciano enfrentamos a Máfia do Boxe. O ambiente é terrível. O Maguila tinha muito talento, era um grande lutador. Por contrato, a pedido dele, que queria, e ganhou, muito dinheiro, lutava a cada 60 dias. A audiência era excelente, ele subiu no ranking e ele sonhava em enfrentar o Mike Tyson. Fui negociar a luta com o Don King. Ele sabia que os empresários do Evander Holyfield queriam também o Maguila. Don King me trancou no seu escritório para forçar a minha assinatura, para que ele lutasse nas preliminares do Tyson. Isso nós não aceitávamos. Tive de assinar qualquer coisa e escrevi embaixo, em português: 'essa assinatura não vale nada'."
Seu nome já inspira credibilidade, análises profundas, notícias em primeira mão.O ex-aspirante a volante da Linense, engenheiro por formação, escolheu a análise do aparelho hipnotizador que a população deste país cultua: a televisão.Nascido em dez de abril de 1947, ele viveu toda a trajetória de como o Brasil lidou e vem lidando com a tevê, que 'nasceu' aqui no dia 18 de setembro de 1950, com a inauguração da TV Tupi. É o melhor crítico e colecionador de notícias exclusivas de tevê do Brasil.Inteligentíssimo, estudioso, com uma rede de fontes, a quem trata, de verdade, como 'amigos', Flávio é capacitado para dar aula sobre qualquer ângulo, revelar bastidores inacreditáveis do assunto que for. Mas no caso, neste canal, ele falou, explicou, detalhou, os caminhos do jornalismo esportivo na televisão."O futebol na vida do brasileiro sempre ocupou um grande espaço. Daí a tevê não poderia ficar de fora. E foi uma adaptação mais do que interessante. Nós fizemos uma transposição do rádio para a tela. O nosso jeito de narrar futebol é muito nosso. O longo grito de gol, a vibração, tudo vem do rádio. E ficou. Virou nossa marca registrada", ensina.Com firmeza de quem acompanhou cada período do esporte, Ricco consegue expor um panorama incrível. 'Em 1966 víamos os teipes da Copa. Em 1970, a transmissão ao vivo. Em 1974, as cores. Para o regime militar que vivíamos era progresso. Lógico que o futebol foi usado e muito pelos militares.'Flávio Ricco lembra que, quando a Federação Paulista de Futebol, na década de 60 começou a cobrar as tevês pelas transmissões dos jogos, que eram precárias, mas gratuitas, vários canais desistiram. 'E foi aí, para preencher as tardes dos domingos, que surgiram programas como a Jovem Guarda, Silvio Santos.'Record, Globo e Band lutavam pela audiência esportiva. Com o apoio dos governantes a Globo foi conseguindo o monopólio do futebol. Formou narradores históricos, com essa enorme visibilidade. Luciano do Valle e Galvão Bueno foram os maiores deles. "O Luciano foi visionário. Saiu da Globo e, inspirado nos canais só de esportes nos Estados Unidos, criou o Show do Esporte na Band. Um domingo repleto de automobilismo, boxe, sinuca, basquete, vôlei, futebol de Masters. Foi sensacional. Revolucionou a televisão esportiva no país. Ele e o Quico, (Francisco Leal) formaram a Luqui, que administrava essas transmissões."Com a saída de Luciano do Valle, Galvão Bueno, que era o segundo narrador da Globo, se impôs. Por décadas. Virou uma estrela no país. "E eu vou falar aqui, o que aconteceu. Galvão Bueno saiu, por etarismo, por sua idade, da Globo. Foi um grande erro. Ele seria um excelente comentarista. Era personagem importantíssimo que a Globo desperdiçou."Ricco vê em Thiago Leifert outro grande responsável pela transformação de a tevê mostrar o esporte. 'Ele entendeu que o jovem não queria mais a formalidade com que o esporte era mostrado. Ele tem grande mérito nesta história.' Ricco resume como muito saudável o fim do monopólio da Globo no futebol. Mas lembra outro motivo. 'A Globo não suportou mais sozinha os custos. Os direitos de transmissões ficaram cada vez mais caros. Aliás, caríssimos. O que foi ótimo para as outras emissoras.'Ele é um grande defensor das narradoras de futebol. "Elas enfrentaram enorme rejeição. Foram guerreiras. O futebol é um meio machista. Mas elas têm todo o direito de fazer o que querem. As tevês perceberam a ligação das mulheres com o futebol. E acredito que seja justo, que elas tenham espaço. O que não pode acontecer, e acontece, é muitas vezes elas se posicionarem como intocáveis. Se homens são criticados, elas também podem sofrer críticas."Sobre o futuro do esporte na tevê, Ricco aposta que a pressão do streaming, dos canais pagos, está fazendo com que a tevê aberta mude, evolua, a sua maneira de mostrar, principalmente o futebol. Bem-vindo à privilegiada aula ministrada por Flávio Ricco...
'No Brasil não existe prisão perpétua. Mas no futebol existe. E eu fui condenado. A mina pena é perpétua.' O desabafo foi feito a este canal por Denis, ex-lateral do Palmeiras, que falhou na final do Campeonato Paulista, de 1996.Ele tinha 20 anos na partida decisiva contra a Internacional de Limeira.Mas existe outro atleta de enorme potencial, que era comparado a Amaral, zagueiro que disputou a Copa de 1978, que paga até hoje, por duas partidas, em 1991.Ele jogou bem demais na conquista do primeiro Campeonato Brasileiro, conquistado pelo Corinthians. Formou excelente dupla de zaga com Marcelo Djian.O time desbancou o São Paulo de Telê Santana, em 1990, com a estrutura tática e jogadores que seriam bicampeões mundiais.Ronaldo, Giba, Marcelo, Guinei e Jacenir; Márcio, Wilson Mano, Tupãzinho e Neto; Fabinho e Mauro.'Ninguém esperava que iríamos ganhar o Brasileiro. Fomos subindo na fase decisiva. O título era decidido no mata-mata. Ficamos em sétimo na geral. E pegamos o segundo colocado. Eliminamos o Atlético Mineiro, depois, veio o Bahia, os dois eram favoritos. Caíram. E aí veio o São Paulo. E também nos impomos. Nosso time estava muito bem. O Neto foi o nosso principal jogador. Ganhamos de forma merecida. Nossa arrancada foi inesquecível", relembra Guinei.Mas essa empolgação pelo título brasileiro contaminou imprensa, torcida e a própria direção corintiana, que vendeu a ilusão da conquista da Libertadores. O Corinthians havia disputado o torneio em 1977, caindo na fase de grupos. A esperança em 1991 era imensa. A direção repetia o 'projeto Tóquio'. Ou seja, ganhar a Libertadores e decidir o Mundial no Japão. Mas deu tudo errado.O time não foi bem na primeira fase. 'Suou sangue' para se classificar em terceiro, no grupo que tinha Flamengo, Nacional e Bella Vista. Veio o tradicional Boca Juniors nas oitavas."Não sabíamos nada do Boca. Não vimos vídeo. Não tínhamos ideia quais eram os principais jogadores. Nem a condição do gramado da Bombonera", revela Guinei. E as duas partidas foram fatais para o quarto zagueiro. "Eu falhei nas duas partidas. Na primeira, jogamos em um lamaçal e eu falhei, meu deu branco. Na segunda partida, errei também no Morumbi." No jogo em Buenos Aires, ele escorregou no primeiro gol do Boca. E no terceiro, estava com a bola dominada, mas a perdeu, justo quando o Corinthians pressionava para empatar. Em São Paulo, Guinei outra vez titubeou, Graziani roubou a bola e encobriu Ronaldo. O Corinthians, que precisava vencer por três gols de diferença, para descontar o 3 a 1 do primeiro jogo, precisava de quatro. Revoltados, os torcedores passaram a xingar Guinei. O time empatou. E Nelsinho Baptista tirou o zagueiro aos 41 minutos do segundo tempo. Ele foi 'massacrado' pelos corintianos e pela imprensa. Foi exposto. Não teve uma defesa efetiva da direção, do treinador, dos jogadores. Só Neto tentou protegê-lo. Mas acabou sendo em vão."Não posso culpar ninguém. Errei mesmo. Cheguei a me desculpar. Mas duas partidas ruins não deveriam marcar a minha carreira. Fiz 129 jogos pelo Corinthians. Joguei 129 partidas pelo Corinthians. Chega de me desculpar! Sou campeão brasileiro!", desabafa.Tímido, admite que deveria ter falado, enfrentado a imprensa. Se explicado à torcida. Mas preferiu se calar. Acabou, com a atitude, assumindo o fracasso do clube na Libertadores. Houve muitos outros culpados. Principalmente quem fez o planejamento para o 'projeto Tóquio', tão aclamado, em 1991.Guinei ficou sem ambiente no clube. Acabou pedindo para sair. Foi para o União São João de Araras. Depois, teve carreira de nômade. Náutico, Fortaleza, Marcílio Dias, Nacional, São Bento, URT, Corinthians, do Rio Grande do Norte, Jaboticabal, Francisco Beltrão.
"Levamos o São Caetano para a final da Libertadores e do Brasileiro. Perdemos para nós mesmos.'"Eu ensinei o Zinho e o Pedrinho a jogarem a Segunda Divisão. Se continuassem com toquinho de bola, o Palmeiras estava na Segunda Divisão até hoje."As declarações são de um personagem muito importante na vida do São Caetano e do Palmeiras.Adãozinho. Meio-campista inesquecível, versátil, vibrante, de futebol objetivo, duro, ríspido até. Mas de enorme eficiência. "E ele foi um grande líder. Ele nos cobrava e não nos deixava perder a concentração, a luta. Além disso, era o motorzinho do São Caetano. Ele anulava os principais jogadores do adversário. Nos liderava. Tinha uma grande visão do jogo. O Adãozinho foi fundamental para o nosso sucesso", relembra Adhemar, estrela do histórico time do ABC. Foi Adhemar quem insistiu. "Cosme, você quer entender o São Caetano? Tem de entrevistar o Adãozinho."Ele tinha razão. Adãozinho deu uma entrevista sincera, reveladora, sem meias palavras. "Eu sou de origem simples. Trabalhava na roça com a minha família. Plantava feijão e milho. Comia marmita, bóia-fria mesmo. Jogava futebol. Mas preferia montar em cavalo, em boi. Mas um teste no Bragantino mudou minha vida. Quando vi que iria ganhar três vezes mais e ter comida boa, e quente, estrutura, não tive dúvidas. Fui ser jogador. Tinha 18 anos. Sem fundamento algum. Aprendi tudo no profissional."Adãozinho não foi aproveitado por Vanderlei Luxemburgo, no Bragantino campeão paulista de 1990, por um motivo singular. "Ele descobriu que eu fui para um circo e montei em um boi. Ficou louco da vida e disse que precisava de jogador e não de peão de rodeio." Adãozinho foi emprestado. Fez sucesso no Alfenense. Atlético Mineiro e Cruzeiro tentaram comprá-lo. O Bragantino não liberou. Ele acabou no São Caetano. "Foi um casamento perfeito. Eram vários jogadores querendo subir na vida. Com um treinador muito inteligente, tático, esperto. O Jair Picerni, que é subestimado. Não chegamos à final da Copa do Brasil e da Libertadores à toa."Adãozinho lembra de como conseguiu cumprir sua missão. Anulou, em sequência, Ronaldinho Gaúcho, Roger Flores, Taddei. Na final contra o Vasco, tomou conta de Juninho Paulista. "No primeiro e no segundo jogo, na final de 2000, em São Januário, ele estava dominado. Mas depois da queda do alambrado, a direção do São Caetano falou que já éramos campeões e não deveríamos nem treinar. O Eurico Miranda conseguiu reverter. Teve novo jogo e nós, que estávamos de férias, perdemos. Foi absurdo."Em 2002, o São Caetano chegou à final da Libertadores, contra o Olimpia, do Paraguai. "Nosso time era fortíssimo. E perdemos a final nos pênaltis. Tivemos o domínio da decisão. Não soubemos matar os jogos."No ano seguinte, o sonho de sua vida foi realizado. "Eu ia em uma kombi abarrotada ver o Palmeiras jogar em Bragança. Não tinha dinheiro para comer naqueles dias. Ficava com fome mas assistia o time do meu coração. Quando o Palmeiras me contratou, me deu a camisa verde com o meu nome, me ajoelhei, chorei e agradeci a Deus. Virou missão da minha vida tirar o meu Palmeiras da Segunda Divisão."Adãozinho lembra das duras que deu em Zinho e Pedrinho, os jogadores mais técnicos. "Eu falei que aquela coisa de toquinho para o lado não iria resolver. Segundona é luta, combate, velocidade, garra. A pressão foi enorme. Mas conseguimos. A festa foi inesquecível."Ele lembra, rindo, do 7 a 2 que o Palmeiras tomou do Vitória. "O Marcos ficou louco da vida, chamando a nossa defesa de 'desgraça'. No vestiário chutou caixa de energético. Eu falei para ele: 'por que você não faz o seu? Ou então vai chutar o centroavante deles. O Marcão olhou para mim. Riu. A raiva passou. Ele foi muito homem. Venceu a Copa do Mundo poderia ter ido para qualquer time, mas ficou para disputar a Segundona com o Palmeiras."
"Engolimos o Fluminense, no Maracanã. Derrubamos o Palmeiras, no Parque Antártica. Eliminamos, tranquilos, o Grêmio, com Ronaldinho Gaúcho e tudo, no Olímpico. Mas aí veio o Eurico Miranda e nos tirou o título brasileiro. Ele e o Caixa D'Água, (Eduardo Viana, então presidente da Federação Carioca). A direção do São Caetano foi ingênua. Perdemos um campeonato que era nosso, por direito. Me revolta até hoje..."Adhemar é o tipo de jogador que faz falta no atual futebol deste país.Espontâneo, sem medo de dizer o que realmente pensa, e não o que seu assessor de imprensa quer."A geração atual não opina de verdade sobre nada. Não participa da vida do clube, da Seleção. Não se envolve. Quer saber de ganhar muito bem, cuidar de sua imagem nas redes sociais e pronto. Futebol para mim sempre foi mergulhar de cabeça."E ele foi um dos principais personagens no time que parou o Brasil entre 2000 e 2004. Com direito à conquista de um Paulista, com Muricy como treinador, vice-campeonato da Libertadores, e dois vices Brasileiros. Com a morte do prefeito de São Caetano, Luiz Olinto Tortorello, no dia 17 de dezembro de 2004, o projeto sofreu um golpe irrecuperável. E logo as Casas Bahia, grande patrocinador, deixou o clube. Estava decretada a morte precoce de um grande clube. Infelizmente, o São Caetano se apequenou, de novo, e atualmente está na Quarta Divisão de São Paulo.'Me dói muito ver o que fizeram com o São Caetano. Não restou nada do que lutamos tanto para conseguir", desabafa Ademar.Dono de um chute fortíssimo, moldado em uma medicine ball (bola de peso) de cinco quilos, que chutava quando era adolescente, de muita velocidade e raça, ele se tornou o jogador inesquecível do São Caetano, vice-campeão do Brasileiro 2000, que tinha o nome de João Havelange."Formamos um time de atletas com fome de vitórias, que queria vencer no futebol. O Jair Picerni soube como tirar o máximo de cada um. E jogávamos de uma forma adiantada no tempo. Com preenchimento de espaço, ataques em blocos, triangulações pelas laterais, marcação alta. Era o 4-3-3 com movimentação que só se veria 20 anos mais tarde. A estratégia estava por trás de um time muito vibrante e talentoso", revela.Foi assim que o time assustou o Brasil, saindo da Segunda Divisão naquele Brasileiro, que permitia o cruzamento de Divisões. E foi derrubando grandes pelo caminho. Fluminense, Palmeiras, Grêmio. E chegou à final contra o Vasco, em São Januário."O Eurico estava contra a Globo, que transmitia o jogo. E colocou o logotipo SBT nas costas dos jogadores. Mais do que isso, superlotou São Januário na final. E o alambrado não suportou tanta gente. E arrebentou. Quase foi uma tragédia, com pessoas caindo umas sobre as outras. Vi um pai carregando uma filha com sangue jorrando pelas costas, uma lança dos alambrados entrou na criança. Muitos torcedores se machucaram. E ele queria seguir com o jogo porque sabia que o São Caetano seria declarado campeão."O jogo não seguiu. "Eurico e o Caixa D'Água conseguiram convencer a CBF que deveria acontecer nova partida. A direção do São Caetano foi ingênua. Desmobilizou o time. Eu já estava vendido para o Stuttgart, da Alemanha. Nós aproveitamos o Natal, comendo, bebendo, nos divertindo com nossas famílias. Estávamos de férias, esperando a CBF nos confirmar campeões do Brasil. O Vasco não ofereceu segurança para a final. O título era nosso. Mas Eurico sabia que iria conseguir nova partida e os jogadores do Vasco seguiram treinando. E foi marcada nova partida, no Maracanã, começando do zero. O Romário já havia sido substituído em São Januário. Só que ele pôde jogar. Foi um absurdo. E perdemos o título.
'Ele é o goleiro mais técnico, o que mais treinava. O mais frio, calculista. E o mais corajoso." As definições sobre Velloso foram feitas pelo primeiro preparador de goleiros, o histórico Valdir Joaquim de Moraes. E eu tive a sorte de acompanhar toda a trajetória dele no Palmeiras. Ele surgiu, de repente, para os jornalistas, substituindo Zetti, que havia quebrado a perna. E Ivan, reserva imediato, que lesionou a mão direita. Aos 21 anos, em 1989. Naquele tempo, o Palmeiras tinha uma escola de goleiros excepcional. Mas só apostava nos jogadores vividos. Não em um garoto. Só que a imprensa não sabia que 'aquele garoto' tinha história importante já, com tão pouca idade. Havia sido titular absoluto das Seleções Brasileiras de base. E com direito a um grande drama. "Tive uma lesão gravíssima. Um jogador da Ponte Preta chutou o meu braço esquerdo e rompeu os dois ossos principais. Minha mão foi parar no cotovelo. Foi o pior momento da minha carreira. Fiz uma delicada operação. Não deu certo. Tinha de fazer outra. Queria parar. Minha mãe que me incentivou. Enfrentei a segunda, fiz enxerto ósseo. Deu certo. Mas nunca mais consegui girar o pulso esquerdo. Já treinava mais que todo mundo. Passei a treinar mais para me adaptar. E consegui ser titular pelo Palmeiras e Atlético Mineiro. Ganhei títulos. Fui convocado, joguei na Seleção. E ninguém sabia dessa minha pequena limitação." Era impossível perceber, porque Velloso foi excepcional goleiro. Elogiado até por adversários do quilate de Zico. Viveu o jejum de títulos do Palmeiras. Em 1990, fugiu com seus companheiros, dos torcedores enfurecidos com a eliminação do Paulista, empatando com a Ferroviária. Sem conseguir bater nos jogadores, eles foram ao clube e quebraram a magnífica sala de troféus do Palmeiras. Mas a volta por cima veio em 1993, com a conquista do Paulista, fim da seca de títulos. 'Os torcedores invadiram nosso ônibus fizeram uma festa inesquecível. Maravilhosa." Velloso nasceu em uma família palmeirense de Araras. 'Parecia um sonho. Meu pai me levava para assistir jogos do Palmeiras. E, depois, eu estava lá. Dentro do campo, defendendo o nosso time. Futebol me fez muito feliz.' O destino foi irônico. Da mesma maneira que ele admirava e copiava os gestos técnicos de Zetti, surgiu outro goleiro que o imitava em tudo. E que se tornou seu grande amigo, apesar de rivais: Marcos. "Nossa relação sempre foi incrível. De amizade mesmo. A gente competia de uma maneira muito leal. Assim também como o Sérgio, muito amigo. Situação rara no futebol." A amizade era tanta que Velloso forçou um cartão amarelo para que Marcos estreasse na partida que ambos haviam combinado: contra o Botafogo, no Parque Antártica. O titular foi além. Disse que o cobrador de pênaltis do Botafogo era Paulo César. E ele só cobrava no canto direito. E foi o que aconteceu. Marcos estreou e já defendendo pênalti, começando sua história no Palmeiras. Velloso só sofreu com o então presidente Mustafá Contursi. Enquanto os jogadores da Parmalat recebiam dez, vinte vezes seu salário, ele se submetia a um teto baixo, do Palmeiras, criado por Mustafá. 'Éramos eu e o Galeano. Uma injustiça tremenda.' Inconformado exigiu ser emprestado. E foi parar no União São João e no Santos. Com grandes atuações, o Palmeiras não aceitou vendê-lo. Mas o destino foi irônico com Velloso. Convocado para a Seleção Brasileira, ele foi participar de um rachão, jogo de brincadeira entre os jogadores. E Velloso acertou um chute muito forte no pé de Marcos. Resultado. Velloso quebrou o pé. Não pode ir para a Seleção. "Foi o próprio Marcos que me levou para o hospital. Ele empurrando a cadeira de rodas", relembra, sorrindo. Irritado com a situação que vivia no Palmeiras, recebendo muito menos que os jogadores da Parmalat, ele falou a Felipão que iria embora.
'A dez do Pelé tem de ser deste menino!'A frase foi dita de um gênio para outro gênio. Ailton Lira fez questão de passar a 'sua' camisa 10 para Edivaldo Oliveira Chaves. E passou a jogar com a 8.Quem é Edivaldo? É Pita, apelido que recebeu do pai, que foi impedido pela mãe de colocar o nome que desejava, Epitácio. Nascido em Nilópolis, no Rio de Janeiro, criado em Cubatão, desde menino impressionava quem o via com a bola nos pés."Eu não sabia o que acontecia. Simplesmente antevia o lance. Antes de a bola chegar, já tinha pensado a jogada. Visto onde estavam meus marcadores, os meus companheiros. E calculado o espaço para driblar o lançar. Realmente foi um dom que eu sempre tive. E também nunca tentei driblar para aparecer, sempre fui objetivo. Driblava para frente, para o melhor para o meu time buscar o gol.""Eu devo pelo menos metade dos meus salários no Santos para o Pita. A bola mal chegava nele e eu já sabia. Vinha coisa boa. Ou ele rasgava a defesa driblando ou dava seus lançamentos perfeitos. Para mim, para o João Paulo ou para o Nilton Batata. O Pita era sensacional", resume Juary.O meio-campo do Santos, dos Meninos da Vila, era fabuloso. Não existe outra palavra para definir. "Éramos o Clodoaldo, Ailton Lira e eu. O encaixe da técnica com a coordenação. O time era excelente. Quebramos o tabu, vencendo o Paulista de 1978. Os santistas tinham medo de que o time não venceria mais nada, depois que o Pelé foi embora, em 1974. A cobrança era enorme."Em compensação, quando o time foi campeão, a festa que Pita assistiu segue inesquecível. "Foi uma loucura. Torcedores vestidos só de fraldas e tomando mamadeira, em homenagem aos 'Meninos da Vila'. Foi fantástico", relembra. Foi vice-campeão brasileiro de 1983. "Perdemos para o Flamengo do Zico. E para o Arnaldo Cezar Coelho, o juiz. Na partida final, perdi a ingenuidade no futebol.'Pita marcou gols de pura técnica, driblando vários adversários no Santos. E, em 1984, foi para o São Paulo. Trocado por Zé Sérgio e Humberto. "Queria sair. E encontrei no Morumbi outro time sensacional. Os Menudos. Muller, Silas, Sidney. E o Careca. Foi maravilhoso. Ganhamos dois Paulistas e um Brasileiro." Pita estava jogando melhor ainda.Relembra, magoado, do estranho desprezo de Telê Santana. "Eu merecia muito ter disputado uma Copa. Na de 1982, tudo bem. Havia muitos jogadores talentosos. Mesmo assim, eu poderia ter ficado no grupo. Mas a de 1986 é inaceitável. Estava no auge. Não sei o que o Telê tinha contra mim." O meio-campo do Brasil na Copa foi Elzo, Alemão, Sócrates e Júnior, improvisado na meia. Zico estava lutando com uma contusão gravíssima no joelho direito.Pita admite que foi um erro ir para o Strasbourg. 'Me precipitei. Fui para um time pequeno francês, que lutava para não cair. Sai do poderoso São Paulo para uma equipe que só se defendia." Mesmo assim, seu talento o fez ser comparado a Platini.O meia errou de novo, voltando para o Brasil, para jogar no Guarani. Depois atuou no Fujita, Nagoya Grampus. Encerrou a carreira na Inter de Limeira. Ganhou a Copa São Paulo como técnico e como coordenador da base do São Paulo. Mudou a posição de Kaká, que era centroavante, e passou a ser meia. Júlio Baptista também queria ser centroavante e passou a ser volante. Teve uma passagem pela base do Santos, onde descobriu o zagueiro Alex, entre outros.Aos 67 anos, Pita quer voltar a trabalhar com garotos na base.Tem muita saudade do futebol.Na verdade, é o futebol que tem muita, mas muita, saudade de Pita...REDE SOCIALInstagram: @cosmerimoli
Gilmar; Zé Teodoro, Oscar, Dario Pereyra e Nelsinho; Márcio Araújo (Falcão ), Silas e Pita; Muller, Careca e Sidney. O inesquecível time dos Menudos. Comandado por Cilinho. Equipe inesquecível. Inúmeros historiadores garantem que foi a melhor da história do São Paulo."E eu acredito. Nós combinamos de uma maneira espetacular. O Cilinho foi quem montou e treinou esse time. Se a equipe não fosse desmanchada, ganharíamos muitos títulos. Mas foi impossível. O assédio de outros clubes poderosos acabou levando os jogadores. Mas foi muito especial enquanto durou."A revelação foi feita por quem era o 'motor' do time. O jogador 'europeu', muito à frente do seu tempo. Talentoso com a bola nos pés, com visão de jogo diferenciada, mas capaz de fazer várias funções táticas, marcar o adversário, começar os contragolpes, tabelar, lançar e marcar muitos gols. O entrosamento com Pita, Careca, Muller e Sidney chamou mais a atenção pelo poder ofensivo. Jogadores talentosos, cada um com seu estilo. Venceram juntos, dois Paulistas e um Brasileiro. Impressionaram o futebol deste país. "O Cilinho já treinava intensidade, marcação alta, ataques em bloco, dividia o time em triângulos. Tudo era revolucionário. O Pepe foi muito esperto que, quando assumiu, não mexeu na nossa maneira de jogar. E continuamos a ganhar. Foi tudo ótimo. Até que Careca foi vendido. Depois foi o Muller. Eu. E o sonho acabou. Mas se a equipe fosse mantida, tinha todas as condições de seguir vencendo, conquistando. Se se focasse, talvez até ganhasse antes o Mundial para o São Paulo."Silas não foi só campeão do mundo sub-20. Foi o melhor do Mundial. Seu talento logo foi percebido pelo Sporting. De lá, foi jogar no Cesare. E, em um caso raríssimo, caiu com a equipe italiana. Mas, em seguida foi contratado pela Sampdoria, campeã italiana, no mesmo ano de rebaixamento de sua equipe. Foi vice-campeão da Champions, perdendo uma decisão apertada para o Barcelona, por 1 a 0. Polivalente e técnico. Impressionou até mesmo Zico, que ao deixar a Seleção na Copa de 1986, o escolheu para vestir a camisa 10 em 1990. Ganhou experiência na reserva no México e depois de disputar todas as Eliminatórias como titular, ganhando até a Copa América, Lazaroni o tirou do time na Copa da Itália. A confusão dominou a caminhada da Seleção, com um grave problema de patrocínio. Os jogadores souberam que a Pepsi iria pagar 4 milhões de dólares ao time, se fosse campeão. A CBF avisou que seria só um milhão. Os atletas ficaram revoltados. Tanto que é famosa a foto oficial tapando o logotipo da empresa.'Tínhamos uma excelente Seleção. Pena que as coisas não deram certo", lamenta Silas, que ostentava a camisa 10, herdada de Zico e que revoltava a então poderosa imprensa carioca.Silas voltou para o Brasil. Ganhou a primeira Copa do Brasil pelo Internacional. Ganhou o Carioca pelo Vasco. Passou pelo Kashiwa Reysol. Mas resolveu fazer história na Argentina. No San Lorenzo. Venceu o preconceito que os argentinos têm em relação ao jogador brasileiro, que é considerado pouco competitivo, não gosta de treinar, 'some' quando a marcação é mais forte, individual. Ele fez exatamente o contrário. Mostrou todo seu talento e responsabilidade em campo. Virou o grande líder da equipe. Foi a estrela absoluta no fim de jejum de 22 anos sem títulos. Virou um dos maiores ídolos da historia."Fui muito feliz no San Lorenzo, que tem uma torcida mais que apaixonada. Ser campeão foi uma loucura. Mas a grande emoção foi quando eu fiz um gol contra o River Plate que o Maradona disse que ele trocaria pelo que fez contra a Inglaterra."Silas teve uma passagem marcante como treinador, principalmente no Avaí. Ganhou seis títulos. No Avaí, Grêmio, Al-Arabi, Al-Garafa e Ceará. Mas desistiu da carreira. 'É estressante demais. O desgaste físico e psicológico não compensa.' Se tornou um dos melhores comentaristas de futebol do país, na ESPN.A entrevista de Silas foi profunda, sincera, emocionante.Excepcional, como ele em campo... 
1977 foi um ano mais do que especial. Enquanto o Corinthians quebrava o tabu de 23 anos e era campeão paulista, em Pernambuco, o Sport não só era campeão. Mas conseguia lançar no cenário nacional um jogador polivalente, vibrante, habilidoso, artilheiro. Cabelos queimados de sol, compridos, parafinados contrastando com sua pele morena. Muito simples, pelo pouco estudo. Mas nascido para jogar futebol. Mudou o sonho de virar marinheiro. Clubes do Rio de Janeiro e de São Paulo foram avisados do garoto talentoso de 17 anos. Ele tinha o apelido Biro-Biro, uma distorção do nome da fruta biribiri , muito conhecida no Nordeste. O então presidente do Corinthians, Vicente Matheus se antecipou. 'Ele combinou com os dirigentes do Sport e eu vim para São Paulo. Fique escondido, trancado em um hotel, por quatro dias, enquanto eles negociavam. O Matheus sabia que tinha gente do São Paulo atrás de mim, para me comprar. Vim de camiseta e chinelo. Passei um frio absurdo. Mas deu tudo certo.' Biro-Biro mesmo nos assuntos mais difíceis, ele termina as frases com um sorriso, otimista. Ele sabe que o futebol transformou completamente sua vida simples, sem grandes perspectivas. 'Não foi o futebol. Foi o Corinthians, que virou minha vida. O Corinthians sou eu!', me corrige. O sucesso do pernambucano foi imediato. A identificação com o jeito simples, a vibração em campo, o ritmo intenso que impunha ao time, os cabelos amarelos, os gols. Virou o artilheiro entre todos os volantes da história do clube. Tudo seduziu a torcida. Formou um meio-campo marcante com a chegada de Sócrates, que soube aproveitar todo o potencial de Biro-Biro. Ganhou quatro títulos paulistas, participou da Democracia Corinthiana. Virou amigo do inimigo do novo regime no Parque São Jorge. 'Sacaneava o Leão, que não queria saber da falta de treinos. Mas ele se tornou um grande companheiro. Vou falar o que ninguém sabe. Ele tentou me levar para o Palmeiras. Cheguei a conversar com os dirigentes de lá. Só que seria uma loucura. E desisti." Ele revela que o famoso presidente Vicente Matheus não deixou que fosse jogar no Napoli, com Maradona. 'O Matheus me disse assim: 'já vendi o Sócrates e o Casagrande para o Exterior. Se vender você, a torcida me mata. E eu não fui. Foi o Alemão." Biro-Biro também tem a triste lembrança depois da Copa de 1982. 'Encontrei o Telê Santana e ele me disse: 'deveria ter te levado para a Copa'. Eu respondi: 'Se você me leva, o Brasil ganha.' Falei mesmo estava no auge. 'Desde 1978, ele se assume como o primeiro jogador midiático no Brasil. Seus cabelos louros, o apelido e a simplicidade foram usadas em inúmeras publicidades. Até hoje, é chamado para propagandas e eventos. Virou um dos jogadores mais conhecidos do Corinthians na história. "Eu tomei uma decisão. Vou registrar em cartório meu apelido. Meu nome será Antônio José da Silva Filho Biro-Biro. Está mais do que decidido." Com a energia de um garoto, não parece, de jeito algum, 66 anos."Falei muito nesta entrevista", desabafa... Falou mesmo.Ainda bem, Biro-Biro...
'O sangue jorrava do meu supercílio. 'Molhou a minha camisa toda.''Tentaram me segurar no banco.''Empurrei todo mundo'E entrei em campo assim mesmo.''Era o Corinthians decidindo título. ''Nada era mais importante para mim.'Essas frases resumem o homem que mudou a história do clube mais popular, que melhor representa a população sofrida deste país.'Era capaz de dar a vida para o Corinthians em campo. Joguei com joelhos inchados, infiltrados. Tornozelos arrebentados. Mas nada me segurava. 'Sabia a minha missão, o privilégio de ser capitão do time do meu coração. Do coração do meu pai. De milhões de pessoas que só tinham alegria na vida quando o Corinthians ganhava. Não iria dar tudo em campo? Foi paixão, consciência do que eu representava. Era muito mais do que apenas raça. Eu representava cada corintiano em campo. Os que não deixavam de comprar comida em casa para gritar pelo time no Pacaembu. Dei o máximo de mim. E as pessoas sabem."Aos 76 anos, se emociona como se tivesse saído do Pacaembu há cinco minutos. Com as pernas raladas pelos carrinhos. O corpo moído das inúmeras dividias, muito maldosas que sofria. O físico privilegiado, que lembrava um boxeador, dava licença poética para os adversários baterem muito nele. Joelhos e tornozelos sempre saiam doloridos. Mas com o sorriso escancarado, ciente que fez tudo pelo Corinthians.'A sua gana em campo influenciou para sempre o Corinthians.'O Corinthians virou o Corinthians da raça, da luta, por causa dele.' A definição é de Roberto Rivellino. A torcida quer, desde que ele surgiu, que o time tenha onze 'Zé Marias', capazes de darem a alma e o coração pelo time. O amor dos torcedores pela raça, garra, maior do que pela técnica, nasceu com ele.Sua carreira foi espetacular. É um roteiro pronto para documentário, série, livros. 'Tive a maior derrota e a maior vitória da história do Corinthians. Vivi a invasão ao Rio, contra o Fluminense. E milhões de situações."Começando pelo espinho. 'A final do Paulista de 1974. Iríamos quebrar o jejum de 20 anos sem títulos sobre o grande rival. Mas perdemos. Vi o Rivellino ser massacrado. Eu pensei em parar de jogar, tamanho meu desespero", revela. Agora as flores. 'A invasão da torcida corintiana ao Maracanã, na semifinal de 76 foi fabulosa. O estádio virou corintiano contra o Fluminense. Que vitória.' E a alegria das alegrias. ''Vencer o título em 1977 foi a maior felicidade da minha vida. Foi libertar milhões do sofrimento. A emoção para mim foi arrebatadora. Cumpri minha missão nesta vida.'Tricampeão do mundo com a Seleção, quarto em 1974. Mas sua identificação é com a camisa e meias brancas. E calção preto.Seu busto está, com toda justiça, no Parque São Jorge.Zé Maria dá orgulho a quem ama o futebol.Seja corintiano ou não...Viva o Super Zé! 
O jovem entregador de jornais na zona Leste de São Paulo tinha um sonho. Jogar no time de seu coração. Além da disputa óbvia com inúmeros garotos talentosos, ele tinha mais uma dificuldade. Era gago. Mas nunca se intimidou com esse detalhe. Nem na vida pessoal e muito menos jogando.Fez testes no Corinthians, acabou não ficando. Mas o Juventus não deixou escapar aquele veloz e inteligente meia. Sim, ele era meia, com excelente visão de jogo. Foi tão bem que o futebol grego e o russo tentaram sua contratação. "Naquela época, início dos anos 70, jogador era como escravo. Um diretor do Juventus me colocou em um avião e fomos para a Grécia. Treinei, fui bem, fiz gol. Mas ele não acertou a negociação e vim embora. O mesmo aconteceu na Rússia. Não tenho mesmo a menor ideia do que deu errado. Nunca me deram satisfação."Aliás, satisfação é a palavra que ele sentia quando jogava contra o Corinthians. Lembrando da infância, quando não ficou no Parque São Jorge, sua vingança era doce. Marcar gols contra o time que sempre amou. Em 12 partidas, nove gols. Virou um tormento enorme. Aumentado pela imprensa do início dos anos 80. Ele foi o único jogador da história do Juventus a estar em uma pré-convocação para uma Copa. Cláudio Coutinho colocou seu nome entre os 40 para o Mundial de 1978. "Se estivesse em um time grande eu iria", garante.A direção corintiana reconheceu o ótimo futebol de Ataliba. E venceu a concorrência de Palmeiras e São Paulo que também se interessaram pelo artilheiro. "Jogar no Corinthians foi um sonho. Primeiro, os dirigentes me cobraram. Me disseram que estavam aliviados. Agora não faria mais gols contra eles. Depois, encontrei companheiros fantásticos. Sócrates, Casagrande, Zenon, vivi a Democracia Corintiana.'Ataliba recorda a pressão que havia. O Brasil vivia o final da Ditadura Militar. E os jogadores, com o suporte do diretor de futebol, e sociólogo, Adilson Monteiro Alves, resolveram brigar pelo voto direto para presidente. Para a volta da democracia. 'Foi uma loucura. Porque o time precisava vencer para justificar a postura contra os militares. Porque se perdêssemos ninguém iria nos ouvir. Só deu certo porque fomos bicampeões paulistas, torneio que era tão importante quanto o Brasileiro.Ataliba viveu momentos inesquecíveis, além dos títulos. O mais tenso foi a eleição entre os jogadores para a saída de Leão. 'Ele era excelente. Jogava bem demais. Eu era muito amigo dele. Mas bateu de frente com a filosofia da Democracia Corintiana. Principalmente as folgas, a falta de concentração dos jogadores casados. E o time decidiu que ele teria de ir embora. Votamos e ele foi. O time não o quis mais."Diante da pressão dos outros dirigentes brasileiros e da derrota da direção que mantinha o sistema democrático no Corinthians, o movimento acabou. "Desmancharam o time. Quiseram outros jogadores. Todos saíram. Eu escolhi ir para o Santos, convencido pelo meu compadre Serginho. Errei. Não deu certo. A partir daí, fui para vários clubes menores. Meu auge foi no Corinthians. Nosso sonho da Democracia foi maravilhoso. O time iria ganhar mais títulos. Fomos corajosos e muito felizes."Aos 69 anos, Ataliba segue com o mesmo sorriso cativante. Enraizado na sua Zona Leste. É uma das grandes atrações do Corinthians Masters, que excursiona pelo interior de São Paulo."Vivi intensamente minha carreira. E tenho uma saudade enorme", deixa escapar, sorrindo, deixando escapar uma gota de rara melancolia...REDE SOCIALInstagram: @cosmerimoli
Zico, Sócrates, Falcão? Não, o melhor jogador deste país, em 1980, se tinha nome. Zé Sérgio, do São Paulo. Escolhido por jornalistas de todo território nacional. Quem viveu aquela época é privilegiado. Acompanhou os dribles deste jogador ambidestro, que enlouquecia defesas adversárias. E não parado nem por pontapés. Ágil, corajoso, talentoso, devolvia os chutes que levava, humilhando seus marcadores, com dribles que terminavam em gols. Dele ou de companheiros de time. "Eu cansei de marcar gols por causa do Zé Sérgio. Era só tocar na esquerda e esperar. A bola chegava. Era só cabecear ou tocar para desviar do goleiro. Ele sabe o quanto foi importante para que eu me tornasse o maior artilheiro da história do São Paulo', elogia Serginho."Eu tinha muito prazer em driblar e cruzar para meu time fazer os gols. Eu era ambidestro, ou seja, driblava com a direita ou com a esquerda. Além disso, minha velocidade era alta. Sempre fui objetivo, queria ganhar os jogos, não driblava para trás. Queria o gol."Zé Sérgio surgiu como um cometa. Adaptou os dribles do futsal com os do futebol de campo. Seu parentesco distante com Rivellino foi útil no início da carreira. Aliás, não ficou no Corinthians porque era longe de sua casa. Preferiu o São Paulo. Foi a revelação de 1977. Estava na Copa do Mundo em 1978, na Argentina.E melhor jogador do Brasil em 1980. Foi também o grande destaque do Mundialito do Uruguai. Fez uma partida inesquecível contra a Alemanha, na vitória por 4 a 1. "Estava tudo certo. Eu era titular da Seleção. O Telê já havia dito que contava comigo para a Copa do Mundo de 1982. Eu quase fui para o Milan. Estava tudo ótimo. Mas vieram a fissura no meu braço por um soco de um zagueiro da Seleção do México. Era um amistoso em Los Angeles. O São Paulo me colocou em campo só 20 dias depois. Tomei um pontapé, cai sobre o braço, que quebrou. Fui operado, mas não ficou bom. Depois, enquanto treinava, com o braço imobilizado, torci o joelho. E rompi os ligamentos cruzados. A cirurgia não deu certo", relembra com tristeza. 'Meu futebol caiu pelo menos 30%. Não consegui ser eu mesmo. Foi horrível."Para piorar, teve uma gripe forte. O médico que o atendeu no São Paulo receitou Naldecon, remédio popular. Mas havia uma substância que era proibida. E Zé Sérgio foi acusado de doping. 'Foi terrível. Tomei o que o médico do São Paulo me passou. A imprensa da época fez um escândalo. Tanto que o presidente da Federação Paulista da época, Nabi Abi Chedid, resolveu arquivar o processo. Tanto era minha honestidade. Realmente não tomei nada além do que me foi receitado."Zé Sérgio perdeu a Copa do Mundo, deixou de ser convocado. Já não era o mesmo jogador. Foi trocado, junto com Humberto, por Pìtta, do Santos. Ficou deprimido. "Não gostei da maneira com que o São Paulo me trocou." Chora ao lembrar do sofrimento que enfrentou. 'Fiquei a ponto de fazer uma besteira comigo. Deus me salvou.'No Santos foi tricampeão paulista, já que tinha conquistado dois títulos com o São Paulo. As deficiências físicas por erros médicos o atrapalharam. Passou pelo Vasco, de Romário. Logo foi para o Japão, onde ficou oito anos.Depois trabalhou na base do São Paulo. Aprimorou Casemiro, por exemplo. Por disputa política saiu. Magoado. Passou pela Ponte Preta e Ituano. Se cansou da falta de reconhecimento, da interferência de dirigentes e do fraco salário."Em 2019, eu parei. Chega de pagar para trabalhar. Os times do Interior pagam muito pouco." Muito jovial, nem parece os 68 anos que tem. É dono de um dos times da Kings League. 'Longe do futebol eu não iria ficar', enfatiza.Quem teve a sorte de ver Zé Sérgio jogar, no São Paulo, não esquece jamais...
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