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O candidato António José Seguro prometeu e o presidente António José Seguro está a cumprir: a presidência aberta nas zonas assoladas pelo comboio de tempestades de Janeiro e Fevereiro começou esta segunda-feira e prolonga-se até sexta. Na rota do presidente estão quatro distritos e 18 concelhos. O objectivo, definido pelo próprio presidente: “dar voz a quem precisa de se fazer ouvir, porque o país não pode ter memória curta perante uma dor tão grande e tão longa”. Sair de Belém e passar temporadas pelo país não é novidade. Os reis de Portugal faziam-no com frequência. E Mário Soares instituiu o ritual na agenda das presidências da era democrática. Mas esta viagem de Seguro tem um contexto especial: o apoio a territórios devastados nos quais a prometida ajuda do Governo tarda em chegar. Não deixa de ser interessante notar que no dia em que a peregrinação do Presidente começa, o Governo aprovou um regime de apoio “excepcional e temporário”, para vigorar até 31 de Agosto, para as autarquias afectadas. Esse regime permite flexibilizar regras financeiras — como empréstimos, fundos disponíveis, equilíbrio orçamental e inscrição de nova despesa — e acelerar a resposta à reconstrução Mas, prometeu também Seguro, para lá de ouvir queixas sobre atrasos, o propósito desta visita contempla também outros assuntos, alguns dos quais persistem década após década desde o começo da democracia. Os recursos financeiros atribuídos ao poder local, entre os mais baixos da União Europeia, estarão no rol das reivindicações; a regionalização, como meio de diluir a distância entre o estado central e o poder local, também. A oportunidade servirá por isso para se falar da crise recente e se discutir o modelo de desenvolvimento das regiões mais pobres e despovoadas do país. Mas se esse é um gesto, falta muito mais para que o país seja mais equilibrado e todos os portugueses tenham um mínimo de igualdade de oportunidades. Seguro, um homem do interior, promete ter esse debate no centro da sua agenda. Nesta presidência aberta, como no resto do seu mandato. Para aprofundarmos um pouco o que está em causa, convidámos para este episódio Bruno Gomes, presidente da Câmara de Ferreira do Zêzere, um concelho particularmente devastado pelas tempestades que nesta terça-feira recebe a visita do Presidente.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Que formação precisa de ter jovem para ser um bom médico ou um bom engenheiro? Os sistemas da inteligência artificial generativa já fornecem respostas aos grandes problemas dos saberes que se adquirem na universidade, nota. Mas isso dispensa um médico de saber anatomia patológica, um engenheiro de saber física, ou um advogado de saber manobrar a complexidade do Código Penal ou do Código Civil? Ou, por outras palavras, serão dispensáveis no futuro os saberes especializados que, mais do que uma simples pergunta no Chat GTP, exibem estudo, memória e capacidade de relacionar conhecimentos? O que coloca um problema existencial às universidades ou politécnicos: como exigir esse conhecimento pessoal aos alunos quando eles podem ir buscá-lo à inteligência artificial com um simples clique? A pergunta instalou-se na comunidade académica e continua à espera de respostas cabais. A jornalista Cristiana Faria Moreira fez um trabalho profundo à procura dessa e de outras respostas aos desafios que a IA coloca ao ensino superior e da do seu texto, que pode ser lido no PÚBLICO online ou na edição impressa de domingo, sobram duas grandes conclusões: uma instituição científica como uma universidade não pode nem deve proibir o recurso à IA. Como não pode permitir que os alunos não apreendam e retenham conhecimento científico das suas áreas de estudo e sejam desobrigados de desenvolver a sua capacidade crítica, a sua imaginação, e, ponto essencial, um sentido ético das suas competências científicas ou tecnológicas. Um estudo recente, usado pela OCDE e citado no texto da jornalista, mostra o que está em causa. A estudantes de cinco universidades norte-americanas foi pedido que escrevessem um pequeno ensaio em 20 minutos. Um grupo trabalhou sem nenhuma ajuda exterior, outro recorreu a um motor de busca, e um terceiro trabalhou com uma ferramenta de IA. E foram os deste último grupo que tiveram melhores classificações. Mas uma hora depois, apenas 12% desses estudantes conseguiram citar de memória um excerto do próprio texto. Nos outros grupos, 89% foram capazes de o fazer. Sendo utopia travar a marcha da IA, que problemas e ameaças coloca ao ensino superior – aliás, ao ensino no geral? Vamos falar com a Cristiana Faria Moreira, jornalista que trabalha em especial na área da educação, para sabermos os traços principais do texto essencial que assinou.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A criminalidade não tem tido grandes oscilações e Portugal é um país seguro? Sim. O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI), que reflecte a actividade dos vários órgãos de polícia criminal do país em 2025, não justifica percepções de insegurança, muito menos aquelas que são associadas à imigração. A criminalidade geral participada às autoridades nacionais cresceu, mas a criminalidade violenta desceu. Neste cenário de estabilização estatística, a violência doméstica desceu pelo terceiro ano consecutivo, mas as violações registaram os valores mais elevados da última década. O número de imigrantes notificados para saírem do país, mais de 23 mil, aumentou bastante face a 2024, se comparado com as 444 notificações do ano anterior, exibindo uma grande aceleração no último trimestre. A participação de portugueses em grupos online nazis e satânicos é outra das conclusões deste RASI. Para Luís Montenegro, Portugal tem a situação controlada, mas a segurança não pode ser dada como garantida. Há quatro tipos de crimes que preocupam o primeiro-ministro: tráfico de droga, violência doméstica, sinistralidade rodoviária e auxílio à imigração ilegal. Mariana Oliveira, jornalista do PÚBLICO, especializada nas questões de justiça e segurança, é a convidada deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Mais de 50 anos depois, os seres humanos vão voltar à Lua. Os quatro astronautas da missão Ártemis II partem, esta quarta-feira, às 23h24 de Lisboa, do Centro Espacial Kennedy, na Florida, mos EUA. Pela primeira vez desde 1972, quatro astronautas vão voar fora da órbita terrestre, a caminho de uma circum-navegação à Lua, que é um ensaio para uma futura alunagem. Se a Ártemis I, lançada em 2022, foi o teste ao veículo e à sua capacidade de ir à Lua e voltar, a Ártemis II é o penúltimo ensaio antes de se tentar alunar outra vez – um ensaio já com humanos a bordo. Mas o regresso à Lua não é inocente. Há uma corrida entre os EUA e a China pela conquista da Lua. Jared Isaacman, bilionário e astronauta, empossado como administrador da NASA no início deste ano, não deixa dúvidas: “Vamos fazer tudo o que for preciso para voltar à Lua e não deixar que ninguém se apodere dela nunca mais”. A alunagem, propriamente dita, está marcada para 2028. De permeio, haverá uma missão de teste aos módulos de pouso lunar, que estão a ser construídos pela Space X (de Elon Musk) e pela Blue Origin (de Jeff Bezos), dois bilionários a disputar a Lua antes que a China lá chegue primeiro. De quem é a Lua, afinal? Alguém pode reivindicar a sua posse? O convidado deste episódio é Tiago Ramalho, jornalista da secção de Ciência do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Cinco minutos de espera. Não parece mal, mas estes cinco minutos são, tantas vezes e na prática, dez ou mais. No painel digital da paragem, o tempo parece esticar-se mais do que o razoável, enquanto os passageiros se acumulam. Para quem vive ou trabalha nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, este cenário é comum. Poucas faixa bus, sem prioridades nos cruzamentos para os transportes públicos, pouca oferta face à procura, com autocarros presos no trânsito e sem serviços expressos dentro das cidades. Em Lisboa – e fica o aviso, hoje vamos falar muito de Lisboa, mas sem esquecer que esta é uma realidade que se vive noutras cidades do país – há na Carris um esforço para mudar, pelo menos assim o garante o presidente da empresa, Rui Lopo, em entrevista ao jornalista Samuel Alemão, do PÚBLICO. O que falta para que o transporte público seja, de facto, a primeira escolha e não o último recurso? E como será a partir desta quarta-feira com a mudança de mês? Ou a partir da próxima semana com o fim das férias da Páscoa. Haverá transportes para tantos passageiros? Neste P24 trazemos para a conversa o jornalista Samuel Alemão.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Não se esperava que nesta sua ida às boxes, para usar a expressão feliz do director do Público, David Pontes, sobre o 25 congresso do PS, José Luís Carneiro fosse atropelado, apesar de nas últimas semanas terem aparecido sinais ténues de contestação à sua liderança; como não se esperava que o secretário-geral do PS saísse de Viseu embalado numa vaga de entusiasmo irreprimível, próprio de um partido crente nas suas conquistas ao virar da esquina. Não admira por isso que no discurso de encerramento do congresso, José Luís Carneiro apostasse em declarar o PS não como uma personagem à procura de um actor, mas antes como um actor que sabe bem como interpretar as suas personagens clássicas: as do reformismo, da modernidade, da inclusão ou do futuro. Mas se esse discurso era o que se esperava de um líder no final de uma festa partidária, houve perguntas que continuaram sem resposta. A principal: como vai agir o PS perante a continuada fórmula do Governo que tem por base a crença que, em matéria de negociação política para viabilizar diplomas na assembleia, o PS e o Chega valem pelos votos, não pelos programas. Quer dizer, se alguém esperava uma posição diferente da ambiguidade tradicional, enganou-se. O que nos leva para uma série de perguntas que o PS continua, de alguma forma, sem responder de forma cabal. "O país mudou e mudou mais rápido do que nós. E quando o mundo muda, não basta fazermos mais do mesmo. É preciso reflectir, ouvir e agir", disse Miguel Costa Matos, perante o congresso. O PS, diz o deputado que liderou a Juventude Socialista, pede coragem de reflectir, o que quer dizer, reclama a predisposição de um partido que se diz reformista para discutir e admitir a sua própria reforma. A hesitação sobre a forma de lidar com o Governo ou as propostas da moção de José Luís Carneiro sobre a regionalização, ou as que apresentou para a economia – em especial o Simplex com recurso à inteligência artificial – são um ponto de partida para essa reflexão? Muito para lá do que se lê e se vê nos noticiários, um congresso partidário é sempre um momento em que se pode perceber melhor o que está nas entrelinhas das votações e dos discursos. Por isso vamos ter neste episódio David Santiago, editor de Política do Público que acompanhou o 25 congresso do PS em Viseu do princípio ao fim. Siga o podcast P24 e receba cada episódio logo de manhã no Spotify, na Apple Podcasts, ou noutras aplicações para podcasts. Conheça os podcasts do PÚBLICO em publico.pt/podcasts. Tem uma ideia ou sugestão? Envie um email para podcasts@publico.pt. See omnystudio.com/listener for privacy information.
O Irão rejeitou a proposta de cessar-fogo dos EUA, mas mantém abertura para continuar a negociar. Teerão deixou claro que o conflito só terminará segundo as suas próprias condições. Os iranianos não querem só o fim dos ataques. Querem também o pagamento de reparações, o fim das hostilidades em todas as frentes, contra o Hezbollah, no Líbano, nomeadamente, ou o reconhecimento da sua soberania sobre o estreito de Ormuz. Perante a possibilidade de um cessar-fogo, Israel intensificou os ataques. Benjamin Netanyahu terá ordenado uma ofensiva de 48 horas para destruir o máximo possível da indústria bélica iraniana e prepara-se para ocupar o Sul do Líbano. António Guterres, secretário-geral da ONU, já disse que o “modelo de Gaza não pode ser replicado no Líbano”. Os objectivos desta guerra já foram vários. Se Israel pretende destruir a capacidade militar e o regime teocrático, os EUA e o resto do mundo estão mais preocupados em pôr fim ao bloqueio do estreito de Ormuz. Mas a verdade é que Washington envia sinais contraditórios. Donald Trump fala no final da guerra e, mesmo assim, desloca mais soldados para o Médio Oriente. O convidado deste episódio é Ricardo Alexandre, editor da secção do Internacional da TSF, e autor do livro Tudo Sobre o Irão, que é apresentado neste domingo, no El Corte Inglés, em Vila Nova de Gaia, pelas 16h.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O cenário de um mundo em que os preços do barril de petróleo dispararam para valores incomportáveis, causando um choque que acabou de vez com o período glorioso de crescimento da Europa do pós-guerra, gerou estagflação, desemprego e miséria, em especial nos países pobres. Um cenário que teve um papel relevante no agravamento do mal-estar que se vivia em Portugal – em 1974, recorde-se, o regime autoritário do Estado Novo caiu sem grande estrondo. E agora, sem que se vislumbre um fim para a guerra contra o Irão, será que esse cenário se pode repetir? Fatih Birol, Director Executivo da Agência Internacional de Energia admite que sim. Ou seja, o petróleo que deixou de chegar ao mercado com a destruição de infra-estruturas e, principalmente, com o bloqueio do estreito de Ormuz é equivalente ao que se perdeu nos dois choques petrolíferos dos anos de 1970 (em 1973, na sequência da guerra do Yom Kipur e de 1979, associado à queda do regime do Xá Reza Pahlevi à subsequente guerra sangrenta entre o Irão de Khomeini e o Iraque de Sadam Hussein). Conclui Fatih Birol, que a situação actual não é assim tão diferente da que levou o mundo para uma recessão profunda há meio século. Compreendem-se assim os sinais de alarme que alastram por todo o mundo. Para já, as subidas dos preços por barril estão longe do que aconteceu entre 1973 e 1974 – em pouco mais de meio ano, subiram de três para 12 dólares. Não se comparam sequer com o disparo de 1979, de 13 para 34 dólares. Em 2008, convém recordar, os preços atingiram os 147 dólares por barril, ainda acima dos valores actuais, mesmo descontando a inflação. O problema é que, se já há quem admita o barril a 200 dólares, é impossível saber o que pode acontecer se o estreito por onde circula 20% do petróleo mundial, o de Ormuz, permanecer fechado por tempo indeterminado. Nos anos de 1970 o mundo mudou com o choque petrolífero decretado com o embargo dos países produtores, e em 2026 pode voltar a mudar por causa do bloqueio iraniano e da destruição causada pela guerra em campos petrolíferos ou em refinarias. Para fazer uma ponte entre o passado e o presente e situar a dimensão do choque que estamos a viver, convidámos para o episódio de hoje do seu podcast da manhã o engenheiro António Costa Silva. Nascido em Angola, estudou no IST e doutorou-se em Engenharia de Reservatórios Petrolíferos neste Instituto no Imperial College de Londres. Dirigiu a Partex, a empresa que geria os activos energéticos da Gulbenkian ou a Sonangol. Foi ainda ministro da Economia num governo de António Costa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Aconteça o que acontecer, a novela do Constitucional deixará marcas na política. Os apelos de António José Seguro aos compromissos entre os partidos, não estão a ser ouvidos; a imagem do Tribunal Constitucional degrada-se com a partidarização da escolha dos seus membros e pode levar juízes de carreira a recusar a sua nomeação por não quererem ser vistos como apêndices dos partidos; e, para muitos cidadãos, toda esta historieta serve apenas para provar que os políticos estão bem mais preocupados com os seus pequenos poderes do que com a defesa do regime ou o prestígio das instituições. Sejamos francos: o problema não é fácil de resolver. Porque um modelo de escolha definido pelo PS e PSD em 1982 não resiste ao quadro parlamentar de hoje, quando em vez de dois grandes partidos há três. Dos dez juízes eleitos pela assembleia, cinco eram indicados pelo PS e cinco pelo PSD, com o propósito de garantir os equilíbrios no regime. Esse acordo ficou datado. Está comprometido. Como dos três juízes que saem dois foram escolha do PSD e um do PS, uma substituição directa deixaria o Chega, o segundo maior partido, fora do processo. O PSD não acha bem e decidiu manter os seus dois nomes e entregar o do PS ao Chega. É neste momento que tudo se complica. Como a eleição requer maioria de 2/3 dos deputados, que um bloco Chega PSD não consegue, o país anda nisto reunião após reunião. A impaciência e a acrimónia agravaram-se e já se fala em retaliações do PS no frágil equilíbrio da política caso não perca um dos seus ainda cinco juízes. Como se pode desatar este nó? Quem faz o papel de mau na novela? O que pode acontecer a seguir? Perguntas para a conversa com José Palmeira, Professor Auxiliar do Departamento de Ciência Política, na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Um trabalho de investigação do PÚBLICO deu-nos conta que há um número indeterminado de crianças e jovens no regime de ensino doméstico. Nada de mais até que se constata que muitos dos que aprendem em casa não estão registados numa escola pública ou privada, como exige a lei. O trabalho exaustivo da jornalista Andreia Sanches dá-nos conta que nem o Ministério da Educação nem o sistema judicial conhecem a dimensão do problema nem sabem como lidar com os seus impactes. Convém não dramatizar e concluir que todas essas crianças e jovens não vão à escola por causa do radicalismo dos pais ou por qualquer outra razão que comprometa os seus futuros. Os pais têm todo o direito de escolher a educação dos seus filhos. Mas para evitar abusos ou danos no processo de aprendizagem, o Estado tem a responsabilidade de acompanhar a decisão dos pais e exigir a avaliação regular dos alunos. Haver crianças e jovens numa zona cinzenta de desconhecimento é algo que custa a aceitar numa sociedade decente. E para o travar, basta uma única coisa: que os pais registem as suas escolhas nas escolas reconhecidas pelo Estado. Podem assim exercer a sua liberdade e o Estado pode assim cumprir o seu dever de garantir a educação ou a segurança das crianças.. Para sabermos mais e melhor o que está em causa, vamos conversar com a autora deste importante trabalho. A Andreia Sanches é redactora principal do PÚBLICO e a educação é há muitos anos o principal foco da sua actividade profissional.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A frase, esta não é uma guerra da Europa, pronunciada por Kaja Kallas, Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, promete ficar para a posteridade. Porque marca de forma indelével mais uma divergência entre os membros da União Europeia e os Estados Unidos. Recuemos uns dias: há uma semana Donald Trump pediu o envolvimento dos europeus, dos japoneses, sul-coreanos e australianos na segurança do tráfego marítimo no estreito de Ormuz. Todos os seus apelos foram simplesmente recusados. E Trump não escondeu a sua acrimónia. Começando por dizer que os Estados Unidos não precisam de ninguém. Dias depois, porém, Trump passou ao ataque. Avisando que, sem o envolvimento europeu na sua guerra e na guerra de Netanyahu, a NATO teria um futuro sombrio. E, mais grave ainda, na última sexta-feira acusou os europeus de cobardia e avisou que os Estados Unidos “não esquecerão” a recusa em enviar meios militares para o mar vermelho. Desta vez a Europa manteve-se firme. Nem sequer vai reforçar os meios navais que hoje protegem a marinha mercante a sul do estreito de Ormuz. O foco da União continua a ser o apoio à Ucrânia, que no final da semana passada voltou a ser bloqueado por Viktór Orbán. Mas também aqui os líderes europeus parecem mais confiantes em tomar decisões duras: as críticas à Hungria atingiram uma dureza sem precedentes. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, chegou a falar de chantagem. Estará em curso uma mudança no sentido de uma União mais assertiva e corajosa na defesa da sua soberania e dos seus interesses, ora batendo o pé a Trump, ora pondo de lado a condescendência para com o vírus divisionista de Orbán? Como aconteceu com a Ucrânia, as ameaças externas estão a criar um novo espírito na Europa? E para onde nos levará esse espírito? Vamos discutir estes e outros temas com Rita Siza. Jornalista do PÚBLICO com ampla experiência internacional, a Rita é a nossa correspondente em Bruxelas.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O primeiro-ministro húngaro tem, no próximo dia 12 de Abril, o maior teste de resistência da sua carreira política. O que antes parecia um passeio eleitoral para Viktor Orbán e para o partido que lidera, o Fidesz, transformou-se, nos últimos meses, num campo de batalha pela sobrevivência do modelo da 'democracia iliberal' que implementou na Hungria. A ascensão meteórica de Péter Magyar e do partido Tisza baralhou as contas em Budapeste. Pela primeira vez em dezasseis anos, a oposição não é apenas um conjunto de partidos fragmentados, mas tem um rosto que veio de dentro do sistema para o tentar derrubar. Até porque o rosto da oposição a Orbán militou no partido do primeiro-ministro húngaro de 2002 até 2024. Orbán foi eleito para proteger a soberania húngara contra o 'globalismo', mas o que os eleitores enfrentam agora é uma economia estagnada e um isolamento diplomático crescente. Afinal, poderá o homem que moldou a Hungria à sua imagem ser derrotado por um dissidente do seu próprio regime? Ou será que o controlo mediático e as mudanças nas leis eleitorais vão, mais uma vez, garantir a continuidade de Orbán? Manuel Serrano, analista de assuntos europeus, política internacional e processos eleitorais, é o convidado deste episódio do P24.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O parlamento vai discutir hoje as propostas apresentadas pelo PSD, Chega e CDS-PP para revogar a Lei da Autodeterminação de Género. As três propostas pretendem alterar a legislação em vigor desde 2018, que permite a qualquer pessoa acima dos 18 anos mudar de sexo e de nome no registo civil, sem necessidade de apresentar um relatório médico. A lei permite, também, que pessoas entre os 16 e os 18 anos possam mudar de sexo, desde que tenham a autorização dos pais e uma declaração de um profissional de saúde, que reconheça a sua maturidade para tomar aquela decisão. O projecto-de lei da bancada do PSD, por exemplo, volta a colocar nos 18 anos a idade mínima para atribuir legitimidade “a quem seja diagnosticada incongruência de género”, como é dito no texto, e queira proceder a esse pedido. E retira essa possibilidade a pessoas com 16 e 17 anos. Quando três partidos de direita se unem na tentativa de revogar esta lei “não estão apenas a atacar pessoas trans e intersexo, estão a preferir a demagogia à ciência”, escreveu no PÚBLICO Pedro Alexandre Costa, docente da Faculdade de Psicologia do Porto, que é o convidado deste episódio. Pedro Alexandre Costa, que integra o Grupo de Investigação em Sexualidade e Género do Centro de Psicologia da Universidade do Porto, considera que estes partidos estão obcecados com uma "ideologia de género" que não existe.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A BYD apresentou uma bateria que em nove minutos pode ser carregada para permitir uma viagem de 1000 quilómetros. Os que, naturalmente, se assustam com o cenário das grandes filas de carros eléctricos nas estações de serviço nos dias de maior tráfego, podem respirar de alívio. Em pouco mais tempo do que se gasta a encher um depósito de gasolina, em breve será possível carregar uma bateria e viajar de Caminha a Tavira sem ter o incómodo de parar por falta de energia. O novo paradigma da BYD reforça a vanguarda da China na indústria dos carros eléctricos – como aliás acontece em segmentos das energias renováveis. Note-se: não estamos a falar da liderança de uma indústria menor, como aconteceu nos primórdios da fábrica do mundo com materiais baratos e de duvidosa qualidade. Estamos sim a falar de uma das mais importantes indústrias do mundo que, desde o princípio deste ano, passou para o controlo da China. A BYD já ultrapassou as vendas da Tesla e é hoje o maior construtor mundial de carros eléctricos. Pelo preço? Nem tanto. Os especialistas reconhecem que os chineses são os donos da melhor e mais avançada tecnologia. Tudo terá começado em 2007, há menos de 20 anos portanto, sob a égide do ministro Wan Gang – um engenheiro formado na Alemanha que se tornou ministro da Ciência e do Comércio. Em 2010, a China tinha um plano em marcha que envolveu quantidades gigantes de dinheiro público. O acesso a matérias-primas e a existência de redes complexas de abastecimento e de mão-de-obra qualificada, fizeram o resto. Em meia dúzia de anos a China bateu aos pontos a Europa e os Estados Unidos e dispõe hoje de uma ampla vantagem. O anúncio da nova bateria da BYD é disso prova cabal. O que aconteceu e o que podemos esperar desta reconfirmação da liderança chinesa? Vamos fazer perguntas destas a Sérgio Magno, jornalista especializado em tecnologia e editor da secção ENTER, no PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Na tarde desta segunda-feira, depois de quatro horas de reunião entre patrões, sindicatos e ministra do Trabalho, Francisco Calheiros, da Confederação do Turismo de Portugal, repetiu o que se tem ouvido uma e outra vez nas últimas semanas: não há acordo para as mudanças propostas pelo Governo ao Código do Trabalho. Os intervenientes na negociação lá foram dizendo que houve mais flexibilidade na análise das propostas, que se evoluiu em algumas, mas, no essencial, tudo continua como antes: o Anteprojecto Trabalho XXI continua encalhado. Apresentado em Julho do ano passado, o projecto do Governo é ambicioso: estão em causa mais de 100 alterações ao Código do Trabalho, dos despedimentos sem justa causa em empresas com mais de cinco trabalhadores ao alargamento dos prazos dos contratos, dos serviços mínimos em caso de greve à parentalidade ou ao banco de horas. Pelo meio, houve quase meia centena de reuniões e os pontos de discórdia resumem-se hoje a pouco mais de uma dezena de alterações. Que para o Governo são traves mestras, sem as quais o edifício legislativo desaba. Para a UGT, continua a haver linhas vermelhas insusceptíveis de negociação. A longa caminhada destas alterações vai continuar com uma nova reunião entre as partes – da qual, em princípio, a CGTP continuará a não participar. O Governo não quer eternizar a discussão, mas o novo presidente faz da negociação uma obrigação de todas as partes. No vai não vai do debate, quisemos saber como Manuel Carvalho da Silva analisa a proposta do Governo, o processo negocial e, também, como podemos inserir o que está em causa na linha do tempo da história recente do país. Figura incontornável do sindicalismo português, Manuel Carvalho da Silva foi presidente da CGTP entre 1987 e 2012. Licenciou-se em sociologia em 2000 e doutorou-se no ISCTE, sete anos mais tarde, com a tese A centralidade do trabalho e acção colectiva. Sindicalismo em tempo de globalização. É também coordenador do Laboratório Colaborativo para o Trabalho, Emprego e Protecção Social (CoLABOR).See omnystudio.com/listener for privacy information.
O preço mundial do petróleo subiu na sexta-feira. Para tentar baixar o preço, os EUA aliviaram as sanções sobre países que comprem petróleo e produtos petrolíferos russos. A União Europeia classificou a decisão como “muito preocupante”. A Rússia agradece, pois pode vender cerca de 100 milhões de barris de petróleo actualmente em trânsito. Afinal, o que era uma “pequena excursão”, na expressão de Donald Trump, arrisca-se a ser a maior crise energética da história. O ataque ao Irão revelou-se um ataque à “economia mundial”, como lhe chamou a Economist. Trump foi eleito para acabar com as guerras e baixar a inflação, mas o que está a acontecer é o contrário. Os EUA terão gastado cerca de 11 mil milhões de euros, só nos primeiros seis dias, diz a CNN. Trump já disse que a guerra ia acabar em breve. Israel envolveu-se numa nova frente de guerra no Líbano e o Irão promete não desistir. Mojtaba Khamenei, o novo ayatollah, prometeu, na sua primeira declaração pública, a “vingança dos mártires”. Por outro lado, o presidente iraniano diz que a “única maneira de acabar com esta guerra “é reconhecer os direitos legítimos do Irão, pagar reparações e obter firmes garantias internacionais contra futuras agressões”. Quem decide quando acabará esta guerra? Pedro Ponte e Sousa, professor de Relações Internacionais da Universidade Portucalense e investigador do IPRI, é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Batalha Atrás de Batalha, o último filme de Paul Thomas Anderson, tem vencido vários prémios. O filme ganhou os Prémios da Associação de Produtores, os PGA Awards, reforçando o seu favoritismo para os Óscares, que serão entregues este domingo. É o que diz a estatística. Nos últimos 16 anos, este prémio coincidiu 14 vezes com o vencedor do Óscar de Melhor Filme. Antes disso, Batalha Atrás de Batalha venceu o Critics Choice Awards, Globos de Ouro e Paul Thomas Anderson foi considerado o melhor realizador várias vezes. Sim, Batalha Atrás de Batalha foi o título mais nomeado para os prémios da indústria britânica de cinema, os Bafta, e Thomas Anderson recebeu o prémio de melhor realizador. De prémio em prémio até ao Óscar final? Batalha Atrás de Batalha e Paul Thomas Anderson têm combatido com outro potencial favorito, Pecadores, de Ryan Coogler, que batera o recorde ao tornar-se no filme mais nomeado de sempre pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, com 16 indicações. Acontece que Pecadores tem vindo a ganhar cada vez mais favoritismo. Vasco Câmara, crítico de cinema do PÚBLICO e convidado deste episódio, acha que estamos perante uma corrida entre os dois. Veremos no domingo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Cuba está sujeita ao embargo dos EUA há mais de 60 anos e desde o rapto de Nicólas Maduro que deixou de receber petróleo venezuelano. A economia da ilha depende, na sua quase totalidade, da energia externa e está perto do colapso. Os apagões são constantes, cada vez mais prolongados e regulares, os transportes são raros, cresce a inflação e a escassez de alimentos. A população tem recorrido a painéis solares para enfrentar a falta de combustível e permitir que o comércio e a vida prossigam. Esta semana, o Governo dos EUA afirmou que o petróleo de origem venezuelana pode ser revendido e transportado para Cuba, desde que essas transacções não beneficiem o regime. E, na semana passada, quatro pessoas morreram, pelo menos, numa troca de tiros com a guarda costeira cubana, quando uma lancha rápida, baseada na Flórida, entrou nas águas territoriais do país. O que irão fazer os EUA com Cuba? O secretário de Estado, Marco Rubio, filho de cubanos exilados na Flórida nos anos 50, não esconde as suas pretensões de mudar os regimes comunistas sul-americanos. Aparentemente, Rubio estará em negociações com um “herdeiro” do regime, entre aspas, Raúl Guillermo Castro, que é neto e cuidador de Raúl Castro, que sucedeu na presidência ao seu irmão Fidel, o líder histórico da revolução cubana. Estes são os temas de conversa com a convidada do episódio de hoje, Carmen Fonseca, docente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e investigadora em análise de política externa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a guerra com o Irão, praticamente, acabou. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, diz que a guerra “não terminou” e o Irão diz que a guerra continuará “enquanto for necessário”. Em que ficamos? Mojtaba Khamenei foi escolhido como guia supremo do Irão e a escolha não agradou a Trump. O filho de Ali Khamenei não tem experiência governativa nem grande intervenção pública. Mas é crítico do Ocidente e tem influência dentro do aparelho de segurança. O presidente dos Estados Unidos diz que a escolha vai “trazer os mesmos problemas” e preferia, claro está, uma solução semelhante à da Venezuela. Só que não há uma Delcy Rodríguez no Irão. A escalada da guerra, com o petróleo acima dos cem dólares por barril, e o impacto que isso implica nos preços em geral, penaliza o custo do dinheiro para quem tem empréstimos. A Euribor a 12 meses está perto dos 2,4% e ameaça agravar a prestação dos contratos a rever em Abril. Em Portugal, o ministro das Finanças, Miranda Sarmento, admite que o Governo não “exclui situações de défice, se as circunstâncias assim o impuserem”, devido ao impacto das tempestades e os efeitos da guerra no Médio Oriente. O convidado deste episódio, João Carvalho, director do Departamento de Economia e Gestão da Universidade Portucalense, prevê a subida de todos os preços se a guerra não acabar nos próximos dias.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A Inteligência Artificial já estava a ser utilizada por Israel para comandar drones ou disparar armas, mas os EUA estrearam no Irão novas ferramentas de ataque. A Anthropic, autora do modelo de inteligência artificial generativa Claude, não permitiu que o Pentágono utilizasse a sua tecnologia para a vigilância em massa de cidadãos e para matar pessoas sem envolvimento humano. Donald Trump retaliou e quer classificar a Anthropic como um fornecedor de risco, algo que é atribuído, regra geral, a empresas chinesas, e disse ser uma empresa esquerdista e woke. No final, optou pela concorrente, a OpenAI. A China pede às suas empresas de IA que desenvolvam ferramentas de desinformação e tem usado estes grandes modelos de linguagem para identificar dissidentes, que é um dos cenários que a Anthropic quer evitar. Como se escrevia num editorial do El Pais na semana passada, o “choque da empresa Anthropic com o Pentágono demonstra que Trump prefere uma inteligência artificial sem escrúpulos”. A delegação da decisão de matar uma pessoa num sistema controlado por algoritmos de IA coloca questões éticas fundamentais sobre responsabilidade, proporcionalidade e distinção entre combatentes e civis, escreveu no PÚBLICO Arlindo Oliveira. Colunista do Público, professor do Instituto Superior Técnico e presidente do INESC, Arlindo Oliveira é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.











(voltou aquele problema de ficheiro “não escutável” .... cuidado se estiverem a conduzir e o programa de podcasts ficar parado)
Não gostei do comentário de hoje.