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Dupla Nacionalidade
Dupla Nacionalidade
Author: Maete Porto
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© Maete Porto
Description
Moro nos Estados Unidos ha um pouco mais de 7 anos e continuo tendo reflexões sobre as diferenças culturais. A maneira de se relacionar, de trabalhar, de criar, de comprar, de morar, etc. acaba sendo muito diferente do Brasil e dos brasileiros. Este podcast chamado Dupla Nacionalidade é para compartilhar estas coisas todas que venho passando e aprendendo nestes anos.
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A relação do americano com os feriados é muito diferente. Natal e Ano Novo aqui é totalmente sem graça comparado com as nossas festas de final de ano. E eu ainda não me acostumo que o ano letivo começa em um e termina no outro ano. Tem também a questão das férias do trabalho que não são nada longas. Ai parece que querem acumular tudo o que não deu para fazer durante o ano, por não ter muitos feriados, nesse curto espaço de tempo.
A saude aqui nos Estados Unidos me parece ter virado um mega business sem preocupação com o principal que é o bem estar das pessoas. Sem contar a industria farmacêutica.
Neste episódio falo um pouco sobre a diferença na alimentação. As embalagens gigantes no supermercado, a durabilidade longa na geladeira, a aparência de frutas e verduras. Comento um pouco sobre os restaurantes e a troca do sal pela pimenta. O tempero para mim parece sempre igual para mim e confesso que ando meio enjoada da comida aqui, prefiro a brasileira sempre.
As vezes podemos faltar com a educação por causa de diferenças culturais. O que é normal para os brasileiros pode ser completamente perturbador em outra cultura, quase que uma falta de educação. Falei sobre algumas coisas que realmente me impressionaram por ser tão diferente nos dois países que muitas vezes passei vergonha.
Para ilustrar o episódio que fala de poder de consumo e disponibilidade de produtos fiz alguns takes externos de um dos maiores fornecedores de artes, artesanato, molduras, decoração floral e de parede para artesãos e decoradores de casa do tipo faça-você-mesmo. É uma loja chamada Michaels, o paraíso e a perdição do criativo. (https://www.michaels.com/). Escolhi uma loja deste tipo (papelaria) por estar muito relacionada a minha profissão, designer gráfica e têxtil.
Além da Michaels tem a Blick (https://www.dickblick.com/) que é uma loja mais especializada para artistas com produtos mais técnicos e com melhores marcas na minha percepção. A Hobby Lobby (https://www.hobbylobby.com/) vejo mais como uma loja com mais variedade e que acaba atraindo não só o público que procura um material mais técnico como também um público geral pois tem bastante móveis, presentes e itens de decoração. Se for alavancar em um ranking de preço diria que a Blick tem marcas mais especializadas e por isso é a mais cara; por segundo a Michaels e a mais barata sendo a Hobby Lobby.
Os tópicos que abordo neste episódio:
Os Malls na Flórida
O tamanho da loja que fica perto da minha casa, ou seja, nem é num grande pólo de consumo, basicamente uma loja de bairro.
Variedade de cores de cada produto.
Muita opção te deixa com a criatividade a milhão mas tbm confusa.
Produção de muito lixo
Ter uma identidade forte
Antes de falar do ambiente de trabalho, preciso falar sobre a idade das pessoas. Acabei de acompanhar um “swim meeting” como eles chamam que é um campeonato entre os times de masters swimers que são os acima de 18 anos. Estava sendo voluntária como “timer”, ou seja, marcar o tempo dos nadadores, pois a sede do evento é na . Eu peguei um grupo onde as mulheres eram acima de 83 anos e elas eram fantásticas. Tem um senhor que sempre participa que tem 94 anos! A vida é longa né! É um momento divertido onde todos se encontram para se divertir. O que sinto aqui é que tem mais opções para pessoas com mais idade. Quando vamos a shows com bandas dos anos 70/80 é comum vermos gente muito mais velha indo lá e se divertindo.
Mas o que quero dizer com isso? Este é o primeiro aspecto que vejo diferença, a idade aqui não tem muita importância, inclusive quando se fala em trabalho. Eu hoje tenho 51 anos e quando procuro um lugar para trabalhar isso realmente não importa. Já quando penso no Brasil vejo uma dificuldade muito maior. Principalmente nas posições que tem a criatividade envolvida. E isto acho que acaba refletindo nesta quantidade enorme de tratamentos estéticos campeões no Brasil. Não que aqui não tenha, mas não sinto que a corrida é tão grande.
Mas depois de contratada, chegam outros aspectos. Ao chegar normalmente você recebe um monte de informações e uma cartilha. Ali constam todas as condutas que devem ser seguidas e o que é passível de penalidades. É toda uma formalidade. Acho interessante ter todas as informações por escrito e aconselho a todos que vem de outra cultura ler pois tem coisas que para nós não é um “big deal” mas para eles é um enorme “deal”. Um deles cumprir o horário independente do que acontecer. Existe uma rigidez quanto ao horário de trabalho, eles têm que ser cumpridos tanto a entrada quanto a saída. Tivemos um acidente natural nos últimos dias, um alagamento por excesso de chuva que é super normal na região que moro. Os carros ficaram presos no estacionamento da empresa e algumas pessoas tiveram inclusive que dormir lá. Mas isto não afeta seu horário de trabalho, tu precisas cumprir seu horário. É muito disciplinado.
Outro aspecto que me chamou a atenção é o almoço, na maioria das pessoas não a troca de comida. Difícil tu veres alguém oferecendo comida uns aos outros. Mas isso novamente, é cultural. As crianças na escola também não trocam lanches. E não peça um gole da bebida da pessoa, eles vão achar muito estranho e provavelmente deixarão a bebida contigo. Não consigo imaginar eles tomando chimarrão e compartilhando a cuia. E o tempo é curto de almoço, então é sentar, checar mensagens pessoais e comer. Algumas pessoas até almoçam em cima do teclado.
Durante o trabalho tu precisas produzir, o horário é para a empresa. Sem muita conversinha e cafés muito longos. "Be straight to the point". Aliás, falando nisso, sem muitas delongas para falar o que tu precisa. Vá direto ao ponto. E-mails com no máximo “como você está?” Mas não esqueça do obrigada no final.
Neste episódio falo um pouco da diferença que sinto em ser um criativo em cada país. A educação e a cultura influenciam demais no que eu entendo por ser criativo. Sempre lembrando que é um ponto de vista a partir da minha vivência e observação do lugar onde moro e trabalho nos EUA. Acredito que possa mudar um pouco de estado para estado tanto daqui dos Estados Unidos como no Brasil. Ah, antes de escutar este episódio, dá uma passada la na Pattern Brazil e confere a coleção criada para este podcast.
PATTERNBRAZIL.COM
Hello Hello, Welcome to my podcast! Meu nome é Maetê Porto e este é o Dupla Nacionalidade, um podcast onde faço comparações sobre vários assuntos entre Brasil e Estados Unidos. Sou também a designer responsável pela Pattern Brazil e Designer Têxtil na Art Gallery Fabrics. Sou mãe de três filhos peludos lindos: os doguinhos Zip e Zap e o Dom, meu gato ruivo irresistível. Ah, e também participo de competições e travessias de natação no mar.
Morando aqui nos EUA a um pouco mais de 7 anos, estou muito confusa e me sentindo perdida.Já não sei o que é comportamento de americano e o que é comportamento de brasileiro.
Sou gaúcha, venho de Novo Hamburgo no Rio Grande do Sul, cidade que por muito tempo foi conhecida como a capital de calçado. Mas com o surgimento do mercado Chines forte no desenvolvimento de calçados com um preço bem menor, a região teve que se reinventar.
Logo que vim para cá tive que ficar sem voltar ao Brasil por três anos, para facilitar o processo de imigração. Mas neste período recebi muita visita de amigos e familiares, o que amenizou um pouco a falta do Brasil. Assim que saiu minha cidadania veio a pandemia, e aí sim fiquei de vez sem poder ir ao Brasil. E assim, só depois do 5º ano que consegui sair daqui e visitar o Brasil.
Por “n” motivos, fiquei trabalhando de casa por uns 2 anos logo que cheguei, fazendo alguns frelas para o Brasil e tentando entrar no mercado americano. Mas tinha muito a aprender, principalmente a língua, porque eu só ACHAVA que falava inglês, quando cheguei aqui percebi que mal e mal conseguia explicar o que queria. Mas este período de Home Office também não me ajudou muito pois só falava inglês quando saia para o Mercado, em um restaurante, ir no veterinário, etc. Cada vez que saia era um stress, ficava muito nervosa de não conseguir me fazer entender.
Consegui meu primeiro emprego e nesta empresa que trabalhei foi ótimo pois os donos eram franceses e não tinha nenhum americano ou americana, todos eram imigrantes. Não tive a mínima vergonha do meu sotaque e não era somente eu que ficava sem vocabulário na hora de se explicar. Foi aí que começou a minha saga de entender e de dar cabeçadas neste país que estava morando agora. Não que não houvesse situações engraçadas antes disso, mas posso dizer que esta época a coisa começou a ficar mais intensa.
Depois deste tempo aqui a coisa se misturou de tal forma que já não sei o quanto de mim ainda é brasileira e o quanto é americana. Por isso, há algum tempo tenho sentido vontade de fazer este podcast, para compartilhar um pouco dessas minhas questões. Quero também falar um pouco do conhecimento que adquiri neste período de muito estudo e trapalhadas. Eu espero que quem ouvir possa me ajudar, por favor, a entender onde estou sendo americana e o onde resiste a brasileira que nunca irá sair de mim.
Este é o primeiro episódio e ainda estou aprendendo e pegando o jeito da coisa, mas espero que vocês curtam os próximos episódios. Te espero lá!
Esta é a abertura dos programas.




