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Para muitas famílias, histórias de perdas precoces ficam marcadas por perguntas sem resposta. E não é raro ouvir relatos de parentes que partiram muito jovens por causas que, na época, eram pouco compreendidas.O aneurisma cerebral é uma dessas condições que, durante muito tempo, foi associado apenas à idade avançada. Na prática, porém, ele pode surgir em qualquer fase da vida.Trata-se de uma área enfraquecida na parede de uma artéria que, sob a pressão constante do sangue, vai se dilatando lentamente até que, em alguns casos, se rompe. Quando isso acontece no cérebro, pode provocar um AVC hemorrágico, com consequências graves e muitas vezes fatais. Nos últimos dias, a morte precoce da sambista belo-horizontina Adriana Araújo reacendeu esse alerta. A artista passou mal em casa, desmaiou e, em poucas horas, estava em estado gravíssimo após a ruptura de um aneurisma.Esse tipo de evento costuma se manifestar com uma dor de cabeça súbita e extremamente intensa, descrita por muitos pacientes como “a pior da vida”. Náusea, rigidez na nuca, desmaio e alterações neurológicas também podem aparecer, exigindo atendimento médico imediato. Mas reconhecer os sinais do próprio corpo nem sempre é simples. Muitas vezes acreditamos estar cuidando da saúde ao controlar pressão, colesterol ou glicemia, enquanto hábitos cotidianos continuam sendo negligenciados.Quem tem histórico familiar tem mais risco? O aneurisma pode ser prevenido ou detectado antes de se romper? Para esclarecer essas e outras dúvidas, o Interessa recebe a médica neurologista, Júlia Kallás. Ouça!
A ideia de que estamos vivendo “tempos difíceis” já virou quase um consenso. A cada dia parece surgir um novo motivo para preocupação coletiva: crises sanitárias, violência, instabilidade política, conflitos globais. Mas os dados indicam algo ainda mais inquietante: crianças e adolescentes de hoje relatam níveis de ansiedade maiores do que pacientes psiquiátricos infantis da metade do século passado.O fenômeno aparece em pesquisas que acompanharam milhares de jovens ao longo de décadas, como o estudo “The Age of Anxiety? Birth Cohort Change in Anxiety and Neuroticism, 1952-1993”, da pesquisadora Jean M. Twenge, da Case Western Reserve University, publicado no Journal of Personality and Social Psychology. Siga O TEMPO no Google e receba as principais notíciasO que mudou tanto nesse intervalo? Ao mesmo tempo em que ganhamos autonomia, liberdade de escolha e independência, perdemos algo mais silencioso: a conexão social. Há mais pessoas morando sozinhas, relações mais frágeis e menos confiança nas interações. Soma-se a isso uma exposição constante a notícias de crise e ameaça.O cérebro humano, que não foi programado para lidar com sinais de perigo 24 horas por dia, entra em estado de alerta permanente, algo especialmente sensível para quem ainda está em desenvolvimento emocional. Para discutir os impactos desse cenário e refletir sobre o que ainda pode ser feito para proteger a saúde mental das novas gerações, o Interessa recebe o psiquiatra Dr. Bruno Brandão.
Aos 50 anos, rainha de bateria da Acadêmicos do Salgueiro, Viviane Araújo ouviu em pleno Carnaval se “já não estava na hora” de deixar a Sapucaí. Enquanto isso, Juliana Paes retomou o posto na Unidos do Viradouro aos 46, Sabrina Sato cruzou a Avenida pela Vila Isabel aos 45 com 40 quilos de fantasia, enquanto Bell Marques, aos 73, segue arrastando multidões sem que a idade vire manchete. Existe prazo de validade diferente para homens e mulheres? No outro extremo, Virginia Fonseca, aos 26, foi criticada ao estrear como rainha da Acadêmicos do Grande Rio. Quando a mulher é madura, questionam se “já passou da hora”. Quando é jovem, duvidam da competência. No Interessa, queremos saber: estamos falando de idade, experiência ou expectativa pública?
Melasma tem cura? Condição, que afeta autoestima das mulheres, não é descuidoDurante uma transmissão ao vivo, Selena Gomez respondeu com leveza a um comentário sobre um suposto “bigodinho”: não era falta de depilação, era melasma. A condição de pele, extremamente comum entre mulheres, está ligada a fatores hormonais, genéticos e à exposição solar e pode surgir mesmo com uso rigoroso de protetor. Não é desleixo, não é descuido, não é negligência.Embora benigna do ponto de vista médico, o melasma afeta diretamente a autoestima e a relação com o espelho. Não há cura definitiva, mas há controle e tratamento.No Interessa, conversamos sobre cuidado, informação e também sobre a pressão para que a pele feminina esteja sempre impecável.
O Brasil voltou a se chocar com crimes em que filhos foram usados como instrumento de vingança contra suas mães. Investigações como a divulgada pelo Metrópoles e análises da BBC News Brasil trouxeram à tona um termo ainda pouco conhecido, mas devastador: violência vicária. Trata-se de quando o agressor fere, ameaça ou até mata os próprios filhos para atingir emocionalmente a ex-companheira. É o controle levado ao limite mais perverso.Neste episódio, a bancada feminina discute como identificar sinais de alerta, o que diferencia violência vicária de alienação parental e por que tantas mães não são ouvidas a tempo. Como proteger as crianças? Como acolher essas mulheres sem revitimizá-las?
O ator Dudu Azevedo confirmou que reatou com a ex-esposa, Fernanda Mader, quase cinco anos após a separação. Eles não estão sozinhos: histórias de “round 2” no amor têm se multiplicado, de casais famosos a reencontros entre 'anônimos' que acontecem décadas depois. Afinal, o tempo amadurece, muda prioridades e pode transformar antigos desencontros em novas possibilidades. Mas quando alguém decide soprar as cinzas do passado, a pergunta é inevitável: estamos voltando para a pessoa real de hoje ou para a memória idealizada de ontem? No Interessa, queremos ouvir você. Vale insistir em um amor antigo ou isso é medo de recomeçar do zero? Participe ao vivo e compartilhe sua experiência!
O sucesso de Bad Bunny vai muito além das paradas musicais. Ele representa uma mudança de eixo cultural: pela primeira vez em décadas, o “ser latino” não está à margem, nem traduzido para caber no outro. Está no centro, com orgulho e identidade intactos. Quando Benito canta sobre Porto Rico, ele valida cada laje, cada esquina e cada história da América Latina inteira. No Interessa, nossas meninas querem saber: você também sente esse orgulho pulsar quando vê o mundo dançando no nosso ritmo? O que mais te encanta nessa irmandade latina: o calor humano que nos aproxima ou a diversidade que nos fortalece?
Você já deve ter visto nas redes sociais alguém jurando ter encontrado a “fórmula mágica” do corpo perfeito. As chamadas canetas emagrecedoras viraram tendência, mas o alerta é sério. Pesquisa inédita da Universidade de São Paulo aponta o crescimento acelerado do uso desses medicamentos por pessoas sem diagnóstico de obesidade ou doença metabólica, transformando tratamento de saúde em atalho estético.Antes que o Dia Mundial da Obesidade chegue, em 4 de março, o Interessa quer discutir os riscos reais desse uso indiscriminado, os perigos do mercado clandestino e os efeitos - como náuseas, dependência emocional, pancreatite e possível efeito rebote. Até que ponto o desejo pelo corpo ideal pode colocar a saúde em risco?
'Neste raio de suruba… já me passaram a mão na bunda... ainda não comi ninguém!'Nos anos 1990, os Mamonas Assassinas cantavam sobre suruba, digo, swing, com deboche e muita ousadia, especialmente para a época. Cantavam sobre sexo coletivo, desejo e, sobretudo, sobre frustrações como quem canta 'sapo cururu'! O tempo passou e… décadas depois, a fantasia continua viva. As inseguranças também! Comparação de corpos, de desempenho, de desejo. No meio do bacanal, surge a pergunta que quase ninguém admite: e se eu não for escolhido? Vem saber como agir no Interessa!
Mudar assusta, né? Mas e quando a sua mudança incomoda o outro?Nesta quarta-feira, o Interessa discutiu se as pessoas estão realmente preparadas para a nossa evolução ou se esperam que a gente repita sempre os mesmos comportamentos. O debate foi acendido pela entrada de Babu Santana no BBB 26: aos 46 anos, o público reencontrou um homem mais leve e divertido, bem diferente daquela postura defensiva e pressionada de seis anos atrás.Para aprofundar essa reflexão, recebemos a psicóloga Camila Fardin, que nos ajudou a entender por que é tão incômodo lidar com a mudança do outro. Falamos sobre como essa expectativa não se limita ao reality; na vida real, muitas vezes somos aprisionados em versões antigas de nós mesmos por amigos ou familiares que não aceitam que a nossa bagagem mudou. Discutimos a importância de reconhecer quando ciclos e comportamentos deixam de caber na nossa vida atual.
“Bonitofobia”, pode isso produção?No Interessa desta terça-feira, a gente mergulhou nesse termo que rodou a internet e deu o que falar. Tudo começou com o ex-BBB Jonas Sulzbach, que desabafou por não querer ser resumido a sua beleza. A internet, claro, não perdoou e o debate entre o deboche e a reflexão séria foi lançado.Para entender o que existe por trás dessa polêmica, recebemos o psicólogo Gustavo Cury, que nos ajudou a enxergar além da superfície. Por mais que o termo soe fútil ou até bobo para muitos, o assunto revela camadas profundas sobre autoconhecimento, autoestima e traumas. Discutimos a dualidade desse tópico: de um lado, o privilégio óbvio que a beleza traz em uma sociedade estética; do outro, o estigma de que “quem é bonito não pode ter problemas” ou de que a beleza anula a inteligência e o esforço.
Peido, pum, gases... nomes tem vários, mas a verdade é: todo mundo tem vergonha.O Interessa desta segunda recebeu a Dra. Vera Ângelo, gastroenterologista, para falar sobre esse tabu que a internet adora tratar como “quinta série”, mas que é saúde pura. O papo começou com o vídeo viral da Ana Castela, que supostamente deu aquela agachadinha estratégica no palco para soltar um “bufinha” — e pronto, o assunto tomou conta das redes.A própria artista entrou na zoeira, mas a Dra. Vera nos ajudou a olhar para o que está por trás da piada. Por que algo absolutamente humano ainda gera tanto constrangimento, especialmente para as mulheres? Parece que a gente tem que sublimar um aroma de flores do campo até no pum! A verdade é que soltar gases faz parte do funcionamento normal do organismo. Todo mundo produz e todo mundo elimina (inclusive dormindo!), e o hábito de segurar por vergonha pode causar dores, inchaço e problemas intestinais sérios.Discutimos como a alimentação, o ritmo de vida e até a ansiedade interferem na nossa produção de gases. Dá para rir do meme, sim, mas também dá para informar: o que nos leva a sentir tanta vergonha do que é natural? É hora de normalizar o que o corpo faz para se manter saudável.
“Tapa na bunda ou flores? E por que não os dois?” 💐🔥Foi com esse questionamento que o Interessa de hoje recebeu a psicóloga e sexóloga Renata Lanza. O papo partiu de um refrão que anda grudado na mente de muita gente para discutir algo bem mais profundo: essa divisão da sexualidade feminina.A letra da música brinca com a ideia de que carinho e desejo ocupam prateleiras diferentes — como se receber flores anulasse a intensidade de um tapa na bunda, ou vice-versa. A Renata nos ajudou a desconstruir esse rótulo de “dama na rua e **** na cama”, que insiste em dizer que a mulher que assume seu prazer de forma livre e divertida se torna “menos digna” de afeto. Por que gostar de cuidado e conversa seria incompatível com viver a sexualidade de forma intensa?Discutimos como o desejo feminino não nasce no vácuo e muito menos fica pronto em 3 minutos como um miojo! Ele precisa de contexto, segurança e troca. No fim das contas, quem ganha quando a mulher é empurrada para essas caixinhas (ou santa, ou safada) é o homem, que acaba economizando no envolvimento emocional. Dá para ser carinhosa, profunda, sensual e tudo mais ao mesmo tempo. Uma coisa não diminui a outra; na verdade, completa.
Vocês tomavam café juntos, reclamavam da chefia, dividiam memes, almoços, confidências e indignações corporativas. Até que a vida resolveu dar um plot twist: seu amigo ou sua melhor amiga virou seu chefe. O que parecia motivo só de comemoração vem acompanhado de sentimentos menos glamourosos: frustração, comparação, ciúme e a sensação inevitável de que algo mudou. Porque mudou mesmo.Pra quem não foi promovido, surgem dúvidas difíceis de engolir: “e eu?”, “por que não chegou minha vez?”, “posso continuar sendo quem eu era?”. Já pra quem assume a liderança, o desafio é outro: como liderar alguém que ontem dividia a mesa do bar? Nem todo mundo entende que não é mudança de caráter - é mudança de função.No Interessa, a gente conversa sobre hierarquia, amizade, maturidade emocional e limites. Como preservar vínculos quando o jogo muda? Dá pra aplaudir o crescimento do outro sem transformar isso numa ferida pessoal? A dor é pela amizade que mudou… ou pelo lugar que você queria ocupar?
Acabou na terça? Oficialmente, sim. Mas Belo Horizonte nunca foi muito boa em aceitar o fim da festa de Carnaval, assim, de primeira... Somos resistência! Sempre tem um bloco que resolve aparecer, um ensaio que vira cortejo, um encontro que reacende a bateria dias e mais dias depois do encerramento da folia. Porque, convenhamos, se tem uma coisa que mineiro sabe fazer é dar um jeitinho para tudo!O Bloco Swing Safado que o diga! Nasceu de uma mistura muito boa, diga-se de passagem: a musicalidade da Bahia com o jeito mineiro de festejar. Axé com sotaque de BH.Esse pessoal chega a 2026 celebrando 13 carnavais e reforçando a identidade com o tema “BH tem um tempero”, inspirado na canção O baiano tem um molho. Aliás... se a proposta é esticar a alegria, o Swing Safado leva isso a sério: desfila durante e depois do Carnaval, como quem diz que a farra não acaba quando o calendário manda.Pra falar sobre essa mistura de ritmos, sobre tradição, resistência e sobre esse talento belo-horizontino de não dizer tchau tão cedo, o Interessa recebe o fundador e idealizador do bloco, Jeffim da Base.
Festa em dose dupla: Carnaval e aniversário. Em 2026, o Havayanas Usadas completa 10 anos de trajetória e celebra uma década sendo símbolo de multidão, axé e ocupação das ruas de Belo Horizonte. Quem acompanha a folia da cidade certamente já correu atrás do bloco na Avenida Andradas, de onde ele sai tradicionalmente, reafirmando a rua como espaço central dessa história.No Interessa desta quarta-feira (11), a bancada recebe Heleno Augusto, vocalista e um dos fundadores do bloco, para falar sobre como o Havayanas cresceu junto com o Carnaval de BH e por que ocupar a cidade sempre foi parte fundamental desse percurso. Em 2026, o bloco desfila com o tema “Brasil de pé!”, que vai além da música e provoca reflexões sobre identidade, resistência e alegria como ato político.O episódio propõe pensar o Carnaval como espaço de expressão, pertencimento e posicionamento coletivo. O que significa “estar de pé” num país tão múltiplo? Como a folia pode ser, ao mesmo tempo, celebração e consciência social?
Nem tudo que tem valor cabe numa etiqueta de preço. Um colo amigo depois de um término, um abraço apertado no fim de um dia puxado, a recepção eufórica do pet ao chegar em casa: são esses pequenos grandes momentos que abastecem a vida e não custam dinheiro. Ainda assim, muita gente segue acreditando que só vale o que pode ser comprado.É para provocar essa reflexão que o Interessa abre a semana de pré-Carnaval recebendo o Juventude Bronzeada, um dos blocos mais tradicionais de Belo Horizonte. Em 2026, o coletivo leva para as ruas o lema “As coisas boas são de graça”, reafirmando que afeto, encontro e pertencimento seguem sendo o coração da folia.O programa desta segunda (08) recebe Rodrigo Magalhães (Boi), regente geral e um dos fundadores do bloco, para uma prosa sobre a história do Juventude, sua relação com o Carnaval de Beagá e o papel do bloco na construção de uma festa mais afetiva, coletiva e cheia de sentido. Confira!
Por décadas, o modelo de homem ideal foi vendido como durão, pouco emocional, provedor, avesso ao diálogo e fiel a uma masculinidade rígida. Só que esse padrão vem sendo cada vez mais questionado, principalmente pelas mulheres. Nas redes, cresce o interesse por homens que fogem do estereótipo do hétero-top: mais sensíveis, abertos à conversa, atentos ao autocuidado e menos presos a papéis de gênero. Esse movimento também dialoga com um dado alarmante: o Brasil vive um cenário grave de violência contra a mulher, com recordes sucessivos de feminicídio e uma média de quatro mulheres mortas por dia em 2025.Homens que demonstram emoções, cuidam da aparência, expressam afeto e não performam a masculinidade “trincada” costumam virar alvo de rótulos como “afeminado” ou “fraco”. Mas desde quando ouvir, respeitar limites, conversar sem agressividade, fazer terapia e demonstrar empatia virou motivo de ridicularização? A ideia de que sensibilidade é atributo feminino e força é atributo masculino empobrece as relações, cria homens emocionalmente analfabetos e mulheres sobrecarregadas.Por que ainda confundimos sensibilidade com fragilidade? Quem ganha quando homens são ensinados a não sentir? Chamar um homem funcional, consciente e emocionalmente disponível de “afeminado” não é uma tentativa de desqualificar o básico? Participe da conversa. A live tem início às 14h nos canais O Tempo e O Tempo Livre no Youtube.Se faz parte da sua vida, Interessa!Instagram: https://www.instagram.com/programainteressa/ TikTok: https://www.tiktok.com/@interessa.otempo
Uma fala no BBB chamou atenção e gerou diferentes comentários nas redes: Juliano Floss disse que ama o cheiro da axila de Marina Sena. Teve quem achasse engraçado, teve quem sentisse vergonha alheia e teve quem pensasse: “isso é estranho demais pra ser dito em voz alta”. Mas será que é mesmo? Ou a gente só não aprendeu a falar de desejo fora do padrão "limpinho, perfumado e socialmente aceitável"?O cheiro do corpo sempre teve um papel enorme na atração. Não o perfume, mas o cheiro de pele. Aquele que conforta, excita, dá vontade de chegar perto ou, ao contrário, afasta de imediato. A questão é que vivemos numa cultura que tenta neutralizar o corpo: desodorante, sabonete antibacteriano, perfume por cima de tudo - como se o desejo precisasse ser higienizado para ser permitido.O axilismo, nome dado à atração pelo cheiro das axilas, pode soar exótico, mas toca em algo bem mais comum do que parece. O olfato ativa memória, emoção e excitação antes mesmo da razão entrar em cena. Talvez por isso esse tipo de desejo cause tanto desconforto. Porque ele escancara algo que a gente tenta esconder: o tesão nem sempre é bonito, organizado ou fácil de explicar. Ele passa pelo suor, pela pele, pelo instinto.No papo, o próprio Juliano admitiu ter vergonha de falar sobre isso. E essa vergonha diz muito mais sobre a forma como a gente lida com o desejo do que sobre o desejo em si. Por que algumas preferências são vistas como normais e outras como estranhas? Quem decide o que é aceitável no sexo? Existe desejo “errado” quando há consentimento? Até que ponto o nojo é socialmente aprendido? E por que falar de cheiro ainda parece mais constrangedor do que falar de outras práticas sexuais?
Existe um contraste difícil de ignorar quando se fala em Visibilidade Trans no Brasil. Enquanto a data propõe reconhecimento, respeito e cidadania, o país segue, pelo 16º ano consecutivo, liderando o ranking global de assassinatos de pessoas trans e travestis. Mesmo com a redução de 16% nas mortes em 2024, os números continuam revelando uma realidade marcada pela violência sistemática.Dados do dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), divulgados em janeiro de 2025, apontam que 122 pessoas trans e travestis foram assassinadas no país em 2024, mantendo o Brasil como o país que mais mata essa população no mundo.Mas a violência não se manifesta apenas na morte. Ela atravessa o cotidiano, o acesso ao trabalho, à saúde, à educação e à segurança. Muitas pessoas trans vivem em estado permanente de alerta, negociando sua existência em espaços que deveriam ser comuns: a rua, o transporte público, o ambiente profissional. Segundo a Antra, a expectativa de vida de pessoas trans no Brasil ainda gira em torno de 35 anos.Quando falamos de visibilidade, não falamos apenas de aparecer. Falamos dessas pessoas serem reconhecidas como cidadãs, de terem direitos garantidos e de não precisarem transformar a própria identidade em um campo de batalha constante. Falamos de políticas públicas, de acesso à justiça, de educação e de condições reais para que a vida seja possível.Por que, mesmo com tantos dados, a violência contra pessoas trans ainda é tratada como algo distante? O que faz com que esses corpos sigam sendo os mais vulneráveis? Que tipo de visibilidade realmente importa: a que expõe ou a que protege? E o que a sociedade ainda se recusa a enxergar quando fala em respeito, mas não garante existência?























