Discover
Curioso por Ciência - USP
Curioso por Ciência - USP
Author: Jornal da USP
Subscribed: 1Played: 0Subscribe
Share
© 2024 Jornal da USP
Description
O conhecimento gerado na Universidade, a partir dos resultados dos mestrados e doutorados dos programas de pós-graduação da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, de maneira simples, direta e para todos os públicos
101 Episodes
Reverse
O Curioso por Ciência desta semana apresenta resultados de uma pesquisa que investigou alterações pulmonares em pacientes com esclerose sistêmica por meio de análise quantitativa de tomografia computadorizada. O estudo avaliou o parênquima e a vasculatura pulmonar de pessoas que realizaram transplante de células tronco hematopoéticas.
A esclerose sistêmica é uma doença autoimune que pode comprometer o pulmão, provocando inflamação e cicatrização do tecido pulmonar, com impacto na função respiratória. Em casos mais graves, o transplante de células tronco hematopoéticas é uma das opções terapêuticas com o objetivo de reiniciar o sistema imunológico.
Para avaliar possíveis alterações pulmonares após o procedimento, a pesquisa utilizou tomografia computadorizada associada a softwares específicos capazes de realizar análise quantitativa das imagens. A abordagem permite mensurar parâmetros como volume densidade do tecido pulmonar e alterações vasculares.
Foram analisadas tomografias de 30 pacientes com esclerose sistêmica submetidos ao transplante. Os exames foram comparados com tomografias de 101 pacientes com doença pulmonar associada à esclerose sistêmica que não realizaram o procedimento.
Os resultados indicaram que pacientes transplantados apresentaram maior preservação do tecido pulmonar. A análise também evidenciou diferenças nas regiões inferiores dos pulmões, áreas onde a doença costuma apresentar maior intensidade.
Segundo o estudo, a análise quantitativa por tomografia computadorizada pode contribuir para a avaliação da gravidade da doença pulmonar e para o acompanhamento de pacientes após o transplante, além de fornecer informações que auxiliem na tomada de decisão clínica.
A dissertação de mestrado, Caracterização por coeficiente de atenuação do parênquima e da vasculatura pulmonar em pacientes com esclerose sistêmica que realizaram transplante de células-tronco hematopoiéticas: análise quantitativa por tomografia computadorizada, foi desenvolvida por Leonardo César de Freitas Cayres, com orientação do professor Danilo Tadao Wada, no Programa de Pós Graduação em Diagnóstico por Imagem da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, e a defesa foi em 2025.
Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.
O Curioso por Ciência em seu centésimo episódio traz os resultados de uma pesquisa na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP que revelou a possibilidade de identificar tumores de próstata mais agressivos por meio da ressonância magnética. O estudo investigou a hipóxia tumoral, condição caracterizada pela baixa oxigenação no interior do tumor e associada à progressão mais rápida da doença e à resistência ao tratamento.
A hipóxia altera a estrutura e o funcionamento do tecido tumoral ao modificar a densidade celular e a organização dos vasos sanguíneos. Essas mudanças interferem no deslocamento das moléculas de água dentro do tumor, fenômeno que pode ser captado por técnicas avançadas de ressonância magnética.
Com base nessa premissa, a pesquisa analisou o movimento incoerente intravoxel, um parâmetro de imagem que reflete a dinâmica microscópica da água no tecido. A hipótese foi de que alterações nesse movimento poderiam servir como marcador indireto da oxigenação tumoral.
Para testar essa relação, foram avaliados exames de 67 pacientes com câncer de próstata. Os dados obtidos por ressonância magnética foram comparados com análises laboratoriais do tumor, permitindo verificar a presença de áreas hipóxicas e sua associação com características de agressividade.
Os resultados mostraram que tumores com menor oxigenação tendem a apresentar comportamento mais agressivo. Além disso, a técnica de imagem foi capaz de indicar diferenças relevantes entre tumores com maior e menor hipóxia, sugerindo potencial uso como biomarcador não invasivo.
Segundo o estudo, a identificação prévia da hipóxia tumoral pode contribuir para a estratificação de risco e para a definição de estratégias terapêuticas mais individualizadas. A abordagem também pode reduzir a necessidade de procedimentos invasivos, ampliando as possibilidades de avaliação do microambiente tumoral na prática clínica.
A pesquisa de doutorado Hipóxia tumoral detectada no movimento incoerente intravoxel como um biomarcador de agressividade do câncer de próstata, foi desenvolvida por Olayemi Atinuke Alagbe, com orientação do professor Valdair Francisco Muglia, no Programa de Pós Graduação em Clínica Médica da FMRP, e a defesa foi em 2025.
Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.
A obesidade já é reconhecida como fator de risco para doenças cardiovasculares e diabetes, e também como condição capaz de provocar inflamação crônica e silenciosa no organismo. Esse processo inflamatório persistente, mesmo na ausência de infecção, pode gerar danos progressivos aos tecidos e contribuir para o surgimento de diferentes patologias.
O Curioso por Ciência desta semana apresenta os resultados de uma pesquisa de doutorado desenvolvida na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP que, a partir dessa premissa, investigou se a obesidade pode intensificar inflamações na bexiga e favorecer alterações associadas ao câncer. O estudo analisou de que forma o ambiente metabólico característico do excesso de gordura corporal interfere na resposta inflamatória do órgão.
Para testar a hipótese, os pesquisadores utilizaram um modelo experimental com camundongos. Os animais foram divididos em dois grupos: um recebeu alimentação padrão e o outro passou por dieta rica em gordura por algumas semanas, estratégia capaz de reproduzir características metabólicas semelhantes à obesidade.
Após essa etapa, todos os animais foram expostos a uma substância capaz de induzir inflamação na bexiga, simulando processos iniciais observados em condições relacionadas ao câncer. A comparação entre os grupos permitiu avaliar a influência da obesidade sobre a intensidade e a persistência da resposta inflamatória.
Os resultados revelaram diferenças significativas. Nos animais alimentados com dieta convencional, as alterações inflamatórias foram discretas e limitadas. Já no grupo submetido à dieta rica em gordura, observou-se inflamação intensa e persistente, aumento da proliferação celular e presença de alterações consideradas pré-cancerígenas.
A análise molecular indicou ainda maior ativação de vias inflamatórias nos animais obesos, sugerindo que o excesso de gordura corporal cria um ambiente biológico propício ao desenvolvimento de lesões que podem evoluir para câncer de bexiga.
Embora os dados tenham sido obtidos em modelo experimental, os achados reforçam a hipótese de que a obesidade atua como fator modificador da resposta inflamatória, ampliando riscos associados à carcinogênese. Os pesquisadores destacam a necessidade de estudos clínicos em humanos para confirmar a relevância desses mecanismos no contexto populacional.
A pesquisa integra a tese de doutorado A influência da obesidade na inflamação e no câncer de bexiga: modelo experimental de cistite em ratos, desenvolvida por Cristiano Trindade de Andrade no Programa de Pós-Graduação em Clínica Cirúrgica da FMRP e concluída em 2024, sob orientação do professor Rodolfo Borges dos Reis.
Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.
Você sabia que já existem tratamentos contra o câncer que utilizam as próprias células de defesa do paciente para combater a doença? Essa é a proposta da terapia com células CAR-T, uma estratégia em que células do sistema imunológico são retiradas do paciente, modificadas em laboratório e depois devolvidas ao organismo para auxiliar no enfrentamento do câncer.
Muitos pacientes que chegam a esse tipo de tratamento já passaram por terapias anteriores, como a quimioterapia, que podem causar danos ao material genético das células. O organismo possui mecanismos naturais de reparo do DNA, responsáveis por corrigir esses danos. O Curioso por Ciência desta semana traz os resultados da pesquisa de Felipe Haddad, que investigou se os genes envolvidos nesse reparo estavam funcionando adequadamente durante a fabricação das células utilizadas na terapia.
O estudo mostrou que alterações nesses genes podem interferir no processo de produção, afetando a qualidade das células ou até mesmo impedindo que a terapia seja produzida com segurança. Os resultados indicam a importância de avaliar a integridade genética das células antes e durante a fabricação, como parte do processo de preparo da terapia.
O trabalho, Avaliação dos danos em genes de reparo no processo de manufatura das células T-CAR, foi desenvolvido no mestrado do pesquisador Felipe Haddad, no Programa de Pós-Graduação em Oncologia Clínica, Células-Tronco e Terapia Celular, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, com orientação do professor Renato Luiz Guerino Cunha, e concluído em 2024.
Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.
O Curioso por Ciência desta semana traz os resultados de uma pesquisa que analisou placas de gordura na artéria carótida, estruturas silenciosas que podem decidir o destino de um AVC. O estudo investigou como essas placas se comportam no ultrassom e por que algumas são estáveis, enquanto outras têm maior chance de se romper, liberar fragmentos e interromper o fluxo de sangue no cérebro.
O Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico e o Ataque Isquêmico Transitório (AIT) ocorrem quando o sangue deixa de chegar a partes do cérebro. Uma das causas mais comuns desse bloqueio é o acúmulo de placas nas carótidas, artérias que levam sangue à cabeça. Embora muitas dessas placas convivam quietas por anos, algumas têm um perfil que as torna perigosas, e a diferenciação entre elas ainda não é bem estabelecida nos protocolos clínicos.
Pesquisadores acompanharam 54 pacientes que sofreram AIT ou AVC isquêmico entre 2022 e 2024, examinando 184 placas nas carótidas com ultrassom e correlacionando achados de imagem com dados clínicos, laboratoriais e fatores de risco cardiovascular. A hipótese era simples: se a aparência e o comportamento das placas no ultrassom pudessem indicar vulnerabilidade, seria possível prever quem corre risco de novo evento isquêmico.
Dessas 184, 46 placas foram definidas como definitivamente vulneráveis, ou seja, com maior potencial de desencadear um novo problema. E um aspecto que saltou aos olhos foi a relação entre certas características ecográficas e lesões cerebrais silenciosas no lado afetado pelo AVC. Placas mais escuras no ultrassom (hipoecogênicas), especialmente quando exibiam ulcerações ou presença de trombo, foram as que mais se associaram ao risco aumentado de pequenas lesões cerebrais, indicações de microeventos isquêmicos que passam despercebidos a olho nu.
A partir desses achados, os autores propuseram um protocolo que combina três elementos: características morfológicas da placa no ultrassom, avaliação do fluxo sanguíneo cerebral e perfil de comorbidades cardiovasculares do paciente. A ideia é ir além dos métodos tradicionais, que muitas vezes se baseiam apenas na porcentagem de obstrução, e construir uma avaliação mais ampla e personalizada do risco de novo AVC.
Os resultados sugerem que o ultrassom pode ser uma ferramenta ainda mais valiosa do que se imaginava, não apenas para detectar a presença de placas, mas para compreender seu comportamento e ajudar a prever quem está em maior risco. Com isso, equipes médicas podem melhorar a identificação de pacientes que precisam de intervenções mais agressivas ou monitoramento mais rigoroso, fortalecendo estratégias de prevenção.
A pesquisa Caracterização das Placas do Sistema Carotídeo em Pacientes com Acidente Vascular Cerebral Isquêmico ou Ataque Isquêmico Transitório foi desenvolvida como dissertação de mestrado de Amanda Sanae Esaki, com orientação da professora Millene Rodrigues Camilo, no Programa de Pós-Graduação em Neurologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, concluída em 2024.
Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.
O câncer colorretal é uma doença séria e, muitas vezes, o tratamento envolve cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Mas nos últimos anos uma nova estratégia começou a ganhar destaque: tratar mais intensamente antes da cirurgia para tentar evitar que o câncer volte ou se espalhe pelo corpo. Esse é o tema do Curioso por Ciência desta semana.
Tradicionalmente, os pacientes com câncer colorretal passam primeiro por um tratamento chamado quimiorradioterapia neoadjuvante, que combina radioterapia com quimioterapia antes da cirurgia. Esse método funciona, mas ainda tem limitações: risco de o tumor voltar em outros locais, efeitos colaterais e, em alguns casos, a necessidade de uma colostomia definitiva, que é quando parte do intestino é desviada para uma bolsa coletora.
Uma estratégia mais recente, conhecida como neoadjuvância total, antecipa todas as etapas do tratamento e inclui mais quimioterapia antes da cirurgia. Um dos protocolos mais conhecidos é o TNT-RAPIDO, que já tinha mostrado bons resultados em estudos internacionais. A pergunta é: será que esses resultados se repetem também na prática, especialmente em pacientes de hospitais públicos brasileiros?
Para responder a isso, pesquisadores analisaram os prontuários de 202 pacientes com câncer colorretal tratados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, ao longo de 14 anos. Eles compararam dois tratamentos: QRN convencional, com radioterapia de longa duração e quimioterapia; TNT-RAPIDO, com radioterapia mais curta e intensa, seguida de quimioterapia reforçada. Depois, avaliaram os principais resultados oncológicos desses pacientes, como mortalidade, metástases e necessidade de colostomia definitiva.
Os resultados chamaram atenção. O protocolo TNT-RAPIDO apresentou: menos metástases, menor mortalidade, mais pacientes em vigilância ativa, ou seja, acompanhando a doença sem necessidade imediata de cirurgia, e mais pacientes sem sinais de câncer durante o período de acompanhamento. Em outras palavras, o TNT-RAPIDO parece proteger melhor o corpo contra a disseminação da doença e manter mais pessoas vivas e livres de tumor.
Esses achados reforçam que o TNT-RAPIDO pode ser uma estratégia poderosa para tratar o câncer colorretal avançado, especialmente no Sistema Único de Saúde.
Ele reduz o risco de a doença se espalhar, diminui a mortalidade e ainda aumenta as chances de o paciente ser acompanhado sem cirurgia imediata, o que pode preservar a função intestinal e a qualidade de vida.
A pesquisa Comparação entre a quimiorradioterapia neoadjuvante convencional e a neoadjuvância total aos moldes do RAPIDO trial para o tratamento do adenocarcinoma de reto não metastático: experiência em hospital universitário do Sistema Único de Saúde é parte do doutorado de Viviane Oliveira Marcacine, orientada pela professora Fernanda Maris Peria, do Programa de Pós-Graduação em Oncologia Clínica, Células-Tronco e Terapia Celular, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, concluída em 2025.
Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.
O câncer de próstata é um dos tumores mais comuns entre os homens, e descobrir o quanto ele é agressivo logo no início faz toda a diferença para escolher o melhor tratamento. No episódio desta semana, o Curioso por Ciência traz os resultados de uma pesquisa que investiga justamente esse desafio, e aponta caminhos promissores para tornar esse diagnóstico muito mais preciso. Mas, e se existisse uma tecnologia capaz de analisar a imagem da próstata nos mínimos detalhes?
Quando um homem recebe o diagnóstico de câncer de próstata, uma das primeiras perguntas é: esse tumor é de baixo grau ou mais agressivo? Normalmente, essa resposta depende da biópsia, que analisa um pedacinho do tecido da próstata. Mas a biópsia nem sempre consegue mostrar tudo sobre o tumor. Pesquisadores estudaram uma ferramenta chamada radiômica, que usa inteligência artificial para analisar exames de ressonância magnética. Ela funciona como uma lupa digital, ou seja, lê padrões invisíveis a olho nu e identifica detalhes que podem indicar se um tumor é mais simples ou mais agressivo. Em outras palavras, a radiômica pega uma imagem comum e a transforma em milhares de informações que ajudam o médico a entender melhor aquele câncer.
Para testar essa tecnologia os cientistas analisaram exames de ressonância magnética de 146 homens com câncer de próstata confirmado. As imagens foram estudadas por um computador, que mediu características das lesões utilizando técnicas avançadas de inteligência artificial. Depois diferentes modelos de análise foram testados para descobrir qual deles melhor diferenciava tumores considerados mais leves, os de baixo ou intermediário grau, daqueles mais agressivos.
Os modelos de inteligência artificial alcançaram índices de acerto muito altos. Um deles chegou a ter uma acurácia média de 93%, o que é considerado excelente na área médica. Em termos simples: a radiômica conseguiu diferenciar, com grande precisão, tumores menos agressivos daqueles que exigem tratamento mais rápido.
Isso significa que, no futuro, essa tecnologia pode ajudar médicos a decidir, com mais segurança, quando um paciente pode adotar uma estratégia mais conservadora, como o acompanhamento ativo, e quando é necessário agir com mais urgência. É uma ferramenta que pode evitar tratamentos desnecessários, reduzir riscos e tornar o diagnóstico ainda mais preciso.
O estudo Radiômica na diferenciação entre lesões de baixo e alto grau na ressonância magnética de próstata é parte do mestrado de Rafael Vasconcelos Barros, orientado pelo professor Valdair Francisco Muglia, do Programa de Pós-Graduação em Radiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, concluído em 2024.
Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.
Na dermatologia, enxergar o que está de baixo da pele pode fazer toda a diferença. Neste episódio o Curioso por Ciência traz os resultados de uma pesquisa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) que utilizou a ultrassonografia de alta frequência para identificar com precisão tumores de pele sem a necessidade imediata de procedimentos invasivos, a biopsia, para avaliar essa ferramenta. A ultrassonografia de alta frequência também ajuda a mapear a extensão das lesões, o que é muito útil na avaliação antes da cirurgia do câncer de pele.
Os pesquisadores analisaram 43 pacientes atendidos no Hospital das Clínicas (HC) e no Centro de Saúde Escola da FMRP. Os pacientes foram divididos em três grupos: — o primeiro, com câncer de pele; — o segundo, com doenças que formam bolhas; — e o terceiro, com casos de hanseníase. Todas fizeram o ultrassom de alta frequência e, depois, os resultados foram comparados com os exames tradicionais.
Os resultados mostraram que o ultrassom de alta frequência traz imagens muito parecidas com o resultado das biópsias, mas sem precisar cortar a pele. Ou seja, é um exame que não dói, é rápido e pode ajudar o médico a descobrir o problema mais cedo. Além disso, com uma função, chamada Doppler, o aparelho consegue mostrar se a mancha está inflamada ou em atividade, observando o sangue que passa naquela região.
Com essas informações, os médicos podem acompanhar melhor o tratamento, saber se uma ferida está melhorando ou piorando, e até evitar procedimentos desnecessários. No futuro, esse tipo de ultrassom pode ajudar ainda mais pessoas a cuidar da pele com segurança, sem medo e com diagnósticos mais rápidos.
A pesquisa foi parte do trabalho de mestrado da Evelinne Cecilia María Otero Alcántara, com orientação do professor Marco Andrey Cipriani Frade, no Programa de Pós-Graduação em Clínica Médica da FMRP e concluída em 2024.
Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.
Neste episódio do Curioso por Ciência, o tema é tratamento de queimaduras profundas, lesões dolorosas e difíceis de tratar, que exigem longos períodos de internação e trocas frequentes de curativos, um processo que pode ser caro, demorado e desgastante para o paciente e para a equipe de saúde.
Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP fizeram ensaio clínico com 40 pacientes, para comparar o tratamento tradicional dessas lesões, que envolve o uso de curativos com substâncias antimicrobianas, como a prata, que ajudam a prevenir infecções, o mais comum é o creme de sulfadiazina de prata. E uma nova abordagem que usa curativos de espuma de poliuretano e silicone contendo prata iônica, uma forma que libera o metal de maneira controlada, protegendo a ferida por mais tempo e reduz o número de trocas de curativos. Metade foi tratada com o creme tradicional de sulfadiazina de prata e a outra metade com o curativo de prata iônica. Durante a internação, foram avaliados vários fatores, como: o controle da dor, desconforto, infecção, tempo de internação, necessidade de novos enxertos e também o custo total do tratamento.
Os resultados mostraram que o curativo com prata iônica proporcionou melhor controle da dor, tanto em repouso quanto durante as trocas de curativo. Os pacientes também relataram menos desconforto, e os profissionais de saúde consideraram o material mais fácil de aplicar. Houve ainda uma tendência a menos infecções e menor necessidade de novas cirurgias, além de uma redução significativa no tempo de internação, cerca de nove dias a menos, em média. Tudo isso refletiu diretamente no custo final do tratamento.
O grupo que usou o curativo com prata iônica teve redução de mais de 30% nos gastos totais, mostrando que a tecnologia é mais eficiente e econômica para o sistema de saúde. Esses achados mostram que o uso de curativos com prata iônica pode se tornar uma excelente alternativa para o tratamento de queimaduras profundas, ajudando pacientes a se recuperarem com menos dor, menos tempo de internação e melhor qualidade de vida.
O estudo Avaliação de custo-efetividade do curativo impregnado com prata iônica no paciente vítima de queimadura profunda: um ensaio clínico prospectivo, randomizado e controlado, foi desenvolvido durante o doutorado do Juliano Baron Almeida, com orientação do professor Jayme Adriano Farina Junior, no Programa de Pós-Graduação em Clínica Cirúrgica da FMRP e concluído em 2024.
No episódio desta semana, o Curioso por Ciência traz os resultados de pesquisa que investigou uma técnica chamada femuroplastia preventiva, que consiste em evitar as fraturas da parte superior do fêmur, próxima ao quadril, uma das lesões mais sérias em pessoas idosas. Na maioria das vezes, ela acontece com uma queda após um simples tropeço. Essas fraturas normalmente precisam de cirurgia e, ainda assim, muitos pacientes acabam enfrentando complicações.
A proposta dos pesquisadores foi de reforçar o fêmur saudável, aquele que ainda não quebrou, durante a cirurgia do lado fraturado, aplicando cimento ósseo em pontos estratégicos do osso para deixá-lo mais resistente. “É como reforçar uma parede com rachaduras antes que ela desabe.”
Para realizar estes testes, os cientistas criaram modelos de ossos artificiais para simular o comportamento do fêmur. Assim, eles compararam os modelos comerciais mais usados no mundo, com versões criadas em impressoras 3D usando ácido polilático, um material mais acessível e sustentável. Esses modelos foram testados com diferentes tipos de perfuração e reforço com cimento ósseo, avaliando a resistência por meio de ensaios mecânicos, imagens digitais e simulações computacionais.
Os resultados mostraram que os ossos impressos em 3D tiveram um desempenho muito semelhante aos modelos comerciais, o que abre espaço para reduzir custos em futuras pesquisas. E o mais importante: quando o fêmur foi reforçado com o cimento, ele se tornou mais resistente. Além disso, as análises mostraram que o reforço ajudava a diminuir os pontos de fragilidade do osso.
Essas descobertas apontam que, no futuro, a femuroplastia preventiva pode se tornar uma estratégia viável para reduzir o número de fraturas em idosos com osteoporose. E mais: o uso de impressão 3D para criar modelos ósseos personalizados pode facilitar o avanço de estudos no Brasil.
A pesquisa Simulações biomecânicas de reforço preventivo para o extremo proximal de fêmur com osteoporose é parte do doutorado de Leonardo Rigobello Battaglion, orientado pelo professor Antonio Carlos Shimano no Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde Aplicadas ao Aparelho Locomotor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, concluída em 2024.
Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.
Nos últimos anos, as terapias que usam genes e células para tratar doenças deixaram de ser ficção científica e se tornaram realidade. Mas com tantas inovações surgindo, há também uma dúvida: para onde a ciência deve olhar primeiro? As terapias gênicas e imunoterapias têm revolucionado o tratamento de doenças antes incuráveis, como certos tipos de câncer. O avanço é tão rápido que acompanhar todas as novas tecnologias já se tornou um desafio até para os especialistas.
Para entender melhor esse cenário, este episódio do Curioso por Ciência traz os resultados de um estudo que analisou como o conhecimento circula nesse campo. Usaram uma técnica chamada análise de redes sociais aplicada à inovação, que mapeia as conexões entre patentes, cada uma representando uma nova tecnologia. Assim, é possível identificar as rotas tecnológicas mais promissoras e os principais agentes por trás delas.
O estudo destacou que o desenvolvimento das terapias CAR-T depende da cooperação entre áreas como biotecnologia, engenharia genética e farmacologia. Mostrou ainda o papel de universidades como Harvard, MIT e Pensilvânia, em parceria com empresas como Novartis e Cellectis, responsáveis por grande parte das inovações já aprovadas.
Os pesquisadores também apontam que o Brasil tem potencial para participar mais ativamente desse cenário. Iniciativas como a Rede Nacional de Terapias Avançadas (Reneta) e o Núcleo de Terapia Celular (NuTeC) mostram que o País vem investindo em infraestrutura e cooperação científica, passos essenciais para desenvolver suas próprias terapias ou integrar o mercado global.
A pesquisa Prospecção de rotas tecnológicas em imunoterapia na área de terapia gênica foi realizada durante o doutorado de Kauan Ribeiro de Sena Gomes, com orientação da professora Geciâne Silveira Porto, no Programa de Pós-Graduação em Células-Tronco e Terapia Celular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, e concluída em 2024.
Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.
Alguns vírus têm a capacidade de chegar até o cérebro e causar doenças graves. Entre eles estão o SARS-CoV-2, causador da covid-19, e o vírus Oropouche, transmitido por mosquitos e encontrado em várias regiões do Brasil. Durante a pandemia, surgiram inúmeros relatos de pessoas que apresentaram confusão mental, perda de memória e até inflamações no cérebro após a infecção pelo coronavírus. De forma semelhante, o Oropouche também vem sendo associado a quadros de febre e inflamações que afetam o sistema nervoso.
No episódio desta semana do Curioso por Ciência, os resultados do estudo em que pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP investigaram se esses vírus realmente conseguem invadir as células cerebrais e causar danos diretos. Para isso, utilizaram modelos de laboratório com células do cérebro humano e também fatias reais de tecido cerebral, o que permitiu observar de forma detalhada a ação dos vírus.
Os resultados mostraram que o SARS-CoV-2 tem preferência por um tipo de célula chamado astrócito, responsável por nutrir e proteger os neurônios. Quando infectados, esses astrócitos começaram a liberar substâncias inflamatórias, entre elas as interleucinas 6 e 8, uma espécie de “alerta químico” de que algo não vai bem.
O vírus Oropouche também conseguiu infectar essas células e provocar uma resposta inflamatória intensa. Por meio de uma técnica chamada microscopia de expansão, que amplia as imagens e revela detalhes minúsculos, os pesquisadores visualizaram as partículas do vírus dentro das células cerebrais humanas. Além disso, observaram um aumento na presença da proteína Tau fosforilada, relacionada a doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.
Esses resultados indicam que tanto o coronavírus quanto o Oropouche têm potencial para atingir o sistema nervoso e causar inflamações graves. O estudo também destaca a importância do uso de modelos baseados em tecido cerebral humano, que ajudam a compreender de maneira mais realista como essas infecções acontecem.
A pesquisa Investigação do potencial neurotrópico dos vírus SARS-CoV-2 e Oropouche em modelos in vitro e ex vivo do sistema nervoso central humano, foi desenvolvida durante o doutorado de Glaucia Maria de Almeida, com orientação do professor Adriano Silva Sebollela, no Programa de Pós-Graduação em Bioquímica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, e concluída em 2025.
Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.
Os resultados que o Curioso por Ciência traz esta semana são de uma pesquisa que aposta em uma estratégia inovadora para enfrentar um problema de saúde grave e crescente: a candidíase invasiva. Diferentemente da forma mais comum da doença, que afeta pele ou mucosas, essa infecção pode atingir órgãos internos e colocar a vida do paciente em risco.
A resistência dos fungos aos medicamentos tradicionais tem aumentado, o que torna urgente o desenvolvimento de novas formas de tratamento. Foi com esse desafio que pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) decidiram testar uma tecnologia até então aplicada principalmente no combate ao câncer: os receptores de antígeno quiméricos, conhecidos como CARs.
Esses receptores funcionam como sensores artificiais inseridos em células de defesa do corpo, como as células T e NK. No estudo, foram desenvolvidas quatro versões diferentes desses receptores para identificar qual seria mais eficiente no reconhecimento do fungo Candida albicans, o principal causador da doença.
O destaque ficou para o receptor chamado SCFVK31 CAR, que se mostrou altamente eficaz. Ele ativou intensamente as células de defesa, levando à produção de substâncias capazes de atacar o fungo. Em testes com camundongos infectados, as células NK modificadas com esse receptor reduziram significativamente a infecção nos rins, demonstrando potencial também fora do ambiente de laboratório. Outro ponto importante foi a especificidade do receptor, que reconhece apenas a Candida, garantindo mais segurança para futuras aplicações clínicas.
A pesquisa Construção de receptores de antígeno quiméricos para redirecionar células T e NK no controle da candidíase invasiva foi desenvolvida durante o doutorado de Gabriela Yamazaki de Campos, com orientação do professor Thiago Aparecido da Silva, no Programa de Pós-Graduação em Biologia Celular e Molecular da FMRP e concluída em 2025.
Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.
Neste episódio do Curioso por Ciência o tema é a saúde mental dos profissionais da linha de frente durante a pandemia de covid-19, médicos, enfermeiros e fisioterapeutas que enfrentaram jornadas exaustivas, medo constante da contaminação e forte desgaste emocional. Muitos desenvolveram sintomas de ansiedade, depressão e burnout, levando pesquisadores da USP a investigar alternativas de cuidado.
O estudo realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP testou o uso diário de 300 miligramas de canabidiol em 120 profissionais da saúde. Os resultados foram expressivos: o grupo que recebeu a substância apresentou melhora significativa nos níveis de ansiedade, depressão e esgotamento. Mesmo após o fim do tratamento, os efeitos positivos persistiram por até quatro semanas, sugerindo que o canabidiol pode contribuir para o bem-estar emocional em contextos de alto estresse, como o vivido durante a pandemia.
O trabalho Efeitos do canabidiol na saúde mental de profissionais de saúde da linha de frente durante a pandemia de covid-19: um estudo clínico randomizado e avaliação longitudinal foi realizado durante a pesquisa de doutorado de José Diogo Ribeiro de Souza, sob orientação do professor José Alexandre de Souza Crippa, no Programa de Pós-Graduação em Saúde Mental e Ciências do Comportamento da FMRP, e foi defendido em 2024.
Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.
Você sabia que o que a gente come pode influenciar até quando a puberdade começa? O Curioso por Ciência desta semana traz os resultados da pesquisa de Isabelle Rodrigues dos Santos, no Programa de Pós-Graduação em Fisiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), que investigou como uma dieta rica em gordura pode adiantar os primeiros sinais da puberdade, fase em que o corpo começa a se transformar, surgem os primeiros sinais de maturidade sexual e o sistema reprodutivo começa a funcionar.
O início desse processo pode variar bastante e é influenciado por vários fatores, inclusive pelo peso corporal e pela alimentação. Por isso, nesta pesquisa, cientistas deram a camundongos uma dieta rica em gordura e observaram que tanto as fêmeas quanto os machos começaram a apresentar sinais de puberdade mais cedo. Eles também viram que os animais ganharam mais gordura no corpo e que órgãos reprodutivos, como ovários e vesículas seminais, ficaram maiores durante essa fase.
O estudo também analisou o papel de células chamadas astrócitos, que ajudam a regular os neurônios responsáveis por iniciar a puberdade. Foi observado que, nas fêmeas, a dieta rica em gordura aumentou a interação entre os astrócitos e os neurônios que controlam esse processo.
Para tentar entender melhor esse mecanismo, os pesquisadores estudaram animais que não tinham uma proteína chamada TLR4, ligada à inflamação. Mesmo assim, a puberdade ainda foi antecipada, mostrando que outros fatores também participam desse processo.
Essa pesquisa ajuda a entender como o excesso de gordura na alimentação pode impactar o desenvolvimento na infância e adolescência e abre caminho para novos estudos sobre como prevenir problemas associados à puberdade precoce.
O trabalho Participação dos astrócitos na antecipação da puberdade induzida pela dieta hiperlipídica foi orientado pela professora Lucila Leico Kagohara Elias e defendido em 2024.
Neste episódio o Curioso por Ciência traz os resultados de uma pesquisa na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto que está desenvolvendo uma nova forma de imunoterapia para tratar tumores sólidos. Nos últimos anos, um tipo de tratamento, chamado terapia celular, vem mudando a forma como enfrentamos alguns tipos de câncer, principalmente os de sangue. Nessa terapia, os médicos retiram células de defesa do paciente, as modificam em laboratório para que fiquem mais potentes, e depois as devolvem ao corpo para atacar o tumor.
Quando se trata de tumores sólidos, como melanoma ou sarcomas, essa técnica ainda enfrenta grandes desafios. Para tentar superar esses obstáculos, pesquisadores desenvolveram um tipo especial de célula T, chamada célula T-TCR, programada para reconhecer uma proteína chamada NY-ESO-1, presente em vários tipos de tumores, mas quase ausente em células saudáveis.
O estudo mostrou que essas células foram capazes de identificar e destruir de forma bem direcionada células tumorais em laboratório e até controlar o crescimento de tumores em um modelo experimental. Os pesquisadores também testaram diferentes combinações de substâncias para deixar essas células ainda mais fortes. Esse é um passo importante no desenvolvimento de imunoterapias contra tumores sólidos. No futuro, esse tipo de tratamento pode se tornar uma alternativa personalizada e eficaz para pacientes que hoje têm poucas opções.
O estudo Desenvolvimento de uma nova imunoterapia para tumores sólidos utilizando linfócitos T modificados geneticamente para expressar um TCR projetado anti-NY-ESO-1 foi realizado durante o doutorado de Rafaela Rossetti, com orientação do professor Lucas Eduardo Botelho de Souza, no Programa de Pós-Graduação em Oncologia Clínica, Células-Tronco e Terapia Celular da FMRP, defendido em 2024.
Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.
No episódio do Curioso por Ciência desta semana o tema é rinossinusite crônica, inflamação persistente no nariz e nos seios da face que pode custar caro para o sistema de saúde e causar grande impacto na qualidade de vida das pessoas.
A rinossinusite crônica com pólipos nasais é uma doença inflamatória que, além de causar entupimento, perda de olfato e dor facial, pode ser difícil de tratar. Muitas vezes os tratamentos convencionais não são suficientes e as pessoas precisam recorrer a medicamentos caros ou até a cirurgias.
Para tentar melhorar esse cenário, pesquisadores usaram um modelo experimental em camundongos para testar substâncias que atuam em pontos importantes do processo inflamatório. Eles investigaram um medicamento chamado Pinacidil, que ativa canais de potássio, e três inibidores de uma proteína chamada Rock, que participa do controle da inflamação e da integridade do tecido.
Os resultados mostraram que o Pinacidil, infelizmente, não ajudou a reduzir a inflamação, e até piorou algumas alterações no tecido. Mas os inibidores de Rock, especialmente o Ripasudil, mostraram um efeito interessante, ajudando a diminuir o processo inflamatório e melhorando a estrutura dos tecidos afetados pela doença.
Embora esse estudo ainda tenha sido feito em camundongos, os achados são promissores. Eles indicam que, no futuro, medicamentos que agem nesse mesmo alvo podem se tornar alternativas mais acessíveis e eficazes para tratar a rinossinusite crônica com pólipos nasais, reduzindo a necessidade de cirurgias e o uso de remédios de alto custo.
Estes resultados foram obtidos durante a pesquisa de doutorado Efeito de agonistas de canal de potássio e de inibidores de Rock sobre modelo experimental de rinossinusite crônica com pólipos nasais, de Francisco Leite dos Santos, orientado pela professora Fabiana Cardoso Pereira Valera no Programa de Pós-Graduação em Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, defendida em 2024.
Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.
Este episódio o Curioso por Ciência traz os resultados de um estudo que investigou a relação entre o peso e a dieta paterna com as medidas corporais e a quantidade de gordura dos recém-nascidos. A maioria dos estudos sobre esse tema vinha de experimentos em animais, mas essa pesquisa foi feita em humanos, com gestantes com sobrepeso em atendimento pré-natal nas unidades de saúde do município de Ribeirão Preto. Além das mães, os pais também participaram respondendo questionários sobre hábitos alimentares e tiveram medidas como peso e circunferência da cintura avaliadas. Já os bebês tiveram suas medidas corporais e de gordura estimadas logo após o nascimento.
Os resultados mostraram que, quando o pai tinha índice de massa corporal mais alto, ou seja, estava acima do peso, os bebês tendiam a nascer com a circunferência da cabeça um pouco menor. A qualidade da gordura consumida pelos pais também teve impacto, com dietas menos saudáveis relacionadas a maior acúmulo de gordura em áreas específicas do corpo do bebê, como na barriga e nas dobras cutâneas. Outro ponto importante foi que o consumo de alimentos ultraprocessados pelos pais, como refrigerantes, biscoitos recheados e fast-food, também apareceu associado ao aumento da gordura corporal dos recém-nascidos.
Os achados encontrados nos bebês podem também ter sua origem e influência maternas, segundo os pesquisadores. Diversos estudos já demonstraram que a alimentação, o estado nutricional e o estilo de vida da mãe afetam diretamente os desfechos neonatais. No entanto, a novidade deste estudo está em isolar e evidenciar a contribuição do pai, algo pouco explorado na literatura, especialmente com dados humanos. Portanto, esses resultados reforçam que a saúde da criança começa muito antes do nascimento e que os pais também têm um papel fundamental nesse processo. Cuidar da alimentação e do peso não beneficia apenas a própria saúde, mas também pode trazer impactos positivos para a próxima geração.
A pesquisa, Relação entre o excesso de peso e a dieta paterna com a antropometria e a adiposidade neonatal em um ensaio clínico de aconselhamento nutricional em gestantes com sobrepeso é parte do doutorado de Mariana Rinaldi Carvalho, orientada pela professora Daniela Saes Sartorelli no Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, defendida em 2024.
Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.
Pesquisa na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP estudou o impacto do nitrato presente na beterraba no controle da pressão arterial e na saúde do coração. Os resultados são tema do Curioso por Ciência desta semana.
Os pesquisadores fizeram três estudos diferentes, dois deles de revisão de outras pesquisas e o terceiro a revisão de um ensaio clínico inédito. O primeiro estudo de revisão analisou várias pesquisas já publicadas sobre pessoas com pressão alta. O estudo mostrou que quem bebia suco de beterraba rico em nitrato teve uma queda na pressão arterial sistólica, ou seja, aquela medida mais alta da pressão, de quase cinco pontos. Por outro lado, a medida mais baixa da pressão, chamada diastólica, não mudou muito.
A segunda revisão foi de um ensaio clínico com mulheres na pós-menopausa que fizeram exercícios leves depois de tomar o suco de beterraba, os resultados foram ainda mais interessantes. Depois do exercício, a pressão arterial diminuiu rapidamente, os vasos sanguíneos se dilataram melhor e o coração voltou ao ritmo normal mais rápido, o que pode ajudar a proteger o coração durante e depois do esforço físico.
Por fim, o terceiro estudo foi novamente uma revisão de pesquisas anteriores, só que os participantes foram analisados durante e depois do exercício, e os cientistas concluíram que, quem tomou o nitrato teve aumentos menores na pressão arterial comparado a quem não tomou. Ou seja, o nitrato ajuda o coração a não “sofrer” tanto durante atividades físicas.
Em resumo, tomar alimentos ricos em nitrato, como suco de beterraba, pode ser uma forma natural de ajudar o coração a trabalhar melhor, proteger a pressão arterial e melhorar a saúde do coração, especialmente para quem tem pressão alta ou faz exercícios.
Este episódio traz os resultados da pesquisa de doutorado Efeitos da ingestão do nitrato inorgânico sobre o comportamento cardiovascular em repouso e mediado pelo exercício físico, de Cicero Jonas Rodrigues Benjamim, orientada pelo professor Carlos Roberto Bueno Júnior no Programa de Pós-Graduação em Clínica Médica da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP e defendida em 2024.
Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.
O episódio Curioso por Ciência desta semana traz os resultados de um estudo que investigou como fatores como traumas na infância, consumo de maconha e genética influenciam o risco de desenvolver psicoses. A pesquisa analisou pacientes em primeiro episódio psicótico, seus irmãos e pessoas da comunidade domiciliados na região de Ribeirão Preto.
Um dos achados importantes do estudo foi que pessoas que sofreram maus-tratos na infância apresentaram níveis maiores de inflamação no organismo. Resultados semelhantes já foram observados em modelos animais, em que ratos submetidos a estresse quando jovens tiveram posteriormente repercussões negativas no seu corpo e cérebro. Outro ponto foi que o uso de maconha, principalmente quando diário ou iniciado na adolescência, aumentou o risco de psicoses em pessoas com marcadores de inflamação já elevados. Isso mostra que o efeito de fatores ambientais depende do estado biológico da pessoa.
O estudo também mostrou que a inflamação no corpo se relaciona com diferentes tipos de sintomas psicóticos. Além disso, o risco genético para esquizofrenia modulou essas relações, indicando que a vulnerabilidade genética e o ambiente atuam juntos. Em pacientes com esquizofrenia nos estágios iniciais, níveis mais altos de uma proteína inflamatória chamada interleucina-6 se associaram à gravidade dos sintomas depressivos. Já em pacientes crônicos, essa proteína se relacionou mais com sintomas negativos, como redução na expressão e na experiência de emoções e isolamento social.
Em resumo, o estudo mostra que a inflamação, combinada a fatores de risco ambientais e genéticos, pode aumentar a vulnerabilidade a psicoses. Entender esses mecanismos é essencial para prevenir a doença e desenvolver tratamentos personalizados e mais eficazes.
Este episódio foi baseado na pesquisa de doutorado Inflamação de baixo grau e o continuum das psicoses: contribuição de fatores biológicos e ambientais, de Fabiana Maria das Graças Corsi Zuelli, orientada pela professora Cristina Marta Del Ben no Programa de Pós-Graduação em Neurologia e Neurociências da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e defendida em 2024.
Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.




