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Ambiente é o Meio - USP
Ambiente é o Meio - USP
Author: Jornal da USP
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© 2018 Jornal da USP
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O programa discute temas ambientais e sociais, analisa questões de sustentabilidade por meio de entrevistas com especialistas e pesquisadores da área no âmbito do município, do Estado, do País e do planeta.
Apresentação:
Produção: José Marcelino de Rezende Pinto e Marcelo Pereira de Souza (FFCLRP) e Daniela Sudan (USP Recicla), colaboradores - FFCLRP: Everton Macedo de Held, Vanessa Oliveira Souza, Franciele Santos Amorim, Reinaldo Romero (colaborador), Luis Antônio Fontana (operador de áudio), Centro de Informática de Ribeirão Preto (produção técnica)
E-mail: ouvinte@usp.br
Horário: Horário: quartas, às 13h, com reprise aos domingos, às 17h30
Duração: 30 minutos
Apresentação:
Produção: José Marcelino de Rezende Pinto e Marcelo Pereira de Souza (FFCLRP) e Daniela Sudan (USP Recicla), colaboradores - FFCLRP: Everton Macedo de Held, Vanessa Oliveira Souza, Franciele Santos Amorim, Reinaldo Romero (colaborador), Luis Antônio Fontana (operador de áudio), Centro de Informática de Ribeirão Preto (produção técnica)
E-mail: ouvinte@usp.br
Horário: Horário: quartas, às 13h, com reprise aos domingos, às 17h30
Duração: 30 minutos
205 Episodes
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O programa Ambiente é o Meio desta semana entrevistou Bruno Bassi, do Observatório do Agronegócio no Brasil De Olho nos Ruralistas, para discutir a COP 30, o lobby empresarial e os créditos de carbono ligados a plantios de eucalipto no Cerrado.
Bassi conta que o Observatório articula pesquisa acadêmica e jornalismo investigativo para analisar a atuação de empresas e setores econômicos; e que um relatório recente, lançado antes da COP 30, mapeou o lobby de grandes empresas, incluindo o Banco BTG Pactual, no contexto da chamada “economia verde”.
A investigação, segundo ele, incide sobre os projetos ambientais do BTG, especialmente acordos com Meta, Microsoft, IKEA e Apple para a compra de créditos de remoção de carbono associados a áreas no Cerrado do Mato Grosso do Sul. Embora o banco anuncie grandes áreas de restauração, parte significativa dos projetos permite o uso de monoculturas de eucalipto ou pinus, o que gera controvérsia científica. Pesquisadores alertam para riscos ambientais, como alto consumo de água, uso de agrotóxicos e impactos sobre a biodiversidade.
Durante a entrevista, Bassi questionou a lógica da compensação de carbono, que permite às empresas continuarem a emitir gases de efeito estufa enquanto compram créditos, sem enfrentar a redução real de emissões ou a perda de biodiversidade. Ainda segundo Bassi, esse modelo favorece interesses do agronegócio e do setor financeiro, marginalizando comunidades tradicionais e abrindo espaço para fraudes e conflitos territoriais.
Ele defendeu maior regulação estatal, transparência nos contratos e debate público envolvendo cientistas e comunidades afetadas, além de anunciar novos conteúdos do Observatório sobre a atuação de lobbies no Brasil.
O primeiro podcast 2026 do Ambiente é o Meio conversou com Isabella Luglio, gerente de Pesquisa do Fashion Revolution Brasil, para discutir os impactos socioambientais da indústria da moda. A conversa abordou a falta de comprometimento do setor com a sustentabilidade e destacou a importância da transparência como instrumento de mudança.
Formada em design de moda, Isabella conta que direcionou sua carreira para a pesquisa e o ativismo ao perceber as contradições do modelo tradicional da indústria. Ela integra o Fashion Revolution Brasil, organização que faz parte de um movimento global criado em 2013 após o desabamento de um prédio de confecções em Bangladesh, tragédia que revelou graves violações trabalhistas na cadeia produtiva da moda.
A entrevistada ressaltou que a moda está entre as indústrias mais poluentes do mundo devido ao uso intensivo de água, produtos químicos, fibras sintéticas derivadas do petróleo e à lógica acelerada de produção, atualmente marcada pelo ultra fast fashion. Esse modelo amplia a exploração de recursos naturais finitos e a geração de impactos ambientais.
Nesse contexto, Isabella comenta o Índice de Transparência da Moda Brasil, pesquisa que avalia grandes marcas a partir de informações públicas sobre clima e sustentabilidade. Segundo a pesquisadora, esses dados mostram baixos níveis de transparência, com média de 24% entre as empresas analisadas, indicando que a maioria ainda divulga poucas informações sobre seus impactos ambientais e sociais.
A entrevista também destacou desafios específicos do Brasil, como o desmatamento associado à produção de couro e algodão, além da precarização do trabalho na indústria da moda. Por fim, Isabella enfatizou o papel das políticas públicas e dos consumidores na pressão por mudanças e defendeu a valorização de práticas sustentáveis já existentes em comunidades tradicionais e periféricas como caminhos para a construção de uma moda mais justa e responsável.
Ouça o episódio completo no player acima.
Ambiente é o Meio
Produção e Apresentação: Professores Marcelo Marini Pereira de Souza e José Marcelino de Resende Pinto, ambos professores da FFCLRP
Coprodução e Edição: Rádio USP Ribeirão
E-mail: ouvinte@usp.br
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS .
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O Ambiente é o Meio desta semana recebe a arqueóloga Ana Caroline Souza Arapium, pesquisadora do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, para falar sobre seus estudos em um sambaqui (montes de conchas, ossos e restos de animais feitos em épocas pré-históricas) do Baixo Amazonas.
Além de suas pesquisas em zooarqueologia (estuda restos de animais), Ana Caroline fala de origens indígenas e sua trajetória profissional, lembrando que começou cedo, aos 10 anos de idade, em um programa de rádio chamado “A Hora do Chibé” em que contava histórias ancestrais do Baixo Amazonas.
A arqueóloga destaca a importância de pesquisadores indígenas, como ela, na reconstrução e valorização das memórias de seus antepassados, trazendo uma perspectiva interna e afetiva para a ciência. Ana Caroline acredita que seu trabalho abre portas para outros jovens indígenas na ciência.
Atualmente, seu estudo é centrado na zooarqueologia, pesquisando um local específico da Ponta do Jauari, no estado do Pará. Trata-se de um sítio arqueológico que fica submerso seis meses por ano, no qual ela trabalha materiais faunísticos, como os peixes, para entender a relação dos povos originários com a pesca, sua alimentação e métodos de pesca. Ana Caroline conta que compara seus achados com crônicas de viajantes e naturalistas e outros conhecimentos de cientistas indígenas sobre o tema.
A pesquisadora afirma que o sambaqui Ponta do Jauari data do Holoceno Tardio (era geológica mais atual), com datações que se aproximam do período de contato com os europeus. Mas, diz que o sítio está ameaçado pelo avanço da agropecuária. Assim sua luta hoje compreende usar a arqueologia e as leis de preservação do patrimônio para proteger territórios ancestrais amazônicos.
Ouça o episódio completo no player acima.
Ambiente é o Meio
Produção e Apresentação: Professores Marcelo Marini Pereira de Souza e José Marcelino de Resende Pinto, ambos professores da FFCLRP
Coprodução e Edição: Rádio USP Ribeirão
E-mail: ouvinte@usp.br
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O Ambiente é o Meio desta semana recebe a engenheira ambiental Ana Maria Rodrigues Costa de Castro para conversar sobre o papel dos catadores de recicláveis na economia e no meio ambiente. Ana Maria, que é especialista em Engenharia Hidráulica e Saneamento e atua junto ao Núcleo de Estudo e Pesquisa em Resíduos Sólidos (Neper) da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, afirma que, embora o Brasil seja campeão mundial na reciclagem de latinhas de alumínio, apresenta baixa reciclagem total de resíduos sólidos, estimada em cerca de 4% apenas.
Nesse contexto, enfatiza a pesquisadora, temos que os catadores de recicláveis são os principais responsáveis pela reciclagem no País, mesmo atuando de maneira informal e com poucos dados governamentais sobre sua atuação, situação que se repete em muitos outros países, que até negam a existência desses profissionais.
Em seu doutorado, Ana Maria investigou a possibilidade de integração desses profissionais à economia brasileira. A revisão sistemática da literatura que realizou mostra que o Brasil é o país mais avançado em termos de pesquisas e práticas de integração de catadores. Já os resultados de seu estudo propõem uma nova definição de integração e de reconhecimento profissional, através de pagamentos pelos serviços realizados à sociedade com garantia de infraestrutura adequada para o exercício das atividades.
No Brasil, continua Ana Maria, a catação é uma profissão reconhecida por lei e os catadores já participam da construção de políticas públicas como a Política Nacional de Economia Circular; no entanto, muitas práticas de integração estão em ênfase inicial e a implementação das leis ainda representam um desafio.
As demandas dos catadores, informa a pesquisadora, também variam entre os organizados em cooperativas e associações e os autônomos. Enquanto os grupos organizados buscam contratos com Prefeituras por pagamentos justos e de renovação anual, os autônomos desejam ser incluídos em programas sem serem forçados a entrar em cooperativas.
Como exemplos de iniciativas bem-sucedidas, Ana Maria cita o Bolsa Reciclagem de Minas Gerais (remunera catadores pelo serviço) e a Universidade de e para Catadores e Catadoras (Unicata).
Ouça o episódio completo no player acima.
Ambiente é o Meio
Produção e Apresentação: Professores Marcelo Marini Pereira de Souza e José Marcelino de Resende Pinto, ambos professores da FFCLRP
Coprodução e Edição: Rádio USP Ribeirão
E-mail: ouvinte@usp.br
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Nesta semana, o Ambiente é o Meio recebe o professor Leo Heller, da Universidade Federal de Minas Gerais, ex-Relator Especial para os Direitos Humanos à Água e ao Saneamento (DHAS) das Nações Unidas e pesquisador do Instituto René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para falar sobre os direitos humanos à água e ao saneamento.
Heller explica que a água e o saneamento básico passaram a ser considerados direitos humanos pela Organização das Nações Unidas (ONU) apenas em 2010, mesmo que especialistas na área já os considerassem há muito tempo. O pesquisador afirma também que o saneamento é um importante marcador de desigualdade, pois quem não tem acesso, no Brasil, são: populações rurais; povos tradicionais, indígenas e quilombolas; pessoas que vivem em assentamentos nos grandes centros urbanos e pessoas de cidades pequenas.
Outro ponto mencionado pelo pesquisador é que ninguém pode ter o acesso ao sistema de água ou esgoto limitado pela incapacidade de pagamento; além de ser proibido o corte da água das casas daqueles que não tenham meios para pagar pela conta.
Sobre a questão da privatização do sistema de água e saneamento, Heller diz que os governos e empresas não abrem espaço para escutar a população afetada por essa ação. Para o pesquisador, a privatização representa um risco aos direitos humanos que ocorre por vários fatores e cita dois: o aumento das tarifas para a população e o aumento da exclusão, já que as empresas relutam quanto aos investimentos em áreas de baixa atratividade econômica.
Ouça o episódio completo no player acima.
Ambiente é o Meio
Produção e Apresentação: Professores Marcelo Marini Pereira de Souza e José Marcelino de Resende Pinto, ambos professores da FFCLRP
Coprodução e Edição: Rádio USP Ribeirão
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Nesta semana, o Ambiente é o Meio recebe Gabriela Prestes Carneiro, historiadora e pesquisadora do Museu Nacional de História Natural de Paris, para falar sobre a presença de sambaquis na Amazônia.
Gabriela explica que sambaquis são monumentos feitos de conchas construídos por populações humanas há cerca de 3 mil anos e, no Brasil, encontrados principalmente no litoral, no norte da Amazônia e no interior do País. A pesquisadora diz ainda que sambaqui significa conchas amontoadas, em tupi. Esses monumentos, segundo Gabriela, desempenharam diferentes funções ao longo do tempo, servindo, por exemplo, de cemitérios e moradias.
A pesquisadora destaca que os sambaquis permitem o estudo da biodiversidade e mudanças do ambiente ao longo do tempo: “Por serem feitos de conchas, formam um contexto ideal de conservação”. Dentro dessas construções, continua, é possível identificar fibras, sementes, espinhos e escamas de peixes, e até mesmo remanescentes humanos conservados.
Apesar de não serem mais construídos no Brasil, Gabriela afirma que em países como Guiné-Bissau e Senegal, os sambaquis ainda fazem parte da cultura. A pesquisadora conta que, no Senegal, algumas populações enterram seus mortos nesses monumentos formados por conchas.
Ouça o episódio completo no player acima.
Ambiente é o Meio
Produção e Apresentação: Professores Marcelo Marini Pereira de Souza e José Marcelino de Resende Pinto, ambos professores da FFCLRP
Coprodução e Edição: Rádio USP Ribeirão
E-mail: ouvinte@usp.br
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Nesta semana, o Ambiente é o Meio recebe o professor Jeferson Cristiano Tavares, do Instituto de Arquitetura e Urbanismo de São Carlos (IAUSC) da USP, para falar sobre arquitetura hostil.
De acordo com o professor, a arquitetura hostil designa ações ou iniciativas, públicas ou privadas, voltadas à transformação de espaços urbanos ocupados por pessoas em situação de vulnerabilidade, com o objetivo de inibir sua permanência nesses locais. Um exemplo disso, segundo Tavares, é cimentar pedras embaixo de viadutos, colocar grades em canteiros, e até mesmo bancos de praça que delimitam o local para as pessoas sentarem.
Tavares explica que as maiores vítimas da arquitetura hostil são pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica, e afirma que isso não é uma escolha, mas é o que restou para essas pessoas, pois terra e moradia são caras.
O professor ainda menciona a Lei nº 14.489/2022, conhecida como Lei Padre Júlio Lancellotti. Com aplicabilidade direta, a lei proíbe a arquitetura hostil e dá argumentos para evitar que ela continue acontecendo e se torne uma política pública.
Ouça o episódio completo no player acima.
Ambiente é o Meio
Produção e Apresentação: Professores Marcelo Marini Pereira de Souza e José Marcelino de Resende Pinto, ambos professores da FFCLRP
Coprodução e Edição: Rádio USP Ribeirão
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Nesta semana, o Ambiente é o Meio recebe as biólogas Débora Cristina Rother, coordenadora do Laboratório de Conservação e Restauração Ecológica (Lacre) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e Carine Emer, pesquisadora do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) e do Instituto Juruá, no Amazonas.
As biólogas afirmam que hoje resta entre 12% e 18% da vegetação original da Mata Atlântica, uma situação crítica, pois mostra a perda contínua de florestas maduras, mesmo com o ganho de vegetação jovem. Débora e Carine destacam que, apesar de plantar árvores ser algo positivo, não é suficiente para restaurar a Mata Atlântica.
Essas informações fazem parte de um estudo realizado pelas pesquisadoras, que utilizaram um banco de dados a partir de amostras da região de Batatais (SP), em que o cultivo de cana-de-açúcar é predominante. O estudo teve como objetivo entender como áreas restauradas integram-se na paisagem e como as espécies se distribuem, análise feita a partir da teoria de redes ecológicas, segundo Carine.
Os resultados obtidos pelas pesquisadoras revelam que as áreas em restauração ainda não estão totalmente integradas à rede ecológica da paisagem. Também apontam diferenças entre as espécies que estão se regenerando naturalmente e aquelas que foram plantadas, o que indica que as mudas surgidas espontaneamente vêm de outras áreas. Isso sugere que as sementes estão sendo dispersas por animais, como aves e morcegos, um sinal considerado positivo por Débora. Ainda assim, a diversidade observada permanece inferior à da vegetação original.
Ouça o episódio completo no player acima.
Ambiente é o Meio
Produção e Apresentação: Professores Marcelo Marini Pereira de Souza e José Marcelino de Resende Pinto, ambos professores da FFCLRP
Coprodução e Edição: Rádio USP Ribeirão
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Nesta semana, o Ambiente é o Meio recebe o professor Carlos Taborda, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, para falar sobre a importância dos fungos para o ambiente.
Taborda explica que, embora muitas vezes sejam despercebidos, os fungos estão presentes no cotidiano de todos, especialmente em setores como o alimentício e o farmacêutico. Ele lembra que esses organismos são fundamentais na fermentação de pães e na produção de medicamentos, como os antibacterianos, a exemplo da penicilina, e os antifúngicos. Apesar disso, o professor ressalta que ainda há pouca divulgação sobre a relevância dos fungos para o meio ambiente e para a sociedade.
Sobre a importância desses microrganismos, o professor afirma que eles se acoplam a raízes de plantas e vegetais, permitindo assim a troca de nutrientes. No entanto, Taborda diz também que os fungos podem causar pragas capazes de destruir plantações, citando o exemplo da vassoura de bruxa, que pode destruir plantações de cacau.
Outro ponto abordado pelo professor é que os fungos estão sendo destruídos por conta das queimadas e das mudanças climáticas, pelo uso de agrotóxicos e pela destruição das florestas para a construção de estradas. Segundo Taborda, ainda não se sabe as consequências da destruição desses organismos a longo prazo.
O professor finaliza o episódio afirmando que o Brasil é um grande produtor de grãos, e os fungos que crescem nos silos de armazenamento desses grãos produzem micotoxinas, que podem causar câncer no sistema digestório quando consumidos em grandes quantidades. Além disso, essas toxinas podem afetar animais que se alimentam dos grãos, como peixes e cavalos, e isso pode gerar um grande impacto econômico ao País, com impacto nas exportações, por exemplo, uma vez que existe uma legislação que fiscaliza a quantidade de toxina fúngica aceitável nos grãos usados para alimentação.
Ouça o episódio completo no player acima.
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Produção e Apresentação: Professores Marcelo Marini Pereira de Souza e José Marcelino de Resende Pinto, ambos professores da FFCLRP
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Nesta semana o Ambiente é o Meio recebe Luiz Augusto Toledo Machado, pesquisador visitante do Instituto de Física da USP, colaborador do Departamento de Química do Instituto Max Planck na Alemanha e pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e Marco Aurélio Franco, professor do Departamento de Ciências Atmosféricas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP. Os pesquisadores conversam sobre a relação entre o desmatamento e as mudanças climáticas na redução das chuvas e no aumento da temperatura na Amazônia.
Machado e Franco falam sobre um estudo que realizaram em parceria com pesquisadores da Alemanha e da China que analisou uma área de 2,6 milhões de km² amazônica durante 35 anos. Segundo eles, nesse período as chuvas apresentaram uma redução de 21 milímetros durante a estação seca e a temperatura máxima aumentou 2ºC. Tanto a redução das chuvas quanto o aumento da temperatura, alertam, estão ligados ao desmatamento da Amazônia. Informam também que, em regiões com mais perda de floresta, as temperaturas são mais altas e, as chuvas, mais escassas.
Além disso, afirmam que os efeitos mais intensos são vistos principalmente entre os primeiros 10% e 40% do desmatamento — após isso, dizem eles, os efeitos se estabilizam, apesar de ainda continuarem existindo. Os pesquisadores, então, reforçam a necessidade de preservar a floresta, especialmente quando ela ainda não foi desmatada.
Machado e Franco concluem dizendo que, com o estudo, os políticos têm números concretos para discutir a importância relativa de cada um dos pontos mais importantes levantados a respeito de quem contribui mais para o aquecimento global: o desmatamento ou as emissões de gases.
Ouça o episódio completo no player acima.
Ambiente é o Meio
Produção e Apresentação: Professores Marcelo Marini Pereira de Souza e José Marcelino de Resende Pinto, ambos professores da FFCLRP
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Nesta semana o Ambiente é o Meio recebe Bárbara Zimbres, bióloga e pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), para falar sobre como o desmatamento e a agropecuária contribuem para o aumento da pegada de carbono no Brasil.
A bióloga explica que o Brasil é o sexto país que mais emite gases de efeito estufa no mundo. Mas, diferentemente dos cinco primeiros países do ranking, que emitem gases por conta da produção energética, o Brasil emite gases de efeito estufa por conta do setor agrícola, no qual o País é o principal emissor. Bárbara diz ainda que a produção energética brasileira é relativamente limpa, não produzindo tantos gases estufa.
A pesquisadora destaca que o Brasil está em uma boa posição para mitigar as emissões de gases estufa, pois com a retomada da fiscalização e controle das áreas mais afetadas, como a Amazônia, o desmatamento diminuiu. Além disso, ela garante que a implementação de uma legislação ambiental pode auxiliar nessa redução.
Outro ponto que menciona é a questão dos incêndios, que são de difícil fiscalização, podendo ser criminosos ou não, já que o uso do fogo é uma prática comum de limpeza e renovação da pastagem utilizada por populações tradicionais. Dessa forma, os incêndios não são considerados criminosos.
Ouça o episódio completo no player acima.
Ambiente é o Meio
Produção e Apresentação: Professores Marcelo Marini Pereira de Souza e José Marcelino de Resende Pinto, ambos professores da FFCLRP
Coprodução e Edição: Rádio USP Ribeirão
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Nesta semana o Ambiente é o Meio recebe a bióloga Luisa Fernanda Liévano Latorre, pesquisadora do Instituto Internacional para a Sustentabilidade (IIS), para falar sobre o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg).
A pesquisadora explica que o Planaveg está alinhado aos compromissos internacionais do Brasil de restaurar ecossistemas degradados, como uma solução para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e restaurar a biodiversidade desses ecossistemas. Ela diz também que o plano propõe a recuperação de 12 milhões de hectares de florestas e outros ecossistemas brasileiros até o ano de 2030. A bióloga também afirma que a restauração de 30% de cada bioma brasileiro já seria suficiente para combater os efeitos das mudanças climáticas.
Luisa informa que um estudo realizado pelo IIS, que conta com mais de 80 pesquisadores, analisou quais áreas eram mais críticas e deveriam ser prioritárias para a restauração da vegetação. Além disso, a pesquisadora garante que, além de mitigar os impactos das mudanças climáticas, a restauração dos ecossistemas também pode gerar novos hábitats para plantas e animais.
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Ambiente é o Meio
Produção e Apresentação: Professores Marcelo Marini Pereira de Souza e José Marcelino de Resende Pinto, ambos professores da FFCLRP
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Nesta semana, o Ambiente é o Meio recebe o professor Theófilo Codeço Machado Rodrigues, do Programa de Pós-Graduação do Instituto Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj) da Universidade Cândido Mendes, para falar sobre seu novo livro Capitalismo e Sustentabilidade: Empresa Regenerativa e a Sustentabilidade Corporativa no Século XXI, publicado pela Editora Vozes.
Rodrigues explica que o objetivo do livro é mostrar ao leitor a incompatibilidade entre o capitalismo e o meio ambiente, afirmando que é o capital que tem destruído a natureza. O professor também cita Marx, que afirmou em seu livro O Capital que o capitalismo criou uma separação entre o homem e a natureza que nunca tinha existido.
Ele também afirma que os desastres ambientais que vivemos hoje, como as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, significam que o mundo está em um colapso climático. Para isso, não basta mitigar, é necessário regenerar, garante Rodrigues.
Sobre as empresas regenerativas, o professor conta que, na década de 1960, surgiu a ideia neoliberalista de que a única responsabilidade social das empresas é gerar lucro para os acionistas. No entanto, Rodrigues afirma que essa ideia é equivocada e que as empresas devem ter responsabilidade social com o meio ambiente e seus funcionários.
O autor afirma que as empresas regenerativas devem se apoiar em quatro eixos principais: governança inclusiva, com salários justos, igualdade de gênero, diversidade racial e combate ao etarismo; valor compartilhado, em que a riqueza gerada beneficie toda a sociedade; impacto ambiental positivo, indo além da mitigação para atuar de forma verdadeiramente regenerativa; e cidadania corporativa, com participação ativa em movimentos sociais voltados à regeneração.
Segundo Rodrigues, algumas empresas já praticam esses princípios de maneira isolada. No entanto, apenas quando os quatro eixos forem aplicados de forma integrada será possível superar o capitalismo e inaugurar um novo modo de produção.
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Nesta semana o Ambiente é o Meio recebe a arquiteta Lahayda Mamani Poma para falar sobre a mostra de fotografias Paiter Suruí, Gente de Verdade, sobre a história do povo indígena Paiter Suruí, em exposição no Instituto Moreira Salles, do qual é cocuradora.
Lahayda explica que o povo Paiter Suruí, que significa gente de verdade, é uma etnia indígena das regiões que vão do Mato Grosso até Rondônia, e que o contato desse povo com pessoas não indígenas aconteceu há apenas 50 anos, quando a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) chegou ao território nos anos 1970.
Sobre a exposição, a curadora conta que são fotografias que datam da década de 1970, quando essa população teve o primeiro contato com uma câmera fotográfica, até o ano de 2007, quando as fotos analógicas passaram a ser substituídas pelas digitais. Lahayda informa que as imagens expostas foram reunidas pelo Coletivo Lakapoy de comunicadores indígenas e não indígenas a partir do interesse de Ubiratan Suruí pelas fotografias que sua mãe guardava em casa.
São mais de 800 imagens que, por serem fotografias feitas pelos próprios Paiter Suruí, contam com um olhar humano, uma vez que a câmera fotográfica é bem-vinda dentro da aldeia. A arquiteta explica também que a mostra vai ficar exposta até o dia 2 de novembro no Instituto Moreira Salles, em São Paulo. Mas quem não puder comparecer pessoalmente à exposição pode realizar uma visita virtual no site do instituto.
Ouça o episódio completo no player acima.
Ambiente é o Meio
Produção e Apresentação: Professores Marcelo Marini Pereira de Souza e José Marcelino de Resende Pinto, ambos professores da FFCLRP
Coprodução e Edição: Rádio USP Ribeirão
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Nesta semana o Ambiente é o Meio recebe o professor Eduardo Sá Barreto, do Departamento de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), para falar sobre a crítica ecossocialista, tema de seu novo livro Pequeno Guia para a Crítica Ecossocialista do Capitalismo, publicado pela Editora Lutas Anticapital.
Para o professor Barreto, apesar de Karl Marx não ter elaborado uma teoria ambiental em sua crítica ao capitalismo, há escritos que apresentam sensibilidade ecológica. Afirma ainda que, em sua crítica sobre a economia política, Marx fornece ferramentas teóricas fundamentais para analisar a crise ambiental. Sobre seu livro, o professor afirma que foi escrito com o objetivo de popularizar o debate ambiental, apresentando fundamentos teóricos e implicações práticas para um público amplo interessado tanto por questões ambientais quanto por críticas sociais.
O capitalismo, segundo o professor, não consegue superar sua lógica destrutiva, crescendo continuamente, expandindo o consumo e usando a tecnologia para acelerar a produção, o que, segundo ele, é o oposto do que seria necessário para enfrentar a crise ecológica. Enfatiza também que, atualmente, vivemos um cenário de escassez, resultado do colapso climático.
Ouça o episódio completo no player acima.
Ambiente é o Meio
Produção e Apresentação: Professores Marcelo Marini Pereira de Souza e José Marcelino de Resende Pinto, ambos professores da FFCLRP
Coprodução e Edição: Rádio USP Ribeirão
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Nesta semana, o Ambiente é o Meio recebe o professor Guilherme Henrique Pereira Filho, do Departamento de Ciências do Mar (IMar) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), para falar sobre a captura de carbono por corais alcatrazes, presentes no Arquipélago de Alcatrazes, no litoral de São Paulo.
Pereira inicia o episódio explicando que corais são animais do grupo dos cnidários que vivem em associação com as algas e produzem carbonato de cálcio em seu esqueleto. Conta também que os corais sofrem com as mudanças climáticas mas, no entanto, corais localizados no Atlântico Sul lidam melhor com as ondas de calor e, mesmo sofrendo branqueamento, conseguem se recuperar.
O professor diz ainda que o IMar estuda os corais do Arquipélago de Alcatrazes há uma década e que, entre os estudos, realizaram uma tomografia computadorizada do esqueleto de um dos corais. A princípio, o objetivo foi observar o crescimento da colônia de corais e analisar os efeitos sofridos pelas mudanças climáticas. No entanto, durante a análise puderam estimar a quantidade de carbonato de cálcio produzido pelos corais da região. Segundo o pesquisador, estima-se que são produzidas, anualmente, cerca de 170 toneladas de carbonato de cálcio ao redor do arquipélago.
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Nesta semana, o Ambiente é o Meio recebe o professor Rodolfo Aureliano Salm, da Faculdade de Biologia da Universidade Federal do Pará (UFPA), para falar sobre os desafios socioambientais decorrentes da Usina de Belo Monte, enfrentados pelas comunidades indígenas da região.
O professor Salm inicia o episódio contando que a região de Volta Grande do Xingu conta com terras indígenas homologadas e que, para a construção de Belo Monte, precisariam ser alagadas. Alagamento que não ocorreu, segundo o professor, já que optou-se pela criação de canais artificiais em Volta Grande, “mas isso não significa que não houve impactos ambientais na região”, adianta.
Salm afirma que a produção de energia em Belo Monte é muito baixa por conta da sazonalidade climática da região, algo que deveria ter sido levado em consideração quando a usina foi construída. Outro ponto mencionado pelo professor é que, diferentemente do que a maioria da população acredita, a energia elétrica não é uma energia 100% limpa, uma vez que para a construção de hidrelétricas o local passa por um processo de desmatamento.
Ouça o episódio completo no player acima.
Ambiente é o Meio
Produção e Apresentação: Professores Marcelo Marini Pereira de Souza e José Marcelino de Resende Pinto, ambos professores da FFCLRP
Coprodução e Edição: Rádio USP Ribeirão
E-mail: ouvinte@usp.br
Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS .
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Nesta semana, o Ambiente é o Meio recebe a arquiteta e urbanista Léa Gejer, coordenadora de projetos técnicos da rede global de Governos Locais pela Sustentabilidade, o Iclei, para falar sobre o Plano Nacional de Arborização Urbana (PlaNAU).
Léa explica que o Iclei atua em todo o mundo prestando suporte para governos locais sobre questões de sustentabilidade. Além disso, ela também explica que existe uma grande diversificação na questão da arborização das cidades, afirmando que algumas cidades são mais arborizadas que outras, e também que dentro das próprias cidades existem diferenças na arborização. A arquiteta explica que essa diferença dentro das próprias cidades acontece da seguinte forma: as áreas mais valorizadas contam com uma presença maior de árvores, enquanto bairros em áreas menos valorizadas quase não têm arborização.
Sobre o PlaNAU, Léa conta que é uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente que também faz parte do Programa Cidades Verdes e Resilientes, que tem como objetivo orientar e articular a política de arborização das cidades brasileiras.
A arquiteta explica, ainda, que a arborização urbana adequada é capaz de promover a biodiversidade; proteger a água e o solo; reduzir processos erosivos, a poluição do ar e a poluição sonora; melhorar a estética das cidades; regular o clima dos centros urbanos e também promover melhoras na saúde da população.
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Nesta semana o Ambiente é o Meio recebe o indígena militante dos direitos humanos Givanildo Manoel da Silva, conhecido como Giva, para falar sobre seu novo livro, Terra de Sangue, Sangue na Terra: O Rastro do Colono-Capitalismo em Pindorama, que busca compreender os problemas dos povos indígenas na atualidade.
Ao longo do episódio, o autor fala sobre como se descobriu indígena e sobre como o colonialismo e o capitalismo, chamado por ele de colono-capitalismo, realizaram o apagamento da memória indígena nos povos originários. Silva também diz que as práticas capitalistas de hoje são as mesmas do período colonialista, apenas mais modernas.
Sobre a questão da preservação das comunidades e territórios indígenas, que estão em crescente devastação por conta do capitalismo, de acordo com Silva, um grande avanço seria a criação de um Estado pluriétnico, que permitiria que os povos originários defendessem seus territórios.
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Nesta semana, o Ambiente é o Meio recebe a pesquisadora Gabriela de Paula Marcurio, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), para falar sobre o livro A Máquina do Terror: A Luta das Pessoas Atingidas pela Samarco em Mariana, de sua autoria, que retrata os impactos do desastre ambiental de 2015.
O livro, decorrente de uma pesquisa iniciada durante a graduação de Gabriela após contato com as vítimas do rompimento da barragem de Fundão, retrata os impactos sofridos por nove comunidades rurais da região, com destaque para a comunidade rural de Paracatu de Baixo, a mais atingida pelo rompimento.
A pesquisadora conta que, com o rompimento da barragem, os rejeitos foram despejados e se misturaram com a água do rio Gualaxo do Norte, formando um turbilhão de lama que empurrou casas, carros, animais e árvores, fazendo com que as comunidades fossem inundadas. Gabriela conta ainda que os moradores das comunidades foram evacuados apenas no dia seguinte ao rompimento.
Além de perder seus bens, as vítimas do desastre em Mariana também precisam conviver com outros problemas decorrentes do rompimento da barragem. A pesquisadora conta que os moradores relatam problemas de saúde e sintomas relacionados à contaminação por metais pesados, enquanto a mineradora afirma que os rejeitos não são tóxicos.
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Produção e Apresentação: Professores Marcelo Marini Pereira de Souza e José Marcelino de Resende Pinto, ambos professores da FFCLRP
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