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Clube Orekare Podcast
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Author: Orekare
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© Clube Orekare
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23 Episodes
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Apresentação No mundo real, a mulher é um ser multifacetado. Seu papel na família a faz ser mãe, esposa, gestora, educadora, amante, amiga, aquela que tende a cuidar de tudo e de todos. Os desejos profissionais e os familiares às vezes se esbarram, doutras se encaixam, e nem sempre se completam. Tanto que, normalmente, às mulheres tendem a dominar a arte do multiplicar-se. Mas, mesmo dando conta do mundo, é preciso também dar conta de si.Por tudo isso, o Clube Orekare abre as portas para Janaina Mendes, uma mulher que é mãe, esposa, advogada e que tem um olhar treinado para a justiça e o comportamento humano. Ela dedica sua trajetória a ajudar mulheres a romperem ciclos de sobrecarga e a resgatarem sua identidade. Sua missão é guiar famílias para um lugar de equilíbrio emocional e cooperação mútua através da renovação da mente e do autoconhecimento.Janaina tem feito uma poderosa diferença para a vida de inúmeras mulheres e o desenvolvimento emocional de suas famílias. Em seu primeiro artigo no Clube, ela traz um tema importantíssimo e que faz parte do cotidiano feminino: A Armadilha da Mulher-Maravilha. Ouça ou leia a seguir. Zarhi El MalekDurante décadas, a sociedade construiu um ideal silencioso de força feminina: a mulher que dá conta de tudo. Ela trabalha, organiza a casa, cuida da rotina dos filhos, resolve problemas, administra conflitos e mantém o funcionamento da família. É admirada por sua eficiência, sua capacidade de antecipar necessidades e sua habilidade de manter tudo sob controle.Muitas vezes, ela é chamada de guerreira. No entanto, por trás dessa imagem existe um fenômeno cada vez mais discutido nos consultórios e divas: a Síndrome da Mulher-Maravilha — o padrão de mulheres que assumem responsabilidades excessivas e passam a sustentar praticamente sozinhas a dinâmica familiar e emocional ao seu redor.O que começa como dedicação pode, com o tempo, transformar-se em sobrecarga emocional, mental e física. E há um aspecto ainda menos discutido dessa dinâmica: quando uma mulher assume tudo, ela pode acabar impedindo que os outros amadureçam e experimentem os seus próprios processos na vida.A MULHER QUE FAZ TUDOEm muitas famílias, esse padrão se estabelece lentamente.A mulher resolve porque é mais rápido.A mulher organiza porque é mais eficiente.A mulher assume porque quer evitar conflitos.Antecipar problemas parece mais fácil do que delegar. Com o tempo, cria-se um sistema invisível: todos passam a depender daquela pessoa que sempre resolve.O marido se acostuma.Os filhos se acostumam.A casa inteira se acostuma.E a mulher se torna o centro operacional da família.O problema é que nenhum ser humano foi projetado para sustentar sozinho um sistema inteiro.O PARADOXO DA SOBRECARGAExiste um paradoxo importante nesse processo. Quanto mais uma pessoa assume responsabilidades, menos os outros aprendem a assumir as suas próprias.Isso não acontece necessariamente por egoísmo ou negligência. Em muitos casos, é apenas uma adaptação ao ambiente. Somos seres completamente adaptáveis e o nosso cérebro ama conforto.Se alguém sempre resolve, os outros param de resolver.Se alguém sempre organiza, os outros deixam de organizar.Sem perceber, a mulher sobrecarregada acaba criando um ambiente onde todos dependem dela. E esse padrão tem um efeito colateral importante: ele interrompe processos naturais de amadurecimento.Filhos deixam de desenvolver autonomia.Parceiros deixam de assumir responsabilidades.E a própria mulher passa a viver em um estado constante de exaustão.QUANDO PEDIR AJUDA PARECE IMPOSSÍVELUm dos traços mais comuns em mulheres que vivem esse padrão é a dificuldade de pedir ajuda. Elas ajudam com facilidade. Resolvem problemas com agilidade. Encontram-se sempre disponíveis para todos. Porém, quando precisam de apoio, muitas vezes não sabem como pedir. Pedir ajuda pode parecer fraqueza. Isso acontece porque, ao longo dos anos, sua identidade foi construída em torno do papel de quem sustenta, organiza e resolve. Entretanto, na realidade, pedir ajuda é um sinal de maturidade emocional.A HISTÓRIA DE CRIS Cris cresceu com uma experiência emocional marcante. Quando ela tinha sete anos, seu pai saiu de casa. Para uma criança, experiências de abandono costumam gerar perguntas profundas sobre pertencimento e segurança.Sem perceber, Cris passou a desenvolver um padrão: tornar-se extremamente útil, resolutiva e presente para as pessoas ao seu redor. Era uma forma inconsciente de garantir vínculos.Na vida adulta, esse padrão apareceu com força em seus relacionamentos. Em seu casamento, ela assumiu praticamente todas as responsabilidades da casa e da rotina familiar. Trabalhava fora, organizava a casa, resolvia problemas e sustentava a dinâmica da família. O marido, pouco a pouco, se acostumou a depender dela para praticamente tudo. O desgaste foi crescendo até que o relacionamento terminou. Alguns anos depois, Cris iniciou um novo relacionamento. Desta vez com alguém mais maduro e consciente. Ela acreditava que agora seria diferente. Mas algo curioso começou a acontecer. Sem perceber, ela novamente assumiu todas as responsabilidades.Com o marido.Com os filhos.Com a rotina da casa.Foi então que surgiu uma percepção importante: não eram apenas as pessoas que reproduziam o mesmo comportamento, mas ela também estava recriando o mesmo padrão.Esse momento de consciência marcou o início de um processo de mudança.O PROCESSO DE LIBERTAÇÃOA mudança começou quando Cris percebeu que não precisava mais sustentar tudo sozinha. Ela passou a delegar tarefas. Aprendeu a tolerar que algumas coisas não fossem feitas imediatamente. Permitiu que os outros assumissem responsabilidades.No início, isso gerou desconforto. Contudo, com o tempo, algo começou a mudar.Os filhos começaram a assumir tarefas. O marido passou a contribuir de forma mais ativa com as responsabilidades. E a dinâmica da casa começou a se reorganizar. O que antes parecia força começou a dar lugar a algo mais saudável: equilíbrio.A EXPLICAÇÃO DA PSICOLOGIA E DA NEUROCIÊNCIAO psicólogo Daniel Goleman, referência mundial em inteligência emocional, explica que padrões emocionais repetidos acabam se transformando em formas automáticas de agir nos relacionamentos. Estudos sobre inteligência emocional comprovam: muitos comportamentos adultos são moldados por experiências emocionais vividas na infância. Portanto, uma pessoa que aprendeu desde cedo que precisava ser forte ou necessária para se sentir pertencente ou aprovada, pode desenvolver um padrão inconsciente de assumir responsabilidades excessivas.A neurociência também ajuda a explicar esse processo. A pesquisadora Caroline Leaf descreve que comportamentos repetidos criam caminhos neurais no cérebro. Quanto mais um comportamento é praticado, mais natural ele se torna. Por isso, muitas mulheres continuam assumindo tudo, mesmo quando já estão exaustas.O cérebro aprendeu que esse é o modo de funcionamento.A mesma ciência, no entanto, também mostra algo encorajador: o cérebro possui capacidade de reorganização. Novos hábitos, novas decisões e novas formas de lidar com responsabilidades podem gradualmente criar novos caminhos mentais.CONSIDERAÇÕES IMPORTANTESA sobrecarga feminina, os padrões emocionais que a sustentam e as dinâmicas familiares que se formam ao redor dela são questões profundas, que envolvem história de vida, experiências emocionais, culturais e estruturas relacionais. Portanto, não é minha intenção esgotar um tema que, na verdade, é muito mais complexo do que qualquer artigo poderia abarcar. Se você se identifica com tudo que apontei até aqui, saiba: muitas vezes existem raízes que geram esse comportamento. Podem ser feridas antigas, experiências de rejeição, medo de abandono ou, simplesmente, o hábito desenvolvido ao longo dos anos de resolver tudo para todos. Com o tempo, o fazer constante pode se tornar quase um vício silencioso, uma forma de se sentir necessária, pertencente ou segura.Por isso, o objetivo deste texto não é apresentar respostas definitivas, mas abrir um espaço para a consciência. Afinal, o primeiro passo para qualquer mudança real é enxergar aquilo que antes passava despercebido.Muitas mulheres passam anos vivendo dentro desse padrão sem sequer perceber que estão presas a ele. A rotina se automatiza, o excesso de responsabilidade se normaliza e a sobrecarga passa a ser interpretada como parte inevitável da vida adulta.Este artigo é um convite à lucidez. Romper ciclos de uma vida inteira não é algo que acontece do dia para a noite. Se você se reconheceu nessas linhas, saiba que o primeiro passo é a conscientização, a percepção de como você tem vivenciado esse lugar. O segundo, é entender que você merece descanso tanto quanto merece amor.E, quando essa consciência chega, nasce também a possibilidade de buscar ajuda seja através de apoio emocional, orientação profissional, práticas de autocuidado ou novas formas de organizar a vida e as relações.No entanto, todo processo de mudança começa com um momento simples e poderoso: o momento em que alguém finalmente percebe que não precisa continuar vivendo da mesma maneira. E, muitas vezes, é nesse instante que um novo caminho começa a se abrir.TENHA SEMPRE EM MENTEFamílias saudáveis não são aquelas em que uma pessoa faz tudo. São aquelas em que existe cooperação. Em que cada pessoa aprende gradualmente a assumir responsabilidades, lidar com desafios e amadurecer por meio dos processos da vida.Quando uma mulher deixa de carregar tudo sozinha, ela não está abandonando seu papel, mas criando espaço para que outros também cresçam.Considere que este é um convite para que não apenas mulheres, mas seus maridos, parceiros e famílias possam reconhecer dinâmicas, refletir sobre seus próprios padrões e perceber que talvez precisem de alguns ajustes.CONCLUSÃODurante muito tempo, muitas mulheres acreditaram que precisavam ser fortes o tempo todo. Muitas de nós ainda acreditam que:Precisavam resolver tudo.Precisavam organizar tudo.Precisavam antecipar tudo.Precis
Você já parou para pensar que a conexão entre pais e filhos não é algo que acontece automaticamente? Isso pode parecer um pouco estranho, porque muitos de nós crescemos acreditando que o simples fato de sermos pais ou mães seria o suficiente para criar um vínculo forte e saudável com nossos filhos. Mas, na verdade, sabemos que não é bem assim que funciona.Quanto mais eu acompanho crianças e famílias na prática clínica, mais eu me certifico de que a conexão não é um “presente” que recebemos pelo fato de sermos pais ou mães. A conexão com nossos filhos é um processo contínuo de construção, feito de momentos pequenos, vivenciados diariamente. Minha intenção aqui é te convidar a fazer uma reflexão. Pra que possamos, de coração aberto, identificar que pontos podemos melhorar, como pais, no que diz respeito às nossas relações familiares.Eu acredito que a conexão verdadeira entre pais e filhos é fruto de intencionalidade. Esse esforço não apenas fortalece os laços, mas transforma a dinâmica familiar como um todo. Famílias conectadas são mais amorosas, cooperativas e felizes.Conexão é muito mais do que nos relacionarmos ou estarmos juntos no mesmo lugar. É sobre estarmos presentes, de forma íntegra, nos momentos que passamos juntos. É sobre olharmos nos olhos dos nossos filhos, ouvi-los com atenção, demonstrando interesse real pelo mundo deles. Quando nos conectamos verdadeiramente, estamos ajudando a criar um ambiente onde nossos filhos se sentem compreendidos, apoiados e amados do jeito que eles são.“Mas não deveria ser natural?” ou “Por que é tão difícil algumas vezes?” são dúvidas que vêm à nossa mente. A resposta está na dinâmica que vivemos hoje como sociedade. Em muitos momentos, nossa rotina é corrida demais e temos a sensação de que não temos tempo para fazer tudo que precisamos fazer. Estamos sempre com pressa, preocupados, cheios de afazeres. E, nesse caos, acabamos nos desconectando, mesmo sem perceber. Momentos em que estamos verdadeiramente presentes acabam sendo poucos.Antes que você se desanime, eu te afirmo, por experiência, que sim, é possível mudar essa realidade! A conexão entre pais e filhos pode ser resgatada a qualquer momento. Basta querer (e fazer) pequenas mudanças na maneira como nos relacionamos.Nossos filhos precisam saber que estamos disponíveis, não apenas fisicamente, mas emocionalmente. Dedicar pelo menos 10 ou 15 minutos por dia para estar com eles, sem distrações, é uma decisão que todos nós podemos tomar e tentar praticar diariamente. Quem puder ampliar esse tempo, melhor ainda! Mas quando eu falo em disponibilidade, o celular precisa ser deixado de lado, assim como os e-mails, as preocupações. Sei que não é fácil, mas é uma decisão, para que, de fato, possamos desfrutar de um tempo de total atenção. O que faremos neste momento de dedicação pode variar, não tem regras. Pode ser uma conversa, uma brincadeira, uma refeição, um passeio, uma caminhada, qualquer coisa mesmo. O importante é fazer isso de forma verdadeira e intencional.Outro ponto fundamental é praticar a escuta ativa. Quantas vezes não ouvimos de verdade nossos filhos quando estamos ocupados com outras coisas? A escuta ativa é olhar nos olhos e prestar atenção genuína ao que eles estão dizendo, sem interromper. Quando fazemos isso, nossos filhos percebem que o que eles dizem importa e que nós valorizamos o que eles pensam e sentem.Participar mais ativamente da vida dos nossos filhos também é muito importante. Demonstrar interesse real sobre o que eles gostam, mesmo que sejam coisas aparentemente simples para nós. Pode ser uma brincadeira com bonecos, jogar videogame, desenhar, não importa. Essa entrega é um ato de amor e também gera uma conexão profunda.Outra dica é não esquecermos de validar os sentimentos dos nossos filhos. Assim como nós, eles também enfrentam dias difíceis, e mesmo que as emoções deles pareçam exageradas para nós, são reais e importantes. Saber que são compreendidos vai ajudá-los a construir uma base emocional mais sólida.Você percebe que a conexão verdadeira pode ser criada várias formas? Nós, como pais, podemos buscar conhecimento, estudar, aprender cada vez mais sobre parentalidade e educação socioemocional familiar. Aqui, eu citei algumas formas de como você pode buscar essa conexão com seu filho, mas o ponto crucial é nós tomarmos essa decisão! Quando decidimos, apesar das dificuldades do dia a dia, que vamos estar presentes, ser intencionais e valorizar os momentos de troca com nossos filhos, tudo muda! Por isso, eu convido você a começar hoje!Gostou da reflexão? Fez sentido para você?Compartilhe com quem você acha que precisa ouvir essa mensagem.Se você entende a importância do nosso trabalho, apoie o Clube Orekare com uma assinatura paga. Junte-se a nós para que possamos enfrentar, juntos, os desafios da saúde mental e emocional no mundo de hoje!Obrigada e até a próxima! Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe
Olá!Como vai você?Tudo bem? Espero que sim!!E hoje, chegamos à última das 3 entregas dos capítulos que compõem o livro “NÓS - Um breve resumo dos nós que nos unem”. Nesta terceira parte seguimos falando sobre a herança afetiva que recebemos dos nossos pais e antepassados, e como isso, realmente, gera impactos conscientes e inconscientes tanto para nós como para as gerações seguintes.Nos capítulos anteriores, vimos que:* Legado emocional é a marca que uma pessoa deixa em outras ao longo da sua vida e que permanecerá após a sua morte. Estamos falando de raízes emocionais profundas, sentimentos de tão longo prazo que passam de uma geração para outra.* Esse legado é composto por memórias, sentimentos, valores, hábitos e visão de mundo, transmitidos e perpetuados nas relações pessoais através de ações, palavras, ensinamentos e atitudes. * Na prática, isso molda a base das nossas relações familiares, pois é sobre a forma como uma pessoa faz as outras se sentirem e se verem, gerando influência positiva ou negativa no bem-estar emocional da sua família, amigos e até comunidade. Portanto, podemos dizer que a parentalidade é o alicerce desse processo, porque:Somos uma expressão de tudo que aprendemos de forma consciente ou inconsciente, geração após geração. E isso vale para princípios, comportamentos e todas as áreas da nossa existência.Como Clube Orekare, entendemos a urgência de ampliar a compreensão dessa bagagem que cada um de nós carrega em si. Precisamos aprofundar o entendimento do que recebemos das nossas famílias para identificar se há feridas ou curar dores que estejam, de alguma forma, atuantes em nossos relacionamentos. À medida que aprendemos sobre isso, nos tornamos capazes de gerar um impacto mais saudável e poderoso para a nossa saúde emocional e a das próximas gerações. Essa é uma necessidade urgente, para todos nós.Vamos lá!!CAPÍTULO 5A TED (Technology, Entertainment, Design), organização sem fins lucrativos é uma entidade dedicada à disseminação de ideias, geralmente na forma de palestras curtas e poderosas. Em 2012, para sua conferência nominada TEDGlobal, o tema escolhido foi “Radical Openness” (Abertura Radical). O objetivo era explorar como a transparência e a conectividade estavam remodelando negócios, ciência, governo e outros campos.Naquele ano o evento aconteceu em Edimburgo, capital da Escócia. Como de praxe, recebeu grandes nomes e atraiu uma audiência global com palestras sendo vistas por milhões de pessoas in loco, online, ajudando a disseminar ideias inovadoras e inspiradoras.Dentre os palestrantes daquela edição estava Amy Cuddy, que naquele dia, ao subir ao placo em Edimburgo, com certeza não imaginava que se tornaria o exemplo perfeito de como mais que do uma ideia, uma história redentora, pode capturar a imaginação global e influenciar o comportamento e as práticas de milhões de pessoas.A palestra de Amy era sobre linguagem corporal. Ela subiu ao palco e apresentou suas descobertas sobre como “poses de poder” podem aumentar a confiança e influenciar os níveis hormonais, levando as pessoas a se sentirem mais poderosas e assertivas. Ela nos mostrou que a forma como decidimos nos posicionar corporalmente pode mudar nossas mentes, assim como nossas mentes podem mudar nosso comportamento e nosso comportamento nosso destino.Até aí, era mais uma psicóloga comportamental falando coisas muito interessantes. Por exemplo, ela mostrava como, ao escolhermos nos colocar em uma posição corporal mais confiante, esse gesto influencia positivamente a forma como nos sentimos e até aumenta nossas chances de sucesso.Até que ela disse:“Quando falo isso para as pessoas elas me dizem: Isso parece falso. Eu digo: finja até conseguir. E as pessoas respondem: não, isso não sou eu.... não quero conseguir e me sentir uma fraude. Não quero conseguir para depois não sentir que eu não deveria estar ali”.Diante desse dilema, Amy decidiu contar sua própria história. Aos 19 anos, enquanto estudava na Universidade do Colorado, ela sofreu um grave acidente de carro que resultou em uma lesão cerebral traumática. Os médicos disseram que ela não conseguiria recuperar plenamente suas capacidades cognitivas e que, portanto, deveria desistir da carreira acadêmica, pois aquilo já não era mais para ela.Na infância, Amy havia sido reconhecida como superdotata devido ao seu alto QI. Ao receber esse diagnóstico, ela saiu da faculdade e sentiu como se sua identidade tivesse sido roubada, por isso decidiu não desistir.Determinada, insistiu. Voltou a estudar e levou quatro anos a mais que seus colegas para formar-se. Depois, buscou com todas as suas forças e conseguiu uma vaga para um doutorado em psicologia social na Universidade de Princeton. Contudo, mesmo em meio a todas essas conquistas, ela ainda não se sentia dona do seu lugar, e lá no fundo acreditava no que tinha ouvido aos 19 anos: ela não daria conta, não deveria estar ali, era uma impostora.Quando, ao final do seu 1ª ano em Princeton, foi informada que deveria discursar para 20 pessoas por 20 minutos, ficou aterrorizada. A luta solitária precisava agora ser validada publicamente. Diante de toda a insegurança contra a qual ela lutava há anos todos os dias, na véspera do seu discurso, Amy desabou e concluiu: não posso mais.Ao informar a sua orientadora que se sentia uma fraude por estar em um lugar onde teoricamente não deveria estar, ela ouviu a seguinte resposta: “Você vai ficar e é isso que você vai fazer: você vai fingir. Você vai fazer todos os discursos que te pedirem, você vai fazer, fazer e fazer, mesmo que se sinta aterrorizada e paralisada, até o momento em que você disser: Meu Deus! Eu estou fazendo! Eu me tornei isso agora!Foi o que ela fez.O resultado? Ela não apenas concluiu seu doutorado em psicologia social na Universidade de Princeton, mas fez da sua própria experiência de dúvidas e superação pessoal seu objeto de estudo. E foi sua pesquisa sobre confiança, poder pessoal e linguagem corporal, que a tornou uma referência global e autora best seller em sua área de atuação.Mas, atenção!! Fingir até conseguir não é mentir para si mesmo. Pelo contrário! O que a história dela nos mostra é que: Ao encontrar em você aquilo que você sabe que está lá, mas tem enorme dificuldade em acreditar - que está preso, escondido embaixo do medo de não ser validado - fingir acreditar gera uma mudança de mentalidade, que nos exercita de dentro para fora, até sermos capazes de realmente acreditar.Essa palestra de Amy Cuddy tornou-se uma das mais vistas na história do TED, acumulando mais de 70 milhões de visualizações e ajudando a popularizar suas pesquisas sobre a influência da linguagem corporal na confiança e nos sentimentos de poder pessoal.Seu caminho de recuperação diante de um fato trágico, sua batalha contra a síndrome do impostor e sua ascensão final nos mostram como narrativas redentoras são poderosas. O sucesso da palestra que acabei de citar é resultado de uma história capaz de influenciar positivamente outras histórias. É a jornada pessoal de Amy e a forma como ela transformou algo trágico, limitante e falso, em uma jornada de superação e conquistas, que ressoa poderosamente em milhares de pessoas.Essa é uma verdade milenar. Se olharmos, por exemplo, para a Bíblia e observarmos alguns textos, encontraremos o princípio que já anunciava o que acabamos de falar: a renovação da mente.Para o cristão que tem conhecimento bíblico, não há como viver uma nova vida em Cristo - que é a proposta do cristianismo - sem uma renovação de mente que leve à cura emocional e ao crescimento espiritual.Vamos entender esse princípio à luz do conhecimento.Apesar do tema estar presente nos manuscritos mais antigos e na cultura oral judaica, o verso bíblico mais famoso nesse contexto está no livro de Romanos, no capítulo 12, verso 2a, que diz: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente...”Paulo de Tarso é quem escreve. Nascido em Tarso, uma cidade da Cilícia (atual Turquia), era um judeu helenizado. Isso significa que ele tinha uma formação que combinava elementos da cultura judaica, romana e grega (cultura helenizada). Era profundo conhecedor das leis e escrituras hebraicas e também conhecedor da cultura, filosofia e retóricas romanas e gregas.Por seu conhecimento profundo em múltiplas áreas, seu histórico educacional e intelectual e sua enorme influência global até os dias de hoje, ele facilmente seria considerado uma figura acadêmica super prestigiada por suas contribuições em diversas áreas de estudo, cujas obras moldaram campos inteiros do conhecimento. Algo similar a alguém com múltiplos doutorados ou um PhD com um escopo interdisciplinar. Praticamente um ninja intelectual.O que Paulo nos afirma é que toda transformação mental é um processo contínuo de mudança de pensamento e perspectiva, que nos leva a uma nova visão interior e exterior.Os estudos científicos de McAdams (citados no capítulo 4) e Amy Cuddy confirmam o que Paulo e as mais antigas tradições escritas e orais sobre autoconhecimento afirmam: a partir de pequenas decisões, podemos reconfigurar nosso cérebro para gerir de forma mais eficiente nossas emoções. Contudo, isso exige esforço tanto para alcançar quanto para manter resultados eficientes.Juntos, eles nos confirmam de formas diferentes a mesma verdade: Quando entendemos nosso poder de decisão - se formos perseverantes, determinados, curiosos e dispostos a seguir mesmo quando o caminho parece ser assustador -, nos tornamos donos da nossa própria narrativa e capazes de reescrever nosso legado emocional.Para assistir a palestra de Amy Cuddy na íntegra, click AQUI.CAPÍTULO 6Até aqui falamos muito sobre como o que recebemos nos impacta. Agora, preciso deixar bem claro algo a seu respeito:A forma como você escolhe lidar com seus sentimentos ao identificar traumas intergeracionais definirá não apenas a sua história, mas influenciará profundamente a da sua família, dos seus filhos e, de alguma forma, também alcançará até mesmo pess
Olá! Tudo bem?Como está você? Espero que bem!Hoje, vamos entrar na 2ª parte da entrega sobre Legado Emocional. Como ja informei aqui, este é um livro que escrevi especialmente para o Clube Orekare e que aborda a importância desse tipo de legado familiar. Afinal, quero te lembrar que:Somos uma expressão de tudo que aprendemos de forma consciente ou inconsciente, geração após geração. E isso vale para princípios, valores, comportamentos e todas as áreas da vida; por toda a nossa vida.Assim, partindo do princípio de que relações familiares saudáveis são a resposta mais eficiente para prevenir transtornos mentais e promover uma sociedade equilibrada, este é um convite a reconhecermos onde nos tornamos vulneráveis devido a tudo que vivemos e experimentamos em família. Consciente ou inconscientemente, para cada dor vivenciada em nossos lares, ao compreendermos o legado emocional que recebemos - acredite! - podemos curar feridas antigas, algumas até esquecidas, e nos tornarmos emocionalmente mais fortes, saudáveis e seguros, capazes de multiplicar saúde emocional para nossos filhos, entorno, e, inclusive, para as próximas gerações.Vamos agora para os Capítulos 3 e 4 do livro “NÓS - Um breve resumo dos nós que nos unem”.CAPÍTULO 3Não sei você, mas quando me pego em rodas de conversas sobre problemas familiares, comumente, ouço mais sobre os erros de pais, irmãos, tios e avós do que os de quem está me contando a sua versão dos fatos.Geralmente, são histórias que expressam tipos de comportamentos e que, quando negativos, ouvimos do narrador:“Ah, eu nunca farei, ou faria isso assim”.“Ele (a) isso ou aquilo”.“Eu quero distância disso ou daquilo”.“Vou criar meus filhos assim, assado”.“Deus me livre disso!”.Essas são frases que também já me peguei repetindo porque é mais fácil olhar para o que está quebrado, torto ou errado, no outro.O núcleo familiar é o nosso ponto base para o despertar dos nossos valores, princípios e identidade.A primeira briga? Em casa.O primeiro perdão? Em casa.Hierarquia? Aprendemos em casa.Habilidades de relacionamento? Tudo começa em casa, na sua família!Agora, pensa comigo: se tudo que vivenciamos e aprendemos no nosso ambiente familiar é parte de quem somos, qual é o legado que recebemos?Para identificá-lo precisamos nos voltar para a observância. Mas, muita calma! Para olhar em volta desarmados e em busca de respostas, sugiro que comecemos nos olhando por dentro, de forma honesta. Depois, diante do que encontrarmos em nós, poderemos começar a olhar para trás com mais saber e percepção.Procure lembrar histórias que você conhece da sua família.Pense um pouco sobre valores e crenças herdados.Como você avalia que traumas ou dificuldades vivenciadas por seus pais ou avós impactam na sua visão de mundo.Rememore suas experiências familiares mais marcantes.Encontrou dores? Nomine-as.Sentimentos ou percepções sobre si negativos ou distorcidos? Identifique-os.Dar nome nos ajuda a compreender contra o que estamos lutando.Há rejeição? Insegurança? Medos?Quais?Culpa? Vergonha? Ansiedade?Consegue identificar alguma conexão entre seus achados e seus familiares?Vou dar um exemplo.Comecei a perceber como repetidas vezes, nas minhas relações afetivas, tive enorme dificuldade em confiar. Não estou falando do medo de ser traída, mas de confiar no outro. Sem confiança, você pisa em ovos o tempo todo. Quando acreditamos que a qualquer momento algo vai quebrar… quebra!No meu caso, comecei a me perguntar de onde vinha isso. Que quebra poderia ter sido a raiz dessa incredulidade na confiança de quem alega me amar?Hoje sei exatamente o momento em que minha relação de confiança com minha mãe foi quebrada. Eu devia ter uns 4, 5 anos, estava sentadinha no vaso sanitário, lendo revistinha em quadrinho no banheiro, quando minha mãe entrou brigando comigo e pela 1ª vez me bateu.Minha mãe nunca havia me batido antes e nem tenho memória dela ter me batido depois. Ela nunca fora adepta de palmadas ou surras, os castigos eram seus maiores aliados. Naquele dia, apanhei porque a babá me acusou de algo que eu não fiz, minha mãe acreditou na babá e não em mim.Lembro dela me contando essa mesma história, como se justificasse o ato e se isentasse da culpa. O vitimismo a cegava para muita coisa. E, inconscientemente, somando isso as questões com meu pai, ao perder nela esse porto seguro, o que se rompeu causou danos silenciosos que encorparam com o tempo. Resultado: por mais que a amasse, nunca consegui ter nela uma amiga, compartilhar sentimentos profundos ou sonhos de vida. Mas o impacto dessa quebra não se limitou apenas a nossa relação, transbordou para um sentimento de desconfiança e de culpa por coisas que eu sabia que não tinha feito, que esteve comigo por muito tempo e contra o qual até hoje tenho que me manter alerta.Adulta, comecei a entender as camadas presentes nas histórias que ouvia dos meus pais, e eram lá que estavam escondidas muitas das dores e frustrações deles. Comecei a identificar padrões de comportamento e reações emocionais. Só que, para me libertar das dores deles fixadas em mim, seja por seus atos ou palavras, o 1º passo era perdoá-los.E olha que interessante: existem estudos que comprovam que o perdão está associado a uma melhor saúde mental, incluindo menores níveis de depressão, ansiedade e estresse.Precisamos assimilar que o perdão é um agente transformador, capaz de nos levar a reinterpretar eventos dolorosos e a filtrar o aprendizado adquirido em meio a dor. Ele começa na decisão de perdoar e à medida que vamos entrando nele, vamos reconhecendo sentimentos de paz, alívio e liberdade emocional.O perdão é elemento crucial para a redenção porque promove novas perspectivas e transforma experiências negativas em fontes de aprendizado e crescimento. Some a isso o fantástico bônus de reparação de relacionamentos. É isso aí! Você entendeu bem!! Perdoar gera superação, nos liberando do ressentimento e, até mesmo, do risco de vitimização.Só que...Esse é um processo individual, introspectivo, que requer reflexão e, para manter-se saudável, é preciso aprender a gerir seus sentimentos.O que precisamos ter em mente é que compreender nossas influências é o primeiro passo para aprendermos a lidar com nossos pontos negativos e fortalecer os positivos. Isso nos levará para um maior bem-estar emocional e nos fará crescer em resiliência.Hoje, quando te conto histórias como estas, isso não me causa desconforto ou gera gatilhos. Acredito mesmo que tudo isso, de alguma forma, soma a meu favor. Gosto do processo de descoberta.A vida é processual. Às vezes, quando uma memória surge, preciso percebê-la melhor, compreender seu significado. Estou aberta a isso. Se for algo bom, valorizo, guardo com afeto. Se for algo que machuca, quero entender o que isso esconde e arrancar essa raiz danosa. Alguns desses entendimentos demoram mais, outros menos.Nossa imperfeição também tem seu valor. Afinal, são nossas vulnerabilidades que nos abrem o coração para a empatia quando as reconhecemos nos outros. Algumas pessoas se resolverão sozinhas, outras precisarão de ajuda. E sempre é importante ressaltar que para aquele que têm maiores dificuldades em revisitar ou lidar com memórias danosas, ajuda profissional será fundamental.A meu ver, de uma forma ou de outra, todos nós, precisamos de ajuda.Só não esqueça: para receber ajuda, também é preciso querer ajudar-se.CAPÍTULO 4Dentre os maiores estudiosos sobre intergeracionalidade está Dan P. McAdams, PhD em psicologia e relações sociais por Havard, professor de psicologia Henry Wade Rogers e professor de desenvolvimento humano e política social na prestigiada Northwestern University.Sendo um dos principais pesquisadores americanos no campo da psicologia narrativa, McAdams defende que a forma como contamos as histórias das nossas vidas é capaz de moldar nossa identidade e impactar nossa saúde emocional.Segundo ele, quando traumas são narrados de maneira a incluir um tema de redenção (transformando algo negativo em algo positivo), isso pode promover a resiliência e o senso de crescimento pessoal.Em contraste, narrativas que enfatizam a contaminação (onde algo positivo é transformado em negativo) podem estar associadas a uma maior vulnerabilidade emocional e dificuldades de enfrentamento.E isso também se aplica a forma como os pais narram suas experiências traumáticas para os filhos. Por exemplo, pais que utilizam narrativas de redenção, apresentando os traumas a partir de uma perspectiva de superação e crescimento, ajudam a promover resiliência e bem-estar emocional em seus filhos e netos.E vai mais longe: ele alega que essa transmissão de valores positivos leva a uma modelagem de comportamentos resilientes, e isso é considerado mecanismo chave para explicar como essas narrativas impactam as gerações seguintes.Mas, como transformar algo negativo em positivo?Um vitimista ou alguém egoísta, não distorceria algo a seu favor?Sim, distorceria.Enquanto o vitimista tende a culpar os outros e dar um maior enfoque na adversidade, o egoísta minimiza suas responsabilidades e exagera em suas qualidades e conquistas, ignorando ou minimizando os aspectos negativos de suas atitudes.Tanto um quanto o outro tendem a distorcer a realidade como base para suas justificativas. Por isso, não dá para ser saudável emocionalmente sem uma honesta disposição para o autoconhecimento. É ele quem nos mostra como a autoanálise e o equilíbrio andam de mãos dadas.Parece muito palavreado para pouca solução?Então, pare um instante e pense naquela história pessoal ou profissional incrível que te inspira. Ela traz uma jornada onde a pessoa enfrenta adversidades, supera desafios e se adapta positivamente, lidando de forma inspiradora com situações difíceis ou traumáticas? Podemos dizer que ela foi contada de forma a nos fazer ver o que era negativo transformar-se em algo positivo? A resposta, geralmente, é sim!No campo do desenvolvimento humano, todos aqueles que consideramos inspiradores lidaram com desafios pessoais e, é exatamente pela
Olá!Como está você hoje? Nessa quarta-feira de cinzas, pós-carnaval, trago um tema que é de suma importância a todos nós. Antes de entrar nele, quero deixar claro que este não é um chamado à vulnerabilidade. Vulnerabilidade significa estado de vulnerável. E vulnerável significa: ferido, sujeito a ser atacado, derrotado: frágil, prejudicado ou ofendido. Portanto, quando dizemos - e eu já errei bastante nisso - que alguém precisa ser mais “vulnerável”, NÃO estamos dizendo que a pessoa precisa ser mais aberta em relação às suas emoções e sentimentos, pelo contrário, estamos dizendo: exponha-se desprotegidamente, corra o risco de ser atacado em sua fragilidade. Por isso, este é um convite a reconhecermos onde nos tornamos vulneráveis devido a tudo que vivemos e experimentamos em família. Consciente ou inconscientemente, para cada dor vivenciada em nossos lares, ao compreendermos o legado emocional que recebemos - acredite! - podemos curar feridas antigas, até esquecidas, e nos tornarmos emocionalmente mais fortes e seguros, capazes de multiplicar saúde emocional para nossos filhos e, inclusive, para as próximas gerações.Por isso, aprender sobre LEGADO EMOCIONAL gera:* Autoconhecimento;* Firma identidade;* Quebra padrões inconscientes;* Melhora nossas relações interpessoais; * É ação preventiva e ativa para a gestão da nossa saúde emocional e mental.Diante disso, decidi compartilhar aqui no Clube, com todos vocês, uma prévia do livro “NÓS - Um breve resumo dos nós que nos unem”, livro que escrevi especialmente para assinantes e que aborda a importância desse tipo de legado familiar. Afinal:Somos uma expressão de tudo que aprendemos de forma consciente e inconsciente, geração após geração. E isso vale para princípios, valores, comportamentos e todas as áreas da vida; por toda a nossa vida.Nosso mundo precisa disso. Nossos “NÓS” estão se tornando prisões de amargura, ressentimentos, violências, traumas e dores que afetam toda a nossa sociedade. Disponível em áudio e texto, te convido a ouvir ou ler com calma para compreender que toda família tem seu legado ativo, e quanto mais você se conscientizar do seu, maiores são as chances de dar aos seus filhos um legado emocional melhor construído e seguro quanto à saúde emocional para eles e suas próximas gerações.INTRODUÇÃOPouco tempo atrás me deparei com uma palavra que já habitava em mim e eu nunca a tinha ouvido ou pronunciado: intergeracionalidade.À medida que comecei a entender que ela ampliava meu entendimento sobre o que chamamos de legado emocional, comecei a buscar meios de levar essa percepção de forma mais simples para mais gente. Então, em uma reunião sobre temas de trabalho do Clube Orekare, em meio a sugestões de ações casadas para pais e filhos, ouvi de uma das pessoas mais dedicadas e responsáveis que conheço, a seguinte frase: “Isso é difícil para os pais. As crianças podem dar respostas inesperadas, difíceis de serem compreendidas, porque nem todas as respostas são boas ou fáceis.”Exato!!Seja em nós ou no outro – ainda mais em se tratando de filhos - ninguém se sente confortável diante de uma resposta que coloca em xeque o quê, do nosso ponto de vista deveria ser de um ou outro jeito (?), pois temos dúvidas reais. A questão é: são estas as respostas que nos fazem perceber o quanto precisamos aprender a dialogar sobre o que, realmente, precisa ser dito e compreendido em amor.Ninguém teve uma infância livre de alguma experiência emocional negativa. Mesmo com todo o amor e afeto dos nossos pais, o legado emocional que nos alcança tem em si tanto pontos positivos quanto negativos. Pessoas com as melhores intenções erram e acertam. Creio que é a predominância exarcebada do que recebemos que desequilibra o processo. O negativo, quando muito, destrói. Por outro lado, uma narrativa exclusivamente positiva também é capaz de gerar danos negativos. E isso não se restringe somente a nossa infância. Mas, tudo que acontece nela tem um impacto de enorme repercussão em nossa identidade. Até nas famílias mais saudáveis encontraremos sempre os ônus e bônus presentes na intergeracionalidade.As próximas páginas convidam a olhar primeiro para nós, depois para trás, e, só então, para o que vem à diante. Portanto, se essa leitura te levar a encontrar na sua história algo que precise de ajuste, está tudo bem. Enxergar te dará a chance de ver o que está no seu DNA emocional, esteja ou não visível às pessoas a sua volta. E, caso tenha filhos, o que está sendo impresso no DNA emocional deles através de você. Tenha em mente que quando falamos sobre qualquer coisa que envolva nossas emoções e percepções, isso incluirá compreender e trabalhar seus sentimentos. Na dinâmica familiar essa é uma afirmação ainda mais verdadeira, que permeia profundamente a relação entre pais e filhos.Concordemos: não há como criar uma criança ou adolescente de forma emocionalmente saudável sem cuidar das nossas próprias emoções.Olhar para você e apurar-se, te levará a reparar o que nem sempre é consciente. Assim sendo, te faço um pedido: não se assuste e nem supervalorize o que pode parecer complicado. Respostas chegam quando estamos dispostos a encontra-las. Todos nós seguimos em constante processo de mudança de ciclos, que geram aprendizados e experiências. Nossas escolhas nos fazem crescer, amadurecer e isso é o que chamamos vida.Siga em frente, vai valer a pena.CAPÍTULO 1Somos uma expressão da nossa família. Tanto que, a construção da nossa identidade é fortemente influenciada por ela, quer concordemos ou não, desejemos ou não, valorizemos ou rejeitemos nossa herança familiar. E não me refiro somente aos nossos pais e irmãos. Geração após geração nossas raízes se atrelam e parte da nossa identidade começa a ser construída antes mesmo de nascermos.Quanto do comportamento, fala, hábitos, jeito e valores dos seus pais podem ser reconhecidos em você? Ou melhor, quanto dos seus pais e avós, sim, avós!Você já parou para pensar sobre isso?A primeira vez que pensei nesse assunto eu devia ter uns 17 anos. Para te contar, preciso voltar um pouquinho mais no tempo. Meus pais sempre foram separados e minha mãe, por um certo orgulho dela, mesmo sabendo que me sustentar sozinha seria complicado, nunca solicitou pensão alimentícia.Minha mãe quebrou financeiramente quando eu tinha 10 anos e, nem assim, ela procurou meu pai para pedir ajuda para o meu sustento. Nem ele, ciente de que tínhamos dificuldades até para colocar comida na mesa, se manifestou para ajudar na provisão dos meus custos. Até que, aos 14 anos, sem opção, decidi eu, pedir que ele pagasse pelo menos minha escola. Ele topou, e como a escola era perto da casa dele passamos a nos ver mais.No primeiro ano tudo correu bem. Já no ano seguinte, tive caxumba no 1º bimestre, catapora no 2º e, no 3º, minha mãe descobriu um problema cardíaco que a fez ficar 3 meses internada em um hospital público. Fui obrigada a morar com meu pai pela primeira vez. A regra do meu pai era simples: more comigo e nada lhe faltará, vá embora e nenhum tostão verá.Morando junto, comecei a ver como era difícil para ele dialogar e até mesmo trocar um olhar afetuoso.Um carinho? Era até estranho, feito meio sem jeito, para logo em seguida retomar ao estilo bruto do “aqui sou eu quem mando”. Mais para o final do ano, minha mãe melhorou e voltou para casa. Já eu, fui proibida de vê-la. Meu pai estava determinado a não me deixar voltar a morar com ela. Sem espaço para o diálogo, fugi. E, obviamente, ira dele acendeu-se!Para piorar a situação, apesar de ter reprovado, ganhei bolsa de estudos integral. Aí meus amigos, a sensação era: liberdade total! Antes pobre e livre do que vivendo em uma cobertura com piscina e sem direito a ver minha própria mãe, que a essa altura estava ainda mais frágil e insegura.Aos 17, mesmo sendo bolsista integral, não estava conseguindo pagar o material didático que a escola cobrava à parte. Morava com minha mãe em um apartamento que cabia na sala do dele (meu pai), e, diante de tudo isso, decidi pedir pensão alimentícia. Sem diálogo, a opção foi entrar com uma solicitação judicial. Pouco antes da primeira audiência, o advogado do meu pai conseguiu adiá-la. Quando entendi os argumentos e justificativas dadas pela parte dele, vi que não havia ali senso de responsabilidade ou coerência, apenas reinava o “do meu jeito ou nada”. Decidi: me viraria sozinha.Lembro de caminhar até um telefone público, ligar e dizer que a partir daquele dia ele estava isento de qualquer responsabilidade a meu respeito. Ao falar com ele, de alguma forma, comecei a ver que precisava de um novo olhar para compreender aquele homem. Foi então, a primeira vez que me lembro de pensar:Foi necessário um tempo para digerir o significado disso. Até que um dia, entendi: meu pai não sabia amar porque não era capaz de se reconhecer como ser amado de forma desinteressada, pura, profunda. Sua história familiar era complexa e não continha o afeto, a segurança e a valorização devidas.Aquele homem carregava as travas de quem passou a maior parte da vida tentando provar e comprovar seu valor, ao mesmo tempo que peitava quem o desvalorizasse. O resultado foi extremamente danoso para tudo que veio a seguir, transformando todos os seus relacionamentos em lugares de dor.Ele foi um péssimo pai, contudo, eu precisava estar disposta a me aproximar de novo e tentar entender mais sobre o que causou tamanho estrago. Não sabia bem como. Só sabia que precisava olhá-lo com mais amor. E sejamos sinceros: quando olhamos os defeitos dos nossos pais, lá no fundo, a gente sempre acha que com a gente vai ser diferente.Phillippa Perry, psicoterapeuta e escritora, nos diz logo na introdução do seu “O Livro Que Você Gostaria Que Seus Pais Tivessem Lido (e seus filhos ficarão gratos por você ler)”, a seguinte afirmação: “A base da criação dos filhos é a relação que você cria com eles. Se as pessoas fossem plantas, a relação seria o solo. A relação sustenta, nutre, permite o crescimento – ou o inibe. Sem uma relação em que se p
Olá, tudo bem?Como está você? Espero que bem!Hoje, nosso convite para cuidar bem da sua saúde emocional começa com uma pergunta bem simples: aí, do seu lado da tela, está faltando ou sobrando ânimo?Mas, afinal o que, de fato é ânimo?Dando uma olhada no dicionário etimológico, encontrei a seguintes descrição:A palavra ânimo vem do latim animus, que significa a alma, os pensamentos. Em latim, animus era o lado psicológico do homem, a sede dos pensamentos, das ideias, da vontade, das emoções e do caráter. Animus representava a parte do homem que não é física, mas que forma a identidade. Em português, o animus seria a alma, a mente, o coração.E porque falar sobre isso importa?Porque, às vezes, confundimos desgaste emocional com cansaço físico, falta de foco, procrastinação, preguiça… e chamamos isso de desânimo. Normalmente, isso acontece porque estamos tão condicionados a performar, a sorrir no automático e fingir que “tá tudo bem”, que ultrapassamos o limite do saudável e não reconhecemos a falta de ânimo como um sinal de alerta emocional. Para além das nossas questões profissionais e individuais, naturalmente, mães e pais lidam com múltiplas responsabilidades, e rotinas extenuantes geram cansaço físico. Cansaço físico é resolvido com descanso. Contudo, descanso físico não garante descanso mental. E como isso é possível?Tendemos a não prestar atenção ao que pensamos, porque pensamos e como isso nos afeta. Você já ouviu falar sobre estresse adaptativo? Ele acontece quando alguém se habitua tanto a viver sob pressão que passa a ter a sensação de que dá conta de tudo; pois realmente consegue dar conta de atender prazos insanos, virando noites, trabalhando em fins de semana, imparávelmente, e fazendo isso com as melhores intenções e justificativas.E aqui vale uma observação interessante:Quando seu cérebro entende que você está diante de alguma sobrecarga seja ela física, emocional ou cognitiva, ele puxa o freio como quem diz: você precisa corrigir a rota! É por isso que um dia a conta chega. Quando o corpo faz os primeiros alertas, a saúde física começa a sair do eixo. Se não damos a devida atenção, a mente reage em busca de soluções e grita com crises de pânico, ansiedade, depressão… os chamados transtornos mentais que nascem da nossa falta de prevenção e cuidado com a nossa saúde emocional.Agora, veja como isso tem repercutido, por exemplo, no mercado de trabalho brasileiro:Esses dados do Ministério da Previdência Social nos mostram que o Brasil teve mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025, batendo recorde nesse quesito pela segunda vez em 10 anos.Infelizmente, banalizamos o uso do termo “estresse”, como se ele fosse parte normal da nossa rotina. Claro que momentos de estresse são sim naturais, contudo viver em estresse, sem reconhecer que existem limites que não podem ser ignorados, é insustentável. É preciso compreender que a grande maioria das pessoas pode facilmente confundir cansaço com estresse. Para te ajudar a compreender isso melhor, quero te contar a minha história.A MINHA HISTÓRIAEm 2024, escrevi o livro "O QUE HÁ EM VOCÊ" - disponibilizado como parte da entrega para quem participou do grupo Beta do Clube Orekare, um grupo muito especial de pessoas desejosas por cuidar melhor da saúde emocional de suas famílias e que nos ajudou a chegar a este formato atual. Nesse livro, relato como, devido à normalização do cansaço, quem está diariamente procurando fazer seu melhor muitas vezes ignora sinais de alerta quanto à sua saúde mental.Abaixo, compartilho um trecho dele, no qual conto como o adoecimento emocional pode alcançar quem a gente menos imagina: nós mesmos.ACONTECE ONDE MENOS IMAGINAMOS.Minha rotina era intensa. Eu produzia, dirigia, era repórter e apresentadora de um programa de tv; além de trabalhar também como assessora de imprensa. A demanda era alta e me fazia viajar muito. Lembro de uma sequencia de viagens que me deixou tão cansada que certo dia ao acordar, olhei em minha volta e pensei: “Caramba, isso aqui parece a minha casa”. Eu estava em casa, e começava ali a acordar e precisar de um tempo para saber onde estava. Achei engraçado, tipo: “acho que acordei, mas minha alma ainda não voltou ao corpo”. E nem pensei em dar qualquer tipo de atenção a isso.Eu não parava! Trabalhava a semana toda e gravava nos finais de semana. Minha vida social e meu círculo de amigos eram muito conectados ao meu trabalho e tudo parecia uma grande festa, só que não. E, como eu amava esse ritmo frenético, não notava que vivia sob pressão, nem como também pressionava outros a andarem no meu ritmo. Muito pelo contrário, eu era dura na queda e a meu ver isso era bem positivo. Emocionalmente, eu sentia que havia algo... que eu não sabia bem o que era... mas tirava por cima. Deu ruim, levanta e vai.Mesmo sentido que havia algo errado comigo, eu olhava para o meu corpo e não para a minha mente ou para as minhas emoções. Por volta 2004 surgiram alguns problemas de saúde e, após alguns exames, o médico disse: seu problema é estresse.Olhando para traz, hoje, sei que naquele momento, meu maior problema era que, além de não saber o que era estresse, havia algo em mim que precisava de ajuda, de cuidado, mas eu também não sabia o que era.As primeiras mudanças mais significativas demoraram a chegar. Somente alguns anos depois comecei me sentir desmotivada, desanimada, tomada por uma tristeza diferente... Eu achava que a vida era assim mesmo.O tempo foi passando e eu segui como um trator, ignorando qualquer alerta. Mais ou menos em 2009, quando sai da tv e passei a me dedicar a assessoria de imprensa, trabalhando em um outro tipo de demanda, notei que estava perdendo concentração, produtividade e memória. Mas, quem não perde a chave do carro todo dia?A tristeza começou a incomodar mais, e na primeira avaliação clínica a depressão foi descarta. Assim, seguindo orientação médica, fui fazer terapia por um tempo. Até que, no final de 2016, após outros tantos sinais ignorados, vi apagar da minha mente a responsabilidade de estar presente em um evento no qual eu deveria estar recebendo os jornalistas; convidados por mim mesma. Acordei com minha cliente ao telefone me perguntando onde eu estava e, só aí, eu entendi que precisava urgentemente de respostas.Fui diagnosticada com distimia, um tipo de depressão crônica que no meu caso afetou não apenas minha memória, mas em especial minha capacidade de concentração, produtividade e desempenho físico…. Foi quando comecei a entender que fatores emocionais como o desânimo, a tristeza e outros sentimentos incômodos, eram alertas reais que poderiam ter sido melhor percebidos, diagnosticados e tratados de forma preventiva.A distimia leva em média dois anos para ser diagnosticada. É caracterizada por uma irritabilidade constante que torna as relações mais difíceis, eleva o senso da autocrítica, da baixa autoestima, do desânimo e da tristeza, além da dificuldade de se concentrar; dentre outros sintomas que podem ser variáveis a depender do grau e da pessoa. Ela pode surgir por fatores bioquímicos, genéticos ou emocionais. O maior risco ocorre quando o paciente apresenta a chamada "Depressão Dupla", que é quando uma crise de Depressão Maior se sobrepõe à distimia pré-existente. A Depressão, especialmente a maior, em casos graves, afeta pessoas de todas as idades e, de 15% a 20% dos seus pacientes tentam ou tentarão o suicídio.Quando eu precisei contar para algumas pessoas porque era urgente mudar meu ritmo de vida e me cuidar, 100% delas me responderam que: ou conheciam alguém muito próximo a elas que tinha o mesmo problema, ou, se reconheciam no mesmo lugar.Após ser diagnosticada recebi a primeira medicação. Era um antidepressivo leve, fácil de entrar e sair dele. Como não surtiu efeito, o psiquiatra que me atendia decidiu dobrar a dose. Eu estava com uma viagem marcada para ficar um tempo no Hawaii e pensei: Como não vou ficar bem? Um mês longe de tudo e de todos, medicação ajustada. Hawaii! Vai dar bom!Não deu.Eu era forte, cheia de fé, cercada de gente boa, trabalhava com o que gostava, ganhava bem... contudo, não entendia muita coisa que sobre mim. Só então comecei a descobrir traumas bem escondidos, alguns esquecidos, e, sem ter consciência disso, lidava todos os dias com um furacão de emoções exaustivas.No meu caso, apesar do meu corpo também sentir o impacto, a minha maior perda foi realmente cognitiva. Concentração, produtividade, memória e desempenho físico nunca mais voltaram a ser como antes. Ficou claro que era urgente me auto conhecer. Caso não fizesse isso, corria o risco de, por não conseguir mais alcançar a performance que eu entendia que precisava ter, fazer com que naturalmente isso me levasse a um nível de frustração e tristeza cada vez maiores. A consequência seria acabar tendo que lidar com a Depressão numa dimensão maior.Cabeça e corpo são uma coisa só. É tolice acharmos que o que afeta uma parte não afetará a outra. Trabalhar minha mente e meu corpo para reaprender a conviver com as novas limitações foi o que me tornou livre da medicação antidepressiva.A lição foi aprendida com sucesso, mas a duras penas. Criei minha própria dinâmica de autogestão e ela funciona bem até hoje. Não preciso de nenhum tipo de medicação antidepressiva ou que seja minimamente similar, como remédio para dormir ou algo parecido. As crises de concentração diminuíram bastante, mesmo assim quando começo a entrar em “looping mental”, que é quando não consigo me concentrar em nada e a produtividade vai para as "cucuias", parar e descansar faz total sentido. A atividade física, qualquer que seja, é fundamental. Se os dias de estresse crescem, cabe primeiro a mim ser paciente e lembrar que é só um dia ruim, ele passa.Lido bem com gatilhos, porque quando o processo de cura está ativo o problema não está neles. Pelo contrário, aprendi a estar atenta a chegada de sentimentos ou pensamentos inadequados e estou pronta para lidar com eles. Estar alerta acaba sendo orgânico porque eles sempre volt
A partir desta semana, o Clube Orekare entra em uma nova fase. Atualmente, compartilhamos nosso conteúdo aqui no Substack - nossa principal plataforma - e o multiplicamos, na íntegra, no Spotify e no YouTube.Até aqui, todo o trabalho de pesquisa, desenvolvimento e produção que chega até você tem sido realizado de forma voluntária e dedicada. Esse esforço nasce de um compromisso profundo com o nosso propósito: Tornar acessível o entendimento sobre como podemos despertar, compreender e exercitar um estilo de vida que previne e promove a saúde emocional familiar.Por isso, a partir desta quarta-feira, 28 de janeiro, estamos liberando a ativação de assinaturas pagas no Clube Orekare. Este é um convite para quem deseja investir conosco na conscientização e no despertar da nossa sociedade para a urgência do cuidado com a família.Se você é um assinante gratuito, não se preocupe: seu acesso continuará ativo. Abaixo, detalho o cenário atual que motiva essa decisão, os formatos de participação e os nossos tipos de entrega.CENÁRIO ATUALNão é difícil constatar, veja o que uma rápida pesquisa online confirma:* Fiocruz (Dez/2025): Jovens são o grupo com maiores taxas de internação por transtornos mentais no Brasil (579,5 casos por 100 mil habitantes).Referência: G1/Fiocruz - Jovens sofrem mais internações e procuram menos ajudaReferência: Correio Brasiliense - Jovens lideram internações por saúde mental, diz Fiocruz* Relatório da Comissão sobre Conexão Social (Jun/2025): Uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão. Entre jovens de 13 a 29 anos, o índice de solidão chega a 21%.Referência: OPAS/OMS - Conexão social associada à melhoria da saúdeReferência: Agência Brasil - OMS: uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão* Sociedade Brasileira de Pediatria (Set/2025): A cada 10 minutos, o Brasil registra pelo menos um atendimento de adolescente (10 a 19 anos) por autoagressão. Referência: SBP - A cada 10 minutos, o Brasil registra um atendimento de adolescente por autoagressão* Ministério da Previdência Social (Jan/2026): O Brasil atingiu recordes de afastamentos por transtornos mentais, com mais de 546 mil casos em 2025, 15% a mais que no ano passado. Referência: Portal Gov.br - Estatísticas de Acidentes e Doenças do Trabalho ou Globo - Brasil tem mais de 546 mil afastamentos por saúde mental em 2025 e bate recorde pela segunda vez em 10 anos.* Ministério da Previdência Social (Jan/2026): Os afastamentos por esgotamento profissional (Burnout) no Brasil saltaram 493% entre 2021 e 2024, totalizando recordes de auxílios-doença por saúde mental que já representam 1 em cada 7 afastamentos no país. Referência: Agência DC News - Afastamentos por burnout disparam e gastos com auxílios pressionam PrevidênciaPor outro lado, sabemos que famílias e instituições tem investido na educação socioemocional para crianças e adolescentes como resposta diante desses fatos. Veja:* Educação Socioemocional (Fev/2025): 61% das famílias brasileiras preferem escolas que priorizem a inteligência emocional ao invés de apenas o conteúdo acadêmico.Referência: CNN Brasil - 61% das famílias preferem escolas com inteligência emocional* Impacto Acadêmico (Instituto Ayrton Senna): Estudantes com competências socioemocionais desenvolvidas apresentam melhor desempenho acadêmico, profissional e melhores indicadores de saúde mental na vida adulta.Referência: Instituto Ayrton Senna - A importância do desenvolvimento integralMesmo com a ativação desses e outros esforços públicos e privados, os números negativos continuam em franco crescimento. A conta não tem fechado porque este é um cenário complexo, multicultural e multigeracional. Sabemos que existem enormes problemas que começam dentro de casa e que famílias emocionalmente quebradas multiplicam danos; assim como famílias saudáveis geram impacto positivo não apenas para os seus membros, mas também para todo o seu entorno. Como sociedade, nunca tivemos tanto conhecimento e tantas ferramentas disponíveis para agir de forma preventiva e ativa quanto à nossa saúde emocional. Mas, sem esse olhar profundo sobre a importância da família para a nossa saúde social, chegamos a 2026 com números crescentes de adoecimento mental e emocional. E esse não é um problema recente!A qualidade de vida dentro de casa e nossas relações parentais são a pedra fundamental da nossa saúde física e mental. Portanto, se não cuidarmos dos pais, não teremos como garantir a saúde emocional de crianças e adolescentes.FAMÍLIA: PROBLEMA E SOLUÇÃONo passado, a família contava com pais, avós, tios, tias, um núcleo maior e mais conectado em suporte. Ao longo das últimas décadas, a família tem se tornado mais individualizada. Parte disso se deve ao fato de que discordâncias e problemas complexos como conflitos, abusos e vícios - que sempre existiram - em vez de serem resolvidos foram se consolidando como motivos e justificativas plausíveis para comportamentos, dores e rupturas.Infelizmente, ao ignorarmos a necessidade de cura emocional e definirmos que o melhor caminho era deixar para trás o que nos machucava - acreditando que era possível recomeçar sem amarras - não enxergamos que cura emocional não funciona assim. Pelo contrário, hoje, colhemos mais dificuldades em dialogar e conectar pais e filhos. Um desdobramento disso é a atual epidemia de transtornos como ansiedade, solidão e tristeza instalada em pessoas de todas as idades. Some a isso questões financeiras, responsabilidades e cobranças diárias. Nesse cenário, até mesmo quem é saudável precisa se manter atento e cuidar de forma preventiva da sua mente e das suas emoções. Portanto, precisamos agir na raiz do problema, conscientes que a dinâmica emocional familiar pode tanto produzir adoecimento quanto cura geracional.O QUE TEMOS FEITOSabemos que a comunicação tem papel fundamental para que possamos alcançar melhores índices de conscientização e investimento na busca por soluções e ajuda.Entretanto, como a maioria das iniciativas em curso tem foco prioritário nos filhos ou no suporte pedagógico aos pais, identificamos uma lacuna: a urgência de cuidar da saúde emocional familiar de forma integral, começando pelos adultos. Ao investirmos no equilíbrio emocional dos pais, garantimos maior efetividade na prevenção e promoção da saúde mental para os filhos, gerando um impacto positivo dentro e fora de casa. A partir dessa perspectiva, atuamos dialogando com os pais sobre a saúde emocional deles e dos seus filhos.Acreditamos nesse caminho. Embora não tenhamos todas as respostas, sabemos que a mudança de cenário depende do investimento na cura emocional dos pais e na restauração de relacionamentos que gerem legados positivos. Relações familiares saudáveis são a resposta mais eficiente para prevenir transtornos mentais e promover uma sociedade equilibrada.Assim, a cada texto, áudio, entrevista ou depoimento que entregamos, sabemos que quem nos ouve recebe informações que, colocadas em prática, ativam autoconhecimento, autogestão, consciência social, habilidades de relacionamento e tomada de decisão responsável; habilidades socioemocionais essenciais para pais, filhos e seus relacionamentos familiares e sociais.Seguindo este foco, o Clube Orekare avança da primeira para a sua segunda fase de ação. Ao longo de 2025, estabelecemos a qualidade do nosso conteúdo, fomos referendados por especialistas e consolidamos nossa entrega através do Substack. Para 2026, o objetivo é ampliar nossa capacidade de entrega, comunicação e presença nesta e em outras plataformas. Para isso, buscamos o apoio de quem reconhece a urgência dessa causa.FORMATOS DE PARTICIPAÇÃOVocê pode nos ajudar a expandir nossa voz e ampliar nosso impacto. O objetivo é levar a mais pessoas a compreensão de que a saúde emocional dos pais é o que determina a qualidade de vida dos filhos — e como isso reverbera em toda a sociedade.As assinaturas gratuitas permanecerão disponíveis para todos, pois nossa missão é democratizar este conteúdo. Queremos que o Clube Orekare seja acessível ao maior número possível de famílias, mas para isso precisamos de ajuda.Existem três formas de se conectar ao projeto. Confira abaixo, escolha a sua e participe conosco.ASSINATURAS PAGASAo se tornar um assinante pago, você investe diretamente na missão do Clube Orekare de promover a saúde emocional familiar. Seu apoio financeiro permite que nossa equipe continue desenvolvendo e compartilhando conteúdos de alto impacto.Benefícios Exclusivos:* Acesso completo: Newsletters, matérias especiais, artigos, entrevistas e masterclasses promovidas pelo Clube.* Primeira mão: Acesso exclusivo a prévias de temas e ensaios de referência para novos livros.* Vantagens: Descontos especiais em livros exclusivos e eventos futuros do Clube Orekare.Escolha o plano que melhor se adapta a você: * Assinatura Mensal (R$ 25,00) * Assinatura Anual (R$ 300,00)MEMBROS INVESTIDORESMembros investidores são grandes impulsionadores, que não apenas reconhecem o valor do Clube Orekare para a sociedade, mas também estão dispostos a realizar investimentos estratégicos que nos ajudem a ampliar nossas entregas para todos.Benefícios Exclusivos:* Acesso Integral: Newsletters, matérias especiais, artigos, entrevistas e masterclasses exclusivas.* Curadoria Literária: Acesso antecipado a temas e ensaios de referência para nossos próximos livros.* Vantagens e Eventos: Condições especiais em livros exclusivos e eventos futuros do Clube.* Mentoria e Conexão: Até duas chamadas exclusivas por ano, via Zoom, com a fundadora do Clube Orekare, Zarhi El Malek.O valor sugerido para um membro investidor é de R$ 5.500,00, mas não se limita a este montante. 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Disponível em áudio e texto.Como vai você, tudo bem?Espero que sim! E nessa nossa primeira news do ano, espero que 2026 tenha chegado cheio de esperança e renovo para você e sua família.Antes de começar pra valer por aqui, deixa eu te dar um spoiler sobre o nosso papo de hoje: não sofra pelo começo, siga em frente, "o final das coisas pode ser bem melhor que o começo delas”. Assim sendo….ANO NOVO!! Mudança de ciclo, tempo no qual a gente sempre saí multiplicando nossos melhores desejos de esperança, saúde, amor e prosperidade! E, crendo: há de dar tudo certo! Será?! A primeira quinzena de 2026 chegou causando alvoroço no Brasil e no mundo. Escândalos, péssimas notícias quanto a economia e a política… Na saúde, o adoecimento mental não quer dar trégua, nos relacionamentos a solidão lidera rankings como epidemia silenciosa… E tudo isso acontecendo agora! Bombardeando áreas fundamentais para o bem estar social de todos nós. Isso sem falar no mundo, que abriu o ano elevando o grau da nossa já nítida instabilidade geopolítica. Tem ação e reação para que todos os tipos de opiniões sejam dadas; criem elas expectativas positivas, negativas ou, até, apocalípticas.E quando esse som de alarde aumenta o volume, não tem jeito! O burburinho negativo prevalece, paira no ar! E aí, querendo ou não, concordando ou discordando, vamos ouví-lo.Isso nos afeta, seja direta ou indiretamente. Esse ruído aumenta ansiedade, minimiza planos e nos lança em turbulências que a gente nem quer estar.Como então encontrar equilibro e esperança?RECONHEÇA SEUS CICLOSOs ciclos de tempo constituem o processo de construção das nossas vidas. Nesse caminho, periódicamente, precisamos de um tempo para compreender se esse processo está fazendo sentido, se a rota está correta ou se nos perdemos pelo caminho.Sai ano, entra ano, vemos as pessoas falarem sobre expectativas e planos, esperanças renovadas, listas de desejos, reorganização de agenda, finanças e decisões para tornar a vida melhor.Facilmente, seguimos olhando para o futuro a partir dessas expectativas, mas esquecemos que nos dias de hoje precisamos olhar primeiro para dentro, e ter certeza que estamos mental e emocionalmente preparados para seguirmos lutando pelos nossos objetivos sem perder o ânimo.Dito isso, saber como você está interiormente é uma questão chave para o seu bem-estar.Seus sentimentos de hoje são um desdobramento, seja ele positivo ou negativo, de tudo que te trouxe até aqui, porque nada acontece de forma isolada. Além disso, eles influenciam enormemente nas suas decisões e na sua forma de se comunicar com o mundo à sua volta.Tendemos a pensar em ciclos apenas como uma contagem de tempo. Mas, atenção: eles não se limitam apenas a isso quando estamos falando sobre marcos emocionais.Ciclos são feitos de começo, meio e fim. Isso importa porque, quando uma etapa não é concluída devidamente, ela sempre retorna; e, na maioria das vezes, como um alerta que ecoa algum tipo de incômodo ou dor para ser compreendida e tratada.Por exemplo: * uma infância sem segurança tende a gerar um adulto em busca constante de validação; * uma adolescência sem limites, pode levar à impulsividade e insatisfação; * um adulto que tem problemas com rejeição tende a acreditar que não tem valor, que os outros são melhores do que ele, que não é suficiente e muito mais.Algumas dores podem corroer uma vida inteira e afetar profundamente a identidade de quem não consegue reconhecê-las. Mas, tratar ferida também dói e ai, a grande maioria das pessoas, prefere fingir que elas não existem. Adultos que ignoram pendências emocionais, acreditando que elas desaparecerão como mágica, tendem a “funcionar bem” por fora mas correm o risco de colapsar por dentro. Quando alguém ignora dores emocionais, elas podem se disfarçar em desculpas, justificativas e em legado emocional, causando consequências geracionais. Quando pais e mães tem pendências emocionais não resolvidas, essas áreas tendem a afetar profundamente seus filhos e assim, como uma bola de neve, um legado emocional negativo pode afetar gerações inteiras.Isso acontece porque quando um ciclo emocional danoso não é identificado, uma hora a conta chega. Por isso, quando falamos de qualquer tipo de desconforto emocional, sem compreendermos a raiz do problema, vamos continuar tratando os sintomas. Nesse sentido, depressão, ansiedade, pânico, bournout, dentre outros… são expressões visíveis de problemas profundos, enraizados de tal forma no sentir que cobram a conta na mente. Mente e emoções instáveis geram relacionamentos e vidas machucadas e frustrantes. Quando o inverso acontece, e há uma cura emocional que restaura uma pessoa, um ciclo é quebrado e o legado emocional positivo também poderá repercutir por gerações!HÁ RECOMPENSA NO ESFORÇOEstar com a área emocional em ordem, ou colocando em ela ordem, abre nossa visão de sentido e propósito. Nos ajudando a entender melhor o que nos cerca e nos despertando para um futuro que, mesmo diante dos obstáculos, nos convida a continuar porque sabemos que será ainda mais transformador. Quando nossos ciclos são movidos a partir dessa visão, ganhamos a convicção de que o esforço vale a recompensa.É verdade que entrar em um novo ciclo exige coragem e disposição para encarar pendências emocionais, mas, a recompensa é garantida. Portanto, para novos ciclos, comece olhando para dentro. Vasculhe seus sentimentos, explore motivações e comece a colocar tudo no seu devido lugar.A receita é simples: * Experimente parar um instante e verificar que sentimentos se destacam. * Há sentimentos incômodos, quais são eles? * E os bons sentimentos? Encontre-os.* A partir disso, que pensamentos estão dominando sua mente? Quem está no comando? * Consegue reconhecer conexões com ciclos que precisam ser fechados para que você, realmente, entre em nova fase de vida? Esse pequeno exercício te ajudará a compreender melhor suas lutas mentais e emocionais. Isso é importante, porque quando você reconhece contra o quê está lutando, se torna mais eficiente no combate.Seja honesto com você, não se esconda em justificativas e desculpas que você já percebeu que se tornaram prisões. Caso sinta que há algo que machuca mas não sabe nominar, ou é tão assustador que você nem quer olhar, então é hora de buscar ajuda especializada. AJUSTE SEUS PENSAMENTOSLembre-se: as dores da alma são expressas em sentimentos, as da mente em pensamentos. Seus pensamentos são capazes de colocar seus sentimentos no seu devido lugar. Quando não entendemos isso, nossos pensamentos tendem a acatar os medos, ansiedades e emoções estimulados pelo ruído externo.Se seus pensamentos forem dominados por seus sentimentos sua vida será uma montanha russa insana de emoções. Isso não é emocionalmente sustentável. A vida vai nos desafiar a crescer em meio as adversidades. Diante das mais diversas situações que vamos encontrar, o principal campo de batalha sempre será a nossa mente.Você tem a capacidade de gerir seus pensamentos. Isso te dá poder para escolher se uma palavra recebida terá ou não poder para te ofender ou machucar. FOCO E RESILIÊNCIA LEVAM AO ALVOMesmo cuidando da gente, continuamos a viver em um mundo instável, caótico e assustador. Nesse cenário, resiliência é um dos maiores ativos para vida contemporânea. Assim como a metáfora do diamante bruto que se torna mais valioso após ser lapidado, dificuldades geram experiência, experiência afia caráter e desenvolve resiliência; resiliência define posicionamento, posicionamento sabe onde está a esperança que impulsiona para o alvo. ASSIM SENDOO melhor caminho para começar bem este ano é discernir o que estamos ouvindo, sentindo e entendendo para decidir como nos posicionar quanto “ao que quer que seja”. Posicionamento muda visão, amplia horizontes e pode ser ato preventivo para sua saúde mental, emocional, familiar, financeira, pessoal, profissional. Posicionamento correto muda tudo, vira o jogo.A partir disso, ao abrir um novo ciclo pessoal ou familiar, sua força e esperança estarão fundamentadas no valor do que te move. Porque propósito impulsiona e encontra formas de superar obstáculos.Por hoje, eu fico por aqui, e espero que essa mensagem tenha feito sentido para você. Como Clube Orekare, acreditamos que a comunicação é ferramenta fundamental para despertar, tratar e curar nossas emoções. Acreditamos profundamente que é impossível termos uma sociedade saudável sem termos famílias saudáveis.Para termos famílias saudáveis precisamos de pais e mães emocionalmente saudáveis. Toda semana estaremos aqui multiplicando ferramentas simples e práticas para que você e para os seus!A gente se vê na próxima semana!Até lá!! Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe
Olá!!Como está você? Tudo bem?Espero que sim!Nessa véspera de Natal, você sabe, como cristãos celebramos esta data como o nascimento do salvador do mundo. Por isso hoje, quero te convidar a pensar:Por que o nascimento de Jesus faz com que pessoas de diferentes credos e culturas também vejam no Natal a valorização do tempo em família e a celebração de amor e união?Bom, se você é cristão e conhece um pouco de Bíblia, sabe que esse nascimento foi amplamente profetizado no Antigo Testamento. Sabíamos que seria um menino, descendente de Abraão, que seria da tribo de Judá, da linhagem de Davi, que uma virgem o conceberia, que nasceria em Belém… e que seria o salvador do mundo. Mesmo assim, a chegada desse tão anunciado e esperado salvador, foi marcada pelo inesperado nascimento em um lugar que parece estranhamente inapropriado.E tem mais! José e Maria eram jovens, inexperientes, estavam longe de casa, e, a Bíblia não fala que eles não tinham dinheiro para uma hospedaria. A história nos conta apenas que não havia lugar.Você consegue imaginar o que se passava na cabeça de Maria e José, especialmente, naquele dia? O relato bíblico indica que eles estavam sozinhos e viajaram longos quilômetros entre duas cidades. Estavam bem longe de casa, sem suporte, sem ajuda e procuraram, mas as hospedagens estavam todas lotadas. Até que uma hospedaria vendo a situação, lhes ofereceu a estrebaria, um estábulo, o lugar onde ficavam os animais. Cavalos, vacas, ovelhas e uma manjedoura. Não sabemos se Maria chegou ali com dores ou, se foi lá, que começaram suas contrações de parto. Naquela época, os partos judeus eram eventos em família, comunitários, com parteiras e familiares mulheres dando suporte. Um nascimento era um evento de enorme importância familiar, ainda mais se tratando de um primogênito.O que sabemos é que um bebê nasceu de parto natural. Que José foi o suporte de Maria, fazendo o parto, cortando o cordão umbilical. Imagine a emoção, as circunstâncias, o nascimento! E Deus nessa história? Deus Pai, onipotente, onipresente e onisciente, dono do universo todinho, pegou seu filho e o entregou, confiadamente, a dois jovens que Ele, sabia: estavam comprometidos em ser família. FAMÍLIAO que muita gente esquece é que junto com Jesus, naquela noite, nasciam também um pai e uma mãe. Imagine isso!! Deus podia escolher nos enviar o Salvador de tantas formas, mas escolheu fazê-lo vulnerável e dependente de um pai e uma mãe de primeira viagem. Ele não explica as circunstâncias do nosso ponto de vista, mas deu condições para José e Maria darem conta das responsabilidades que deu a eles. José e Maria sabiam quem era Jesus. Ao longo da história vemos que o parto foi um dos muitos desafios enfrentados por eles. Apesar de não sabermos muito sobre a infância e a juventude de Jesus, sabemos que ele crescia sendo educado e bem cuidado por seus pais. Segundo a fonte mais confiável dessa história, a Bíblia, esses pais, até mesmo eles, precisavam de um salvador. Quanta responsabilidade! Até porque, como todos os pais eles também tiveram suas dúvidas, incertezas e desafios para educar aquele menino.Percebe? Deus deu uma família para Jesus. Uma família que cresceu com a chegada dos seus irmãos. E isso sem contar com avós, tios, tias, primos e todas as alegrias e desafios que vem junto no pacote. Deus deu seu filho a eles porque sabia que havia neles capacidade e disposição para cuidar e educar Jesus com todo o seu amor e responsabilidade. RESULTADONessa véspera de Natal, até mesmo países não cristãos, reconhecem e proclamam a sabedoria e importância de Jesus como modelo de humanidade. Como parte disso, gente que tem outra fé, outra cosmovisão, também olha para a José e Maria e reconhecem o valor da sua paternidade e maternidade humanas, reconhecendo-os como família porque eles aceitaram o desafio de serem pais, mesmo diante das mais absurdas circunstâncias.O presépio nos lembra disso: Deus, ao mandar seu Filho para a terra, ao torná-lo humano, fez dEle o filho do homem por que família é um propósito divino. Isso é tão forte para a humanidade, que até hoje, mais de 2 mil anos depois, a comemoração do nascimento de Jesus continua reunindo pessoas, que podem até não compartilhar da mesma fé, mas compartilham da mesma necessidade humana: AMAR E SER AMADO.O Natal se tornou uma data que é vista como um marco de amor, encontro familiar, reconstrução de vínculos e cuidado com o outro. Não existe hoje, no mundo, uma festa que reúna tantas famílias, em tantos países, por tantos motivos diferentes quanto o Natal. Uma celebração cristã, que tornou-se um ritual universal de encontro, porque responde a algo que todas as culturas precisam:FAMÍLIAPERTENCIMENTOTEMPO COMPARTILHADO& ESPERANÇAPARA VER COM AS CRIANÇASEm meio a uma lista enorme de filmes de Natal que poderíamos compartilhar aqui, que tal imaginar como seria viajar no tempo e ver de pertinho como foi a história do 1º Natal junto com seus filhos? Há um episódio da série Superbook em que Chris, Joy e Gizmo, personagens da série, são levados pelo superbook há dois mil anos atrás para compreenderem o verdadeiro sentido do Natal. Por hoje, eu fico por aqui!A gente se vê na próxima semana!Até lá!! Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe
Conteúdo disponível em texto e áudioComo vai você?Tudo bem? Espero que sim!Hoje, diante do crescimento absurdo dos casos de violência doméstica que temos visto, nossa news é voltada para falarmos sobre a relação direta da infância - e da relação parental - com a violência contra mulheres. Como ponto de partida, entenda: Esse é um assunto complexo, com camadas profundas e não há uma resposta simples do ponto de vista emocional e comportamental. A reflexão que vem a seguir é de fundamental importância, e tem como propósito ampliar nossa percepção sobre como podemos nos posicionar contra a violência dentro das nossas casas e diante do mundo que existe do lado de fora.REALIDADE Vou começar te contando uma história real, que aconteceu em março desse ano.Ela tem pouco mais de 20 anos. Se mostrava dona de um discurso empoderado e morava com o noivo. Certo dia, os vizinhos começaram a ouvir as brigas do casal. Ouvia-se mais ela do que ele. Ela gritava, e, às vezes, chorava. Quando isso acontecia, por várias vezes, os vizinhos mandavam mensagens e o zelador do prédio batia na porta do apartamento deles para verificar o que estava acontecendo. A resposta era sempre a mesma: “está tudo bem”, “não se meta”. Até que um dia, a situação saiu de dentro de casa e chegou à porta do prédio. Nesse dia, em meio a mais uma discussão barulhenta entre o casal, a mãe dela estava presente e tentou tirá-la dali. De repente, o noivo atacou a mãe, literalmente enforcando-a. Como o prédio estava em alerta e monitorava a movimentação, rapidamente conseguiram conter o agressor e chamaram a polícia. A mãe e a moça foram acolhidas; ele saiu de cena. Lembro da mãe dela dizendo: “ele não é assim, só está fora de si porque misturou remédios controlados à bebida”. O fato dos vizinhos presenciarem a cena e chamarem a polícia fez com que ela fosse à delegacia formalizar a queixa. A polícia rapidamente encontrou o agressor e o prendeu. O que veio em seguida? A justificativa: Ele não era mau, foi só um momento de confusão. E assim, ela mesma buscou soltá-lo para não prejudicá-lo. Dias depois, ouvi da boca dela: “ele quer voltar comigo. Eu disse que a gente precisa de um tempo e que ele precisa se tratar primeiro”. No mesmo dia, descobri que, como a entrada dele fora proibida no prédio onde tudo aconteceu, ela havia mentido para mim, e já estava tentando alugar outro apartamento para voltar a morar com ele.Nunca mais ouvi falar dela. E te pergunto: Amanhã, ela poderá ser a próxima vítima fatal de um feminicídio? É possível.Ela sabe? Foi-lhe dito. Acredita? Não. Esta é uma das muitas e diversas histórias que envolvem a violência doméstica contra a mulher. Mas, independe da singularidade que cada uma dessas histórias carrega, há uma similaridade terrível entre todas elas:A enorme dificuldade de muitas mulheres reconhecerem que estão em risco enquanto ainda há tempo de agir. A violência contra mulher extrapola classe social e nível intelectual. E o ciclo é ainda mais desafiador se há filhos, dependência financeira, negócios conjuntos, influência familiar, o desejo de ser pra sempre, de fazer dar certo, o medo ou a vergonha de reconhecer a realidade.Muitas mulheres, mesmo vivenciando algum tipo de violência, abuso, relacionamento tóxico ou doentio, permanecem com seus parceiros. E é comum não conseguirmos compreender por que isso acontece. Tentamos alertá-las, tentamos ajudá-las, mas parece que estão cegas. E é verdade! Mas, essa cegueira tem raízes profundas.A CONEXÃO ENTRE MULHERES VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA E A INFÂNCIAEntre especialistas, há um consenso que prevalece:Experiências familiares disfuncionais tendem a criar crenças internas equivocadas sobre relacionamentos. O disfuncional se torna padrão, justificado com afirmações como estas: “conflitos são normais”, “sofrer faz parte do amor” ou “afeto só vem acompanhado de dor”.Para muitas mulheres isso se torna rotina, algo “administrável”. Assim, o ciclo de tensão, explosão, pedido de perdão e lua de mel faz com que elas “não acreditem no risco”. Pior, naturalizam explosão violenta como temperamento difícil, controle como cuidado e ciúme como prova de amor. De fato, elas permanecem crendo na promessa de mudança, na culpa imposta, no medo de ninguém acreditar nelas ou na vergonha de reconhecer sua realidade. Onde está a raiz disso? Crianças absorvem condutas sociais de gênero, sobre como homens e mulheres devem se comportar, primeiro em casa. Seja essa experiência negativa ou positiva, ela influenciará suas escolhas profissionais, relacionamentos, expectativas emocionais e comportamentais. Assim sendo, a criança que cresce em um ambiente no qual predominam aspectos como: ofensa, injustiça, desrespeito, controle através do medo, rejeição, indiferença, negligência, ausência parental, dentre outras tantas formas de maus-tratos velados, internaliza que “não merece ser bem tratada”, e isso afeta diretamente sua confiança, autoestima, percepção de valor pessoal e a sua noção de “risco emocional”. Quando adulta, essa criança, seja ela ou ele, tende a carregar essa mesma dinâmica para seus relacionamentos futuros, pois a forma como se relaciona com seus cuidadores molda o seu entendimento de amor e define as suas expectativas afetivas no futuro. A IMPORTÂNCIA DE UM LAR SAUDÁVELÉ a Teoria do Apego, desenvolvida pelo psicólogo britânico John Bowlby, que comprova: a forma como nos relacionamos com nossos pais molda o nosso entendimento sobre como o amor deve funcionar. Assim, as experiências de relacionamentos iniciais de uma pessoa com seus pais - ou cuidadores - explicam por que alguns adultos são mais inseguros, agressivos, dependentes ou insensíveis do que outros. Essas características psicológicas indicam como sua identidade emocional se desenvolveu ao longo da vida, tendo como base seus relacionamentos da infância.E mais, essa influência tem relevância tanto para a vítima quanto para o agressor, e se conecta com o Estudo ACEs ( Experiências Adversas na Infância) uma das pesquisas mais respeitadas quanto à experiência familiar na infância e sua influência na vida futura. Conduzido pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA e pela Kaiser Permanente, ainda nos anos 1990, esse estudo mostrou que: Experiências adversas na infância - como formas de abuso, negligência ou testemunhar violência entre os pais - estão associadas a uma probabilidade maior de, na vida adulta, levar o indivíduo a ser vítima ou perpetrador de violência em seus relacionamentos íntimos. Portanto, experiências adversas na infância aumentam a probabilidade de transmitirmos traumas às gerações seguintes, perpetuando um ciclo de adversidade e disfunção familiar. Quanto maior for a exposição, maiores os riscos futuros. A vítima adulta de hoje é a menina de ontem. O agressor de hoje é também o menino de ontem. E os meninos e meninas de hoje, estão ainda mais vulneráveis que os de ontem. As redes sociais nos mostram isso. Crianças e adolescentes em busca de pertencimento, de visibilidade, de atenção e afeto já se tornam vítimas e agressores bem antes dos 18 anos. A família é a base da sociedade, quando ela não vai bem, todo o entorno sofre. Isso ocorre porque esse é um problema intergeracional. Em 2024, no Brasil, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública publicado este ano, o 190, serviço de emergência da polícia militar, registrou 1.067.556 chamadas sobre violência doméstica. Nesse mesmo período foram registradas 3.870 tentativas de feminicídio que resultaram em 1.492 mulheres mortas. Até o último registro de 2025, de janeiro a setembro, segundo dados do Ministério da Justiça, mais de 2.700 mulheres sofreram tentativas de feminicídios e outras 1.075 se tornaram vítimas. Todos os dias, a mídia tem divulgado casos revoltantes como forma de denúncia. Portanto, é natural querermos leis mais duras, mais ação policial, melhor eficiência no combate à violência e na proteção da mulher. Tudo isso é importante. Contudo…Quando a nossa indignação foca no fim da cadeia e não na raiz do problema, se torna ainda mais difícil mudarmos essa realidade.COMO MUDAR ESSE CENÁRIOPara mudar o presente precisamos entender que a resposta começa em nós. E, uma das coisas mais incríveis a nosso respeito é que, ao compreendermos nossas experiências emocionais na infância e ao longo da vida, sejam elas construtivas ou adversas, podemos redefinir o que permitiremos ou não que prevaleça em nós.É fundamental termos consciência de que:Nossa maior ação preventiva é oferecer um lar emocionalmente sadio para meninas e meninos. Entretanto, não vamos conseguir ter um lar estável sem estarmos saudáveis - emocionalmente - para lidar com a vida e seus altos e baixos. Assim sendo, a primeira ação preventiva que pais e mães podem e devem fazer por seus filhos é:Cuidar bem da sua própria saúde emocional para que possam cuidar bem de seus filhos e prepará-los para serem adultos aptos a construírem relacionamentos saudáveis.RECOMEÇANDOOuvimos muito sobre como educar meninos para, no futuro, tratarem bem mulheres, ou, como educar meninas para serem independentes e não se submeterem à estrutural patriarcal. Ouvimos sobre masculinidade tóxica, machismo, feminismo e outros tantos ismos.Considerando estudos, pesquisas e dados sobre a infância, o que percebemos é que famílias bem estruturadas emocionalmente, com seus papéis parentais bem definidos e equilibrados, mesmo com seus erros e acertos, tendem a derrubar a violência, o preconceito, o desrespeito, as circunstâncias contraditórias e o medo.Vale ressaltar que pais saudáveis nem sempre vieram de famílias saudáveis, parte deles vieram de contextos complexos. Mas, decididos a quebrar o ciclo de abuso, buscaram formas de transformar legados adoecidos em recomeços poderosos.CHECK LIST EMOCIONAL FAMILIARRelacionamentos podem ser nossa melhor escola de amor, respeito, caráter e valor humano. Essa receita arranca o mal pela raiz, trata a terra para receber novas sementes e dá bons frutos. Homens e mulheres têm papéis
Conteúdo disponível em texto e áudioTelas, filhos e redes sociais. Como dar conta?Esse tema está todos os dias em evidência. E é, hoje, um dos fatores mais determinantes quando falamos de saúde mental e de relacionamento familiar. Muita informação, regras novas, muitas dicas, alertas necessários, riscos reais… e também, alguns alarmismos que apostam no medo para reforçar os perigos do ambiente online.Mas a verdade é que como sociedade, salvo exceções, nos viciamos juntos em telas, redes e na dependência constante de conexão como base de vida prática e funcional. Agora, diante de estudos que escancaram o seu lado sombrio, muitas vezes invisível para a maioria de nós, é natural que seja difícil aceitar que não dá mais para seguir confiando no que nos trouxe até aqui. Até porque, existem outros caminhos possíveis. Caminhos que apontam para um futuro mais saudável e consciente.UMA HISTÓRIA QUE VALE A NOSSA REFLEXÃO Todos nós estamos sendo cobrados quanto a uma educação digital e midiática mais consciente. Mas, é dentro de casa que essa batalha é mais desafiadora. Por isso trago aqui a história de Gay Longworth e Roxy Spiegel, mãe e filha. Segue um breve resumo:Roxy ganhou seu 1º smartphone aos 13 anos. Sua mãe relata: “Administrar as horas de uso já era um desafio, imagine então o conteúdo. As desculpas eram sempre plausíveis o suficiente: preciso para a escola, preciso para planejar, preciso para dormir". O que sua mãe não imaginava era que Roxy, com 13 anos, recebeu no Facebook uma mensagem de um garoto de 17 anos, da sua escola, e pediu para continuar a conversa pelo Snapchat. Ele era mais velho, popular e atraente, e ela se sentiu lisonjeada. Em poucos dias, ele já estava pedindo fotos, e quando ela dizia não, ele parava de mandar mensagens. Quando ele sumia, Roxy se sentia rejeitada. Quando voltava, pedia de novo e dizia que se ela não mandasse fotos, contaria para todo mundo que ela era frígida e chata, e aí ninguém ia querer mais falar com ela. Quando ela mandava as fotos, nunca era o suficiente. Noite após noite, ele seguia exigindo fotos mais explícitas para continuar interessado. Um dia Roxy decidiu não ceder mais e parou de enviar fotos. Foi difícil. Ela precisou de muita coragem. E quando estava começando a se sentir melhor, outro garoto da sua escola entrou em contato pedindo fotos dela nua. Ela tentou ignorá-lo e aí, ele lhe enviou quatro fotos dela, nua, que tinha recebido do outro garoto. Então, o ciclo recomeçou, se tornou de novo insuportável, até que ela o bloqueou de tudo.O resultado? Suas fotos nuas foram enviadas a outros garotos. Na escola, seus amigos pararam de falar com ela, e, por vezes, garotos gritavam das janelas das salas de aulas pedindo fotos para eles também. A diretoria da escola acusou Roxy de enviar fotos nuas para os garotos, e disse mais: “que, felizmente, por consideração a ela, não chamariam a polícia”. Tudo isso fez com que Roxy, acreditasse que a culpa, realmente, fosse dela.Assim, aos 13 anos, após ser aliciada, coagida, chantageada e considerada culpada, ela teve um surto psicótico que quase a matou. Aos 14, ela achava que sua vida tinha acabado, que não tinha mais motivos para viver, e as vozes na sua cabeça diziam que ela era uma “vadiazinha estúpida” que havia arruinado sua própria vida. Tentativas de suicídio frustradas aconteceram, até que um dia ela fugiu. Desesperada, sua mãe acionou a polícia devido o seu desaparecimento. Contudo, ao entender o fato, o policial que a atendeu lhe explicou como era importante denunciar formalmente o que havia ocorrido na escola, para que Roxy entendesse que ela era a vítima. Porque vergonha mata. Roxy foi encontrada, precisou ser internada em um clínica psiquiátrica, e gradualmente seu tratamento foi surtindo efeito. Dos 15 aos 18 anos a solidão e a culpa ainda predominavam. Nesse período, a reconexão com sua mãe aconteceu através de cartas nas quais elas escreviam o que sentiam, pois ainda era difícil falar. O relacionamento delas, mesmo cheio de rachaduras, com muito amor e compreensão foi curado. Depois, as cartas se transformaram em livro. Por fim, Roxy, agora com 23 anos, transformou sua dor em ajuda ao criar o projeto Behind Our Screens - em tradução literal: por trás das nossas telas - porque ela sabe o que é sofrer em silêncio.Juntas, mãe e filha contam sua história no livro “When You Lose It: Two voices”, Ainda sem tradução para o português. O relato delas que trago aqui foi publicado via After Babel. SEGURANÇA DIGITAL Nesse momento há um movimento global que luta pela proibição do acesso às redes sociais para crianças e adolescentes. Países como Dinamarca, Itália, França e Alemanha variam um pouco a idade base, mas de forma geral, mantém o acesso a partir dos 13 anos com consentimento dos pais. 13 anos, mesma idade que Roxy recebeu seu 1º smarthphone.13 anos, mesma idade em que ela declara que:“Quando aprendíamos sobre “segurança online” na escola, sempre parecia algo completamente distante da nossa realidade. Os professores não entendiam, e as informações pareciam muito distantes das nossas experiências. Os estudos de caso pareciam extremos e, sinceramente, eu achava que jamais seria a pessoa tola o suficiente para acabar nessas situações. Não havia a menor possibilidade de isso acontecer comigo”. Roxy Spiegel,Assim como com a Roxy e sua família, a maioria dos pais e adolescentes que passam por situações similares também nunca acreditaram que algo assim poderia acontecer com eles.No Brasil, a partir de 2026, o acesso as redes sociais para menores de 16 anos passa a depender da vinculação a um responsável e de mecanismos de proteção mais rígidos. Com isso, as recomendações serão as seguintes:* A partir de 12 anos: aplicativos de mensagens (como WhatsApp), desde que os pais possam controlar as funções e o uso;* A partir de 14 anos: chatbots de IA generativa, como ChatGPT, e marketplaces;* A partir de 16 anos: redes sociais, aplicativos com compartilhamento de localização ou coleta de dados, e plataformas que utilizem algoritmos de engajamento contínuo;Até o momento recomendações. Isso ainda não está imposto por lei. A DECISÃO DA AUSTRÁLIANeste momento, a decisão da Austrália em ser o primeiro país do mundo a aprovar uma lei federal de banimento total das redes sociais para menores de 16 anos, sem opção de consentimento dos pais para acesso mais cedo, é algo inédito e que está dando muito o que falar.A lei australiana passa a valer a partir desta quarta-feira, dia 10 de dezembro. E a plataforma que não cumprir as novas diretrizes, estará sujeita a multas de quase 50 milhões de dólares australianos (no câmbio de hoje, algo em torno de R$ 170 milhões). Com isso, as plataformas passaram as duas ultimas semanas enviando alertas para todas as contas que acreditam serem de menores de 16 anos, informando:“Devido às leis da Austrália, em breve os menores de 16 anos não poderão mais usar as redes sociais”.Até agora, o governo australiano bloqueou dez plataformas: Facebook, Instagram, Snapchat, Threads, TikTok, X, YouTube, Reddit e as plataformas de streaming Kick e Twitch. Está no radar a expansão para jogos online; o que já fez com que Roblox e Discord adotassem verificações de idade em alguns recursos.O Governo Australiano entende que rolagem, conteúdos curtos e inapropriados são danosos, e, que, ao impedir comunicação via redes sociais atuará contra interações de risco. Acesse aqui a Matéria completa ou assista o vídeo abaixo.Reações contra e à favor ganharam relevância e, nesse meio tempo, dois adolescentes decidiram processar seu Governo. Um deles, Noah Jonas, de 15 anos, alega: “Em vez de excluir adolescentes das redes sociais, até porque nós não somos o problema, a gente deveria estar excluindo as coisas ruins das redes sociais, como o bullying online, os predadores e os conteúdos explícitos”.Do alto dos seus 15 anos, Noah acredita no que argumenta porque sua imaturidade não permite que ele perceba algo fundamental: a ausência de predadores ou de conteúdo explícito não muda o fato de que os algoritmos foram criados para capturar e reter nossa atenção. E, assim, independente do tipo de conteúdo consumido, o próprio formato dessas plataformas — veloz, fragmentado, incessante — já é suficiente para produzir perdas cognitivas, impactos mentais e danos comportamentais.Então, como fazer alguém de 15 ou 10, 11, 12, 13 ou 14 anos, que há anos tem seu próprio celular, compreender aquilo que até muitos adultos não conseguem enxergar?REGRAS Nesse sentido, a psicóloga Jean M. Twenge acaba de lançar o livro 10 Regras para Criar Filhos em um Mundo de Alta Tecnologia, no qual ela defende que estabelecer regras é a melhor solução para lidar com esse momento digital.Em seu artigo publicado na Generation Tech, Jean M. Twenge, escreve:Passei a última década focada principalmente em duas coisas: pesquisar o impacto negativo do tempo gasto em frente às telas na saúde mental dos adolescentes e criar três filhos, da infância à adolescência. Como muitos pais, tenho medo pelos meus filhos e me sinto frustrada por não conseguir protegê-los completamente. Mas também estou cada vez mais convencida de que esse problema tem solução.A solução são regras – não regras vagas ou ambiguas, não regras do tipo “cada criança é diferente”, não regras ludicas do tipo “nada de tecnologia”, não regras do tipo “vamos apenas conversar com as crianças”, mas sugestões concretas para adiar e limitar o uso de dispositivos, permitindo que seus filhos participem do mundo moderno da tecnologia.Conversar simplesmente não basta. Crianças precisam de regras porque são crianças. Elas simplesmente não têm o mesmo discernimento ou autocontrole que um adulto. Imagine se disséssemos: “Vamos conversar com as crianças sobre por que elas não devem beber álcool até serem mais velhas.” Ou “Não existe uma idade certa para crianças comprarem álcool – algumas podem estar prontas aos 12 anos!” Ou, se nossos filhos e seus amigos começassem a beber aos 14 anos, disséssemos: “É assim que
Conteúdo disponível em texto e áudioComo vai você? Tudo bem?Espero que sim! E que, nesses nossos encontros semanais, possamos te ajudar a entender melhor o que contribui ou atrapalha quando o assunto é a sua saúde emocional e familiar. Então, deixa eu te contar! Semana passada, me deparei com essa notícia:A FoloToy, empresa sediada em Singapura, retirou do mercado o ursinho de pelúcia “Kumma”, equipado com inteligência artificial, após ser constatada a verbalização de conteúdos inapropriados como orientações perigosas e conversas sexualmente explícitas. A decisão foi impulsionada por um relatório do US PIRG Educational Fund que revelou falhas de segurança no produto, levando a OpenAI a suspender o desenvolvedor. Acesse aqui a matéria completa.Essa história começou assim: diante da oferta de brinquedos infantis habilitados para o uso com Inteligência Artificial, um grupo de defesa do consumidor começou a testar alguns deles e descobriu que, apesar da aparência inocente, o Kummy era, no mínimo, uma companhia bastante inapropriada.O ursinho, foi construído usando o modelo do Chat GPT-4o - para sua referência, esta é a versão anterior a que está disponível hoje no mercado, a GPT - 5.1, mais conversacional que a versão 4o.Quando perguntaram ao Kumma onde poderiam encontrar uma correspondência, o brinquedo os direcionou para aplicativos de namoro. Quando pressionaram por uma explicação, ele ofereceu uma lista de plataformas populares e depois as descreveu. Mas, não parou aí, o brinquedo identificou e indicou até um aplicativo que atende a encontros e fetiches BDSM, conceito que caso você não conheça, inclui sadismo e masoquismo. O relatório também declarou: “O Kumma da FoloToy nos disse onde encontrar uma variedade de objetos potencialmente perigosos, incluindo facas, pílulas, fósforos e sacolas plásticas”.Oficialmente, Teddy Kumma é vendido por US$ 99 “como um companheiro inteligente que vai além dos abraços, perfeito para promover a curiosidade e o aprendizado. Equipado com excelente tecnologia de IA, interage em tempo real, oferecendo bate-papos amigáveis e conversas profundas para crianças e adultos". Confira aqui.Vale ressaltar, que no site da empresa, toda a comunicação visual do produto está voltada para a primeira infância. Diante desses fatos, me perguntei: Uma criança na primeira infância, em sua fase mais pura de descobertas e conexão com seus pais, precisa mesmo de um brinquedo como este?Uma criança em uma outra fase da vida, deve realmente ter como companhia conversacional uma inteligência artificial?Vivemos uma crise muito além das questões de infância, telas e redes sociais. Lidamos com a dificuldade de conseguir sentar à mesa em família, de cuidar da saúde e performar em bem-estar. Precisamos crescer profissionalmente, e também validar nosso reconhecimento de forma pública, além de ter que colocar comida na mesa enquanto um monte de gente jura que enriquece fácil.Quem dá conta de tudo isso? Ninguém! Não existe performance sem sacrifício. Tudo é uma questão de prioridades!Estamos na luta para dar conta da nossa vida pessoal e profissional, e, é aí, que a Inteligência Artificial se propõe a resolver nossos problemas. Ela está disponível para organizar e solucionar tarefas de casa; monitorar a saúde, o bem estar e a segurança de crianças e idosos; oferecer auxilio educacional; entreter e divertir crianças, facilitar a comunicação e até ajudar a divisão de tarefas entre familiares. O marketing seduz, a cultura normaliza e não podemos negar: falta tempo e precisamos de ajuda. Mas, me diga: a tecnologia voltada para o suporte familiar é válida até onde? É claro que queremos otimizar tempo, recursos e agregar ganhos, mas sendo bem honesta: Quando foi que perdemos a capacidade de gerenciar nossa própria vida? Quando foi que passamos a precisar de tecnologia como suporte para dar conta até de uma simples divisão de tarefas domésticas?São perguntas importantes que, se não as fizermos, talvez percamos mais saúde mental e aumentaremos os riscos de distanciamento de quem mais amamos. Afinal, quando precisamos de um ursinho para conversar com crianças até 5 anos, o que estamos fazendo? Dando um brinquedo inteligente ou terceirizando a uma IA ensinar o que ela considera apropriado a uma criança?LIBERDADE Quanta vezes já ouvimos - especialmente nós, mulheres - aquela máxima que podemos ser tudo ou fazer tudo. Não, não podemos. E não me entenda mal. Podemos seguir o caminho que desejarmos, batalharmos pela profissão e os espaços que sonhamos, enfim, não é sobre esse tipo de escolhas que estou falando. O que estou afirmando é:Ninguém pode ser tudo ou fazer tudo. Nenhum um homem ou mulher consegue. Até máquinas e robôs tem funções específicas e precisam de manutenções periódicas.Se realmente acharmos que podemos dar conta de tudo, passamos a acreditar em uma liberdade e um poder cheio de efeitos colaterais!Conhece a teoria da sociedade do cansaço? Nela, Byung-Chul Han, um filósofo sul-coreano, argumenta que a liberdade se torna uma armadilha quando o excesso de positividade e a imparável busca por realização - ou seja: tudo tem que crescer, melhorar, aperfeiçoar - nos leva ao esgotamento mental e emocional devido as nossas próprias cobranças por performance e sucesso. Exaustão e insatisfação também se fazem presentes quando a grama do vizinho brilha nas redes sociais, nas histórias que a mídia conta… é, a vida alheia instiga! E quando não conseguimos ser tudo isso? E quando não dá para fazer tudo? Como já disse Luis Felipe Pondè: Se não dá para fracassar, não dá para ter saúde mental.PERFORMANCE O que comemos, porque comemos, como devemos nos sentir e nos expressar, o que aceitar, o que rejeitar, novas demandas, como educar filhos, como cuidar do casamento, dos relacionamentos, reconhecer perigos, lidar com a violência que nos ronda… são tantas informações, cobranças e novas definições de conduta, que viver, especialmente para quem tem filhos, virou quase uma maratona diária.Nenhum atleta suporta maratonas diárias. Se você está cansada, precisa descansar ou uma hora seu corpo, ou sua mente, não dará mais conta. Ah, mas não tem jeito! Não vou dar conta de tudo que preciso fazer se não me sacrificar tanto!Realmente, se você estiver fazendo mais do que é necessário ou suportável, não vai mesmo. Falta tempo para quê? Para você? Para estar em família? Para seus projetos pessoais ou profissionais? A regra básica para equilibrar a vida é definir prioridades. E aí? O que fazer?ESCOLHASAs melhores que pudermos. Será natural acertar e errar, mas isso não é justificativa para permanecermos errando. Quanto mais rápido identificarmos e reconhecermos nossos erros, mais rápido viramos o jogo. Sabemos: nossas decisões vão alcançar nossas relações mais íntimas, especialmente, nossos relacionamentos familiares. Como, então, garantir que escolhas difíceis, que nos custam caro, não comprometerão nossos relacionamentos?Desde séculos atrás, famílias saudáveis que deixaram legados emocionais inspiradores, foram geridas por patriarcas e matriarcas que não estudaram para isso. Nada de mentoria, nem coaching, nem terapia para enfrentar dúvidas, medos dificuldades e obstáculos.O segredo deles? Amor, compromisso, respeito, fidelidade e família como prioridade. Eles sabiam: onde e como investimos nosso tempo, atenção e esforço, define o que vamos colher ao longo da vida. Precisamos estar muito bem fundamentados naquilo que acreditamos. Se nossos princípios definem nossos valores, eles refletem na forma como nos vemos e nos entendemos. Nesse caso, até o fracasso trabalhará a favor da nossa saúde mental.Em tudo isso: Maturidade é escolha. Autoconhecimento é o despertar para ela.TECNOLOGIA NÃO SUPRE AFETOUsamos smartphones, smartwatches, aplicativos de saúde que contam passos, calorias, avaliam nosso sono, emoções e humor, acompanhando e registrando tudo de forma sistemática porque a vida em auto monitoramento promete nos dar controle. A tecnologia oferece eficiência como forma de felicidade. Robôs e Inteligência Artificial estão sendo disponibilizados para terapias, companhia e inclusão social para adultos, idosos e famílias.Todavia, para afeto, pertencimento, inclusão e cura da solidão, nenhuma máquina substituirá um ser humano. Não há tecnologia no mundo que possa suprir a ausência paterna, a companhia materna, o colo da avó ou brincar com outras crianças. Presença é fruto das escolhas que fazemos por amor. E ela é insubstituível.Este post é público e gratuito. Se você gostou desse conteúdo e entende a importância do nosso trabalho, compartilhe o Clube Orekare com mais gente!POR FIMQuanto ao ursinho que falamos, apesar dos alertas e da recente repercussão internacional, ele segue e seguirá disponível para compra. Alertas foram feitos, quem dará ouvidos? Obrigada pela sua companhia na nossa news de hoje! Feita com muita curadoria e carinho, para que nesses 14, 15 minutinhos juntos aqui, você pode refletir um pouco sobre como podemos agir de forma preventiva e ativa para a sua saúde emocional e da sua família.O Clube Orekare existe para multiplicar conteúdo carregado de conhecimento, propondo reflexões e experiências que agregarão valor à sua vida! inscreva-se logo abaixo e apoie o nosso trabalho.Por hoje, eu fico por aqui!Nos vemos em breve!Até lá!1 Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe
Conteúdo disponível em texto e áudioTodos nós estamos bem conscientes sobre as consequências do uso de redes sociais para crianças e adolescentes. Mas, e a SUA relação com as redes sociais, como ela te influencia e se reflete na sua família e nos seus relacionamentos?Quem já não se viu em uma roda de amigos, conhecidos, ou mesmo em família, com todos de olho na tela do celular? Cena comum, neh? Que pode acontecer a qualquer momento, em qualquer lugar e contexto, nos dias atuais.Verdade seja dita: o celular serve tanto para a nossa conexão quanto para a nossa desconexão. Se o utilizamos bem, são diversos os benefícios! Se nos tornamos inseparáveis dele, não tem como negar: haverá danos.Ainda que você me diga que só usa o celular para o trabalho, manter-se alerta à mensagens, emails e monitoramento do que quer que seja, exaure qualquer um! É que conexão digital pode, sim, gerar desconexão real.ATENÇÃO!É bem verdade que, ao longo do ano, trouxemos até você muitas informações sobre redes sociais e internet. Então, porque falar disso novamente?? Por que:* Nós, adultos, precisamos compreender que não estamos imunes aos danos que a vida digital gera; e isso transborda para os nossos relacionamentos familiares.* Apesar dos alertas, informações e dados reais sobre o tema, infelizmente, a grande maioria de nós ainda acredita ser imune aos seus danos. * Sem a nossa conscientização, a maioria das crianças e adolescentes continuarão a ter acesso a uma vida digital precoce com seus riscos iminentes. A VIDA DIGITAL DO ADULTORedes sociais até parecem inofensivas para nós, adultos. Contudo, não são. Claro que há pontos positivos e a forma como as utilizamos fará total diferença. Sabemos que a exposição digital afeta a forma como as pessoas nos veem, nos avaliam, e por isso utilizamos redes sociais até como forma de construção de imagem profissional. O que postamos, escrevemos e compartilhamos conduz a forma que desejamos que as pessoas nos vejam e como nos comunicamos com elas.Por outro lado, independente da forma como eu e você consumimos redes sociais, mergulhamos em um ambiente onde TUDO tem como objetivo nos dar informações rápidas e apelativas à nossa atenção. O algoritmo foi criado para isso, e cumpre muito bem o seu papel. Já nos habituamos tanto com isso que agimos como o fumante, que sabe que fumar faz mal mas nem se importa. Seguimos condicionando nossa mente à busca por dopamina barata, exercitando a redução da nossa capacidade de atenção e promovendo multitarefas superficiais - que é o que acontece quando rolamos a tela mudando os temas de conteúdo rapidamente e o tempo todo. Sem falar em que usa tudo ao mesmo tempo.O resultado? Estamos remodelando nossos hábitos cognitivos e a forma como vemos o mundo. É SÉRIO ESSE BILHETEAh, mas que exagero! Será mesmo?Em 2019, duas pesquisas bem interessantes comprovaram que quando jovens ou adultos param de usar redes sociais, eis o que acontece:* As pessoas se sentem mais felizes, mais satisfeitas com sua vida e com menos depressão e ansiedade( Estudo Stanford & NYU, 2019).* Há até uma redução na divisão de opiniões com relação às questões políticas – sim, cai a polarização - ou melhor, aumenta nossa disposição em entender o outro lado e isso significa aumentar nossa capacidade de dialogar com os diferentes ( Universidade A&M, Texas).Se nós, adultos, somos vulneráveis a condução de um algoritmo e ao nos distanciarmos dele ganhamos todos esses benefícios, imagine o que significa para a saúde mental de uma criança ou adolescente o uso contínuo de redes sociais.OUTRO BOM EXEMPLOPlataformas de vídeo de formato curto, como TikTok, Instagram Reels e YouTube Shorts, são agora uma parte importante da vida diária de muitas pessoas. O estudo “Feeds, Sentimentos e Foco: Uma Revisão Sistemática e Meta-Análise Examinando as Correlações da Saúde Cognitiva e Mental do Uso de Vídeo de Formato Curto”, incluiu dados de mais de 98 mil participantes jovens e adultos, de 71 estudos diferentes e foi publicado pela American Psychological Association (APA). Ele confirma:A exposição repetida a conteúdos altamente estimulantes e acelerados, ao longo do tempo, tem a capacidade de nos tornar insensíveis às tarefas cognitivas mais lentas e extenuantes - como leitura, resolução de problemas ou aprendizado profundo. Esse processo pode reduzir gradualmente a resistência cognitiva e enfraquecer a capacidade do cérebro de manter a atenção em uma única tarefa. Quanto à saúde mental, constatou-se a relação entre o uso contínuo dessas plataformas e o aumento dos sintomas de depressão, ansiedade, estresse e solidão.Portanto, um maior envolvimento com essas plataformas está associado a uma pior saúde cognitiva e mental em jovens e adultos. DIANTE DESSES FATOSVou te lançar algumas perguntas para a sua auto avaliação. Considerando a sua vida e estilo de consumo digital, responda:* Como vai sua capacidade de concentração e memória hoje? * Você sente dificuldade em permanecer concentrado em tarefas que exigem foco, como ler um livro ou ver um filme completo, sem necessidade de verificar o celular ou alternar para outra tela?* Quantas vezes por dia, em média, você desbloqueia seu celular, e qual é o principal gatilho para isso (notificação, hábito, tédio, ansiedade)?* Atuando de forma multitarefa, você normalmente pega no celular para responder mensagens em meio a conversas com outras pessoas, reuniões e momentos especiais em família?* Você já parou para avaliar como as redes sociais - e isso inclui o WhatsApp - tem afetado diretamente a sua atenção e foco? * Quanto de você acredita que o uso diário e contínuo de redes sociais tem gerado uma pior saúde cognitiva e mental para você?TUDO COMEÇA EM CASAA imensa maioria das crianças acessa internet e redes sociais pela primeira vez dentro de casa e isso acontece em idades muito precoces - 24% delas acessam antes dos 6 anos. Isso geralmente acontece através dos dispositivos dos pais.Se eu e você, adultos que somos, precisamos utilizar redes sociais de forma moderada e consciente para fazer bom uso - o que inclui nos manter alertas as entregas do algoritmo, narrativas, mensagens de estranhos, conteúdo violento, grotesco e por aí vai - francamente: como podemos esperar que uma criança ou adolescente tenha a maturidade necessária para isso?Que tipo de educação temos dado sobre isso antes de lhes entregar um celular em mãos? Quem recebe tem idade suficiente para entender o que vai encontrar ali? Está pronto para reconhecer os riscos que envolvem o uso disso tudo?Segundo o levantamento realizado em 2024 pela TIC Kids Online Brasil, 93% da população de 9 a 17 anos no Brasil usa a internet. Destes:* 98% acessam pelo celular, mas só 37% acessam pelo computador;* 71% usam o WhatsApp todos os dias ou quase todos os dias – o índice é de 66% para o YouTube, 60% para o Instagram e 50% para o TikTok;* 30% já tiveram contato pela internet com alguém que não conheciam pessoalmente;* No grupo de 11 a 17 anos, 24% tentaram passar menos tempo na internet, mas não conseguiram;* Na mesma faixa etária, 22% relataram que, por conta do uso excessivo de internet, passaram menos tempo com família, amigos ou fazendo lição de casa.Acesse aqui a matéria completa.O telefone, ao nos dar o mundo na palma da mão, primeiro facilitou nossa comunicação, depois fomos nós que nos tornamos reféns de uma comunicação que nos tira da conexão real e nos envolve ativamente na digital. O celular não é o culpado de tudo, ele é uma ferramenta que ampliou nossa desconexão familiar e social. Desconexão gera solidão, insegurança, medo de revelar vergonhas e pedir ajuda.Hoje, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) a solidão virou uma doença real, uma epidemia crescente, e a faixa etária que mais cresce é a dos 13 aos 17 anos. AJUSTANDO A LENTESe estamos conscientes de que o objetivo do algoritmo é nos segurar ali o máximo de tempo possível, que ele afeta a nossa percepção de mundo e nos causa, no mínimo, real perda de concentração e foco, como, em sã consciência, podemos consentir que crianças acessem redes sociais?Reflita: se damos mais atenção às mensagens do WhatsApp do que a quem está ao nosso lado, o que estamos comunicando?Quando mentes em formação, com identidades e sentimentos ainda em construção, não se sentem vistas, ouvidas ou amadas, se tornam carentes de atenção e solitárias. Vulneráveis e buscando validação - muitas sem ainda nem saber o significado disso - se tornam presas fáceis em um vasto ambiente online repleto de predadores e experts em manipulação emocional.E a exposição precoce? O que ela agrega? Qual vai ser o efeito dessa exposição daqui a 20, 30 anos? Especialistas já apontam para um conceito de demência digital, com aumento de doenças como Alzheimer, doença frontotemporal, dentre outras doenças neurodegenerativas devido a forma como isso afeta desde a formação cerebral até o gerenciamento emocional. Dificuldade de aprendizagem, fragmentação da atenção, dificuldade de memória, dificuldade de aprendizagem, ansiedade, depressão, são alguns dos impactos já registrados no presente.Mas, sabe o que é pior? É saber que quando uma pai ou mãe descobre que o problema chegou à sua casa, ele já estava lá há tempos. SENDO BEM REALISTANos indignamos com a série ADOLESCÊNCIA. Nos revoltamos quando o video do Felca nos apresentou a ADULTIZAÇÃO de forma didática. Conhecemos os riscos. Sabemos os danos. Se sabemos, porque continuamos a permitir crianças acessando Discord, Roblox, tendo contas no Instagram, TikTok, navegando sozinhas no Youtube, dentre outros?A RESPOSTAConexão real. Essa é a resposta para todos nós. Conexão gera confiança e segurança para pedidos de socorro quando algo não vai bem.Contudo, não existe conexão real sem a construção diária de diálogo, afeto e tempo de qualidade. Dá trabalho. Exige esforço. Requer investimento de tempo, de atenção, de disposição para estar presente. Quando falta conexão, rachaduras relacionais acontecem. Quando elas surgem entre pais e filhos e não são res
Conteúdo disponível em texto e áudioComo vai você? Tudo bem por ai?Por aqui já estamos em ritmo de final de ano, e correndo contra o tempo para fazer tudo que ainda é preciso antes que 2026 chegue chegando! E nessa reta final, especialmente às vésperas de um ano em que parece que o mundo caminha para mais conflitos, menos paz e segue em crescente overdose de informações, você ja parou para pensar em como tudo isso reflete dentro da sua casa? Nas emoções e entendimentos dos seus filhos sobre o mundo e sobre eles mesmos? E, em especial, dentro de você? É real poder afirmar que a imensa maioria das pessoas anda vivendo no modo automático. Temos ouvido uma reclamação geral de tempo escasso, muitas responsabilidades, desejos adiados, preocupações constantes e, aí, cada um se organiza da melhor maneira que consegue e de acordo com o que o bolso pode ou aguenta.Nesse ritmo, existem perguntas importantíssimas que muitos de nós deixamos de fazer, mas, que são fundamentais para cuidar bem da nossa saúde em todas as suas dimensões: física, mental, emocional, e, até, social. Assim sendo, nessa reta final de 2025, estou aqui para te convidar a fazer algumas boas perguntas e a refletir sobre suas próprias respostas. Aviso: algumas perguntas, como são pessoais, só você poderá responder. Se você topar minha proposta, estará de forma natural e orgânica exercitando autoconhecimento, refletindo sobre temas importantes e sendo estimulado(a) a pensar por si só. Agora, se sua dúvida é: como saberei se minhas respostas estão corretas ou se são, de fato, boas para a minha paz, equilíbrio e felicidade?Simples: o 1º passo que vamos dar juntos é te ajudar a relembrar que princípios norteiam seus valores. Vem comigo.O 1º PASSOPrincípios SÃO A BASE DO NOSSO ENTENDIMENTO SOBRE MORAL, ÉTICA E VIDA EM SOCIEDADE. Eu sei que essa é uma informação básica, mas acredite: muita gente, facilmente, confunde princípios com valores e os relativiza. Por serem a base moral da ética e do caráter - portanto, o guia das crenças fundamentais de um indivíduo - quando alguém quebra ou promove princípios, naturalmente, isso resultará em consequências sociais. Assim sendo, considere os seguintes exemplos:A Verdade é um Princípio por ser uma condição imutável da realidade. É ela que fundamenta, por exemplo, valores como: honestidade, confiança ou que é ou não correto.Outro Principio fundamental é a Liberdade, e, para que ela seja exercida, exige que respeito, responsabilidade e limites estejam ativos.O Amor também pode ser considerado um Princípio, partindo do pressuposto de que a definição mais pura de amor é que ele é benigno, justo, fiel, sendo um alicerce que não se limita a espera do sentir e que, por suas corretas características, baseia as relações humanas mais profundas.Agora me diga:A Justiça é um Princípio ou um Valor?Aháá!!! Pois bem! Para alguns a justiça é um princípio, já para outros um valor.Quem define? Filosoficamente, ela é um princípio moral e ético necessário para o equilíbrio da sociedade. Lembre-se: valores são mutáveis, isso permite que possam ser bons ou maus e isso inclui contexto. Princípios são pilares. Tanto que, quando não aplicados, comumente dizemos: essa pessoa não tem princípios.Portanto, se são os PRINCÍPIOS que fornecem a base de sustentação dos nossos valores e deles dependem nosso equilíbrio pessoal, familiar e social, quais são os seus?Se possível, pare um instante e nomei-os.Agora, eu te pergunto: E quando as emoções entram nesse jogo, o que acontece?Desde que começamos a validar o entendimento equivocado de que nossas emoções podem falar mais alto do que os princípios que temos como base dos nossos valores e condutas, isso afetou a todos nós. Como consequência, passamos a aceitar que se alguém se sente ofendido ou injustiçado por algo, seus sentimentos podem ser mais validados do que aquilo que, de fato, é justo, correto ou verdadeiro.Quando validamos mais os nossos sentimentos, ou, com a melhor das intenções julgamos nosso entorno através deles, desconsiderando princípios fundamentais de convívio, estamos tornando tudo à nossa volta mais injusto e frágil.Já, quando, por exemplo, ensinamos respeito, por si mesmo e pelos outros, ensinamos uma atitude racional e moralmente necessária. Percebe? Ao aplicar aqui o respeito como princípio, o sentir por si e pelo outro recebe a devida atenção. O respeito não me impõe concordância, mas coerência em ter uma atitude correta e justa para com o outro.Considere ainda:Se alguém afirma que nada é bom ou mal de fato, o que acontece com a verdade e a justiça? Se tudo pode ser justificável e a verdade relativizada, torna-se impossível condenar moralmente qualquer ato. Isso destrói a verdade e dá valia a meras opiniões e preferências. Na prática: paralisa a capacidade da sociedade de autocorreção ética. Como atualmente vivemos nesse contexto, o resultado tem sido:Instabilidade social, injustiça, polarização, confusão, individualismo, relacionamentos quebrados, aumento da criminalidade, irresponsabilidade, indiferença, dentre outros.Isso nos dá uma amostra do por que as pessoas nunca estiveram tão machucadas, ofendidas e adoecidas como agora. O PRÓXIMO PASSONão podemos negar: nesse contexto, descartar o valor dos princípios e dar ao sentir um lugar de primazia, faz parte da raiz do problema. Com as melhores - ou piores - intenções, uma parte da sociedade passou a validar sentimentos individuais, e as vezes até coletivos, como se fossem mais importantes que princípios fundamentais. Como resultado, em vez de ganharmos mais empatia, a imposição do sentir tem nos levado a lidar com situações cada vez mais inquietantes, envolvendo principalmente identidade e coletividade. Precisamos ter em mente que a consequência direta da relativização de princípios é a quebra de valores que devem nortear nossa visão de mundo, pensamento crítico, decisões e, que, naturalmente, se desdobram para os nossos relacionamentos familiares, pessoais e profissionais, ou seja, nossas relações em sociedade. O VALOR DOS PRINCÍPIOS PARA A SAÚDE EMOCIONAL FAMILIAR Agora, te convido a avaliar o valor dos princípios para a saúde emocional da sua família e responder, para você mesmo, as 5 perguntas abaixo. Vamos a elas:1 - Muitas quebras e traumas pessoais, juntos com o real desejo de acertar, fizeram com que parte dos pais e adultos hoje, tentando evitar frustrações e dores, se tornassem mais guiados pelo que “sentem” ser mais correto. Por outro lado, temos visto surgir nas gerações mais jovens uma fragilidade emocional complexa. COMO VOCÊ ENTENDE ISSO?2 - Considerando que, diariamente, temos lidado com um gigantesco volume de narrativas que deturpam valores e quebram princípios; e ainda, que somos muito mais influenciados do que imaginamos por tudo que vemos e ouvimos:QUAIS SÃO OS SEUS PRINCÍPIOS E VALORES INEGOCIÁVEIS?3 - Ciente de que suas atitudes, reações e a forma como você age, demonstram estes mesmos princípios e valores para sua família; e que toda criança aprende mais observando o que adultos, em especial seus pais, fazem do que ouvindo o que eles dizem: VOCÊ TEM SIDO UM EXEMPLO PRÁTICO DOS SEUS VALORES PARA A SUA CASA?4 - Considerando que é em família que a criança aprende a primeira forma de regulação emocional e convivência social,VOCÊ CONSIDERA QUE, ATRAVÉS DO EXERCÍCIO DOS SEUS PRINCÍPIOS E VALORES, TEM VALIDADO CORRETAMENTE OS SENTIMENTOS DOS SEUS FILHOS?5 - Por fim, diante da saúde emocional que você tem experimentado em família:VOCÊ ACREDITA QUE TEM DADO AOS SEUS FILHOS O ENTENDIMENTO CLARO DO QUE É CORRETO E NECESSÁRIO SOBRE EMOÇÕES E AÇÕES?Considerar cada uma dessas perguntas, e refletir, ainda que rapidamente, sobre todas essas informações, na prática, exercita seu autoconhecimento e pensamento crítico. Assim, nesses 10, quase 11 minutinhos de leitura - até aqui - você refletiu sobre um dos temas mais importantes da atualidade e como isso tem impactado a sua vida e o seu dia a dia familiar. Caso queira compartilhar conosco sua opinião ou tirar dúvidas acerca deste tema, comente abaixo.O Clube Orekare existe para isso, levar até você conteúdo carregado de conhecimento, propondo experiências que agregarão valor à sua vida!Se você gostou deste conteúdo e entende a importância do nosso trabalho, compartilhe o Clube Orekare com mais pessoas e multiplique a nossa voz!Se você ainda não está inscrito no Clube, não perca tempo e inscreva-se logo abaixo. Ao inscrever-se nosso conteúdo chegará diretamente na sua caixa postal!Por hoje, eu fico por aqui!Nos vemos em breve!Até lá! Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe
Este conteúdo está disponível nas versões texto e áudio.Nos primeiros dias de outubro, uma noticia ganhou destaque nos principais veículos de comunicação mundo afora: a OpenAI, dona do ChatGPT, após lançar o Sora 2, abriu uma nova era de responsabilidades autoriais. Para treinar seu modelo gerador de imagens, a BigTech usou trechos de praticamente toda a produção cultural e audiovisual a que temos acesso, ou seja, filmes, séries, animações famosas, aparentemente tudo que estava disponível no mercado, mas sem licenciamento de direitos autorais.Imediatamente, o Sora 2 se tornou o aplicativo mais baixado do mundo e com isso uma onda de conteúdos virais, desmedidos e bizarros invadiram as redes sociais. Disney e New York Times, assim como outros grandes do setor, reagiram judicialmente acusando a OpenAI de violação massiva de propriedade intelectual. Para gerenciar a crise, a resposta dela foi: transferir toda a responsabilidade legal para os seus usuários.Agora, quem quiser usar o Sora 2, precisa declarar ser o proprietário dos direitos autorais sobre todo material utilizado. O usuário que violar qualquer direito autoral será banido permanentemente. E mais, há informações de que quem tentou apagar seu perfil do Sora, também apagou o acesso ao ChatGPT, removendo histórico, dados e até o direito de criar novas contas.E o que essa história tem haver com educação digital?A forma como utilizamos qualquer aplicativo, seja para nos comunicar, para criar, para entreter, para trabalhar, para pesquisar e muito mais, agora faz parte dessa esfera denominada cidadania virtual. E isso exige letramento digital.Dentro do chamado letramento digital, algumas dimensões vêm sendo discutidas sobre cultura digital e, ainda, sobre letramento midiático internacionalmente. São elas:Habilidades técnicas: operar dispositivos, acessar redes, usar aplicativos, manipular dados etc.;Habilidades cognitivas e críticas: selecionar, filtrar, avaliar fontes, comparar versões de informação, reconhecer viés, interpretar metadados etc.;Dimensão ética e valorativa: privacidade de dados, direitos autorais, uso responsável da tecnologia, cidadania digital;Produção e expressão digital: criar, remixar, publicar, interagir em ambientes digitais;Dimensão socioinstitucional: compreender que a tecnologia não é neutra — há poder, discurso, interesses e desigualdades implicadas.Portanto, a educação digital é o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que permitem a uma pessoa usar as tecnologias digitais de forma crítica, ética, segura e responsável para aprender, comunicar-se e participar plenamente na sociedade. E isso é muito maior do que o que temos discutido acerca de redes sociais.Dito tudo isso, pergunto a você pai e mãe aqui presente:Você se sente preparado(a) para ser um educador digital nessa magnitude?A REALIDADE NACIONALSegundo o documento orientador do Ministério da Educação, apresentado em março deste ano, 2025, o MEC afirma:A educação digital e midiática é definida como uma área interdisciplinar que inclui as competências e aprendizagens previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) relativas ao uso de tecnologias, comunicação, reflexão e análise de informações e mídias, cultura digital, mundo digital e pensamento computacional.No entendimento do CNE ( Conselho Nacional de Educação), a educação digital e midiática deve ser entendida como uma área interdisciplinar, com colaboração entre diferentes disciplinas e áreas de conhecimento, como história das técnicas e das ciências, humanidades digitais, sociologia da ciência, ciência da computação, ciências sociais computacionais, multiletramentos, comunicação, letramento computacional, matemática e educação linguística, entre outras.Como parte desse entendimento, o Governo informa que trabalha para queOs currículos da Educação Básica forneçam uma base de conhecimentos, aprendizagens e competências para que os estudantes acompanhem as novas complexidades do mundo globalizado e digital, e assim, possam se inserir com autonomia crítica no mundo digital e colaborar com práticas éticas, sustentáveis e igualitárias relativas a soluções tecnológicas para problemas sociais brasileiros.Contudo, especialistas observam que um problema central é que muitos estudantes e professores conhecem superficialmente algumas ferramentas, mas não desenvolvem capacidade crítica, reflexão e autonomia para navegar (e resistir) às lógicas comerciais, algoritmos, bolhas de filtro etc.Assim, ao longo deste ano está sendo elaborado um novo currículo, que será aplicado a todas as faixas etárias que envolvem o ensino básico, e um plano de formação de docentes para que a educação digital passe a ser uma obrigação curricular nessa amplitude. A expectativa de implementação obrigatória é para 2026.Para ter acesso ao documento completo com suas diretrizes, notas e justificativas, acesse aqui. https://www.gov.br/mec/pt-br/escolas-conectadas/documentos/guia_eddigital_versofinaloficial.pdfO PAPEL DA FAMÍLIA NESSE CENÁRIOPrecisamos concordar que a falta dessa educação, nessa amplitude, não é mais somente uma questão técnica, mas também uma fonte real de problemas socioemocionais, pois a vida social migrou em grande parte para o ambiente digital sem que as pessoas tivessem conhecimento adequado ou ferramentas para lidar com ele e compreender, por exemplo, a complexidade das questões comportamentais envolvidas.Como conseguiremos educar crianças a adolescentes a discernirem um ambiente virtual em que, assim como evidenciado pela chegada do Sora, se torna cada vez mais difícil lidar com deepfakes tão perfeitas que anunciam o fim do fato visual - quando vídeos e fotos, que até esse momento da história sempre validaram o que é verdadeiro, podem ser facilmente manipulados por uma Inteligência Artificial.E ai? Você se sente apto a explicar ao seu filho como funciona a dinâmica das redes sociais, os algoritmos, as entregas e o intuito de roubar sua atenção de tal forma que é capaz de gerar danos emocionais, comportamentais e até cognitivos? Você se sente pronto para identificar e falar com clareza sobre os riscos presentes em conteúdos e jogos?Investir em educação digital significa ensinar além de deep fakes ou fake news, mas educar sobre navegação ética e segura, saúde mental e autoestima em um universo de comparações, validações, filtros e edições. Despertar a esse respeito te permitirá exercer sua responsabilidade parental sem peso extra, mas com posicionamento e conhecimento que te ajudarão a dar conta desse desafio tão atual.SUA OPINIÃO PODE E DEVE SER OUVIDANeste momento, o Governo de São Paulo anuncia consulta pública sobre o novo currículo de educação digital nas escolas. Enquanto o Governo Nacional se prepara para a 3ª Semana Brasileira de Educação Midiática, com o intuito de mobilizar uma geração para a cidadania digital e a apresenta como:Um convite para que educadores, educomunicadores, estudantes, comunicadores, pesquisadores, ativistas e toda a sociedade ajudem a construir caminhos para uma educação midiática viva, comprometida com a cidadania digital e capaz de se fortalecer como prática transformadora em todo o Brasil.E sabe o que isso quer dizer?Que precisamos despertar e participar emitindo nossa opinião a respeito.Como Clube Orekare te convidamos hoje a, junto conosco, entender melhor o que está sendo debatido e emitir sua opinião a este respeito.Entendemos que investir seu tempo em conhecimento vai te mostrar que Educação Digital começa dentro de casa, e não é nenhum bicho de 7 cabeças. Porém, precisa que você aprenda mais sobre ela. Isso te capacitará para dialogar também quanto ao novo currículo que vem aí, bem como, com a escola de seu filho.Mas importante ainda, te ajudará a cuidar melhor da segurança online da sua família. Coisa que nenhum controle parental disponível no mercado fará sozinho.PARTICIPE!Você receberá ainda esta semana nosso formulário de pesquisa para que possamos conhecer melhor suas dúvidas e opiniões a respeito do tema. Ao responder você receberá um convite para, junto conosco, participar dessa agenda nacional propondo temas e questionamentos importantes para todos nós.Lembrando sempre que do que diz o Art. 2º, da Lei 9.394, de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional:A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.Sua opinião importa e juntos podemos fazer diferença!Compartilhe essa informação, convide mais pessoas a participarem e entenderem que precisamos atentar para o que será definido e implementado tanto em escolas públicas quanto privadas.Se você ainda não é assinante, inscreva-se abaixo e receba nosso conteúdo direto em sua caixa postal.Nos vemos em breve!Até lá! Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe
Este conteúdo está disponível nas versões texto e áudio.Apesar deste ser um tema indigesto, ele é necessário. Infelizmente, não podemos ignorar esse assunto. Mas podemos abordá-lo de uma perspectiva que nos leve a compreensão de que parte da solução começa na forma como reagimos a tudo isso. E a melhor forma de compreendermos como digeri-lo, é nos inteirando dos fatos. Ler o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 é uma experiência difícil e desconfortável - tanto que ainda nem terminei de ler todos os tópicos contidos nele pois estamos falando de diversas frentes relacionadas à violência. Contudo, o primeiro choque veio ao constatar que, hoje, são crianças e adolescentes as principais vítimas da violência sexual no Brasil.O anuário informa:“A faixa dos 10 aos 13 anos concentra o maior número de vítimas de estupro no Brasil. Ao segmentar a análise pelo total de estupros de vulnerável, essa porcentagem sobe para 42% nessa mesma faixa etária. Entre as vítimas com menos de 10 anos, os dados revelam uma realidade brutal: 23,4% do total de casos de estupro de vulnerável têm vítimas crianças de 5 a 9 anos, enquanto 13,1% são crianças de 0 a 4 anos”.E piora:Sim, você entendeu corretamente. É chocante! O documento ainda ressalta:Há também uma crescente de crimes virtuais. Na internet, a captação de imagens e o fácil acesso dos pedófilos, especialmente à crianças menores, fizeram com que a produção/distribuição de material de abuso sexual infantil crescesse, de 2023 para 2024, em 14,1%, considerando a faixa etária de 0 a 17 anos. Em todas as faixas etárias, seja no âmbito digital ou físico, os índices de crimes cometidos contra crianças e adolescentes, cresceram de 2023 para 2024.Quando falamos da violência sexual virtual, segundo o relatório da rede internacional InHope, que está presente em 51 países e reúne 55 canais de denúncia de crimes na internet pelo mundo, o Brasil saiu da 27ª para a 5ª posição no ranking internacional de denúncias, ficando atrás da Bulgária, Reino Unido, Holanda e Alemanha. Espera-se que essa crescente de informações seja fruto de um maior número de denúncias.BULLYING E CYBERBULLYINGNesse cenário, com a chegada da nova lei de combate ao Bullying e ao Cyberbullying, foram registrados:Todos estes números comprovam que temos situações cada vez mais agravantes acontecendo bem debaixo do nosso nariz. Por que continuamos a ver esses números crescentes? É uma questão ligada a falta de uso de programas de combate a estas situações ou a uso de processos e práticas ineficazes?OS ALARMES ESTÃO TOCANDOTemos muita gente que ainda não entendeu que o primeiro passo, quando falamos de proteção, é resgatarmos valores necessários para garantir que a segurança de crianças e adolescentes comece dentro de casa.É dentro de casa que estão os maiores protetores em potencial das nossas crianças e adolescentes. Sabemos ainda que, por vezes, é dentro de casa que também encontramos riscos. E o primeiro problema que tende a acontecer para que crianças e adolescentes se tornem desprotegidos e vulneráveis a predadores e agressores, é a quebra relacional. Esse rompimento leva a perda da segurança necessária para que filhos possam confiar plenamente em seus pais, e estarem preparados para os perigos na vida real e digital.Os problemas de violência não estão somente em redes sociais e não se limitam a pais rudes ou criminosos. Há muitas injustiças ao nosso redor. Contra algumas poderemos ser preventivos, contra outras não estaremos lá para defendê-los ou não teremos controle. Assim, a melhor forma de protegermos crianças e adolescentes é através da educação. A educação moral, sexual, financeira, intelectual, espiritual e emocional será decisiva na forma como crianças e adolescentes reagirão ao mundo ao seu redor.Esse conjunto de valores, quando desde cedo é ensinado com amor, respeito e equilíbrio em cada fase da vida, é o fundamento que baseará as reações de crianças e adolescentes quando estiverem sozinhos em suas próprias decisões. E eles errarão, precisarão de apoio, se frustrarão, não vão gostar de algumas das escolhas dos pais para eles. Mas a função dos pais como educadores exigirá posicionamento claro e firme.Autoridade não se conquista com castigos, muito menos fazendo da criança a dona das decisões da casa e da sua própria vida. Criança precisa sentir-se amada, vista, cuidada e isso inclui darmos a elas direção, limites, nãos, frustrações, ensinarmos a lidarem com ganhos e perdas, vitorias e dificuldades que vão prepará-las para a vida do lado de fora de casa.Cada família é um mundo próprio de valores, crenças, visão de mundo e conhecimento acerca dele. Ainda assim, parte dos nossos problemas atuais é que estamos perdendo a mão na educação, nos limites e na forma como tentamos consertar o que, aos nossos olhos, foram os erros dos nossos pais. Seja você conservador ou progressista, se seu filho ou filha não tiver em você um sólido alicerce de amor, diálogo, equilíbrio, segurança e autoridade, o resultado tende a ser danoso. Assim, as perguntas sinceras que precisamos fazer a nós mesmos são: * Sabemos ser esse sólido alicerce? * Temos acertado ou falhado? * Que caminhos seguros podemos percorrer para o devido ajuste ou resgate de nós mesmos para o bem de nossos filhos (e nosso)?QUANDO VOCÊ PENSA EM TUDO ISSO, QUE DÚVIDAS TE VEM A MENTE? Por fim, queremos te fazer um convite:Se você conhece alguém que precisa ter acesso a essas informações, compartilhe esse artigo. Compartilhar nosso conteúdo também é uma forma de apoiar o Clube Orekare e ajudar outras pessoas a despertarem para assuntos e temas importantes para a saúde mental, emocional e familiar.Se você ainda não é assinante, inscreva-se abaixo e receba nosso conteúdo direto em sua caixa postal.Nos vemos na próxima semana,Até lá!Zarhi El Malek & Jota Coelho Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe
Este conteúdo está disponível nas versões texto e áudio.Saúde mental é um tema sério e não podemos confundir nossas reações emocionais naturais, que, repito, são naturais diante de determinados contextos, com transtornos mentais. E aí, quando o assunto é dinheiro, me diga: quem, em sã consciência, ao passar por dificuldades financeiras já não se sentiu abatido, derrotado, frustrado, preocupado ou, no mínimo, desanimado? Vivemos em um país cuja vida socioeconômica sempre foi desafiadora para a imensa e maior parte da população (a redundância é proposital). Para refletirmos melhor sobre como finanças e informação afetam nossa saúde emocional, trago como exemplo uma matéria que veiculou na semana passada em grandes portais de notícias. Ela destaca:Esses dados são fruto de uma pesquisa encomendada pelo Serasa e que nos convida a seguinte reflexão:Quando 84% dos respondentes afirmam que a falta de dinheiro afeta sua saúde mental, é natural considerarmos que este é um tipo de abatimento compreensível. A falta de recursos é uma situação difícil, variável, e que, naturalmente, afeta nossas vidas e relacionamentos de diversas formas. Porém, considere ainda que:Instabilidade econômica, preços enlouquecidos, planos econômicos, mudanças de moeda… a realidade de vida no Brasil nunca foi fácil. Há pouco mais de 30 anos, a situação era tão grave que, nos oito anos anteriores ao Plano Real, o país teve quatro moedas diferentes e chegou a registrar, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), um aumento anual de preços de quase 2.500%(Fonte: Agência Senado). Como comparação, a inflação acumulada de 2025, hoje, está em 5.13%. Isso nos lembra que na vida teremos circunstâncias adversas, altos e baixos, ganhos e perdas, e acredite:Não me entenda mal! De fato, ter dinheiro ajuda em diversos aspectos, resolve muitas necessidades, nos dá tranquilidade e a chance de ter boa parte da vida em equilíbrio. Contudo, há uma enormidade de exemplos de pessoas sem problemas financeiros mas profundamente adoecidas e em busca de sentido para a vida. Outras vivenciando circunstâncias que não há dinheiro no mundo que resolva.A questão é: Como podemos passar por tudo isso sem sucumbirmos mentalmente?Quando somos emocionalmente saudáveis, conscientes do valor que temos e do que é valiosos para nós, nos tornamos naturalmente melhores gestores das dificuldades da vida. O que você acredita que pesa mais? Usufruir de valores bem enraizados e uma família bem estruturada, ainda que enfrentando problemas financeiros, ou, ter a garantia de um vida confortável e cheia de recursos, mas deficitária emocionalmente?Para parte de nós, a falência afetiva - independente da conta bancária familiar - começou lá na infância e deixou um rastro de insegurança que, a cada alarme de risco, aciona todas as nossas defesas. Esse tipo de sentimento também precisa ser melhor compreendido quando nos limita a pensar que é unicamente o dinheiro que nos fará vencer na vida ou ser feliz. Autoconhecimento começa quando nos auto observamos para melhor compreender o que sentimos e como isso afeta o que pensamos a nosso respeito. Da próxima vez que sentir que, ter ou não dinheiro é o define seu estado emocional, pare um instante, respire e comece aquietando sua mente. Em seguida, pergunte para si mesmo:* Que sentimento está me incomodando hoje?* O que me faz sentir isso? Esse sentimento é coerente com a situação que estou enfrentado? Se a resposta for sim, provavelmente é normal senti-lo. Então, siga em frente e pergunte-se:* Consigo manter minha calma mesmo quando minha vida financeira passa por dificuldades? * Como posso lidar com isso? Tenho uma solução imediata? * Se não, como posso resolver esse problema? Preciso do quê?* Darei conta? Se sim, acredite em sua capacidade de vencer as adversidades e você conseguirá.E importantíssimo! Em casos assim, cuidado com o uso de ansiolíticos ou antidepressivos desnecessários. Lembre-se: Toda medicação psicotrópica deve ser usada apenas sob rigorosa indicação e acompanhamento médico (psiquiatra). Ansiolíticos e remédios para dormir as vezes parecem inofensivos, mas podem causar dependência e até danos cognitivos. COMO IDENTIFICAR O ADOECIMENTO EMOCIONALContudo, se diante das perguntas acima, sua resposta for: não, não consigo entender o que me faz sentir essa angústia ou esse mal-estar intenso, persistente, que me paralisa. Então, é hora de pedir ajuda! Se o prejuízo funcional é real, nesse caso, pedir ajuda a um psicologo ou psiquiatra é uma outra forma de vencer essa batalha. É sinal de força, não de fraqueza. Sei que nessas horas precisamos também contar com alguém que nos apoie, e às vezes a gente acha que não tem ninguém com quem contar, mas há sempre alguém por perto que, se baixarmos a guarda e observarmos melhor, nos estenderá a mão.E PORQUE ESTAMOS FALANDO DISSO Estamos cercados por uma constante comunicação negativa de grande alcance, que, algumas vezes, apesar de nos apresentar um problema real não o esclarece devidamente. Quando confundimos fatos, podemos acreditar que estamos fadados a sermos vencidos pelos nossos problemas e emoções.Nem sempre é uma fake news( a noticia que apresentei aqui é verdadeira), mas se não tivermos um entendimento claro sobre os tempos atuais, a verdade vai sendo fatiada e cada um pega a parte que lhe interessa. Nesse caso, o risco é sermos levados pelo alarmismo da instabilidade econômica, da violência, do medo, da insegurança, ou do relativismo de valores. Entenda: existem problemas reais e alarmismos! Se nos deixarmos levar pelo alarmismo, aí sim, todos nós corremos o risco de sermos mentalmente vencidos pelo caos. Portanto, cuide bem da sua saúde emocional. Já sobre notícias e o que você lê online, escolha fontes confiáveis de informação e exercite a análise crítica sempre. Inclusive com o que você lê aqui! Fique à vontade para comentar, trocar ideia, e, até, questionar ou corrigir algo que lhe chame atenção. Diálogo enriquece e amplia percepções.O IMPACTO NAS FAMÍLIASEstamos lidando com uma sobrecarga de informações. Além de notícias diárias que multiplicam desesperança e dias sombrios, nas redes sociais encontramos comparação social, autorreferência, vidas editadas, personalização algorítmica e, claro, repetição de narrativas.Satisfação, felicidade, estabilidade emocional, finanças em alta, não são ítens de prateleira. Custam esforço e investimento pessoal, contemplam sacrifícios, fracassos, recomeços, vitórias, dissabores e conquistas constituídas de desafios emocionais, profissionais e mentais. Quando penso em família e finanças, senti na pele que não foram os problemas financeiros da minha mãe que mais pesaram na minha trajetória, mas a falta de conhecimento que meus pais tinham a respeito deles mesmos. Isso sim me exigiu muito mais esforço pessoal, pois é dentro de casa que começa a construção de uma vida emocional saudável. Quanto às finanças, acredito, que assim como eu, muitos ja se sentiram ansiosos, preocupados ou até injustiçados devido à questões profissionais e pessoais. A vida sempre nos traz perdas e ganhos, portanto, absorva isso: Como Clube Orekare nosso propósito é despertar, informar, e, assim, ajudar as pessoas a perceberem que autoconhecimento é uma jornada mais acessível e possível do que parece. Quanto mais saudável for a nossa gestão emocional, mais conscientes nos tornamos do que é felicidade e mais saudáveis serão nossos filhos e próximas gerações. Esse é o maior legado que podemos deixar nessa vida.Se você conhece alguém que precisa ter acesso a essas informações, compartilhe esse artigo. Compartilhar nosso conteúdo também é uma forma de apoiar o Clube Orekare e ajudar outras pessoas a despertarem para assuntos e temas importantes para a saúde mental, emocional e familiar.Se você ainda não é assinante, inscreva-se abaixo e receba nosso conteúdo direto em sua caixa postal.Nos vemos na próxima semana,Até lá! Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe
Ao revisar as notícias da última semana, me deparei com mais e mais matérias sobre riscos e perigos online. Todos se assustam, muita gente opina, lutamos por leis melhores, por mudanças sociais, mas, pensando em tudo isso, me perguntei: por onde devemos recomeçar?Creio que o primeiro ponto a saber é, conscientemente, o que estamos fazendo com nosso tempo e, nele, onde estamos depositando nossa atenção. Principalmente, no que diz respeito a convivência online em família.A news de hoje é sobre isso, e quero te pedir alguns minutos para falarmos sobre as armadilhas que habitam na vida conectada, ou, quiça, hiperconectada.24 HORAS, 7 DIAS POR SEMANAA constante conectividade se infiltrou em todas as áreas das nossas vidas, transformando a maneira como lidamos com nosso trabalho, compromissos, contatos, relacionamentos, cuidado dos filhos e, até mesmo, com o nosso próprio bem-estar. E sim, também temos inúmeros benefícios em tudo isso! Agora,RESPONDA COM SINCERIDADEVocê já mensurou quanto do seu tempo gasta online? E, como isso se reflete no seu cotidiano?Todos nós, nos tornamos socialmente dependentes da internet para tantas coisas, que, precisamos avaliar qual é o impacto real que a conexão 24 horas, 7 dias por semana, exerce sobre nosso tempo, nossos relacionamentos e bem-estar emocional. De fato, a maioria de nós sente essa sobrecarga, que não sabem bem de onde vem e nem sempre consegue nomear, mas que se traduz em mais impaciência, pressa, angústia ou irritabilidade. E estes são só alguns exemplos óbvios.Portanto, te garanto: todos nós precisamos avaliar a influência e as consequências da vida online na vida real, offline. Repito: isso pode virar uma chave poderosa na sua mente, que trará benefícios para a sua vida e para o seu bem-estar.BRASIL ONLINERecentemente, dados divulgados pelo Consumer Pulse 2025, nos mostram como anda a relação dos brasileiros com os aplicativos de mensagem e redes sociais.Seja para a comunicação pessoal ou profissional, o WhatsApp reina absoluto como redes social mais utilizada diariamente no Brasil. Depois dele, as redes sociais com maior penetração entre os brasileiros, segundo o Statista, são:Ou seja: a internet brasileira é social, conversacional e de conteúdos rápidos. E, se não nos policiarmos na forma como utilizamos todos esses recursos e oportunidades, a realidade é que seremos “escravizados” por eles e achando bom.Assim sendo, te convido a analisar os tópicos a seguir e fazer uma avaliação pessoal sobre como você se sente em relação a sua experiência online.Ao final, prometo, há uma saída.Vamos lá!?Como você se sente quanto a:SOBRECARGA MENTAL, ESTRESE , PROCRASTINAÇÃO E O JARDIM DO VIZINHOSe, por um lado, a vida online ajuda a desenrolar e agilizar a correria dos dias atuais, por outro, estar sempre disponível seja para mensagens de trabalho, e-mails, respostas rapidinhas no WhatsApp e aquela olhadinha nas redes sociais, significa que seu cérebro nunca "desliga" completamente.Quem nunca sentiu a pressão de ter que responder inúmeras mensagens e a sensação de que não está fazendo o suficiente, levante a mão! É aquela sensação de que é preciso mais tempo para fazer mais, estar mais presente e isso gera níveis de estresse e ansiedade que ainda podem ser exacerbados pela comparação constante com a "vida perfeita" alheia, tão presente nas redes sociais. E a comparação surge sem querer, apenas ao ver o que aos nossos olhos é admirável. Isso acontece com você?DIFICULDADE DE ESTAR PRESENTEQue a hiperconectividade afeta a qualidade da atenção dedicada aos relacionamentos familiares todos sabemos. A chamada "tecnoferência" — a interferência da tecnologia nas interações familiares — se manifesta quando um pai ou uma mãe está com o celular na mão durante as refeições, brincadeiras ou conversas. Essa falta de atenção integral pode gerar na criança um sentimento de que o celular é mais importante do que ela, afetando a autoestima e o vínculo emocional, mesmo quando estamos lado a lado.São inúmeros os relatos, especialmente de crianças e adolescentes, sobre pais que preferem estar ao celular do que interagindo com eles. E quando isso acontece, geralmente, as redes sociais, os jogos online, tendem a taparem esse buraco.Não se engane, o mesmo acontece quando em um momento a dois, a esposa ou o marido quer conversar e o outro está mais atento ao celular, ainda que ao seu lado.Você, já vivenciou alguma dessas cenas?Como se sente em relação a isso?O DESAFIO DE SER O EDUCADOR DIGITALA geração de pais de hoje é a primeira a ter que criar os filhos em um ambiente onde a internet e as redes sociais são onipresentes. Muitos sentem uma sensação de impotência diante dos riscos. Alguns se sentem sozinhos, sobrecarregados na tarefa de mediar o acesso dos filhos às telas, e, ainda, ter que lidar com a sua própria dificuldade de se desconectar.Como você se sente em relação a isso? Bate ou não aquela à sensação de que você deveria "estar mais atento”. Se a resposta for sim, isso gera em você algum tipo de culpa parental ou angústia pessoal?Se algum desses pontos fez sentido para você, é hora de encontrar a saída.ESTRATÉGIAS COMPORTAMENTAIS PARA A DESCONEXÃOVocê não está sozinha(o). Não basta apenas ter vontade de estabelecer limites saudáveis para você e sua família, seja intencional no seu rastreamento comportamental. A mudança precisa ser estratégica e focada em resultados práticos. São passos simples, você consegue.Veja:IDENTIFIQUE GATILHOS Por uma semana, observe, e, se possível, até anote:* Quando e por que você pega o celular além de uma necessidade real? É na mesa? É aquela imensidão de mensagens no WhatsApp ou as notificações de emails que chegam? Quando a criança está brincando sozinha? Após uma discussão? Esses gatilhos te levam à distração ou, para aquela sensação de que você precisa estar sempre disponível?* Qual a emoção por trás do impulso? É ansiedade? Procrastinação? Tédio, solidão, a necessidade de sentir que está "por dentro" ou o estresse de se sentir improdutivo? O sentimento de recompensa existe?Com essa clareza, você pode começar a identificar sentimentos, gatilhos e como está a sua relação com o celular para desviar desses gatilhos e não cair em armadilhas emocionais.TÁ DIFÍCIL DESCONECTAR? CRIE ZONAS LIVRES DE TECNOLOGIAAs restrições de ambiente são poderosas. Crie regras claras para limitar a tecnologia em momentos específicos. Por exemplo:* Mesa do jantar sem celular: O celular não entra na mesa durante as refeições. Isso força uma interação genuína e sem distrações. A recompensa é a conversa, a atenção à família e a qualidade do momento.* Quarto sem telas: A rotina da noite deve ser focada no descanso. Se possível, não dependa do celular como despertador. Se o carregador do celular ficar em outro cômodo, perfeito. A cama se torna um espaço de relaxamento e sono, não de trabalho ou distração. A recompensa é uma melhor qualidade de sono e descanso, além de mais intimidade com o parceiro.SE PRECISO, APOSTE NA SUBSTITUIÇÃO DE ROTINASe você pega no celular tantas vezes ao dia, que já nem dá mais pra saber quantas fazem sentido, então, considere criar uma rotina de substituição.* "Rotina de substituição": estabeleça períodos de jejum online e invista seu tempo em algo produtivo, e que tem valor para você. Pratique um esporte, pegue um livro, aproveite para conversar mais ou brincar com seu filho, estar seu cônjuge, encontrar um amigo(a), invista no seu bem-estar. Dê valor aos momentos de desconexão e aprenda a aproveitá-los bem.* Notificações estratégicas: se notificações são irresistíveis, desative todas as que não sejam urgentes. Permita apenas as de chamadas importantes. Isso diminui o número de gatilhos que levam você a pegar o celular sem necessidade.* Momentos de "brincadeira conectada ou conectividade inteligente": Aprenda a usufruir do melhor que a vida online oferece. Por exemplo: estabeleça horários específicos para que você e seu filho possam usar a tecnologia juntos seja para assistir um desenho, filme ou série, ouvir música ou jogar algo. A tecnologia deixa de ser uma barreira e se torna uma ferramenta de conexão, criando uma recompensa emocional positiva.O PODER DE VALORIZAR PEQUENAS CONQUISTASComemore cada pequena vitória.* Recompensa: A recompensa da desconexão não é um prêmio físico, mas a melhora da sua saúde mental, que reflete diretamente nas suas emoções e nos seus relacionamentos familiar e social. O aumento da sua capacidade de atenção, a diminuição da ansiedade e a sensação de que você está mais presente são as recompensas mais poderosas e sustentáveis disponíveis nessas escolhas.* Diário de notas: Se você, por exemplo, anotar no final do dia os momentos em que se desconectou e o que isso proporcionou, poderá se surpreender positivamente. Poderá ainda, ampliar seu senso de valor sobre uma conversa profunda com seu parceiro, um sorriso genuíno da sua filha ou a sensação de ter tido uma noite de sono realmente reparadora.A mudança não acontece da noite para o dia. É um processo, de pequenas vitórias e de compreensão para que seu cérebro se adapte.Resumindo, ponha em prática o que você já sabe:* Monitore seu tempo de conexão.* Crie momentos de desconexão.* Estabeleça limites entre trabalho e descanso.* Mães e pais, participem mais ativamente da vida digital dos seus filhos (isso os ajudará a ter melhor noção de como eles interagem online).Para alguns, o mais difícil talvez seja separar a vida pessoal da vida profissional.Então, lembre-se: seu cérebro precisa desse descanso, e ele é fundamental para a sua produtividade e performance no trabalho. Assim, apostar no equilíbrio entre a vida online e offline, priorizando saúde mental e interações genuínas, também vai te beneficiar por lá!Qual dessas estratégias parece mais viável para começar hoje?DO LADO DE CÁTambém estou no processo de desconexão. Tomei um susto quando um dia, curiosa, fui olhar meu tempo conectada e pasmem, passava de seis horas em dias comuns. Comecei a analisar onde, como e porque eu estava tan
Este conteúdo está disponível nas versões texto e áudio.Tem sido repetitivo. Abrimos nosso feed, acessamos algum portal de notícias, seja online, na tv, rádio, podcast, onde quer que seja, a enormidade de más notícias é avassaladora. Como lidar com essa questão é o que abordaremos hoje.A SATURAÇÃO DA NEGATIVIDADEA saturação da negatividade nos afeta de maneiras profundas e, de fato, mexe muito na forma como sentimos e enxergamos o mundo à nossa volta. O que vemos, lemos ou ouvimos, influencia a maneira como compreendemos e reagimos diante dos fatos. Considerando a quantidade esmagadora de informações que chega até nós, como você acha que isso te afeta? Segundo especialistas, a base do problema está no que chamam de viés de negatividade. A ciência afirma que o nosso cérebro, por uma questão de sobrevivência, é programado para dar mais atenção a ameaças e informações negativas do que positivas. É o nosso instinto de sobrevivência, o alerta natural que ressoa para identificar perigos de forma rápida. Contudo, o nosso cérebro entende que, para sobreviver, não basta apenas reagir a ameaças, é preciso aprender sobre riscos, perigos e aquilo que possa nos afetar negativamente. É daí que vem a nossa curiosidade natural para consumir notícias sobre desastres, acidentes e crimes.Isso é tão real que aí estão os programas de tv policiais, tão populares, os telejornais sanguinários, as manchetes sensacionalistas e assustadoras como recordistas de audiência.O fato é que, tanto a repulsa quanto a atração coexistem porque servem a propósitos complementares de sobrevivência, formando um sistema complexo e altamente eficiente, projetado para nos manter vivos em um mundo imprevisível.CONTUDOÀ medida que nossa atenção virou moeda, na guerra por ela vale tudo. Mas, como o volume de notícias ruins é muito maior do que de notícias boas, ao sermos expostos a essa avalanche de informações negativas o nosso sistema de alerta se sobrecarrega, e as consequências são reais. IMPACTO PSICOLÓGICOA primeira e mais imediata reação é o aumento da ansiedade e do medo. A percepção constante de perigo, mesmo que distante, mantém o nosso corpo em um estado de alerta contínuo, elevando os níveis de estresse. Isso pode levar a um sentimento de impotência e desesperança, onde nos sentimos assustados, pequenos e incapazes de fazer a diferença em um mundo cheio de problemas, que para nós parecem insolúveis. Com o tempo, essa impotência pode evoluir, por exemplo, para conformismo, isolamento social, solidão, medo e até para quadros de depressão.IMPACTO COMPORTAMENTALA sobrecarga de notícias negativas pode nos levar até a um estado de apatia e desânimo. Onde, em vez de nos inspirar a agir, nos paraliza. Para alguns isso se chama "desamparo aprendido", onde a nossa mente conclui que, como nada que fazemos importa, então, porque valeria a pena fazer algo? Passamos a aceitar e relativizar valores, condutas, problemas sociais e fazemos o nosso melhor para nos “segurar como dá e nos proteger do mundo exterior”. IMPACTO COGNITIVOO Impacto cognitivo é capaz até de nos levar a uma percepção distorcida da realidade. Considere isso: se todos os dias absorvemos apenas que o mundo é um lugar complexo, mal, perigoso, inseguro e violento, começamos a acreditar que ele é somente isso. Perdemos nossa confiança nas instituições, nas pessoas e no futuro. Essa dessensibilização, nos torna menos empáticos ao sofrimento alheio, porque nos sentimos “em guerra” e para nos proteger do impacto emocional constante nos escondemos, nos medicamos, nos defendemos ou nos isolamos. A verdade é que cada um de nós sentirá e reagirá de uma forma muito pessoal a tudo isso. Por outro lado, lembra do conhecer para proteger? De fato, precisamos nos manter alertas. Porém, não podemos nem ignorar a realidade - a ponto de achar que o mundo e seus riscos são absurdos e perder a noção do perigo - nem irmos para o outro extremo e nos tornarmos reféns do medo que todo dia bate à nossa porta.GRATIDÃO GERA BOAS NOTÍCIAS Algumas das melhores noticias sobre a vida estão inseridas na nossa percepção de valor dentro de casa e, principalmente, dentro de nós mesmos. Ser grato não é apenas dizer “gratidão no lugar de obrigado”.Gratidão é um sentimento profundo de reconhecimento pela graça, gentileza e bondade que há na vida. Quanto mais você enxergar o valor das coisas simples e verdadeiras, mais entenderá a gratidão e mais se distanciará do conformismo. A gratidão te ajudará a enxergar a vida de um outro prisma, mesmo em meio aos seus mais severos desafios. A ESPERANÇA ROUBADANão sei você, mas eu sinto que todos os dias, a maldade procura roubar a nossa esperança. Sem esperança, não há futuro… e o presente perde o seu brilho.O objetivo dessa news é te atualizar sobre fatos, estudos, notícias e temas que merecem sua atenção. E a cada semana, vamos ter que te alertar para fatos e contextos que você precisará conhecer para discernir como lidar e se proteger diante de um mundo que pulsa maluco à nossa volta.Algumas vezes, devido a necessidade do tema, podemos até não ter uma boa notícia de imediato, mas sempre te apresentaremos um horizonte de esperança. Para que você não perca de vista tudo que é bom, justo, inspirador e que, juntos, podemos realizar.Por tudo isso, ter consciência do que chega até você, diariamente, é importante para a sua saúde mental.O IMPACTO DA FAMÍLIA NESSE CENÁRIOA família pode e deve funcionar como um refúgio seguro, um lugar onde os membros se sentem aceitos, compreendidos e protegidos. Esse ambiente acolhedor e positivo pode ajudar a contrabalançar a negatividade externa, proporcionando um senso de segurança e pertencimento que é crucial para a saúde mental e emocional.O apoio familiar é fundamental para o desenvolvimento da capacidade de uma pessoa se adaptar e se recuperar diante de adversidades, ato que tanto traduzimos como resiliência. Quando encontramos na nossa família suporte emocional, encorajamento e uma perspectiva verdadeira e positiva, isso nos ajuda a fortalecer a capacidade uns dos outros de enfrentar desafios, sem nos deixarmos consumir pela negatividade.PARA INSPIRARQuando falamos sobre esperança e futuro, falamos também sobre fé. Acreditar que podemos alcançar algo é o primeiro passo para essa conquista, todos sabemos disso, mas nem sempre acreditar é fácil. Especialmente, diante de adversidades.Gosto da seguinte definição acerca da fé:A fé é a convicção de fatos que ainda não podemos ver. É ela que nos mantém firmes na certeza das coisas que podemos esperar e, assim, por elas lutar.O que encaixa perfeitamente quando pensamos em propósito, em esperança e em não sucumbir às circunstâncias. Pensando nisso, lembrei de um filme, que conta uma história real. “RISE” fala sobre todos esses temas e nos mostra a força de sabermos quem somos e quais são os nossos valores inegociáveis.O filme nos apresenta a inacreditável história do superastro da NBA, Giannis, e como sua família, Antetokounmpo, mesmo diante de gigantescos desafios, se manteve unida e convicta do seu valor. Isso foi semeado com tanta verdade em Giannis e seus irmãos, que de imigrantes nigerianos ilegais na Grécia eles se tornaram a primeira família a ter 3 campeões na NBA. Eles nos mostram como a nossa base familiar, aliada a fé, baseada em valores bem fundamentados e alimentados pela correta compreensão da esperança, pode alcançar resultados inimagináveis diante das mais adversas circunstâncias. Confira o trailer abaixo.O Filme está disponível no Disney +.E se você quiser conhecer mais dessa história, sem a liberdade artística dos filmes inspirados em fatos reais, na Amazon Prime, você poderá assistir o documentário que conta mais detalhadamente a vida de Giannis, Thanasis, Kostas e toda a família Antetokounmpo. Se você entende a importância do nosso conteúdo e quer nos ajudar a ampliar nossa curadoria e alcance, considere ser um assinante pago e invista junto conosco na divulgação de informações relevantes para a saúde emocional familiar.VALORESDiante de tudo que falamos até aqui, é importante ressaltar como os valores que escolhemos exercitar impactarão diretamente na nossa saúde mental. Assim, para fechar a news de hoje, quero te falar sobre como a mentira afeta o nosso cérebro. Afinal, em uma sociedade onde lutamos diariamente contra fake news, para virar o jogo, precisamos começar investindo em um combate pessoal contra a mentira.Mentir, literalmente, dá trabalho. Mentir, sobrecarrega o cérebro porque exige criação e memorização de versões falsas da realidade, e para isso é preciso:* esconder ou mascarar a verdade,* inventar uma nova versão,* manter a coerência dessa história,* e avaliar as reações do outro para manter a mentira convincente.Apesar do nosso cérebro tentar nos alertar sobre o risco que a mentira acarreta, pesquisas mostram que mentir com frequência pode dessensibilizar o cérebro. Quanto mais mentimos, menos nos sentimos mal por mentir.Essa adaptação pode ser comparada a um vício — quanto mais o comportamento se repete, mais o cérebro aprende a não reagir negativamente.O que demonstra como aquelas pequenas mentiras que estão enraizadas no dia a dia, tão comumente aceitáveis, são mais danosas do que imaginamos. E sabe o que é pior? Podem até reprogramar padrões mentais.A BOA NOTÍCIA Quando reduzimos de forma proposital e drasticamente as mentiras cotidianas, ganhamos uma melhoria significativa de saúde física e mental. Análises estatísticas mostraram que falar a verdade não apenas melhora relacionamentos interpessoais, mas também melhora, significativamente, a nossa saúde.Como adultos, temos muito mais entendimento sobre as consequências das pequenas e grandes mentiras. Mas, e as crianças? Como ajudá-las a valorizar a verdade e, também, a exercitá-la. Claudia Reis, psicopedagoga do Clube fala mais sobre isso no artigo: A VERDADE FORTALECE, confira aqui.POR FIM, TENHA SEMPRE EM MENTESaber quem eu sou, ser dono das minhas escolhas e ter convicção delas é fruto de maturidade e autoconhec
O podcast do Clube recebe a promotora de justiça do Rio de Janeiro, Gabriela Lusquinos, voz ativa na luta pela segurança de crianças e adolescentes em todo o Brasil. De forma clara e sem rodeios, ela nos conta casos reais, situações que até nos parecem absurdas ou exageros midiáticos, mas que, infelizmente, fazem parte do seu dia a dia profissional.Gabriela nos ajuda a entender o que podemos fazer como sociedade e esclarece a proposta de regulamentação das redes sociais com foco na segurança infantil; nos apontando como é urgente termos a atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente, o ECA, para a realidade digital.Indo além das redes sociais, falamos também sobre os desdobramentos do uso da Inteligência Artificial e como novos dados demonstram o tamanho do desafio que enfrentaremos a este respeito. Como mãe, ela também nos conta como se posiciona diante dos desafios atuais. Para acompanhá-la de perto, acesse:Linkedin: Gabriela LusquinosInstagram: @gabrielalusquinos Se você conhece alguém que precisa ter acesso a esse conteúdo, compartilhe! Estas são informações importantes para ajudar mais pessoas a compreenderem melhor a realidade em que estamos inseridos.Se você entende a importância do nosso conteúdo e quer nos ajudar a ampliar nossa curadoria e alcance, considere ser um assinante pago.Invista junto conosco na divulgação de informações relevantes para a saúde emocional familiar.Até o nosso próximo episódio! Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe























