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Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação
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Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação

Author: Ana Isabel Ramos

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air | illustration + design + creativity
35 Episodes
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Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Esta semana, quero contar-vos a história de bastidores deste episódio, que mostra muito claramente os mecanismos da procrastinação em acção. Digo-vos que não me canso de rir da ironia de tudo isto! Neste episódio mencionamos: Inscrições na Masterclass gratuita sobre Procrastinação Anita no Trabalho Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana, quero contar-vos a história de bastidores deste episódio, que mostra muito claramente os mecanismos da procrastinação em acção. Digo-vos que não me canso de rir da ironia de tudo isto! Ora bem, vejam vocês que eu me sento a planificar os episódios de podcast com algum tempo de antecedência. Tenho uma folha excel com um calendário de comunicação, onde anoto ideias gerais para episódios futuros e começo a distribuí-las pelas várias terças-feiras do mês, tentando criar uma lógica na comunicação. Normalmente, basta-me pôr um título provisório e, eventualmente, algumas ideias soltas do que quero falar e isso é rastilho suficiente para me lançar a escrever. No fundo, não é muito diferente das composições que fazia na aula de Português do 8.º ano, ou dos posts de blog, formato que conheci e que adoptei com todo o entusiasmo e coração quando me mudei para a Argentina em 2007. Nessa altura, tinha um blog chamado “Entre Lisboa e Buenos Aires” e aí me diverti a contar episódios caricatos da minha vida nessas duas cidades, uma em que vivia, outra onde vinha de férias e onde tinha parte do meu coração. Bem, estabelecido que está o meu entusiasmo pela escrita neste formato, não é de admirar que agora adore escrever os guiões destes episódios, que são, basicamente, como posts de blog com a diferença de que agora vos são servidos em formato áudio. Em áudio, porque eu própria adoro ouvir podcasts, e adoro a sensação de proximidade na comunicação que sinto ao ter alguém a segredar-me mensagens ao ouvido. Aliás, com a experiência acumulada de dez anos de Anita no Trabalho, podcast áudio que lancei com a minha amiga Eli em 2016, não tive a menor dúvida de que as “Confissões” seriam também em áudio. Voltando aqui ao tema, e já vêem que aqui se começam a destapar os mecanismos da procrastinação, em que já vamos com cerca de um quarto de episódio escrito e ainda não falei sobre o que me aconteceu… bom, se calhar já estão a intuir que este atraso a falar da procrastinação é, ele próprio, um mecanismo da procrastinação. Pois bem, estava então a organizar o calendário de comunicação e a decidir o tema desta semana e dei por mim a pensar que não sabia o que fazer, por onde pegar, então recorri ao meu caderno e a uma caneta e pus-me a escrever. Porque escrever à mão é um espectacular desbloqueador de ideias. E assim que comecei a deslizar a caneta sobre o papel, a fazer download da falta de ideias que estava dentro da minha cabeça, a escrever algo como “quero escrever um guião de podcast sobre procrastinação mas não me está a ocorrer n…” e nem consegui terminar essa frase, porque imediatamente a minha cabeça me começou a falar de outro tema. Um dos projectos que tinha para Janeiro de 2026 era fazer a transição da plataforma de envio de mails, projecto esse que está concluído, e que portanto só falta mesmo terminar fazendo o cancelamento da conta paga na plataforma anterior (que ainda não fiz porque… procrastinação?). E o meu cérebro achou que este era o momento ideal para trazer isso à consciência, precisamente na altura em que me sento a tentar desbloquear e encontrar o fio à meada do que vos quero contar neste episódio sobre procrastinação. Está confuso? Pois até para mim está. Basicamente, quando me sento e me foco na escrita sobre procrastinação, o meu cérebro arranja maneira de desviar a minha atenção para outro sítio, procrastinando na tarefa actual ao mostrar-me como estou a adiar aquela outra tarefa. Parecem aquelas bonecas russas que saem umas de dentro das outras. Basicamente, uma matrioshka de procrastinação. Uffff, até eu estou cansada ao ver como os fios deste novelo se emaranham todos, e de como tenho de ter calma para com cuidado e muito método pegar num fio e começar a deslindá-lo, para poder articular as ideias de uma forma inteligível. Resumidamente, acontece assim: tenho um projecto que adoro e que não só quero como também preciso de fazer – neste caso, escrever este episódio de “Confissões”. Quando me sento a fazê-lo, o meu cérebro lembra-se de vinte e três outras coisas que precisam de ser feitas, mas não necessariamente neste exacto momento. Contudo, é deveras tentador sair deste ligeiro desconforto de não me estar a ocorrer nada para dizer para ir fazer uma outra tarefa que o meu cérebro identificou, e que sabe como resolver, para ter aquela sensação de satisfação por ter uma tarefa para riscar da lista. Bem, e como sair deste impasse? Foi muito tentador ir tratar de cancelar a conta na plataforma de correio anterior, mas em vez disso tomei nota na minha lista de afazeres e voltei para aqui. No fundo, fiz download desse pensamento e voltei a concentrar-me no texto que tenho entre mãos. Mas, logo a seguir, houve um ícone que me chamou a atenção, e nem tive tempo de resistir. Distraí-me a ver as mensagens no whatsapp, mais a mais agora que estamos a planificar uma viagem entre amigas. Obviamente, um tema muito mais apelativo do que a concentração que preciso para terminar de escrever este texto. E assim foi, lá me perdi nas mensagens, depois dei por mim a voltar à tona e a cair-me a ficha de que preciso de escrever este texto, até porque não tenho todo o tempo do mundo e daqui a pouco faz-se a hora de ir levar crianças às suas actividades extracurriculares e puf, são horas de ir dormir outra vez. Esta é aquela altura em que é essencial ir buscar a minha caixa de ferramentas para entender a procrastinação. Começo por fazer um ponto de situação e agradecer à procrastinação por aparecer, já que ela me traz sempre informação importante. No caso, diz-me que este texto que me proponho escrever é importante para mim, e é importante que saia claro, coeso, mesmo que tenha nascido de um novelo dentro do meu cérebro. Depois, e sempre que preciso, agarro na caneta e no meu bloco para me ajudar a sistematizar as ideias. Primeiro, escrevo-as todas de supetão, à medida que me vão aparecendo, e depois vou encarrilando umas nas outras, para que façam sentido. Nada como a escrita à mão para nos ajudar nesta parte. E depois tento que o ambiente que me rodeia me distraia menos, cortando notificações e desligando apps que não estou a usar. Muitas vezes preciso de fazer uma ligeira pausa e mexer o meu corpo, então vou à cozinha buscar uma chávena de chá fumegante, que trago para o pé de mim para fazer deste momento o mais delicioso possível, até porque a tarefa que tenho pela frente também é, ela própria, deliciosa. Lembram-se de vos ter dito que adorava fazer as composições no 8.º ano? E que, quando criei o meu primeiro blog, o “Entre Lisboa e Buenos Aires”, os posts me traziam uma alegria imensa? Escrevia porque queria e quando queria, e normalmente queria muitas vezes, porque era divertido. E então convoco esse divertimento que já senti antes e trago-o para aqui, para este momento e para este episódio, e assim, aos poucos, vou articulando estas ideias que tenho para partilhar convosco. E porque sei que a procrastinação é um tema que nos toca a todas, é humano e transversal, e porque sei também que não se trata nem de falta de vontade, nem de falta de organização ou de disciplina, e gosto de olhar para a procrastinação através da lente da curiosidade, quero convidar-vos a todas para uma Masterclass gratuita sobre Procrastinação que terá lugar em Maio. As inscrições são gratuitas e já estão abertas, e o respectivo link estará nas notas deste episódio. Nesta Masterclass, vamos perceber o que é a procrastinação e os seus mecanismos e vamos começar a da
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Hoje quero falar-vos sobre procrastinação. O tema vem porque estou neste momento a preparar o Workshop de Procrastinação que irei dar na Primavera, mas, bem vistas as coisas, mesmo que não estivesse a preparar este workshop específico sobre procrastinação, este seria sempre um tema presente, porque a procrastinação acontece com frequência. Neste episódio mencionamos: Inscrições na Masterclass gratuita sobre Procrastinação “O Caminho do Artista”, de Julia Cameron Directos da Anita sobre “O Caminho do Artista” Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Hoje quero falar-vos sobre procrastinação. O tema vem porque estou neste momento a preparar o Workshop de Procrastinação que irei dar na Primavera, mas, bem vistas as coisas, mesmo que não estivesse a preparar este workshop específico sobre procrastinação, este seria sempre um tema presente, porque a procrastinação acontece com frequência. Ia escrever assim: “… este seria sempre um tema presente, porque a procrastinação, lamento dizer, acontece com frequência.” Mas depois dei por mim a pensar que não é verdade, e que eu não lamento que a procrastinação aconteça. Portanto, por uma questão de honestidade e de coerência, não posso dizer que lamento que a procrastinação aconteça quando, na realidade, não lamento. Mas a questão fica no ar: será que a procrastinação tem um lado positivo? E a minha resposta é sim, tem. Já vos conto tudo, mas antes de continuarmos queria aqui fazer um ponto de situação sobre o que é a procrastinação e como se sente no corpo e na mente. A procrastinação é aquele adiar para uma data incerta, aquele “empurrar com a barriga”, acompanhado daquela sensação de “ponta solta”. Sabemos que estamos a adiar este projecto, ou esta conversa, ou esta situação específica – chamo-lhe “projecto” por conveniência de linguagem – não por termos razões concretas, mas sim por razões talvez difíceis de verbalizar e inclusivamente um pouco desconfortáveis de considerar. Adiamos para uma data incerta, ou para quando tivermos tempo, ou para quando os astros se alinharem, e sabemos que vamos ter esse projecto sempre num canto da nossa mente a falar connosco e a perguntar-nos porque é que o estamos a evitar. Para mim, a sensação é de desconforto silencioso. Para fazer um paralelismo, é como quando dou por mim cheia de frio e a tremer, depois de ter estado imenso tempo só com um casaquinho leve que não me protege o suficiente. Não dei conta, porque o desconforto era ligeiro e não falava muito alto, até que o desconforto se tornou tão grande que comecei a tremer. E portanto a procrastinação é isto: traz um desconforto ligeiro, que tentamos ignorar, até não dar para ignorar mais. A procrastinação tem péssima reputação na nossa sociedade, uma sociedade que valoriza e idolatra a produtividade acima de tudo e despreza tudo o que seja considerado perda de tempo. Imaginem só, a procrastinação, esta coisa de ir adiando, adiando algo que não vamos fazer agora, mas que talvez – ainda não sabemos – poderemos inclusivamente não vir a fazer no futuro. Esta incerteza não poderia ser mais “perda de tempo” no manual da sociedade actual. Mas agora convido-vos a olhar para a procrastinação de outra maneira. E se, em vez de a procrastinação ser uma perda de tempo, ela seja realmente fonte de informação muito importante? Se mudarmos o nosso ponto de vista, podemos vir a descobrir que ela é uma aliada fabulosa no nosso caminho de nos conhecermos a nós próprias cada vez melhor. Na nossa rotina em que temos, normalmente, trezentos e vinte e quatro mil coisas a acontecer ao mesmo tempo, entre trabalho, família e logística doméstica, não há, regra geral, muito tempo para a contemplação, para o silêncio e para estarmos connosco próprias sem ser a correr. O ócio e o descanso, tão importantes na nossa vida, são relegados para vigésimo quarto plano. As nossas agendas, muitas vezes qual jogo de tetris, não deixam espaço para muita coisa. De repente, damos por nós a procrastinar num projecto. E aqui, de novo, eu falo em projecto por conveniência, porque este projecto pode ser uma conversa, uma viagem, deixar de fumar, começar a meditar, voltar a fazer desporto, começar a ir ao ginásio, enfim, cada pessoa tem o seu “projecto” e sabe, exactamente, do que é que estou a falar. Então, dizia eu, damos por nós a procrastinar num projecto. Começamos a perceber que fica sempre relegado para outro momento, mas esse adiamento sem data certa deixa-nos desconfortáveis. Dá-nos aquela sensação de que temos um assunto pendente, uma ponta solta, e que ao não olharmos para este projecto de frente estamos a adiar algo que precisa de ser, no mínimo, recalibrado. Se calhar, a atitude mais confortável é tentar ignorar essa vozinha dentro de nós que nos diz que temos de pegar o boi pelos cornos, que é como quem diz, resolver o projecto e avançar com as nossas vidas. Mas se pararmos para pensar, vamos perceber que a procrastinação existe por, e aqui, não neguem à partida, fiquem comigo um instante, a procrastinação existe por medo. Já dizia a Julia Cameron, n’“O Caminho do Artista”, que a procrastinação é medo. E se a procrastinação é por medo, de que forma é que isso pode ser positivo? É positivo porque se temos medo de fazer determinado projecto, é porque ele é realmente importante para nós e nos aproxima da versão melhorada de nós próprias que nós almejamos. Ou seja, quando a procrastinação aparece, assinala também algo que é importante para nós, tão importante que temos medo de a fazer. Temos medo de muitas coisas: e se não correr bem? E se ficar aquém das minhas expectativas? Ou, pelo contrário, e se correr bem? Sim, porque não é só o medo de falhar ou de correr mal que nos pode paralisar. O medo do êxito é igualmente poderoso e paralisante, porque mexe em muitos botões dentro de nós, nomeadamente no botão da visibilidade. E, lá está, visibilidade traz exposição às críticas e muita vulnerabilidade. Enfim, a procrastinação não é falta de carácter, nem de força de vontade. A procrastinação é medo, medo de que corra mal e fique aquém das nossas expectativas, e medo de que corra bem e supere as nossas expectativas. Bem, mas também se pode dar o caso de estarmos a procrastinar e, ao fazermos uma ponderação honesta, em que olhamos para o projecto com frontalidade e vulnerabilidade, percebermos que, afinal, este projecto já não é assim tão importante nem tão relevante. Já não nos deixa com o medo de correr mal, nem o medo de correr bem, mas deixa-nos assim… meh. Morno, sem grande expressão. Isto, claro, se estivermos a fazer uma ponderação honesta, e não à procura de um subterfúgio para cancelar o dito projecto. Porque pode acontecer, na verdade, que um projecto que era super relevante para mim há um tempo já não seja assim tão importante neste momento. Porque o seu tempo passou, porque a coisa se resolveu de outra forma, enfim, porque passou. E aí, a procrastinação também nos ajuda a perceber e a distinguir o trigo do joio. Ajuda-nos a perceber o que é relevante, como aquele projecto em que procrastinamos por medo, do que já não é relevante, aquele projecto em que procrastinamos porque já não nos provoca aquele arrepio. É por isso que eu gosto tanto da procrastinação. Vá, não vou dizer que adoro senti-la, mas em vez de me culpabilizar por ser fraca, ter falta de carácter, falta de organização e determinação, falta de força de vontade, ponho o meu chapéu de detective e olho para ela com muita curiosidade. De que é que tenho medo? De que é que estou a fugir? O que é que estou a evitar? Por exemplo, posso contar-vos que depois de ter publicado o “Livro do Não” em 2024, no fim de 2025 comecei a sentir que 2026 era o ano para começar a escrever o próximo livro. E sabem o que está a acontecer? Ainda não comecei. Estou a procrastinar e sei porquê. Tenho medo: tenho medo de não conseguir escr
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Esta semana quero falar-vos de um tema que tem estado muito presente na minha vida. E, não querendo assumir nem generalizar, imagino que possa estar presente na vida de muitas de nós, perfeccionistas em recuperação. Neste episódio mencionamos: “I am remarkable”, da Google “Crecer con Placer”, de Nayla Norryh “O Caminho do Artista”, de Julia Cameron Directos da Anita sobre “O Caminho do Artista” Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana quero falar-vos de um tema que tem estado muito presente na minha vida. E, não querendo assumir nem generalizar, imagino que possa estar presente na vida de muitas de nós, perfeccionistas em recuperação. Ah, por onde começar? Quando começo a escrever o guião de um novo episódio de podcast, anoto algumas ideias, muito pouco elaboradas, que sei que se interrelacionam umas com as outras, mas que ainda não articulei de forma a conseguir produzir uma sucessão de ideias encadeadas. Digamos que, na altura de começar a escrever o episódio, tenho uma série de peças de puzzle que sei que vão encaixar umas nas outras, mas ainda não sei como encaixá-las. Por isso, preciso de fazer uma pausa e pensar por que ponta começar a puxar o fio a este novelo. Começo então pela cena que me aconteceu noutro dia no ensaio do coro. Ah, já vos contei que desde há uns meses que voltei a cantar num coro? Cantar em coro traz-me tanta, mas tanta alegria que nem sei como verbalizar. Aliás, e aqui entre nós, que estamos num espaço seguro, conto-vos que foi num coro, há muitos anos atrás, que conheci o meu marido! Cantar em coro é um fenómeno: sozinha, não tenho uma voz nem muito especial, nem muito pujante, nem com muita projecção. Digamos que tenho boa vontade, e é tudo. Mas em coro, onde se juntam várias vozes individuais e se constroem harmonias lindas, sonantes, espectaculares… é magia. O total é muito mais mágico e vibrante que a soma das partes, e fazer parte dessa alquimia é mágico. Então estava eu no ensaio do meu coro, e naquele dia, por indisponibilidade de outras pessoas, estava sozinha a cantar a voz de contralto. Como tinha estudado a minha voz e normalmente não me perco ao ouvir as vozes dos outros, cantei-a sozinha e no final a directora do coro apontou-me como exemplo de quem tinha estudado e estava segura. (Bem, abro aqui um parêntesis para vos contar que enquanto escrevo isto já estou a duvidar imenso se devo partilhar isto ou não, porque parece que me estou a gabar, e estou a sentir-me bastante incómoda. Mas contar isto serve o propósito da mensagem de hoje, por isso vou aguentar esta sensação desconfortável e deixar isto aqui. Fecho parêntesis.) Voltando ao dito ensaio em que de repente as atenções estão todas viradas para mim de forma elogiosa, em que me senti corar até à raiz dos cabelos, em que o meu instinto me gritava que me escondesse, que terminasse aquela situação, que a minimizasse o mais rapidamente possível, que a reflectisse para outra pessoa qualquer, tudo menos receber toda aquela atenção, e ainda por cima elogiosa… bem, já estão a ver o aperto em que me estava a sentir. Nesse dia, voltei para casa e estive a dedicar-me à formação que estou a fazer, em formato assíncrono, da minha mui venerada mentora de negócios Nayla Norryh, chamada “Crecer com Placer”. É uma formação focada em desbloquear crenças que temos e que muitas vezes limitam a nossa capacidade de crescer e de fazer crescer os nossos negócios. Nesse dia, abri a plataforma do curso e dispus-me a continuar a formação no lugar onde tinha interrompido da última vez. E qual não é a minha surpresa ao ver a coincidência: a aula desse dia foi sobre abrir-se a receber mais. Abrir-se a receber mais de tudo: desde ajuda, descanso, ócio, recursos, dinheiro, e também elogios. Bem, sem querer generalizar, mas de alguma forma assumindo que muitas de nós tivemos o mesmo condicionamento, estou formatada para resolver tudo à minha volta antes de “merecer” (e ponho “merecer” entre aspas) a minha recompensa. O mesmo na minha vida profissional: tinha de dar tudo (a maioria das vezes, dar demais, muito mais do que tinha sido acordado e orçamentado) para merecer pagamento do cliente. Tinha de trabalhar abnegadamente, com sacrifício, senão não era suficiente. Resumindo, tinha de entregar sempre demais para poder merecer um mínimo. E, é claro, a balança assim não fica equilibrada. Não sei bem de onde vem este condicionamento. Lembro-me de ser miúda, ter óptimas notas na escola, e de irem mostrando que não era muito seguro sobressair nem chamar a atenção. Foi-se sedimentando dentro de mim a mensagem muito clara de que o mundo não gosta de gabarolas, e qualquer atenção que eu recebesse era sentida por mim como se eu me estivesse a gabar. Penso que vem daí a minha dificuldade em receber um elogio que seja, e naquele dia, no ensaio do coro, revivi esse desconforto. Mas – e aqui entra o mas da passagem do tempo, do amadurecimento, das muitas formações que fui fazendo ao longo do tempo – mas desta vez, enquanto me sentia extremamente desconfortável com todos os companheiros do coro a olhar para mim, também já soube perceber que não tenho de me esconder nem retirar as atenções de mim o mais rápido possível. E que, pelo contrário, tenho de abrir espaço a receber o elogio. Porque, na verdade, foi merecido: eu tinha, de facto, estudado. E cantei a minha voz sozinha, sem vacilar, dentro das possibilidades da minha voz. Sobre merecer um elogio, e sobre a nuance de ser gabarolice ou não, lembro-me de um workshop da Google que fiz há uns anos durante uma Web Summit. O workshop chamava-se “I Am Remarkable” (o link vai estar nas notas do episódio) e era direccionado para mulheres, porque, como já estabelecemos e de uma forma geral, temos muita dificuldade em chamar a atenção para nós e isso acaba por ter um impacto negativo na nossa carreira. De maneira que um grupo de mulheres da Google se juntou para criar esta formação interna, que depois foram expandindo para fora da empresa. Na formação, um dos mantras que têm para nos ajudar a perceber a distinção entre falar das coisas que fizemos e gabarmo-nos, elas dizem: “se é verdade, então não é gabarolice”. Em inglês: “if it’s true, it’s not bragging.” Já podem imaginar o impacto que este workshop teve em mim. Lembro-me de muitos momentos de arrepios e de pele de galinha, e o mantra ficou: “se é verdade, então não é gabarolice.” De maneira que voltamos para a formação que estou a fazer actualmente, para a aula sobre abrir-se a receber elogios, descanso, ócio, ajuda, recursos, dinheiro e só conseguia pensar na interessante coincidência que ali se dava. É como quando estamos grávidas: parece que à nossa volta está tudo grávido, também. Aqui foi esta coisa curiosa: no ensaio do coro, tive esta situação em que me senti desconfortável, mas em vez de fugir ou de a terminar o mais rapidamente possível, respirei fundo, aceitei, por muito corada que estivesse. E depois cheguei à formação e tive uma aula sobre isso. Curioso, não é? Pois eu acho que este é um tema verdadeiramente importante para muitas de nós, e um tema que seguramente irá aparecer muitas vezes nestas “Confissões”, porque está longe de se esgotar aqui. Nesta caminhada de recuperação do super-perfeccionismo, o tema do merecimento está sempre presente. Porque para uma super-perfeccionista, só merecemos recompensa depois de entregar algo (um trabalho, uma tarefa, seja o que for) que seja incrivelmente perfeito. E todas sabemos que “incrivelmente perfeito” é algo que raramente existe para uma super-perfeccionista. Ou seja, é uma pescadinha de rabo na boca: porque temos a fasquia muito alta, é difícil de lá chegar. Como não chegamos lá, não merecemos recompensa. Como não temos recompensa, a balança desequilibra-se. Como a balança se desequilibra, frustramo-nos. Frustramo-nos porque estamos cansadas, porque sen
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Esta semana estou muuuuuito entusiasmada com o que aí vem. Ai, que não aguento o excitex! Mas, afinal, o que é que vem aí? Eu conto-vos tudo, até porque com o meu entusiasmo nem conseguiria ficar calada! Na próxima segunda-feira, dia 9 de Março de 2026, vamos ter a nossa sessão aberta de Desenhamos Juntas. Neste episódio mencionamos: Sessão aberta de Desenhamos Juntas – todas as informações e inscrições gratuitas aqui. Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana estou muuuuuito entusiasmada com o que aí vem. Ai, que não aguento o excitex! Mas, afinal, o que é que vem aí? Eu conto-vos tudo, até porque com o meu entusiasmo nem conseguiria ficar calada! Na próxima segunda-feira, dia 9 de Março de 2026, vamos ter a nossa sessão aberta de Desenhamos Juntas. Se se der o caso de ainda não saberes o que é o Desenhamos Juntas, eu conto. O Desenhamos Juntas é a nossa sessão semanal de desenho em que fazemos uma série de exercícios de desenho de observação, e ultimamente temos usado muito as aguarelas. A sessão é online, por zoom, e acontece à hora de almoço de segunda-feira, para começar a semana com um sorriso na cara. Nestas sessões, fazemos exercícios de desenho de observação que têm o objectivo de desafiar o cérebro, de o fazer abrandar e de nos fazer perceber se estamos a desenhar aquilo que os olhos estão a ver, ou se estamos a desenhar aquilo que o cérebro acha que os olhos estão a ver. Enquanto nos desafiamos, o crítico interno costuma dar sinal de alarme porque, claro, nos estamos a desafiar. Como o crítico interno não sabe distinguir entre perigo real e perigo imaginado, porque para ele tudo é perigoso, quer fazer com que nós paremos imediatamente de pôr-nos em perigo e portanto levanta a sua voz para dizer coisas que são, por vezes, bastante ácidas. Nestas sessões, que se caracterizam por um ambiente seguro e protegido, falamos muito sobre o nosso crítico interno e sobre as coisas que nos vai dizendo. De cada vez que o crítico acha que fizemos algo “mal”, ou algum “erro”, e ponho aqui grandes aspas em “mal” e em “erro”, tenta desencorajar-nos da maneira que sabe, que é a ser desagradável. Contudo, porque estamos num espaço seguro e podemos partilhar o que o crítico nos diz, só por verbalizarmos as suas palavras elas perdem, imediatamente, o seu poder. Curiosamente, a repetição destes exercícios e a repetição da partilha da voz do crítico interno tem um efeito muito terapêutico e, diria mesmo, milagroso: as palavras do crítico interno perdem a sua força. Não é que o crítico se cale, ou que a sua voz desapareça por completo, mas aquilo que nos diz deixa de ter o mesmo efeito sobre nós. É curioso, não é? Bem, mas para além de todos estes efeitos ao nível da nossa relação com o crítico interno – efeitos esses que não são de menosprezar – há algo ainda mais interessante, na minha opinião: fazer estes exercícios é divertido e dá prazer. Primeiro, é divertido estarmos a desenhar todas juntas, e mesmo em formato assíncrono, quando faço uma gravação prévia ou as participantes não podem estar presentes em directo e vêem a gravação, mesmo aí é divertido. E depois há toda a parte do prazer, o prazer dos materiais, de brincar com as cores e as texturas. O prazer do pincel a mergulhar no pigmento e depois a deslizar no papel é um prazer muito táctil que nos faz voltar a contactar com a nossa criança interna, que, num passado mais ou menos distante, não precisava de mais nada do que papel e cores para se divertir. E sabem? A vida, por vezes, fica pesada. E o mundo, de uma forma geral, está muito chato, para não dizer outra coisa. Não está fácil viver nesta época em que as notícias estão constantemente a entrar-nos pelos olhos e pelos ouvidos dentro, seja pela televisão, rádio ou redes sociais. E eu não sou apologista de andar desinformada; mas acho mais difícil, nos dias de hoje, manter limites higiénicos entre estar informada e não ser esmagada pelo peso das notícias. E por isso, quando o mundo lá fora está cada vez mais pesado, ruidoso e esmagador, é ainda mais importante encontrarmos estas bolsas de oxigénio em que o prazer, a brincadeira e o jogo têm o papel principal e são o veículo de conexão connosco próprias e com a nossa criança interior. Penso que com o passar dos anos, o prazer, o jogo e a brincadeira ganharam alguma má reputação, como se fossem coisas menos importantes, fúteis, inúteis, aparentadas da preguiça – preguiça essa que, sabemos, é pecado capital no cristianismo. Mesmo não sendo religiosos, ou não levando esses preceitos à letra, estas ideias foram entrando e infiltrando a nossa cultura judaico-cristã. É altura de recuperarmos estes aspectos mais esquecidos da vida e incorporá-los no nosso dia-a-dia, e não os deixar reservados para um dia incerto, ou para quando estivermos de férias, ou para quando tivermos tempo. Temos, pelo contrário, de criar espaços na nossa rotina para incorporar o prazer, a parte lúdica da vida, porque estes espaços são bolsas de oxigénio que nos revitalizam. Tal como temos de incorporar a actividade física na nossa rotina, também temos de incorporar os momentos lúdicos, de descanso, prazer e jogo, para nos conectarmos connosco próprias e com a criança que temos dentro de nós. E por isso, se tens vontade de experimentar desenhar, quer tenhas experiência, quer não, quer te consideres uma pessoa com “jeito para as artes” (alerta grandes aspas!), quer não; quer tenhas os materiais em casa, quer não; esperamos por ti na sessão aberta de Desenhamos Juntas. Vais encontrar o link para a inscrição gratuita nas notas deste episódio. Esta vai ser uma sessão normal, na medida em que iremos fazer exercícios dentro das dinâmicas que já são habituais, mas também muito especial, porque iremos acolher muitas pessoas que sentem esse chamamento para vir experimentar algo de novo. Estou muito entusiasmada com tudo isto, claro, porque é muito bom partilhar esta alegria com outras pessoas que também sentem essa vontade dentro de si. Vai ser uma sessão em que nos vamos desafiar: vamos experimentar soltar o controlo que um lápis nos dá, usando pincel e aguarela. Vamos surpreender-nos com os acidentes felizes da aguarela, aqueles momentos em que parece que não saiu o que queríamos, e depois vamos ver e há ali um pequeno milagre na forma como o traço ficou, ou como as cores se misturaram, ou como o pigmento se depositou no papel. Vamos deslumbrar-nos com o que temos dentro de nós e que quer sair, e, se calhar, não sabíamos. Vamos partilhar tudo isto com todas as outras participantes, e, à boleia destes singelos exercícios, ter conversas que são mais profundas do que podem parecer. E vamos sentir a magia do grupo, de fazer algo, todas juntas, de passarmos por um desafio em círculo protegido e sagrado. Há qualquer coisa de especialmente alquímico nestes círculos que começa a transpirar para a nossa vida, e depois para a vida de quem nos rodeia. Deixo-vos aqui o meu convite: venham participar na sessão aberta de Desenhamos Juntas. As portas vão estar abertas na sessão de dia 9 de Março de 2026, às 13h de Lisboa, 21h em Macau. O link para fazerem a vossa inscrição vai estar nas notas do episódio. Vemo-nos lá! Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfí
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Hoje quero falar-vos sobre algo que já observei várias vezes em mim e que surgiu, em conversa, numa das mais recentes sessões de Desenhamos Juntas. Neste episódio mencionamos: Desenhamos Juntas – Sessão Aberta dia 9 de Março de 2026 Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Hoje quero falar-vos sobre algo que já observei várias vezes em mim e que surgiu, em conversa, numa das mais recentes sessões de Desenhamos Juntas. Mas antes, deixem-me que vos dê contexto sobre as sessões de Desenhamos Juntas. Em cada sessão, fazemos mais ou menos quatro exercícios de desenho de observação com pincéis e aguarelas, pensados para porem o cérebro num “aperto”. Com algumas restrições, que podem ser, por exemplo, usar a mão não dominante, ou não levantar o pincel do papel, os exercícios são pensados para colocar intencionalmente obstáculos ao cérebro, para que este seja obrigado a abandonar os automatismos aos quais recorre de forma habitual, sem que muitas vezes nos cheguemos sequer a dar conta. No final dos exercícios, fazemos uma ronda pelos desenhos feitos, e nesses momentos surgem muitas vezes conversas muito interessantes. É nesses momentos que costumamos verbalizar a conversa que o nosso crítico interno nos faz. E foi exactamente nesse contexto que surgiu a conversa de que vos quero falar hoje. Nesta sessão, tínhamos de usar a mão não dominante num dos exercícios e, ao mostrar os seus desenhos, uma das participantes disse algo como: “enquanto estava a fazer, parecia-me que estava péssimo, mas agora que vejo o desenho no ecrã, já me parece menos mau.” E isso fez-me pensar num fenómeno curioso que também já observei nos meus desenhos: enquanto os faço e os vejo ali, bem à minha frente, parecem-me ter defeitos por todos os lados. Depois, quando lhes tiro uma fotografia e observo essa fotografia no ecrã, já não me parecem tão maus. É quase como se o facto de lhes tirar uma fotografia e de olhar para eles através da intermediação do dispositivo me desse uma certa distância que até aí não tinha, e me desse uma nova capacidade de olhar para os desenhos com olhos menos viciados que os meus. O meu crítico interno, por alguma razão, já não tem tão presente que fui eu quem fez aqueles desenhos, e não vem à superfície com o seu discurso normal, de quão maus, imperfeitos, esquisitos estão cada um daqueles desenhos. Digamos que até parece que o crítico interno se esquece de que fui eu que fiz aqueles desenhos, e então faz cerimónia. Afinal de contas, o meu crítico interno jamais fala com as outras pessoas como fala comigo! O que eu acho curioso e me continua a surpreender, apesar de já ter visto isto acontecer muitas vezes, e apesar de ser o conceito das próprias sessões de Desenhamos Juntas, é que nestas sessões, e à boleia de exercícios de desenho e observação, se possam discutir temas tão interessantes, pertinentes e profundos da nossa maneira de ser e estar no mundo, sobretudo habitando corpos femininos. A nossa relação com o nosso crítico interno é uma das coisas que mais trabalhamos nas nossas sessões, porque naturalmente ele vem ao de cima quando nos vê a fazer algo que considera arriscado. No caso, fazer um desenho que pode ser que não saia tão perfeito quanto o crítico interno gostaria. (Abro aqui um parêntesis para vos contar em que circunstâncias estou a escrever este episódio. Ora bem: estou às escuras, em casa, a usar a bateria do computador, porque a luz faltou há várias horas. Na cabeça, tenho uma daquelas lanternas de campismo com a luz mais fraca, para conservar energia. E tenho velas à mão, até porque pelo andar da carruagem vou precisar delas: por um lado, para iluminar um pouco, quando as baterias das lanternas acabarem; por outro, para as pôr num altar dedicado à EDP, para ver se a luz volta. Olhando pela janela, vejo que a luz falta em alguns quarteirões aqui à volta, mas não em todos. Sem dúvida que estou agradecida por só ter faltado há umas horas, e ter podido fazer a sessão de Desenhamos Juntas sem qualquer problema. E, ao mesmo tempo que agradeço por todos os avanços tecnológicos, também reflicto sobre a arbitrariedade de quem é e quem não é afectado pelos efeitos destas intempéries que se têm sucedido aqui em Portugal. Fecho parêntesis.) Como vos dizia, continua a surpreender-me como podemos ter reflexões tão interessantes sobre a nossa relação connosco mesmas, com o nosso crítico interno, com o mundo que nos rodeia, à boleia de desenhos de observação. Quando criei o Desenhamos Juntas, tinha uma intuição de que estes exercícios seriam positivos, produtivos, introspectivos. Mas não sabia de que forma podemos mudar a nossa maneira de nos relacionarmos com o mundo através das aprendizagens que lá fazemos, simplesmente por fazermos singelos desenhos de observação. Sabendo o que sei hoje, é enorme o entusiasmo com que falo sobre o Desenhamos Juntas, pois sinto, não só em mim, mas também nas participantes, como os exercícios que lá fazemos são potentes e os seus efeitos extravasam a área do desenho e transbordam para toda a vida. Porque ao aprendermos a baixar o volume do crítico interno a desenhar, também aprendemos a baixá-lo noutras áreas da nossa vida. E é por isso que quando me ponho a falar sobre as nossas sessões começo logo a entusiasmar-me – e depois não me calo! É mesmo divertido desenhar, e é mesmo divertido ver como o nosso desenho vai evoluindo. Mas ainda mais incrível é ver como a nossa visão do mundo vai mudando. De alguma maneira, deixamos de ser ouvintes passivos da voz do nosso crítico interno, para podermos, de forma activa, dizer-lhe que está tudo bem, que não se preocupe, e voltar a tomar as rédeas das situações. Várias pessoas me perguntaram se havia uma maneira de experimentar fazer uma sessão de Desenhamos Juntas, de maneira que pensei: “por que não?” E pensei então em fazer uma sessão aberta, gratuita, no dia 9 de Março de 2026, às 13h de Lisboa, que são 12h nos Açores e 21h em Macau. A sessão será gravada e disponibilizada durante um tempo limitado a todas as pessoas que se inscreverem. Deixarei nas notas do episódio o link para as inscrições. Vamos ter uma sessão típica, na medida em que os exercícios serão sempre dentro do âmbito das dinâmicas habituais, mas muito especial, por contar com a experiência mais alargada de grupo. E sim, porque há algo de muito mágico nas experiências de grupo. Por vezes, nem sabemos sequer verbalizar a questão que temos, e descobrimos que outra participante sentiu o mesmo e se questionou da mesma forma. Isso dá-nos uma sensação de pertença, de experiência partilhada, de comunhão e de comunidade que não tem preço. Por isso, venham, venham! Inscrevam-se no link disponibilizado e preparem papel e material riscador – que pode ser o que tiverem à mão. Temos usado pincel e aguarelas porque são divertidos, por um lado, acessíveis, por outro, e ainda porque permitem menos controlo que um lápis, por exemplo, o que vai pôr o nosso cérebro, lá está, num “aperto”. Mas é desse desconforto que surgem os saltos, as conversas, os temas da vida, e é por isso que temos recorrido a estes materiais pouco rigorosos, mas muito expressivos. Está feito o convite, que espero que aceitem: venham desenhar connosco na sessão aberta de Desenhamos Juntas, que terá lugar no dia 9 de Março de 2026, às 13h de Lisboa, uma hora a menos nos Açores e mais oito horas em Macau. Vai ser muito divertido, ainda que agora possa parecer assustador. Ah! E antes que me esqueça: não é preciso ter experiência nenhuma de desenho. Temos participantes que começaram a desenhar connosco, que diziam “não ter jeito” (e ponho este “não ter jeito” entre aspas) e que hoje desenham regularmente. Como já disse, os maiores efeitos de desenharmos juntas são mesmo internos, mas no caminho de facto começamos a desenhar cada vez melhor – porque treinamos abrandar o cérebro e ver o que os olhos estão a ver, e não o que a cabeça pensa que os olhos estão a ver. Enfim, o meu
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Esta semana, quero contar-te uma coisa curiosa – e que me deu que pensar – que me aconteceu no meu aniversário. Neste episódio mencionamos: Stress less, accomplish more, de Emily Fletcher Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sê bem-vinda a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana, quero contar-te uma coisa curiosa – e que me deu que pensar – que me aconteceu no meu aniversário. Já aqui vos disse que faço anos no melhor dia, o mais redondinho (o dia 8) do melhor mês, o mais especial (Fevereiro), que este ano calhou a um Domingo, algo muito conveniente para poder reunir a família à hora de almoço. Tudo o que podia preparar na véspera, preparei na véspera, e ficaram por fazer, digamos, os acabamentos da refeição. De manhã acordei e senti que a minha barriga estava um pouco estranha, mas prossegui com o meu plano: pequeno-almoço, organizar algumas coisas em casa e sair para ir fazer o meu treino de corrida. Queria mesmo aproveitar a nesga de céu azul que via, mais a mais depois de dias a fio com tempestades consecutivas. De maneira que lá me equipei e saí para correr. Assim que arranquei comecei a sentir algo esquisito na barriga. Sorri sempre e continuei, distraí-me com o sol – que já não víamos há largos dias – vi as águas do Tejo bem subidas e até acastanhadas, resultado das cheias que temos tido por todo o lado, mais as descargas das barragens. Enfim, aproveitei muito o facto de poder andar a correr sem chuva nem muito vento, o que foi uma mudança significativa em relação aos treinos das últimas semanas, em que cheguei a casa sempre encharcada e precisada de “descascar” a roupa toda, que de tão molhada se colava à pele. Lá terminei o meu treino, contente por ter podido aproveitar o sol. Enquanto no céu as nuvens se aglomeravam e prometiam chuva (que chegou estava eu a regressar a casa), na minha barriga as cãibras aumentavam, umas atrás das outras. Só me lembrava do nome que, na Argentina, tinha aprendido para “cólicas”: retortijones. Era mesmo isso que sentia, como se o intestino se contraísse e se torcesse periodicamente dentro da minha barriga. Comecei a rever as possíveis causas: teria sido glúten acidental? Teria sido algo estragado? Teria comido demais? Sem conclusão certa, pensei que não me apetecia nada almoçar, o que me pareceu bem estranho porque tinha estado a fazer o almoço de véspera (uma receita macaense!), e o bolo de aniversário, e tudo com tanto entusiasmo. Bem, avançando rapidamente para o momento em que fui começar os acabamentos da refeição e me senti completamente tonta. “Hmmm, estranho….”, pensei eu. Quando tentei ir comer a sopa, a cabeça começou a rodar e tive de me render às evidências: o sofá era o meu lugar para este dia especial. E portanto assim passei o meu aniversário: deitada no sofá, cheia de almofadas e mantas, com cólicas persistentes, cheia de frio, e depois calor. Dei por mim a pensar: “olha, até nem é uma maneira nada má de passar um dia especial, a descansar.” Sim, na verdade, eu estava a precisar de descansar, e o dia acabou por ser muito bom, deitada no sofá e cheia de miminhos de todos, mas a questão que acabei por me colocar foi: “porque é que foi preciso ficar doente para ter um dia de descanso?” Este é um dos temas que abordo frequentemente em todos os meus programas, desde o Desenhamos Juntas até ao Conectar para Liderar: porque é que precisamos de ficar doentes ou entrar em crise para poder descansar? Ou, por outras palavras, porque é que só descansamos quando ficamos doentes ou entramos em crise? Porque é que esperamos até uma situação limite que nos obriga a descansar para, efectivamente, nos darmos permissão a nós próprias para descansar? Essa é uma pergunta que me tem feito pensar muito, juntamente com uma outra, que é: porque é que evitamos ou adiamos algo que sabemos que nos vai fazer bem? Aqui quero fazer uma pausa para pensarmos um pouco sobre isto, porque acho que não é uma pergunta que possamos abordar à pressa, nem de forma liviana. E repito aqui a pergunta: porque é que adiamos ou evitamos algo que sabemos que nos vai fazer bem? Dou-vos um exemplo muito simples na minha vida, isto para mostrar que estamos sempre a aprender e que a aprendizagem se faz de avanços e retrocessos. Ora em Março de 2023 comecei a fazer meditação duas vezes por dia. A minha amiga Joana ofereceu-me um livro no meu aniversário chamado “Stress less, accomplish more”, que em português foi traduzido como “Stresse menos, alcance mais”, de uma autora chamada Emily Fletcher. Neste livro, a autora partilha uma metodologia de meditação que me pareceu acessível, e que comecei a fazer diligentemente. Nos primeiros tempos, notava que era um momento prazeroso, o da meditação, mas com a passagem das semanas comecei a notar que trabalhava mais rápido e que tomava as decisões criativas que os projectos exigiam de uma maneira mais simples, mais fluída, com menos angústia e menos sofrimento. A nível pessoal, essa Primavera de 2023 foi um período muitíssimo exigente, e de cada vez que me sentava para fazer uma meditação sentia um certo alívio porque nos próximos 15 minutos, o tempo que levava uma sessão, não tinha de pensar em nada nem resolver nenhum problema. Lembro-me de sentir isto e de pensar que agradável era essa sensação de 15 minutos de alívio em que não precisava de resolver nada. O hábito da meditação instalou-se e aqui esteve durante vários anos, até que, por uma razão ou outra, comecei a suprimir uma sessão aqui, outra acolá, e gradualmente perdi esse hábito. Agora, vejamos: lembro-me bem da sensação muito agradável enquanto fazia a meditação. Lembro-me muito bem dos efeitos que comecei a sentir: mais fluidez, as peças a encaixarem mais rápido. Lembro-me bem da sensação de porto de abrigo, de ilha de calma e tranquilidade que era cada uma daquelas sessões. Lembro-me bem de todas essas coisas positivas que me dizem: “porque não tentas reestabelecer o hábito da meditação?” E sinto bem no corpo a resistência de parar a meio do dia, eventualmente a meio de um processo ou de um projecto, e tomar esses 15 minutos para me voltar a centrar. Eu sei, racionalmente, que o investimento nesses 15 minutos de meditação me vai trazer inúmeros benefícios, ou seja, que me vai trazer retorno e com juros. Mas ainda assim todo o meu ser se resiste a interromper o que estou a fazer para fazer isso. No fundo, estou a evitar, ou talvez a adiar, algo que sei que me vai fazer bem a curto, médio e longo prazo. Curioso, não é? Voltando ao descanso, e às cólicas que me atiraram ao sofá no meu dia de anos, se eu não tivesse tido aquelas dores, teria passado o dia a fazer coisas, não só relacionadas com o almoço de família cá em casa, mas também em relação a adiantar a logística da semana: as roupas que precisam de ser lavadas, estendidas, dobradas e arrumadas, entre tantas outras pequenas tarefas. O que teria ficado para trás: o ócio, o descanso, a pintura, o desenho, o brincar com as cores, o não fazer nada, o ler umas páginas do meu livro, o ver um filme sossegada no sofá. E por isso, e por estranho que possa parecer, este dia de anos deitada no sofá, ainda que cheia de dores, acabou por me saber muito bem. Depois da manhã na rua, a apanhar sol e a correr sem chuva, descansar no sofá, cheia de mantas e miminhos da família soube-me também muito bem. As dores eram dispensáveis, mas se calhar se elas não tivessem existido talvez eu também não me tivesse permitido ficar ali, a descansar. O que me faz pensar que ainda tenho muito que aprender sobre descanso e a sua importância para a produtividade. E que ainda tenho muito que aprender sobre parar e cuidar de mim antes de entrar em crise. E que ainda tenho muito que aprender sobre porque é que evito (evitamos) o que sei que me vai fazer bem. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Hoje quero falar-vos de um sentimento que por vezes me ataca, e ultimamente me tem atacado, que é a sensação de estar bloqueada. Noutro dia, estava aqui a organizar os episódios de podcast e dei por mim a pensar: “mas sobre o que é que vou falar? Será sequer que é relevante?” Neste episódio reflicto sobre bloqueios e desbloqueios. Espero que desfrutem. Neste episódio mencionamos: “O Caminho do Artista”, de Julia Cameron Directos da Anita sobre “O Caminho do Artista” Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Hoje quero falar-vos de um sentimento que por vezes me ataca, e ultimamente me tem atacado, que é a sensação de estar bloqueada. Noutro dia, estava aqui a organizar os episódios de podcast e dei por mim a pensar: “mas sobre o que é que vou falar? Será sequer que é relevante?” E não estou a partilhar isto convosco à espera de elogios, ou de palavras encorajadoras, mas sim porque acho que é importante partilhar não só as coisas em que já consegui avançar (muito, pouco, um nadinha), mas também os momentos de dúvida, de bloqueio, de sensação de estagnação. Acho que não há ninguém que nunca se tenha sentido bloqueada em algum momento da vida, seja para escrever um email ou um livro, fazer um desenho ou pintar um quadro. Todas temos momentos nas nossas vidas em que nos sentimos bloqueadas em qualquer assunto, ou qualquer projecto. Podemos começar por ir empurrando com a barriga, assim como quem não quer a coisa, mas sempre a ver se ganhamos tempo e se a inspiração resolve aparecer. Mas depois a espera pode começar a prolongar-se e o tempo disponível a encurtar rapidamente, e aí, muitas vezes, entra o pânico moderado, a adrenalina do prazo e o cortisol de todo o stresse. Com essa ajuda, muitas vezes lá resolvemos o bloqueio, damos aquele passo que precisávamos e a coisa dá-se. Vinha na rua embrulhada nos meus pensamentos a pensar que me sentia bloqueada – na verdade, na minha cabeça apareceu-me a palavra inglesa “stuck”. Estava a pensar que estava bloqueada e a desejar não estar bloqueada, até que pensei: “então e se escrevesse precisamente sobre estar bloqueada?” E, se em vez de querer sair deste estado o mais rapidamente possível, mergulhasse ainda mais nele, o dissecasse, para o perceber melhor? E se, ao mergulhar ainda mais nesta sensação de bloqueio, estivesse a conhecê-la melhor, a torná-la mais confortável… e no caminho ainda a conseguisse resolver? Uma coisa curiosa deste bloqueio, desta sensação de estar “stuck”, foi mesmo pensar que não teria a menor dificuldade em escrever um episódio inteiro sobre ela – e isso deu-me conforto. Este episódio que estão a ouvir neste momento é o vigésimo nono das “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Tendo plena consciência de que não seria possível já ter falado de tudo nos vinte e oito episódios anteriores, tenho também a consciência de que já me repeti muitas vezes, já contei as mesmas histórias, já falei mil vezes de perfeccionismo (tive agora um pensamento intrusivo que me disse: “duuuh, Billy, olha o título do podcast!”), já falei de diário gráfico, de desenho, do Desenhamos Juntas, do Conectar para Liderar, do workshop de Procrastinação que irá acontecer esta Primavera. E ao sentir que já me repeti tantas vezes, dei por mim a pensar: “para quê?” Bem, eu sei para quê. Lembro-me bem do entusiasmo que senti ao criar este podcast e ao criar este espaço para conversarmos sobre estes assuntos, sobre o perfeccionismo, sobre trabalhar esse perfeccionismo usando a ferramenta do desenho, sobre a nossa relação com o nosso crítico interno, sobre todos estes temas que me são caros e que quero partilhar com todas vocês. Sei que ao reflectir sobre estes temas, ao escrever sobre eles e ao partilhar estes episódios convosco, estou a pensar também o que posso fazer para tentar que as minhas filhas não venham a ter a mesma luta com o perfeccionismo, para que consigam encontrar e ficar do lado de cá daquela fina linha que separa o brio e a excelência do lado mais pérfido do perfeccionismo. E se este podcast não servir para mais nada, pelo menos serve para isso, para ter mais consciência do que posso fazer para que elas não passem pelo mesmo. E porque não quero que pensem que estou a dizer que me sinto bloqueada, mas na verdade já não estou, deixem-me que vos diga: continuo, pois. Ainda agora fiz uma pausa na escrita deste episódio, fui distrair-me um bocadinho com outra coisa qualquer, deixei os minutos passar, sabendo que daqui a pouco tenho de interromper esta tarefa para ir fazer um recado qualquer. Como tal: não, não superei ainda o bloqueio e penso no que vou escrever a seguir. Acho que posso contar-vos as estratégias que tenho para quando me encontro nesta situação. Então, falei-vos agora mesmo de uma distracção, e a verdade é que uso esta estratégia como forma de tentar sair do bloqueio, mas deixem-me explicar que há distracções e distracções. Há as distracções que eu sei que são conscientes e produtivas: por exemplo, levanto-me para mover o meu corpo, eventualmente dar uma volta ao quarteirão, olhar para as árvores ou para o céu, maravilhar-me com qualquer coisa que encontro. E esta combinação de movimento com deslumbramento mexe com a sopa em que o meu cérebro se encontra e dá-lhe um novo alento. Quando volto ao computador, à página do diário gráfico, ao rascunho do livro, à tela, volto com qualquer coisa de diferente, como se algo se tivesse movido também dentro da minha cabeça. Outra estratégia que uso é fazer meditação. Comecei a meditar em Março de 2023 e notei uma diferença enorme sobretudo quando abordava decisões criativas que tinha que tomar nos meus diferentes projectos: depois de meditar, tudo brotava mais facilmente, com mais energia, e tudo fluía com mais facilidade. Curiosamente, e sabendo que a meditação faz pequenos milagres, tenho sido menos diligente na minha prática. É muito interessante e curioso ver como fugimos ou resistimos às coisas que sabemos que nos fazem bem. Já tomei nota porque acho que há todo um episódio no meu futuro sobre exactamente esse tema: porque resistimos ao que sabemos que nos vai fazer bem. No Verão passado, adicionei uma nova ferramenta à minha caixa e fiz a introdução ao reiki. Não sei se já tinha falado aqui no podcast sobre o tema do reiki, talvez o meu crítico interno me tivesse sempre persuadido a não o fazer. Uns meses antes de fazer, então, a introdução ao reiki, comecei a receber frequentemente essa mensagem durante as minhas meditações. Normalmente estava eu na minha paz a repetir o mantra internamente e aparecia-me um pensamento do género: “Então e reiki?”. É curioso como chegam estas mensagens. Poderíamos pensar que chegam de fora, de inspiração divina ou da musa, se assim quisermos. Mas eu acho, na verdade, que elas vêm de dentro. Sabem quando temos de fazer silêncio, e pedimos silêncio a quem nos rodeia, para ouvirmos uma música que está muito baixinha? É isso que eu sinto que acontece na meditação: fazemos silêncio e estamos em silêncio o tempo suficiente para ouvirmos a música que trazemos dentro de nós. Já tinha feito algumas sessões de reiki como cliente, e não sei como é que daí passei a sentir que deveria fazer a introdução, mas assim aconteceu. E desde que fiz a introdução ao reiki tenho feito um pouco desse trabalho energético todos os dias. Talvez só daqui a uns quantos anos venha a descobrir o verdadeiro impacto do reiki em mim, mas agora posso dizer uma coisa: que me sabe muito bem e que me descontrai mesmo muito. E se não fosse por mais nada, isso já seria razão mais que suficiente para continuar a praticar. Outra maneira de desbloquear é pegar em papel e caneta e começar a escrever, à mão, os pensamentos que estão dentro da minha cabeça. Se não me ocorre nada, começo a escrever “não me ocorre nada, mas sinto que precisava de escrever um pouco…” e aí
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Com a aproximação do mês de Fevereiro, começo a “descongelar” aos poucos, que é como quem diz, a abrir-me paulatinamente ao mundo, às pessoas, aos encontros e aos novos laços. E hoje conto-vos tudo sobre usar o tricot e os livros para o evento Kafka na Meada, que terá lugar no próximo dia 31 de Janeiro de 2026 na sala mais cosy da Livraria Déjà Lu, na Cidadela de Cascais. Espero que desfrutem. Neste episódio mencionamos: Kafka na Meada, um evento na Livraria Déjà Lu, na Cidadela de Cascais Anita no Trabalho e o seu Clube do Livro “Casa dos Espíritos” e “Eva Luna”, ambos os livros da autora Isabel Allende Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Antes de começar o episódio desta semana. Quero contar-te que já abrimos as inscrições para o Desenhamos Juntas. O Desenhamos Juntas é um encontro semanal, à segunda-feira, às 13h de Lisboa, em que, durante aproximadamente 40 minutos, vamos fazer exercícios de desenho para soltar o perfeccionismo e aconchegar a alma. O link para a página do Desenhamos Juntas vai estar nas informações deste episódio. Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Passam os dias de Janeiro e começo paulatinamente a sair da minha “hibernação”, vá, uma “hibernação” entre aspas, porque a vida continuou a decorrer, em geral, com a rotina habitual de trabalho, família, treinos, desenhos e tricots. Sobre esta energia de hibernação e organização que Janeiro me traz, contei-vos há umas semanas. Contei-vos também como costumo aproveitar este momento mais introspectivo para reorganizar processos internos. No caso, estou a fazer a transição de plataformas de envios de email, para consolidar tudo numa só plataforma. Bem, mas com o passar destes dias de Janeiro, a aproximação de Fevereiro e também do meu aniversário (sim, faço anos em Fevereiro que é, sem dúvida, o melhor mês do ano, verdade indiscutível! Apesar de aqui em casa haver pessoas que me dizem que não, que Maio é que é, ou então que não, que Novembro é que é. Mas eu não acredito. Fevereiro é que é mesmo o melhor mês do ano. Pronto. Tenho dito.) Mas adiante: como vos dizia, com a aproximação do mês de Fevereiro, começo a “descongelar” aos poucos, que é como quem diz, a abrir-me paulatinamente ao mundo, às pessoas, aos encontros e aos novos laços. E não deve ter sido coincidência quando, há uns quantos meses atrás, fui visitar a Francisca da Livraria Déjà Lu, na Cidadela de Cascais, e ela sugeriu organizarmos um encontro para o pessoal do tricot e do crochet que gosta de ler; ou, se calhar, para o pessoal que adora ler e que adora dar às agulhas. Na altura, lembro-me de ter sugerido o mês de Novembro, e ela apresentar a contraproposta de 31 de Janeiro. Parecia-me longínquo, porém acertado, e assim ficou. Como costuma acontecer, as datas que ao princípio parecem longínquas e que nunca mais irão chegar, acabam por chegar mais cedo do que pensávamos e o mesmo aconteceu com este encontro, que terá lugar no dia 31 de Janeiro de 2026 na sala mais cosy da Cidadela de Cascais  (e porventura do mundo): a sala da livraria Déjà Lu. Estou desejosa que chegue o dia, sabem? Para esta introvertida que vos fala, estar numa sala bonita, rodeada de livros, de agulhas na mão, é assim o sonho. Na Anita no Trabalho, o podcast ali ao lado, a Eli e eu temos uma piada que vai perpassando vários episódios e que é sobre o inferno que podem ser os eventos de networking. Para quem é empreendedora, eventos de networking são particularmente importantes, pois aí conhecemos as pessoas que nos podem ajudar a crescer, a encontrar mais clientes, as pessoas que podem mostrar o caminho, enfim, são eventos importantes. Dos quais fujo a sete pés, porque, para mim, são do mais próximo de infernal que consigo imaginar. Já fui a alguns, e posso dizer sem vergonha nenhuma que tive de ir periodicamente fechar-me na casa de banho, sem estímulos, em silêncio, sem ter de pensar em que conversa fazer ou que tópico abordar, para descansar um bocadinho. O evento de networking é o sonho do extrovertido, e o pesadelo desta introvertida. E é por isso que vos posso dizer que se eu organizasse eventos de networking os organizaria assim, à volta de livros e de agulhas, porque a estes eventos, sim, eu quero mesmo ir. Eventos à volta de livros e de tricot têm algumas garantias à partida: se não tivermos mesmo mais nada em comum com as outras pessoas que lá estão, sabemos que todas gostamos de ler e que todas gostamos de tricotar. Podemos gostar de ler coisas diferentes, e tudo certo, mas temos essa paixão em comum. Os nossos estilos e gostos no tricot podem ser completamente diferentes, ou, inclusivamente, em vez de tricot gostarmos mesmo é de fazer crochet!, mas essa paixão por trazer à vida coisas feitas com as nossas mãos é real, e é uma base comum bem sólida para construir uma relação com uma pessoa que talvez nunca se tenha visto na vida. E por isso, quando a Francisca da Déjà Lu me desafiou para moderar um evento assim, eu pensei que só podia ser destino, estar escrito nas estrelas, estar pré-determinado. Porque, e agora convido-vos a viajarem comigo no tempo até 2007, quando fui viver para a Argentina, eu não conhecia ninguém, e o que me faltava, lá está, eram ocasiões para conhecer pessoas. E sabem o que me ajudou muito a conhecer pessoas? O tricot! Na altura, venham comigo na máquina do tempo, havia blogues que as pessoas escreviam, assim uma espécie de diário, ou de diário de bordo. E havia muita gente que não só escrevia blogues como também escrevia sobre tricot. Por essa altura, foi lançado o ravelry, uma espécie de rede social de tricot e de crochet, que tinha uma série de funcionalidades, nomeadamente a da pesquisa. Uma das coisas que dava para pesquisar era pessoas e grupos, por interesse ou localização, e foi assim que eu fui parar ao grupo das tricotadeiras argentinas, e foi assim que conheci amigas que ficaram para a vida, que me deixaram entrar nas suas casas e nas suas vidas. Podíamos não ter mais nada em comum, mas tínhamos o tricot, e isso foi suficiente. A paixão pela lã, pelas agulhas, pelas possibilidades diferentes que havia e que se abriam à nossa frente. Um tema constante de conversa era a forma diferente como tricotávamos. Eu, como é costume cá em Portugal, de fio à volta do pescoço, tricotava de forma diferente das minhas novas amigas argentinas, que usavam longas agulhas rectas que prendiam debaixo dos braços. O tricot levou-me a encontros de tricotadeiras em bairros diferentes da cidade de Buenos Aires. Vivi lá três anos inteiros, e continuava a descobrir bairros novos de cada vez que me encontrava com as minhas novas amigas. O tricot é um grande nivelador: não interessa qual a profissão, o estado civil ou de saúde. Temos o tricot, e isso é suficiente. Bem, queridas crocheteiras que me ouvem, não se sintam excluídas por eu falar sempre em tricot. A verdade é que o tricot é a minha tecnologia favorita, ao nível das agulhas e do fio, mas de vez em quando lá vou eu buscar a agulha de crochet para terminar alguma coisa ou resolver algum acidente. O crochet, para mim, é uma técnica acessória, mas muitíssimo útil. Só não tenho exactamente a mesma paixão pelo crochet que tenho pelo tricot… mas entendo o encanto. Bem, e então e livros? Que me dizem sobre livros? A leitura sempre foi uma paixão e uma maneira, para mim, de viajar. Lembro-me de ser adolescente e de mergulhar completamente nas histórias da Isabel Allende, a sua “Casa dos Espíritos” ou “Eva Luna”. Abriram-me o mundo para a América do Sul, lugar que não poderia ser mais exótico e longínquo para mim, que vivia, nessa altura, no Sudeste Asiático. Com a pandemia, os livros ganharam um estatuto de refúgio, de porto de abrigo. Lembro-me bem daqueles dias de confinamento, que pareciam demorar anos, e ao mesmo tempo se sucediam vertiginosamente, e como ao final do dia me deitava sossegada na cama, agarrada ao meu livro. Não con
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Se há coisa de que gosto é precisamente desta energia de novo ano que Janeiro nos traz. Há muito quem se queixe de o mês de Janeiro parecer eterno e, aqui em Portugal, de o mês trazer demasiado frio. Pois eu confesso que, para mim, Janeiro passa a correr! Janeiro traz-me uma energia de hibernação e reorganização, que aproveito para fazer projectos virados “para dentro”, para melhorar e afinar processos do meu negócio. Conto-vos tudo no episódio de hoje. Espero que desfrutem. Neste episódio mencionamos: Kafka na Meada, um encontro para quem gosta de ler e tricotar (às vezes, ao mesmo tempo) Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Antes de começar o episódio desta semana. Quero contar-te que já abrimos as inscrições. Para o Desenhamos Juntas. O Desenhamos Juntas é um encontro semanal, à segunda-feira, às 13h de Lisboa, em que, durante aproximadamente 40 minutos, vamos fazer. Exercícios de desenho para soltar o profissionismo. E aconchegar a alma. O link para a página do Desenhamos Juntas vai estar nas informações deste episódio. Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este novo episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Se há coisa de que gosto é precisamente desta energia de novo ano que Janeiro nos traz. Há muito quem se queixe de o mês de Janeiro parecer eterno e, aqui em Portugal, de o mês trazer demasiado frio. Pois eu confesso que, para mim, Janeiro passa a correr! Mas deixem-me explicar-vos o que sinto e o que quero dizer. Apesar de poder não parecer, eu sou uma pessoa introvertida, ou seja, sou uma pessoa que recupera as suas energias não no meio de outras pessoas e de muitos estímulos, mas sim no silêncio e no recolhimento. E Janeiro é, para mim, o mês que eu mais aprecio para fazer isso: cultivar o silêncio e o recolhimento. Em Janeiro, gosto de fazer trabalhos com menos visibilidade externa. Por exemplo, em 2025, dediquei o mês de Janeiro para redesenhar o meu website. E, sim, é verdade que tem uma face exterior virada para o público, mas aquilo que fica visível ao público é resultado de uma profunda instropecção em que tomei decisões estratégicas sobre que serviços apresentar, como os apresentar, que textos e imagens usar, enfim. Resumidamente, houve muita introspecção envolvida para resultar na face visível ao público. Este ano, em Janeiro, estou a conciliar um projecto interno principal com o resto das tarefas que vão sendo necessárias todas as semanas. Esse projecto é a migração do meu sistema de envio de emails da plataforma que uso há quinze anos para uma nova plataforma. Posso dizer-vos que esta mudança, aparentemente prosaica, requer muita introspecção e vem na sequência de todo um pensamento estratégico – que, como já estão a suspeitar, também resultou de muita introspecção. Estou com muita curiosidade de saber quantas vezes já repeti a palavra introspecção. E o resultado é cinco vezes! Mas estas cinco vezes ilustram bem o que é, para mim, esta energia que sinto em Janeiro: uma energia de mergulho em mim própria, em que quero afinar coisas que não estejam a correr tão bem, ou nas quais sinto um grãozito ou outro na engrenagem. Janeiro tem esta energia de afinação de detalhes para que os processos sejam mais limpos, com menos atrito, para criar espaço para o que desejo fazer ou voltar a fazer. Mudando aqui um pouco o tema, mas sempre tendo em conta este “virar para dentro” da introspecção e da introversão, este mês de Janeiro traz uma novidade muito especial. Não sei se sabem, mas há duas coisas que gosto muito de fazer e que são, para mim, um porto seguro: a leitura e o tricot. E a grande novidade deste mês de Janeiro é que precisamente vamos juntar a leitura e o tricot num evento! Pois é bem verdade: tricotadeiras que gostam de ler, ou leitoras que gostam de tricotar, vamos ter um encontro na Cidadela de Cascais, na Livraria Déjà Lu, na tarde de 31 de Janeiro. Deixo-vos o link para as informações nas notas do episódio. Introvertida que sou, encontrar-me com outras pessoas que adoram ler e tricotar dá-me logo um conforto, porque sei que se só tivermos essas duas paixões em comum, já temos imenso em comum e seguramente não faltará conversa. E por falar em paixão e alegria, mudo aqui um pouco o tema para vos contar sobre outro lugar feliz onde nos juntamos à volta de uma paixão comum, o Desenhamos Juntas. O Desenhamos Juntas é, como o nome indica, a sessão semanal de desenho, todas as segundas-feiras à hora de almoço. Nestas sessões, eu proponho uma série de exercícios que fazemos todas ao mesmo tempo – mas que também podem ser feitos ao mesmo tempo, em diferido, através das gravações. Eu já adoro este programa, porque, apesar de ser eu a facilitá-lo, me tem trazido tantas aprendizagens sobretudo ao nível da minha relação com o meu crítico interno. Sim, não pensem que por eventualmente ter mais experiência a desenhar no meu diário gráfico o meu crítico interno não dispara com a sua conversa por vezes bem forte. Mas a verdade é que esta prática semanal de desenho em simultâneo com outras pessoas me tem ajudado a vencer muitas inibições. Hoje, por exemplo, é com muito mais facilidade que mergulho no foco do desenho e isso permite-me, por exemplo, desenhar em público com muito mais facilidade, nas actividades extracurriculares das minhas filhas, nas festas de família, no teatro ou mesmo na rua. Janeiro, talvez pelo frio que costumamos sentir por aqui, traz-me uma energia de recolhimento e de renovação. No fundo, o recolhimento dá-me espaço para me conectar comigo própria e sentir o que quero renovar. Foi num mês de Janeiro assim, em 2021, que comecei a desenhar todos os dias, depois de uma hibernação e recolhimento que me fez pensar que estava a precisar de voltar a brincar com formas, cores, materiais. No fundo, que estava a precisar de fazer algo por mim e só por mim, que não servisse um propósito posterior. Foi essa vontade de voltar a brincar, a contactar com uma parte lúdica que estava um bocado arredada da minha vida, que me fez começar a desenhar com os materiais que tinha à mão. Com a passagem do tempo, comecei a perceber que essa actividade que eu fazia por razão nenhuma a não ser “só porque sim” me começou a abrir portas que eu não esperava sequer que existissem. Por um lado, expôs-me ao prazer de usar materiais diferentes, aquele prazer táctil que vem da própria materialidade das coisas, e que nos dias de hoje já é rara, pois é raro também pegarmos sequer numa caneta para escrever num papel e tudo se desenrola num plano digital. Antes, entrava numa loja de materiais de artes e olhava, sem experimentar nada, nem comprar nada. Afinal de contas, dizia-me para mim própria, não tinha propriamente uma justificação para comprar nada, não saberia sequer quando a iria usar. Os primeiros tempos de desenho diário foram meio a medo, com vontade e foco no olhar, mas a mão muito presa. Mas, como dizia a minha avó, atrás do tempo vem o tempo, e no desenho aconteceu a mesma coisa. Atrás de uns desenhos vieram outros, e com eles chegou a curiosidade de ir experimentando uma caneta nova, um lápis novo, e de repente ir à papelaria de artes já era uma viagem com um objectivo: conhecer um material novo que me apeteça imenso experimentar. Entre sugestões de quem lá trabalha e que conhece muito bem os materiais que está a vender e a sensação de puro luxo ao usar um material espectacular e topo de gama, um lápis que parece manteiga, uma aguarela carregada de pigmento, um pincel novo, os dias foram-se passando, fazendo semanas, meses e anos. A pilha de diários gráficos terminados foi crescendo, e hoje sinto que essa resolução de começar uma actividade “só porque sim” foi daquelas que mais consequências positivas e inesperadas veio a ter na minha vida. Agora convido-vos a usar na vossa vida esta energia de Janeiro, de hibernação e renovação. Quando ficam em silêncio convosco, mas em silêncio mesmo, sem distracções de dispositivos ou de tarefas da logística
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Hoje partilho convosco o primeiro episódio deste ano de 2026. É ano novo, vida nova, e há muitas caras novas por aqui, pelo que achei que seria um óptimo momento para me voltar a apresentar. Espero que desfrutem. Neste episódio mencionamos: Anita no Trabalho, o podcast que tenho há dez anos com a minha querida amiga Eli. “Livro do Não”, o livro que escrevi e ilustrei integralmente com bordado, publicado em Maio de 2024. Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Antes de começar o episódio desta semana, quero contar-te que já abrimos as inscrições para o Desenhamos Juntas. O Desenhamos Juntas é um encontro semanal, à segunda-feira, às 13h de Lisboa, em 1ue durante aproximadamente 40 minutos, vamos fazer exercícios de desenho para soltar o perfeccionismo e aconchegar a alma. O link para a página do Desenhamos. Juntas vai estar nas informações deste episódio. Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este novo ano de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”! Hoje partilho convosco o primeiro episódio deste ano de 2026. É ano novo, vida nova, e há muitas caras novas por aqui, pelo que achei que seria um óptimo momento para me voltar a apresentar. Para quem não sabe, o meu nome é Ana Isabel Ramos. Nasci em Lisboa, em cujos arredores vivi até aos meus nove anos, altura em que a família se mudou para Macau. E, claro está, essa mudança marcou um antes e um depois na minha vida. Em Macau passei a minha adolescência. Macau, uma terra pequena, mas com muita densidade populacional e muita influência de muitas culturas diferentes, primeiro foi muito esquisito para mim, que vinha de uma aldeia dos arredores de Lisboa onde conhecia o sr. Manel do café, a D. Violante da papelaria e o Sr. Félix, o merceeiro. Já em Macau, mergulhada numa cidade com tanta gente, só aos poucos me comecei a familiarizar com os seus recantos e algumas das suas caras. Em Macau, cresci rodeada dessa mistura única que lá acontece: da cultura chinesa, claro, com aspectos de que gostava especialmente, nomeadamente da sua gastronomia; e da cultura portuguesa da diáspora, já com muitas adaptações ao sudeste asiático. Aos dezoito anos, voltei para Lisboa para estudar Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes. Foram cinco anos – na altura em que as licenciaturas ainda eram de cinco anos, e isso já vos dá uma ideia da idade que tenho! – de aprendizagem e de adaptação a esta nova vida, cá deste lado do mundo, quando as minhas referências estavam todas do lado de lá. Durante a faculdade comecei a estudar alemão e, mais tarde, fiz Erasmus na Alemanha. A minha paixão pela língua, com a sua lógica de peças de puzzle que têm um lugar exacto onde cair, veio estruturar muito o meu pensamento. Depois do Erasmus, voltei para Lisboa, para completar o curso, uma prova de resistência que finalmente acabou. A experiência académica teve alguns momentos de muita felicidade, mas a melhor parte foi, sem dúvida, as grandes amizades que fiz. Antes de terminar o curso, comecei a trabalhar primeiro num, e depois em dois ateliers de design que partilhavam instalações. Com pessoas maravilhosas – que ainda hoje conto como amigas e mentoras – e com um trabalho interessante, esses podem ter sido dos anos mais felizes enquanto designer. Alguns anos mais tarde, e já por motivos pessoais, mudei-me para Buenos Aires, na Argentina. Não tinha autorização de trabalho por lá, então continuei a alimentar projectos com clientes cá em Portugal, mas, numa altura em que o trabalho remoto ainda não era um conceito muito conhecido, então fiquei com bastante tempo livre. Aproveitei por isso para refrescar alguns aspectos da minha vida, nomeadamente focar-me mais em desenvolver o meu portefólio de ilustração. Uma das coisas que fiz, meio sem saber e sempre a puxar pelo fio da intuição, foi inscrever-me nas aulas de pintura da Associação dos Amigos do Museu de Belas Artes de Buenos Aires. E aí encontrei um círculo que foi quase uma casa para mim. Graças à maneira do professor conduzir as aulas, do ambiente que conseguia criar e do cuidado no feedback que dava, sempre construtivo e sempre directo, sem insinuações, senti-me em segurança para ir, progressivamente, esticando as minhas “asas” figurativas e experimentando novas técnicas, novas cores, novas maneiras de pintar. Os exercícios, o ambiente criado e a segurança e empatia na hora de dar e receber feedback moldaram toda a minha actividade até aos dias de hoje. Nestas aulas, aprendi não só a pintar, mas sobretudo a falar sobre o meu trabalho e o trabalho dos meus colegas com todo o respeito, com empatia e com o cuidado que qualquer iniciativa artística, vulnerável por natureza, merece. Vem daí a forma como conduzi workshops e cursos de tricot, bordado e desenho, e vem daí a minha alegria de experimentar, sem me focar muito no resultado. Tudo coisas que não pensei ir aprender naquelas aulas de pintura, lá em Buenos Aires, e no entanto foi exactamente isso que aconteceu. As minhas recordações dessas segundas-feiras são cálidas, e as saudades que tenho dessas sessões são imensas. Uns anos mais tarde, mudámo-nos de Buenos Aires para a Cidade do Panamá, uma mudança que ditou muitas outras mudanças. Por exemplo, deixei de ter aulas de pintura, mas comecei a pintar de forma mais autónoma, em minha casa. Os anos no Panamá foram marcados por um grande crescimento pessoal, mas tive muitas, muitas saudades das aulas de pintura em Buenos Aires. Mais tarde, em 2013, voltámos para Lisboa, onde vivemos actualmente. Encontrei um espaço muito fofinho no Príncipe Real onde fazer o meu atelier e aí comecei a trabalhar em projectos de design, alguns de ilustração e aí lancei o meu primeiro podcast, Anita no Trabalho, com a minha querida amiga Eli. A gentrificação da zona forçou-nos a sair de lá, e que pena foi!, e o atelier entretanto já teve outras casas. Os trabalhos de design e de ilustração foram escasseando, e começaram então os projectos próprios: em Junho de 2024, lancei o meu primeiro livro, o “Livro do Não”, escrito por mim e ilustrado integralmente com bordado. Foi uma gestação bem longa, com dez meses inteiros a bordar, com muitas dúvidas, mas também com muitas alegrias, uma delas a ida a Macau, em Outubro de 2025, para fazer uma exposição com os originais bordados. Paralelamente, dei forma a uma sensação – talvez uma intuição? – que já tinha dentro de mim e que me chamava a criar um curso, um programa de desenvolvimento pessoal e de reconexão com o nosso íntimo, com a nossa criatividade. No Outono de 2024, lancei a primeira edição de Conectar para Liderar, um programa de liderança pessoal em que nos voltamos a recentrar em nós, reconectamos connosco próprias para saber e sentir o que podemos trazer às nossas vidas para elas serem mais coloridas, mais felizes, mais intensas. Facilitar essas sessões mostrou-me que era esse o caminho que eu tinha de seguir. Desde 2021 que desenho todos os dias no meu diário gráfico. Desenhar é uma daquelas actividades a que chamo “actividade só porque sim”, ou seja, aquelas coisas que faço só porque me trazem alegria e prazer e que não precisam de servir para mais nada (como se trazer alegria fosse pouco!). E desde a Primavera de 2024 que tenho as sessões de Desenhamos Juntas, onde, todas as semanas, nos reunimos para fazer alguns exercícios de observação e, lá está, desenharmos juntas (juntas ao vivo, mas também juntas em diferido). Para além do Desenhamos Juntas, que é semanal, e do Conectar para Liderar, que conta uma edição por ano, sendo a próxima no último trimestre de 2026, está previsto para o segundo trimestre deste ano um workshop prático sobre Procrastinação. Estou agora a desenhá-lo, a gerá-lo, e desejosa de o partilhar convosco. Para além de desenhar todos os dias, as minhas outras actividades “só porque sim” são tocar cavaquinho, que toco a um nível que eu chamo de “principiante-que-se-diverte”, com um reportório que vai desde Marco Paulo a Billie Eilish e Dua Lipa;
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Esta semana, já em plena altura natalícia, quero recuperar um tema que já abordei no episódio 9 e que é a importância das celebrações. Ocorre-me recuperar este tema porque por vezes – para não dizer “muitas vezes” – é-me difícil parar tudo para celebrar os progressos feitos até ao momento. E como estamos no final do ano, altura de fazer o balanço destes últimos 12 meses, pensei que seria uma excelente altura para celebrar o que foi feito, mesmo sabendo que ainda há muita coisa para fazer. Espero que desfrutem. Neste episódio mencionamos: Episódio 9. A importância de celebrar dois meses de podcast Episódio 21. Sobre a viagem a Macau Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Antes de começar o episódio desta semana, quero contar-te que já abrimos as inscrições para o Desenhamos Juntas. O Desenhamos Juntas é um encontro semanal, à segunda-feira, às 13h de Lisboa, em que durante aproximadamente 40 minutos, vamos fazer exercícios de desenho para soltar o profissionismo e aconchegar a alma. O link para a página do Desenhamos Juntas vai estar nas informações deste episódio. Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana, já em plena altura natalícia, quero recuperar um tema que já abordei no episódio 9 e que é a importância das celebrações. Ocorre-me recuperar este tema porque por vezes – para não dizer “muitas vezes” – é-me difícil parar tudo para celebrar os progressos feitos até ao momento. E como estamos no final do ano, altura de fazer o balanço destes últimos 12 meses, pensei que seria uma excelente altura para celebrar o que foi feito, mesmo sabendo que ainda há muita coisa para fazer. Quando começo a duvidar de mim própria e a prestar demasiada atenção ao que ainda me falta fazer, começo a sentir uma onda de desespero a tomar conta de mim. Ora, é sabido que do desespero não nascem as coisas como deveriam, ou pelo menos não nascem com a energia que gostaríamos, e por isso, quando me sinto assim, tenho de tentar estancar essa onda. E como faço isso é olhando não para a frente, e para o que falta, mas sim para trás, para o caminho que já foi feito. E olhando para trás, vejo muita coisa que me propus fazer e fiz; vejo que organizei as peças do meu negócio, que lancei um podcast – este que vocês estão a ouvir, e que me dá tanto prazer a escrever. Fui trabalhar a Macau, e pude levar a minha família, o que fez com que a viagem ganhasse ainda mais significado emocional para mim. E se, no dia em que escrevi o guião do episódio 9 celebrava as primeiras 90 escutas do podcast, hoje celebro as primeiras 577. Tenho à minha frente o objectivo de chegar ao milhão de escutas – um objectivo longínquo, neste momento, mas um pouco mais próximo do que em Agosto passado. Nem sempre é fácil, para mim, celebrar. No episódio 9, confessava-vos a minha dificuldade em celebrar os meus progressos e as minhas conquistas, e relacionava essa dificuldade com o meu super-perfeccionismo, do qual estou em recuperação, mas não recuperada, convenhamos. Cito o episódio 9: “Se repararem, não celebrar as nossas conquistas, grandes ou pequenas, é um traço do super-perfeccionismo de que tantas de nós padecemos. Porque o perfeccionismo nos faz manter o foco no que falta, não aceita que o que avançámos já é de valor.“ Também no episódio 9, contei-vos também o que me aconteceu no final da primeira corrida em que consegui fazer os 10 km abaixo da hora – uma coisa que, assim como consegui, também desconsegui, o que também é um bom exercício para manter o ego no lugar dele. Hoje, que já se passaram alguns meses, e que já fui aprendendo mais algumas coisas, e em que inclusivamente estou a fazer uma formação muito focada nesta parte de trabalho individual interior para obter um maior impacto nos resultados de negócio… bem, hoje já tenho um pouco mais de facilidade para celebrar as conquistas, mas nem sempre é fácil. Por alguma razão, estamos formatadas para encontrar a falha e o que falta. E a mim ainda me falta muita coisa, e a nível de negócio ainda há muita coisa que espero vir a conseguir alcançar. Encontrar a falha, ou dito de uma maneira mais positiva, a “atenção ao detalhe” é algo de importante para fazermos um trabalho de excelência; mas pode tornar-se algo doentio e paralisante quando se transforma em perfeccionismo, e desse mal padeço eu e muito. No que ao perfeccionismo diz respeito, não se trata de aprender, mas sim de desaprender: temos de desaprender formas de pensar antigas, que nos foram inculcadas pela vida, pelos nossos professores, pela comunidade, pela sociedade em geral. Temos de desaprender essa ideia de que algo tem de estar perfeito para poder ser partilhado com o mundo. Temos de desaprender essa ideia de que se não estiver perfeito, então não vale. Cada projecto que pomos no mundo tem de ser feito com excelência e atenção ao detalhe; mas se exageramos e nos fixamos em todas as minudências, em vez de conseguirmos trazer esse projecto à vida, o mais certo é enfiarmos esse projecto na gaveta, e há por aí com certeza muitas gavetas cheias de projectos que deviam ter nascido, e não nasceram. Por isso é com alegria que hoje em dia celebro com mais facilidade, e às vezes até consigo evitar o quase inevitável “mas”. Sabem qual é esse “mas”? É aquele que aparece em “Consegui atingir este objectivo mas ainda me falta muito que fazer” ou “Consegui atingir aquele objectivo mas ainda não cheguei aos resultados que desejo”. Então, para cortar aqui com este “mas”, aqui vão algumas celebrações: – hoje quero celebrar que há quase cinco anos inteiros que desenho todos os dias no meu diário gráfico. Nunca pensei que esta prática diária me viesse a dar tanta alegria, e olhem. Aqui estamos. – hoje quero celebrar a viagem a Macau (e sobre a qual fiz o episódio 21). Foi uma viagem linda, emocionante, e fui até Macau levada pelo meu trabalho, à boleia do “Livro do Não”. Nunca por um momento pensei, enquanto bordava aquelas ilustrações, que um dia aqueles bordados me levariam a Macau. E no entanto, olhem. Não é que levaram? – hoje quero celebrar ter encontrado este trabalho que me faz realmente feliz. Escrever estes guiões, os emails que vos mando, preparar as sessões e facilitá-las, tanto de Desenhamos Juntas como de Conectar para Liderar, falar com o público, apresentar os meus projectos… tudo isto me traz mais alegria que alguma vez poderia imaginar. E quero celebrá-lo convosco. – hoje também quero celebrar ter lançado este podcast. Gosto tanto, mas tanto do formato áudio, sinto, como pessoa que ouve muitos podcasts, que me falam directamente à alma. Gosto de ouvir podcasts quando vou correr, ou quando vou caminhar, e há dias em que presto toda a atenção ao que me segredam ao ouvido, e outros em que o que me segredam se transforma numa melodia que me embala e que me leva a outro patamar da imaginação. É com esse amor pelo formato áudio que produzo cada episódio. – hoje também aproveito para celebrar algo que talvez pudesse pensar que não era de celebrar. Conto-vos: em 2024, li 52 livros, mais ou menos um livro por semana. Mas sabem o que senti? Senti que foram demasiados livros, senti que os colava uns aos outros, que quase não sabia aguentar os espaços vazios entre livros. Comecei a sentir que aquela bibliomania estava a aproximar-se de um vício… e apesar de eu achar que o vício da leitura, ao nível dos vícios, até é uma coisa boa, em 2024 senti que quase me sentia desasada se não estivesse a ler, e que as histórias foram todas tão encavalitadas uma em cima das outras que quase não tinham espaço higiénico para assentar e decantar dentro de mim. Este ano, não foi uma escolha muito consciente, mas comecei a sentir o meu ritmo de leitura a abrandar. E essa foi uma mudança que acolhi de braços abertos, sentindo que estava a fazer o que era melhor para mim. E por esse facto de ter entendido que mais livros não era necessariamente melhor, e apesar do ego d
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Esta semana, quero falar-vos do futuro: quero falar-vos dos planos para 2026. Uma das coisas que mais me chama neste tempo de Outono e de final de ano civil é, por um lado, fazer o fecho do ano que está a terminar e, por outro, planificar o ano que vai começar. Neste episódio, conto-vos o caminho feito em 2025 e quais os planos para 2026. Espero que desfrutem. Neste episódio mencionamos: Denise Duffield-Thomas Anita no Trabalho, o podcast sobre empreendedorismo no feminino que faço com a minha amiga Eli desde 2016 Nayla Norryh, mentora de negócios digitais Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. “Livro do Não”, o livro infantil que escrevi e ilustrei integralmente com bordado. Episódios sobre Macau: 21 e 18. Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Antes de começar o episódio desta semana, quero contar-te que já abrimos as inscrições para o Desenhamos Juntas. O Desenhamos Juntas é um encontro semanal, à segunda-feira, às 13h de Lisboa, em que, durante aproximadamente 40 minutos, vamos fazer exercícios de desenho para soltar o perfeccionismo e aconchegar a alma. O link para a página do Desenhamos Juntas vai estar nas informações deste episódio. Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana, quero falar-vos do futuro: quero falar-vos dos planos para 2026. Não sei se já vos disse, mas eu adoro o tempo frio, adoro o Outono e o Inverno, e de cada vez que chega Outubro e o mercúrio começa a baixar, eu aprecio – e muito. Sei que esta não é uma opinião popular cá em Portugal, mas é a minha opinião. Outono e Inverno, venham, venham, que eu vos adoro! Uma das coisas que mais me chama neste tempo de Outono e de final de ano civil é, por um lado, fazer o fecho do ano que está a terminar e, por outro, planificar o ano que vai começar. Adoro fazer rituais de fim de ano: sinto que assim consigo ter uma noção mais clara de tudo o que fiz e aprendi neste ano. De alguma forma, é uma maneira simpática de abrandar o tempo, quando me ponho a olhar para trás com olhos de ver e aprecio, realmente, as coisas que fiz. Um desses rituais de fim de ano é fazer uma lista de 50 coisas que fiz durante o ano que está a terminar. Normalmente, faço-o com a minha colega e amiga Joana, tiramos duas horas para reunirmos e nos perguntarmos, uma à outra, “e que mais fizeste este ano?” Os primeiros dez pontos da lista costumam aparecer com alguma facilidade, mas depois vem o tempo de realmente ponderar tudo, puxar pela memória, e aí começamos a celebrar as coisas menos enormes, os avanços mais pequenos, aqueles detalhes que, se não estivéssemos a fazer esta lista, talvez pudessem passar despercebidos, e não por serem menos importantes. Importei este ritual da australiana Denise Duffield-Thomas, que nos episódios da Anita no Trabalho, o podcast que tenho desde 2016 com a minha amiga e interlocutora Eliana, é menção muito frequente e já ganhou o cognome de “Santa Denise”. (E abro aqui um parêntesis para vos dizer que o “Santa” do cognome tem uma razão de ser, e nenhuma se relaciona com a sua propensão para a religião ou para a canonização! Mas veio no seguimento de uma das muitas conversas que fomos tendo na Anita ao longo destes dez anos, e na altura fez todo o sentido. E posto isto, fecho parêntesis.) Dizia-vos então que importei este ritual da Denise Duffield-Thomas e que, desde que o faço, o fim do ano é ainda mais giro. Porque é fácil nós deixarmos passar as coisas, sempre focadas que estamos no futuro e no que ainda não conseguimos, e não celebrar as coisas que fizemos. Por mais minúsculas que possam ter sido, foram essas coisas que nos trouxeram até ao aqui e ao agora, e por isso devem ser celebradas. Outro ritual que agora faço nos finais do ano, normalmente em Novembro, mas por vezes se estende até Dezembro, é o fecho consciente, para depois, com essa informação, traçar os planos de futuro. Este hábito vem de outra pessoa que também menciono reiteradamente no podcast da Anita no Trabalho – e que, tal como a “Santa Denise”, também já ganhou o cognome de “Santa”, desta feita, a “Santa Nayla”. (Novo parêntesis para lerem estes nomes de santas todos com muitas aspas, sim? Juro-vos que vinha em contexto da primeira vez que os dissemos na Anita no Trabalho, e depois os cognomes pegaram e agora já é difícil falar de outra maneira!) A Nayla Norryh, mentora de negócios digitais que tem umas formações incríveis para mulheres que querem crescer e escalar os seus cursos, tem um workshop de planificação consciente que costuma dar no final do ano. Desde que o fiz da primeira vez, passei a fazê-lo regularmente, normalmente a cada seis meses, em Novembro e em Junho. Em ambos os casos, aproveito para fechar as contas do semestre anterior e planificar os dois próximos semestres: o primeiro, com o máximo de detalhe possível; o segundo, com uma vista panorâmica geral, para perceber quais são os principais focos desse período. Com as contas fechadas de cada semestre, é mais fácil planificar e ajustar os próximos planos. Ora bem, tudo isto para vos contar que nos últimos tempos é precisamente esse o trabalho que tenho estado a fazer: fechar contas e planificar os dois semestres que aí vêm. E então quero contar-vos tudo. Querem? Vamos lá! Então, olhando para trás neste ano de 2025, deixem-me sublinhar alguns momentos especiais: em Abril, precisamente no dia do grande apagão que afectou toda a Península Ibérica, tinha o lançamento do meu programa Conectar para Liderar. Acabei por lançá-lo um par de dias mais tarde. O número de inscrições foi inferior ao que eu desejava, mas depois a entrega do programa foi uma autêntica alegria que me fez reforçar a ideia de que é este o trabalho que tenho de fazer, acompanhar mulheres que querem mergulhar dentro de si e voltar a conectar-se consigo próprias e com a sua criatividade, independentemente de terem ou não inclinação artística. Também na Primavera, inscrevi-me e frequentei uma formação de negócios maravilhosa, o Level Up da já mencionada mentora Nayla Norryh. Esta formação foi o que eu precisava para começar a organizar as peças do meu negócio. Uma das decisões que tomei foi focar-me na comunicação em português, com o público que fala português, não só em Portugal, como também no resto do mundo. Daí nasceram precisamente as “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”, podcast que vocês estão a ouvir neste exacto momento. No Verão, tirei o mês de Agosto de férias para fazer uma viagem linda pela Europa com o meu marido e as minhas filhas. Nas muitas horas de road trip, tricotei muito e terminei a camisola há muito prometida para o meu marido. E toquei cavaquinho, que é algo que adoro fazer. No regresso, tive um grande projecto de design que concentrou vários meses de trabalho em pouco mais de quinze dias – quando vos digo que foi um grande projecto, foi mesmo! Mas entreguei-o feliz e orgulhosa do que tínhamos conseguido fazer em tão pouco tempo. Em Outubro, dediquei-me a preparar muito bem a viagem a Macau. No final desse mês, tive vários compromissos profissionais em Macau relacionados com o “Livro do Não”, o livro que escrevi e ilustrei integralmente com bordado, e que lancei em 2024. Sobre esta viagem, fiz alguns episódios cujos links deixarei nas show notes. E em Novembro abri as portas do Desenhamos Juntas, a nossa sessão semanal de desenho, em que, todas as segundas-feiras às 13h de Lisboa fazemos vários exercícios de desenho em que pomos o cérebro num “aperto”, e que nos ajuda a trabalhar a nossa relação com o nosso crítico interno, a soltar o perfeccionismo e, no meio disto tudo, também a soltar a mão e o traço. Mas sobretudo divertimo-nos mesmo muito a desenhar juntas. Para 2026, tenho previsto, em primeiro lugar, continuar a investir em formação. É muito curiosa, esta questão do investimento em formação. É evidentemente essencial continuarmos sempre a aprender e a ganhar novas competências, mas também é muito fácil adiar essa decisão
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Esta semana quero falar-vos de um tema que me apaixona – e, confesso desde já, só há relativamente pouco tempo o descobri. E que tema misterioso vem a ser esse, podem estar vocês a perguntar? Falo precisamente sobre a importância das actividades “só porque sim”. Espero que desfrutem. Neste episódio mencionamos: Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Antes de começar o episódio desta semana, quero contar-te que já abrimos as inscrições para o Desenhamos Juntas. O Desenhamos Juntas é um encontro semanal, à segunda-feira, às 13h de Lisboa, em que, durante aproximadamente 40 minutos, vamos fazer exercícios de desenho para soltar o perfeccionismo e aconchegar a alma. O link para a página do Desenhamos Juntas vai estar nas informações deste episódio. Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana quero falar-vos de um tema que me apaixona – e, confesso desde já, só há relativamente pouco tempo o descobri. E que tema misterioso vem a ser esse, podem estar vocês a perguntar? Falo precisamente sobre a importância das actividades “só porque sim”. Tenho de começar por explicar o que são estas actividades “só porque sim”. Poderão estar a notar alguma insistência na repetição do termo actividades “só porque sim”, e, desde já vos confesso, essa insistência não é casual. Mas vamos por partes. Então, afinal de contas, o que são as actividades “só porque sim”? As actividades “só porque sim” são aquelas actividades que escolhemos fazer porque nos trazem alegria e prazer e não servem para absolutamente nada que tenha que ver com os âmbitos profissional ou familiar. As actividades “só porque sim” servem mesmo só porque nos dão prazer e nos trazem alegria. Mas acho que, hoje em dia, precisamos de definir um bocadinho melhor o que são estas actividades, pois poderá ser fácil cair em actividades que não servem qualquer propósito familiar ou profissional mas que, ainda assim, não qualificam como actividades “só porque sim”. As actividades “só porque sim” trazem-nos alegria e prazer e têm qualquer coisa de mágico, ou alquímico, que nos volta a conectar com aquela alegria que sentíamos em criança quando brincávamos ou fazíamos alguma actividade de que gostávamos muito. As actividades “só porque sim”, regra geral, não são actividades relacionadas com dispositivos electrónicos. Poderá haver excepções – digam-me vocês – mas normalmente as actividades relacionadas com ecrãs, por muito apetecíveis que possam ser, têm um efeito anestesiante. As actividades “só porque sim”, pelo contrário, têm um efeito revigorante. Portanto: estar a fazer scroll no Instagram para nos distrairmos um bocadinho não é uma actividade “só porque sim”. Ver uma série de televisão ou um filme também não. Tudo o que se enquadre num âmbito de distrair para anestesiar não é actividade “só porque sim”. As actividades “só porque sim” são actividades que nos acendem por dentro. São aquelas actividades que nos deixam entusiasmados só de pensar nelas. Deixam-nos em pulgas para as podermos fazer. E quando estamos a fazê-las, é fácil entrar naquele registo “zen”, ou “flow”, como dizem os anglófonos. Estamos tão dentro delas que nos encontramos num nível de concentração que nos energiza e nos revitaliza. Conto-vos um bocadinho sobre as minhas actividades “só porque sim” e qual o papel que desempenham na minha vida. E, confesso-vos, só de pensar em escrever sobre elas já estou entusiasmada! Vejam só o poder que elas têm. Tenho três actividades “só porque sim”, duas delas relacionadas com música; uma relacionada com as artes visuais (e que não é surpresa para ninguém). Aqui há uns anos, comecei a ter muita vontade de saber tocar algum instrumento musical para poder acompanhar as tocatinas nas festas de família. Tanto do lado do meu pai, como do lado da minha mãe, a família é muito musical e, nos convívios, é normal puxarem de guitarras, chegarem-se ao piano e até já vi primos a pegarem no contrabaixo! e zuca, cá vai cantoria! E eu… que dizer, comecei a sentir vontade de os acompanhar. Então pensei que talvez o cavaquinho fosse uma boa aposta: é pequenino e portátil, é fácil de aprender alguns acordes básicos, e com isso já faço a festa. E assim foi. Tenho a sorte de ter um marido musical que me ensinou algumas coisas simples, e assim comecei. Ao início, sentia dificuldade em acertar o ritmo da mão direita ou que parte dos dedos ou das unhas toca, de facto, nas cordas; na mão esquerda, sentia dificuldade em transitar de uns acordes para os outros, sobretudo aqueles que requeriam posições menos habituais para os meus dedos. Mas, aos poucos, com a repetição, comecei a conseguir fazer essas transições de maneira mais fácil e a conseguir coordenar um pouco melhor o ritmo da mão direita. Comecei a pesquisar os acordes da música que me chamava a atenção, e, aqui vos conto, que tanto adoro tocar Marco Paulo como Dua Lipa ou Billie Eilish. E porque não, não é verdade? Para além do cavaquinho, e ainda relacionado com música, quero muito contar-vos que há um par de meses que voltei a pertencer a um coro! E só de pensar nisso, já fico feliz e emocionada! Pertencer a um coro é algo de absolutamente mágico. E porquê? Porque tantas vozes a cantarem coisas diferentes e que depois tudo encaixe é absolutamente maravilhoso. Um coro é a ilustração, na vida real, da afirmação de que “o todo é mais que a soma das partes”. Ainda me lembro da primeira vez que fui a um ensaio de um coro, ainda sem saber muito bem como isso iria mudar a minha vida. Tinha acabado de chegar de Macau, terminado o 12º ano, e estava prestes a começar a nova vida da faculdade, em Lisboa. E fui com a minha irmã mais velha ao coro a que ela pertencia, sem saber muito bem ao que ia. Ela prometeu: “vais gostar, anda!” e eu, bem mandada, lá fui. Quando lá cheguei, havia o bulício habitual de muita gente junta numa sala, mas de repente toda a gente assumiu as suas posições e começaram a cantar. Uma voz primeiro, depois a outra, depois a outra… e quando se juntam as vozes de todos os naipes, toda eu me arrepiei e senti, com todo o meu corpo, “eu quero fazer parte disto”. Foi nesse dia, e nesse ensaio de coro, que conheci quem, muitos anos mais tarde, viria a ser o meu marido. Quem havia de dizer, não é? Continuei no coro enquanto estive na faculdade, mas depois, com a chegada das obrigações profissionais, o coro passou a ser uma linda memória. Enfim, avancemos agora aí uns vinte anos, pelo menos, várias mudanças intercontinentais, e cheguemos agora ao Outono de 2025, quando vi que este coro específico tinha ensaios a uma hora e num lugar que encaixava perfeitamente na minha agenda. Nem queria acreditar, e tomei a decisão de que queria voltar a cantar em coro. E assim foi! E agora estamos a ensaiar duas canções de Natal, que até são muito agudas para a minha voz, mas que nem mesmo assim quero deixar de as cantar. Juntar a minha voz ao meu naipe, e ouvir as harmonias lindas quando cantamos com os outros naipes é absolutamente mágico. Dentro de mim, processa-se um qualquer tipo de alquimia que me faz sair do ensaio a flutuar e que faz ecoar, dentro da minha cabeça, as canções que estamos a ensaiar. É mágico, mágico, mágico. Não sei se já vos disse que é mágico? E isto traz-nos à minha terceira actividade “só porque sim”, que na verdade até antecedeu as duas anteriores, é o desenho em diário gráfico. Depois do ano de fezes que foi 2020, decidi que em 2021 tentaria fazer algo que fosse por mim, e “só porque sim”, e então decidi que esse algo seria fazer um desenho por dia. Mal sabia eu, na altura, que o desenho em diário gráfico iria dar origem, muitos anos mais tarde, ao Desenhamos Juntas, as nossas sessões semanais de desenho, em formato online. É verdade que, muitos anos mais tarde, esta actividade “só porque sim” acabou por ter uma consequência profissional, sim. Mas, curiosamente, esta continua a ser uma actividade “só porque
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Em cada sessão de Desenhamos Juntas, fazemos uma série de exercícios de desenho cujo objectivo é “apertar”, digamos, o cérebro. Com o cérebro num aperto e sem tempo para pensar, a mão tem de ir buscar soluções no mais íntimo de nós, inclusivamente soluções que não sabia sequer que existiam dentro de nós. E é aqui que a magia começa a acontecer. Espero que desfrutem. Neste episódio mencionamos: Episódio 21. Sobre a viagem a Macau. Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Antes de começar o episódio desta semana, quero contar-te que já abrimos as inscrições para o Desenhamos Juntas. O Desenhamos Juntas é um encontro semanal, à segunda-feira, às 13h de Lisboa, em que, durante aproximadamente 40 minutos, vamos fazer exercícios de desenho para soltar o perfeccionismo e aconchegar a alma. O link para a página do Desenhamos Juntas vai estar nas informações deste episódio. Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas confissões. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”, agora já de volta da viagem de Macau e de volta às sessões de Desenhamos Juntas. Sobre Macau, convido-vos a ouvirem o episódio 21, e aviso já que tenho a sensação de que irei falar desta viagem a Macau muitas vezes num futuro próximo. Foi uma viagem maravilhosa, e quando coisas maravilhosas e emocionantes nos acontecem, às vezes levam o seu tempo a decantar. Uma das coisas de que mais tive saudades enquanto estive em Macau foi das sessões de Desenhamos Juntas. Antes de ir, deixei gravadas as sessões em que não estaria presente e as minhas queridas participantes juntaram-se online para fazerem cada uma das sessões. Adorei a iniciativa delas! Aliás, adoro como às vezes tenho assim uma ideia – a de deixar as sessões gravadas – e as minhas pioneiras pegam nessa ideia e lhe dão uma volta que a deixa mil milhões de vezes mais fixe. No caso, juntando-se elas próprias para fazerem a sessão juntas. Como vos dizia, tinha muitas saudades de desenhar com elas, em formato síncrono – até porque, como já puderam constatar, as minhas pioneiras são pessoas mesmo incríveis. Depois de ter aterrado em Lisboa num Domingo, cansada e com os sonos todos trocados, na segunda-feira foi logo dia de Desenhamos Juntas. E olhem, acho que não minto se vos disser que foi uma festa. Bem, eu, pelo menos, senti a sessão assim! De Macau tinha vindo com a mala carregada de comida, uma tendência que descobri da primeira vez que emigrei e que nunca mais esqueci: emigrante que é emigrante anda sempre com a mala cheia das delícias das suas duas casas. No caso presente, aqui me confesso, trazia a mala cheia de tesouros exóticos como mangas, farinha de arroz glutinoso (que lá tem um preço normal, e aqui em Lisboa custa um rim) e ainda duas lindas e coloridas frutas do dragão, cheias daquelas escamas que lhes são próprias. Ora chega segunda-feira e a nossa sessão de Desenhamos Juntas e que outra referência fomos desenhar, senão essa linda, jurássica e especial fruta do dragão? Com a maravilhosa cor que tinha e a sua textura quase ancestral? Mas hoje não vos quero falar especialmente do que desenhámos – apesar de ter sido uma referência especial – mas sim do que falámos depois. Em cada sessão de Desenhamos Juntas, fazemos uma série de exercícios de desenho cujo objectivo é “apertar”, digamos, o cérebro. Com o cérebro num aperto e sem tempo para pensar, a mão tem de ir buscar soluções no mais íntimo de nós, inclusivamente soluções que não sabia sequer que existiam dentro de nós. E é aqui que a magia começa a acontecer, quando do “aperto” do cérebro começam a brotar de dentro de nós essas soluções inesperadas, aparentemente feitas à pressa, mas que são uma materialização do nosso mundo interior. Nesta sessão, isto foi especialmente óbvio. Depois de terminados os exercícios de desenho, a sessão não acaba sem uma ronda de partilha dos trabalhos. Este é um momento importantíssimo da sessão, não numa óptica de avaliação dos desenhos, atenção, mas sim de consolidação e integração da aprendizagem. Nesta sessão em que desenhámos a fruta do dragão, tivemos todas resultados muito diferentes. Da mesma referência, nasceram representações completamente diferentes umas das outras. E, de novo, não numa escala de “melhor-pior”, mas sim como uma imagem concreta de fenómenos internos. Por exemplo, enquanto que os meus traços são, por norma, tremidos, uma das participantes tinha traços quase geométricos. Nesta altura, falei de uma coisa que tinha lido sobre Charles M. Schulz, o criador dos Peanuts, nomeadamente o famoso Charlie Brown e o seu ainda mais famoso cão Snoopy. Conhecido pelo seu traço inconfundível, Charles Schulz costumava ouvir precisamente essa pergunta: como fazia para ter um traço assim tão expressivo? Ao que ele encolhia os ombros e respondia: “a minha mão treme!” Bem, e é exactamente isso o que me acontece a mim: a minha mão também treme. Quero aqui confessar-vos uma coisa: perfeccionista como sou, levei algum tempo a aceitar que os tremeliques da minha mão não eram um defeito, mas sim feitio. Que o facto de a minha mão tremer não era um ponto negativo na hora de pegar nos pincéis, pelo contrário. O meu traço é o meu traço porque a minha mão tem estas características. E isto o que nos vem mostrar? Vem-nos mostrar que as características dos nossos desenhos não são fruto exclusivo de uma tentativa de chegar a um resultado idealizado. Cada desenho que fazemos é inevitavelmente dotado das características do nosso corpo e da nossa mente. Da maneira como os nossos olhos e o nosso cérebro vêem as cores e as formas; da maneira como a nossa mão segura no pincel, a pressão que faz; se o pulso gira com flexibilidade ou não. Todas estas características do nosso corpo e da nossa mente fazem-nos ser nós, fazem-nos ser muito nós, e mais ninguém. Porque mais ninguém tem exactamente as mesmas características que nós temos, e ainda bem. No livro “Alice no País das Maravilhas”, pede-se à Alice que nunca perca a sua “muchosidad” – e adoro esta palavra inventada em espanhol, que poderia traduzir como “muitosidade”, porque pega exactamente naquilo que às vezes podemos pensar que são defeitos, ou, no mínimo, desvios da norma idealizada, mas que na verdade são características nossas que fazem de nós estas entidades infinitamente imperfeitas, mas infinitamente interessantes nas nossas imperfeições. Se quiséssemos desenhos perfeitos, utilizaríamos as ferramentas existentes para isso: antigamente, régua, esquadro, escantilhões, compassos; mais tarde, computadores, e ainda mais tarde, iPads e quejandos. Mas não: nós queremos desenhos infinitamente imperfeitos, e por isso incrivelmente interessantes. São desenhos que revelam os recantos escondidos dentro de nós – isto, se quisermos pôr o nosso chapéu de detective e se quisermos olhar para os desenhos com muita curiosidade. É certo que o crítico interno vai falar. Vai falar, porque a função dele é proteger-nos do risco – e fazer um traço tremido pode ser arriscado para o nosso ego, e por isso o crítico interno dispara. Mas se conseguirmos que a curiosidade fale mais alto, então olhar para os nossos traços imperfeitos, ou para a forma como usamos a cor, mais saturada ou menos saturada, para a forma como dispomos os traços uns em relação aos outros, como os sobrepomos ou não, vai revelar muito mais sobre o nosso interior. E basta criar o espaço para olhar para os desenhos que fizemos com muita curiosidade. E foi isto que fizemos – e aliás fazemos sempre – na sessão do regresso após a viagem a Macau. Foi um momento especial, porque em vez de olharmos para os desenhos de umas e outras com olhos de “ai mas ela desenha tão bem”, olhámos com olhos de curiosidade, entendendo que o que se vê nas páginas dos nossos diários gráficos é a materialização da nossa “muchosidad”, das nossas características – não só físicas, mas também mentais. É incrível pensar que um pequeno desenho num diário gráfico possa dizer tanto sobre nós, sobre o nosso interior
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Escrevo o guião deste episódio em Macau, já quase no final da minha estadia, e praticamente terminados os compromissos profissionais. Quero contar-vos tudo sobre esta experiência, sabendo já que me vou esquecer de muita coisa. Espero que desfrutem. Neste episódio mencionamos: Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Antes de começar o episódio desta semana, quero contar-te que já abrimos as inscrições para o Desenhamos Juntas. O Desenhamos Juntas é um encontro semanal, à segunda-feira, às 13h de Lisboa, em que, durante aproximadamente 40 minutos, vamos fazer exercícios de desenho para soltar o perfeccionismo e aconchegar a alma. O link para a página do Desenhamos Juntas vai estar nas informações deste episódio. Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Quero começar este episódio agradecendo a toda a equipa da Casa de Portugal em Macau. Sem vocês, esta viagem a Macau não teria sido possível – e este episódio ainda menos. Escrevo o guião deste episódio em Macau, já quase no final da minha estadia, e praticamente terminados os compromissos profissionais. Quero contar-vos tudo, sabendo já que me vou esquecer de muita coisa, e sabendo também que há uma boa parte dos minutos que se seguem que será uma tentativa de descrever, provavelmente com sucesso moderado, as muitas emoções aqui vividas. Para quem não sabe, vivi em Macau entre os meus 9 e os meus 18 anos, ainda durante a administração portuguesa, o que significa que já foi no século passado. Vim para Macau em 1987 e em 1996 regressei a Lisboa para estudar Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes. Entre 1987 e 1996, cá em Macau, descobri um mundo muito maior do que alguma vez poderia ter imaginado. Porque em Macau, uma cidade bem pequena plantada à beira do Mar do Sul da China, e no delta do Rio das Pérolas, há uma confluência de culturas que não existia na pequena aldeia da grande Lisboa em que eu vivera até esse momento. Macau, cidade pequena, tem vindo a fazer sucessivos aterros e sofrendo uma enorme transformação. Gostaria de dizer que a transformação é gradual, só que não: em Macau, a transformação acontece da noite para o dia, e basta uma curta ausência para se notar logo diferenças. Voltei a Macau algumas vezes no decorrer destes anos, mas entre crianças e covid, passaram-se dez anos desde a última vez que cá tinha vindo. As diferenças são imensas, desde logo porque se antes chegávamos a Hong Kong e ainda tínhamos de ir de autocarro para o cais do jetfoil, para depois fazer mais uma hora de viagem de barco até Macau… agora isso já não acontece. O aeroporto, localizado numa ilha entre o centro de Hong Kong e o território macaense, está ligado por uma ponte rodoviária de 55 kms, e agora o trajecto faz-se de autocarro. Quando cheguei ao terminal do autocarro em Macau, não me consegui localizar. Não entendi onde estava, nem me consegui posicionar no mapa mental que tenho desta península. Simplesmente fiquei baralhada, e mantive-me baralhada durante bastante tempo, até que consegui visualizar onde é que aquele novo aterro se posiciona no mapa que eu conhecia. Isto pode parecer estranho, mas o não entender onde estava deixou-me meio tonta e com dificuldade em convocar as memórias que tinha do antigamente. Aliás, essa questão de convocar as memórias que tinha do antigamente foi algo que se manteve durante toda a estadia: se há zonas que se mantêm semelhantes, tal como o centro histórico, que é património da Unesco, muitas outras zonas há que são completamente novas. No tempo em que cá vivi, a península de Macau ligava-se à ilha da Taipa por uma ponte. Entre a Taipa e Coloane havia um istmo. Hoje, são três pontes que ligam Macau e a Taipa, mas parece que já há uma quarta ponte prevista ou em construção. E o que antes eram as duas ilhas da Taipa e Coloane, hoje é uma só, ligadas por um aterro gigantesco onde temos hotéis e casinos ao género de Las Vegas – e já me disseram que são ainda maiores que em Las Vegas. Não me surpreenderia nada. Não se espantem se esta informação sobre pontes e aterros rapidamente ficar obsoleta – em Macau, a construção acontece de forma muito mais rápida do que em Portugal podemos sequer imaginar. (Abro aqui um parêntesis para vos contar a nossa imensa perplexidade ao comparar as velocidades de construção entre Macau e Portugal. Aqui entre nós que ninguém nos ouve, continuamos à espera da abertura da estação do Metro da Estrela, que estava prevista para 2023… Como dizia um amigo meu, “em Portugal, pensa-se muito e faz-se pouco. Em Macau, pensa-se pouco e faz-se muito”.) Fecho o parêntesis sobre as diferentes velocidades e entro por um tema anexo, que é os sons. Bem, os sons, os cheiros, os estímulos em geral. Em Macau, há sempre um certo nível de ruído de fundo, noite e dia. Sejam as ventoinhas dos ares condicionados, sejam os autocarros, ou as muitas pessoas que cá vivem e que andam pelas ruas, é garantido que não há silêncio, seja noite ou dia. O mesmo acontece com os cheiros, desde incensos até às mangas, aquelas muito pequeninas, que quando ficam maduras têm um cheiro bem forte e às vezes não tão saboroso quanto o seu gosto doce. Visualmente, os estímulos são constantes, mais a mais porque cada prédio se enche de letreiros, luzes, néons, e em muitos lugares da cidade os olhos não chegam a alcançar o horizonte, pois há um – ou muitos – arranha-céus pela frente. Daqui de onde estou, sentada à mesa de jantar da casa da minha amiga, olho para fora e vejo prédios altos, o mais alto deles, claro, o do Banco da China. Daqui de onde estou, há 35 anos víamos o rio, a ponte e a ilha da Taipa. Agora, vejo janelas de prédios e ecrãs luminosos. Não pensem que olho com tristeza para as muitas mudanças de Macau; se há algumas que me assustam, há muitas outras que me mostram só uma realidade completamente diferente daquela que vivemos em Portugal, em que os recursos são menores, mas o espaço é maior. Pelo contrário: estas duas semanas foram de muita emoção. Por um lado, foi uma enorme alegria poder levar as minhas filhas a conhecer os lugares onde passei a minha adolescência. Com a idade que tem hoje a minha filha mais velha, já eu vivia em Macau há alguns anos. Cada esquina da cidade trouxe-me uma memória desses tempos, e foi lindo, lindo, poder partilhar essas histórias com elas e com o Paulo. Trouxe-me muita emoção ver quantas mudanças foram para melhor: quando cá cheguei, em 1987, a cidade estava muito suja; nos anos 90, houve uma mudança na gestão da recolha do lixo e a cidade transformou-se da noite para o dia. De cheiro do lixo a apodrecer na rua, começámos a ter ruas limpas e cuidadas. Hoje, isso é ainda mais evidente: o espaço público é cuidado por todos, com inúmeros funcionários a tratar de jardins, a limpar ruas, a esvaziar caixotes do lixo. Os sanitários públicos, imaculadamente limpos, são gratuitos e estão espalhados por toda a cidade. Em alguns deles, há bebedouros com água filtrada em que podemos encher as nossas garrafas. Até beatas é raro encontrar no chão da cidade! Este cuidado com o espaço público é algo que adoraria ver também em Lisboa, aliás, como podemos ver em vários lugares de Portugal, nomeadamente nas ilhas dos Açores. Aqui em Macau, os autocarros passam constantemente, são modernos e estão limpos, mesmo em hora de ponta. Enfim, dá para notar que gosto muito de estar numa cidade onde os transportes públicos funcionam e as ruas não estão pejadas de lixo? Para mim, estar num lugar, senti-lo, vivê-lo, é mais fácil se o desenhar. Por isso andei estes dias munida do meu caderninho, as minhas aguarelas e a minha caneta pincel para registar espaços, pessoas, momentos. Parar para desenhar implica parar para ver com atenção. Abrandar o ritmo, mais a mais numa cidade com o ritmo frenético que se vive em Macau, tem sido uma estranha mas feliz contradição. Tenho desenhado pessoas, o meu tema favorito, mas tenho também desen
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Esta semana faço-vos várias confissões numa só. Que é como quem diz, sobre um só tema, tenho tanta confissão para vos fazer… Quero falar-vos daquela coisa mágica mas estranha que acontece que é: quando soltamos o controlo (sobre alguém, sobre alguma coisa, sobre algum resultado) a magia acontece. Espero que desfrutem. Neste episódio mencionamos: Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana faço-vos várias confissões numa só. Que é como quem diz, sobre um só tema, tenho tanta confissão para vos fazer… Esta semana, quero falar-vos daquela coisa mágica mas estranha que acontece que é: quando soltamos o controlo (sobre alguém, sobre alguma coisa, sobre algum resultado) a magia acontece. Na formação em negócios que fiz na Primavera passada, ouvi falar muito nesta questão de soltar o controlo no contexto de delegar, ou seja, de confiar que a ou as pessoas que escolhemos para fazerem uma ou várias funções vão ser capazes de desempenhar (brilhantemente) essas funções, sobretudo se não estivermos sempre em cima delas a controlar tudo o que fazem. Por vezes, esta ideia pode ser estranha: “como assim, alguém vai fazer melhor que eu esta tarefa que eu inventei?” Mas a verdade é que quando soltamos, a magia acontece. E isso é visível em cinquenta e quatro mil aspectos diferentes das nossas vidas, e eu passo a contar-vos alguns da minha vida em que eu pude observar esta máxima a tornar-se realidade. Aqui há dias, em conversa com um primo meu super-mega corredor, estávamos a falar sobre os treinos e sobre a preparação para as provas. Porque quem se prepara para uma prova de corrida sabe que pode fazer a melhor preparação do mundo e, chegado o dia da prova, as coisas correrem mal. Não é preciso muito para que no dia da prova as coisas não corram de feição: se não dormimos bem na noite anterior, ou não nos alimentámos bem nos últimos dias e horas; se não bebemos água suficiente; se pousámos mal o pé e nos magoámos; se as sapatilhas, com aquelas meias especificamente, nos fazem bolhas. Se temos dor de burro, ou se no dia está a chover, ou se está calor a mais, frio a mais ou humidade a mais. Se nos esquecemos de trazer o gel ou os géis na quantidade certa. Enfim, qualquer pequena coisa pode ditar que a prova não nos corre de feição. E por isso, o foco tem de ser na preparação para a prova: cumprir o plano de treinos, tal como preconizado; e fazer os rituais de preparação, tendo em conta o jantar do dia anterior, para ser rico em energia mas, ao mesmo tempo, deixar-nos dormir descansados. E no dia, um bom pequeno-almoço com alimentos que já conhecemos, para não termos surpresas, nem cólicas a meio do caminho. (Sobre cólicas a meio do caminho tenho para vos confessar que não saio de casa sem papel higiénico, não vá dar-se o caso de precisar de visitar uma casa de banho que não esteja fornecida…) E portanto, chegado o dia da prova, é o momento de acreditar que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance e soltar o controlo, seguir o plano mas tendo sempre a flexibilidade para o mudar, caso se justifique. O mesmo se passa no desenho. Por norma, nas nossas sessões de Desenhamos Juntas, procuro propor exercícios que nos levem a soltar o controlo – no caso, que nos levem a praticar soltar as expectativas em relação ao resultado final. Vá, isto não se consegue num dia, mas também Roma e Pavia não se fizeram num dia. Nos exercícios no Desenhamos Juntas, há vezes em que não podemos olhar para o papel, e, por exemplo, outras vezes temos de usar a mão não-dominante. O que é certo é que estes exercícios nos obrigam a focar na preparação e sobretudo obrigam-nos a manter o foco no momento presente. Ao mesmo tempo, exercitam a nossa resiliência, porque quando o nosso crítico interno vê que o resultado do exercício poderá não estar conforme o que ele idealizou, desata numa conversa dentro da nossa cabeça que pode ser paralisante. Claro que, no Desenhamos Juntas, nós trabalhamos precisamente a relação com o nosso crítico interior ao colocá-lo em situações em que ele vem ao de cima – é assim um pouco como a vacinação trabalha o nosso sistema imunitário para nos defender das infecções, da mesma forma nós vamos nos expondo ao nosso crítico interno para sabermos como lidar com ele quando se deparar com uma situação francamente assustadora. Voltando então ao soltar o controlo, a minha lista de confissões é grande… São vários os momentos em que, por excesso de controlo ou intervenção da minha parte, a magia não aconteceu. E que só quando eu soltei o controlo, é que a magia aconteceu. E o exemplo de hoje é sobre tricot – e quem aqui é tricotadeira põe a mão no ar. (Eu tenho a mão no ar.) Tenho aqui um projecto entre mãos que tem um prazo. Imaginem vocês, a pessoa deste mundo que porventura mais devagar tricota decidiu fazer um projecto com um prazo, que só por si já era apertado. Por essa razão, comecei-o com restos de lã que tinha cá em casa, pensando que não deveria ser difícil comprar mais fio, dado que se trata de uma marca facilmente acessível cá em Portugal. Vai daí, começando a ver o novelo a diminuir, e já com um pedaço significativo do projecto tricotado, vou comprar mais lã. Agora digam-me o que acham que aconteceu: foi fácil comprar mais lã? Nããããão. Foi uma surpresa ser impossível de encontrar nas minhas retrosarias habituais? Foooooi. Até que encontrei uma retrosaria que me ajudou, fez a encomenda para a marca e… Pois. Aqui começa a parte do soltar o controlo, mas ainda na versão de não soltar o controlo. Coitadas das incríveis pessoas da retrosaria, eu estava com uma pressa para ter o fio e não havia maneira. E não por culpa delas: por diversos grãos na engrenagem, não havia maneira de o fio lhes chegar à loja, para mo poderem enviar a mim. E eu, numa aflição só a ver os dias a passar e a probabilidade de entregar o projecto feito no prazo a diminuir, telefonava todos os dias a saber se havia notícias. Hoje olho para trás e penso naquelas almas caridosas que sempre me atenderam com tanta paciência – acho que têm um lugar guardado no céu. Mas a verdade é que a magia só aconteceu quando eu parei de lhes telefonar todos os dias (coitadas, desculpem, desculpem!). Um belo dia, não muito tempo mais tarde, telefonam-me a dizer que estão prontas a enviar a encomenda! E hoje a campainha tocou e o carteiro entregou uma caixa linda e fofa, com uma mensagem linda e fofa das retroseiras, e as minhas lãs prontinhas para se irem transformar no meu projecto com prazo. Eu ainda acredito! E agora que já vos confessei que nesta coisa de soltar o controlo continuo a ser aprendiz, digo-vos que há lugares em que gosto mais de ser aprendiz que noutros. Há áreas da vida em que nos custa mais soltar o controlo, então, encontrar outras áreas em que é mais fácil de praticar isso é muito bom. Por isso é que no Desenhamos Juntas temos estado a fazer muitos exercícios com pincel e aguarela – primeiro, o pincel permite muito menos controlo do que um lápis afiado ou uma caneta calibrada; segundo, a aguarela, por ser um meio que precisa de água para ser usado, introduz essa variável. No fundo, a aguarela vive do rácio entre pigmento e água, e ainda de que forma é que pigmento e água se agarram às cerdas do pincel. Digamos que é assim uma espécie de tubo de ensaio, ou de parque infantil para adultos, em que podemos experimentar brincar com pincéis, tintas e água para nos divertirmos e explorar como nos sentimos quando as coisas não saem como desejaríamos. É uma óptima maneira de percebermos que, por vezes, as coisas que idealizamos não são o melhor resultado que poderíamos obter; e que, quando soltamos o controlo, a magia – e os milagres da aguarela – acontecem. Se tiverem vontade de começar a desenhar com aguarela, vão encontrar um guia gratuito na página de recursos. E poderão sempre juntar-se a nós no Desenhamos Juntas, u
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Esta semana, quero falar-vos do poder da consistência, que é a repetição habitual e regrada de uma certa acção. Falo de elefantes, mamutes, corrida, cavaquinho e tricot – um pot pourri de assuntos que, juro, estão todos relacionados uns com os outros. Espero que desfrutem. Neste episódio mencionamos: Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Level Up, a formação que fiz na Primavera de 2025. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana, quero falar-vos do poder da consistência. E para que não fiquem dúvidas, deixem-me contar-vos o que entendo por consistência. Consistência é a repetição habitual e regrada de uma certa acção. No meu caso, por exemplo, consistência é desenhar todos os dias (ou seja, um pequeno desenho diariamente), é correr três vezes por semana (salvo lesões ou algum imprevisto, lá estou eu a correr no meu passo de tartaruga às quartas, sextas e Domingos), ou fazer yoga duas vezes por semana, apeteça ou não apeteça. Confesso-vos: nem sempre apetece. Há dias em que não apetece desenhar, não apetece correr, não apetece fazer yoga. Que digo eu: há dias em que não apetece trabalhar, nem pensar na roupa que precisa de ser estendida. Há dias em que só apetece mesmo enroscar-me com uma mantinha e ler – bom, e dormitar, já agora. Mas a consistência é isso mesmo: é repetir, de forma regrada, independentemente de apetecer, ou não apetecer. E é assim que as coisas acontecem, as meias maratonas se correm e os grandes projectos se concluem: fazendo-os um bocadinho de cada vez. Gosto muito daquele dito: “como é que se come um elefante? Cortando-o às postas.” E aqui é o mesmo: como é que se escreve e ilustra um livro? Como é que se prepara uma exposição? Como é que se aprende a tocar cavaquinho? Como é que se aprende a desenhar? A resposta é sempre a mesma: “cortando o elefante às postas”, ou, se preferirem outra expressão que também adoro, em “doses homeopáticas”. Aqui há uns anos atrás, estava eu em processo de fazer o “Livro do Não”. Se numa primeira maquete do livro as ilustrações eram feitas com lápis de cor, ilustrações essas que me deram enorme prazer a desenvolver, depois, numa segunda versão, as ilustrações passaram a ser todas bordadas. E sabem o que é um livro de 24 páginas com ilustrações bordadas? É um grande, mas mesmo muito grande, um gigantesco elefante. Para vos dar uma ideia do tempo que me levou a bordar as ilustrações, posso dizer-vos que só a parte de bordado me levou dez meses em que bordei todos os dias. Agora falta dizer a parte chave: bordei todos os dias, mas não todo o dia. “Cortar o elefante às postas”, ou trabalhar com consistência, significa repetir pequenas coisas, ou “doses homeopáticas” de forma regular. E por isso, porque bordar um livro de 24 páginas se pode transformar num projecto tão gigante que depois nem sei por onde lhe pegar, decidi que até o completar, lhe dedicaria a primeira meia hora de trabalho todos os dias. Ou seja, fosse qual fosse o projecto principal em que fosse trabalhar em determinado dia, a primeira meia hora estava reservada para avançar um bocadinho no “Livro do Não”. Houve mais que um dia, para não dizer muitos, em que lhe dediquei mais que a meia hora estipulada – afinal de contas, apanhava-me naquela onda zen a que os anglófonos chamam de “flow” e lá ia eu, perdida no tempo e no espaço, e a meia hora transformava-se em uma hora, em hora e meia… até que voltava a aterrar e me lembrava dos outros afazeres. Mas houve também muitos dias de extremo desconforto, em que tive de pensar: “é só meia hora e depois podes mudar de projecto”. Esses dias foram mais frequentes no início, na altura em que andava à procura do caminho, e foram-se tornando cada vez mais esporádicos depois durante a execução. Mas sempre que precisava de tomar decisões criativas, ou avançar para uma próxima fase, havia momentos de dúvida que podiam chegar a ser excruciantes, e saber que só precisava de estar naquele desconforto durante a meia hora estipulada era um alívio. Os meses foram passando, e ponto a ponto as ilustrações foram nascendo. A pilha de ilustrações por fazer foi diminuindo, à medida em que a pilha das ilustrações feitas foi aumentando. De cada vez que terminava uma ilustração, sentia-me feliz, mas também meio abananada – aquela ilustração, que tanta companhia me havia feito, estava pronta, e era altura de me dedicar à próxima. Estes momentos de transição nem sempre eram fáceis, mas nessas alturas pensava: “o combinado é meia hora”, e isso levou-me a completar o livro, e mais tarde a fazer a respectiva campanha de pré-venda, e, ao fim e ao cabo, todas as acções que me levaram a concluir esse gigante projecto. Confesso-vos que senti uma enorme satisfação no dia em que chegaram as caixas de exemplares do “Livro do Não” da gráfica. Quando as abri, folheei os livros e senti o seu cheiro a tinta e a textura do papel na minha mão, tive um momento de incredulidade: quase nem podia acreditar que ali estava o livro, e no entanto, era verdade. Tinha cortado aquele elefante, que digo elefante, tinha cortado aquele mamute às postas, e agora ali estava ele, terminado, lindo e cheiroso, nas minhas mãos. Uma das coisas que notei enquanto fazia as ilustrações do “Livro do Não” foi a facilidade com que desenhava a forma humana. Mas atenção: desenhar pessoas não foi sempre fácil para mim! Tempos houve em que as desenhava recorrendo a vários truques estilísticos para ultrapassar a minha falta de prática. O que mudou, entretanto, foi que ganhei prática a desenhar a figura humana. Já aqui contei noutros episódios de podcast que o que mais gosto de desenhar no meu diário gráfico é, precisamente, pessoas. Por exemplo, dispenso alegremente desenhar edifícios (todas aquelas janelas iguais, que tédio!), mas desenhar pessoas é o que me dá mesmo mais prazer. E por ter desenhado pessoas muitas vezes ao longo destes quase cinco anos de diário gráfico, hoje em dia tenho uma facilidade que antes não tinha. Lá está: o poder da consistência. Como é que ganhamos prática a fazer qualquer coisa que não sabemos fazer? Fazendo um pouco, todos os dias. Como é que se come um elefante? E quem diz um elefante, diz um mamute. Cortando-o às postas. Como é que se treina para uma meia maratona? Não é a fazer muitos quilómetros de uma só vez, mas sim fazendo poucos quilómetros de forma regular, e ir aumentando a carga. Como é que se aprende a tocar cavaquinho? Pois é, é da mesma maneira: tocando um bocadinho, todos os dias. E, no meu caso, a tocar canções que me apeteçam tocar: o meu reportório tem desde Marco Paulo a Billie Eilish, passando por Dua Lipa e Sitiados, e, posso dizer-vos, traz-me muitíssima alegria! Qual é o principal problema da consistência? É que é preciso disciplina para equilibrar dois aspectos fundamentais: é preciso adequar o tamanho da sessão à energia que será necessária para manter a sua prática regular ao longo do tempo. Por outras palavras, quando estamos a começar e o entusiasmo é grande, pode ser muito tentador querer exagerar na carga das primeiras sessões, por exemplo: em vez de bordar só meia hora, bordar três horas; em vez de correr só os 5 km prescritos, correr logo 10; em vez de desenhar os 5 minutos propostos, fico logo uma hora e meia agarrada aos pincéis. Qual é o problema desta abordagem? É que não é sustentável a longo prazo. A agulha de bordar deixa calos dolorosos, e no dia a seguir custa a pegar na agulha, então adiamos. Os músculos ficaram demasiado doridos depois dos 10 km que deviam ter sido só 5, e então não apetece fazer o treino de hoje. E hoje não tenho uma hora e meia para desenhar, então deixo para amanhã. O esforço foi maior do que devia para o tempo de recuperação que temos. Por isso, marcar limites é fundamental: enquanto fazia o “Livro do Não”, o limite mínimo era meia hora; e o máximo, duas. Após esse tempo, já não via nada (de forma quase literal) e já me
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Esta semana, quando este episódio for publicado, vou estar em Macau, a convite da Casa de Portugal em Macau e a propósito do “Livro do Não” e das suas ilustrações bordadas. Neste episódio conto-vos tudo sobre esta viagem de sonho, para uma terra que, para mim, é uma terra dos afectos. Espero que desfrutem. Neste episódio mencionamos: George Chinnery Os Parses em Macau Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Casa de Portugal em Macau Livro do Não Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana, quando este episódio for publicado, vou estar em Macau, a convite da Casa de Portugal em Macau e a propósito do “Livro do Não” e das suas ilustrações bordadas. Nem imaginam o meu total excitex em relação a esta viagem, em relação a voltar a Macau e lá poder apresentar o meu trabalho. Macau é casa para mim. Para quem não sabe, vivi lá nove anos da minha vida, dos nove aos dezoito. Foi lá que vivi a minha adolescência, que fiz quase todo o percurso escolar e que fiz amigos para a vida. Quer queira, quer não, a vivência de Macau marcou a minha personalidade, e Macau ficou-me entranhado na pele para sempre. Por isso, é com enorme alegria que agora volto, e mais: volto com a família, para lhes mostrar onde vivi quando era miúda. Quando penso em Macau, penso nas sensações exacerbadas. Num território tão pequeno em termos de área, Macau tem tudo com fartura: os cheiros, a fruta tropical e a peixe seco, são fortes e inundam o nariz; a visão é estimulada para onde quer que olhemos; os sons, intensos e característicos. E as saudades estão sempre presentes. Em Macau descobri que gosto de desenhar. Um dia, numa visita de estudo da disciplina de Educação Visual, fomos ao templo de A-Ma e aí sentei-me numa rocha a fazer um desenho. Lembro-me de me deliciar a fazer os detalhes de um pormenor decorativo. Enquanto observava e tentava reproduzir as formas no papel, o tempo parou para mim. Já lá fora, o mundo continuava a girar, e eu sem dar conta de nada. Deve ter sido das primeiras vezes que senti essa sensação de “flow”, como dizem os anglófonos, em que estamos tão absortos no que estamos a fazer que perdemos a noção do mundo que nos rodeia. Talvez também nesse momento se tenha começado a definir em mim a direcção que a minha vida profissional tomaria. Artes, design, desenho. Aí por essas bandas. Vivi em Macau entre os nove e os dezoito anos, como vos contei, e deixei Macau para vir estudar na Faculdade, em Portugal. Depois de Lisboa, a vida já me levou a viver noutras cidades, noutro continente, mas apesar da distância, a ligação a Macau mantém-se: nos afectos, nos sabores, nas memórias. E é com muita alegria que volto agora, para uma Macau que já muito mudou, mas que, não duvido, muitas memórias guarda dos tempos felizes que lá vivi. Uma das coisas que mais vontade tenho de fazer é de – e acho que não é surpresa para ninguém – desenhar. Tenho vontade de voltar ao templo de A-Ma e rever esses edifícios e pormenores decorativos que tanto me encantaram há 35 anos atrás. Tenho vontade de me sentar num banco de jardim e desenhar as pessoas, as árvores, tentar captar a atmosfera. Enquanto escrevo isto, penso em George Chinnery, pintor inglês do século XIX que passou 25 anos em Macau e que documentou a cidade e os seus habitantes, em desenhos, aguarelas e pinturas a óleo. Nas notas do episódio deixo-vos um link que vos dará um cheirinho do seu incrível trabalho. Quando vi, pela primeira vez, um livro sobre as aguarelas de George Chinnery, fiquei siderada com a qualidade do detalhe e a expressividade do traço. A memória por vezes prega-me partidas, mas se não estou enganada, foi numa aula de Educação Visual do 5º ou do 6º ano que o professor nos sugeriu fazer um projecto de desenhos de observação com inspiração, precisamente, nos desenhos de George Chinnery. Também foi nesse projecto que estivemos a estudar uma zona da cidade onde havia marcas da presença Parse em Macau. Para mim, na altura, todas essas histórias eram absolutamente exóticas. Eu nem sequer sabia quem eram os Parses, ou como haviam ali chegado, e o projecto desse professor – através do desenho – abriu a porta à minha curiosidade sobre todas aquelas diferentes heranças. A partir dos desenhos fizemos várias pinturas a guache, e eu lembro-me da sensação de leveza e alegria que tive a misturar cores e a dar pinceladas no meu papel para representar uma parede de uma rua de Macau, uma parede cheia de texturas e de marcas de humidade. Essa sensação de alegria, de leveza é inesquecível. A ideia de diário gráfico foi semeada aí, por esse professor, e penso que terá sido por essa altura que comecei o meu primeiro diário gráfico. O desenho, sempre o desenho, mesmo muito antes de imaginar a importância que viria a ter na minha vida várias décadas mais tarde. Ao longo dos anos, fui fazendo e abandonando diários gráficos. Alguns acompanhavam-me em viagens, altura em que tinha mais tempo e disponibilidade mental para desenhar. Outros arrastavam-se por meses e meses, em que ocasionalmente lhes acrescentava um desenho aqui e ali. Por outro lado, fazia inúmeros desenhos em papel de máquina, desenhos que incluía nas minhas zines mensais, por exemplo, mas que não guardava nos diários gráficos, talvez por ter ilusões carregadas de perfeccionismo sobre o aspecto que os blocos deveriam ter. Aqui vos confesso: o meu super-perfeccionismo ataca subtilmente, e por todos os lados. E o medo de “estragar o caderno” é um daqueles que ataca forte e precocemente, impedindo toda e qualquer diversão com o desenho. Impede-me – ou devo dizer – impedia-me! – de sequer começar a desenhar. Mas não pensem que o super-perfeccionismo ficou para trás, e agora que mantenho um diário gráfico há quase cinco anos completos, e que dinamizo sessões semanais no Desenhamos Juntas, já não sou perfeccionista. Não: continuo a sentir as resistências em relação à pintura. Para vencer a tela em branco, pinto-lhe um fundo, e o deslizar do pincel na tela destrava qualquer coisa na minha mente. Superar o perfeccionismo é um trabalho constante, diário, tal como um diário gráfico. Também é daqueles trabalhos que se faz um bocadinho de cada vez, e que fazemos todas as semanas no Desenhamos Juntas. Tal como se treina para uma meia maratona, ou se escreve e ilustra com bordado um livro infantil, como aconteceu com o “Livro do Não”, assim vamos dando passos pequenos, mas consistentes, para irmos soltando o perfeccionismo e desfrutar mais da vida. E por falar em “Livro do Não”, é por causa dele que agora vamos a Macau. Uso aqui o plural para designar a família toda, pois é com muita alegria que eles também vêm comigo. Vamos apresentar o livro e expor os originais bordados, e vou também dar alguns workshops. Vamos ver amigos, revisitar uma cidade antiga e também conhecer a sua nova face. De maneira que agora é com muita alegria que regresso a Macau. Regresso aonde já fui muito feliz e regresso com uma vontade enorme de registar as vistas, os cheiros, as emoções no meu diário gráfico. Macau é uma cidade que muda sem cessar, mas que guarda no ar que se respira as memórias dos tempos passados. Macau, apesar da mudança, preserva as diferentes heranças que a caracterizam. E Macau é, e sempre será para mim, uma cidade dos afectos e da minha história pessoal, e tenho curiosidade de perceber de que forma é que estes afectos também ficarão marcados nas páginas do meu diário gráfico. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilh
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".Escrevi o guião deste episódio – como quem escreve uma carta aos amigos – no dia em que estreámos a nova temporada de Desenhamos Juntas. Quero muito contar-vos tudo sobre o Desenhamos Juntas, e sobre a alegria que sinto por estarmos de volta com este espaço. Mas antes quero dar um passo atrás para vos contar como surgiu este programa e que resultados observei durante o seu primeiro ano de vida. Espero que desfrutem. Neste episódio mencionamos: Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Estou a escrever o guião deste episódio – como quem escreve uma carta aos amigos – no dia em que estreámos a nova temporada de Desenhamos Juntas. É tão bom estarmos juntas outra vez e voltarmos a esta rotina de encontros semanais de desenho! Muito obrigada às minhas queridas pioneiras, que começaram a desenhar semanalmente comigo ainda na plataforma anterior, e agora se passaram para esta nova casa. Quero muito contar-vos tudo sobre o Desenhamos Juntas, e sobre a alegria que sinto por estarmos de volta com este espaço, mas antes quero voltar atrás no tempo para vos contar como surgiu este programa e que resultados observei durante o seu primeiro ano. Recuemos então a 2023, altura em que comecei a dar forma ao meu primeiro curso relacionado com o desenho de observação em diário gráfico. Esse curso chamava-se Diário Gráfico Vibrante. Nele, abordávamos a gestão das emoções através da prática diária do desenho de observação. Dar forma a este curso foi um caminho que me marcou muito. E quero também deixar aqui uma palavra de apreço à Ana Campos, da Vibrant Channel, que foi a casa do Diário Gráfico Vibrante e do Desenhamos Juntas no seu primeiro ano e picos. O Diário Gráfico Vibrante consistia em oito aulas pré-gravadas, lançadas à segunda-feira, e que davam o mote para o trabalho dessa semana. Depois, à sexta-feira, tínhamos uma sessão em directo em que desenhávamos juntas, tendo em conta a temática dessa semana. Aqui começámos a falar de comunicação entre o olho, o cérebro e a nossa mão, e começámos a fazer pausa para distinguir entre “hmm, será que estou a desenhar aquilo que os meus olhos estão a ver? Ou será que estou a desenhar aquilo que o meu cérebro pensa que os meus olhos estão a ver?” Em Março de 2024, lancei pela primeira vez, no Instagram, um desafio gratuito de 21 dias de diário gráfico, num formato síncrono, ou seja, em que todas as pessoas recebiam o mesmo desafio de desenho num determinado dia. O desafio foi um êxito e o vosso entusiasmo não teve paralelo. As vossas partilhas através do Instagram nunca cessaram de me surpreender. Foram espectaculares! No final deste desafio, lancei então a primeira temporada de Diário Gráfico Vibrante, com o tal formato, como vos disse antes, de uma aula pré-gravada publicada à segunda-feira e que lançava o tema da semana, e depois um encontro online e síncrono, à sexta-feira à hora do almoço, onde fazíamos exercícios desenhados para continuar a aprofundar a temática da semana. Duas pessoas inscreveram-se, e a essas duas pessoas eu chamo carinhosamente “as minhas pioneiras”. As minhas pioneiras embarcaram na aventura do desenho em conjunto. Quando acabaram as oito semanas da primeira temporada de Diário Gráfico Vibrante, continuámos as sessões síncronas de desenho, porque, basicamente, gostávamos tanto delas que não as podíamos deixar. Chamei-lhes, talvez com pouca imaginação, “Desenhamos Juntas”. Semana após semana, num instante se passou um ano, com exercícios de desenho que foram ganhando complexidade (ou, se calhar, foram ganhando simplicidade, porque às vezes as coisas mais simples são as que mais nos desafiam). As minhas pioneiras foram incríveis: em cada sessão, embarcavam no desafio que lhes propunha e atiravam-se de cabeça. Sempre com um espírito ligeiro e despreocupado, dotaram cada sessão de uma atmosfera mágica. Aí pude comprovar mais uma vez algo que já sabia, ou que pelo menos já intuía: que quando superamos desafios em conjunto, se cria um laço subtil, mas forte, entre as participantes. Ora vejam todos esses eventos de team building, o que são eles senão precisamente a superação de desafios em contexto de grupo? No Desenhamos Juntas, cultivámos – eu, como facilitadora, e as minhas pioneiras, como participantes – um clima de confiança e confidencialidade, de segurança e de possibilidade de arriscar. Muitos dos desafios são deliberadamente desenhados para não ficarem com um resultado particularmente “perfeito”. Aliás, deixem-me que aqui faça a minha confissão: não sei bem para quem faço estes exercícios, se para as participantes, se mesmo para mim, que todos os dias ando a tentar dar passos no caminho da recuperação do super-perfeccionismo. Como vos dizia, os exercícios são deliberadamente desenhados para não ficarem “bem”, ou para não ficarem “foto-realistas”. Entre exercícios em que temos de desenhar algo em pouco tempo, ou com a mão não-dominante, ou sem olhar para o papel, é certo que o resultado não pode, de maneira nenhuma, ser “perfeito”. Mas desinteressante? Ai isso ele não é. Aliás, nos exercícios em que há mais limitações é que aparecem os acidentes mais felizes, as soluções mais interessantes. Um traço que queríamos que saísse de uma maneira, mas que com a mão não-dominante não ficou direito, ficou com uma textura e uma ondulação que, se quiséssemos reproduzir intencionalmente, não conseguiríamos. E hoje chegamos ao recomeço do Desenhamos Juntas. Depois das férias de Verão, queria ter lançado o Desenhamos Juntas mais cedo. Mas, ironia das ironias [risos], por alguma razão esse momento não estava a chegar. Olá super-perfeccionismo! És tu aí desse lado? Mas é claro que sim. O super-perfeccionismo levanta sempre a sua cabeça, mesmo já tendo dado vários passos no caminho da recuperação. E aqui não foi excepção: demorei mais do que gostaria a preparar a plataforma, revi mil vezes a página de inscrições, testei de vinte e quatro maneiras diferentes, até que pensei que com as “pioneiras” nem sequer fazia sentido eu fazer tanta cerimónia. Afinal, já passámos por tantas sessões juntas…! De maneira que hoje foi o dia em que retomámos as nossas sessões. Quando abri as inscrições, abri só para as pioneiras, para termos uma sessão a três, de celebração. E que bonita foi. Agora, as inscrições já estão abertas para todas as pessoas que queiram vir desenhar connosco. Há quem possa pensar: “ah, mas se eu nem sequer sei de que materiais preciso.” Não se apoquentem: no meu site, na página de recursos, há um guia gratuito para quem deseja começar a desenhar todos os dias. Se calhar, mesmo assim pensam: “ah, mas eu não sei desenhar, e depois chego lá e toda a gente desenha muito bem”. Pois aqui vos conto: não é essencial saber desenhar para se poder desenhar. Basta querer! E a verdade é que à medida que vamos repetindo o acto de desenhar, vamos aprendendo, vamos ganhando o tal “jeito”, e sobretudo vamos desfrutando – e muito! – do momento do desenho no diário gráfico. Hoje, assim que iniciei a sessão e chegaram as participantes, rasgou-se-me um sorriso na cara que não consegui conter, e que também não quis esconder: que bom estarmos de volta neste momento especial, seguro, sagrado, entre mulheres que vêm de profissões diferentes, vidas diferentes, mas que se encontram ali naquele ponto do tempo e do espaço virtual para fazer uma coisa tão simples, mas tão bonita e produtiva, que é parar, parar para observar, parar para pintar, parar para crescer. Hoje fizemos quatro exercícios aparentemente simples, mas profundos, que nos obrigaram a desacelerar o cérebro e a pôr o foco – com intenção, mas também com leveza – no que estávamos a fazer. O meu crítico interior veio ao de cima, claro. Gostaria de dizer que “como veio, também foi”, mas não é bem assim que funciona. Foi mais: “assim como o crítico interior veio, e roubou a minha atenção, também a perdeu logo a seguir”, porque afinal de contas eu tinha era de me focar no que é que a minha mão não-
Olá!Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".O episódio desta semana vem na sequência do da semana passada – não sei se já tiveram oportunidade de o ouvir? Se não o fizeram, convido-vos a fazer pausa neste momento e a irem ouvir o episódio 15. Esta semana, a conversa a duas vozes é com a minha filha Joana, com sete anos à data da gravação. Venham mergulhar nos bastidores deste podcast, através da perspectiva da Joana. Espero que desfrutem. Neste episódio mencionamos: Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias. Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. “Livro do Não” Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de confissões de uma super-perfeccionista em recuperação. O episódio desta semana vem na sequência do da semana passada. Não sei se já tiveram a oportunidade de ouvir. Se não o fizeram, convido-vos a fazer pausa neste momento e a irem ouvir o episódio 15, em que conversei com a Alice, a minha filha mais velha, que me fez uma série de perguntas sobre a minha rotina de desenho e as minhas preferências no momento de fazer o diário gráfico. É uma conversa que dá uma visão de bastidores pelo ponto de vista de uma entrevistadora de 11 anos. Quando tiverem ouvido essa conversa, voltem então a esta, porque a visão de bastidores vai continuar. Só muda o ponto de vista. Hoje, então, a entrevistadora é a minha filha Joana, de 7 anos, à data da gravação deste episódio. A Joana, a minha filha mais nova, quando ouviu que a irmã iria gravar um episódio de podcast com a mãe, também deixou bem claro que ela também quereria fazer a mesma coisa. E eu não podia ficar mais contente e orgulhosa, até porque as perguntas de uma pessoa de 7 anos são bem diferentes das da irmã de 11. E por isso esta visão de bastidores é também muito especial. Como tal, não me alongo mais e vamos então ouvir a conversa que tive com a Joana. Ok. Qual é que é a tua cor favorita? Olha, espera aí. Acho que tu tens que te apresentar. Ok. Olá, eu sou a Joana. Eu vou fazer a filha da minha mãe mais nova. Vou fazer um podcast com a minha mãe. E quantos anos tem? Sete. Ok, então conta-me lá quais são as tuas perguntas. Qual é que é a tua cor favorita? A minha cor favorita é tão difícil. Dizes aqui dos meus tores de aguarelas ou dizes em geral? Em geral. Em geral, olha, eu acho que eu gosto muito de cores de rosa, ali entre o cor de rosa e o roxo. Nesse espaço, acho que estão as minhas cores favoritas. Quando eu era mais jovem, eu gostava muito de azul. E ainda gosto! Mas acho que agora tenho, assim, este gosto especial pelo cor de rosa, ali entre o cor de rosa e o roxo. Sim. Agora, já agora vou-te perguntar e no teu estojo? Olha, no meu estojo também vamos cair aí nessas cores, mas também vamos cair naquelas cores… Lembras-te das que comprámos quando estávamos nas férias? Sim, lembro. Olha, sabes que aqui no meu estojo Mais ou menos cada cor tem uma história e então eu adoro várias delas, nomeadamente pelas histórias que têm. Porquê que tu pintas todos os dias? Olha, essa é uma muito boa pergunta e eu vou-te contar. Se calhar tu já não te lembras muito bem, mas em 2020 tu eras pequenina. Em 2020 veio aquela coisa desafiante e difícil que foi o Covid. Lembras-te? Lembras-te de ficarmos confinados em casa? Lembro-me. Ele disse que tive de ficar todo o tempo em casa a estudar. Exatamente. E a fazer os filhotetes em casa. Exatamente. E depois, quando estávamos a aproximarmos do final do ano, eu pensei, em 2021, eu vou querer fazer alguma coisa. Eu não sei se vem aí mais confinamento, se não vem, mas eu vou querer fazer alguma coisa que me dê prazer a mim e que seja só para me dar prazer. E então comecei a fazer um desenhinho todos os dias. O meu único objetivo era desenhar só porque sim e divertir-me e bastava desenhar cinco minutinhos e já estava. E então foi assim que comecei. E claro, pois continuei, pois continuei, pois continuei e cada vez gosto mais. Ao longo dos anos, em vez de me fartar, o que aconteceu foi que fui gostando cada vez mais. E gosto de aproveitar para experimentar, para experimentar materiais e gosto de… e assim também tenho uma desculpa para ir comprar materiais novos de vez em quando. Agora… Porquê que tu, quando tu não fazes um desenho, às vezes também ficas triste? Olha, eu gosto de fazer o desenho diariamente, mas às vezes há dias que ou são muito atribulados ou têm muitas coisas e depois chega a noite e estou muito cansada e penso, não. É importante também descansar e não é por não fazer um dia que já não vai resultar ou já não vai valer a pena. E então também às vezes pratico o não fazer, como exceção. Em que situação do ano é que preferes pintar por causa das paisagens e assim? Olha, eu gosto em todas, mas no verão. No verão quando estamos de férias. Sim. aquela coisa de nós passarmos mais tempo na rua, não é? Ou na piscina, ou na praia, ou no rio. E então é um momento em que eu gosto particularmente de desenhar. E até porque, como no verão usamos roupas mais descascadas, não é? Porque está calor. Sim. Também no verão consigo desenhar mais as pessoas e não as roupas das pessoas. Sabes? E, por exemplo, quando vamos, imagina, olha, quando estivemos na praia fluvial com os primos. Sim. Adorei porque estava a desenhar os vocês, imagina, estava um bocadinho de vento, então estavam de fato de banho embrulhadas na toalha, então viam-se assim as pernoquitas, depois via-se assim a toalha a fazer, a mostrar o volume dos ombros por baixo, mas não se via bem os ombros. Então acho que o verão tem essa coisa particularmente gira, de ter… de passarmos mais tempo na rua por um lado, como nesse dia, e também de estarmos mais descascados e ver-se mais as pernoquitas, os bracitos e isso assim. E qual é que é a estação do ano em que tu gostas mais… a segunda estação do ano em que tu gostas mais de pintar por causa das paisagens? Olha, o que eu mais gosto de pintar são pessoas. e de vez em quando também gosto de apanhar paisagens. Eu vou te dizer, eu gosto muito quando temos aquela semana maravilhosa nas montanhas a ver neve. O quê? Ai, já vi o teu sorriso, estou a ver que tu também gostas. E há uma coisa muito gira em desenhar montanhas com neve, que é quando tu estás a desenhar, No fundo, no sítio onde está a neve, tu não pões uma pincelada, deixas o papel em branco. Exato. Então fazer esse exercício de pintar não pintando, ou seja, deixar a parte em branco para representar a neve. Exato. É assim um exercício muito, muito, muito, muito, que eu acho muito divertido. Sim, porque depois de pintares branco parece que a folha era de outra cor, E por fora está bem, mas de dentro era de uma cor diferente. Exato. Mas fica um bocado estranho. Exato. E se tu não pintares parece uma montanha só cortou no papel. Exato. Agora, qual é a terceira estação do ano favorita? Deixa-me cá ver. Será que é para falar no outono? Eu estou a verem um sorriso muito maroto. Basicamente, é, porque o outro ano é anterior. Porque é uma das texturas do ano mais coloridas por causa das folhas. Muito bem visto. Porque as folhas ficam coloridas. E então, se tu pintares no outono, também tens de usar mais cores. Fica bastante colorido. É, e no outono parece-me que há assim alguém que faz ano. Exato, sou eu. É 25 de novembro. Olha, mas sabes uma coisa? Eu vou te dizer uma coisa. As minhas estações do ano favoritas, sem ser para pintar, são… Outono, claramente. O outono e a seguir? Inverno. Exatamente. São as melhores estações do ano. Não posso dizer isto, mas é verdade, sinceramente. Toda a gente sabe. Não, não é toda a gente sabe. Só alguns de nós achamos isso, mas poucos, mas bons, não é, Joana? Mas é verdade. Claramente é verdade, pelo menos alguém já diz isso, como eu, sinceramente, ninguém diz isso. É isso mesmo. E que mais? Conta-me. Agora, porquê que tu gostas de pintar? Porquê que eu gosto de pintar? Olha, porque são cinco minutos, em que eu não me preocupo com mais nada, em que eu não me preocupo com as notícias do mundo, não me preocupo com a ro
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