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Xerazade e as outras
38 Episodes
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Em Estremoz, lemos cadernos, cartas e manuscritos que permanecem em arquivos informais. Mas também livros e jornais. Textos que, apesar da sua formalidade, parecem quase todos escritos à margem da literatura oficial e agora são trazidos para o espaço público, para serem lidos, debatidos e pensados em conjunto. São duplamente marginais por serem de mulheres do Alentejo. Ainda assim, ricas ou pobres, as mulheres do Alentejo conseguem olhar o mundo e pensar sobre ele. Socorrem-se de Deus e dos sentidos, pedem paz, saúdam a liberdade de Abril - que nunca esquecem. Cátia Terrinca e Marta Reis Jardim tomam essa liberdade como mote para brincar com as palavras de hoje. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Cucha Carvalheiro é uma das actrizes cuja voz nos pega na mão e leva de viagem. Nela, moram muitas personagens, muitas vidas, muitas frases, algumas canções, sorrisos, risos. A actriz é morada de mentiras importantes e da possibilidade de nos abstrairmos da mentira para mergulhar: na alegria, na paz, no luto, nas lutas, na tristeza. Hoje, mergulhamos na tristeza e abrimos o peito das muitas mulheres que souberam encontrar a mãe das tristezas sem a calar. É uma sessão poética, noturna, simples, que Cucha Carvalheiro partilha com Cátia Terrinca. See omnystudio.com/listener for privacy information.
A partir da pesquisa feita em Lagoa, a convite da Bóia - associação cultural, nadámos num rio de prata imprevisto. Um rio que levou muitas mulheres a outros lugares, mulheres-escola, mulheres-viagem, mulheres-sonho, mulheres-conserveiras, mulheres-anedotas, mulheres-mulheres-mulheres-mulheres. Muitas nos falaram da observação da pobreza ou da riqueza nos corpos dos outros, sempre intocáveis, à distância de quem nasce em berços opostos, ajudando a entender um Algarve do qual poucas vezes falamos, mas que aqui vamos escutar nas vozes de Cátia Terrinca e de Mariana Ramos Correia. See omnystudio.com/listener for privacy information.
A casa, o lugar a que tantas mulheres pertencem, por obrigação, necessidade, convicção, fuga. Estar DE VOLTA PARA CASA será, eventualmente, habitá-la de uma outra forma. Trocar cozinhas por escritórios, encontrar um lugar da mulher só, só da mulher, onde ela possa sossegar de cuidar dos outros e evadir-se corpo adentro. Se tantas de nós tiveram um lugar só delas, ao longo de tantos tempos, como a cozinha, podemos agora regressar a casa e ter uma secretária só nossa, onde o tempo pare, duas vezes por dia, para cozinhar poemas, crónicas, cartas, peças? Cátia Terrinca e Mariana Ramos Correia regressam a casa com textos de Ana Marques, Ana Teresa Pereira, Ana Simões Pereira, Graça Cid, Luísa Monteiro, Maria Helena, Maria José de Almada Negreiros, Ofélia de Freitas e de Raquel Serejo Martins.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Elvas é um casulo no Alto Alentejo. Do seu coração muralhado, cresceram e nasceram mulheres revolucionárias, fortes e marcantes. Cresceram outras tantas. Falamos de Adelaide Cabette, de Virgínia Guerra Quaresma, Maria Olga Moraes Sarmento, entre outras. Mulheres que na viragem de século, viraram mentalidades e vidas para que outras, como nós, que vieram depois, possam ser mais livremente. E dessa liberdade, da dureza que ela encerra, que nos falam e escrevem tantas outras mulheres: Aldina Falcato, Branca Flor, Alexandra Rodrigues, Ivone Bravinho, Joana Leal, Maria do Céu, Maria do Céu Ponce Dentinho, Maria José Travelho Rijo, Maria Vicente, Paula Moreira, Raquel Soeiro de Brito, Sandra Rogeiro e Vitorica Mendes. Entre as vozes de Cátia Terrinca e de Mariana Vital Ferreira, ouvimos outras: são depoimentos de quem nem sempre escreveu no papel, mas que guardou a vida na garganta. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Elizabeth Pinard e Cátia Terrinca dão voz a ESTÓRIAS DE TEMPOS QUE JÁ LÁ VÃO, uma sessão de pesquisa que foi gravada ao vivo no Jornal Público e que convoca textos de autoras que nos permitem sentir a passagem do tempo - ou perguntar-nos como é que ele passa. Se é cíclico, se é linear, se é anda para trás, para a frente, em espirais. Ana Maria Matute, Cacilda de Castro, Catarina da Fonseca, Graça Matos Sousa, Lília da Fonseca, Manuela Nogueira, Maria Alberta Menéres e Teresa Tudela constroem a desejada máquina do tempo. Nós? Viajamos a bordo. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Crónicas autobiográficas é o título da sessão que propõe uma viagem a bordo da sensibilidade de mulheres escritoras como Maria Lamas, Maria Archer, Fernanda de Castro, Natércia Freire e Maria Velho da Costa, que foram pioneiras na forma como se serviram da crónica como espaço de desenvolvimento do pensamento e ativismo regular e público. As vozes são de Cátia Terrinca e de Mariana Bragada - que trazem para a contemporaneidade textos que, se calhar, poderiam ter sido escritos agora. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Na Figueira da Foz, passámos duas semanas a ouvir estórias de mulheres. Em muitas delas, parecia existir uma noite longa. De noite, deitados os filhos e esquecida a labuta, mergulhavam alma adentro para encontrar versos, palavras, poemas. Assim, compusemos esta sessão longa como as noites, dividida em dois episódios, com poemas entrelaçados através das vozes de Cátia Terrinca e de Cheila Lima, que ora cantam, ora sussurram, ora gemem, ora contam. Talvez o feminismo amanheça. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Na Figueira da Foz, passámos duas semanas a ouvir estórias de mulheres. Em muitas delas, parecia existir uma noite longa. De noite, deitados os filhos e esquecida a labuta, mergulhavam alma adentro para encontrar versos, palavras, poemas. Assim, compusemos esta sessão longa como as noites, dividida em dois episódios, com poemas entrelaçados através das vozes de Cátia Terrinca e de Cheila Lima, que ora cantam, ora sussurram, ora gemem, ora contam. Talvez o feminismo amanheça.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Quem nunca procurou deuses que atire a primeira pedra. Com as vozes de Cátia Terrinca e de Elsa Braga, esta sessão perscruta caminhos por onde andaram mulheres a pensar sobre a relação com o divino. Orações, rezas, poemas, preces. Caminhos que foram trilhados popular e eruditamente. Caminhos que, no fundo, são pertença e signo da humanidade, que adormeceu e acordou tantas vezes ao colo da protecção de mulheres que, a espaços ou sempre, são bruxas. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Eduarda Dionísio escreveu-nos um dia sobre pedras. Não sabemos se são preciosas, se são da calçada, se são rochedos, se cabem na palma de uma mão. Sabemos que muitas mulheres caminham com as mãos cheias de pedras, de punhos fechados. Desconfiadas de um mundo onde muitas vezes não se abriu espaço para ser, nem para escrever, nem para criar, por vezes as mulheres escreveram contra o mundo. Aqui, as vozes de Cátia Terrinca e de Mariana Bragada rendem-se ao sonho de transformar essas pedras em poemas e canções.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Escrevemos esta sessão a partir de Portalegre, cidade onde um dia centenas de tecedeiras lançaram as mãos aos teares e, por entre os fios, foram vivendo. Na Manufatura das Tapeçarias de Portalegre, foram muitos os artistas plásticos que tiveram a felicidade de ver as suas obras transformada em tapeçarias. Foram sempre mulheres alquimistas a fazê-lo. Aqui, ouvimos as suas vozes. Ouvimos também, por Ana Lua Caiano e Cátia Terrinca, alguns textos sobre o ofício e um poema de Salette Tavares que, a seu tempo, foi objecto também dessa transformação mágica. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Em No Balouçar da Onça, Cátia Terrinca e Cheila Lima interpretam textos de autoria feminina do século XX atravessados por imaginários racistas e coloniais. Ao trazer à cena estas palavras, a sessão confronta-nos com um passado e presente, revelando como a literatura também reproduziu visões de poder e exclusão. Mais do que expor, trata-se de abrir espaço para uma escuta crítica, onde a voz feminina se torna instrumento de questionamento: como lidar com estas heranças? Como transformar a memória em consciência e futuro partilhado?See omnystudio.com/listener for privacy information.
Nesta sessão, partimos da investigação de Sara Duarte Brandão sobre os lenços dos namorados — bordados que guardam palavras de afeto e desejo — para explorar a literatura têxtil criada por mulheres anónimas. Entre fios e letras, descobre-se uma escrita íntima que fala de amor, de espera e de pertença. Ao lado destes testemunhos populares, ecoam autoras que refletiram sobre o lugar do amor na literatura feminina, revelando como o sentimento atravessa o corpo, a memória e a criação. Um encontro entre tradição e autoria que reinscreve o amor como gesto literário e político.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Em Mar Adentro, cruzam-se vozes de mulheres da Figueira da Foz em textos de origem oral e escrita, formais e informais. Histórias que evocam o mar como paisagem e horizonte, como sustento e sobrevivência, mas também como metáfora íntima: o corpo feito de água, memória e movimento. Entre narrativas do quotidiano e imagens poéticas, constrói-se uma cartografia sensível onde o feminino se encontra com o oceano, revelando a força de uma tradição literária tantas vezes invisível e a urgência de a escutar no presente.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Neste episódio de Xerazade e as Outras, Cátia Terrinca e Cátia Vieira são voz de textos literários de mulheres que escreveram sobre o corpo como lugar de criação e de conflito. Entre a maternidade, o parto e o aborto, escutamos narrativas íntimas e políticas que questionam o silêncio em torno da experiência feminina. As palavras revelam a dor e a potência, a opressão e a escolha, trazendo para o presente vozes que, ao falarem do corpo, falam também de liberdade.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Construímos o princípio de uma cartografia feminina da Moita: conhecemos mulheres que por lá nasceram, outras que para lá foram jovens, outras ainda que trabalham na Moita há tantos anos que já se confundem com o território. Mulheres mais jovens, que saíram da Baixa da Banheira e do Vale da Amoreira para o mundo, mulheres que por lá viveram toda a vida. Gravámos depoimentos na Biblioteca Municipal Bento de Jesus Caraça e no Lar de Sarilhos Pequenos e em tantas, tantas casas. Das janelas das casas para dentro, conhecemos poemas, contos, ensaios, livros inteiros que revelam intimidades distintas.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Cátia Terrinca e Surma viajam a bordo de sonhos, literatura que é feita de estrelas e meteoros, ora brisa, ora granítica, que nos embala em sonoridades eletrónicas para distorcer e regressar ao dia-a-dia, à voz comum, ao corpo. Quase a fechar uma sessão em que a maior parte dos textos foram escritos por mulheres cujas identidades desconhecemos, um texto de Teresa Rita Lopes que na verdade é o coração: ELA não consegue apanhar o táxi. Quantas mulheres desconseguem a vida que sonham? See omnystudio.com/listener for privacy information.
Não terá mudado tudo, nem negou a hipótese de ainda hoje haver quem acredite que as mulheres nasceram para a vida doméstica, mas o 25 de Abril mudou, em Portugal, a vida de muitas mulheres. Cátia Terrinca e Fernanda Neves dão voz a textos que pressentiram e desejaram a liberdade. Mulheres-vulcão. Mulheres-mar. Mulheres-rio. As palavras delas mudaram a nossa paisagem para sempre. See omnystudio.com/listener for privacy information.
A ilha como sonho, a ilha como prisão. O amor como sonho, o amor como prisão. Vanda R Rodrigues e Cátia Terrinca deambulam por textos que entre subtilezas procuram a hora da liberdade, conforme escreve Natividade Negreiros. As vozes são livres, mesmo que as palavras ainda não o sejam, ora cantam, ora dizem, trilhando interpretações sem certezas: as palavras de amor nunca amam apenas amar. See omnystudio.com/listener for privacy information.




