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O Princípio da Inquietação
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O Princípio da Inquietação

Author: Catarina Barosa e David Erlich

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Um podcast onde pensar é um verbo que se exercita a sós e em conversa. Filósofos nacionais e internacionais refletem em voz alta sobre o medo, enquanto Catarina G. Barosa, fundadora do Festival Internacional de Filosofia, Espanto, e David Erlich, professor e escritor, recebem convidados de várias áreas para diálogos sem rede. Aqui, as certezas são questionadas e a dúvida ganha estatuto de virtude. O objetivo é praticar a nobre arte de pensar, mesmo que isso conduza não a respostas, mas a novas perguntas.

Todas as quintas-feiras um novo episódio, uma inquietação.


A edição áudio e vídeo deste podcast é assegurada pela Tale House, com identidade sonora a partir da interpretação do músico e produtor Pedro Luís, da obra Inquietação, da autoria de José Mário Branco, inspirada na versão interpretada pelo grupo A Naifa. A capa é de Tiago Pereira Santos, com fotografia de Matilde Fieschi e logo do Expresso e do Festival Espanto. A coordenação está a cargo de Joana Beleza e a direção é de João Vieira Pereira.

23 Episodes
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E se, depois de séculos de filosofia, não tivéssemos descoberto nada de realmente novo? É esta a intrigante reflexão que o professor Manuel Curado nos propõe neste novo episódio do Princípio da Inquietação, gravado no ESPANTO, Festival Internacional de Filosofia, em 2025. Entre a busca pelo novo, Platão, guerras, inteligência artificial, ayahuasca, médicos, filósofos e até garrafas de água, a palestra parte de uma ideia desconcertante: tudo é semelhante a tudo em algum aspeto. Se é assim, para quê viajar? Para quê compreender? E será que o tão celebrado progresso não passa de uma grande ilusão? Com humor, ironia e uma boa dose de irreverência, Manuel Curado leva-nos numa viagem pela chamada “prisão metafísica” da semelhança, um lugar de onde, aparentemente, nem a filosofia, nem a ciência, nem a religião nos conseguem tirar. Uma coisa é certa: depois desta palestra, talvez nunca mais olhe para uma cadeira da mesma maneira. Manuel Curado é professor de Filosofia na Universidade do Minho e um dos mais provocadores pensadores portugueses contemporâneos, conhecido por desafiar as ideias estabelecidas sobre conhecimento, progresso e consciência. Voltamos para a semana com mais reflexões inquietantes!See omnystudio.com/listener for privacy information.
Neste episódio, gravado no ESPANTO — Festival Internacional de Filosofia, em 2025, Maria Balaska convida-nos a refletir sobre um medo particular, que todos vivemos com experiências do quotidiano. Será o medo sempre algo negativo? Costumamos associá-lo ao perigo e ao sofrimento, mas a filosofia sugere que existe uma forma de medo que não aponta para uma ameaça concreta, mas para algo mais profundo: a consciência da nossa liberdade e a incerteza sobre como viver uma vida significativa. Maria Balaska explora a ansiedade existencial a partir do pensamento de filósofos como Heidegger e Kierkegaard, levando-nos a ponderar sobre os momentos em que as convenções ficam aquém das respostas que procuramos — como acontece frequentemente na crise da meia-idade, quando começamos a questionar o fundamento das nossas escolhas. Afinal, o que é uma boa vida? Esta é uma pergunta à qual nenhuma regra social pode responder por nós. Ao longo do seu discurso, Maria Balaska ajuda-nos a reformular a forma como percecionamos o medo e como este, o espanto e a admiração, podem estar mais ligados do que pensamos. Talvez estas emoções aparentemente opostas sejam, afinal, como Balaska diz, “duas faces da mesma moeda”. Da figura de Aquiles à etimologia de palavras como wonder e terrific, este episódio convida-nos a olhar para as emoções com nuances e a reconhecer que, por vezes, é precisamente o desconforto que nos aproxima de uma vida mais autêntica. Porque talvez o medo não seja apenas algo a superar, mas também um convite a perguntar quem somos e como queremos viver. Voltamos para a semana!See omnystudio.com/listener for privacy information.
Neste episódio, recebemos o pintor, músico, fundador dos Ena Pá 2000 e candidato à Presidência da República que promete, entre outras coisas, dar aos portugueses tudo aquilo que eles quiserem.Falamos de grandes monstros disfarçados de pequenas bagatelas: inteligência artificial, genocídios, aquecimento global, capitalismo, estupidez e política. Mas também de pintura, surrealismo, psicanálise, infância, música obscena, autorretratos e da eterna dificuldade de responder à pergunta: “Afinal, quem és tu?” Manuel João Vieira explica por que razão a irreverência é uma arma, como uma pintura pode nascer de uma espécie de alucinação e reflletimos como talvez existam dois Manueis “Joões” Vieiras, o que pinta e o que escreve sobre aquilo que pinta. E depois há a Caixa do Desejo Filosófico. Sabão, bússola, pilha, maçã, dominó… Manuel explica e, sobretudo, finta-nos a cada curva.  Porque, entre o caos, o humor, a melancolia e uma quantidade considerável de fintas, talvez haja apenas uma coisa a fazer: não perder o norte. Voltamos para a semana!  See omnystudio.com/listener for privacy information.
A morte é um mal a evitar ou a condição que dá sentido à vida? Neste episódio gravado no ESPANTO — Festival Internacional de Filosofia em 2025, Marta Faustino leva-nos numa viagem por duas das mais influentes perspetivas filosóficas sobre a morte, colocando em diálogo Epicuro e Martin Heidegger. Embora ambos se debrucem sobre a mesma problemática, as suas respostas não podiam ser mais distintas. Para Epicuro, a morte é uma fonte de sofrimento apenas porque a tememos injustificadamente: “A morte não é um bem nem é um mal, é um acontecimento neutro” que nada significa para quem morre. Se não nos inquieta o facto de nada termos sido antes de nascer, também não deveria angustiar-nos o facto de deixarmos de existir depois da morte. Libertar-nos desse medo é, para Epicuro, a condição para viver serenamente e aproveitar a vida com tranquilidade — carpe diem. Heidegger, pelo contrário, não procura dissipar a consciência da morte, mas aprofundá-la. A morte não é apenas um acontecimento biológico, mas a possibilidade mais própria e extrema da existência: “a morte é a possibilidade da impossibilidade de todas as outras possibilidades.” Ao confrontarmo-nos com a nossa finitude, rompemos com a inautenticidade da vida quotidiana — em que a morte parece acontecer sempre aos outros, nunca a nós — e abrimos espaço para uma existência singular e autêntica (Dasein). No fundo, este episódio coloca-nos perante duas formas radicalmente diferentes de viver: procurar a tranquilidade libertando-nos do medo da morte ou assumir a finitude como a condição de uma vida verdadeiramente autêntica. Entre o carpe diem de Epicuro e o Dasein de Heidegger, que filosofia de vida faz mais sentido para si? Embarque nesta reflexão connosco e vemo-nos na próxima semana!See omnystudio.com/listener for privacy information.
Nesta conversa com Ricardo Araújo Pereira, o humor serve de ponto de partida para uma reflexão sobre a “Treta Solene”: a tendência contemporânea para transformar emoções, opiniões e identidades em verdades intocáveis. Entre filosofia, censura, política e comédia, discute-se o valor do ceticismo, o papel do riso e a forma como o humor expõe as nossas contradições. Uma conversa inteligente, provocadora e, claro, muito divertida.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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