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Bendita Sois Vós
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Bendita Sois Vós

Autor: Vós

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A ideia por trás do Bendita Sois Vós é discutir política e sociedade de uma forma provocadora, como todo o conteúdo do Vós. Haverá entrevistas, debates entre a equipe do portal, reportagens e muita experimentação com novos formatos e linguagens.
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Agora sim, o processo de eleições municipais foi finalizado no Brasil após a votação do segundo turno em diversas cidades do país. Quanto aos resultados em algumas capitais, pouca ou nenhuma surpresa. Eduardo Paes venceu Crivella no Rio de Janeiro, Sebastião Melo venceu Manuela Dávila em Porto Alegre, Bruno Covas venceu Guilherme Boulos em São Paulo. DEM, MDB e PSDB. Parece que o centrão foi o grande vencedor de 2020 Jair Bolsonaro pode ter saído enfraquecido, afinal, os candidatos que apoiou diretamente não se elegeram, mas não está acabado. O bolsonarismo e o que ele representa estiveram vivos durante o pleito. E o namoro com o centrão parece estar só começando. Quando à esquerda, coube a renovação nas Câmaras e a possibilidade de forte oposição aos eleitos da direta no Executivo.
No dia 19 de novembro de 2020, João Alberto Silveira Freitas foi espancado até a morte por duas pessoas que deveriam garantir a segurança do supermercado Carrefour, em Porto Alegre. Beto foi assassinado na porta do mercado. Beto foi assassinado às vésperas do Dia da Consciência Negra. Beto era negro. O vice-presidente da República, General Hamilton Mourão, lamentou a morte de Beto, mas disse que não há racismo no Brasil. Mas nós não esquecemos daquele que disse que nós herdamos a "malandragem do africano". O presidente da República, Jair Bolsonaro, disse que é daltônico. Para ele, todos tem a mesma cor. Para ele, quem fala em racismo instiga o povo à discórdia, promove conflitos e pertence ao lixo. Mas nós não esquecemos daquele que falou dos quilombolas que pesavam "sete arrobas" e "não serviam nem pra procriar". Diante disso, do descaso das autoridades, do descaso da sociedade diante dessa estrutura perversa que continua a promover a opressão do povo negro, nós perguntamos: até quando o Beto vai morrer? Porque o Beto morreu também por nossa culpa. Do Mourão, do Bolsonaro, tua e minha. Porque tuíte ou quadrado de luto no instagram não combatem racismo. Precisa mais que isso. Ao Vós, cabe tratar do tema à exaustão. Por isso hoje nós convidamos o jornalista e professor universitário Maikio Guimarães, que, ao longo do episódio, traz os principais argumentos do discurso racista - e como combatê-lo. E com o jornalista Marcelo Nepomuceno, pra conversarmos sobre a política perversa que perpetua a lógica racista no país.
Bolsonaro está caindo? Chegamos a esse episódio ainda assimilando os resultados do primeiro turno das eleições municipais no Brasil. Um pouco de ressaca, talvez, mas com todos os votos coitadinhos. [Piscadela pra aos amigos dos states.] E com todos os votos contados, testemunhados a derrota de Jair Bolsonaro nas urnas. Apenas UM dos 78 candidatos com Bolsonaro no nome da urna foi eleito no Brasil. Dica: ele administra o Twitter do Presidente. Como diz o Sensacionalista, candidato a síndico do Vivendas da Barra apoiado por Bolsonaro perde a eleição. É uma piadinha, tá gente, mas diz muito. A outra boa notícia do último domingo é a eleição da diversidade nas Câmaras Municipais. Candidatas mulheres, trans, candidatas e candidatos negros. Além de partidos como PSOL registrando um crescimento interessante. A esquerda conseguiu se renovar, o Bolsonarismo, ao que tudo indica, não. Mas essa derrota do Bolsonaro também tem limites. Afinal de contas, há segundo turno em inúmeras capitais e cidades brasileiras. E na maioria desses locais, o Bolsonarismo segue firme e forte. Sebastião Melo, do MDB, em Porto Alegre, é um desses representantes. Ele disputa a prefeitura com Manuela Dávila, do PCdoB. No Rio de Janeiro, o atual prefeito Marcelo Crivella, do Republicanos, também conseguiu avançar e disputa com Eduardo Paes, do DEM. Em outros lugares, porém, a coisa muda de figura. Em São Paulo, por exemplo, a gente tem Guilherme Boulos, do PSOL, no segundo turno. Ele disputa com Bruno Covas, do PSDB. Deixando pra trás Mamãe Falhei, ou melhor, Mamãe falei, do Patriota, e Joyce Hasselman, do PSL.
Donald Trump PERDEU. O democrata Joe Biden foi eleito presidente dos Estados Unidos ao lado da vice Kamala Harris, primeira mulher, primeira mulher negra a ocupar essa posição. Trump, the whining, ainda não admitiu a derrota e promete judicializar a disputa. É o famoso não larga o osso. Nós vamos conversar sobre as repercussões práticas na política brasileira. Mas também sobre as repercussões políticas. Porque há quem comemore a derrota de Trump e lamenta a vitória de Biden porque ele é um centrista. Confuso, né? Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch, Tércio Saccol e Gustavo Chagas.
A pandemia ainda não acabou. Aliás, no Brasil,está muito longe de ser controlada. Afinal, o presidente Jair Bolsonaro parece investir CONTRA uma eventual vacina que possa prevenir o coronavírus. Ele diz que não entende o motivo de haver uma corrida pela vacina contra a Covid-19. Ele diz que não entende porque não investir em uma cura em vez de procurar a vacina. E ele voltou a defender o uso de medicamentos sem comprovação científica contra o coronavírus. No final das contas, o que pesa para o posicionamento de Bolsonaro sobre a vacina é uma retórica que mescla negacionismo com xenofobia. Por outro lado, há uma conjuntura desfavorável para o Bolsonaro. Argentina mudou de governo “no meio do caminho”, Chile deve fazer uma reforma constitucional, Bolívia elegeu um presidente de esquerda e, principalmente, há a possível mudança de comando dos Estados Unidos, onde, ao que tudo indica, o democrata Joe Biden será eleito presidente. Tudo indica que o negacionista Bolsonaro ficará isolado. E ainda há o aniversário de 75 anos de Luiz Inácio Lula da Silva. Participam do programa os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol. Você também pode ouvir o episódio no Spotify, Itunes e Castbox.
A pandemia não acabou. Acreditem. E falando em pandemia, Bolsonaro disse que não apostou na cloroquina. O cara que fez vídeo tomando cloroquina, que ofereceu cloroquina para as emas do Planalto, que falou sobre esse remédio por meses, que determinou que se aumentasse a produção do medicamento sem comprovação de eficácia contra a Covid -19, que importou caixas e mais caixas dos Estados Unidos, disse que não apostou, nem jogou, na hidroxicloroquina. E por falar em Bolsonaro, o senador Chico Rodrigues, vice-líder do governo, levou o transporte de dinheiro na cueca a um outro nível. O curioso é que isso aconteceu na semana em que Jair Bolsonaro disse que acabou com a Lava-Jato porque não tem corrupção no governo. Enquanto isso, O Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou o Anuário da Sergurança e as más notícias são muitas. Foram quase cinco mil mortes violentas de crianças no ano passado. 75% de crianças negras. Também em 2019, mais de 13 mil mortes não esclarecidas que sequer entraram nas estatísticas de homicídio. Houve ainda um Aumento de 120% nos registros de arma de fogo em 2020 e queda nas apreensões. Mais de seiscentas mulheres vítimas de feminicídio no primeiro semestre deste ano. Mas isso mobiliza menos que futebol. O jogador Robinho foi condenado por estupro na Itália, mas para o novo clube, isso só foi problema quando os patrocinadores entraram na jogada. O tal do craque, apesar da condenação, se comparou a Bolsonaro, disse que é perseguido pela “emissora do demônio” - Rede Globo - e que o problema são as feministas.
No episódio de hoje, Jair Bolsonaro e o STF. O presidente indicou o desembargador Kassio Nunes Marques, de 48 anos, para a vaga deixada por Celso de Mello. E no último final de semana, participou de reunião na casa do ex-presidente da corte, o ministro Dias Toffoli, e os dois trocaram um caloroso abraço. O abraço e a indicação causaram desconforto em aliados. Sara Giromini, inclusive, disse que não conhece mais o homem que ajudou a eleger. Bolsonaro foi criticado pelos eleitores por não escolher um nome terrivelmente evangélico. Mas no ano que vem, abre outra vaga no Supremo Tribunal Federal com a aposentadoria de Marco Aurélio Melo e ele garantiu que indicará um pastor. Mas Bolsonaro também anda fritando Paulo Guedes e a gente vai falar um pouquinho da tal da Renda Cidadã. Enquanto isso, no topo do mundo, Donald Trump foi diagnosticado com Covid-19. Em plena eleição nos EUA e com o democrata Joe Biden liderando as pesquisas. Como disse o Jornalista Jake Tapper, da CNN, Trump se transformou no símbolo do próprio fracasso. Ele chegou a ser internado e, agora, com clara dificuldade para respirar, diz que o vírus não deve nos dominar.
No Bendita Sois Vós se fala tanto do presidente Jair Bolsonaro que, às vezes, esquece-se de cobrar dos ministros que se dedicam e trabalham arduamente para destruir o Brasil junto com ele. Ricardo Salles, do meio ambiente, está “deixando a boiada passar”. Além dos incêndios na Amazônia e Pantanal e do desmatamento, na última segunda, dia 28, ele revoga regras que protegem restingas e manguezais. O ministro da educação, Milton Ribeiro, destila preconceitos e fala que ser professor "é quase que uma declaração que a pessoa não conseguiu fazer outra coisa”. Não esqueçamos de Damares Alves, do ministério da mulher, da família e dos direitos humanos. Acusada de tentar impedir o aborto legal de uma criança de dez anos que havia sio estuprada pelo tio. Ela é o cartão de visitas do governo. A termina ainda conta com Paulo Guedes, o ministro da economia, que é o ministro da eterna promessa. E esse ministério é tão problemático que Bolsonaro desconfia que há infiltrados petistas na equipe econômica. E ainda tem o livro do Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da saúde. Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol.
Bolsonaro mentiu. Na abertura da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, o presidente Jair Bolsonaro se dirigiu ao mundo inteiro para mentir a respeito da pandemia de coronavírus - e outras coisas. Segundo ele, "desde o início" se preocupou com as repercussões da COVID19 e disse que o vírus e a economia deveriam ser tratados com a mesma gravidade. Mas nós sabemos que, "desde o início" ele minimizou as consequências da doença. Bolsonaro mentiu sobre o desmatamento. Segundo ele, o Brasil está sendo vítima de uma campanha de desinformação. Ele afirmou que a Amazônia e o Pantanal estão queimando por questões inerentes à região, como o período de seca, e não por ações criminosas, ignorando relatórios da Polícia Federal. Jair Bolsonaro ainda disse que o governo dele, que quer “passar a boiada” e flexibilizar a legislação, tem tolerância zero com o crime ambiental. 
 Bolsonaro mentiu. E mentiu sobre inúmeras outras coisas. E cada uma dessas mentiras é abordada no episódio desta semana do Bendita Sois Vós. 
 
 Bolsonaro não está nem aí para o povo brasileiro, nem ele nem ninguém da família e nem ninguém do governo. Tanto que os filhos Flávio e Eduardo participaram de um programa de TV e presentearam a todos com uma dancinha e uma paródia sobre “maconheiros”.  
 E tudo isso, a dias das eleições municipais. Eleições em que a gente nota uma fragmentação imensa de candidaturas especialmente na capitais. Mais um movimento que favorece a despolitização, diminuindo a importância da política e do debate público. Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol.
O governo federal parece estar satisfeito com a falta de ação e combate no que diz respeito à pandemia do novo coronavírus. Jair Bolsonaro está tão satisfeito com as mais de 132mil mortes que resolveu efetivar o general Eduardo Pazuello no Ministério da Saúde. Ele assumiu a pasta em maio, interinamente, após a saída de Nelson Teich. Desde então, Pazuello está alinhado com o discurso do presidente, que segue defendo a cloroquina e, na prática, fazendo nada para impedir que o vírus se espalhe. Apesar de elogios de apoiadores e da famiglia Bolsonaro, que acha que ele está fazendo um grande trabalho, o Brasil continua como case de fracasso no combate à doença. E como se não bastasse, o Pantanal ainda queima e agora, pra completar a tragédia, o brasileiro não pode nem comer arroz com feijão. O preço do cereal está nas alturas e alguns, basicamente, dizem para a população comer brioches. Mas aqui não. Nós explicamos porque a alta no preço do arroz e as consequências de se efetivar Pazuello no Ministério da Saúde. Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol.
Apesar de ainda estarmos vivendo a pandemia de coronavírus, ela foi absolutamente esquecida e ignorada neste feriadão de 7 de setembro, em que as praias estavam lotadas. Um momento que foi esquecido pelo presidente da República durante o pronunciamento do dia da Independência. Um pronunciamento em que Jair Bolsonaro provou que não entende nada de Brasil. Um pronunciamento em que Jair Bolsonaro promoveu revisionismo histórico trazendo a sombra do comunismo para o século 21 e exaltando Ditadura Militar. Um pronunciamento em que Jair Bolsonaro exalta uma democracia que ele destrói. Nós não vencemos ontem e não estamos vencendo hoje. Neste momento, o Brasil está sem liderança. Estamos todos contra todos e cada um por si para lutar contra um vírus que já matou centenas de milhares de brasileiros e continua matando. Nós não vencemos ontem e não estamos vencendo hoje. Neste momento, o Pantanal queima e 12% do bioma já foi destruído. Então, não, presidente Jair Bolsonaro não estamos vencendo. Participam do programa os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol.
O episódio desta semana é uma espécie de viagem no tempo. Isso porque a economia brasileira sofreu um tombo recorde com uma queda de 9,7% no PIB e voltou ao patamar de 2009. Com isso, o presidente Jair Bolsonaro resolveu prorrogar o auxilio emergencial, mas com redução de 50%. Agora, o benefício será de R$300 reais, pago em quatro parcelas até o final do ano. Parece, afinal, que não bastava "tirar a Dilma". Aliás, nesta semana, dia 31 de agosto, fez quatro anos do golpe jurídico e institucional contra Dilma Rousseff. E do passado a gente dá pulinho no futuro porque as eleições municipais estão chegando e já mostram uma rearticulação das direitas brasileiras em torno de Bolsonaro. Quem sabe mostrando algo que pode acontecer em 2022. Afinal, já tem crítico arrependido, não é mesmo, governador Ronaldo Caiado? Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol.
Apesar de a pandemia continuar e o número de mortes aumentar de forma constante, o presidente Jair Bolsonaro precisa dar explicações sobre os cheques que a primeira-dama recebeu de Fabricio Queiroz. Um repórter do jornal O Globo perguntou porque Michele Bolsonaro recebeu 89 mil do ex-assessor da família, mas o presidente não só não respondeu como não gostou. Disse que a vontade era encher a boca do jornalista de porrada. Então, nos nos unimos ao coro que se formou nas redes sociais - e fora dela - e perguntamos: Presidente Jair Bolsonaro, porque a sua esposa, Michelle, recebeu R$ 89 mil de Fabricio Queiroz? Essa reação de Bolsonaro é o retrato da ignorância. Bolsonaro é o retrato da IGNORÂNCIA. E agora, como se não bastasse tudo o que ele faz, fica claro que ele quer que todos sejamos ignorantes. Afinal, a proposta de reforma tributária do governo federal prevê cobrança de contribuição para o setor de livros. Calcula-se uma alíquota de 12% para novo imposto. Com a taxação, os livros ficarão cada vez menos acessíveis. Uma espécie de Fahrenheit 451 à la Paulo Guedes, que diz que só a elite consome livros no Brasil. Para falar sobre o tema, a entrevistada desta semana é Rita Lenira Bittencourt, doutora em literatura e professora de letras da UFRGS. O episódio ainda fala sobre o caso escabroso que envolve a deputada Flordelis, suspeita de ser a mandante do assassinato do Pastor Anderson, que fora seu filho adotivo, depois genro e, por fim, marido. Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol.
Oficialmente, o Brasil já soma mais de cem mil mortos vítimas da Covid19. E estamos há meses com uma média de cerca de mil perdas por dia. Os números atrozes da pandemia de coronavírus, porém, já não parecem afetar a popularidade do presidente Jair Bolsonaro. Pesquisa realizada pelo Datafolha indica que a aprovação de Bolsonaro subiu para 37%, a melhor do mandato, e reprovação caiu para 34%. A pesquisa realizada pelo Poder 360 indicava a mesma tendência e da XP/Ipespe confirmou as anteriores e apontou uma aprovação recorde. E em meio a tudo isso, ainda temos que testemunhar o horror a que foi submetida uma menina de 10 anos, estuprada desde os seis pelo tio, dentro de casa. Ela engravidou, e apesar de ter direito ao aborto, grupos fundamentalistas tentaram impedir o procedimento. A extremista Sara Giromini, conhecida como Sara Winter, divulgou o nome da vítima e o do hospital do qual ela estava internada para interromper a gravidez. Felizmente, um grupo de mulheres do Recife, esse sim preocupado com a vida de uma criança, montou uma vigília em frente ao hospital e o procedimento foi realizado com a segurança que a lei deveria garantir a todas as mulheres. Participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol.
Enquanto a gente se protege desse vírus novo, o governo de Jair Bolsonaro infecta a democracia brasileira com um vírus antigo, o do autoritarismo. Na última semana, o Vós lançou um documentário em áudio chamado Democracia Infectada, justamente mostrando os traços do autoritarismo de um governo extremamente militarizado e centrado na figura de Bolsonaro. Passados alguns dias, uma série de eventos corrobora o nosso argumento. Na edição deste mês da Revista Piauí, uma reportagem da jornalista Monica Gugliano reconstrói o dia em que Bolsonaro decidiu intervir no Supremo Tribunal Federal. No dia dois de agosto, reportagem de Raquel Lopes na Folha de São Paulo indica que o governo Bolsonaro tem uma média de uma denúncia de assédio moral por dia por parte de servidores. Eles relatam perseguição ideológica e toda uma sorte de constrangimentos.Sem contar o dossiê do Ministério da Justiça e Segurança Pública sobre quase 600 servidores públicos ligados a movimentos antifascistas. Tudo isso associado a um comportamento antidemocrático de Jair Bolsonaro que, convenhamos, não é novidade. Para discutir a desintegração da democracia brasileira, participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol.
O Brasil está em um momento bastante delicado. Já passamos do 90 mil mortos em função do novocoronavírus, mas o presidente Jair Bolsonaro, que há algumas semanas testou positivo, parece não se preocupar, afinal, está em viagem pelo Brasil, provocando aglomerações, cumprimentando as pessoas e, é claro, removendo a máscara. Foi o que ele fez no Piauí, por exemplo, descumprindo TODOS os protocolos de segurança. Bem, Ele pode não estar preocupado com a pandemia, mas há uma movimentação de bastidores que deve estar tirando o sono de Jair Bolsonaro. O racha do BLOCÃO. O Blocão da Câmara é um grupo de partidos formado, basicamente, por grande parte do Centrão e por deputados da base aliada do governo. Já o Centrão é o grupo informal de partidos que costumam buscar proximidade com o governo em troca de vantagens, sem muita solidez ideológica. O que acontece agora é que partidos que fazem parte do centrão como MDB, DEM, PTB e PROS estão desembarcando do blocão e isso pode ser um pepino enorme para o governo. Mas isso levanta uma questão maior. É possível governar sem o Centrão? Ah, não podemos deixar de falar, ainda, na nova nota de 200 reais. Que estampará o Lobo-Guará, embora o lugar de honra seja, nos nossos corações, da querida ema. Participam Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol.
Nós estamos preocupados com os rumos do Brasil e da pandemia. Mas nem todo mundo está. Há quem esteja mais preocupado em manter o status, seja lá o que isso significa. O brasileiro sem conviveu com o famigerado, “Você sabe com quem está falando?” Mas agora essa estupidez elitista foi transplantada para a pandemia. Inclusive oficialmente. Élcio Franco Filho, secretário executivo do Ministério da Saúde, não se constrangeu em destratar um garçom que seria água durante uma reunião. E a coisa continua nas ruas. No Rio de Janeiro, um homem disse que pagava o salário dos fiscais sanitário e sua companheira foi rápida em dizer aos servidores que ele não era um cidadão, mas um engenheiro civil, “muito melhor do que você”. Em Santos, São Paulo, desde o dia primeiro de maio é obrigatório o uso de máscaras na cidade. Mas o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo Eduardo Siqueira resolveu não usar. E ainda agrediu verbalmente os guardas municipais que estavam cumprindo sua função, chamando-os de analfabetos. Esse país é construído sobre status. E por mais ridículo que seja, esse elitismo aparece em todos os cantos. Até na reportagem em que uma mulher que não usava máscara aparece dizendo que não usaria a proteção e que era advogada, “meu amor”. Em Porto Alegre, empresários decidem se haverá lockdown ou não, uma questão de saúde pública. Enfim, há muitas pessoas que se acham acima da pandemia. Ricos, doutores, professores, jornalistas, intelectuais que querem acabar com a pandemia por decreto. Para falar sobre a cultura do “você sabe com quem está falando?” e as diversas formas em que isso afeta a pandemia, participam os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol.
Nesta edição, a epítome da pauta que une coronavírus e política. O presidente da República Federativa do Brasil, senhor Jair Messias Bolsonaro, disse que testou positivo para o novo coronavírus. Após esconder os testes há alguns meses, ele convocou uma entrevista coletiva PRESENCIAL para dizer que está infectado. Bolsonaro ainda prestou o desserviço de retirar a máscara ao final da entrevista, colocando em risco os repórteres que estavam no local. E, é claro, reafirmou a eficácia da cloroquina no tratamento contra a Covid-19, mesmo sem eficácia comprovada cientificamente. Desinformação à parte - ou não - a declaração do presidente gerou muita suspeita, afinal, ninguém nunca sabe se o que Bolsonaro diz é verdade ou mentira. De todo modo, isso ainda tem inúmeras implicações tanto no combate ao Covid-19 quanto na política brasileira. Depois de ele confirmar que está infectado, vimos pessoas torcendo pra que ele morra; outras dizendo que essa torcida é falta empatia; notamos o nítido enfraquecimento da popularidade de Bolsonaro; e, é claro, testemunhamos o presidente da República virando garoto-propaganda de um remédio que ele estocou sem respaldo cientifico e agora não tem onde desovar. Participam do programa os jornalistas Geórgia Santos, Flávia Cunha, Igor Natusch e Tércio Saccol.
Desde março, os jornalistas do BSV discutem os diversos aspectos da pandemia e da política brasileira. Hoje, eles falam sobre as Fake News, que não só bagunçaram e bagunçam a política como já são um problema para quem quer se informar a respeito do coronavírus. Uma pesquisa realizada pela Avaaz, uma comunidade de mobilização online que leva a voz da sociedade civil para os espaços de tomada de decisão em todo o mundo, indica que as Fake News sobre a pandemia atingem 110 milhões de pessoas no Brasil. E o estudo mostra que sete em cada 10 brasileiros acreditam em pelo menos uma notícia falsa sobre o coronavírus. E qual a resposta institucional? Aprovar, às escuras e às pressas, o PL das Fake News. Parece bom, um projeto de lei que visa combater a desinformação, mas o buraco é mais embaixo. Apesar de ter sido submetido a mudanças, o texto aprovador pelo Senado no dia 30 de junho implica em sérios riscos à privacidade, à liberdade de expressão, abre caminho para a autocensura e para a perseguição a jornalistas. O convidado desta semana é o jornalista Marcelo Trasel, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), uma das entidades que mais criticou o fato de o projeto ter sido aprovado sem discussão com a sociedade civil e com sérios problemas.
Neste episódio mais do que especial, discutimos o novo levante antirracista que, esperamos, desperte consciências pelo mundo. George Floyd disse que não conseguia respirar enquanto era asfixiado por um policial branco em Minneapolis, nos Estados Unidos. O assassinato de mais um homem negro pela polícia despertou alguns dos maiores protestos que os norte-americanos viram em muito tempo. E o levante chegou até aqui. Os brasileiros saíram às ruas, sim, em meio a uma pandemia, porque precisam gritar que o racismo é inadmissível. Saíram às ruas porque aqui também jovens negros são mortos pela polícia. Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, dos mais de SEIS MIL registros de mortes por intervenções policiais entre 2017 e 2018, mais de 75% eram de pessoas negras. Sendo que no Brasil esse grupo represente 56% da população, segundo o IBGE. Mas essa é só uma faceta do racismo no Brasil. Afinal, como diz a autora e filósofa Djamila Ribeiro no livro Pequeno manual Antirracista, o que está em questão não é um posicionamento individual, mas um problema estrutural. Talvez as mobilizações por aqui não tenham tido, nas ruas, o mesmo porte das manifestações do Estados Unidos, mas trouxeram a luta antirracista pra o centro do debate. O jurista e filósofo Silvio Almeida, autor do livro Racismo Estrutural, foi entrevistado no programa Roda Viva e explicou que o racismo é parte da estrutura da nossa sociedade e não pode ser pensado de forma isolada. Isso significa que se gritamos que vidas negras importam, precisamos encarar o problema do racismo de frente. Entender que o racismo não necessita de intenção para se manifestar. E entender, que, principalmente, o silêncio torna nos torna ética e politicamente responsáveis pela manutenção do racismo. Por isso a gente vai falar, sim, sobre racismo, sobre as nuances do racismo no Brasil e sobre, é claro, a luta antirracista. Participam os jornalistas Geórgia Santos e  Airan Albino. Também há uma entrevista com o jornalista e pesquisador Wagner Machado, que fala sobre como o negro é retratado ou inviabilizado na televisão brasileira, seja no entretenimento ou no jornalismo.
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