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O Assunto

Author: G1

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Um grande assunto do momento discutido com profundidade. Renata Lo Prete vai conversar com jornalistas e analistas da TV Globo, do G1, da GloboNews e dos demais veículos do Grupo Globo para contextualizar, explicar e trazer um ângulo diferente dos assuntos mais relevantes do Brasil e do mundo, além de contar histórias e entrevistar especialistas e personagens diretamente envolvidos na notícia.
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Pelo sexto dia seguido, a média móvel de mortes bateu recorde no Brasil. Na quinta-feira (4), foram 1.361 óbitos na média dos últimos sete dias. E enquanto a vacinação segue insuficiente e novas variantes, mais contagiosas, se espalham pelo país, é importante reforçar medidas de proteção. Distanciamento social e uso de máscaras. “A inalação de gotículas é a via mais importante de transmissão. E a ideia da máscara é reduzir esse mecanismo”, resume Vitor Mori, doutor em engenharia biomédica e pesquisador na Universidade de Vermont, nos Estados Unidos. Neste episódio, Vitor explica a Natuza Nery, ponto a ponto, a importância de sempre, em qualquer ocasião, usar máscaras. “Se puder, fique em casa. Se tiver que sair, prefira ficar ao ar livre. Agora, se for inevitável ficar em ambiente fechado, use máscara de melhor qualidade”, recomenda. As do tipo PFF2 são as que garantem melhor nível de proteção, podem ser compradas por menos de R$ 5 a unidade e permitem reuso. O CDC dos Estados Unidos sugere também o uso combinado de máscara cirúrgica com máscara de pano – juntas, garantem o bloqueio de mais de 90% de partículas do ar. Vitor explica também como testar a qualidade de uma máscara e os melhores procedimentos de limpeza.
“A equipe médica falou: ‘ele precisa de um leito’. E não tem”. Matheus Magalhães, de 30 anos, passou mais de 24 horas atrás de uma vaga de UTI para o pai, que já estava com mais de 50% do pulmão comprometido pelo coronavírus. Ivanildo, de 71 anos, foi infectado dias antes, quando tratou de uma perfuração no intestino em um hospital de Natal, capital do Rio Grande do Norte – onde a ocupação dos leitos para Covid chega a 100%. A piora no quadro clínico de Ivanildo desesperou a família. “Tentei ser forte, não sei se consegui. Por mais que soubesse que ele poderia esperar mais um pouco por um leito, não via luz no fim do túnel”, se emociona Matheus. Neste episódio, ele relata a Natuza Nery a saga do pai até a entubação em um hospital militar de Recife. Participa também a enfermeira Stephanie Pinheiro, de 25 anos, que trabalha no Centro de Terapia Intensiva de um hospital privado de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul – estado que também chegou a mais de 100% de ocupação de leitos de UTI. “A gente passou por muitas dificuldades em um ano de pandemia, mas, de fato, a gente nunca enfrentou algo como estamos enfrentando hoje”, diz. Stephanie conta como é o dia a dia dos profissionais de saúde diante da escassez de vagas e de recursos, e relata como são tomadas as decisões mais difíceis, como a entubação de um paciente. “A parte mais dolorosa é lidar com a família, porque quem morre de Covid morre sem ver os familiares”, conta. “No trabalho, às vezes a gente vai no banheiro e chora, desaba ali. Mas na frente da equipe a gente demonstra mais força do que a gente tem.”
1.726 mortes em 24 horas, mais um recorde do Brasil, que enfrenta nesta semana alta generalizada de casos e óbitos. "Liderança, coesão e coordenação", assim o ex-ministro da Saúde José Gomes Temporão enumera o que é necessário para enfrentar este momento da pandemia. Temporão é um dos entrevistados de Natuza Nery neste episódio. Ex-ministro, o médico sanitarista e pesquisador da Fiocruz detalha como podem atuar municípios, Estados e o governo federal no controle da Covid-19. Diante do que ele caracteriza como "inércia" do governo federal em relação à compra e vacinas, Temporão diz ver com esperança as tentativas de prefeitos e governadores de comprarem doses sem depender do Ministério da Saúde. Depois de analisar a relação entre governo federal e Estados do ponto de vista da saúde pública, Natuza Nery conversa com Thomas Traumann para analisar o embate político entre Jair Bolsonaro e governadores. Jornalista e analista político, Traumann explica o que o presidente calcula ao se colocar contra a vacina e medidas de contenção da Covid. Segundo ele, desde o início da pandemia "o presidente se coloca como o único político que entendia a preocupação, na ponta, com a possibilidade de perder o emprego", diz. Para ele, Bolsonaro reforça a ideia de que é igual à população. Traumann pondera, no entanto, que agora em 2021 a situação é muito mais grave e que o novo valor de R$ 200 do auxílio emergencial pode pesar na avaliação do presidente.
Líder global no ranking de vacinação por habitantes, Israel já superou a marca dos 50% da população imunizada pelo menos com uma dose. E os resultados apareceram rapidamente: redução em até 95% do risco de adoecimento após a aplicação das duas doses e diminuição de hospitalizações e mortes em mais de 98%. No Reino Unido, a Escócia teve 80% menos hospitalizações apenas quatro semanas depois da aplicação da primeira dose. Nos EUA, mais de 50 milhões de doses foram aplicadas em pouco mais de um mês – a meta do presidente Joe Biden é atingir 100 milhões em 100 dias. “À medida que você vacina e mantém as medidas de proteção, você consegue reduzir rápido [a transmissão do vírus], e mais rapidamente pode voltar a sonhar de novo e viver uma vida melhor”, afirma Fatima Marinho, epidemiologista da Vital Strategies, organização que auxilia 63 países no combate à pandemia. Fatima e Felipe Santana, correspondente da Globo em Nova York, são os entrevistados de Natuza Nery neste episódio. Fatima detalha as campanhas de Israel e Reino Unido para vencer as fake news e gerar confiança nas vacinas e explica por que a imunização dá resultado tão rápido. Felipe relata o caso norte-americano: com uma população de 330 milhões de habitantes, o país tem doses suficiente para imunizar mais de 400 milhões de pessoas. Além do ritmo de vacinação recorde em mais de 2 milhões de aplicações por dia e um aporte bilionário na economia e na estrutura de saúde. “Há muito investimento e o presidente faz pressão para que Estados aumentem o ritmo”, conta.
Mais de um ano após a chegada do coronavírus, o Brasil enfrenta o pior momento da pandemia. Recorde de mortes e de novos casos diários, UTIs lotadas, fila em hospitais... Diferente de 2020, agora vários Estados enfrentam ao mesmo tempo o colapso em seus sistemas de saúde. "Eu até não acreditava nesse vírus, mas foi uma lição", diz André Luis da Rosa, de 40 anos, um dos entrevistados de Natuza Nery nesse episódio. André perdeu o irmão Adilmar (46) para a Covid em Boqueirão do Leão, no interior do RS, um dos Estados onde a taxa de ocupação de UTI está perto do limite. Ele relata a evolução rápida da doença. "Ele ia ser transferido, só que meia hora antes, faleceu", lembra. Depois da morte do irmão, André conta como está a recuperação da família, que foi toda infectada pelo coronavírus. O outro convidado do episódio é o neurocientista Miguel Nicolelis. Para ele, "é como uma guerra. O inimigo tomou boa parte do território nacional e o exército do lado de cá já não tem mais energias, nem munição, para conseguir combater esse inimigo mortal". Professor da Universidade de Duke e ex-coordenador no Comitê Científico de Combate ao Coronavírus do Consórcio do Nordeste, Nicolelis reflete sobre como chegamos até aqui e o que fazer para evitar uma catástrofe ainda maior. Para ele, a situação é "muito pior do que a primeira onda. E tende a se agravar".
No mesmo dia em que a Câmara manteve a prisão do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ), o presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), anunciou uma proposta que muda regras da imunidade e da prisão de parlamentares. A toque de caixa, a Câmara fez o texto andar, sem passar por nenhuma comissão. A PEC da imunidade parlamentar ficou conhecida como PEC da impunidade. Neste episódio, Natuza Nery recebe dois convidados, Conrado Hubner Mendes, professor de Direito Constitucional, e Weiller Diniz, jornalista com 35 anos de cobertura política em Brasília. A rapidez com que a PEC andou na Câmara é para "neutralizar críticas e reações contrárias", diz Weiller. Ele pontua como, numa Casa onde 200 parlamentares têm algum tipo de pendência com a justiça, a PEC é vista como "uma forma extra de proteção". Segundo ele, o trâmite e os interesses resgatam "velhas práticas e antigos privilégios" dos deputados. Conrado explica por que a imunidade parlamentar existe e como ela surgiu. "É um meio para proteger a democracia e o Parlamento, mas também para qualificar e melhorar esse parlamento", lembra. Ele lembra que, além dos deputados, outros interessados deveriam participar do debate de Propostas de Emenda à Constituição e como este tema não "perde urgência" no momento do país. E conclui: "Não é autoritário pensar em restrições à liberdade de expressão. É autoritário pensar que a liberdade de expressão não permite limites".
"Um tsunami de casos." Assim o médico Flávio Arbex descreve a Natuza Nery a situação em Araraquara, cidade do interior de SP que prorrogou medidas de restrição para tentar controlar a nova variante do coronavírus. Pneumologista, Flávio é coordenador da enfermaria de Covid da Santa Casa da cidade. O médico relata a mudança de perfil dos infectados e descreve a doença como uma "tragédia familiar". E lembra de pacientes que, ao serem internados, perguntam: "vou ver meu filho de novo, vou ver minha filha de novo?". Neste episódio participa também o epidemiologista Guilherme Werneck, pesquisador e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro. É ele que enumera os vários indícios de mais um cenário de descontrole geral da pandemia, no momento em que estados como São Paulo anunciam medidas mais duras de restrição de circulação. Guilherme aponta que estamos "colhendo frutos de um período relativamente longo de contato social", ao lembrar das festas de fim de ano e do carnaval. E explica por que a alta de casos demora a ser percebida nos números. "As pessoas mais jovens podem desenvolver formas mais leves, mas transmitem. Elas vão para casa, transmitem para o pai e para o avô. E são essas pessoas que vão aparecer nas estatísticas, um mês depois". O epidemiologista alerta que a situação pode ser agravar nas próximas semanas. "Atuar agora pode não resolver o problema, mas vai trazer frutos positivos um pouco mais adiante".
Em dezembro, o imunizante do laboratório norte-americano foi o primeiro a ser aprovado e aplicado no ocidente. E, nesta terça-feira (23), foi também o primeiro a receber o registro definitivo pela Anvisa – a Coronavac e a Oxford-AstraZeneca estão autorizadas apenas em caráter emergencial. Mas, até agora, o Brasil não tem nenhum acordo assinado para a compra da vacina. “A Pfizer tentou negociar com o Brasil desde junho de 2020, mas, segundo o ministro Pazuello, com ‘clausulas leoninas’”, recorda a jornalista Mariana Varella, editora do Portal Drauzio Varella e pós-graduanda da Faculdade de Saúde Pública da USP. Mariana e Daniel Dourado, médico e advogado do Centro de Pesquisa em Direito Sanitário da USP são os convidados de Natuza Nery neste episódio. Mariana explica as diferenças entre o registro emergencial e o definitivo. Ela detalha a tecnologia do imunizante, que, de acordo com pesquisas recentes, tem 85% de eficácia já na primeira dose. Daniel analisa o processo de análise da Anvisa e a atuação do Supremo para aumentar a oferta de vacinas no país. “Chama a atenção a atuação do STF, que pressupõe a incapacidade do governo federal na vacinação", diz. E diante das tratativas para permitir a compra de imunizantes pela iniciativa privada, alerta para a importância do Plano Nacional de Imunização. “No atual momento, qualquer vacina precisa ser incorporada ao PNI. Não há outra maneira de vacinar a população que não seja grátis, no SUS e em fila única”.
Em apenas um dia, o valor das ações da maior estatal brasileira caiu quase 21%. Desde que o presidente Jair Bolsonaro indicou o General Joaquim Silva e Luna à presidência da estatal, a perda foi de R$ 100 bilhões em valor de mercado. Resultado direto da interferência do presidente, feita em reação ao quarto aumento nos preços do diesel e da gasolina deste ano, empurrados pela alta internacional do petróleo. E o presidente disse que mais mudanças virão. “Bolsonaro não fará um governo liberal, não é um projeto de respeito às regras da economia de mercado, ele fará intervencionismos populistas. É o projeto dele”, afirma a jornalista Miriam Leitão, comentarista da TV Globo, colunista da Rádio CBN e do jornal O Globo. Ela é a convidada de Natuza Nery para explicar as consequências da intervenção de Bolsonaro na Petrobras. Miriam explica os movimentos do governo para viabilizar o nome de Silva e Luna no conselho da empresa, e compara as diferenças e similaridades com a política de controle de preços praticada pelo governo Dilma. “Hoje, o empresário terá que lidar com um risco Brasil 14% mais alto”, diz. E avisa: Bolsonaro se beneficia com a ação. “Ele está pensando em 2022. É uma jogada de marketing populista.”
Vítima da Covid, morreu aos 86 anos Aruká Juma, o último homem de sua etnia. Os Juma eram, até a década de 1960, mais de 10 mil, mas uma série de massacres dizimou este povo. Aruká é um dos mais de 960 índios que morreram após a contaminação pelo coronavírus. “O vírus foi levado de fora para dentro porque não há barreira sanitária e barreira de controle”, afirma a historiadora Neidinha Bandeira, pesquisadora da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, que atua na Amazônia. Neidinha Bandeira e a médica sanitarista Sofia Mendonça, professora da Unifesp e coordenadora do Projeto Xingu, são as convidadas de Natuza Nery neste episódio. Neidinha relata o desafio de levar vacinas e alimentos aos índios de uma aldeia Uru-Eu-Wau-Wau, povo irmão dos Juma: grileiros fecharam a passagem que dá acesso à Terra Indígena e o grupo de atendimento teve que ser escoltado por policiais. Ela também conta o que será das tradições da etnia após a morte de Aruká. “Diante da ameaça de extinção, os herdeiros se autodeterminaram Juma Uru-Eu-Wau-Wau. Ele passou adiante essa ideia de residência, de que o povo não pode deixar de existir”, relata. A sanitarista Sofia Mendonça explica por que nem 30% dos índios que vivem em aldeias foram vacinados, mesmo estando entre os grupos prioritários. “Falta comunicação correta e há muitas fake news, principalmente entre os jovens”. Ela sugere que se forme grupos com pessoas e organizações de confiança para levar informações corretas às aldeias.
Nos anos que antecederam a pandemia, o trajeto era só de ida: do Brasil para Portugal. Em 2019, o número de imigrantes bateu recorde, depois de três anos de alta na migração. Agora, após um janeiro trágico da pandemia e a crise econômica, centenas destes brasileiros querem voltar à terra natal. É o caso de Claudia Soares, 35 anos, que há dois se mudou com a mãe para o país europeu. Claudia é uma das entrevistadas de Natuza Nery neste episódio. "O custo de vida ficou muito elevado. Só conseguia pagar o aluguel", conta. Médica veterinária, ela conseguiu se recolocar no mercado de trabalho do Brasil, onde espera começar em 1 de março. Mas com a suspensão dos voos entre os dois países para barrar a variante brasileira do Sars-CoV-2, ela vive a insegurança de não chegar a tempo. Claudia relata a sensação de insegurança e a expectativa da volta: "quero muito pisar no meu país e me sentir acolhida". Participa também o correspondente da Globo Leonardo Monteiro. Direto de Lisboa, ele relata como Portugal foi de exemplo no combate à pandemia ao total descontrole. "O verão chegou, e todo mundo relaxou", diz. No fim de 2020, com a chegada do inverno, o número de casos e de óbitos voltou a subir. "O governo não agiu", diz. Com viagens permitidas e com festas de fim de ano, "a conta chegou. E chegou logo". Ele lembra como autoridades portuguesas ignoraram o alerta dado pelo Reino Unido sobre a variante britânica e, agora, tentam barrar a entrada da variante brasileira.
Deputado federal eleito pelo Rio de Janeiro na fase crescente da onda bolsonarista de 2018, Daniel Silveira (PSL) subiu o tom no discurso antidemocrático. Em um vídeo, sugeriu agressão física aos ministros do Supremo e fez apologia ao AI-5, instrumento de repressão mais duro da ditadura militar. Na noite de terça-feira, o deputado foi preso pela Polícia Federal a mando do ministro Alexandre de Moraes. Nesta quarta-feira, o STF foi unânime ao confirmar a legalidade da prisão - que precisa ser confirmada pelo plenário da Câmara. “O porão das Forças Armadas nunca aceitou a abertura democrática. Hoje, esse porão é formado por aqueles que afrontam as instituições e o Estado democrático de direito e está abrigado sob as asas do presidente da República. É o caso do deputado Daniel Silveira”, afirma Maria Cristina Fernandes, colunista do jornal Valor Econômico e comentarista da CBN. Ela é a convidada de Natuza Nery neste episódio. Maria Cristina explica como o enfrentamento ao bolsonarismo radical une o Supremo, dividido pelas reações à Lava Jato. E detalha as consequências da prisão para a relação entre Jair Bolsonaro e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). “Se Lira acolhe a prisão, afeta seus planos de desidratar as instituições de controle da corrupção. E se rejeita, estará afrontando o Supremo, onde é réu”, analisa. “Para Bolsonaro, Daniel Silveira prestou um baita serviço. É uma novela que vai desviar as atenções do que realmente importa, a condução da pandemia e o futuro do Brasil”.
Um mês depois do alívio pelo início da imunização, agora capitais param a campanha por falta de doses. E justo no momento em que uma variante mais transmissível da Covid-19 se espalha pelo país. Qual o risco de interromper a campanha agora? "Estamos perdendo a oportunidade de salvar vidas", diz o infectologista Julio Croda, um dos convidados de Natuza Nery neste episódio. Croda, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz e professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, ele pontua como desmobilizar a população para ir se vacinar pode ser prejudicial. E aponta qual deveria ser a meta de vacinação diária: "Precisamos atingir no mínimo 500 mil, 1 milhão de pessoas por dia". Participa também a jornalista Flávia Oliveira, comentarista da GloboNews que esmiúça quantas doses o Brasil já recebeu e quantas estão prometidas. "A estratégia [de diversificar a compra de vacinas] deveria ter começado no segundo semestre do ano passado e não ao fim do primeiro trimestre de 2021”, diz. Ela analisa a atuação do Ministério da Saúde. “O tempo da ciência é soberano e agora a política quer se impor à ciência. Isso não pode acontecer”, afirma.
Enquanto o governo federal ainda encontra dificuldade para fazer avançar seus planos de liberação ampla e irrestrita da atividade mineradora, dois Estados da região Norte vão tentando atalhos. Rondônia autorizou o uso de dragas e balsas para retirar minérios de seus rios. E Roraima foi mais longe: legalizou a exploração, sem necessidade de estudos prévios, em terras estaduais. E com um agravante que vai na contramão de compromissos internacionais assumidos pelo Brasil: a utilização de mercúrio. Substância que “contamina os rios, os peixes e as pessoas”, descreve James Alberti, jornalista do Fantástico que é um dos convidados deste episódio. Participante de uma investigação internacional que traçou a rota do contrabando de mercúrio aqui e em países vizinhos, Alberti identifica as duas portas de entrada, Bonfim (RR) e Guajará-Mirim (RO) e explica: “O garimpo clandestino não é mais como antigamente, é uma estrutura milionária. Usam máquinas de R$ 700 mil, R$ 2 milhões, e cooptam falsas lideranças para entrar em áreas protegidas”. O outro convidado é o procurador Edson Damas, do Ministério Público de Roraima, que começa por esclarecer a ficção de que o garimpo se daria em terras estaduais: na verdade, o que existe para ser extraído está principalmente em terras indígenas. Ele analisa a inconstitucionalidade da lei, já sob contestação no Supremo: ela trata de “bens da União e invade competência exclusiva da União”.
Uma das maiores festas populares do mundo é também, para milhares de brasileiros, trabalho duro, que se estende pelo ano inteiro. Limitados pela Covid-19, eles foram à luta. Os bonecos gigantes de Leandro Castro este ano não desfilarão pelas ruas do Recife e de Olinda, mas serão vistos em exposição, e com novidades: “Não poderia faltar homenagem à classe guerreira de médicos e enfermeiros", ele diz. À frente de um projeto voltado para a inclusão de jovens em São Paulo, a percussionista Silvanny Sivuca viu no bloco online a chance de manter o grupo coeso: “É a maneira que a gente encontrou de alimentar o coração de nossos batuqueiros, que na pandemia foram salvos pela música”. Em Salvador, Bira Jackson colocou suas três décadas de Olodum em modo de espera e foi trabalhar como motorista de aplicativo para sustentar a família: “As contas não param de chegar, e não estamos fazendo shows”. Os três, que contam suas histórias neste episódio, têm em comum a esperança na vacinação em massa como único e verdadeiro passaporte para a volta da folia.
O rearranjo de forças produzido pela troca de comando no Congresso mandou o impeachment para o freezer e favoreceu a reedição do confronto do segundo turno de 2018, enfraquecendo a postulação de diversos nomes que transitam do centro à direita do espectro político. “Foi o campo mais ferido”, diz Bernardo Mello Franco, um dos convidados de Renata Lo Prete. E não aconteceu por obra do acaso, completa Carlos Andreazza, que assim como Bernardo é colunista do jornal O Globo e também participa do episódio: “Desarticular, engessar o tabuleiro e garantir a polarização foi uma jogada clara de Bolsonaro”. A partir desta conclusão inicial, eles debatem a luta interna de siglas como DEM, PSDB e MDB. E também o movimento de Lula, que, com quase dois anos de antecedência, acaba de ungir Fernando Haddad para ser novamente o candidato do PT ao Planalto. A dupla avalia também quanto espaço resta para o surgimento de novos nomes e que fatores ainda podem desestabilizar o cenário que o presidente considera o mais favorável para sua reeleição.
É a questão da hora: em que medida os imunizantes disponíveis contra a Covid-19 respondem às três novas e mais contagiosas versões do coronavírus identificadas, respectivamente, no Reino Unido, na África do Sul e no Brasil. Entrevistado por Renata Lo Prete neste episódio, o biólogo e divulgador científico Atila Iamarino começa por explicar as características dessas mutações e por que apareceram a esta altura da pandemia: “Teve tempo suficiente para o vírus mudar, e mudar na presença da imunidade de quem já se curou. E conseguir escapar dessa imunidade". Lembra ainda o traço comum aos países onde elas surgiram: nos três o contágio está fora de controle. Ele detalha a tecnologia de diferentes vacinas em uso no mundo para mostrar quais têm, em teoria, melhores condições de funcionar contra as variantes. E diz que esse processo não é desconhecido: “O vírus da gripe é assim, muda todo ano. Todo ano tem duas reuniões da OMS com o mundo inteiro discutindo para onde mirar a vacina da gripe". Sem deixar de lado a urgência de fazer a vacinação avançar no Brasil, Atila destaca que ela não elimina a necessidade de investir em testes, rastreio e medidas de contenção. “Se a gente contar só com a imunização, estaremos dando força para o vírus mudar e escapar da vacina”.
Desde o início do ano, a Petrobras já reajustou duas vezes o preço do diesel e três o da gasolina. Os caminhoneiros estão insatisfeitos. Jair Bolsonaro, que tem na categoria uma importante base de apoio, também está. E o mercado se preocupa com a nova política de preços da estatal, que amplia o prazo para acomodar as oscilações do mercado internacional. Além de carregar os traumas do intervencionismo (governo Dilma) e de uma greve de caminhoneiros que parou o país e derrubou o PIB (governo Temer). Neste episódio do podcast, Renata Lo Prete conversa com Álvaro Gribel, repórter do jornal O Globo, que detalha a formação do preço dos combustíveis e prevê outros aumentos para breve: “A empresa ainda não conseguiu zerar sua defasagem”. Ele analisa o fator câmbio, o impacto sobre a inflação e a ideia, ventilada por Bolsonaro, de resolver o problema reduzindo o ICMS, imposto que sustenta os Estados. “A solução proposta não é uma solução”. O mesmo pensa Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados. “Estamos em uma crise profunda, e a arrecadação este ano será frágil para Estados e União. Não tem espaço fiscal para cortar impostos”, afirma. Vale aposta num cenário de alguma acomodação do governo com os caminhoneiros, mas sem interferência na Petrobras. E num avanço modesto da agenda econômica do governo no Congresso, sem reformas de grande impacto.
A população mundial já protegida contra a Covid-19 é ínfima (0,5% do total) e concentrada em países ricos. Eles, que abrigam cerca de 16% dos habitantes do planeta, abocanharam 60% das doses até aqui disponíveis. Os demais “ficaram com uma espécie de xepa” de vacinas como as das farmacêuticas Pfizer, AstraZeneca e Moderna. A imagem é da economista Monica de Bolle, professora na Universidade Johns Hopkins, com especialização em imunologia e genética pela Escola de Medicina de Harvard. Em conversa com Renata Lo Prete neste episódio, Monica explica que, no vácuo deixado pelas compras desenfreadas dos ricos, três países entraram em cena com imunizantes próprios e vontade de ampliar seu papel: Rússia, China e Índia. “São eles que estão atuando para a cooperação global, claro que pensando também nos próprios interesses". Papel ainda mais estratégico, lembra a economista, quando se verifica que o consórcio coordenado pela OMS nem de longe dará conta de suprir as necessidades dos países menos bem posicionados na corrida da vacinação. Para o Brasil, que precisa - e muito - das vacinas de seus parceiros de BRICS, pode haver outra oportunidade: ainda dá tempo de o país se posicionar neste mercado, usando sua experiência de produção e imunização em larga escala.
Desde 1995, segundo dados oficiais, mais de 55 mil pessoas foram libertadas de situações análogas à escravidão no Brasil. A maioria estava no campo, mas o crime ocorre também nas cidades, com uma frequência que chama a atenção das autoridades envolvidas nos flagrantes. No caso mais recente a ganhar destaque no noticiário, uma mulher de 63 anos passou quatro décadas a serviço de uma família que, além de submetê-la a condições humilhantes, ficava com toda a sua suposta remuneração -inclusive o auxílio emergencial da pandemia. Os responsáveis "tiram as referências da vítima e se aproveitam disso", explica Alexandre Lyra, auditor fiscal do trabalho que participou dessa operação de resgate, num bairro do Rio de Janeiro que se chama Abolição. Com base em longa experiência, ele enumera o que precisa ser feito para mudar esse vergonhoso quadro: “O tripé do enfrentamento precisa funcionar. Prevenção, repressão e reparação do dano, com punição do empregador". Lyra, porém, não consegue se lembrar de nenhum que tenha sido preso. A outra entrevistada neste episódio é a psicóloga Yasmim França, que integra o Projeto Ação Integrada, desenvolvido pelo Ministério Público do Trabalho em parceria com a Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro. Ela descreve o processo de infantilização das vítimas, que muitas vezes ignoram seus direitos mais básicos, e os sentimentos conflitantes quando encontradas pela fiscalização: “Carinho, raiva, indignação e culpa se misturam". Yasmin destaca ainda o quanto o panorama geral de desemprego e precarização do trabalho dificulta a reinserção dessas pessoas na sociedade.
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Comments (412)

Mário Takazaki

Como Bozonazi acabou com uma etnia. Utilizou a Covid-19 para isso. O nome disso é genocídio.

Feb 22nd
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Cinthya Di Paula Ramos da Silva

.

Feb 16th
Reply (1)

Mário Takazaki

Escravizar é revoltante. É um crime dos mais perversos.

Feb 8th
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Ju

Identidade Digital em um país em que boa parte da população não tem acesso à internet, computadores....

Feb 5th
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Paulo Lavigne

Entendi. Caixa Tem. Mas é só para quem tem conta na Caixa? O podcast deixou a desejar nessa parte.

Feb 4th
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Paulo Lavigne

Onde ela disse para fazer o cadastro? Caixa Ten? Deviam ter repetido a informação. Não entendi.

Feb 4th
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Bruno de Carvalho Silva

muito obrigado, Renata. Muito obrigado toda equipe do podcast Assunto. Eu quero guardar este podcast para mim. O podcast me informou e me machucou bastante. Os podcasts do Assunto sobre a pandemia deverá, necessariamente, registrado nos livros de história. Renata, por meio dos sons, senti sua voz embargar.

Feb 2nd
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Rafael Ribeiro

Depoimento forte sobre uma realidade dura.

Feb 1st
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Mário Takazaki

Impossível não chorar.

Feb 1st
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Mário Takazaki

Aqui no Brasil o capitalismo é mais selvagem. Morde e mata mais.

Jan 27th
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Mário Takazaki

Aqui no Brasil o capitalismo é mais selvagem. Morde é mata mais.

Jan 27th
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Sandro Massaru Ueki

E achávamos que tendo a vacina o pesadelo terminaria

Jan 20th
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Romario Fernandes

esse podcast já passou do limite do ridículo, chega a ser Ilário esses assuntos de vocês. Como que colocaram "derretimento" se a poucos meses atingimos o maior PMI da história.

Jan 13th
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Sandro Massaru Ueki

Até dia 20 pode acontecer muita coisa ainda, acredito que o Trump ainda vai tentar algo

Jan 12th
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Denizio ABrasil

As vacinas - independente da taxa % de eficácia, todas evitam a gravidade e a internação pela doença em caso de contaminação pelo Covid. Claro que o importante é não pegar o vírus, porém uma vacina com baixa eficácia evita a internação e o colapso e a falta de UTIs que vemos no Brasil

Jan 4th
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Nahin Alexandre

👏🏾

Dec 31st
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Mário Takazaki

Gabinete do ódio, QG da PROPINA. Quando a direita toma o poder até seus "títulos" são de inspiração militar.

Dec 23rd
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Mário Takazaki

E temos um presidente que debocha das dores dos brasileiros. Uma gripezinha? Bah!

Dec 19th
Reply (3)

Júlio Cézar

🐗🦄gĺxx2sCeçezceecced3🐏🐏🐏🐏mdźzx

Dec 9th
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Júlio Cézar

🐗🦄xx2sCeçezceecced3🐏🐏🐏🐏mdźzx

Dec 9th
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