DiscoverOxigênio
Oxigênio
Claim Ownership

Oxigênio

Author: Oxigênio

Subscribed: 849Played: 15,344
Share

Description

Podcast e programa de rádio sobre ciência, tecnologia e cultura produzido pelo Labjor-Unicamp em parceria com a Rádio Unicamp. Nosso conteúdo é jornalístico e de divulgação científica, com episódios quinzenais que alternam entre dois formatos: programa temático e giro de notícias.
156 Episodes
Reverse
A agropecuária é uma atividade de extrema importância para a sobrevivência humana e para a economia do Brasil. No entanto, com o agravamento das mudanças climáticas, a segurança alimentar de grande parte da população mundial pode estar em risco. Por isso, entenda como funciona a produção de alimentos na porteira para dentro (nas fazendas) e seus impactos na porteira para fora (com os consumidores) e descubra como a ciência continua buscando alternativas sustentáveis para garantir um futuro com mesas fartas para todos.  A série Escuta Clima é produzida pela Camila Ramos e está ligada ao curso de Especialização em Jornalismo Científico do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) e ao Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (Nudecri) da Unicamp. O projeto tem o objetivo de divulgar as pesquisas e pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Mudanças Climáticas (INCT-MC) e é apoiado pela bolsa Mídia Ciência da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).  ----------------------------------------------------------------------------------------------------------------   Camila Ramos: Café, milho, arroz, feijão, soja, girassol, mandioca e frutas de clima temperado, como pêssego e uva, são alimentos que estão em risco por causa do aquecimento global. Risco é uma palavra importante quando falamos sobre a agricultura, isso porque é dependente dos recursos naturais, ou seja, qualquer alteração no clima pode afetar as condições do solo, da temperatura, da disponibilidade de água, prejudicando a safra da estação. Portanto, quando pensamos em um futuro com, pelo menos, 1,5ºC a mais na temperatura global, pensamos também em mais pessoas em situação de vulnerabilidade. Além disso, se não for bem planejada, com consciência ambiental, a atividade pode causar mais danos ao clima. No episódio de hoje, vamos conversar com pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Mudanças Climáticas para entender como a produção de alimentos pode se tornar mais sustentável nos próximos anos e, ao mesmo tempo, garantir uma maior segurança alimentar. E entre as medidas sustentáveis estão a agrofloresta e a recuperação de áreas de pastagens degradadas, que são áreas de pesquisas dos nossos entrevistados: o Jurandir Zullo Junior, que é pesquisador do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura, o CEPAGRI, da Unicamp; a Priscila Coltri, que é agrônoma, pesquisadora e diretora do CEPAGRI; e o João Paulo, que é engenheiro agrônomo e doutorando da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp. Eu sou Camila Ramos e você está ouvindo o Escuta Clima. Um podcast para divulgar as pesquisas do INCT Mudanças Climáticas, que é vinculado ao Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp, o Labjor. O Escuta Clima é também uma seção da revista ClimaCom e Rede de Divulgação Científica e Mudanças Climáticas. [Vinheta do podcast Escuta Clima] Camila Ramos: Segurança Alimentar é definida como uma situação em que todas as pessoas, a todo momento, têm acesso físico, social e econômico a alimentos nutritivos, seguros e suficientes para as suas necessidades diárias e preferência alimentar para uma vida ativa e saudável. Essa é uma definição da FAO (Food and Agriculture Organization), que é um braço das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura. Ainda segundo a ONU, devemos chegar ao número de 9,7 bilhões de pessoas no planeta até 2050 e cerca de 11 bilhões até o final do século. Essa foi a conclusão do relatório intitulado Perspectivas Mundiais da População de 2019. Nesse cenário, será que conseguimos garantir uma segurança alimentar para toda essa população? O Jurandir responde essa questão: Jurandir Zullo Junior: Olha, garantia é difícil, porque o desafio da segurança alimentar não é só a produção, é a distribuição e o acesso ao alimento. Na verdade, a alimentação não é só produzir o alimento, é, de alguma forma,
O tema deste quinto episódio do Casa de Orates é a saúde mental de pessoas afetadas por tragédias. Como seguir a vida após uma grande catástrofe? Que tipo de suporte essas pessoas precisam? Para explicar um pouco sobre toda a estrutura de apoio psicológico presente nesses cenários, trouxemos alguns eventos que marcaram a história do Brasil na última década: o incêndio na boate Kiss, o rompimento da barragem em Brumadinho e a queda do avião da Chapecoense. Além da perda de pessoas queridas, os afetados ainda têm que lidar com a impunidade, já que todas essas tragédias foram consideradas crimes e os processos seguem em aberto.  Conversamos com Melissa Couto, psicóloga especialista em emergências e desastres, que atuou nessas tragédias, e com Maria Carolina da Silveira Moesch, psicóloga e coordenadora do curso de psicologia da Unochapecó, que integrou  o comitê gestor da resposta ao acidente aéreo da Chapecoense. Também participam  deste episódio Letiere Flores, psicóloga que fez um estudo sobre os psicodiagnósticos dos sobreviventes da boate Kiss e André Polga, produtor editorial que criou a página Kiss: que não se repita. Contamos ainda com o depoimento de Natalia Oliveira, irmã de Lecilda Oliveira, uma das vítimas do rompimento da barragem em Brumadinho.  Conheça mais sobre as associações, grupos de apoio e iniciativas citadas neste episódio: Associação dos familiares de vítimas e atingidos pelo rompimento da barragem Mina Córrego do Feijão (Avabrum):  https://avabrum.org.br/; Redes sociais: @Avabrumoficial (Facebook). Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Vôo da Chapecoense (AFAV-C): Redes sociais: @AFAV.c2017 (Facebook) Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM):  Redes sociais: @AVTSMSantaMaria (Facebook), @avtsm27 (Instagram).  Kiss: que não se repita: Redes sociais: @Kissquenaoserepita (Facebook e Instagram). Programa Santa Maria Acolhe (antigo Acolhe Saúde): mais informações diretamente com a Prefeitura de Santa Maria, no telefone: (55) 3921-7000 _________________________________________ Roteiro RAFAEL REVADAM: Oi. Antes de começar eu preciso dar um recado: nesse episódio, a gente vai tratar de temas sensíveis como grandes tragédias, luto e perda de pessoas queridas. Então, se você não se sente confortável com esses assuntos, talvez esse episódio não seja para você.  NATALIA OLIVEIRA: Eu sou a Natália, irmã da Lecilda, uma das vítimas né, fatais do crime da Vale aqui em Brumadinho. E... no dia do acontecido, eu mandei mensagem pra ela porque era uma sexta-feira. Eu tava assistindo uma série e, de repente, chegou a mensagem no WhatsApp. É... a barragem rompeu. E aí eu encaminhei essa mensagem pra Lecilda. Aí, a segunda mensagem chegou. É a barragem da Vale. Aí eu mandei a mensagem pra ela. Aí, a terceira mensagem que chegou falando assim: É em Córrego Feijão. Aí, quando eu li a palavra Córrego Feijão, eu já liguei pra Lecilda e nesse momento eu percebi que as duas mensagens que eu tinha mandado pelo WhatsApp ela não tinha recebido. Só tava um pauzinho. Aí eu mandei um áudio pra ela no WhatsApp, Lé me liga, pelo amor de Deus! E saí igual uma louca aqui de casa e comecei essa procura pela minha irmã e essa procura tá até hoje. A gente nunca tinha imaginado que poderia acontecer uma tragédia. A gente vê a tragédia na televisão, a gente nunca pensou em estar dentro de uma tragédia, de fazer parte de uma. ANA AUGUSTA XAVIER: Tragédia, substantivo feminino: Acontecimento triste, funesto, catastrófico, que infunde terror ou piedade.  RAFAEL REVADAM: A história de todos nós carrega pequenas tragédias pessoais que nos marcam pela vida toda. Um acidente de carro, uma doença grave, um mal súbito. Acontecimentos inesperados que nos fazem perder o rumo e tiram o nosso chão.  ANA AUGUSTA: Mas também existem tragédias de grandes proporções, que além de afetar individualmente a vida de cada um,
A série Tá em Alta aborda assuntos ligados à inovação, tecnologia e empreendedorismo, e nesse segundo episódio fala sobre tecnologia. E sobre isso, a Thais Oliveira fez uma retrospectiva histórica, na verdade pré-histórica, pra falar da origem da tecnologia. Quem vai ajudá-la a tratar do tema, mais especificamente sobre a relação entre a tecnologia e seu impacto na vida das pessoas, é a Daniela Osvald Ramos, professora e pesquisadora do departamento de comunicações e artes da ECA-USP. Ouça o novo episódio e acompanhe toda a série por aqui ou pela plataforma de  podcast de sua preferência. ____________________________ Roteiro Thais Oliveira: Olá, pessoal. Sejam bem-vindas e bem-vindos ao segundo episódio do podcast Tá em Alta. Meu nome é Thais Oliveira e nesse podcast, nós pretendemos tratar de assuntos relacionados à inovação, tecnologia e empreendedorismo de uma forma simples e explicativa. O nosso objetivo é falar sobre assuntos que tão muito em alta e são muito debatidos em escolas, universidades e até na tevê, mas muitas vezes são tratados de uma forma superficial. A nossa ideia é pegar esses assuntos e discutir, na prática o que eles significam. No nosso segundo episódio, nós vamos falar sobre tecnologia. Tecnologia é uma palavra que tá em alta atualmente, mas que na verdade nunca saiu de cena.  E por isso nesse episódio, eu vou comentar não só sobre como as tecnologias mudaram o mundo, mas também comentar sobre as suas aplicações na sociedade e falar um pouco também sobre as suas relações com a ciência. Pra começar o assunto, eu trouxe a origem da palavra tecnologia. Ela vem do grego, techné, um verbo que significa fabricar, produzir, ou construir que se une ao sufixo logia que também vem do grego logus, que quer dizer razão. Então, tecnologia significa a razão do saber fazer. Não é novidade que a tecnologia está em todo nosso redor, e ela está presente desde a idade da pedra, moldando as relações sociais, econômicas e até políticas do homem. Para nós conhecermos um pouco sobre esse desenvolvimento tecnológico, eu convido vocês para fazermos uma viagem no tempo. Nosso ponto de partida são os períodos paleolítico e neolítico, que duraram de cerca de 2,7 milhões de anos até 4.000 anos atrás. Nessa época a tecnologia tinha somente o objetivo de atender somente as necessidades do homem nômade. E esse homem nômade, ele não usava a tecnologia com base em pesquisa ou conhecimentos científicos, como a gente pode imaginar, né? Mas ele usava a partir experiências do dia a dia. E aí, ele criava lanças, machados, coisas para ele subsistir. Quando o homem se fixou na terra, ele passou a desenvolver outras ferramentas, como o arado e a roda. E a roda pode ser considerada também uma inovação. Se você quiser saber quando uma tecnologia, um equipamento, enfim é de fato uma inovação, você pode conferir o primeiro episódio da série Tá em Alta que fala sobre inovações.  Dado o recado, vamos seguindo aqui na nossa viagem no tempo. O próximo período que a tecnologia se firmou foi na idade média, já no regime do feudalismo, que era um regime rural que se baseava na forte obrigação entre servos e senhores feudais. A tecnologia nessa época esteve presente dentro dos feudos através dos artesanatos e o desenvolvimento tecnológico que aconteceu nessa época foi a partir dos teares manuais e das máquinas de costura. Só que como a gente sabe pelos registros históricos, o sistema feudal começou a fracassar e, assim, essa atividade artesanal que era realizada dentro dos feudos migrou para as cidades, e é dentro das cidades que a tecnologia começa a ter um objetivo diferente. Isso porque ela começa a ser mais atrelada a relações sociais e econômicas. Tudo isso se tornou mais forte lá por volta de 1650 quando doutrinas como iluminismo, absolutismo e mercantilismo resultaram na primeira revolução industrial. E esse é um grande marco para a tecnologia porque foi na revolução que ela viveu s...
A perfeição pode ser um problema. Utopia e distopia não são tão diferentes assim. Uma sociedade perfeita é um perfeito pesadelo. Essas afirmações (que podem parecer desconcertantes à primeira vista) são discutidas neste quarto - e último - episódio da série Leitura de Fôlego. Carlos Eduardo Ornelas Berriel tem se dedicado a estudar as utopias literárias há mais de 20 anos e, nesse episódio, ele conversa com a gente sobre esse assunto. Leitura de Fôlego é uma série sobre literatura para o Oxigênio. Quem está à frente desse projeto é a Laís Souza Toledo Pereira, com supervisão e edição de Simone Pallone e trabalhos técnicos de Gustavo Campos e de Octávio Augusto Fonseca. Quem ajuda na divulgação do podcast é a Helena Ansani Nogueira. _________________________________ Laís: Oi! Eu sou a Laís Toledo, e esse é o quarto e último episódio da “Leitura de fôlego”, uma série sobre Literatura no Oxigênio. Carlos Berriel: Uma sociedade perfeita são perfeitos pesadelos, porque ela elimina aquilo, a última coisa a ser eliminada do mundo, que é o indivíduo. Pode eliminar tudo, menos o indivíduo, porque, se você eliminar o indivíduo, aí já está tudo eliminado, não tem mais nada. Laís: Utopia. Essa palavra, inventada a partir do grego, quer dizer “não lugar”, “o que não está em lugar nenhum”. A gente fala de utopia normalmente pra se referir a um lugar ou a uma sociedade onde tudo é perfeito. Ou também para se referir a uma situação que tende a não se realizar, um sonho inalcançável. Então, por que será que uma sociedade perfeita seria um perfeito pesadelo? Por que ela eliminaria os indivíduos? Nesse episódio, a gente vai conversar sobre a utopia, que já nasce cheia de contradições e ambiguidades e que não é assim tão diferente da sua filha mais popular hoje em dia, a distopia. Quem conversa com a gente sobre esse assunto é o Carlos Eduardo Ornelas Berriel. Ele é professor e pesquisador do Instituto de Estudos da Linguagem, o IEL, da Unicamp. Faz mais de 20 anos que ele tem se dedicado ao tema das utopias literárias. Ele é fundador e editor da Revista Morus – Utopia e Renascimento e dirige o Centro de Estudos Utópicos da Unicamp, chamado U-TOPOS. O Berriel também é membro de várias sociedades científicas internacionais voltadas para o problema utópico e tem se dedicado à tradução, ao estudo e à publicação de utopias italianas.      Laís: A gente tem esse uso cotidiano da palavra utopia, de situação perfeita ou inalcançável, mas o Berriel me contou que, pra quem estuda esse tema, a utopia ainda está em definição. Berriel: A utopia é um campo de reflexão atual. Nunca se estudou tanto utopia como agora. Na verdade, a utopia começa a ser estudada só no século XX e é mais ou menos por etapas; assim, tem uma época em que se estuda e depois se larga. E, de uns trinta anos pra cá, é uma fase de grandes estudos sobre utopia. E muita produção, muito centro de pesquisa, publicações, traduções. Nunca se estudou tanto, o que é interessante. Laís: Apesar de os estudiosos desse campo estarem promovendo várias discussões para tentar definir a utopia, o Berriel, que é mais ligado à área da literatura, falou sobre a visão dele de utopia como um gênero literário, um tipo de texto.  Berriel: Eu vou dizer o que eu acho. Eu acho que utopia é um gênero literário, que tem determinadas características muito específicas. É um gênero literário que nasce com a sociedade moderna, a sociedade burguesa. E ela tem, enquanto, digamos assim, características de gênero, a utopia é muito próxima ou é mesmo uma sátira, é uma sátira política. Ao ser uma sátira, ela tem uma característica desse gênero, que é um gênero antigo, que se renova, que se refaz, como os gêneros literários vão se refazendo com o tempo, atendendo às demandas de cada época. A sátira tem por característica ser um gênero de períodos de grande fratura histórica, de grandes transformações sociais, como, por exemplo, a sátira; ela tem uma ligação direta com a crise da sociedade romana....
O primeiro episódio da série Tá em Alta trata sobre inovação. No programa, foi discutido seu significado, quando de fato um produto ou empresa pode ser considerada inovadora e quais são os tipos e categorias de inovação que são encontrados tanto na rotina das pessoas quanto na indústria. O podcast contou com a participação da Eliza Coral, especialista em gestão estratégica de inovação e gerente executiva do Instituto Euvaldo Lodi de Santa Catarina, que apresentou exemplos de inovação que não tenham relação com o meio digital como a rede Starbucks e explicou como que o "inovar" pode ocorrer de forma individual.
No episódio anterior, descobrimos como a desigualdade social afeta determinados grupos urbanos durante a iminência de um desastre natural. No episódio de hoje, vamos identificar quem faz parte desses grupos mais vulneráveis e como os eventos extremos no Brasil afetam suas saúdes e os colocam em risco de morte. É importante lembrar, também, que tais eventos de ordem climática são intensificados pelo aquecimento global e ficarão mais fortes e frequentes a cada ano.  A série Escuta Clima é produzida pela Camila Ramos e está ligada ao curso de Especialização em Jornalismo Científico do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) e ao Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (Nudecri) da Unicamp. O projeto tem o objetivo de divulgar as pesquisas e pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Mudanças Climáticas (INCT-MC) e é apoiado pelo programa Mídia Ciência da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).    ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Roteiro Camila Ramos - A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas, que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação. Esse é o artigo 196 da atual Constituição brasileira. No episódio anterior e a primeira parte do tema de Vulnerabilidade, que você encontra nessa mesma plataforma que nos ouve agora, vimos que a desigualdade social é um fator determinante da vulnerabilidade humana frente ao risco de um desastre natural. O Alberto Najar, que é sociólogo e pesquisador titular da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz, resume bem o assunto: Alberto Najar - Risco e vulnerabilidade são conceitos que só podem ser compreendidos levando em consideração diferentes contextos histórico-sociais e as diferentes disputas de paradigmas das áreas científicas que as desenvolveram. Portanto, dependendo do ponto de vista, sob risco podem estar grande parte das populações e das comunidades que vivem em situação de vulnerabilidade, principalmente em grandes centros urbanos. A exposição ao risco ou a existência de vulnerabilidade é produto dos modelos econômicos que prevaleceram desde a metade do século XX, e que acentuaram as desigualdades econômica e sociais, aumentando a pobreza e expulsando significativa parte da população para as periferias urbanas, áreas essas que foram gradativamente ocupadas de forma desordenada, o que gerou não apenas problemas ambientais de diversas ordens, mas também a intensificação de situação de risco geradas por ameaças ou processos naturais, que são potencializados pelos eventos extremos decorrentes, por exemplo, das mudanças climáticas”. Camila Ramos - Também vimos no episódio anterior que existem diversos estudos voltados a descobrir quem são as pessoas sob risco. Como é o caso da pesquisa conduzida pela Regina Alvalá e colaboradores, que estimaram com base em análise para 825 municípios do Brasil que a cada 100 habitantes, nove viviam em áreas de riscos de desastres. A Regina é pesquisadora e coordenadora de Relações Institucionais do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o Cemaden, e foi uma das entrevistadas. Essas pesquisas ajudam a subsidiar a gestão de riscos e respostas a desastres e são relevantes para subsidiar, também, políticas públicas que têm o objetivo de melhorar a qualidade de vida da população e são extremamente importantes para tornar uma cidade mais resiliente. Afinal, os eventos climáticos extremos estão ficando mais intensos e frequentes a cada ano, intensificados pelo aquecimento global. Como indica o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. Então, no episódio de hoje iremos continuar o assunto de Vulnerabilidade, identificando quem são as pessoas que vivem em áreas ...
No quarto episódio do Casa de Orates, falamos sobre como a pandemia do novo coronavírus afetou e está afetando a nossa saúde mental. Os especialistas alertam para um tsunami de transtornos mentais decorrentes desse caos que estamos vivendo e que tem despertado inúmeros sentimentos difíceis de lidar, como medo, raiva, estresse e solidão. Além do medo da doença, a pandemia nos trouxe inúmeros desafios, como o trabalho remoto, a suspensão de aulas e de atividades presenciais, a deterioração da situação socioeconômica com perda do emprego ou redução de salário, entre muitos outros. Conversamos com Caio Maximino, professor de psicologia experimental da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, que integra o Núcleo de Estudos Psicossociais em Saúde da universidade, e com Rosana Onocko, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, e coordenadora da residência multiprofissional em saúde mental. Eles falaram sobre os efeitos do distanciamento físico na saúde mental e deram dicas do que fazer se percebermos que a sobrecarga de emoções está nos afetando. Também lembraram dos profissionais que são mais afetados emocionalmente pela pandemia e explicaram as possíveis razões que levam algumas pessoas a furar a quarentena e a negar a relevância do coronavírus. Esse episódio contou com sonoras dos telejornais da TV Cultura, da TV Brasil, da Record e da Bandnews, e foram retiradas de seus canais no YouTube. Os depoimentos são de amigos e familiares, que contaram um pouco do que viveram durante a pandemia.  O episódio “Cientistas e filhos em tempos pandêmicos” citado neste programa está disponível em: .  Algumas sugestões de serviços de apoio psicológico são: Página do Facebook Cuidando de você na pandemia, disponível em: Humanidades 2020, vários psicólogos se uniram para construir um canal de atendimento aberto e direto. Os voluntários do projeto disponibilizam seus números de telefone e quem quiser ser atendido pode falar direto com eles por WhatsApp. Ana Luiza Novis, (21) 99609-9346, e a Laura Machado, (21) 98820-6989, são as psicólogas responsáveis. Plantão Psicológico Online do Núcleo de Estudo, Pesquisa e Atendimento em Psicologia da Universidade Metodista (NEPAP). Disponível em: . O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias. Disponível em: . Créditos da imagem: Mark Harpur (@luckybeanz/Unsplash) _____________________________ Roteiro ROBERTA BUENO: Oi. Antes de começar eu preciso dar um recado: nesse episódio, a gente vai tratar de temas sensíveis como luto e perda de pessoas queridas. Então, se você não se sente confortável com esses assuntos, talvez esse episódio não seja para você.  Manchetes Informação importante: a OMS acaba de declarar pandemia por causa do coronavírus! Quem tá acompanhando e tem mais informações é a editora internacional aquí da Band News, Beatriz Ferreti. Fala Beatriz! Olá, boa tarde! Estamos de volta com o Governo Agora. A Organização Mundial de Saúde declarou hoje pandemia do novo coronavírus. Segundo a a OMS, são mais de 118 mil casos da doença no mundo. O avanço do coronavírus pelo mundo fez a Organização Mundial da Saúde declarar a doença como pandemia. Segundo a OMS, o número de infectados, mortes e países atingidos deve aumentar… ANA AUGUSTA: No momento em que escutou esse anúncio, lá no dia 11 de março de 2020, você imaginou tudo o que viria pela frente? Eu, com certeza, não. Trabalho na Unicamp e, quando as atividades presenciais foram suspensas,
Neste terceiro episódio da Série Leitura de Fôlego, Lúcia Granja, professora do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Unicamp, fala sobre sua pesquisa relacionada ao silenciamento da mulher em obras literárias brasileiras. Os autores estudados têm um perfil muito semelhante, são, em maioria, homens, brancos, e vivem no Rio de Janeiro e em São Paulo. Através de seus personagens homens, em geral os narradores das histórias que ao contarem sobre algum conflito pelo qual passam ou passaram, tentam omitir a voz da mulher em relação ao acontecimento narrado, sem muito sucesso. Lúcia vem estudando esse tema há quase 30 anos e neste podcast ela conta para a Laís Toledo, algumas passagens de obras importantes, e vai analisando justamente esse aspecto encontrado na literatura brasileira.  _________________________   Laís Toledo: Oi! Eu sou a Laís Toledo, e esse é um episódio da “Leitura de fôlego”, uma série sobre Literatura pro Oxigênio. Laís: Um homem e uma mulher formam um casal. Por algum motivo, acontece um conflito entre eles, e esse relacionamento acaba. O homem, depois, resolve contar esse conflito. Com isso, ele procura dar um novo significado pra própria vida e, ao mesmo tempo, silenciar, omitir, a voz da mulher em relação ao que aconteceu entre os dois. Mas, de alguma forma, a voz dessa mulher consegue escapar e aparecer na história... A Lúcia Granja, que conversa com a gente nesse episódio, percebeu que esse modelo de narrativa se repete em algumas importantes obras literárias brasileiras. Partindo do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, a nossa conversa passa por Graciliano Ramos, Guimarães Rosa, Raduan Nassar até chegar a um escritor contemporâneo, o Marcelo Mirisola. A Lúcia é professora e pesquisadora do Instituto de Estudos da Linguagem, o IEL da Unicamp. Ela pesquisa principalmente a obra do Machado de Assis; em especial, as crônicas desse escritor e as relações entre Literatura e Jornalismo na produção dele.  Laís: A Lúcia propõe essa análise sobre o silenciamento feminino como uma linha de força na ficção brasileira. Ou seja, como um tema recorrente. Ela desenvolveu essa análise a partir do conhecimento que tem sobre o Machado de Assis e a partir também de pesquisas didáticas que ela vem fazendo há quase 30 anos para oferecer disciplinas, na universidade, sobre Literatura brasileira. Pra começar a conversa, então, eu pedi pra Lúcia explicar essa leitura que ela faz.       Lúcia Granja: Eu acabei percebendo que existe pelo menos um modelo inicial que vai se desdobrar no século XX em termos de romance:  um homem que narra o conflito amoroso (um homem, portanto, que é um narrador personagem), que, depois de ter vivido uma situação traumática de conflito amoroso, vai falar desse conflito e isso seria o romance. Portanto, é um romance autobiográfico. E, nesse caso, existe um processo duplo, que é o processo de silenciamento da mulher, que é o par amoroso desse homem, mas às vezes essa mulher, de alguma maneira, ela recupera um espaço de fala dentro desse relato, que seria o relato unilateral de um homem. Isso vai se transformando ao longo do século XX e vai mudando de romance para romance.  Laís: Para essa análise, a Lúcia selecionou alguns romances, entre outros que poderiam ser incluídos nesse modelo. Eu pedi pra ela comentar sobre essas escolhas. Lúcia: Eu pensei em Dom Casmurro como um paradigma de início, porque Dom Casmurro inaugura o século XX. Dom Casmurro chegou ao Brasil em janeiro de 1900, embora ele tenha sido publicado em 1899 pelos editores Garnier em Paris, ele chegou ao Rio de Janeiro em janeiro de 1900. Então, a partir de Dom Casmurro, o paradigma se estende pra Graciliano Ramos, São Bernardo, depois, de uma maneira muito mais complexa, Grande Sertão: Veredas, mais tarde, Um copo de cólera e, depois, eu acabei abrindo para um romance absolutamente contemporâneo, de um escritor que se chama Marcelo Mirisola, e que se chama Hosana na sarjeta, o romance. Então,
A alteração climática tem um forte componente que é a ação humana e que afeta direta e indiretamente sua própria espécie. No entanto, a forma que cada pessoa é atingida pelos desastres naturais causados e intensificados pelo aquecimento global é muito diferente. A vulnerabilidade é um fator determinado pela desigualdade social e isso fica claro ao analisar as estruturas urbanas, um fator decisivo para indicar se o indivíduo vai sobreviver ou não em um evento extremo. Essa é a primeira parte do tema Vulnerabilidade Humana frente às Mudanças Climáticas. A série Escuta Clima é produzida pela Camila Ramos e está ligada ao curso de Especialização em Jornalismo Científico do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), do Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (Nudecri) da Unicamp. O projeto tem o objetivo de divulgar as pesquisas e pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Mudanças Climáticas (INCT-MC) e é apoiado pela bolsa Mídia Ciência da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).  ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Camila Ramos - “Twister”, “O dia depois de amanhã”, “O impossível”, “2012”. Você já assistiu algum desses filmes que retratam desastres naturais? É um tema que Hollywood adora e não vou negar que também amo esses filmes. Prendo a respiração nas cenas tensas e até choro nas cenas dramáticas. Mas morro de rir com a falta de realismo e com os efeitos especiais de qualidade questionável. Se no cinema esses eventos extremos provocam emoções que vão da tristeza ao riso, no mundo real a situação é um pouco diferente. Furacões e tornados, terremotos e tsunamis e erupções vulcânicas acontecem de uma forma muito mais cruel, triste e devastadora que na ficção. Você consegue se lembrar de algum exemplo de desastre que tenha ocorrido realmente? Para mim, os tsunamis que atingiram a Indonésia em 2004 e o Japão em 2011 foram os mais marcantes. Mas ao longo dos meus vinte e quatro anos, muitos desses eventos ocorreram, causando perdas humanas e materiais principalmente em localidades mais empobrecidas. E saiba que a perspectiva pro futuro não é nada boa nesse sentido. O relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas de 2014 indica que os eventos extremos de ordem climática estão ficando cada vez mais intensos e mais frequentes. E o principal motivo é o aquecimento global.  Esses desastres causam muitos danos ao meio ambiente, às estruturas urbanas e, principalmente, levam milhões de pessoas à morte ou à situação de fragilidade.  Sabemos que uma parcela da população é muito mais vulnerável que outros grupos. E isso é provocado, principalmente, pela desigualdade social. Por isso, dependendo da localidade em que os eventos extremos ocorrem, o impacto para a população e para a economia são muito diferentes. Por exemplo, no Brasil, a cada 100 habitantes de uma cidade, nove vivem em áreas de risco. Esse dado é de uma pesquisa feita pela Regina Alvalá, que é uma das entrevistadas do episódio de hoje. Ela é pesquisadora e coordenadora de Relações Institucionais do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o CEMADEN. Outra pessoa que vamos ouvir é o Alberto Najar, que é sociólogo e pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz, a Fiocruz. Eu conversei também com a Gabriela Couto, doutoranda do Centro de Ciência dos Sistemas Terrestres do INPE e pesquisadora associada do Cemaden. Eu sou Camila Ramos e você está ouvindo o Escuta Clima. Um podcast para divulgar as pesquisas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Mudanças Climáticas. É vinculado ao Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Unicamp, o Labjor, e é uma seção da revista ClimaCom e Rede de Divulgação Científica e Mudanças Climáticas. [Vinheta do podcast Escuta Clima] Camila Ramos - É muito comum ouvir o termo desastre n...
Como é possível fazer projeções de como será o clima no futuro? E como é possível usar essas projeções para agir? Nesse episódio do Gaia, o Alexandre Costa, da Universidade Estadual do Ceará, fala sobre os Modelos Globais de Clima e a pesquisadora Layla Lambiasi conta sobre o estudo, realizado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV com a Agência Nacional de Água, que avaliou medidas de adaptação em uma bacia no nordeste do Brasil. Este é o terceiro episódio da série Gaia. A produção e edição é feita por Oscar Freitas Neto. O projeto é uma produção do podcast Oxigênio, do Labjor/Unicamp, e conta com a orientação de Simone Pallone. A responsável pela distribuição do podcast é a Helena Ansani Nogueira. --- Oscar: Como você acha que será o mundo daqui a 30 anos? Como serão as cidades, o campo? E o clima? Vai ser mais quente, mas quanto mais quente? Quão incerto é esse futuro? Neste episódio nós vamos falar sobre como é possível fazer projeções de como será o clima do futuro. E, depois, vamos falar como é possível agir considerando as incertezas, pegando como exemplo um estudo que avaliou medidas de adaptação em uma bacia no nordeste do Brasil. Alexandre: Ah, vamos testar aí o que acontece com o planeta se eu queimar todo o carvão que está enterrado no subsolo na forma de CO2 na atmosfera. Vamos só experimentar, testar. Não, né? Ninguém faz isso. Mas com uma terra simulada, uma terra dentro do computador a gente pode fazer. Oscar: Esse é o Alexandre Costa. Alexandre: Sou professor titular da Universidade Estadual do Ceará, sou cientista do clima e trabalho com modelagem climática. Oscar: Os modelos climáticos, com os quais o Alexandre trabalha, são a única forma de antecipar os impactos das mudanças que podem ocorrer no clima. Isso porque eles dão essa possibilidade de ter um planeta alternativo, um planeta-laboratório, onde é possível fazer qualquer experimento com o clima. Alexandre: Tira a calota polar, aumenta a quantidade de luz solar, polui o ambiente e modifica as propriedades das nuvens, tira a Amazônia, enfim, faz um monte de alterações para ver o que acontece com o resultado final. Oscar: Esses modelos são baseados nas leis da física e equações que descrevem os processos físicos e biogeoquímicos do planeta. Por exemplo, eles incorporam os chamados Modelos de Circulação Geral da atmosfera e do oceano. Alexandre: O modelo climático, além do módulo atmosférico e do módulo oceânico, ele tem em geral muitos outros componentes hoje em dia. Ele precisa ter componente de criosfera, de gelo marinho e de gelo continental, eles precisam ter modelo de biosfera, e boa parte deles tem ciclo de carbono, química da atmosfera. E todos esses modelos de subsistemas precisam estar acoplados entre si. Oscar: Mas,  para entender como é possível fazer projeções, é importante entender a diferença entre tempo e clima.  Alexandre: Quando a gente fala de previsão de tempo, embora muitas vezes se fale de probabilidade de chuva, mas a previsão de tempo ela se preocupa com algo mais determinístico, ou seja, quando e onde vai chover, qual vai ser a temperatura em região X daqui a dois, três dias ou na semana seguinte.  Oscar: Já com o clima, a preocupação não é com previsão de eventos específicos em datas determinadas. Alexandre: Clima não vai se preocupar, por exemplo, se vai ter chuva no Ceará no modelo climático para o dia 15 de outubro de 2074. Embora essa informação esteja lá, ela não tem valor, não tem significado em termos determinísticos, não é prever que isso vai acontecer. Quando a gente está olhando para o clima, a gente tá olhando para a estatística do tempo. E acho que o paralelo melhor que pode ser feito é com o lançamento de dados, dados de jogo. Oscar: Se a gente joga um dado normal, se ele não estiver viciado, a chance é de um sexto para cada lado. Mas se ao invés de só um, a gente joga 100 dados é possível antecipar que o valor médio deve ser por volta de três e meio.
O Casa de Orates é uma série do Oxigênio pra conversar sobre saúde mental. Nesse terceiro episódio vamos falar sobre a luta antimanicomial no Brasil e a regressão nas políticas públicas de saúde mental que vem ocorrendo nos últimos cinco anos. Desde 2015, durante o Governo Dilma, posicionamentos conservadores na psiquiatria estão ganhando espaço e recursos. Esses grupos defendem o isolamento como tratamento e a religião como cura. Para entender como isso pode afetar a vida de milhões de brasileiros, conversamos com Paulo Amarante, presidente de honra da Associação Brasileira de Saúde Mental, a Abrasme, e fundador do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial da Fiocruz, e Fernando Freitas, pesquisador em saúde mental e atenção psicossocial da Fundação Oswaldo Cruz.  O episódio também conta com trechos da obra O Alienista, de Machado de Assis, que está disponível no link: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000231.pdf Confira os documentos e legislações citados no programa.  - A lei nº 10.216, de 2001, que garantiu as novas diretrizes dos tratamentos de saúde mental: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10216.htm - O memorial Retrocessos no cuidado e tratamento de saúde mental e drogas no Brasil, elaborado pela Associação Brasileira de Saúde Mental - ABRASME: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2020/12/900.8_LY_CARTA_abrasme_A4.pdf - Já as notas do Conselho Federal de Psicologia sobre as comunidades terapêuticas e as novas legislações, principalmente as focadas nas pessoas em situação de rua e em jovens, estão disponíveis no site da instituição: https://site.cfp.org.br/   Roteiro Trecho de O Alienista (Roberta Bueno): Supondo o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair a pérola, que é a razão; por outros termos, demarquemos definitivamente os limites da razão e da loucura. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí insânia, insânia e só insânia. Rafael Revadam: Entre os anos de 1881 e 82, Machado de Assis publicou a obra O Alienista. Na história, o médico Simão Bacamarte resolve analisar o que é a loucura. Pra  isso, consegue a autorização do município de Itaguaí e lá constrói o seu hospício, a Casa Verde. Ana Augusta Xavier: Naquela época, os manicômios eram chamados de Casa de Orates, já que orate significa demente, louco, aquele que perdeu o juízo. E apesar desse termo não ter sido criado por Machado, foi sua obra que inspirou o nome da nossa série de reportagens. Casa de Orates é o título do primeiro capítulo do livro. Rafael: Disposto a recolher toda pessoa que aparentasse traços de loucura, Bacamarte começou a ver a tal falta de sanidade em todo mundo. Pessoas em situação de rua, loucos de amor, gente materialista… Se alguém fugisse dos padrões comportamentais dignos da sociedade, ia parar na Casa Verde. Ana Augusta: E o que parece ser uma sátira de ficção do Machado de Assis, na verdade tem muito da realidade. As políticas manicomiais surgiram para internar qualquer pessoa que se deslocasse do que a sociedade considerava normal. Pobres, homossexuais, mães solteiras, jovens da elite que se envolviam com pessoas de uma classe social diferente. Todos paravam nos hospícios. Rafael: Um exemplo disso é o Colônia, que foi o maior hospital psiquiátrico do Brasil, e ficava na cidade de Barbacena, em Minas Gerais. O psiquiatra Franco Basaglia, precursor do movimento italiano de reforma psiquiátrica, visitou o hospital em 1979. Ao sair, ele deu uma coletiva de imprensa e disse que o Colônia mais parecia um campo de concentração nazista.  Ana Augusta: E a comparação de Basaglia não é exagerada. Entre os anos de 1930 e 1980, foram contabilizadas 60 mil mortes no Colônia. A jornalista Daniela Arbex publicou, em 2013, um livro-reportagem sobre o hospital, que chamou de Holocausto Brasileiro. Rafael: Vale destacar que o Colônia é apenas um dos hospitais psiquiá...
Nota da equipe de produção: Este é o último episódio do ano. Agradecemos a audiência neste 2020 e contamos com a companhia de nossos ouvintes em 2021. Agradecemos também a parceria com a Rádio Unicamp. Desejamos muita paz, saúde, realizações e muitos podcasts pra todos!  É comum ver questões polêmicas na mídia que envolvem o bem-estar animal. Nesse cenário, as pessoas frequentemente se posicionam sobre o que deve ou não ser feito para melhorar as condições de vida dos animais mantidos sob cuidados humanos. Mas o que realmente é bem-estar animal? Quais aspectos estão envolvidos e devem ser considerados para melhorar efetivamente a qualidade de vida dos animais? Neste programa, mergulhamos na ciência por trás do bem-estar animal e quem nos ajuda nessa jornada é o médico veterinário e docente da Unesp Stelio Luna, a zootecnista e doutoranda em Zootecnia Marina da Luz, o médico veterinário e doutorando em Biotecnologia Animal Pedro Trindade e a psicóloga e adestradora Marina Bastos.  Érica: Meu nome é Érica, sou de Minas Gerais, de Andradas. O bem-estar animal seria cuidar bem dos animais. Digo da parte da saúde deles. O que tem que ser feito para eles ficarem saudáveis, né? E também eu acho que a gente pode falar a respeito do cuidado mais emocional com o animal hoje em dia, né? Penso no meu pet, a gente cuida deles com muito carinho, porque eles nos dão isso também. Marcel: Meu nome é Marcel Almeida, sou de Botucatu, e no meu entendimento o bem-estar animal ele vai além do simples fato de você prover alimentação e recursos básicos. É você entender a situação em que esse animal vive na natureza e prover para esse animal recursos similares, sejam do âmbito de alimentos, temperatura, umidade e condições de sobrevivência que ele possa ter um ambiente saudável e sem estresse. Gisele: Meu nome é Gisele, sou de Campinas e pra mim o bem-estar animal são todos os bichos na natureza, inseridos onde eles já são nativos. Eu acredito que os bichos perto dos homens, eles não querem; os bichos não gostam dos humanos e não tá sendo bom pra eles não. Eles gostam de ficar na natureza, no seu habitat natural. Plínio: Me chamo Plínio, sou de Botucatu, Estado de São Paulo, e pra mim o bem-estar animal significa um ambiente ou uma condição em que qualquer animal possa viver em total liberdade, sem interferência humana, livre de exploração e crueldade. Carol:  O que vocês acabaram de ouvir são ‘definições’ de bem-estar animal de pessoas que, embora não trabalhem nem estudem isso, gostam muito de animais… Saúde física, boa alimentação, saúde emocional, liberdade total, viver em condições similares à natureza e estar distante dos seres humanos foram elementos trazidos nessas definições. Mas cada uma trouxe um enfoque diferente… Qual delas será que está mais próxima do que se conhece na ciência? Vinícius: Não é difícil ver uma notícia polêmica envolvendo o bem-estar animal. São comuns os debates sobre o sofrimento dos animais utilizados na pesquisa, nos sistemas de produção, nos zoológicos ou quando são abandonados ou maltratados… Mas, embora esses temas sejam frequentes na mídia, dificilmente uma definição de bem-estar animal com embasamento científico aparece. O fato é que, em se tratando de bem-estar animal, ouve-se muito, fala-se muito, mas sabe-se pouco…  Carol: As pessoas definem o bem-estar animal com base em seus próprios referenciais. Opinam sobre o que deveria ou não ser feito em situações que envolvem o sofrimento animal. Mas como saber o que é melhor para os animais, se eles estão bem ou não, sem antes saber de fato o que é bem-estar animal?  Vinícius: Pra responder essas perguntas, o Oxigênio de hoje explora a ciência por trás do bem-estar animal. Eu sou o Vinícius Alves. Carol: E eu sou a Caroline Maia. E começa agora o episódio: Afinal, o que é bem-estar animal? Vinícius: De onde surgiu a preocupação com o bem-estar animal? Bom, o contato direto do ser humano com os animais e o estabelecimento de uma re...
Às vésperas do Natal de 2020, ano difícil, de pandemia de Covid-19 e isolamento social, o Oxigênio traz o segundo episódio da série "Leitura de Fôlego", uma forma de nos conectarmos com nossos ouvintes com um tema mais suave para esses dias em que começamos a desacelerar. “Leitura de Fôlego” é uma série que apresenta temas de pesquisas de professores do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), da Unicamp. Nesse episódio, conversamos com o professor e pesquisador Alexandre Soares Carneiro sobre um tipo de texto que pode assumir diferentes formatos e que dá liberdade para seus escritores revelarem o processo irregular de seus pensamentos, suas dúvidas e até seus defeitos, tudo isso em um tom parecido com uma conversa. O assunto de hoje são os ensaios. Após ouvir algumas características desse texto, vamos conhecer mais sobre um importante ensaísta francês do século XVI, Michel de Montaigne. Ele inaugurou o uso da palavra “ensaio” para se referir a esse tipo de texto e escreveu sobre os mais diversos temas: desde o pedantismo, os índios canibais até os polegares. Depois, nossa conversa passou pelo ensaísmo brasileiro, que é mais importante do que parece. E acabou com dicas para quem quiser começar ou continuar a ler esse tipo de texto. Quem está à frente deste projeto é a Laís Souza Toledo Pereira, com supervisão e edição de Simone Pallone e trabalhos técnicos de Gustavo Campos e de Octávio Augusto Fonseca. Quem ajuda na divulgação do podcast é a Helena Ansani Nogueira. Vamos ao episódio, que é o número 115 do Oxigênio. **************************** Laís Toledo: Oi! Eu sou a Laís Toledo, e esse é um episódio da “Leitura de fôlego”, uma série sobre Literatura pro podcast Oxigênio.  Laís: Os bastidores dos nossos pensamentos não são nada glamurosos. Hesitações, dúvidas, correções... A gente tende a não querer mostrar esse tipo de coisa. Ainda mais em um contexto entulhado de textão nas redes sociais, com mitos de um lado e cancelados do outro... Outra coisa que a gente não gosta muito de mostrar são as nossas frustrações, as nossas imperfeições. É filtro, edição, marketing pessoal e #gratidão que não acaba mais... A conversa de hoje é sobre um tipo de texto que autoriza o autor a se mostrar, sem certezas e sem enfeites. Vamos falar sobre Ensaios. Quem conversa com a gente hoje é o Alexandre Soares Carneiro, professor do Instituto de Estudos da Linguagem, o IEL, da Unicamp. Sua trajetória de pesquisa abrange assuntos como Literatura Portuguesa, Literatura Medieval e o Renascimento. E, há mais de dez anos, ele tem se dedicado a pesquisar também o nascimento e as transformações do gênero ensaístico. Bom, o ensaio é um tipo de texto que dá espaço pro autor se mostrar, com suas dúvidas e imperfeições. Mas ele é muito mais do que isso. Pra começar essa conversa, eu pedi pro Alexandre dizer como ele definiria um ensaio. Alexandre Soares Carneiro: Eu diria que o ensaio é um texto de reflexão de forma livre, o que dificulta muito uma definição, porque obviamente ele pode assumir aspectos muito variados. Mas podemos identificar a tal liberdade do ensaio no fato de o ensaísta expressar não apenas o resultado final, mas um pouco do processo irregular do pensamento, desde a formulação de um problema, uma dúvida, um paradoxo que ele observou, passando pelas hipóteses iniciais, as hesitações, desvios, correções. O ensaio tende a incorporar as dúvidas naturais do processo de reflexão, talvez como as perguntas de um interlocutor imaginário, o que remete à característica dialógica do pensamento. Assim, a gente pode associar o ensaio à conversação, com sua típica a-sistematicidade. A liberdade de testar ideias ou perspectivas insólitas também pode ser associada ao espírito da conversação. Laís: Além dessa associação com a conversa, com sua natureza não sistemática, não organizada, o Alexandre falou também sobre uma diferença entre a palavra “ensaio” e os textos com características de ensaio.
Este programa continua introduzindo um panorama sobre como a Genômica é uma ciência transversal e emergente, contribuindo para desafiar as fronteiras do conhecimento de outras áreas científicas. O que muda do #113 é que agora o potencial da Genômica será relacionado a outros dois campos de atuação: conservação de espécies ameaçadas e saúde pública! Para entender melhor isso, os divulgadores científicos Vinícius Alves e Adriane Wasko conversaram com Patrícia Freitas e Lygia da Veiga Pereira. Patrícia é bióloga, professora da UFSCar e tem experiência de pesquisa com Genômica da Conservação Animal, especialmente primatas como o mico leão preto. Já Lygia é física, professora da USP e tem experiência de pesquisa em Genética Humana e Médica.  Áudios do jornalista científico Marcelo Leite foram cedidos para o encerramento do programa. A seguir, você tem o roteiro completo para acompanhar a conversa. Sejam todos bem vindos ao segundo episódio de “#114 Essa tal de Genômica” do podcast Oxigênio! Obs.: A foto do mico leão preto em vida livre é do Felipe Bufalo. O playback do mico leão preto é da ONG Itapoty. As demais imagens e trilhas sonoras são de bancos de uso público. ******************************** Vinícius: Olá, ouvintes! O Oxigênio de hoje é o segundo episódio sobre Genômica. No episódio anterior, já tivemos uma noção de como a Genômica é uma área emergente e transversal no meio científico. E agora vamos falar um pouco sobre como estudos genômicos podem contribuir com duas outras áreas de amplo interesse público. No caso, a conservação de espécies ameaçadas e a saúde pública. Eu sou Vinícius Alves. Adriane: Eu sou Adriane Wasko e começa agora: “Essa tal de Genômica, episódio 2” Vinícius: Parte dos pesquisadores que trabalham com conservação da biodiversidade vêm utilizando dados genômicos. Por exemplo no Brasil, há projetos que sequenciam genomas de plantas endêmicas e altamente adaptadas ao ambiente estressante do Nordeste. Já em genômica da conservação animal, podemos destacar projetos com espécies ameaçadas de extinção que estudam genes adaptativos em populações de arara-azul, onça-pintada, tubarão-martelo, mico-leão-preto e outras. Adriane: Quem pode comentar melhor sobre genômica da conservação animal é a geneticista Patrícia Domingues de Freitas, que por sinal, estudou comigo. Patrícia é professora do Departamento de Genética e Evolução da Universidade Federal de São Carlos, a UFScar. Uma de suas linhas de pesquisa é a genômica aplicada à conservação animal, com ênfase no grupo dos Primatas. Patrícia: A produção de dados genômicos ela surge com o desenvolvimento das tecnologias de sequenciamento do DNA né, lá na década de 70, de 80, mas principalmente nos inícios dos anos 90, quando surgem os projetos genoma, incluindo o projeto Genoma Humano. Na biologia da conservação, esse processo se dá mais pra frente depois dos anos 2000, quando as tecnologias de sequenciamento de DNA se tornam mais robustas a partir do desenvolvimento de métodos que a gente chama de ‘próxima geração’ que permitem a produção de dados genômicos em maior escala. Vinícius: Ouvindo você agora, Patrícia, eu lembrei que já li que com as técnicas de hoje em dia é possível marcar milhares de genes específicos ou até regiões inteiras do genoma nos indivíduos de uma espécie. Com isso em mãos, eu imagino que a genômica da conservação possa caracterizar geneticamente a população de uma espécie animal ou vegetal que vive em uma determinada área e, também, acompanhar se essa população está mantendo uma boa variabilidade genética com o passar dos anos. É mais ou menos isso? Patrícia: Bom, a gente sabe que a variabilidade genética é um elemento essencial pra manutenção e viabilidade de uma espécie ao longo do tempo perante as mudanças ambientais. Então a gente costuma dizer que quanto maior a variabilidade genética de uma espécie ou de suas populações, maior o potencial evolutivo daquela espécie. Ou seja,
Este programa traz uma pitada de como a Genômica é uma ciência transversal e emergente, contribuindo para desafiar as fronteiras do conhecimento de outras áreas científicas, como melhoramento genético da agricultura tropical convencional, citogenética e evolução biológica!  Há grandes projetos e linhas de pesquisa em ação que têm a mão direta ou indireta da Genômica. Para entender melhor isso, os divulgadores científicos Vinícius Alves e Adriane Wasko conversaram com Ana Cristina Brasileiro e Cesar Martins. Ana é engenheira florestal da Embrapa de Brasília e tem experiência de pesquisa em Genômica de Plantas. Enquanto Cesar é biólogo e professor da Unesp de Botucatu, com experiência de pesquisa em Citogenética e Evolução Genômica Animal. Áudios da pesquisadora Lygia Pereira e do jornalista científico Marcelo Leite foram cedidos para abertura do programa. A seguir, você tem o roteiro completo para acompanhar a conversa.  Sejam todos bem vindos ao primeiro episódio de “#113 Essa tal de Genômica” do podcast Oxigênio! Obs.: na arte de chamada do episódio, a foto (ao fundo) de bioinformática com análise de genoma é do Ivan Rodrigo Wolf. As demais imagens e também as trilhas sonoras são de bancos de uso público. LYGIA: Um genoma é uma grande receita que a natureza segue para transformar a primeira célula que a gente já foi em um ser humano.. trilhões de células especializadas e organizadas. MARCELO LEITE: Eu gosto de pensar no genoma mais como um ecossistema do que como um programa de computador.  VINÍCIUS: Independente da metáfora que você preferir, provavelmente você já deve ter ouvido falar sobre genoma e também sobre a Genômica, que é a área da ciência que estuda os genomas. ADRIANE: Genômica é filha da Genética e ambas são áreas que conversam entre si, mas não são a mesma coisa, cada uma tem as suas próprias características.     VINÍCIUS: Basicamente, podemos dizer que a Genética é a ciência que estuda a estrutura, a função, a variação e a hereditariedade dos genes, enquanto a Genômica estuda os mesmos aspectos só que sobre um genoma, ou seja, sobre o conjunto de genes, que forma um ser vivo. ADRIANE: O último relatório de avaliação da pesquisa científica realizado pela empresa Clarivate Analytics, em 2018, indicou que a Genômica é uma das áreas que mais crescem em publicações científicas no mundo.   É como se os conhecimentos científicos de Genômica dobrassem a cada 2 anos em uma das mais reconhecidas plataformas de revistas científicas internacionais, a Web of Science.  VINÍCIUS: Realmente é muita coisa né? E isso acontece também porque a Genômica não caminha sozinha. As técnicas e os dados da Genômica podem se associar a outras linhas de pesquisa básica ou aplicada. A agricultura tropical, a evolução biológica, a conservação de espécies e a saúde pública são algumas das áreas em que a Genômica pode atuar. ADRIANE: O fato da Genômica ser uma área emergente e interativa no ambiente de pesquisa não significa que seus avanços cheguem até a sociedade brasileira.  VINÍCIUS: Nos anos 2000, a realização do projeto genoma humano nos Estados Unidos e o sequenciamento do genoma da bactéria Xylella fastidiosa, que causa doença em plantações de citrus, levaram o termo GENOMA para os noticiários, dando um grande reforço para o jornalismo científico, inclusive. Mas, como comenta o jornalista científico Marcelo Leite, após essa época, a Genômica perdeu um pouco a evidência nos noticiários.  ADRIANE: Mesmo que a gente não veja ou ouça a palavra Genoma nas mídias, a área da Genômica continua avançando e pode ter um grande impacto em nossas vidas. Por exemplo, o sequenciamento do novo coronavírus por pesquisadoras da USP, em parceria com Instituto Adolfo Lutz e Universidade de Oxford, que foi realizado em apenas 48h, foi de grande importância para os primeiros estudos sobre o vírus, ainda no começo da pandemia!  VINÍCIUS: Bem lembrado, Adriane. E também recentemente o Nobel de Química premiou d...
O Casa de Orates é uma série do Oxigênio para conversar sobre saúde mental. No primeiro episódio falamos sobre quais aspectos da sociedade atual têm contribuído para aumentar os casos de transtornos mentais, principalmente ansiedade e depressão. Nesse segundo, vamos falar sobre como é lidar com um diagnóstico de transtorno mental, a partir do relato da Roberta Bueno, que também narra o episódio, junto com o Rafael Revadam. Embora cada caso tenha suas particularidades, em todos eles o primeiro passo é perceber que algo não está bem e procurar ajuda. Depois do diagnóstico, é importante ter o acompanhamento de profissionais qualificados e seguir suas orientações. Não é simples, já que o tratamento às vezes demora e a melhora nem sempre vem na velocidade esperada.  Para discutir o papel de diferentes especialidades profissionais no tratamento das doenças da mente, contamos com a colaboração de Paula Andrada, psicóloga; Carlos Eduardo Rodriguez, psiquiatra; Fauziane Beydoun, nutricionista; e Paulo Ricardo Guerreiro, educador físico. O episódio do Corpo podcast mencionado nesse programa está disponível em Roteiro: Roberta - Sou ansiosa desde criança, mas só descobri que tenho TAG – transtorno de ansiedade generalizada – na idade adulta, por volta dos 23 anos, depois de começar a fazer terapia. Daí, os meus medos sem sentido, os meus pensamentos acelerados e as palpitações no peito começaram a ser compreendidos por mim como sintomas da ansiedade. Por incrível que pareça, quando o que eu sentia ganhou um nome, as coisas começaram a ficar mais claras e eu comecei a lidar melhor com todas essas sensações e a reconhecer quando uma crise de ansiedade se aproxima.  No final de 2019, por volta de outubro ou novembro, a ansiedade veio com tudo e não quis ir embora. Eu tava fazendo terapia e tomando o ansiolítico recomendado pelo médico para ser usado esporadicamente durante os períodos ansiosos, mas nada parecia aliviar a crise. Passava uns dias bem e voltava a sentir todos os sintomas ansiosos de novo, mas com algumas novidades: uma perda gigante de energia, um desânimo e uma angústia enorme. Rafael - A história da Roberta se mistura com tantas por aí. Como falamos no primeiro episódio, diferentes transtornos mentais podem ter sintomas parecidos. Para se chegar a um diagnóstico adequado é preciso uma avaliação cuidadosa, e ainda assim isso pode demorar um tempo.  Roberta - Foi durante uma sessão de terapia que chegamos – eu e minha terapeuta – à conclusão de que eu estava com um transtorno misto de ansiedade e depressão. Isso pra mim foi uma surpresa, porque eu nunca tinha tido depressão antes e pensava que, por serem diferentes, ou a pessoa tinha depressão ou ela tinha ansiedade. Achava que não dava pra ter as duas ao mesmo tempo! Mas pra minha surpresa, esses transtornos podem vir juntos e embaralhar a nossa mente!  Ao passar por essa experiência, eu percebi que é preciso falar sobre os transtornos mentais, sem medo e sem vergonha, pois muitas pessoas passam pela mesma coisa, mas não falam e sofrem caladas por receio do que o outro vai pensar. Não temos que ter vergonha por estarmos doentes.   Rafael - E ainda tem o fato de que muitas pessoas pensam que os transtornos da mente não são doenças, já que eles não são tão perceptíveis quanto as doenças do corpo. Muitos chegam a falar que a depressão é falta de vontade, preguiça ou frescura. Mas não é.  Eu sou Rafael Revadam e este é o Casa de Orates, um podcast para falar sobre saúde mental. Roberta - E eu sou Roberta Bueno, e esse segundo episódio é sobre mim, sobre você e sobre todos que vivem com um diagnóstico de transtorno mental. Paula - Bom, quando a gente fala do transtorno misto de ansiedade e depressão, a gente tá falando de sintomas que se apresentam ao mesmo tempo: sintomas ansiosos e sintomas depressivos, sem que haja uma prevalência,
A água é um recurso fundamental para a vida na Terra. Por isso, o segundo episódio da série Escuta Clima aborda o tema de segurança hídrica e mostra o perfil das crises pluviais no Brasil. As enchentes causadas pelas chuvas torrenciais no Sudeste contrastam com as secas típicas da região semiárida do Nordeste. Com milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade devido, tanto ao excesso, quanto à falta d’água, os cientistas buscam soluções criativas para mitigar a situação de ambas regiões, soluções que podem ser expandidas para todo o território brasileiro. A série Escuta Clima é produzida pela Camila Ramos e está ligada ao curso de Especialização em Jornalismo Científico do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor) e ao Núcleo de Desenvolvimento da Criatividade (Nudecri) da Unicamp. O projeto tem o objetivo de divulgar as pesquisas e pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Mudanças Climáticas (INCT-MC) e é apoiado pela bolsa Mídia Ciência da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).    -------------------------------- Camila Ramos - “A Terra é azul”. Foi o que disse Yuri Gagarin, o astronauta russo e primeiro homem a ir pro espaço, quando viu nosso planeta lá de cima. Essa cor azul que ele viu em 1961 eram os gigantes oceanos que cercam os continentes. E é muita água! Imagine… É como estar no meio do mar e olhar pro horizonte em todas as direções sem ver nada além do próprio mar.  Esses oceanos cobrem cerca de 70% de toda a superfície da Terra, e neles estão 97% de toda a água do planeta. Incrível, não? Então não precisamos nos preocupar com a falta d’água, já que temos muito mais que o suficiente para todos, certo? Errado!  Bruno Moraes - Toda essa água dos oceanos é salgada e não é potável. Então, sobram apenas 3% de água doce no mundo. Sendo que a maior parte, por enquanto, tá congelada em geleiras e nos pólos.  Fazendo uma conta rápida, vemos que sobra apenas 1% de água para sobrevivência dos humanos, dos animais, e das plantas. E quando eu digo sobrevivência, eu quero dizer literalmente isso.  A Água é extremamente importante pra vida. E é por isso que os cientistas procuram esse recurso em outros planetas para indicar se podem ou não abrigar vida.  Camila Ramos - Mas muitas pessoas não encaram a água como um bem comum e precioso. E isso fica claro quando vemos pessoas lavando o carro ou a calçada com a mangueira, ou deixando a torneira aberta enquanto fazem outras tarefas.  Mas o uso indiscriminado de água não é apenas responsabilidade dos cidadãos. Na verdade, as indústrias e o setor agropecuário tem grande porcentagem de culpa. Na verdade, o desperdício e uso irresponsável da água é tamanho que estamos prestes a encarar uma crise hídrica sem precedentes.  Segundo a Organização das Nações Unidas, o uso mundial da água vem aumentando cerca de UM por cento ao ano. Pode parecer pouco, mas isso quer dizer que vai ser cada vez mais difícil prover água para todos. Bruno Moraes - Além disso, as mudanças climáticas tornam insuficiente a quantidade de água e pioram a qualidade dela e causam as alterações de volume e frequência de chuvas que afetam a rotina de diversas populações, interferindo na alimentação, saúde e economia dessas pessoas.  E podemos entender essa situação com dois extremos vividos no Brasil, que são as enchentes (geralmente nas regiões Sul e Sudeste) e as secas, típicas do Nordeste. São problemas antigos que deixam centenas de pessoas vulneráveis. E a previsão é que esses eventos piorem nos próximos anos.  Camila Ramos - No episódio de hoje, vamos ouvir os pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Mudanças Climáticas para entender melhor as crises hídricas e quais são os meios sustentáveis para melhorar essa situação. O José Almir Cirilo é um deles. Ele é professor titular do Campus Agreste da Universidade Federal de Pernambuco.
O Casa de Orates é um podcast para conversar sobre saúde mental e, nesse primeiro episódio, vamos tentar entender o que está deixando nossa mente doente. No mundo são quase 1 milhão de pessoas vivendo com algum transtorno mental. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que mais de 300 milhões de pessoas sofram com a depressão e cerca de 260 milhões com a ansiedade. Ainda assim, a saúde mental é uma das áreas mais negligenciadas da saúde pública.  Por que nos dias de hoje transtornos como depressão e ansiedade são cada vez mais comuns? Existe mesmo mais gente doente ou mais casos estão sendo diagnosticados? Será que o modo como vivemos afeta a nossa saúde mental?  Para responder a essas e a outras perguntas, conversamos com Marcelo Brañas, médico psiquiatra da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), e Bruno Emerich, psicólogo e doutor em saúde coletiva na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).  Os dados apresentados nesse episódio foram obtidos no site da Organização Panamericana de Saúde (OPAS) e estão disponíveis em: Créditos da imagem: Fernando Cabral (@cferdo/Unsplash)   Roteiro: [primeiro entrevistado]: Saúde pra mim, primeiro começa pela prevenção, né? Você tem que se cuidar, praticar exercício, se alimentar bem, né. Evitar excessos, dormir bem, né... Então isso, eu acho que tudo isso faz parte pra que você tenha uma boa saúde, né. [segunda entrevistada]: Saúde é qualidade de vida. É ter acesso a uma boa educação, acesso a tudo aquilo que o governo deve nos proporcionar de bom, né. Saúde, na minha visão, saúde não tá relacionada só à questão medicamentosa. [terceiro entrevistado]: Acho que saúde é a gente poder proporcionar tanto pra nossa família, nossos filhos, né, toda a assistência básica, né? É uma boa alimentação, é... cultura também, né. Isso tudo tá aí incluído no pacote de saúde, né? [quarta entrevistada]: É quando a pessoa fica bem e ela fica muito saudável. E comer fruta saudável. Roberta Bueno: Quando você pensa em saúde, o que vem à cabeça? Ana Augusta: É bem provável que a sua resposta seja parecida com alguma dessas, ou com mais de uma. Roberta: Pra grande parte da população, a percepção de saúde ou a ideia que se tem sobre o que é levar uma vida saudável tá relacionada basicamente com a nossa saúde física. A gente esquece da mente. Ana Augusta: A própria Organização Panamericana de Saúde diz que a saúde mental é uma das áreas mais negligenciadas da saúde pública. Poucas pessoas têm acesso a serviços e tratamentos de qualidade. Roberta: Pra se ter uma ideia, mais de 75% das pessoas com transtornos mentais não recebem nenhum tipo de tratamento nos países de baixa e média renda. Além disso, ainda tem o estigma e o preconceito com relação a essas doenças, que fazem com que muitas pessoas não procurem tratamento. Ana Augusta: E realmente tem muita gente sofrendo. No mundo, são quase 1 milhão de pessoas vivendo com algum tipo de transtorno mental. A cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio em decorrência da depressão ou de outra doença. Roberta: Pra piorar esse cenário, veio a pandemia de covid-19, que nos trancou em casa, nos afastou fisicamente da família e dos amigos e trouxe o medo e a insegurança pra nossa rotina. Ana Augusta: Os especialistas já alertam pra uma onda enorme de casos de transtornos mentais por causa da pandemia do novo coronavírus. Não dá mais pra negligenciar esse assunto. Eu sou Ana Augusta Xavier. Roberta: Eu sou Roberta Bueno e esse é o Casa de orates, um podcast pra conversar sobre saúde mental. Nesse primeiro episódio, vamos tentar entender porque nossa mente está ficando doente. Anelise Righi: Tá bom amiga, vamo lá... Ana Augusta: Eu queria que tu me contasse, me descrevesse assim,
Este é o primeiro episódio da Leitura de fôlego, uma nova série de podcasts do Oxigênio, que apresenta temas de pesquisas de professores do Instituto de Estudos da Linguagem (IEL), da Unicamp. E começamos contando aqui sobre os livros ou romances licenciosos, que por seu teor tinham que circular de forma clandestina não só no Brasil, mas também em Portugal e França, por exemplo. Isso nos séculos XVIII e XIX. Esses livros foram tema de pesquisa da Márcia Abreu, professora do IEL e que atualmente é também diretora executiva da Editora da Unicamp. Vamos ouvir sobre as características desses livros, porque eles eram proibidos e o que faziam os livreiros e leitores para ter acesso e distribuir esses romances naquela época. Quem está a frente deste projeto é a Laís Toledo, com supervisão e edição de Simone Pallone e trabalhos técnicos de Gustavo Campos e do Octávio Augusto Fonseca. Quem ajuda na divulgação do podcast é a Helena Ansani Nogueira. Vamos ao episódio, que é o número 109 do Oxigênio. Roteiro: Márcia Abreu (MA): Ter um livro licencioso em casa, ou vender um livro licencioso, naquela época, era tão perigoso como hoje seria vender droga pesada. Laís Toledo (L): Devasso, libertino, desregrado, impudico, libidinoso, lascivo, indecente... Esses são alguns sinônimos para a palavra “licencioso”. Mas, afinal, o que é um livro licencioso? Por que era tão perigoso ler ou vender um livro desses no Brasil dos séculos XVIII e XIX? Como a censura de livros agia por aqui nessa época? O episódio de hoje trata de questões como essas. Quem conversa com a gente é a Márcia Azevedo de Abreu, professora e pesquisadora do Instituto de Estudos da Linguagem, o IEL, da Unicamp. A Márcia tem desenvolvido pesquisas principalmente nas áreas de História do Livro e da Leitura e História da Literatura. Além disso, hoje em dia, ela também é Diretora Executiva da Editora da Unicamp. L: Eu sou a Laís Toledo, e esse é um episódio da “Leitura de fôlego”, uma série sobre Literatura pro podcast Oxigênio. Pra começar a conversa, eu pedi pra Márcia explicar o que é um romance licencioso. MA: Um romance licencioso era um tipo de narrativa, que misturava cenas de sexo, ou um enredo sobre sexo, com discussões filosóficas sobre religião, sobre a natureza. Não a natureza assim das plantas, a natureza num sentido amplo, como o funcionamento dos corpos, as diferenças entre as culturas e também sobre as questões de poder. Um exemplo clássico de livro licencioso é o Teresa filósofa. Nesse livro, tem um enredo amplo, que é a trajetória dessa moça chamada Teresa, e ela vai se defrontando com várias situações em que ocorrem cenas de sexo, mas a cada cena de sexo tem uma discussão, sobre uma questão de moral ou sobre o comportamento da igreja, ou sobre uma questão filosófica. Acabada essa discussão, volta a ter uma cena, um encontro sexual de algum tipo.  L: Vamos ouvir um trechinho do começo do livro Teresa filósofa, quando a narradora, a Teresa, aceita contar a história dela e diz que não vai esconder nada. A edição que eu tenho aqui é da editora L&PM, que tem tradução para o português da Carlota Gomes e um prefácio do filósofo Renato Janine Ribeiro.  Thais Oliveira: “O quê, Senhor! Seriamente, quereis que escreva minha história [...] Na verdade, caro Conde, isso parece estar acima de minhas forças. [...] Mas se o exemplo, dizeis, e o raciocínio fizeram a vossa felicidade, por que não tentar contribuir para a dos outros pelas mesmas vias, pelo exemplo e pelo raciocínio? Por que temer escrever verdades úteis ao bem da sociedade? Pois bem, meu caro benfeitor! Não vou mais resistir! Escrevamos! [...] Não, vossa tenra Teresa jamais vos responderá por uma recusa, vereis todos os recônditos do seu coração desde a mais tenra infância, a sua alma vai se revelar inteiramente nos detalhes das pequenas aventuras que, sem que percebesse, a conduziram, passo a passo, ao auge da volúpia.”  L: Ah, o Teresa filósofa foi publicado pela primeira vez em francês,
Em 2001, o IPCC, o Painel da ONU sobre Mudança do Clima, lançou um relatório que trazia um gráfico que ficou conhecido como Taco de Hockey. O gráfico mostrava, com dados do hemisfério norte, a temperatura da superfície do planeta através dos anos. Começando do ano mil, o gráfico tinha uma tendência bem leve de resfriamento até que no século vinte a linha dispara para cima, como a ponta de um taco de hockey. Nesse episódio do Gaia, vamos dar um passo atrás e ver como é possível saber o clima do passado. Esse episódio contou com a participação de Renata Nagai, da Universidade Federal do Paraná, e Natan Pereira, da Universidade do Estado da Bahia. Este é o segundo episódio da série Gaia. A produção e edição é feita por Oscar Freitas Neto. O projeto é uma produção do podcast Oxigênio, do Labjor/Unicamp, e conta com a orientação de Simone Pallone. Músicas: Fast Talkin – Kevin MacLeod (YouTube Audio Library) Our Only Lark – Blue Dot Sessions Eggs and Powder - Blue Dot Sessions Copley Beat - Blue Dot Sessions Fender Bender – Blue Dot Sessions Ferus Cur – Blue Dot Sessions Imagem: Alain Couette --- Oscar: Em 2001, o IPCC, o Painel da ONU sobre Mudança do Clima, lançou um relatório que trazia um gráfico que ficou conhecido como Taco de Hockey. O gráfico mostrava, com dados do hemisfério norte, a temperatura da superfície do planeta através dos anos. Começando do ano mil, o gráfico tinha uma tendência bem leve de resfriamento até que no século vinte a linha dispara para cima, como a ponta de um taco de hockey. Oscar: Nesse episódio do Gaia, nós vamos dar um passo atrás e ver como é possível saber o clima do passado. E para isso... Oscar: nós vamos para o mar. Renata: Eu amo ir para o mar. Bom, eu sou oceanógrafa de formação. Então, sempre que tem uma oportunidade de ir para fazer coleta, né, eu sou a primeira pessoa a levantar a mão e falar eu quero ir. Oscar: Essa é a Renata Nagai. Renata: Eu falo isso para os meus alunos. Eu me sinto super completa quando estou no navio e eu olho para todos os lados e só vejo água. Aquela água com aquela cor que é um azul, um roxo, não sei, é uma coisa linda. Oscar: Ela é professora na Universidade Federal do Paraná. Renata: Eu coordeno um laboratório que chama Laboratório de Paleoceanografia e Paleoclimatologia. Então, a gente estuda o passado dos oceanos e tenta entender essas relações entre o oceano e o clima no passado, em diferentes escalas de tempo. Renata: Para quem trabalha com paleoclima, a gente olha para o passado e tenta entender como o planeta estava quando a gente tinha, por exemplo, concentrações de CO2 na atmosfera similares com que a gente vai ter ou tem hoje. Será que oceano estava mais quente, será que o oceano estava mais ácido, como será que o oceano influenciava na chuva aqui na região da América do Sul. Natan: A ciência começou a coletar dados de forma sistemática a partir dos anos 50, então é muito pouco tempo. Se você for construir milhares de anos, milhões de anos, é muito pouco tempo. Oscar: Quem fala é o Natan Pereira Natan: Sou biólogo de formação. Oscar: Ele é professor da Universidade do Estado da Bahia. Natan: E atualmente estou trabalhando com geoquímica de corais. Eu tento entender os sinais químicos que estão nesses organismos para entender um pouco do clima. Oscar: Para reconstruir esse clima do passado, é preciso usar formas indiretas de fazer medições. É possível, por exemplo, procurar por documentos históricos que tenham dados do tipo, mas assim só é possível voltar no tempo até certo ponto. Para voltar muito mais é preciso dos arquivos naturais. Natan: Então para isso a gente utiliza proxies geoquímicos, principalmente, que são evidências indiretas sobre as condições ambientais do passado que são registradas de forma ordenada e sequencial dentro de um determinado período específico. Renata: Eu sempre gosto de exemplificar, eu falo: não dá para a gente pegar um sedimento marinho colocar um termômetro dentro dele e falar,
loading
Comments (11)

Ana Carolina

olá!! Eu sempre fui magrela e comprida o que sempre gerou a ideia de fragilidade e fraqueza para as pessoas. Mas, qdo levanto algum peso ou arrasto algum móvel pela casa as pessoas se surpreendem. Minha avó ficou um bom tempo dependente das pessoas, tínhamos que carrega- la para o banheiro, para a mesa do jantar... ela sempre me falava "vc é uma magrela fortona" pq eu era a única da casa que conseguia continuar equilibrada e firme mesmo qdo estava segurando ela pelo caminho enquanto que os grandalhões se atrapalhavam e até pediam para parar e reajustar no percurso. Força x Jeito x Biotipo físico...

May 7th
Reply

Roberto Lima

Muito bom. Continuem com este trabalho importantíssimo para nós brasileiros.

Jun 4th
Reply

Patricia Santos

o episódio passa por várias questões importantes do debate sobre gênero e ciência. excelente pauta! parabéns!

May 21st
Reply

BioResumo Prof. Mariano Cicconi

Parabéns pelo episódio. A falta de conhecimento em aplicações genéticas é muito alta. Parabéns.

Mar 17th
Reply

Patricia Santos

ótimo tema! parabéns pela apuração, informações e fontes muito interessantes

Jan 10th
Reply

BioResumo Prof. Mariano Cicconi

Parabéns pelo tema desse podcast. Temos grandes problemas nas escolas relacionados com álcool e adolescente. Porém, quando um aluno usa álcool dentro de sua escola, ele deve ser punido sim.

Dec 4th
Reply

Maciel Neves

Parabéns pelo áudio. Da gosto de ouvir.

Nov 17th
Reply

BioResumo Prof. Mariano Cicconi

Parabéns pelo episódio desse podcast. São informações importantes para quem tenta entender o Sistema Educacional no Brasil.

Jul 4th
Reply

Patricia Santos

ficou muito bom esse formato! parabéns pela mudança e pela pauta :)

Jun 11th
Reply

BioResumo Prof. Mariano Cicconi

Parabéns pelo canal. Os assuntos estão sendo tratados de forma bem didática.

May 30th
Reply

Beatriz Guimarães

sou muito fã!

Mar 9th
Reply
Download from Google Play
Download from App Store