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Author: PÚBLICO

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De segunda a sexta às 7h. Antes de tudo: P24. O dia começa aqui
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O Irão rejeitou a proposta de cessar-fogo dos EUA, mas mantém abertura para continuar a negociar. Teerão deixou claro que o conflito só terminará segundo as suas próprias condições. Os iranianos não querem só o fim dos ataques. Querem também o pagamento de reparações, o fim das hostilidades em todas as frentes, contra o Hezbollah, no Líbano, nomeadamente, ou o reconhecimento da sua soberania sobre o estreito de Ormuz. Perante a possibilidade de um cessar-fogo, Israel intensificou os ataques. Benjamin Netanyahu terá ordenado uma ofensiva de 48 horas para destruir o máximo possível da indústria bélica iraniana e prepara-se para ocupar o Sul do Líbano. António Guterres, secretário-geral da ONU, já disse que o “modelo de Gaza não pode ser replicado no Líbano”. Os objectivos desta guerra já foram vários. Se Israel pretende destruir a capacidade militar e o regime teocrático, os EUA e o resto do mundo estão mais preocupados em pôr fim ao bloqueio do estreito de Ormuz. Mas a verdade é que Washington envia sinais contraditórios. Donald Trump fala no final da guerra e, mesmo assim, desloca mais soldados para o Médio Oriente. O convidado deste episódio é Ricardo Alexandre, editor da secção do Internacional da TSF, e autor do livro Tudo Sobre o Irão, que é apresentado neste domingo, no El Corte Inglés, em Vila Nova de Gaia, pelas 16h.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O cenário de um mundo em que os preços do barril de petróleo dispararam para valores incomportáveis, causando um choque que acabou de vez com o período glorioso de crescimento da Europa do pós-guerra, gerou estagflação, desemprego e miséria, em especial nos países pobres. Um cenário que teve um papel relevante no agravamento do mal-estar que se vivia em Portugal – em 1974, recorde-se, o regime autoritário do Estado Novo caiu sem grande estrondo. E agora, sem que se vislumbre um fim para a guerra contra o Irão, será que esse cenário se pode repetir? Fatih Birol​, Director Executivo da Agência Internacional de Energia admite que sim. Ou seja, o petróleo que deixou de chegar ao mercado com a destruição de infra-estruturas e, principalmente, com o bloqueio do estreito de Ormuz é equivalente ao que se perdeu nos dois choques petrolíferos dos anos de 1970 (em 1973, na sequência da guerra do Yom Kipur e de 1979, associado à queda do regime do Xá Reza Pahlevi à subsequente guerra sangrenta entre o Irão de Khomeini e o Iraque de Sadam Hussein). Conclui Fatih Birol​, que a situação actual não é assim tão diferente da que levou o mundo para uma recessão profunda há meio século. Compreendem-se assim os sinais de alarme que alastram por todo o mundo. Para já, as subidas dos preços por barril estão longe do que aconteceu entre 1973 e 1974 – em pouco mais de meio ano, subiram de três para 12 dólares. Não se comparam sequer com o disparo de 1979, de 13 para 34 dólares. Em 2008, convém recordar, os preços atingiram os 147 dólares por barril, ainda acima dos valores actuais, mesmo descontando a inflação. O problema é que, se já há quem admita o barril a 200 dólares, é impossível saber o que pode acontecer se o estreito por onde circula 20% do petróleo mundial, o de Ormuz, permanecer fechado por tempo indeterminado. Nos anos de 1970 o mundo mudou com o choque petrolífero decretado com o embargo dos países produtores, e em 2026 pode voltar a mudar por causa do bloqueio iraniano e da destruição causada pela guerra em campos petrolíferos ou em refinarias. Para fazer uma ponte entre o passado e o presente e situar a dimensão do choque que estamos a viver, convidámos para o episódio de hoje do seu podcast da manhã o engenheiro António Costa Silva. Nascido em Angola, estudou no IST e doutorou-se em Engenharia de Reservatórios Petrolíferos neste Instituto no Imperial College de Londres. Dirigiu a Partex, a empresa que geria os activos energéticos da Gulbenkian ou a Sonangol. Foi ainda ministro da Economia num governo de António Costa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Aconteça o que acontecer, a novela do Constitucional deixará marcas na política. Os apelos de António José Seguro aos compromissos entre os partidos, não estão a ser ouvidos; a imagem do Tribunal Constitucional degrada-se com a partidarização da escolha dos seus membros e pode levar juízes de carreira a recusar a sua nomeação por não quererem ser vistos como apêndices dos partidos; e, para muitos cidadãos, toda esta historieta serve apenas para provar que os políticos estão bem mais preocupados com os seus pequenos poderes do que com a defesa do regime ou o prestígio das instituições.  Sejamos francos: o problema não é fácil de resolver. Porque um modelo de escolha definido pelo PS e PSD em 1982 não resiste ao quadro parlamentar de hoje, quando em vez de dois grandes partidos há três. Dos dez juízes eleitos pela assembleia, cinco eram indicados pelo PS e cinco pelo PSD, com o propósito de garantir os equilíbrios no regime. Esse acordo ficou datado. Está comprometido. Como dos três juízes que saem dois foram escolha do PSD e um do PS, uma substituição directa deixaria o Chega, o segundo maior partido, fora do processo. O PSD não acha bem e decidiu manter os seus dois nomes e entregar o do PS ao Chega.   É neste momento que tudo se complica. Como a eleição requer maioria de 2/3 dos deputados, que um bloco Chega PSD não consegue, o país anda nisto reunião após reunião. A impaciência e a acrimónia agravaram-se e já se fala em retaliações do PS no frágil equilíbrio da política caso não perca um dos seus ainda cinco juízes.  Como se pode desatar este nó? Quem faz o papel de mau na novela? O que pode acontecer a seguir?  Perguntas para a conversa com José Palmeira, Professor Auxiliar do Departamento de Ciência Política, na Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Um trabalho de investigação do PÚBLICO deu-nos conta que há um número indeterminado de crianças e jovens no regime de ensino doméstico. Nada de mais até que se constata que muitos dos que aprendem em casa não estão registados numa escola pública ou privada, como exige a lei. O trabalho exaustivo da jornalista Andreia Sanches dá-nos conta que nem o Ministério da Educação nem o sistema judicial conhecem a dimensão do problema nem sabem como lidar com os seus impactes.  Convém não dramatizar e concluir que todas essas crianças e jovens não vão à escola por causa do radicalismo dos pais ou por qualquer outra razão que comprometa os seus futuros. Os pais têm todo o direito de escolher a educação dos seus filhos. Mas para evitar abusos ou danos no processo de aprendizagem, o Estado tem a responsabilidade de acompanhar a decisão dos pais e exigir a avaliação regular dos alunos. Haver crianças e jovens numa zona cinzenta de desconhecimento é algo que custa a aceitar numa sociedade decente. E para o travar, basta uma única coisa: que os pais registem as suas escolhas nas escolas reconhecidas pelo Estado. Podem assim exercer a sua liberdade e o Estado pode assim cumprir o seu dever de garantir a educação ou a segurança das crianças..  Para sabermos mais e melhor o que está em causa, vamos conversar com a autora deste importante trabalho. A Andreia Sanches é redactora principal do PÚBLICO e a educação é há muitos anos o principal foco da sua actividade profissional.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A frase, esta não é uma guerra da Europa, pronunciada por Kaja Kallas, Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, promete ficar para a posteridade. Porque marca de forma indelével mais uma divergência entre os membros da União Europeia e os Estados Unidos. Recuemos uns dias: há uma semana Donald Trump pediu o envolvimento dos europeus, dos japoneses, sul-coreanos e australianos na segurança do tráfego marítimo no estreito de Ormuz. Todos os seus apelos foram simplesmente recusados. E Trump não escondeu a sua acrimónia. Começando por dizer que os Estados Unidos não precisam de ninguém.  Dias depois, porém, Trump passou ao ataque. Avisando que, sem o envolvimento europeu na sua guerra e na guerra de Netanyahu​, a NATO teria um futuro sombrio. E, mais grave ainda, na última sexta-feira acusou os europeus de cobardia e avisou que os Estados Unidos “não esquecerão” a recusa em enviar meios militares para o mar vermelho. Desta vez a Europa manteve-se firme. Nem sequer vai reforçar os meios navais que hoje protegem a marinha mercante a sul do estreito de Ormuz. O foco da União continua a ser o apoio à Ucrânia, que no final da semana passada voltou a ser bloqueado por Viktór Orbán.   Mas também aqui os líderes europeus parecem mais confiantes em tomar decisões duras: as críticas à Hungria atingiram uma dureza sem precedentes. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, chegou a falar de chantagem.   Estará em curso uma mudança no sentido de uma União mais assertiva e corajosa na defesa da sua soberania e dos seus interesses, ora batendo o pé a Trump, ora pondo de lado a condescendência para com o vírus divisionista de Orbán? Como aconteceu com a Ucrânia, as ameaças externas estão a criar um novo espírito na Europa? E para onde nos levará esse espírito?   Vamos discutir estes e outros temas com Rita Siza. Jornalista do PÚBLICO com ampla experiência internacional, a Rita é a nossa correspondente em Bruxelas.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O primeiro-ministro húngaro tem, no próximo dia 12 de Abril, o maior teste de resistência da sua carreira política. O que antes parecia um passeio eleitoral para Viktor Orbán e para o partido que lidera, o Fidesz, transformou-se, nos últimos meses, num campo de batalha pela sobrevivência do modelo da 'democracia iliberal' que implementou na Hungria. A ascensão meteórica de Péter Magyar e do partido Tisza baralhou as contas em Budapeste. Pela primeira vez em dezasseis anos, a oposição não é apenas um conjunto de partidos fragmentados, mas tem um rosto que veio de dentro do sistema para o tentar derrubar. Até porque o rosto da oposição a Orbán militou no partido do primeiro-ministro húngaro de 2002 até 2024. Orbán foi eleito para proteger a soberania húngara contra o 'globalismo', mas o que os eleitores enfrentam agora é uma economia estagnada e um isolamento diplomático crescente. Afinal, poderá o homem que moldou a Hungria à sua imagem ser derrotado por um dissidente do seu próprio regime? Ou será que o controlo mediático e as mudanças nas leis eleitorais vão, mais uma vez, garantir a continuidade de Orbán? Manuel Serrano, analista de assuntos europeus, política internacional e processos eleitorais, é o convidado deste episódio do P24.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O parlamento vai discutir hoje as propostas apresentadas pelo PSD, Chega e CDS-PP para revogar a Lei da Autodeterminação de Género. As três propostas pretendem alterar a legislação em vigor desde 2018, que permite a qualquer pessoa acima dos 18 anos mudar de sexo e de nome no registo civil, sem necessidade de apresentar um relatório médico. A lei permite, também, que pessoas entre os 16 e os 18 anos possam mudar de sexo, desde que tenham a autorização dos pais e uma declaração de um profissional de saúde, que reconheça a sua maturidade para tomar aquela decisão. O projecto-de lei da bancada do PSD, por exemplo, volta a colocar nos 18 anos a idade mínima para atribuir legitimidade “a quem seja diagnosticada incongruência de género”, como é dito no texto, e queira proceder a esse pedido. E retira essa possibilidade a pessoas com 16 e 17 anos. Quando três partidos de direita se unem na tentativa de revogar esta lei “não estão apenas a atacar pessoas trans e intersexo, estão a preferir a demagogia à ciência”, escreveu no PÚBLICO Pedro Alexandre Costa, docente da Faculdade de Psicologia do Porto, que é o convidado deste episódio. Pedro Alexandre Costa, que integra o Grupo de Investigação em Sexualidade e Género do Centro de Psicologia da Universidade do Porto, considera que estes partidos estão obcecados com uma "ideologia de género" que não existe.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A BYD apresentou uma bateria que em nove minutos pode ser carregada para permitir uma viagem de 1000 quilómetros. Os que, naturalmente, se assustam com o cenário das grandes filas de carros eléctricos nas estações de serviço nos dias de maior tráfego, podem respirar de alívio. Em pouco mais tempo do que se gasta a encher um depósito de gasolina, em breve será possível carregar uma bateria e viajar de Caminha a Tavira sem ter o incómodo de parar por falta de energia. O novo paradigma da BYD reforça a vanguarda da China na indústria dos carros eléctricos – como aliás acontece em segmentos das energias renováveis. Note-se: não estamos a falar da liderança de uma indústria menor, como aconteceu nos primórdios da fábrica do mundo com materiais baratos e de duvidosa qualidade. Estamos sim a falar de uma das mais importantes indústrias do mundo que, desde o princípio deste ano, passou para o controlo da China. A BYD já ultrapassou as vendas da Tesla e é hoje o maior construtor mundial de carros eléctricos. Pelo preço? Nem tanto. Os especialistas reconhecem que os chineses são os donos da melhor e mais avançada tecnologia. Tudo terá começado em 2007, há menos de 20 anos portanto, sob a égide do ministro Wan Gang – um engenheiro formado na Alemanha que se tornou ministro da Ciência e do Comércio. Em 2010, a China tinha um plano em marcha que envolveu quantidades gigantes de dinheiro público. O acesso a matérias-primas e a existência de redes complexas de abastecimento e de mão-de-obra qualificada, fizeram o resto. Em meia dúzia de anos a China bateu aos pontos a Europa e os Estados Unidos e dispõe hoje de uma ampla vantagem. O anúncio da nova bateria da BYD é disso prova cabal. O que aconteceu e o que podemos esperar desta reconfirmação da liderança chinesa? Vamos fazer perguntas destas a Sérgio Magno, jornalista especializado em tecnologia e editor da secção ENTER, no PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Na tarde desta segunda-feira, depois de quatro horas de reunião entre patrões, sindicatos e ministra do Trabalho, Francisco Calheiros, da Confederação do Turismo de Portugal, repetiu o que se tem ouvido uma e outra vez nas últimas semanas: não há acordo para as mudanças propostas pelo Governo ao Código do Trabalho. Os intervenientes na negociação lá foram dizendo que houve mais flexibilidade na análise das propostas, que se evoluiu em algumas, mas, no essencial, tudo continua como antes: o Anteprojecto Trabalho XXI continua encalhado. Apresentado em Julho do ano passado, o projecto do Governo é ambicioso: estão em causa mais de 100 alterações ao Código do Trabalho, dos despedimentos sem justa causa em empresas com mais de cinco trabalhadores ao alargamento dos prazos dos contratos, dos serviços mínimos em caso de greve à parentalidade ou ao banco de horas. Pelo meio, houve quase meia centena de reuniões e os pontos de discórdia resumem-se hoje a pouco mais de uma dezena de alterações. Que para o Governo são traves mestras, sem as quais o edifício legislativo desaba. Para a UGT, continua a haver linhas vermelhas insusceptíveis de negociação. A longa caminhada destas alterações vai continuar com uma nova reunião entre as partes – da qual, em princípio, a CGTP continuará a não participar. O Governo não quer eternizar a discussão, mas o novo presidente faz da negociação uma obrigação de todas as partes. No vai não vai do debate, quisemos saber como Manuel Carvalho da Silva analisa a proposta do Governo, o processo negocial e, também, como podemos inserir o que está em causa na linha do tempo da história recente do país. Figura incontornável do sindicalismo português, Manuel Carvalho da Silva foi presidente da CGTP entre 1987 e 2012. Licenciou-se em sociologia em 2000 e doutorou-se no ISCTE, sete anos mais tarde, com a tese A centralidade do trabalho e acção colectiva. Sindicalismo em tempo de globalização. É também coordenador do Laboratório Colaborativo para o Trabalho, Emprego e Protecção Social (CoLABOR).See omnystudio.com/listener for privacy information.
O preço mundial do petróleo subiu na sexta-feira. Para tentar baixar o preço, os EUA aliviaram as sanções sobre países que comprem petróleo e produtos petrolíferos russos. A União Europeia classificou a decisão como “muito preocupante”. A Rússia agradece, pois pode vender cerca de 100 milhões de barris de petróleo actualmente em trânsito. Afinal, o que era uma “pequena excursão”, na expressão de Donald Trump, arrisca-se a ser a maior crise energética da história. O ataque ao Irão revelou-se um ataque à “economia mundial”, como lhe chamou a Economist. Trump foi eleito para acabar com as guerras e baixar a inflação, mas o que está a acontecer é o contrário. Os EUA terão gastado cerca de 11 mil milhões de euros, só nos primeiros seis dias, diz a CNN. Trump já disse que a guerra ia acabar em breve. Israel envolveu-se numa nova frente de guerra no Líbano e o Irão promete não desistir. Mojtaba Khamenei, o novo ayatollah, prometeu, na sua primeira declaração pública, a “vingança dos mártires”. Por outro lado, o presidente iraniano diz que a “única maneira de acabar com esta guerra “é reconhecer os direitos legítimos do Irão, pagar reparações e obter firmes garantias internacionais contra futuras agressões”. Quem decide quando acabará esta guerra? Pedro Ponte e Sousa, professor de Relações Internacionais da Universidade Portucalense e investigador do IPRI, é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Batalha Atrás de Batalha, o último filme de Paul Thomas Anderson, tem vencido vários prémios. O filme ganhou os Prémios da Associação de Produtores, os PGA Awards, reforçando o seu favoritismo para os Óscares, que serão entregues este domingo. É o que diz a estatística. Nos últimos 16 anos, este prémio coincidiu 14 vezes com o vencedor do Óscar de Melhor Filme. Antes disso, Batalha Atrás de Batalha venceu o Critics Choice Awards, Globos de Ouro e Paul Thomas Anderson foi considerado o melhor realizador várias vezes. Sim, Batalha Atrás de Batalha foi o título mais nomeado para os prémios da indústria britânica de cinema, os Bafta, e Thomas Anderson recebeu o prémio de melhor realizador. De prémio em prémio até ao Óscar final? Batalha Atrás de Batalha e Paul Thomas Anderson têm combatido com outro potencial favorito, Pecadores, de Ryan Coogler, que batera o recorde ao tornar-se no filme mais nomeado de sempre pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, com 16 indicações. Acontece que Pecadores tem vindo a ganhar cada vez mais favoritismo. Vasco Câmara, crítico de cinema do PÚBLICO e convidado deste episódio, acha que estamos perante uma corrida entre os dois. Veremos no domingo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Cuba está sujeita ao embargo dos EUA há mais de 60 anos e desde o rapto de Nicólas Maduro que deixou de receber petróleo venezuelano. A economia da ilha depende, na sua quase totalidade, da energia externa e está perto do colapso. Os apagões são constantes, cada vez mais prolongados e regulares, os transportes são raros, cresce a inflação e a escassez de alimentos. A população tem recorrido a painéis solares para enfrentar a falta de combustível e permitir que o comércio e a vida prossigam. Esta semana, o Governo dos EUA afirmou que o petróleo de origem venezuelana pode ser revendido e transportado para Cuba, desde que essas transacções não beneficiem o regime. E, na semana passada, quatro pessoas morreram, pelo menos, numa troca de tiros com a guarda costeira cubana, quando uma lancha rápida, baseada na Flórida, entrou nas águas territoriais do país. O que irão fazer os EUA com Cuba? O secretário de Estado, Marco Rubio, filho de cubanos exilados na Flórida nos anos 50, não esconde as suas pretensões de mudar os regimes comunistas sul-americanos. Aparentemente, Rubio estará em negociações com um “herdeiro” do regime, entre aspas, Raúl Guillermo Castro, que é neto e cuidador de Raúl Castro, que sucedeu na presidência ao seu irmão Fidel, o líder histórico da revolução cubana. Estes são os temas de conversa com a convidada do episódio de hoje, Carmen Fonseca, docente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e investigadora em análise de política externa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que a guerra com o Irão, praticamente, acabou. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, diz que a guerra “não terminou” e o Irão diz que a guerra continuará “enquanto for necessário”. Em que ficamos? Mojtaba Khamenei foi escolhido como guia supremo do Irão e a escolha não agradou a Trump. O filho de Ali Khamenei não tem experiência governativa nem grande intervenção pública. Mas é crítico do Ocidente e tem influência dentro do aparelho de segurança. O presidente dos Estados Unidos diz que a escolha vai “trazer os mesmos problemas” e preferia, claro está, uma solução semelhante à da Venezuela. Só que não há uma Delcy Rodríguez no Irão. A escalada da guerra, com o petróleo acima dos cem dólares por barril, e o impacto que isso implica nos preços em geral, penaliza o custo do dinheiro para quem tem empréstimos. A Euribor a 12 meses está perto dos 2,4% e ameaça agravar a prestação dos contratos a rever em Abril. Em Portugal, o ministro das Finanças, Miranda Sarmento, admite que o Governo não “exclui situações de défice, se as circunstâncias assim o impuserem”, devido ao impacto das tempestades e os efeitos da guerra no Médio Oriente. O convidado deste episódio, João Carvalho, director do Departamento de Economia e Gestão da Universidade Portucalense, prevê a subida de todos os preços se a guerra não acabar nos próximos dias.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A Inteligência Artificial já estava a ser utilizada por Israel para comandar drones ou disparar armas, mas os EUA estrearam no Irão novas ferramentas de ataque. A Anthropic, autora do modelo de inteligência artificial generativa Claude, não permitiu que o Pentágono utilizasse a sua tecnologia para a vigilância em massa de cidadãos e para matar pessoas sem envolvimento humano. Donald Trump retaliou e quer classificar a Anthropic como um fornecedor de risco, algo que é atribuído, regra geral, a empresas chinesas, e disse ser uma empresa esquerdista e woke. No final, optou pela concorrente, a OpenAI. A China pede às suas empresas de IA que desenvolvam ferramentas de desinformação e tem usado estes grandes modelos de linguagem para identificar dissidentes, que é um dos cenários que a Anthropic quer evitar. Como se escrevia num editorial do El Pais na semana passada, o “choque da empresa Anthropic com o Pentágono demonstra que Trump prefere uma inteligência artificial sem escrúpulos”. A delegação da decisão de matar uma pessoa num sistema controlado por algoritmos de IA coloca questões éticas fundamentais sobre responsabilidade, proporcionalidade e distinção entre combatentes e civis, escreveu no PÚBLICO Arlindo Oliveira. Colunista do Público, professor do Instituto Superior Técnico e presidente do INESC, Arlindo Oliveira é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Umas vezes, Marcelo Rebelo de Sousa foi feliz e sabia disso. Outras, terá sido feliz, mas sem o saber. O 20.º Presidente da República será recordado como o presidente dos afectos, das selfies e da proximidade. Marcelo terminou os dois mandatos como Presidente da República, retomando a proximidade com a população, na sequência da calamidade provocada pelas tempestades e cheias. Esse foi o seu estilo predominante, que contrastou largamente com o estilo do antecessor e que não será seguido pelo sucessor, certamente. Essa proximidade e interesse pelas pessoas conduziu-o a um dos momentos que marcaram o seu segundo mandato e que ficou para a História como o “caso das gémeas”. Mas Marcelo será também recordado como o presidente da instabilidade política, do recorde de dissoluções parlamentares. Há quem o acuse de banalização institucional da presidência, devido aos seus comentários constantes sobre tudo e sobre todos. O fim da presidência de Marcelo Rebelo de Sousa é a conclusão de um ciclo político. O Palácio de Belém tinha sido até aqui ocupado por presidentes que participaram na transição para a democracia. Ora, não é esse o perfil de António José Seguro, que hoje toma posse como Presidente da República. Qual foi o principal legado de Marcelo e que esperar de Seguro, para além da sua previsibilidade? David Santiago, editor da secção de Política do PÚBLICO, responde a estas e outras questões.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Desde Memória de Elefante, o seu primeiro romance, de 1979, que António Lobo Antunes criou uma “coisa muito, muito nova” na literatura portuguesa do pós-25 de Abril, como escreveu ontem Isabel Lucas, crítica literária do PÚBLICO, no obituário que lhe dedicou. António Lobo Antunes, que quis ser jogador de hóquei do Benfica, que foi psiquiatra e que sempre foi escritor, confessou, numa das entrevistas a Isabel Lucas, que tinha escrito dez ou 15 livros antes de publicar Memória de Elefante, rejeitado por várias editoras, e que todos eles tinham ido para o lixo. A guerra colonial era o tema desse livro. Tema e trauma presente nos primeiros romances, experimentais e inovadoras na literatura da época, a partir da inspiração de William Faulkner. “Não me apetecia morrer na guerra porque tinha a certeza de que ia escrever livros como nunca se tinham escrito”, disse ele numa entrevista. António Lobo Antunes, ao longo da sua carreira, embrenhou-se no aperfeiçoamento das suas vozes, da sua escrita, polifónica, até ao último dos seus romances, O Tamanho do Mundo, publicado em 2022. Foi um dos escritores nacionais mais premiados, mas faltou-lhe o Nobel.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Chama-se Eduardo Souto de Moura, é um dos mais destacados arquitectos da escola do Porto, venceu o Pritzker de 2011 – uma espécie de Nobel da arquitectura – e vai será hoje o director por um dia do PÚBLICO. Na justificação que deu para ter aceitado o desafio do jornal, Eduardo Souto de Moura enalteceu a importância do tema escolhido para a edição especial de aniversário – a habitação, sem dúvida um dos maiores problemas com que a sociedade portuguesa, em especial os jovens, se debate. Mas no som que escutámos com essa justificação, o arquitecto, de 73 anos, afirma também que o desafio do PÚBLICO lhe concede a oportunidade de aprender. Uma lição de vida, portanto. Estamos assim num encontro perfeito entre o jornal e uma das mais prestigiadas figuras da cultura portuguesa. Cumprindo uma longa tradição, no dia do seu aniversário o PÚBLICO abre as portas a uma figura pública, escolhida de acordo com o tema editorial dessa edição. Já passaram por cá personalidades como António Barreto, Manuel Sobrinho Simões, Elisa Ferreira, Maria Teresa Horta, Gregório Duvivier ou Nelson Évora. O plano de trabalho segue um guião determinado: da ideia original parte-se para uma série de discussões de jornalistas e editores com o director por um dia para fixar os textos e as imagens que serão produzidas para a edição especial. No dia 5 de Março, os leitores têm por isso acesso a um jornal impresso com muitas mais páginas, que vale a pena coleccionar. Na edição que hoje está nas bancas, pode-se saber como a tecnologia pode tornar a casa mais eficiente e inteligente, os livros para explicar às crianças o que é casa, as casas no cinema, o espaço público como continuação da casa ou o país sem casas, o nosso, e como se chegou aqui. Sendo arquitecto, Eduardo Souto de Moura deixa-nos um ensaio gráfico como editorial. No 36 ano de vida, em que foi eleito o jornal europeu do ano pelo European Newspaper Award, o PÚBLICO volta a celebrar com os seus leitores não apenas com a edição especial de aniversário, mas também com uma série de actividades públicas em torno da habitação. Vamos saber com David Pontes, o director do jornal, as razões para a escolha do tema deste ano, do seu director por um dia e também falar sobre o que se projecta para o futuro próximo do seu jornal.See omnystudio.com/listener for privacy information.
As declarações que acabámos de ouvir foram proferidas pela advogada Sara Leitão Moreira, a última indicada por José Sócrates para a sua defesa no processo da Operação Marquês. Nada de novo: depois da renúncia de Pedro Delile, Sócrates já foi representado por alguns dias por José Preto e Sara Leitão Moreira, por dois defensores oficiosos (José Ramos e Ana Velho), além de uma advogada que pediu escusa por ter sido eleita pelo Chega (Inês Louro). Qual é o problema: em cada mudança de advogado, o processo já exageradamente logo volta a ficar parado. João Miguel Tavares escreveu há dias na sua coluna do Público um texto com o título "A humilhação do sistema de justiça às mãos do animal feroz", no qual afirmava: José Sócrates e a sua equipa jurídica estão a implementar uma estratégia que alguém já baptizou de “rodízio de advogados”, e espantosamente o sistema judicial parece não ter resposta para ela. Continuava o colunista: Um advogado assume a defesa, pede cinco meses para estudar o caso, a juíza dá-lhe dez dias, renuncia; outro advogado é nomeado, pede cinco meses para estudar o caso, a juíza dá-lhe dez dias, renuncia; e assim sucessivamente, até à prescrição de todos os crimes. O que está a acontecer é, como diz João Miguel Tavares, espantoso. À pressa, juristas e advogados procuram encontrar uma solução para este fenómeno que descredibiliza a Justiça. A Ordem dos advogados sugere a indicação de advogados oficiosos permanentes que actuariam sempre que os defensores constituídos por José Sócrates renunciassem ou faltassem. Mas as regras dos pagamentos a estes advogados implicam que as contas se façam no final do processo. No caso, seguramente, daqui a alguns anos. O que é inviável e requer mudanças nas regras. Para quando virão essas mudanças? Ninguém sabe Para nos explicar os contornos deste problema que reforça o coro de críticas ao sistema judicial e ao seu alegado excesso de garantias, convidámos a jornalista do PÚBLICO Mariana Oliveira. A Mariana é jurista de formação e acompanha há anos este processo para os leitores do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Já passaram mais de 72 horas desde que o mundo acordou com as notícias do ataque ao Irão mas o mundo continua sem saber exactamente o que quer esta guerra, quais as suas origens e, muito pior, quais as suas consequências. Toda a enorme, complexa, instável e explosiva situação do Médio Oriente se agravou até ao ponto de ninguém, nem a Casa Branca, arriscar o que pode vir a seguir. Como ninguém, nem a Casa Branca, nos explica com certezas qual a razão para um ataque desta dimensão. O Irão é uma ameaça existencial para a América ou para Israel? Está a desenvolver mísseis balísticos intercontinentais que podem atingir Nova Iorque? Bombas nucleares? É um regime tirânico que oprime o seu povo e avançar com uma mudança desse regime é uma prioridade humanitária? Todos os dias Washington avança com novas explicações. No essencial, nenhuma consegue fornecer a resposta que o mundo exige: esta guerra faz sentido porquê? Os seus méritos, admitindo que há méritos nas guerras, foram avaliados? Os riscos calculados? Um período de tempo de duração estimado? Os custos, na energia, na inflação, na desestabilização de uma zona sensível da geopolítica, foram medidos? Como ninguém sabe responder, principalmente quem tinha de saber responder, a incerteza aumenta e a estabilidade mundial sofre um novo retrocesso. Se democracias fazem ataques destes sem razões atendíveis à luz do direito internacional e da carta das Nações Unidas, por maioria de razão ditadores da estirpe de Vladimir Putin também se sentem livres para o fazer na Ucrânia ou, amanhã, na Lituânia. O que representa isto para o futuro do mundo? Pergunta que vamos tentar esclarecer com Joana Ricarte, investigadora no Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra, Especialista em Relações Internacionais, com foco em estudos da paz, identidades e conflitos, extremismo quotidiano e (in)segurança ontológica.See omnystudio.com/listener for privacy information.
EUA e Israel atacaram em conjunto o Irão, neste fim-de-semana, e mataram Ali Khamenei, o líder supremo do país. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que quatro dezenas de líderes políticos e religiosos tinham sido mortos neste segundo ataque em menos de um ano, entre eles o ministro da Defesa e o líder dos Guardas da Revolução. O presidente Masoud Pezeshkian fará parte de um conselho interino, que irá gerir o Irão até à eleição de um novo líder supremo. Os ataques fizeram mais de 200 mortes e feriram mais de 700 pessoas, grande parte das quais numa escola feminina no sul do país, na qual terão morrido mais de cem crianças. O Irão retaliou com o lançamento de mísseis sobre os países da região com bases militares dos EUA e sobre Israel. Três soldados norte-americanos tinham sido mortos em combate e cinco ficado gravemente feridos. Pelo menos, nove israelitas morreram, num ataque à cidade de Beit Shemesh, quando um míssil atingiu um abrigo numa sinagoga. O ataque, que interrompeu as negociações que estavam em curso, motivou uma reunião do Conselho de Segurança dos EUA e muitos protestos contra e a favor, quer no Irão, quer no resto do mundo. Que consequência terá este ataque no xadrez do Médio Oriente, em particular nas relações entre sauditas e persas, e no eventual apoio do Iraque ao Irão? Tiago André Lopes, professor de Estudos Asiáticos e Diplomacia na Universidade Lusíada do Porto, analisa, neste episódio, os contornos desta guerra e afirma que “Israel estava descontente com o processo negocial porque ele estava a correr bem”.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Comments (2)

mal disposto

(voltou aquele problema de ficheiro “não escutável” .... cuidado se estiverem a conduzir e o programa de podcasts ficar parado)

Sep 10th
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Nuno Neves

Não gostei do comentário de hoje.

Jun 8th
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