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Faltavam menos de 48 horas para o final da campanha da segunda volta das eleições presidenciais e um dos candidatos avança com uma solução radical: adiar as eleições. A lei eleitoral para o Presidente da República não prevê um adiamento geral do ato eleitoral, apenas adiamentos em secções de voto determinadas pelos presidentes de Câmara. Mas o apelo de André Ventura exprime bem a complexidade desta campanha estranha em que se falou mais do clima do que de política. Ventura, um jurista, sabe que o seu pedido não tem cabimento legal, mas o seu instinto político leva-o a aproveitar a intempérie para se recolocar onde mais gosta de estar: no centro das atenções. Seja como for, as marcas da vaga de depressões que aconteceram nas duas últimas semanas da campanha são indeléveis. O país, naturalmente, focou-se mais no drama dos portugueses afectados do que nas mensagens dos candidatos. Convidámos para discutir estes temas o economista Rui Moreira. Foi, até Novembro, presidente da Câmara Municipal do Porto e foi também mandatário nacional da candidatura de Luís Marcos Mendes. Depois dos resultados da primeira volta, Rui Moreira tornou público o seu apoio a António José Seguro.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A depressão Leonardo provocou cheias em Grândola e Alcácer do Sal e suspendeu comboios na linha do Sul. 83 mil clientes da E-Redes continuavam sem electricidade e o Estado assumiu custos de 459 milhões de euros com linhas de crédito para as empresas afectadas pela tempestade Kristin. O acesso a apoios de dez mil euros exige provas de que seguros foram accionados e particulares, pequenas empresas e instituições têm de ter a sua situação regularizada perante o Estado. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve ontem na região Centro, onde defendeu uma maior ligação entre as Forças Armadas e a Protecção Civil, e disse o que achava da comunicação do Governo às populações: “Não correu bem”. E criticou as operadoras de telecomunicações, que se portaram mal. O país ainda não recuperou de uma tempestade e vai ser obrigado a confrontar-se com novas e violentas intempéries, que também se abatem sobre Espanha e Marrocos. Vem aí mais um rio atmosférico? O que é que isso significa? Há uma relação entre a sucessão de tempestades que atingiu a Península e as alterações climáticas? Para responder a estas e outras questões, convidamos Andrea Cunha Freitas, jornalista do Azul, a secção do PÚBLICO dedicada à crise climática, ambiente e sustentabilidade.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O primeiro-ministro esteve ontem em Pombal, para avaliar os estragos da depressão Kristin em duas empresas, rejeitou as críticas às respostas do Estado nesta situação de emergência e anunciou a isenção de portagens em quatro auto-estradas das zonas afectadas. As críticas à actuação das diferentes estruturas do Governo destinam-se, sobretudo, à ministra da Administração Interna e já se fazem ouvir dentro do próprio PSD. A Kristin foi embora e chegou a depressão Leonardo. A Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil alertou para a possibilidade de inundações em zonas urbanas, cheias, derrocadas e acidentes em zonas costeiras, até quinta-feira, devido à passagem da depressão Leonardo por Portugal continental. Algarve, Alentejo e Lisboa são as regiões onde se prevê que o impacto da chuva e do vento seja maior. A GNR e a Protecção Civil recomendam a preparação de um kit de emergência para 72 horas e evitar deslocações desnecessárias em zonas costeiras ou arborizadas. Manuel João Ribeiro, professor do ISEG e investigador do Iscte, ex-presidente e vice-presidente do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil, é o convidado de hoje. Neste episódio, Manuel João Ribeiro diz que falta uma cultura de prevenção e defende uma melhor articulação entre os planos de protecção civil municipais e nacionais.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Enquanto no debate político se fazem as tradicionais operações de passa-culpas, os jornalistas empenharam-se em ir ao terreno para ver uma região a recuperar dos estragos da catástrofe Kristin. As imagens, os textos, os sons que nos fizeram chegar são arrepiantes. Um país destruído onde vivem pessoas aflitas e preocupadas com o presente e os custos dos estragos no futuro. Um país onde, uma vez mais, foi o poder político de proximidade, as autarquias, ou as instituições de proximidade, os bombeiros, a GNR ou a polícia, que deram as respostas mais eficazes. Um país que, tivemos uma vez mais a certeza, fez pouco para se preparar para a devastação dos fenómenos climáticos extremos. Com a ferida ainda aberta, importa saber o que aconteceu às pessoas e que custos os estragos ou a ausência do poder podem ter causado nas comunidades afectadas. A jornalista do PÚBLICO Paula Sofia Luz vive em Pombal e acompanhou a catástrofe desde o princípio. No primeiro dia, recordava a sua experiência assim: “Às 3 horas da manhã a chuva em Pombal era tão intensa que me trouxe à memória a enxurrada de 2006, quando aqui percebemos que, afinal, o nosso maior medo só era o fogo até percebermos o quanto pode a água. Sabemos agora que é o vento, afinal, o mais perigoso”.See omnystudio.com/listener for privacy information.
António José Seguro vive assombrado pelo drama da abstenção. Desde que a corrida pela segunda volta começou, o candidato tem feito sucessivos apelos à mobilização dos seus eleitores. Ter mais votos, significa mais legitimidade, disse. As sondagens, não ganham eleições, afirma e repete a cada passo. Com a sondagem do CESOP, da Universidade Católica, para o PÚBLICO/RTP e antena 1 a dar-lhe uma vitória de 70% contra o seu opositor, André Ventura, Seguro sabe que tem de enfrentar uma ameaça: a dos eleitores que ficam em casa por saberem que não vale a pena perder tempo a votar num candidato que já ganhou. Perante este cenário, uma das estratégias de André Ventura é colocar no ar dúvidas aos eleitores da direita moderada que de alguma forma se sentem inclinados para o seu adversário. O ataque às personalidades dessa área política que recomendaram o voto em Seguro é uma das faces dessa estratégia. A abstenção nas presidenciais é por regra superior à das legislativas. Na primeira volta, registou o valor mais baixo em 20 anos de eleições do Presidente da República – 47,65%. Em escolhas com vencedor antecipado, porém, como aconteceu com a segunda eleição de Marcelo Rebelo de Sousa, a abstenção chegou aos 60,8%. Uma vez que este fenómeno tende a prejudicar mais o candidato favorecido nas sondagens do que o eleitorado mobilizado e fiel de Ventura, compreende-se a preocupação de Seguro e a estratégia do seu oponente. Vamos tentar perceber o que está em causa com os eventuais cenários da abstenção no próximo domingo. Convidámos assim para este episódio João António, Director do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP) e investigador no Centro de Investigação do Instituto de Estudo Políticos da mesma universidade.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Os EUA enviaram para o Golfo Pérsico uma frota maior do que aquela que tinham enviado para a Venezuela, aquando do rapto de Nicolás Maduro. E o presidente dos EUA voltou a ameaçar o Irão e disse esperar que a república islâmica se sente à mesa para negociar um acordo sobre o seu programa nuclear. Os EUA querem que o Irão termine de vez com este programa nuclear (permitindo a entrada de peritos da ONU e dando a gestão do seu urânio enriquecido a um país terceiro), querem acabar com a capacidade iraniana de disparar mísseis de longo alcance e remover o seu líder supremo, Ali Khamenei. No início do mês, Trump mostrou-se disposto a intervir e disse que a “ajuda” estava “a caminho”, em resposta à repressão brutal das autoridades sobre os iranianos que participaram em manifestações em massa contra a liderança do país. Os EUA vão mesmo atacar o Irão? E se isso acontecer, que efeitos terá esse ataque na região e como reagirá a China? Pequim alertou contra o “aventureirismo militar” dos EUA. “O uso da força não resolve os problemas” disse o embaixador chinês na ONU. Tiago André Lopes, professor de Estudos Asiáticos e Diplomacia na Universidade Lusíada do Porto, é o convidado do P24 quando se fala do Irão.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O país, em especial a zona oeste, está novamente de luto. Ventos com rajadas de 150 km hora, chuvas diluvianas durante horas voltaram a aparecer e a causar um dantesco rasto de destruição e perdas. Quem atravessasse a zona do histórico Pinhal de Leiria ontem de manhã podia ter uma ideia da tempestade que acontecera. Milhares de árvores tinham sido arrancadas do chão ou quebradas como se fossem palitos. A principal auto-estrada que liga as duas maiores cidades do país esteve encerrada e a circulação dos comboios em toda a extensão da Linha do Norte estava suspensa. Até ao final da tarde de ontem, centenas de milhares de portugueses continuavam sem electricidade. Concelhos como Leiria ou Pombal estavam mergulhados no caos. Pelo menos cinco mortos estavam confirmados. Há anos que as ciências do ambiente avisam para a multiplicação de fenómenos climáticos extremos como o da madrugada de terça-feira. Se a sua prevenção exige um esforço global que o cinismo do nosso tempo não parece tolerar, a obrigação de preparar a infra-estrutura básica do país para lhe resistir é cada vez mais indispensável. Quando a ligação entre duas cidades fica proibida, quando empresas têm de parar por falta de electricidade, quando os campos agrícolas inundam ou são devastados pelo excesso de água, todo o país sofre. Para sabermos o que está a ser feito para controlar esses danos e avaliar a resiliência do país a estes fenómenos, é preciso ouvir a engenharia. Foi esse o propósito do P24 de hoje, que convidou para este episódio Bento Aires, Presidente do Conselho Directivo Regional do Norte na Ordem dos Engenheiros. Bento Aires é também docente convidado da Porto Business School (PBS), onde desempenha ainda funções de coordenador de Programas Executivos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
As palavras da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, no final da ronda negocial encerrada esta semana com o governo indiano, em Nova Deli, ficam para memória futura: a parceria entre a segunda e a quarta maiores economias do mundo é a mãe de todos os acordos, disse Von der Leyen. Ao reduzir ou eliminar tarifas nas trocas comerciais entre estes blocos, cria-se uma lenda de dois gigantes apostados em defender o interesse mútuo através da negociação e do livre comércio. A mensagem, decisiva e clara, dirigia-se aos dois mil milhões de pessoas que na Europa e na Índia vão beneficiar do acordo. Mas dirigia-se também ao inquilino da Casa Branca que se tem empenhado em abolir ou destruir a ordem económica baseada no multilateralismo e no comércio global. Tanto como um interesse económico, o esforço da Europa para fechar processos negociais que duram há décadas envolve outras preocupações. Contra a geopolítica das esferas de influência, a União insiste na bondade do comércio livre com todos. Foi com base neste empenho que fechou o acordo com o Mercosul, que entretanto, os lobbies do Parlamento Europeu trataram de adiar por mais um ano, pelo menos. Foi também com base nessa visão, que conserva a ordem multilateral e global do Mundo, que fechou o acordo com a poderosa Índia. No futuro próximo, as exportações europeias para a Índia, que rondaram os 114 mil milhões de euros, poderão crescer mais 16 mil milhões, de acordo com uma estimativa do Allianz Bank. Os carros europeus, que pagavam taxas de 110%, passarão a pagar 10% até um limite de 250 mil viaturas exportadas. E Portugal pode beneficiar, entre outras exportações, com a baixa de impostos alfandegários a máquinas e equipamentos ou aos vinhos. O que significa esta aceleração da Europa nas parcerias comerciais com blocos como o Mercosul ou potências emergentes como a Índia? Como situar estes acordos na crescente degradação da relação da Europa com os Estados Unidos? Será que a União Europeia luta por liderar a velha ordem multilateral contra as tentações hegemónicas dos Estados Unidos, China e Rússia? Rita Siza, jornalista e correspondente do PÚBLICO em Bruxelas, acompanha a par e passo a estratégia europeia neste novo mundo multipolarizado e incerto. A Rita tem uma longa carreira no acompanhamento das grandes mudanças tectónicas da política internacional. Antes de ir para Bruxelas, esteve anos em Washington como correspondente deste jornal.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Renee Good e Alex Pretti foram abatidos por agentes do ICE, a polícia que combate a imigração ilegal e que ocupou o Estado do Minesota, nos EUA. A primeira foi abatida por agentes que alegaram terem sido vítimas de atropelamento e o segundo, um enfermeiro dos cuidados intensivos de um hospital de veteranos, foi morto em suposta legítima defesa. A administração de Donald Trump foi rápida a classificar Renee Good e Alex Pretti como terroristas domésticos, mas os vários vídeos em circulação, e o trabalho dos media, desmentem estas acusações. Não é por acaso que isto acontece no Minesota, que tem sido destino de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial, sobretudo a partir da década de 70, quando acolheu milhares de vietnamitas do Sul. Minneapolis não é das cidades dos EUA com mais imigrantes. Mas foi aqui que George Floyd foi asfixiado até à morte por um polícia, dando origem ao movimento Black Lives Matter, e este é o Estado governado por Tim Waltz, o candidato democrata à vice-presidência nas últimas eleições. É sobre tudo isto que iremos conversar com a convidada deste episódio. Daniela Melo, cientista política e professora da Universidade de Boston, nos EUA, fala na militarização das forças de segurança e diz que o “Estado de Direito é para todos e não apenas para quem votou em Donald Trump”.See omnystudio.com/listener for privacy information.
No ano passado, a Autoridade para as Condições do Trabalho recebeu 3490 pedidos de intervenção em casos de assédio moral e sexual no local de trabalho, mas apenas aplicou 20 contraordenações durante aquele período. O que é que explica esta discrepância? Existe um abismo entre o número de queixas apresentadas e a realidade das relações laborais. E um grande desconhecimento quanto à sua dimensão. O último grande estudo sobre os vários tipos de assédio em contexto laboral data de 2016, ainda antes do movimento #MeToo. Segundo esse estudo, 16,5% da população activa dizia já ter sido vítima de assédio moral e 12,6% de assédio sexual no local de trabalho. As mulheres surgiam como principais vítimas de assédio moral e sexual, enquanto os homens eram mais vítimas de assédio moral do que sexual. O primeiro grande inquérito a nível mundial, desenvolvido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2022, revelou que mais de uma em cada cinco pessoas empregadas sofrera violência e assédio no trabalho. E que, como é habitual, apenas metade das vítimas inquiridas falara com outra pessoa sobre o sucedido. Neste episódio falamos com Natália Faria, editora da secção de Sociedade do PÚBLICO e autora da notícia que hoje publicamos sobre este tema.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Durante muitos anos, Portugal esteve imune ao crescimento do populismo de extrema-direita, ao contrário do que acontecia em grande parte dos países da União Europeia. Mas bastaram seis anos para que o Chega de André Ventura passasse de um único deputado para segunda força parlamentar, em 2025. Os 60 deputados do Chega abalaram os alicerces do bipartidarismo, dado até aí como garantido. A primeira volta das eleições presidenciais consolidou o peso eleitoral de André Ventura, o segundo candidato mais votado, com uma percentagem de 23,52% que ficou muito à frente do candidato do PSD e do Governo, e que irá disputar a segunda volta com António José Seguro. O Chega combina nativismo, autoritarismo e uma xenofobia específica contra a comunidade cigana e o seu sucesso pode ser atribuído, entre outras causas, à activação de um eleitorado propenso à abstenção, à visibilidade do seu líder e à utilização das redes sociais. É o que defendem vários investigadores, portugueses e estrangeiros, que participam na obra colectiva Chega: The New Portuguese Far Right, publicada, recentemente, pela Routledge. Este livro conclui que a normalização mediática e política do Chega permitiu o seu crescimento entre um eleitorado moderado e atraiu militantes à procura de uma oportunidade na política. O convidado deste episódio é João Carvalho, o coordenador deste livro. Cientista político e investigador do Iscte, João Carvalho tem vindo a estudar os movimentos da extrema-direita europeia.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Em Portugal, a acção de grupos associados a movimentos racistas ou nacionalistas da extrema-direita entrou definitivamente na ordem do dia e no centro da preocupação dos cidadãos e das autoridades. No seu substrato estão os discursos contra imigrantes e estrangeiros, o apego a um nacionalismo excludente e sectário e uma deriva religiosa, em especial contra os muçulmanos, que os situa na categoria dos fundamentalistas. Tudo feito nas cavernas da internet com doses industriais de violência e intimidação Aqui e ali, muitos destes grupos dirigidos por conhecidos militantes da extrema-direita, como Mário Machado, que está de novo na prisão, empenham-se em diversificar o seu programa de acção, que consiste em manifestações em datas relevantes, como o 25 de Abril, que a reportagem da SIC captou. Outras vezes, dedicam-se a agredir imigrantes ou a disseminar discurso de ódio. As autoridades dão conta que esse tipo de crime cresceu sete vezes desde 2019. A actividade destes grupos, não podia deixar de ser acompanhada pelas autoridades. Esta semana, a operação Irmandade mobilizou mais de 300 operacionais em buscas por todo o país e levou à detenção de 37 extremistas e a constituição de arguido de outros 17. Foram apreendidas armas e propaganda à ideologia fascista ou nazi. A prioridade da polícia judiciária é travar o crescimento destas redes. Porque os números trazidos por Luís Neves, director nacional da Polícia Judiciária, são alarmantes. Para avaliarmos o nível desta ameaça à segurança e às liberdades públicas em Portugal, convidámos para este episódio Cátia Moreira de Carvalho, doutorada em Psicologia e investigadora do fenómeno dos extremismos em vários projectos sedeados em universidades portuguesas e europeias.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Há um ano, quando tomou posse, prometeu uma era dourada para os EUA. Não foi bem o que aconteceu. Donald Trump mudou radicalmente os EUA e a ordem internacional. Estava tudo previsto, ou quase tudo, no chamado Projecto 2025, o guião elaborado pela ultraconservadora Fundação Heritage. A centralização do poder no presidente (em detrimento do congresso), o desmantelamento da administração federal (a substituição de funcionários públicos por fieis funcionários), a instrumentalização do Departamento de Justiça para perseguir os seus inimigos (como o chairman da Reserva Federal, Jerome Powell), o negacionismo na ciência e a abolição do Departamento de Educação, a caça ao imigrante e as deportações em massa, a estigmatização das minorias, o controlo político das universidades ou da liberdade de expressão. A lista de tropelias é longa. Demasiado longa. Mas Trump não quer ser apenas dono da América. Também parece que quer ser dono disto tudo. A nova Estratégia de Segurança Nacional consagra a lei da força e o regresso ao expansionismo do século XIX. A visão imperial de Trump já teve o episódio venezuelano, com o rapto de Nicólas Maduro. Quais serão os próximos? O presidente dos EUA tem pressionado Panamá, Colômbia, Canadá ou Dinamarca. A sua nova exigência é a Gronelândia. Como é que a União Europeia se pode defender do antigo aliado caso este se torne a sua principal ameaça? Neste episódio, Diana Soller, investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisbia, faz o balanço de um ano de mandato de Donald Trump.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Faltam três semanas para sabermos que vai suceder a Marcelo Rebelo de Sousa em Belém. Quando os resultados de domingo começam a ser digeridos, chega a hora de tentar entender as consequências que a primeira volta pode trazer para a situação política e analisar a correlação de forças entre os candidatos apurados para a escolha final de 8 de Fevereiro, António José Seguro e André Ventura. Numa eleição surpreendente, em que os favoritos ficam em lugares muito abaixo na tabela e o patinho feito da campanha, Seguro vence com uma boa margem, só Ventura foi capaz de conservar a sua posição entre as sondagens e as urnas de voto. O que revela a enorme fidelidade do seu eleitorado. Há questões a ponderar para o futuro. A derrota do candidato do Governo prova que a relação entre o país e o Governo de Luís Montenegro está longe de ser incondicional. A dispersão do eleitorado da AD por Gouveia e Melo e Cotrim Figueiredo é um desafio para os estrategas do Governo. O poder do Governo para influenciar a escolha presidencial foi menos que nula: foi negativa, funcionou ao contrário. E agora, qual a melhor escolha? Numa eleição que, mais do que um clássico esquerda/direita será uma batalha entre um candidato da esfera democrática e um candidato populista que há semanas pedia três Salazares para Portugal, adivinha-se muita paixão e muita incerteza. A ambiguidade de Montenegro, de Cotrim ou de Gouveia e Melo estabelece um padrão que vai ser muitas vezes invocado nos combates que se adivinham. Por esse lado, esta eleição cumpre as suas expectativas: vai ter uma enorme influência no futuro. Vamos discutir o que aconteceu e o que pode vir a acontecer e para esse fim convidámos para este episódio o historiador e cientista político António Costa Pinto, presentemente Investigador Aposentado no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Professor Convidado no ISCTE, Lisboa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
António José Seguro ou André Ventura? Confirmaram-se as previsões. O eleitorado vai escolher um deles como Presidente da República, a 8 de Fevereiro. O primeiro, com 30% dos votos, é o vencedor inesperado destas eleições, após 10 anos longe da vida política e de ter tido um apoio hesitante do seu próprio partido. José Luís Carneiro, líder do PS, pediu a todos os democratas que se unissem numa segunda volta, associando-se a esta vitória. O facto de André Ventura, chegar à segunda volta, com 24% dos votos, significa que o Chega continua a manter um eleitorado fidelizado e permite-lhe dizer que é o novo líder da direita”. João Cotrim, com 15%, foi o terceiro candidato mais votado, reforçando a fragmentação da direita, situando-se à frente de Luís Marques Mendes, que teve 12%, um pouco menos do que a votação de Henrique Gouveia e Melo. Nunca um candidato apoiado pelo PSD ou por um partido do Governo tinha obtido resultados tão baixos. Mendes não quis pronunciar-se sobre quem escolher numa segunda volta. E Luís Montenegro, primeiro-ministro e líder do PSD, também não, com o argumento de que o espaço político do seu partido não estará representado a 8 de Fevereiro. Filipe Teles, cientista político e investigador da Universidade de Aveiro, analisa os resultados da noite eleitoral e explica que a vitória de Seguro foi a vitória da política do normal e da moderação.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Os cinco principais candidatos a passarem à segunda volta das eleições presidenciais viveram as últimas duas semanas uma corrida ombro a ombro que continua longe de estar resolvida. Nas feiras, mercados, no circuito da carne assada dos comícios Portugal fora, foram-se medindo, combatendo à espera de um erro do adversário capaz de acabar com o empate técnico. Pelo caminho, sofreram as agruras ou os incentivos das sondagens, criaram ou foram vítimas de ataques sobre a sua idoneidade, fizeram a apologia da confiança, da estabilidade, da ousadia, da experiência ou da novidade para se consolidarem nas intenções de voto. Chegaram ao fim com tudo em aberto, embora António José Seguro e André Ventura tenham mais razões para estar optimistas sobre a passagem à segunda volta. Neste episódio especial do P24, quisemos saber que avaliações fazem os nossos repórteres que acompanharam as cinco candidaturas deste percurso. Da animação ou depressão na rua, há sempre a possibilidade de captar sinais que escapam às sondagens. Vamos por isso saber o que se passou nas rotas da campanha pelo país com Joana Mesquita, Maria do Céu Lopes, Ana Begonha e Filipe Santa-Bárbara.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Como acabamos de ouvir, o regime iraniano reprime a tiro as manifestações que exigem a queda da República Islâmica. Neste caso, trata-se do som de um vídeo da fuga de manifestantes em Malekshabi. A vaga de protestos começou em Teerão, a 28 de Dezembro, e alastrou, rapidamente, a todo o país e já terá provocado a morte de mais de 2600 pessoas. Impulsionados pela desvalorização da moeda e por uma inflação de 40%, os comerciantes dos bazares foram os primeiros a desafiar o regime. A revolta generalizou-se e ameaça a ditadura teocrática, fragilizada pela guerra dos 12 dias com Israel, os bombardeamentos dos EUA e pesadas sanções económicas. Estes são os maiores protestos desde a revolta provocada pelo assassinato de Masha Amini, uma jovem de origem curda, presa e torturada pela polícia, em 2022, por não usar correctamente o hijab. Donald Trump diz que a ajuda a quem protesta vai a caminho e que não está disposto a negociar com as autoridades do país. A oposição iraniana está dividida, não tem líderes e o regresso do filho do xá, deposto na revolução islâmica de 1979, não é uma figura unificadora. Reza Palevi diz que o regime está em guerra com a população. É verdade. Mas Palevi invoca memórias de uma monarquia repressiva. O regime do ayatollah Ali Khamenei vai sobreviver à pressão interna e à pressão externa? Neste episódio, Tiago André Lopes, professor de Estudos Asiáticos e Diplomacia na Universidade Lusíada do Porto, explica o que se passa e o que se poderá passar no Irão.See omnystudio.com/listener for privacy information.
André Ventura, António José Seguro e João Cotrim de Figueiredo são os três candidatos com mais probabilidades de passarem à segunda volta das eleições presidenciais, segundo a sondagem da Universidade Católica Portuguesa que o PÚBLICO, RTP e Antena 1 divulgaram ontem. A sondagem, realizada na semana passada, entre 6 e 9 de Janeiro, calcula que André Ventura seja o candidato mais votado, com 24% dos votos. E revela, também, que Seguro e Cotrim estão em rota de ascensão significativa, quando comparamos esta com a anterior sondagem de Dezembro. Seguro tem 23% das intenções de voto e Cotrim 19%. No sentido oposto, Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes desceram entre sondagens e estão num verdade empate, nos 14% das intenções de voto do eleitorado. As mulheres preferem António José Seguro, os homens votam mais em André Ventura e Cotrim de Figueiredo é, de longe, o candidato mais popular entre o eleitorado jovem. Esta sondagem incluiu uma pergunta sobre a segunda volta e aponta António José Seguro como o mais provável vencedor das presidenciais, caso seja um dos candidatos mais votados no próximo domingo, logo seguido de Gouveia e Melo, Cotrim de Figueiredo e Marques Mendes. Para falarmos sobre a campanha e possíveis resultados das eleições, convidamos David Santiago, editor da secção de Política do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Não há volta a dar: o que o director-executivo da CNN, Pedro Santos Guerreiro, disse num dos espaços de informação da estação é o que se tornou lugar comum na actual campanha presidencial: a tracking poll da Pitagórica para a CNN, TVI, JN e TSF passou a ser o elemento central das conversas dos eleitores e das ansiedades dos candidatos. As suas indicações não passam disso, de indicações, e os seus autores e outros especialistas em consultas de opinião trataram por diversas vezes de pôr as coisas no seu lugar. Em vão. A cada dia que passa, os resultados da tracking poll são o zénite e o nadir da campanha em curso. Mais do que indicações, muitas vezes os seus números tornaram-se a própria campanha. Num caso que vai marcar a posteridade, não se ouviram avisos como os que apontam para as limitações da consulta da Pitagórica nem o precedente da eleição legislativa em que Rui Rio e António Costa apareciam ombro a ombro em véspera da votação que acabou por dar uma maioria absoluta ao PS. Pelo contrário, as indicações da tracking poll tiveram o poder de desmoralizar candidaturas bem colocadas, em especial a de Luís Marques Mendes, e de insuflar dinâmicas de vitória em outras que estavam em dificuldades, como a de António José Seguro. Afinal, o problema é do estudo ou da interpretação que se lhe concede? No dia em que se espera a divulgação da grande sondagem da Universidade Católica para o PÚBLICO, RTP e Antena 1, vamos tentar perceber como se devem ler as tracking poll e que diferenças apresentam em relação às sondagens propriamente ditas. E para o esclarecer, contamos com a participação neste episódio de Paulo Alexandre Pereira, professor do departamento de Matemática da Escola de Ciências da Universidade do Minho.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Estas eleições presidenciais têm características únicas. Uma delas reside no facto de algumas projecções nos apresentarem cinco candidatos em empate técnico, pelo que tudo poderá acontecer no próximo domingo. Esta primeira volta, e parece ser um dado adquirido que haverá um segunda, tem um número recorde de candidatos (serão 11 no boletim de voto) e não tem um favorito claro. Na verdade, os potenciais vencedores foram sendo substituídos por outros, à medida que se sucediam as sondagens, se multiplicavam os debates e as entrevistas. As vitórias de Henrique Gouveia e Melo, primeiro, e de Marques Mendes, depois, eram encaradas como os desfechos mais prováveis. André Ventura tem sido dado como garantido na segunda volta. Mas as grandes surpresas da última semana têm sido as subidas de António José Seguro e de João Cotrim de Figueiredo, que, inicialmente, não estavam incluídos entre os favoritos a uma segunda volta. Nesta última semana, a mobilização e o impacto da campanha podem ser determinantes para resolver o empate técnico? Que importância poderá ter a abstenção no resultado da primeira volta. Marco Lisi, professor e investigador da Universidade Nova de Lisboa, é o convidado deste episódio.See omnystudio.com/listener for privacy information.







(voltou aquele problema de ficheiro “não escutável” .... cuidado se estiverem a conduzir e o programa de podcasts ficar parado)
Não gostei do comentário de hoje.