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Aconteceu o mesmo três vezes esta semana. Nesta quarta-feira, uma idosa morreu, na Quinta do Conde, em Sesimbra, depois de esperar cerca de 40 minutos pela emergência médica, e um homem morreu, em Tavira, após mais de uma hora de espera por socorro. Na terça-feira, um homem de 78 anos morrera, no Seixal, pelas mesmas razões: esperou por assistência médica, em vão, ao longo de três horas. Porquê é que isto acontece? A maior afluência às urgências retém as macas nos hospitais e isso reduz, drasticamente, a capacidade de resposta do INEM e aumenta os tempos de espera no socorro. O problema repete-se todos os anos, em especial nos hospitais de Lisboa e Vale do Tejo, mas é esquecido assim que o tempo aquece e baixa a pressão sobre as urgências. Mas há muitas outras perguntas para as quais são exigidas respostas. O Governo deveria ter accionado o plano extraordinário para garantir mais 100 ambulâncias ao serviço da urgência médica, como fez no ano passado? Se o ministério da Saúde não o achou necessário, porque é que o primeiro-ministro anunciou ontem, no debate parlamentar quinzenal, a compra de 275 viaturas para o INEM? Luís Montenegro voltou a dizer que os problemas não se resolvem com a demissão da ministra. Mas resolvem-se com a sua manutenção? Tiago Correia, professor de saúde global do Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade de Lisboa, responde a estas questões e outras questões.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Donald Trump disse-o com todas as letras: "Nós, os Estados Unidos, precisamos da Gronelândia". E se Trump o diz nada parece capaz de o contradizer. A ilha gigantesca que liga as zonas navegáveis do Atlântico Norte ao Árctico é um território autónomo sobre a soberania da Dinamarca? Pouco importa. A Dinamarca e quem representa democraticamente os habitantes da ilha já disseram que a Gronelândia nem está à venda, nem aceita sair da esfera da soberania da Dinamarca? Esqueçam isso. Trump diz que o território é vital para a segurança norte-americana e, a partir daí, não admite qualquer limite à imposição da sua vontade. Se for necessário, avisou Trump, o recurso ao poder militar é uma opção. Insuflado pelo sucesso da arrojada operação militar, a actual elite política de Washington deu vazão às suas ilimitadas ambições territoriais e a Gronelândia surge na primeira linha das suas prioridades. O que há meses parecia um devaneio tornou-se uma possibilidade. Ninguém aposta que Trump desista de reclamar o controlo da Gronelândia. O ataque a um Estado-membro da União Europeia e da NATO deixou de ser uma ideia mirabolante. Se tal acontecer, a Europa e o mundo entrarão em um território ainda mais desconhecido e perigoso. Neste episódio ouvimos Nuno Severiano Teixeira, um dos mais conceituados especialistas portugueses em geoestratégia, defesa e política internacional. Professor e presidente do Instituto de Português de Relações Internacionais, o IPRI da Universidade Nova de Lisboa, Nuno Severiano Teixeira é também colunista do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O chavismo foi decapitado, mas ainda ão morreu. Os EUA capturaram Nicolas Maduro, presidente da Venezuela, preso numa cadeia de Nova Iorque, mas quem lhe sucedeu foi Delcy Rodríguez, a sua vice-presidente. Porque é que os EUA consideravam Maduro um líder autoritário e ilegítimo e não têm a mesma opinião sobre a presidente interina? O objectivo de Washington baseia-se em saber quem melhor servirá os seus interesses. No fundo, a conclusão, como se escrevia no El Pais, é esta: “Maduro não, Delcy sim; petróleo sim, democracia não; a oposição ganhou, mas agora estorva”. Donald Tump e Marco Rubio vão ficar por aqui ou pretendem aplicar a receita da Venezuela a outros países da América Latina, que reivindicam como área de influência, sem qualquer respeito pela soberania de terceiros e pelo direito internacional? A Gronelândia também pode ser um alvo deste neo-imperialismo? Neste episódio, Andrés Malamud, investigador em ciência política do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, explica que a manutenção do regime foi a forma de manter o controlo do país. E que a União Europeia tem dois inimigos: a Rússia e os EUA.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Marcelo Rebelo de Sousa, já em jeito de despedida depois de dez anos em Belém, decidiu numa declaração feita no dia da Consoada ser optimista. O seu sucessor, seja quem for, pode ser melhor presidente do que ele, disse. A dúvida na declaração está precisamente no optimismo. Porque na corrida pelo lugar que ocupa, não há um nem dois nem três candidatos com possibilidade de virem a provar ser bons presidentes. Há pelo menos quatro e, segundo algumas sondagens, até cinco. Gostarão todos, mesmo todos, das pessoas, como Marcelo? Entrámos na recta final da campanha das eleições presidenciais nesta incerteza. Uma longa pré-campanha de meses, que culminou em mais de 30 debates entre os candidatos, pouco serviu para clarificar o que nos espera a 18 de Janeiro. É claro que as sondagens foram dando indicações importantes: Gouveia e Melo perdeu força com a chegada do Outono; Marques Mendes aparece como o mais bem posicionado para garantir um lugar na final. António José Seguro resiste, mesmo com oscilações. André Ventura parece confortável depois de manter a fidelidade do seu eleitorado. E pelo meio apareceu um desafiador, João Cotrim de Figueiredo, que se implanta com solidez no eleitorado jovem, promete tornar a primeira volta das eleições ainda mais imprevisível. Depois de conhecermos o que cada candidato pensa, depois de a campanha ter regressado ao vício das insinuações em torno de suspeitas judiciais que contaminaram a democracia com trunfos dados ao populismo, o que nos espera até ao dia 18? Oportunidade para uma conversa com o professor José Palmeira, professor auxiliar do departamento de Ciência Política da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Desta vez não há dúvidas: ao contrário das discussões em torno das verdadeiras intenções dos Estados Unidos na primeira e na segunda guerra do Iraque, na agressão à Venezuela é o próprio presidente Trump que nos diz o que está em jogo: o controlo do país para poder dispor das mais vastas reservas de petróleo conhecidas do planeta. A ordem judicial que serviu de pretexto para a operação funcionou assim como uma cortina de fumo para que os Estados Unidos afastassem Maduro e os seus aliados da Rússia, da China e do Irão do hemisfério Ocidental, o velho quintal das traseiras onde Washington não prescinde de mandar. Agora, Trump quer transformar a Venezuela num protectorado, uma nova republica das bananas como aconteceu outrora na Nicarágua, no Panamá ou na Guatemala. Só que em vez de bananas e da United Fruit, o que está em causa é o petróleo o apetite dos gigantes americanos para o explorar. Conhecida a estratégia de Washington, falta ainda saber o que esperar da Venezuela. O fim de uma ditadura cruel com 28 anos foi saudado pela diáspora venezuelana em todo o mundo, mas o regime chavista não caiu: a vice-presidente, Delcy Rodrigues, subiu ao lugar de Maduro e não dá sinais de querer representar o papel de marioneta que Donald Trump anunciou ter para lhe entregar. Se o regime bolivariano não se desfizer e se cumprir as promessas de lutar contra o que diz ser uma agressão colonialista dos Estados Unidos, Donald Trump só conseguirá levar o seu plano avante com uma nova intervenção militar no terreno. Que, de resto já admitiu. Mas, estará a Venezuela mobilizada para lutar em nome de um regime que oprimiu o seu povo e o arrastou para a miséria? Hélder Silva, jornalista, esteve enquanto enviado da RTP três vezes na Venezuela, onde passou várias semanas. Teve assim oportunidade de conhecer o país por dentro, conhecimento que transferiu para o seu livro, estórias por detrás da História: Venezuela. É o nosso convidado deste episódioSee omnystudio.com/listener for privacy information.
Quando a História tomar o lugar do jornalismo e analisar o que aconteceu em 2025, muito provavelmente definirá o ano que passou como um ano de rupturas. Um ano em que um velho mundo se desmoronou e em seu lugar surgiu um novo mundo de incertezas. Se muito do que nos espera em 2026 cabe, naturalmente, na categoria da futurologia, é indispensável conhecer o ponto de partida: o que nos deixa o ano que acabou. Para esse exercício, convidámos o professor de Direito Internacional do Centro Regional do Porto da Universidade Católica e ex-ministro da Defesa José Alberto Azeredo Lopes.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Eleições legislativas em 2019, eleições em 2022, novas eleições em 2024 e ainda mais eleições legislativas em 2025. Portugal parecia caminhar para o vício da antecipação dos actos eleitorais, com cada nova escolha dos portugueses para a Assembleia a tornar mais difícil a obtenção de maiorias estáveis. Em Maio deste ano, a tendência confirmou-se, com o PS a ceder o segundo lugar no Parlamento ao Chega, e a AD a ter de governar com uma nova minoria. Mas pode ter havido mudanças, embora pouco nítidas: o Parlamento reaprendeu a viver com a fragmentação, porque o regime deu conta de que se degrada na instabilidade. Pelo meio, muitas novidades: a queda das lideranças de Pedro Nuno Santos e de Mariana Mortágua, as eleições autárquicas que serviram de prova de vida e suplemento de alma para o PS, legislação sobre nacionalidade e imigração que assinalam a influência da agenda populista da extrema-direita nos assuntos públicos, a persistência de um fantasma, a Spinumviva, até ao final do ano, uma greve geral que, como escreveu o PÚBLICO na sua capa, existiu, e uma nova corrida eleitoral para a Presidência da República em que quase tudo pode acontecer. O ano de 2025 foi bom, mau, ou foi o ano possível para um sistema político que acumulava fragilidades? E que rasto deixarão os últimos doze meses no ano que está para breve? Oportunidade para falarmos com Francisco Mendes da Silva, advogado, e uma das vozes do painel de opinião do Público, que se tornou obrigatório ouvir. Este episódio faz parte de uma série especial do P24 que olha para trás como ponto de partida para discutir o que pode acontecer nos dias, semanas e meses que nos esperam.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Foi numa quarta-feira, a 3 de Setembro, com o país regressado de férias, mas com Lisboa ainda repleta de veraneantes, que o elevador da Glória salta para as páginas dos jornais de todo o mundo. Aquilo que era para ser mais uma das 87 viagens diárias de rotina do elevador mais conhecido de Lisboa, acaba em tragédia quando um dos dois veículos se desliga do cabo que o sustentava (e rebocava) e corre desgovernado pela Calçada da Glória abaixo embatendo numa esquina e em dois postes de electricidade, provocando a morte de 16 pessoas. Neste P24, ouvimos o jornalista do PÚBLICO Carlos Cipriano sobre o que já sabemos e o que ainda nos falta saber sobre este acidente. Este episódio do P24 faz parte da série especial de balanços do final de ano. Voltamos aos temas que marcaram 2025, mas vamos também olhar para o que nos espera em 2026.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Eram 11h30 da manhã de 28 de Abril de 2025 e o país foi apanhado de surpresa. Para além dos transístores, houve uma corrida a produtos que funcionam sem eletricidade, como os fogões a gás ou as lanternas. Um mês antes, a Comissão Europeia tinha aconselhado a população a montar um kit emergência para três dias, o que fez com que circulassem várias teorias da conspiração. O apagão perturbou a circulação de comboios e de metropolitanos, o fornecimento de comunicações ou o funcionamento de aeroportos hospitais, semáforos ou serviços de multibanco. Esgotou supermercados. O apagão ibérico de 28 de Abril foi provocado por uma sucessão de desligamentos súbitos de produção de energia renovável, e a subsequente perda de sincronismo com a rede continental europeia, segundo um painel de peritos que investigou o incidente. Cerca de 60 milhões de pessoas estiveram temporariamente às escuras. Apagão foi escolhida como a palavra do ano, na habitual votação organizada pela Porto Editora, por ter sido o “acontecimento histórico” e o “momento mais marcante” de 2025. Segundo a editora, aquele dia conjugou “incerteza e aflição” com “lição de vida” e “possibilidade de desconectar”. Aprendemos alguma coisa nesse dia? O convidado deste episódio é André Barata, filósofo e professor catedrático da Universidade da Beira Interior. Este episódio do P24 faz parte da série especial de balanços do final de ano. Voltamos aos temas que marcaram 2025, mas vamos também olhar para o que nos espera em 2026.See omnystudio.com/listener for privacy information.
É um recorde – segundo o INEM, até ao dia 31 de Outubro de 2025, nasceram 45 bebés em ambulâncias em Portugal. Depois disso, já foram notícia outros cinco partos, pelo que o número final deverá ultrapassar os 50. Em 2022 tinham sido contabilizados metade dos partos - 25, em 2023 foram 18 e, em 2024, 28. A maioria dos partos neste contexto aconteceu na Margem Sul do Tejo, e não será coincidência: nesta zona do país o encerramento das urgências de Ginecologia-Obstetrícia tornou-se recorrente. Entre 1 de Janeiro de 2024 e 30 de Junho de 2025, as urgências de obstetrícia nos três hospitais da península de Setúbal – Garcia de Orta, Barreiro e Setúbal, que servem um universo de cerca de 800 mil utentes - estiveram encerradas mais de metade dos dias. Chegaram a estar as três fechadas, ao mesmo tempo. Os nascimentos em ambulâncias tornaram-se um problema político para a ministra da Saúde, que foi obrigada a admitir que “não correu tudo bem” com o Plano de Emergência e Transformação de Saúde, que o Governo lançou em 2024, logo depois de tomar posse. Ana Paula Martins prometeu: “No próximo Verão, esta situação não deverá voltar a acontecer”. Urgências fechadas são sinónimo de viagens mais compridas para o hospital e de mais bombeiros a ajudarem a trazer crianças ao mundo. É uma dessas histórias que conhecemos neste episódio especial do P24: a de Miriam e Diego, de uma ambulância transformada em sala de partos improvisada e de um Serviço Nacional de Saúde sob pressão, onde a falta de respostas empurra os nascimentos para fora das maternidades. Nas próximas duas semanas, o P24 volta aos temas que marcaram 2025, mas vamos também olhar para o que nos espera em 2026.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Todos os anos, a equipa do suplemento Ipsílon, do PÚBLICO, faz as suas escolhas nas várias áreas. Este foi o ano de Lux, o último álbum da espanhola Rosalía. Como lê no texto que justifica a escolha, este é um disco do “domínio do sublime, um dos discos mais arrojados e inventivos da história da pop e da música do século XXI. É Rosalía a reinventar-se, aqui nas alturas, mostrando que a sua ambição artística corresponde na totalidade ao seu génio”. Mudando de tema, Time Stands Still, de Jeff Wall, foi considerada a exposição do ano. O artista canadiano reuniu 63 trabalhos no Maat, em Lisboa, entre os quais alguns dos mais emblemáticos, ao lado de outros mais recentes. Na dança, o Ipsílon destaca Fucking Future, de Marco da Siva Ferreira, que esteve no palco do Teatro Municipal Rivoli, no Porto, e, no teatro, o destaque vai para outro Marco, Marco Martins, que levou o seu Um Inimigo do Povo à cena, no Theatro Circo, em Braga. No cinema, Foi só um acidente, de Jafar Panahi, foi o filme escolhido. Este filme venceu a Palma de Ouro do Festival de Cannes deste ano e faz parte do habitual jogo do gato e do rato entre os cineastas iranianos e as autoridades que os querem impedir de realizar. Quanto à literatura, o melhor é ouvir este episódio. O convidado de hoje é Pedro Rios, editor do Ipsílon. Este episódio do P24 faz parte da série especial de balanços de final de ano. Nas duas próximas semanas, vamos voltar aos temas que marcaram 2025, mas vamos também olhar para o que nos espera em 2026.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Numa surpreendente decisão anunciada esta semana, a União Europeia decidiu adiar o fim dos carros alimentados por combustíveis fósseis em 2035. Bruxelas diz que com esta mudança pretende apoiar os esforços do sector na transição para a mobilidade limpa. A sua palavra de ordem é flexibilidade. Por um lado, aceita que as construtoras europeias e o mercado continuem a fabricar e vender carros a gasolina ou a diesel até um limite de 10% da produção. Por outro lado, reforça o apoio ao investimento em baterias e em veículos eléctricos construídos na União Europeia, exige mais incorporação de aço com menos teor de carbono e incentiva o uso de biocombustíveis. À superfície, a proposta da Comissão Europeia parece um ajuste na trajectória inscrita no pacto ecológico europeu. Mas não é bem assim. A mudança resulta de uma enorme pressão das construtoras que se atrasaram no investimento na mobilidade eléctrica. Uma pressão reforçada pelos estados membros onde esta indústria é mais relevante, a Alemanha e a Itália. E se, no geral, as empresas aplaudiram, houve outras que se juntaram aos ambientalistas num coro de protesto. Esta medida, dizem, vai atrasar o caminho para o futuro. Revela mais uma derrota na estratégia vanguardista da Europa no combate à crise climática. E, acrescentam, faz um enorme favor à China, o país que depois de anos de investimento se torna cada vez mais o campeão das energias limpas. Entre um compasso de espera e uma claudicação, como interpretar esta decisão da Comissão Europeia? Para nos ajudar a compreender este anúncio, temos connosco neste episódio Francisco Ferreira, professor no Departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e presidente da associação ambientalista Zero.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Há nove dias, o procurador-geral da República prometeu uma decisão sobre a averiguação preventiva do caso Spinumviva e cumpriu: nesta quarta-feira, a meio da tarde, a procuradoria divulgou um comunicado que anunciava o seu arquivamento. Nove meses e dezenas de diligências depois, o Ministério Público concluiu não existir notícia da prática de ilícito criminal, nem perigo da sua prática estar a ocorrer. Luís Montenegro pode assim respirar de alívio. O caso que em surdina se transformou num fantasma que ameaçava a sua idoneidade e a credibilidade do seu governo, desapareceu. Daqui para a frente, a oposição pode insistir nas críticas à ética com que geriu a transferência da propriedade da empresa para a sua mulher e filhos e, depois, para os seus filhos ou sobre alegadas influências do seu poder na angariação de clientes. Mas, no essencial, o arquivamento da averiguação liberta-o de qualquer suspeita sobre a existência da prática de crime de recebimento ou oferta indevidos de vantagem. Encerrado o capítulo judicial, a menos que surjam entretanto novos indícios ou novos factos comprovados, falta ainda fazer o balanço das consequências deste caso que, recorde-se, fez cair o primeiro governo de Montenegro. Porque, de alguma forma, este arquivamento torna ainda mais insondável o clima áspero da crise política que desembocou nas eleições de Maio deste ano e num novo fôlego do Chega. E falta também avaliar que consequências terá este episódio nos rumos da governação Para analisarmos estas e outras questões da notícia ontem divulgada, temos connosco David Santiago, editor de política do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Líderes de países europeus, secundados por Ursula Von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, estão disponíveis para coordenar uma força multinacional na Ucrânia, apoiada pelos EUA. Aquele contingente militar ajudaria a Ucrânia na protecção do espaço aéreo, no reforço da segurança marítima, e os EUA ficariam com a monitorização do cessar-fogo. Caso isso aconteça, a dezena de líderes que esteve reunida, nos últimos dias, em Berlim, estará, também, disponível para aceitar eventuais concessões territoriais ucranianas, em troca de “robustas garantias de segurança”. Foi o próprio presidente Volodymyr Zelensky quem disse estar preparado para deixar cair a adesão do seu país à NATO, uma exigência russa, em troca de garantias de segurança por parte do Ocidente. Isto não quer dizer que Zelensky esteja disposto a ceder território a Moscovo, como sempre defenderam os russos, até porque, constitucionalmente, está impedido de o fazer. Manuel Sermano, colunista habitual do PÚBLICO, diz que no conselho europeu de amanhã, no qual se discutirá o que fazer com os activos russos retidos na Bélgica, estará não só em causa o futuro da Ucrânia, mas também o futuro da própria União Europeia. Especialista em assuntos europeus e política internacional, Manuel Serrano é o convidado do episódio de hoje.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Há poucas semanas, em entrevista ao canal Now, André Ventura explicava que avançou na corrida a Belém por falta de comparência de figuras que defendessem o programa do seu partido. Bem se sabe que esse argumento vale o que vale, mas a verdade é que Ventura avançou com esta desculpa e, até à data, a sua iniciativa está a correr bem. Ainda falta mais de um mês para as eleições presidenciais, ainda há 18% dos eleitores que continuam sem fazer a escolha da pessoa que querem ver no Palácio Belém, mas a sondagem da Universidade Católica para o Público e RTP divulgada esta segunda-feira permite-nos desde já confirmar que os candidatos hoje mais bem posicionados para disputar uma segunda volta são André Ventura e Luís Marques Mendes. De acordo com esse inquérito, André Ventura receberia 22% dos votos, Luís Marques Mendes 20%, Henrique Gouveia e Melo 18%, António José Seguro 16% e João Cotrim de Figueiredo 14%. Todos os candidatos mais à esquerda têm menos de 3% e os principais concorrentes têm resultados dentro da margem de erro. Já numa segunda volta, Luís Marques Mendes parece ser imbatível, ganhando a eleição a qualquer um dos seus opositores. Ganharia a Gouveia e Melo com uma diferença de 8 pontos percentuais, a António José Seguro por cinco pontos e a André Ventura por uns expressivos 43 pontos percentuais de diferença. A sondagem fez perguntas aos inquiridos que nos ajudam a perceber a discrepância entre o bom resultado de Ventura na primeira volta e a sua suposta derrota anunciada na segunda. É que Ventura consegue reter 65% do eleitorado que votou no Chega nas Legislativas deste ano, enquanto Marques Mendes só conquista 33% dos votantes da AD e Seguro 39% do PS. Ao mesmo tempo, Ventura é capaz de atrair 9% dos eleitores da AD e fica-se por aí. Marques Mendes consegue disputar 10% dos votos dos eleitores do PS e Seguro tem condições de ir atrair 10% dos votantes na AD. Mais transversal, Gouveia e Melo pesca em todos os partidos: consegue atrair 15% dos eleitores da AD, 12% do Chega e 20% do PS. Da mesma forma, João Cotrim de Figueiredo consegue atrair 17% do eleitorado da AD para a sua candidatura. Ventura parece condenado a perder na segunda volta porque, se consegue fidelizar os eleitores do Chega, não é capaz de atrair outro eleitorado. 57% acham que ele tem o pior perfil de todos para ser presidente, contra 5% de António José Seguro. E à pergunta sobre quem tem o melhor perfil, fica em último, a seguir a Marques Mendes, Gouveia e Melo, Seguro e Cotrim, por esta ordem. No essencial, porém, o que esta sondagem nos diz é que está tudo em aberto entre os cinco candidatos da frente. Mas diz-nos também que as três candidaturas da esquerda se arriscam a uma pesada de derrota. O que serve para animar o debate nessa área política. Com os 8% de votos de Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto, António José Seguro tinha, em teoria, lugar praticamente garantido na segunda volta. Vamos falar sobre este e outros ângulos de discussão suscitados por esta sondagem com David Pontes, director do PÚBLICO.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O Canadá vai fazer parte do SAFE, o programa da União Europeia de apoio à indústria da defesa. As duas partes chegaram a acordo, porque ambas têm a necessidade de desenvolver novas parcerias e de diminuir todo o tipo de dependência face aos EUA. As relações entre Washington e Ottawa estão tensas desde a tomada de posse do novo presidente dos EUA. Donald Trump sugeriu, logo no início do mandato, que o Canadá deveria ser o 51.º estado do seu país, o que provocou o boicote generalizado do consumo de produtos importados dos EUA. Os canadianos deixaram, inclusive, de viajar para o país vizinho e, em época natalícia, parecem dispostos a manter o slogan “compre canadiano”. Para além disso, a tensão entre os dois países também se manifesta no facto de as negociações comerciais se encontrarem suspensas, apenas porque Trump não gostou de um anúncio televisivo do governo da província de Ontário. Nesse anúncio, Ronald Reagan criticava a aplicação de tarifas a bens estrangeiros e dizia que estas causavam perda de empregos e guerras comerciais. Trump não gostou, claro. Mais recentemente, a nova estratégia de segurança nacional dos EUA, apesar de, praticamente, ignorar o país vizinho, gerou alguma perplexidade por ser entendida como hostil ao Canadá e as democracias aliadas. Neste episódio, Elise Racicot, embaixadora do Canadá em Portugal, aborda as relações do seu país com a União Europeia e com os EUA.See omnystudio.com/listener for privacy information.
A necessidade da greve geral de hoje é reconhecida por 61% dos portugueses, segundo um inquérito do barómetro DN/Aximage. Os jovens entre os 18 e os 34 anos são aqueles que mais apoiam esta paralisação contra a reforma laboral, que o Governo tem vindo a defender, e que se traduz pela facilitação do despedimento ou pelo aumento dos contratos precários. Na prática, a alteração das leis do trabalho reforça a possibilidade de se ter contratos a prazo a vida toda. Mas a ministra do Trabalho diz que “muitos jovens nem querem estabilidade, gostam mais de mudar, não percebem o conceito de emprego para a vida, é um conceito ultrapassado no século XXI”, acrescenta Maria do Rosário Palma Ramalho. Qual será o impacto desta greve? São previsíveis consequências em sectores como os da saúde, educação, Segurança Social, transportes e autarquias, mas também em empresas privadas, como é o caso da Autoeuropa ou da EDP. Mais apoiada à esquerda do que à direita, esta é a primeira greve a juntar CGTP e UGT desde Junho de 2013, quando as ruas se encheram para contestar medidas da troika. A taxa de sindicalização, em 2023, era de 7,2%, quando, em 1977, rondava os 63%. Os sindicatos poderão ter um papel mais proeminente no futuro, caso este pacote seja aprovado? O convidado deste episódio é Elísio Estanque, sociólogo e investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O ministro Fernando Alexandre é um optimista. Na entrevista que concedeu em Setembro ao jornalista Pedro Guerreiro, da CNN, elencou uma série de mudanças que, na sua opinião, prometem abrir caminho para a solução dos problemas do sector. De passada, disse até que podemos ter um dos melhores sistemas de gestão da educação do Mundo. Nesta terça-feira à meia-noite, o Conselho Nacional da Educação revelou o seu relatório sobre o Estado da Educação em 2024 e permitiu-nos saber que o país tem ainda muito que andar para cumprir essa ambição. Lendo as suas páginas, fica-se a perceber uma realidade preocupante: a educação pública em Portugal está numa encruzilhada e vai exigir muito esforço colectivo para resolver os seus estrangulamentos. Comecemos pelo desempenho do sistema. Por exemplo, pelos 12% de alunos do ensino básico que reprovam antes de entrar no secundário. Pela constatação de que “um número significativo de crianças e jovens não aprendem devidamente, com a compreensão e a profundidade requeridas, o que está prescrito no currículo”. Pelo reconhecimento que dos “55 827 estrangeiros inscritos na educação básica, só 10 638 estiveram matriculados na disciplina de português como língua não materna. Continuando pelas marcas da desigualdade, que penalizam os filhos dos imigrantes ou das famílias mais pobres nos rácios do sucesso escolar. Ou ainda pelo extraordinário desafio que é garantir a contratação de 3900 professores por ano até 2034/35, quando sabemos que 20% dos que hoje estão no sistema querem abandonar a profissão nos próximos cinco anos. A educação, todos sabemos, é a principal ferramenta para o futuro de uma sociedade, de um país. Em Portugal, essa ferramenta revela ano após anos mais defeitos, novos desafios, novas exigências. É uma batalha do Governo, mas também dois professores, dos pais, de todos nós. O retrato deste Estado da Educação no ano passado não é caso para instituir a depressão. Mas os seus sinais de alerta merecem reflexão e terapia. É sobre essa receita que fomos ouvir o presidente do Conselho Nacional de Escolas, António Castel-Branco.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, repetiu nesta entrevista ao canal Now o que o ministro Leitão Amaro e outros altos responsáveis do Governo e fora dele têm dito da ameaça que paira sobre a distribuição de publicações em oito distritos do país. Mas, também como António Leitão Amaro tinha afirmado, o Governo não encara de ânimo leve a possibilidade de financiar com dinheiro público a distribuição de jornais nesses distritos do interior. Para o efeito, Hugo Soares avançou com uma dúvida curiosa: eu não sei se os portugueses estão dispostos a financiar essa distribuição, disse. A dúvida é curiosa porque se podia colocar em relação aos apoios públicos que o Estado concede a todo o tipo de serviços que se encarrega ou tem o dever de garantir, como o serviço dos correios, a agência Lusa, a RTP ou a RDP. Para se reflectir sobre esta dúvida, convém ter em consideração que o direito à informação é uma exigência constitucional. Que o jornalismo é um bem público fundamental para uma democracia saudável. E, principalmente, que um cidadão do interior do país tem o direito de ser informado como os de Lisboa ou do Porto. Havendo uma falha de mercado como parece estar a haver – a VASP diz que a distribuição de jornais no interior dá prejuízo -, e estando em causa direitos dos cidadãos ou a equidade territorial, faz sentido discutir o envolvimento do estado nessas garantias. De resto, num plano de apoio aos media aprovado no ano passado, o Governo prometia estudar e contribuir para a solução do problema da distribuição. Mas isto dito, este apoio é de enorme sensibilidade política, o que explica os cuidados com que o Governo se apressa a negar um apoio financeiro imediato à distribuição de jornais no interior. Sendo esta questão um problema não apenas da VASP ou dos cidadãos do interior mas também das empresas jornalísticas trazemos para o debate Luís Nazaré, um gestor com passagem pela Anacom ou pela administração dos CTT, que hoje preside à Plataforma dos Meios Privados, a instância que reúne os principais grupos de comunicação social privada do país.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Amadeu Guerra, o Procurador-Geral da República, não escondeu o seu desconforto quando os jornalistas o interpelaram esta quinta-feira para falar sobre o caso das escutas a António Costa e a membros do anterior Governo, que acabaram por vazar para a imprensa. Está tudo no comunicado, respondeu. Mas, não, não está tudo no comunicado. No texto divulgado um dia antes, o Departamento Central de Investigação e Acção Penal avisou que vai avançar com a participação criminal contra a publicação do resumo de conversas interceptadas – ou seja, os jornalistas ficam na linha de fogo, quando a jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem os iliba em casos como este. E sugere que a violação do segredo de justiça pode ter sido responsabilidade dos advogados de defesa. Como seria de esperar, levantou-se um coro de protesto contra a violação da lei e a devassa da vida privada exposta nas escutas. Os candidatos presidenciais indignaram-se. Os advogados envolvidos exigem clareza. O PSD mostrou desconforto. Mas, entre o incómodo e o protesto, uma voz que já nos habituámos a ouvir sempre que há uma crise na Justiça, destacou-se: a do Manifesto dos 50+. Fundado em Maio de 2024, este grupo de cidadãos não tem parado de exigir reformas, transparência e responsabilidade aos órgãos da Justiça, em especial ao Ministério Público. A origem do movimento é fácil de entende: Um Governo maioritário caiu por causa de uma diligência judicial que, dois anos depois, continua sem arquivar, acusar ou sequer constituir arguido o seu principal alvo: António Costa. A sua credibilidade, também: do grupo fundador fazem parte militantes do PS, PSD ou CDS, pessoas mais à esquerda e mais à direita, cientistas como Manuel Sobrinho Simões, o sociólogo António Barreto ou o constitucionalista Vital Moreira. No comunicado destes dias, o Manifesto 50 +, é duro nas palavras. Lembra que, para lá de “poder ter sido cometido um crime, o vazamento das escutas viola de forma grosseira os mais elementares direitos dos cidadãos e oferece gratuitamente à curiosidade pública, factos sem relevância criminal e que pertencem, ou ao foro da governação e do Estado, ou à reserva da vida privada dos escutados. Mas também é duro nas exigências: lembra que cabe a Amadeu Guerra, como dirigente máximo do Ministério Público, assumir as suas responsabilidades institucionais e agir com a eficácia e a veemência necessárias à investigação e repressão de mais este crime. E no rol das exigências, o Presidente não é poupado: caberia ao Presidente da República garantir o regular funcionamento das instituições democráticas, lembra o Manifesto. Afinal, o que é o Manifesto e o que move os seus promotores? Tema para a conversa com Paulo Mota Pinto, doutorado em direito, professor na Universidade de Coimbra e membro fundador do Manifesto 50+.See omnystudio.com/listener for privacy information.











(voltou aquele problema de ficheiro “não escutável” .... cuidado se estiverem a conduzir e o programa de podcasts ficar parado)
Não gostei do comentário de hoje.