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Reconversa
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Reconversa

Author: Reinaldo Azevedo e Walfrido Warde

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O Brasil e o mundo têm de conversar e de reconversar mais. É preciso avançar em territórios novos do pensamento, em busca da justiça social, e resgatar valores da democracia e do estado de direito, agredidos pela cultura do ódio como ideologia. É nosso ofício aqui. Reconversemos, pois. Ouça aqui o Reconversa, programa de entrevistas em parceria com Walfrido Warde. Sempre com um entrevistado relevante no cenário político, social e cultural.
115 Episodes
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Por muitos anos, Geraldo Alckmin foi considerado uma referência do campo conservador. Governador de sucesso em São Paulo, travou um duro embate com Lula em 2006 na disputa presidencial, e ninguém diria então e nos anos subsequentes que integrariam um dia a mesma chapa, a exemplo do que se viu, e com sucesso, em 2022. Escanteado em seu próprio partido, migrou para o PSB, ainda que muitos dessem a sua carreira política por encerrada. A turbulenta história contemporânea brasileira aproximou os dois líderes, e o vice-presidente Alckmin — também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços — tornou-se um dos mais leais auxiliares de Lula. Por intermédio dele, o país voltou a ter uma política industrial com os olhos voltados para o futuro. A sanha tarifária trumpista o colocou no centro de uma das mais importantes negociações empreendidas pelo Brasil. Alckmin discorre com impressionante riqueza de detalhes sobre os números dos programas de sua pasta. Quem o conhece sabe que se revigorou e que o agora líder progressista parece experimentar um inédito prazer no exercício da vida pública, que ele dignifica como poucos. E como deve ser um político? Ele responde citando o padre Lebret: “Um Zé Ninguém a serviço de uma grande causa”. E, assim, ele faz história. Imperdível.
Apelando à Inteligência Artificial, o jornalista Paulo Markun desenvolveu um projeto que traz ao presente a voz e a história de Vladimir Herzog. Ao fazê-lo, torna-se personagem de um debate central para a política e para a cultura: como o pensamento humanista, de raiz progressista, pode se apropriar dessa tecnologia em favor da dialética do esclarecimento, em vez de apenas amaldiçoar a escuridão. Markun foi preso antes daquele fatídico 25 de julho de 1975, quando Herzog, intimado, compareceu ao DOI-Codi para prestar esclarecimentos e, no mesmo dia, morreu sob tortura. Ele relata aquela jornada tenebrosa e aquelas horas alucinadas e faz uma revelação devastadora sobre o dia do velório do amigo. Markun sobreviveu para contar a história; está em plena atividade e busca, como se nota, as luzes do futuro. E também se dedica à biografia de uma personagem singular da história dos EUA e que tem muito a ver com o Brasil. Imperdível!
Ele se formou em história e ciências sociais e se especializou em antropologia, decisão tomada muito cedo. É sabido que antropólogos não costumam escrever “best sellers” — e não por culpa deles, claro! Michel Alcoforado conseguiu essa proeza com o livro “Coisa de Rico – A Vida dos Endinheirados Brasileiros”. Sim, lembrando uma novela mexicana que fez muito sucesso no Brasil no fim dos anos 70, pode-se afirmar, sem medo de errar, que “os ricos também choram”. E não só porque, por óbvio, estão sujeitos a alguns dramas humanos que a todos atingem, independentemente da classe social. O que interesse em seu estudo é o padecimento específico. Longe de fazer uma especulação meramente “voyeurista” da vida dos endinheirados, ele procurou entender o que seus dramas dizem sobre o Brasil. Destaque-se: há algumas questões cujas respostas não são nada óbvias. Quem é rico? Quem se acha rico? É fácil ser visto como rico por outros ricos? O livro ajuda a explicar muita coisa sobre o nosso país. Não perca!
Agora titular da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, uma das figuras de referência dos movimentos sociais, tem a incumbência de resgatar, nos tempos da sociedade digital e da economia da informação, o Orçamento Participativo, que está inscrito na história das gestões progressistas. Ele afirma: “Enquanto alguns querem manter o orçamento secreto, nós queremos a população participando da definição das prioridades do governo e com transparência”. Nesse bate-papo em “Reconversa”, ele explica como deve funcionar o programa “Governo na Rua”. Indagado se vê a si mesmo como uma das figuras da necessária renovação dos quadros de esquerda, Boulos prefere refletir a respeito das características que fizeram com que um certo Luiz Inácio da Silva se tornasse “Lula” e o que isso têm a ver com as raízes profundas da formação brasileira. Mas deixa claro: a classe trabalhadora mudou, o mundo mudou, a sociedade mudou, e o pensamento de esquerda precisa dar respostas novas a problemas novos. Ele acredita que isso está em curso e será reconhecido nas urnas. Como perder?
Muito se fala da importância, quase sempre nefasta, do “familismo” na vida pública brasileira. Mas também existe uma boa tradição. Felipe Santa Cruz, que presidiu o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil no momento em que o bolsonarismo ascendeu ao poder, vem de uma família de mulheres e homens dedicados à defesa da democracia e dos direitos fundamentais. Isso custou a vida de seu pai, que desapareceu aos 26 anos nas trevas da ditadura, antes que o bebê Felipe completasse o segundo ano de vida. Na Presidência da República, Jair Bolsonaro não hesitou em dizer baixezas contra a vítima. E, para surpresa de ninguém com miolos, Sergio Moro pegou carona na pusilanimidade. Hoje filiado ao PSD, secretário de Eduardo Paes, o brilhante advogado não teme o enfrentamento político, diz que estará ao lado de Lula em 2026 e, a despeito das dificuldades, vê o futuro do Brasil com otimismo. Fiquem com a fascinante conversa de Felipe Santa Cruz.
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