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Desde 2021, que os utentes da psiquiatria do hospital de Chaves têm o apoio de uma equipa de saúde mental de comunidade, que se desloca ao domicílio para prestar todo o apoio possível. Existem actualmente cinco equipas destinadas a adultos espalhados por todo o país. À de Chaves juntam-se as de Viseu, Ourém, Beja e Lagos.O objectivo deste projecto-piloto é “aproximar os serviços de saúde mental da população que acompanham e assegurar respostas focadas na prevenção”, no contexto “onde as pessoas vivem e adoecem”.Neste episódio, conhecemos a equipa de Chaves, composta por uma psicóloga, uma enfermeira, uma técnica de serviço social, uma terapeuta ocupacional – cada uma delas com 10 utentes – e um psiquiatra. Inspirados pelo modelo nórdico de saúde mental na comunidade, o objectivo é acompanhar de perto o estado de saúde, trazer receitas, confirmar consultas, dar o apoio possível e necessário. E ainda que não consigam estar disponíveis 24 horas por dia, tentam.Os resultados estão aqui: num ano, percorreram 25 mil quilómetros, fizeram 450 visitas domiciliárias e foram um dos elementos responsáveis por uma redução de 15% da taxa de ocupação na unidade de internamentos de agudos. “Isto é uma mais-valia”, diz Mariana, a cuidadora de um dos utentes desta equipa. “Estou muito mais protegida.”
“Estava farta de estar mal-humorada, irritada, sempre. Não dormir e trabalhar e estar farta daquele trabalho e ter de continuar”: são as primeiras palavras que Thaísa Santos, técnica de marketing de 32 anos, usa para descrever o burnout que passou. Os primeiros sinais de alerta começaram em 2019: dores físicas, insónia, relações com as pessoas mais próximas cada vez mais tensas. Foram esses os factores que a fizeram pedir ajuda psicológica. Passou quase dois anos em tratamentos, que incluíram a toma de um antidepressivo, mas agora sente-se melhor e conseguiu mudar de emprego – agora trabalha para uma empresa que respeita o seu tempo e lhe dá flexibilidade.Não está sozinha. Estima-se que, na Europa, pelo menos 40 milhões de trabalhadores apresentem alguns sinais de burnout. As profissões relacionadas com os cuidados – médicos, enfermeiros, cuidadores informais – estão em maior risco, mas ninguém está isento de risco. Liliana Dias, psicóloga da área da saúde e do bem-estar no trabalho, explica que o principal sintoma de um burnout é “a exaustão emocional, que se traduz numa diminuição do envolvimento e da dedicação no trabalho”. Os primeiros sintomas podem ser físicos (“um cansaço que não se explica”) mas também um desinteresse no trabalho: “Perco o sentido, porque é que tenho de trabalhar?”.A pandemia também trouxe novos desafios, ao afastar-nos do local de trabalho e da dinâmica social associada, que tem um efeito protector. Mas mais do que burnout, a psicóloga usa o termo “definhamento” para explicar o que nos aconteceu durante a pandemia: “Ainda não estamos numa fase de exaustão emocional ou mesmo com outra patologia do foro mental, como depressão ou ansiedade. Mas estamos num definhamento dos nossos recursos emocionais e cognitivos.”
Sofia tem 16 anos e, em 2021, foi diagnosticada com uma perturbação do comportamento alimentar associada a pensamentos obsessivos com o peso. Foi durante o primeiro confinamento que, com os ginásios fechados, começou a treinar em casa. Sentia-se culpada sempre que comia mais do que devia ou não treinava tanto quanto devia.“Foi no início de 2021 que se começou a ver pelo meu corpo que não estava muito bem. Comecei a ter pensamentos obsessivos. Achava-me gorda, que não estava bem”, descreve.Estima-se que cerca de 4% da população já tenha sofrido de algum tipo de perturbação do comportamento alimentar, de acordo com os dados disponibilizados pela psicóloga Sátya Sousa. As raparigas são muito mais afectadas do que os rapazes.São comportamentos que se caracterizam por uma “perda de peso acentuada, restrição alimentar, grande medo de aumentar de peso, controlo forte nesta área e alteração da percepção corporal”, explica.Mas há solução. Sofia procurou-a e agora tem uma nova forma de olhar para a sua relação com a comida: “Agora vejo uma diferença. Lido com os pensamentos de outra forma. Eles vêm e eu penso ‘Quando quiseres ir embora, vais.’ Não deixo que me massacrem.” Podcast realizado em parceria com a Ordem dos Psicólogos.
É possível que o reconheça de imediato pela voz. Neste primeiro episódio de Terapia, o podcast do PÚBLICO sobre saúde mental, falámos com o actor e dobrador Quimbé.Mantendo a atitude positiva com a qual o conhecemos, Quimbé falou sobre tristeza e depressão, com base na sua experiência pessoal. O actor recorda um episódio que lhe aconteceu há 20 anos: “Começas a ter sintomas e nem te apercebes que não estás bem. Só te apetece dormir. Não te apetece ver luz. Só estás bem sozinho, tens uma mágoa do caraças e choras... porque é que estás a chorar? Não sei.”Miguel Ricou, professor na Universidade do Porto e Presidente do Conselho de Especialidade da Psicologia Clínica e da Saúde da Ordem dos Psicólogos, traça uma diferença entre uma tristeza e uma depressão. “Há critérios que a pessoa tem de cumprir para dizer que tem este diagnóstico. Mas há muitos subdiagnósticos. Não se pode dizer que eu tenha uma doença, mas merece atenção clínica e é muito importante”, indica.
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