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Xerazade e as outras
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Em Estremoz, lemos cadernos, cartas e manuscritos que permanecem em arquivos informais. Mas também livros e jornais. Textos que, apesar da sua formalidade, parecem quase todos escritos à margem da literatura oficial e agora são trazidos para o espaço público, para serem lidos, debatidos e pensados em conjunto. São duplamente marginais por serem de mulheres do Alentejo. Ainda assim, ricas ou pobres, as mulheres do Alentejo conseguem olhar o mundo e pensar sobre ele. Socorrem-se de Deus e dos sentidos, pedem paz, saúdam a liberdade de Abril - que nunca esquecem. Cátia Terrinca e Marta Reis Jardim tomam essa liberdade como mote para brincar com as palavras de hoje. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Cucha Carvalheiro é uma das actrizes cuja voz nos pega na mão e leva de viagem. Nela, moram muitas personagens, muitas vidas, muitas frases, algumas canções, sorrisos, risos. A actriz é morada de mentiras importantes e da possibilidade de nos abstrairmos da mentira para mergulhar: na alegria, na paz, no luto, nas lutas, na tristeza. Hoje, mergulhamos na tristeza e abrimos o peito das muitas mulheres que souberam encontrar a mãe das tristezas sem a calar. É uma sessão poética, noturna, simples, que Cucha Carvalheiro partilha com Cátia Terrinca. See omnystudio.com/listener for privacy information.
A partir da pesquisa feita em Lagoa, a convite da Bóia - associação cultural, nadámos num rio de prata imprevisto. Um rio que levou muitas mulheres a outros lugares, mulheres-escola, mulheres-viagem, mulheres-sonho, mulheres-conserveiras, mulheres-anedotas, mulheres-mulheres-mulheres-mulheres. Muitas nos falaram da observação da pobreza ou da riqueza nos corpos dos outros, sempre intocáveis, à distância de quem nasce em berços opostos, ajudando a entender um Algarve do qual poucas vezes falamos, mas que aqui vamos escutar nas vozes de Cátia Terrinca e de Mariana Ramos Correia. See omnystudio.com/listener for privacy information.
A casa, o lugar a que tantas mulheres pertencem, por obrigação, necessidade, convicção, fuga. Estar DE VOLTA PARA CASA será, eventualmente, habitá-la de uma outra forma. Trocar cozinhas por escritórios, encontrar um lugar da mulher só, só da mulher, onde ela possa sossegar de cuidar dos outros e evadir-se corpo adentro. Se tantas de nós tiveram um lugar só delas, ao longo de tantos tempos, como a cozinha, podemos agora regressar a casa e ter uma secretária só nossa, onde o tempo pare, duas vezes por dia, para cozinhar poemas, crónicas, cartas, peças? Cátia Terrinca e Mariana Ramos Correia regressam a casa com textos de Ana Marques, Ana Teresa Pereira, Ana Simões Pereira, Graça Cid, Luísa Monteiro, Maria Helena, Maria José de Almada Negreiros, Ofélia de Freitas e de Raquel Serejo Martins.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Elvas é um casulo no Alto Alentejo. Do seu coração muralhado, cresceram e nasceram mulheres revolucionárias, fortes e marcantes. Cresceram outras tantas. Falamos de Adelaide Cabette, de Virgínia Guerra Quaresma, Maria Olga Moraes Sarmento, entre outras. Mulheres que na viragem de século, viraram mentalidades e vidas para que outras, como nós, que vieram depois, possam ser mais livremente. E dessa liberdade, da dureza que ela encerra, que nos falam e escrevem tantas outras mulheres: Aldina Falcato, Branca Flor, Alexandra Rodrigues, Ivone Bravinho, Joana Leal, Maria do Céu, Maria do Céu Ponce Dentinho, Maria José Travelho Rijo, Maria Vicente, Paula Moreira, Raquel Soeiro de Brito, Sandra Rogeiro e Vitorica Mendes. Entre as vozes de Cátia Terrinca e de Mariana Vital Ferreira, ouvimos outras: são depoimentos de quem nem sempre escreveu no papel, mas que guardou a vida na garganta. See omnystudio.com/listener for privacy information.




