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Diálogos na USP

Diálogos na USP

Autor: Jornal da USP

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Diálogos na USP é um programa semanal da Rádio USP que discute questões que impactam a sociedade. O programa vai ao ar na Rádio USP toda sexta-feira às 11H – São Paulo 93,7 MHz e Ribeirão Preto 107,9 MHz, e também disponível no site a TV USP
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O programa Diálogos na USP, exibido no dia 22/5 no Canal USP discutiu a situação e a invisibilidade dos indígenas na pandemia, tanto em comunidades que vivem nas periferias das cidades e enfrentam situações de abandono e perda de referências culturais quanto em regiões distantes de Estados como Amazonas, Maranhão e Pará.  Os problemas crônicos que as comunidades estão enfrentando com as questões da pandemia do coronavírus são: higiene e saúde básica. Os convidados foram Sonia Guajajara, liderança indígena, Marcos Wesley de Oliveira, do Instituto Socioambiental, e Marta Rosa Amoroso, do Centro de Estudos Ameríndios da USP.   Diálogos na USP   Apresentação: Marcello Rollemberg Produção: Fátima Alves e Christiane Braga Edição geral: Cinderela Caldeira Edição Sonora: Guilherme Fiorentino Horário: sexta-feira, às 11h00 Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS . .
A partir de agora, o programa Desafios ganha versão ao vivo, pelo Canal USP, e também em podcast, pelo feed do Diálogos na USP. Neste episódio, o jornalista Luiz Roberto Serrano entrevista o professor Fernando Botelho, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, para tratar das incertezas da economia no pós-pandemia. O governo federal prevê que o PIB de 2020 terá uma queda de 4,7% em relação ao ano passado. Mas as previsões de instituições privadas apontam que será maior do que isso. Não se sabe quando a pandemia possibilitará que a economia volte a rodar. Mesmo quando isso acontecer, levará um certo tempo para voltar ao normal. Para assistir aos episódios anteriores do Desafios, acesse o Canal USP.
O teatro no Brasil, assim como a cultura em geral, tem sofrido diversos ataques e tentativas de esvaziamento. Para muitos críticos, o teatro está muito afastado da população brasileira, seja pelo preço do ingresso, localidade das salas ou por já existirem outras formas de entretenimento. Os dados comprovam o distanciamento da população com relação ao teatro: segundo o IBGE, apenas 23,4% dos municípios brasileiros possuem teatros ou salas de espetáculo e os pontos de acesso que existem atingiram a marca de 3.422 espaços, muito pouco para um país com uma extensão territorial como o nosso.  Para contextualizar o Dia Mundial do Teatro, que ocorre no próximo dia 27, e discutir a situação atual do teatro no Brasil, o Diálogos na USP  recebeu os professores Luiz Fernando Ramos —  do Departamento de Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes da USP, e crítico do jornal Folha de S. Paulo de 2008 a 2013, —, e Ferdinando Martins, pesquisador e orientador do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Escola de Comunicações e Artes da USP, ex-diretor do Teatro da USP (Tusp) e atualmente fazendo parte do júri do Prêmio Shell de Teatro. Principal ferramenta de fomento à cultura do Brasil, a Lei de Incentivo à Cultura —  conhecida como Lei Rouanet — entrou no debate pelos constantes ataques. Para o professor Martins, a lei é um “mal necessário”, visto que o teatro tem enfrentado dificuldades de se manter: “O modelo em que artistas pedem financiamento ao banco e ao longo da temporada a bilheteria ia saudando as dívidas, esse modelo não existe mais e não existe em vários lugares do mundo”. Parte dessa dificuldade também é decorrente da crise de público que o teatro possui, como explica o professor Luiz Fernando: “O que podemos fazer para combater essa crise são muitas possibilidades, acho que várias devem ser tentadas simultaneamente, não só para a formação de público, mas também o próprio uso da televisão como meio de aproximar as pessoas do teatro.” O Brasil também apresenta um avanço no teatro comercial —  também reverenciado como “teatrão” — , como, por exemplo, os musicais importados da Broadway. Esse avanço é visto através da confiança e liberdade para que haja modificações nas montagens brasileiras, como exemplifica o professor Martins: “Quando Cats veio para São Paulo, tivemos que copiar exatamente o formato da Broadway, até mesmo nas medidas dos cenários. Já na montagem de Lazarus, com músicas compostas por David Bowie e com direção de Felipe Reaver no Brasil, a autonomia foi muito maior de recriar cenários e inclusive recriar arranjos originais que eram do David Bowie, e esse é um reconhecimento da qualidade do trabalho feito aqui no Brasil”.  Diálogos na USP   Apresentação: Marcello Rollemberg Produção: Fátima Alves e Christiane Braga Edição geral: Cinderela Caldeira Edição Sonora: Guilherme Fiorentino Horário: sexta-feira, às 11h00 Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS . .
O coronavírus, causador da doença Covid-19, alcançou o patamar de pandemia, de acordo com o pronunciamento da Organização Mundial de Saúde (OMS). Originada na China, a doença já chegou ao Brasil, com novos casos confirmados nos últimos dias. O governo da Itália, território mais afetado pela doença depois da China, colocou o país inteiro em quarentena para evitar maior propagação da doença. A ação do coronavírus, entretanto, vai muito além de uma questão de saúde pública, impactando diretamente na economia global.  Para conversar sobre o impacto do coronavírus no cenário internacional, O Diálogos na USP recebeu o professor João Paulo Cândia Veiga — professor do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e do Instituto de Relações Internacionais, também da Universidade de São Paulo –, e Maria Antonieta Del Tedesco Lins, professora do Instituto de Relações Internacionais da USP e Presidente da Comissão de Cooperação Internacional do Instituto de Relações Internacionais. Como principal parceiro comercial do Brasil e com as atividades industriais ainda em processo de retomada, a China exerce grande influência na economia brasileira, como comenta o professor Veiga: “A China é um mercado de destino da soja, do minério de ferro e do complexo carnes, então a queda da atividade chinesa vai impactar o comércio exterior brasileiro. Vai ter uma contração no mercado de créditos das empresas e o consumidor brasileiro certamente vai perder um pouco de confiança, com queda da demanda e menos investimentos estrangeiros diretos.” Na quinta-feira, dia 12 de março, a bolsa de valores brasileira, a B3, fechou com queda de 12%, acionando o circuit breaker por duas vezes, o que não acontece desde a crise de 2008. Ao comparar a crise atual com a crise de 2008, a professora compartilha: “Tem uma característica muito importante que é o fato de que, dessa vez, a crise começa do setor produtivo, e não do setor financeiro, e isso vai ter desdobramentos distintos e, portanto, isso é bom. O setor financeiro começando a crise, os efeitos podem ser muito mais nefastos sobre a economia mundial.”  Diálogos na USP   Apresentação: Marcello Rollemberg Produção: Fátima Alves e Christiane Braga Edição geral: Cinderela Caldeira Edição Sonora: Guilherme Fiorentino Horário: sexta-feira, às 11h00 Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS . .
O dia 8 de março é internacionalmente dedicado às mulheres. Ao longo dos séculos, foram várias as conquistas femininas, principalmente no Ocidente, como a entrada e afirmação da mulher no mercado de trabalho e o direito ao voto. No entanto, a sociedade ainda perpetua o machismo estrutural, do qual, diariamente, as mulheres são vítimas. Para conversar sobre o papel da mulher na sociedade contemporânea, O Diálogos na USP, apresentado por Marcello Rollemberg, recebeu as professoras Bárbara Heller — docente do programa de pós-graduação de Comunicação da Universidade Paulista (Unip) e membro do Observatório em Comunicação, Liberdade de Expressão e Censura (Obcom) da Escola de Comunicações e Artes da USP –, e Heloísa Buarque de Almeida, professora do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e membro da Rede Não Cala — rede de professoras pelo fim da violência sexual e de gênero na Universidade. Bárbara Heller fala sobre como, atualmente, as mulheres estão mais vulneráveis do que há dez anos, por conta de um desequilíbrio entre algumas conquistas e a fúria de setores conservadores da sociedade para com as mulheres. Heloísa Buarque de Almeida diz que houve “várias políticas e avanços, como a lei Maria da Penha, delegacias de Defesa da Mulher e Lei do Feminicídio, mas, conforme as mulheres ganharam alguns direitos, foi havendo uma reação conservadora tanto local quanto internacional”. Para Heloísa, os ataques à ideologia de gênero atingem tanto os direitos das mulheres – seja de se casarem, separarem ou de não quererem filhos –, quanto os da população homossexual e o direito ao casamento igualitário. Segundo Bárbara, a estereotipação da figura feminina é ainda um desafio na sociedade, e a mídia hegemônica tem papel fundamental na perpetuação dessa estigmatização das mulheres: “Fico pensando no esporte, como, por exemplo, o quanto se fala da mulher esportista, não só porque jogou bem, mas do corpo ou se ela é bonita”.  Os movimentos feministas possuem vários segmentos, que podem divergir na defesa de suas pautas. O feminismo atinge as mais diversas camadas sociais, mesmo que, a princípio, tenha surgido com demandas de uma classe média branca, como diz Heloísa: “Inicialmente, a tendência se dava pela demanda por emprego, o que era diferente para as mulheres de classe popular, já que para elas o emprego não era opção, e sim sobrevivência”, e complementa: “As mulheres negras de classe baixa no Brasil eram escravas, e o trabalho como empregada doméstica sendo o mais comum para mulher no País, demonstra que não era escolha e sim uma condição de vida”. Diálogos na USP   Apresentação: Marcello Rollemberg Produção: Fátima Alves e Christiane Braga Edição geral: Cinderela Caldeira Edição Sonora: Guilherme Fiorentino Horário: sexta-feira, às 11h00 Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS . .
Dados do Ministério da Saúde mostram que, a cada quatro mulheres, uma é vítima de violência. No último ano, foram registrados mais de 145 mil casos, envolvendo a violência física, sexual e psicológica. Com o passar dos anos, foram sendo criadas medidas protetivas para as mulheres, como a Lei Maria da Penha em 2006 e a Lei do Feminicídio em 2015; todavia, ainda não são suficientes para acabar com o problema. Para falar sobre o tema, o Diálogos na USP, apresentado por Marcello Rollemberg,  recebeu Maria Arminda do Nascimento Arruda, professora de Sociologia e diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, além de coordenadora do escritório USP Mulheres, e a pesquisadora Giane Silvestre, do Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da USP e mestre em Sociologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Procurando explicar os motivos para o aumento da violência contra a mulher, a professora Maria Arminda explica que há múltiplas razões. Uma delas pode estar relacionada com a segurança que as mulheres têm sentido para denunciar, o que intensifica o número de registros e pode explicar essa alta na violência. Por outro lado, tal motivo não deve ser considerado o único. Há uma grande transformação nas relações entre mulheres e homens que tende a acirrar a violência, o que se relaciona com as questões de gênero
A América do Sul tem passado por intensas convulsões políticas e sociais. Renúncia de Evo Morales na Bolívia, protestos generalizados no Chile, crise no Equador e turbulências entre presidente e Congresso no Peru são apenas alguns dos fatores agravantes na situação. Nem mesmo as eleições na Argentina e no Uruguai foram capazes de tirar os países de debate. O cenário venezuelano, então, está longe de encontrar uma solução. Para comentar o assunto, o Diálogos na USP convidou Alberto Pfeifer, professor do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP, especialista em América Latina, que atua como coordenador do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional (GACInt) da USP. Além dele, o programa recebeu Everaldo de Oliveira Andrade, professor de História Contemporânea da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, mestre em História Econômica, que está lançando o livro Bolívia – A Revolução Boliviana. Everaldo Andrade explica que as jovens democracias da América do Sul estão passando por um período conturbado devido ao sentido que se aplica à democracia. Ela não pode ser vista como uma palavra vazia, deve ter conteúdo, priorizando a ampliação dos direitos sociais, o zelo pelos mais pobres, a construção de políticas sociais e o pleno atendimento de reivindicações populares. O pesquisador diz ainda que parte da desorganização das economias de tais países e sua instabilidade são reflexos da crise econômica de 2008. Alberto Pfeifer diz que o que está se passando é uma revisão de processo. Nota-se uma diminuição dos conflitos interestatais e fortalecimento da democracia formal. A primeira década dos anos 2000, com o aumento de preço das commodities e exportações, fez com que os países passassem por um momento de enriquecimento e bonança econômica. Todavia, crescimento econômico não é sinônimo de satisfação popular, já que, apesar de o país ganhar dinheiro, a distribuição não é realizada de forma justa. Pesquisas recentes divulgadas pelo Latinobarómetro indicam que a população sul-americana está decepcionada com o regime democrático dos países. O Brasil, de acordo com Everaldo Andrade, é um exemplo da situação ilustrada. A má distribuição de renda também desequilibra a possibilidade de uma democracia razoável. Ele explica que a corrupção é um problema que existe, mas que não é exclusivo da América do Sul e que, apesar de relevante, pode ser também um foco dado pela mídia para desestabilizar os regimes. Considerando manobras do passado, o historiador cita os novos processos constituintes apresentados na Bolívia, Equador e Venezuela, que buscaram caminhos alternativos para aumentar a participação popular. Ainda não é possível afirmar o sucesso da ideia, mas, acredita-se que o fato permitiu superar algumas crises passadas. Alberto Pfeifer diferencia o formalismo democrático do exercício democrático propriamente dito. O segundo seria o acesso democrático aos bens públicos e ao bem-estar de forma geral, considerando que o crescimento de renda não reflete o acesso a serviços públicos de qualidade. O professor também explica que as Constituições são inspiradas em regimes populistas do início dos anos 2000, como o de Hugo Chávez na Venezuela. Ele foi o grande mentor da transformação na relação entre Estado e sociedade, e Rafael Correa no, Equador, e Evo Morales, na Bolívia, seguiram tal inspiração. No entanto, todos os processos devem ser pensados considerando o contexto do país em discussão.
O Brasil produz mais de 150 filmes por ano, com grande diversidade regional e temática. Segundo dados da Ancine, no ano de 2017, por exemplo, o público de filmes nacionais ultrapassou 17 milhões de espectadores, gerando uma renda de R$ 240 milhões. Entre os 463 longas-metragens lançados no País, 160 eram brasileiros. Ainda assim, há pontos que precisam ser mais bem entendidos no atual cenário de produção cinematográfica brasileiro,  como o financiamento das produções, a distribuição dos filmes, a recente censura velada a produções como Aquarius e Marighella e o papel da Ancine. Para debater sobre os dilemas do cinema brasileiro e suas possíveis soluções, o Diálogos na USP recebeu o professor Roberto Franco Moreira, da Escola de Comunicações e Artes da USP, diretor de cinema e de séries de televisão, e o cineasta David Schurmann, diretor de vários filmes, entre eles Pequeno Segredo, selecionado para representar o Brasil no Oscar em 2017. Roberto Moreira afirmou que “tivemos esse surto de produção, alguns filmes que conquistaram e vêm conquistando cada vez mais espaço nos festivais internacionais, então, este ano, foi muito importante a participação do Bacurau, de Uma Vida Invisível, no Festival de Cannes”. Ainda assim, no mercado, os nossos filmes estão com dificuldades. O professor explicou que, na verdade, “a gente não tem a presença que os filmes dos anos 70 tiveram no mercado. Naquela época, tínhamos mais de 30% de marketshare e hoje a média é em torno de 13%”. David Schurmann relembrou que, naquela época, “não tínhamos streaming, cabo, televisão, enfim, outras formas de as pessoas consumirem cinema ou cultura audiovisual”. Dessa forma, o desafio de dialogar com o público fica maior. “Os grandes filmes da Marvel e desses grandes impérios conseguem arrastar a juventude para assistir ao filme. Eu acho que nós, como cineastas brasileiros, não estamos conseguindo dialogar através do cinema, mas sim através de outras plataformas”, afirmou o cineasta. Moreira recordou alguns casos de censura velada do governo e afirmou que “existe um limite para a ação do governo, que é dado pela Constituição, e a gente tem que lutar para garantir que não haja censura no Brasil. Dito isso, é claro que o governo federal tem condições, sempre teve e sempre as exerceu, de controlar mais ou menos a produção cinematográfica. É assim desde a ditadura militar”. O professor ainda complementou que, “enquanto a produção cinematográfica estiver atrelada ao financiamento estatal, do jeito que ele é, vai passar por essa censura”. O caso do filme Bruna Surfistinha é um exemplo, para Schurmann, de uma hipocrisia crescente não apenas no Brasil, mas no mundo inteiro. “O caso da Bruna Surfistinha é fantástico. Se o brasileiro tem curiosidade de assistir, e é uma vida, uma realidade de muita gente, tentar censurar isso é como esconder o sol com a peneira”, disse. O cineasta ainda disse acreditar que “tentar limitar a arte é um perigo enorme, porque você cria robôs, pessoas pensando da mesma forma sem poder ser expostas a coisas diferentes”.
De acordo com dados da ONU, há 962 milhões de pessoas no mundo com mais de 60 anos. A estimativa é que esse número continue aumentando nas próximas décadas: em 2030, serão 1,4 bilhão de idosos em todo o planeta. Em 2050, todas as regiões do mundo, com exceção da África, terão um quarto de sua população formada por pessoas com mais de 60 anos, totalizando 2,1 bilhões de idosos. No Brasil, segundo dados do IBGE, a população idosa irá dobrar até 2042. Para debater o espaço do idoso na sociedade e o ageísmo, o Diálogos na USP, apresentado por Marcello Rollemberg, recebeu Egídio Dorea, médico nefrologista do Hospital Universitário, responsável pelo programa de envelhecimento ativo da Universidade de São Paulo, coordenador da Universidade Aberta à Terceira Idade e diretor do Centro Internacional de Longevidade, e a professora Marília Louvison, da Faculdade de Saúde Pública da USP, médica sanitarista, conselheira da Associação Brasileira de Saúde Coletiva e também do Centro Internacional de Longevidade. O ageísmo foi um termo criado, em 1969, por Robert Butler, gerontologista norte-americano. O termo foi cunhado com base em denominações já existentes, como racism e sexism, e aí surgiu o ageism, que, de acordo com Egídio Dorea, “seria o ato de você criar estereótipos, geralmente negativos, ou discriminar pessoas ou um grupo de pessoas baseados na sua idade”. O médico relembrou que as descrições negativas do envelhecimento datam de muito antes. “A primeira descrição que nós temos do envelhecimento data de 2500 a.C., quando um poeta egípcio definiu o envelhecimento como algo penoso”, afirmou. A professora Marília Louvison ressaltou que esse preconceito não vem apenas dos mais jovens e que muitas vezes aparece nos mais velhos também. “Às vezes, as próprias pessoas que envelhecem têm um certo preconceito de que não são velhos. A gente quer viver para sempre sem ficar velho”, disse. Ao invés da negação da passagem do tempo, Marília acredita que “temos que pensar como envelhecer bem, e não como não envelhecer”. Marília Louvison apontou que as políticas públicas estão longe do necessário, muito devido aos vários problemas enfrentados pelos idosos simultaneamente. “O idoso, ele, a princípio, não tem aquela doença única, aguda, que o médico faz o diagnóstico, trata e cura. Esses probleminhas se atrapalham”, explica. As várias adversidades muitas vezes requerem um coquetel de medicamentos, que podem ter interação entre si. Por isso, a professora conta que “o geriatra, quando vai cuidar de um idoso, a primeira coisa que ele faz é tirar todos os remédios para ver o que sobra, o que realmente é necessário”. Egídio Dorea ressaltou a importância de se ter um planejamento para a velhice focado na prevenção de doenças e não apenas no tratamento. “A partir do momento que você faz uma promoção de hábitos saudáveis de vida, que você faz uma prevenção efetiva de doenças e não fica somente focado na questão do tratamento, você vai ter uma probabilidade maior de envelhecer de uma forma saudável”, afirmou.
Quando se fala em mudanças climáticas, pensa-se logo em problemas envolvendo o meio ambiente. No entanto, o fato não se resume a isso, mas envolve também um desafio social e econômico. Este foi o tema do Diálogos na USP, da Rádio USP, desta semana. Apresentado pelo jornalista Marcello Rollemberg, o programa contou com a presença de Elisabeth de Almeida Meirelles, professora da Faculdade de Direito (FD) da USP e especialista em Direito Internacional Público e Direito Ambiental, e de Wagner Costa Ribeiro, professor do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental da USP. Foi na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1992, também conhecida como Rio 92 em razão de sua sede, que as discussões sobre o clima começaram a se firmar. Ribeiro explica que, na época, todos os países envolvidos concordaram em reduzir a emissão de gases de efeito estufa, o que não tinham como certeza era quando e quem seria responsável por isso. Anos mais tarde, em 1997, foi assinado o Protocolo de Kyoto, que conseguiu fazer com que 37 países somados à União Europeia (UE) estabelecessem metas de redução dos gases. Finalmente, em 2015, com o Acordo de Paris, os países passaram a apresentar metas voluntárias com um valor fixo de redução; todavia, vê-se hoje que o número ainda é insuficiente para reduzir o aquecimento global de maneira ideal. Elisabeth Meirelles acredita que, mesmo com tantas convenções e acordos, o que tem sido observado é uma distorção da situação, a qual transforma a questão em uma bandeira para defender certa posição política. Há uma manipulação ideológica, os líderes mundiais se apropriaram da questão de uma forma que se sentem livres para ignorar a ciência. Ribeiro traz à tona a questão do aquecimento global: alguns creem que há uma mudança natural do clima, outros justificam com a ação humana e muitos sustentam o discurso de que tudo isso é uma invenção. Todavia, os dados são objetivos e as variações climáticas, perceptíveis. É preciso analisar a forma em que se está vivendo e modificar o estilo de vida, as matrizes energéticas, entre outros fatores cruciais para a solução do problema. No âmbito econômico mundial, Elisabeth exemplifica o descaso do governo com as mudanças climáticas, usando as grandes empresas. O que seria mais cômodo, aumentar seus gastos em prol de uma causa ou se manter no discurso de que o aquecimento global é uma invenção? O dinheiro será priorizado através da apropriação de um discurso. Olhando para o Brasil, nota-se um retrocesso da sua posição e um encolhimento do mesmo em discussões fundamentais, fator prejudicial no campo econômico.
No último dia primeiro de outubro, a China comemorou os 70 anos de sua revolução comunista, que alçou ao poder o líder Mao Tsé Tung e mudou para sempre a geopolítica mundial. Em meio a toda celebração e às manifestações libertárias em Hong Kong, o governo chinês de Xi Jinping reafirmou sua força. Mas não é só no campo político que a China tem força. Ao longo de sete décadas, o país saiu de uma realidade pobre e agrária para ser a segunda economia mundial, enfrentando de igual para igual os Estados Unidos. Para falar sobre os 70 anos da Revolução Chinesa, o Diálogos na USP, apresentado por Marcello Rollemberg, recebeu José Augusto Guilhon Albuquerque, cientista político, professor aposentado da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP e membro do grupo de estudos Brasil-China da Unicamp. Também falou Shu Chengsheng, professor de Literatura e Cultura Chinesa na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e autor dos livros A história da China Popular do Século XX e Os Intelectuais chineses e a China Maoísta, 1956-1957. Guilhon Albuquerque diz que o fato da China ser o único país comunista por tanto tempo é um fato marcante, já que, de maneira geral, todos os outros países que tentaram impor o regime, com exceção da Coreia do Norte, sucumbiram ou se tornaram regimes democráticos. O professor também explica que, após a Guerra Fria, as relações internacionais se tornaram mais imprevisíveis. “Agora, tem-se mudanças que são muito repentinas, antes era mais estável. Ainda não encontramos uma ordem mundial estável, estamos em uma transição pós Guerra Fria sem data para acabar”, completa. Shu Chengsheng explica que, durante esses 70 anos, a China migrou de um Estado tradicional para um Estado moderno, sendo um período marcado por ruptura e continuidade. Ele esclarece que a ruptura faz menção ao fato de o poder do Estado, anteriormente, nunca ter alcançado o campo. Apenas com a Revolução Chinesa foi possível mobilizar toda a população e construir o Estado moderno. Guilhon cita a relevância da transformação econômica, bastante radical, do comunismo inicial para o comunismo do final do século XX. Implantou-se uma economia mais aberta, que usa o capitalismo, porém, manteve o Estado totalitário. O pesquisador compara tal fato ao que ocorreu com a União Soviética, que entrou em colapso porque tentou mudar a economia sem mudar o Estado, diferente da China. Chengsheng diz que, entre as décadas de 80 e 90, o governo concedia espaço para que a população expressasse suas críticas. Ele também explica que a China é um país grande e diversificado, com grande diferença regional, cada estado concorria um com o outro no desempenho econômico, o que abria espaço no setor econômico, fato que não existiu na União Soviética.
Pode-se dizer que o Brasil entrou, de fato, na era das privatizações a partir dos anos 90, com destaque para os dois governos de Fernando Henrique Cardoso. Foi a partir daí que muitas empresas estatais passaram para as mãos da iniciativa privada. Até 2005, por exemplo, mais de cem empresas estatais haviam sido privatizadas, entre elas a Companhia Siderúrgica Nacional e a Vale do Rio Doce. E o atual governo vai pelo mesmo caminho privatista: em agosto, foi dado início do processo que anunciou, nesta quarta-feira (2), a relação de 14 empresas estatais brasileiras que iniciarão o processo de privatização neste ano, com a expectativa de arrecadar R$ 2 trilhões. O pacote, que inclui os Correios, a Telebras, a Eletrobras e até a Casa da Moeda, é uma das mais ousadas apostas governamentais. Mas, o que dizem os especialistas, afinal? Privatizar é bom ou não? Para seus defensores, é um enxugamento necessário do Estado e proporciona um melhor desenvolvimento em termos de infraestrutura, sobretudo no que se refere à qualidade dos serviços oferecidos. Já seus detratores garantem que as privatizações, entre outros fatores, geram desemprego e são focadas no lucro, e não no atendimento à população. Para responder questões sobre Privatização, o Diálogos na USP, apresentado por Marcello Rollemberg, recebeu Marcos Augusto Perez, professor de Direito Administrativo da Faculdade de Direito (FD) da USP, com mais de 30 anos de atuação nas áreas de Direito Administrativo, Constitucional, Financeiro e Empresarial. Falou também Sérgio Adorno, professor titular de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e coordenador do Núcleo de Estudos da Violência, NEV-USP. Marcos Augusto Perez explica que a privatização não se baseia apenas na venda de empresas, essa é apenas uma ferramenta utilizada no processo. Ele explica que se desfazer de ativos estatais pode ter uma finalidade boa e exemplifica com a venda de uma casa para poder adquirir outra melhor, no futuro. Caso a privatização seja de interesse público e coletivo, ou traga melhorias gerais, sua execução é válida. O professor complementa, explicando os três tipos de privatizações. A primeira citada é a venda de ativos; em seguida, explica a realização de concessões e parcerias público-privadas (PPPs); por fim, fala sobre a mudança na regulação econômica. Sérgio Adorno diz que, em tese, privatizar ou não depende da natureza das ações estatais, ou seja, as intenções finais. O professor traz um panorama histórico, apontando os séculos 19 e 20, e relembra que o Estado, na época, não deveria intervir no mercado, apenas regular questões fundamentais da convivência coletiva. Após as duas grandes guerras, troca-se tal Estado Liberal pelo Estado do Bem-Estar Social, que inicia a implementação de políticas sociais. O pesquisador explica que, desde 1970 até a atualidade, substituíram-se os regulamentos estatais pelos regulamentos de mercado, ou seja, a economia volta a ser regida pelos interesses. Adorno acredita que é complexo demais tomar posição sem considerar a história por trás, mas relembra que deve haver cautela ao dizer que o Estado não deve intervir em nada, pois ter um mercado dominando todas as atividades e criando uma sociedade dividida pode gerar conflitos irreversíveis.
A vida nas cidades não para: as pessoas estão sempre se locomovendo de um lado para outro, seja para ir ao trabalho, para estudar, para aproveitar algum momento de lazer. E depois, de volta para casa. Algumas perguntas ficam no ar: com que qualidade essa locomoção se dá e como é a mobilidade urbana nas grandes cidades? Deslocamentos, por mais curtos que sejam, podem parecer prazerosos, mas carregam uma grande carga de estresse. Em um lugar como São Paulo, por exemplo, a mobilidade urbana é um grande desafio. Segundo pesquisa da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a capital paulista tem cerca de 8 milhões de carros, motos, ônibus ou caminhões. Ou seja, sete veículos para cada dez habitantes. Fica difícil manter a qualidade de vida com números assim. A isto soma-se a falta de transportes públicos de qualidade ou em número suficiente para atender às demandas crescentes. E não falamos apenas sobre a carência de transporte, mas também de segurança. Uma pessoa pode querer se deslocar de bicicleta, mas sem ciclofaixas adequadas e sinalização, o risco é alto. E fica a grande questão: sem boas condições de mobilidade urbana, a experiência de viver na cidade é pior. Para falar sobre mobilidade urbana nas grandes cidades, o Diálogos na USP , apresentado por Marcello Rollemberg, recebeu Orlando Strambi, professor titular sênior da Escola Politécnica da USP e sócio-fundador da associação Nacional de Pesquisa e Ensino em Transporte. Além dele, falou Carolina Requena, doutoranda no Departamento de Ciência Política da USP e pesquisadora do Centro de Estudos da Metrópole (CEM). Orlando Strambi diz que São Paulo não é tão diferente de outras grandes cidades. A natureza do problema, ou seja, a questão da mobilidade, é semelhante em todas. A questão da imobilidade, por outro lado, é um conceito que se aplica em planejamento de transportes e chega a ser medido costumeiramente, levando-se em conta aqueles que não se deslocam cotidianamente. O professor explica que aproximadamente 30% da população não apresenta deslocamento significativo. Todavia, deve-se entender se o deslocamento não ocorre por questões de escolha ou por falta de possibilidade, em razão de falhas no transporte. Carolina Requena explica que há pessoas que estão mais imóveis do que outras, pois há um sistema hierárquico.“A região metropolitana já é uma região que tem muitas desigualdades de diversas ordens sociais e econômicas. O sistema de mobilidade poderia vir para dirimir um pouco a situação”, avalia a pesquisadora, complementando que, na atualidade, ele apenas reforça o fato. Pessoas que se deslocam de automóvel próprio têm mais conforto e chegam rapidamente aos seus destinos, enquanto aqueles que não possuem ficam presos no transporte público em meio ao trânsito, que é provocado justamente pela quantidade de carros. Strambi acredita que não temos uma situação que facilite convencer o motorista a deixar seu automóvel e adotar outras alternativas. Mas cita que o Metrô ainda é uma alternativa de grande aceitação, principalmente em São Paulo. Como exemplo, comenta sobre as campanhas eleitorais, que sempre vêm acompanhadas por pedidos de melhorias nas estações. O professor explica que o Metrô é relativamente exemplar devido à sua limpeza e velocidade, mas, particularmente, prefere alternativas pela superfície para que haja interação com a cidade, o que daria a sensação de pertencimento e faria com que as pessoas se conscientizassem para cuidar dela. Carolina Requena aponta outra falha no Metrô. Por ter linhas curtas, não é utilizado por toda a população. “Há um pico de 5% de uso como transporte principal da pessoa no dia”, explica ela. Além disso, a integração com redes suburbanas, que seriam os trens da CPTM, e com os ônibus, encarece a tarifa. Do ponto de vista econômico, consome mais da renda popular, pois, para viajar em São Paulo, cobra-se uma tarifa pouco acessível.  
No último dia 8, comemorou-se o Dia Mundial da Educação. Se é uma data para ser lembrada e celebrada, no Brasil talvez seja um momento para uma profunda reflexão. Afinal, quais os caminhos que a educação brasileira tem trilhado? Desde a educação básica até o ensino superior, o que tem sido feito e o que precisa se fazer para a educação do País chegar a patamares de excelência? O Plano Nacional de Educação (PNE), por exemplo, estabelece 20 metas para serem cumpridas até 2023, tratando desde formas de acesso na educação infantil até o ensino superior e até a qualificação e valorização dos professores. Entre as metas, talvez a mais polêmica seja aquela que trata do percentual do PIB que deve ser investido em educação, com o País saindo dos 5,3% em 2012, passando a investir o equivalente a 10% do PIB em educação. Isso deverá significar o montante de R$ 50 bilhões investidos anualmente em educação. Um outro ponto que precisa ser levado em consideração é o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), que tem validade até 31 de dezembro de 2020. Por esta razão, tramitam propostas parlamentares na Câmara e no Senado que pactuam pela permanência do fundo, mas ainda divergem sobre a sua composição orçamentária e o repasse da União, que atualmente é de 10% do valor total dos fundos nos estados e municípios. Para tratar das perspectivas futuras da educação no Brasil, seu financiamento e outros temas, o Diálogos na USP recebeu Luís Carlos de Menezes, Professor Sênior do Instituto de Física da USP, membro do Conselho Estadual de Educação em São Paulo, consultor da UNESCO para propostas curriculares e ex-assessor do Ministério da Educação para a elaboração da Base Nacional Curricular. Também estava presente Rubens Barbosa de Camargo, professor da Faculdade de Educação da USP, que foi conselheiro do Conselho Municipal de Educação de São Paulo (2001 a 2008), secretário de Educação e Cultura de São Carlos/SP (2001) e secretário de Educação de Suzano/SP (2005 e 2006). Luiz Carlos de Menezes diz que, se levar em consideração as últimas duas décadas, há o que comemorar na educação brasileira do ponto de vista numérico. O acesso e a conclusão do ensino fundamental, médio e superior tiveram uma crescente e houve um reconhecimento das educadoras, que deixaram de ser vistas como cuidadoras. No entanto, do ponto de vista da qualidade, há muito para lamentar. “A ampliação do ensino médio e superior não veio acompanhada de um crescimento de qualidade, pelo contrário”, explica o professor. Rubens Barbosa enxerga como principal problema na educação o fato de a maior parte do ensino superior ainda ser privado. Mesmo com a expansão da rede federal de ensino nos últimos 20 anos, 85% das faculdades no Estado de São Paulo ainda são particulares. O professor acredita que, do ponto de vista da qualidade, a relação da escola com seu entorno, o processo de participação para sua melhora e as pessoas que estão relacionadas ao instituto também perdem com a situação. “A qualidade não é só uma questão de desempenho em exames, é também a parte de como as pessoas enxergam a escola para poder dar o valor que ela tem no Brasil”, completa Barbosa. “Quando se diz baixo investimento no aluno, significa salário do professor lamentável”, cita o professor Menezes. Ele explica que, quando o aluno vê a perspectiva de vida negativa de educador, logo se afasta da profissão, havendo uma seleção negativa para o corpo docente da educação básica. O pesquisador acredita que, caso o ensino fosse priorizado pelo Estado, haveria condições de reverter a situação e aumentar a qualidade. Rubens Barbosa explica que há um problema histórico que se reflete na atualidade, os governos brasileiros nunca priorizaram a educação. Para haver um crescimento do País, tal ponto deve ser observado desde o nível básico para, então, chegar a um ensino superior especializado.
A Amazônia está em chamas e a questão da destruição da floresta ganhou muita força e chamou atenção da comunidade internacional nas últimas semanas. Desde que dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) indicaram um aumento nos focos de queimada na Amazônia, todas as atenções se voltaram para aquela região, para o bem e para o mal. O governo, inicialmente, negou os dados e demitiu Ricardo Galvão, diretor do Inpe. Depois, afirmou, sem prova alguma, que as queimadas eram culpa das ONG’s. Por fim, entrou em disputa diplomática com vários países ー principalmente a França, a Alemanha e a Noruega. A Alemanha, por exemplo, suspendeu o repasse de R$ 151 milhões para o Fundo Amazônia, e a Noruega, mais de R$ 130 milhões. E a floresta continua pegando fogo. O mês de setembro começou com quase mil focos de queimadas na Amazônia. De janeiro até o dia primeiro de setembro, a Amazônia acumula 47.805 focos de queimadas, contra 23.045 focos no mesmo período do ano passado. É mais que o dobro. Dados do início de agosto mostram que, nos últimos 12 meses (até 31 de julho), a Amazônia perdeu 5.879 quilômetros quadrados, 40% a mais do que um ano antes. O governo federal acenou com a possibilidade de usar as Forças Armadas no combate ao fogo, mas a situação continua crítica. Para responder questões sobre a Amazônia, o Diálogos na USP, apresentado por Marcello Rollemberg, recebeu Paulo Artaxo, professor sênior do Instituto de Física (IF) da USP, membro do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) e coordenador do Programa Fapesp de Mudanças Climáticas Globais. Também falou Edson José Vidal da Silva, professor do Departamento de Ciências Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, que atuou por 14 anos como pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). Paulo Artaxo diz que há várias facetas envolvidas que devem ser consideradas: climáticas, ambientais, socioeconômicas, entre outras. Do ponto de vista climático, a Amazônia é uma região estratégica para o planeta, pois armazena carbono e é um grande regulador climático, particularmente para a América do Sul. O Brasil já desmatou 20% da floresta original, o que pode ser observado de duas formas, como diz Artaxo: pode-se chorar pelo perdido ou estudar medidas para preservar os 80% restantes. Levando em consideração a segunda opção, é preciso criar políticas públicas e reduzir o desmatamento, fator possível, desde que haja vontade política e ações organizadas para tal. Edson José Vidal da Silva comenta que o desastre não começou agora, mas vem de vários outros governos devido à falta de políticas, visando ao melhor aproveitamento daquela região. Além disso, não há respeito aos modos de vida daqueles que moram na região, como indígenas e ribeirinhos, que dependem do recurso florestal. O professor acredita que há alternativas, mas que o estímulo não tem acontecido. “O Brasil nunca foi tratado como um país florestal, mas ele é e tem que ser tratado de forma diferenciada”, completa. Paulo Artaxo explica que há uma visão atrasada do agronegócio de que se precisa de terras para plantar e aumentar a produtividade agrícola; no entanto, existe um espaço enorme em áreas já desmatadas que pode ser utilizado. Entre os programas para desenvolver uma Amazônia mais sustentável, criou-se o Fundo Amazônia, que financiava projetos piloto para a região, em que era permitido a exploração da floresta sem destruí-la. Estava sendo uma experiência de sucesso, mas a atual visão política barra o desenvolvimento. Edson Vidal diz que os porta-vozes de hoje não conseguem se entender. Ele explica que o Fundo Amazônia foi como um prêmio para o País, juntaram-se sete Ministérios trabalhando em cooperação e realmente diminuiu o nível de desmatamento, conseguindo também o auxílio de países estrangeiros. O professor acredita que a forma de recuperar seria recomeçando, já que a visão do governo é predatória para a região. “Temos que ser os guardiões daquela biodiversidade.”
Desde o começo de 2018, a disputa comercial entre Estados Unidos e China vem preocupando a todos, e não é para menos. Com a desculpa de querer proteger os produtores americanos e reverter o déficit comercial com a China, o presidente Donald Trump vem anunciando, desde o ano passado, tarifas sobre produtos importados do país asiático. Já o governo chinês tem reagido com retaliações, também impondo tarifas sobre produtos americanos. Nessa disputa entre a primeira e a segunda economias do mundo, a preocupação é a de que, se os dois países sofrerem consequências negativas nessa disputa, outros países e a economia global possam ser impactados em uma reação em cadeia. Neste mês de agosto, as tensões pioraram, já que a disputa passou de ameaças sobre novas tarifas para o campo cambial. Em reação à ação americana, a China desvalorizou sua moeda e foi acusada de manipulação cambial. No Brasil, por exemplo, o dólar disparou. Mesmo um aspecto que pode parecer positivo para a economia brasileira tende a ser perigoso. Um dos principais produtos agrícolas brasileiros, a soja, se tornou um ponto de tensão entre Donald Trump e o governo chinês. Em retaliação à alta de tarifa sobre bens industrializados da China, o governo de Xi Jinping passou a tributar em 25% diversos produtos agrícolas americanos, entre eles, a soja. Quem acabou ganhando com isso foi a soja brasileira, já que a China substituiu o grão americano pelo brasileiro, o que não agradou Trump. Para falar sobre a disputa comercial entre Estados Unidos e China e sua influência na economia mundial, o Diálogos na USP, apresentado por Marcello Rollemberg, recebeu Alexandre Uehara, professor do Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Japonesa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), além de membro do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da USP e pesquisador Sênior do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais (Nupri), onde coordena o Grupo de Estudos sobre Ásia; e o também professor da FFLCH e do Instituto de Relações Internacionais (IRI), além de cientista político, João Paulo Cândia Veiga, pesquisador do Centro de Estudos das Negociações Internacionais (Caeni).
Inteligência Artificial, ou IA, é um ramo da ciência da computação que se propõe a elaborar dispositivos que simulem a capacidade humana de raciocinar, perceber, tomar decisões e resolver problemas, ou seja, a capacidade de ser inteligente. O tema se tornou recorrente em filmes e livros de ficção científica, e talvez um dos exemplos mais conhecidos – e também um dos mais assustadores – é o computador HAL-9000 de 2001, Uma Odisseia no Espaço. Isso sem se falar em séries como Black Mirror. Mas se na ficção a Inteligência Artificial pode assustar, na vida real ela é extremamente importante. Suas aplicações são as mais variadas, indo desde jogos e programas de computador até aplicativos de segurança para sistemas informacionais, robótica (robôs auxiliares), dispositivos para reconhecimentos de escrita a mão e reconhecimento de voz e programas de diagnósticos médicos, por exemplo. Contudo, há um certo temor com relação a um aspecto específico: o quanto o uso de robôs inteligentes pode tirar vagas de humanos no mercado de trabalho. Em entrevistas com 14 mil pessoas de 14 países, o Índice Anual do Estado da Ciência mostrou que 62% dos entrevistados disseram sentir medo do avanço dos robôs no ambiente de trabalho. Para responder sobre a importância crescente da Inteligência Artificial no nosso cotidiano, o Diálogos na USP recebeu os professores Glauco Arbix, titular do Departamento de Sociologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e co-coordenador do Observatório de Inovação do Instituto de Estudos Avançados da USP, e Fabio Gagliardi Cozman, titular da Escola Politécnica da USP e coordenador da Comissão de Inteligência Artificial da Sociedade Brasileira de Computação. Fabio Cozman relembrou que a ideia de inteligência artificial é muito antiga e envolve diferentes campos do conhecimento. “Havia filósofos de séculos atrás que já tinham o interesse de montar máquinas que calculassem, que fizessem algum tipo de raciocínio lógico”, conta. Contudo, a ideia só se solidificaria a partir da metade do século 20, após um período de estudos sobre cibernética e automação. “Em 1956, houve um seminário intitulado Inteligência Artificial, no qual algumas poucas pessoas discutiram o tema. Foi aí que surgiu essa expressão”, explicou o professor. Glauco Arbix enfatizou a atratividade da ideia de que os algoritmos possam aprender a partir de um treinamento, que “prenuncia uma mudança de qualidade em relação ao passado. Não é só um processo automático, mas é um processo em que a máquina se autotreina”. Um grande exemplo são chips produzidos pela Nvidia que estão sendo utilizados na elaboração de carros autônomos. “O chip vai aprendendo com quem está dirigindo. Não é que alguém está ensinando ou programando, o algoritmo consegue capturar o tipo de movimento e acaba se desenvolvendo. Quanto mais se dirige, mais ele aprende”, disse Arbix. Cozman ressaltou os grandes avanços feitos nos últimos anos e disse acreditar que, “há 20 anos, a maioria das pessoas não imaginava que as fronteiras iriam chegar aonde elas chegaram hoje. Poucos esperavam que realmente fosse possível usar a quantidade de dados que usamos hoje”. O poder computacional, a capacidade de dirigir automóveis e os chatbots são alguns dos exemplos desse avanço da fronteira da inteligência artificial. Arbix destacou a dificuldade para criar uma regulamentação que seja efetiva mas que, ao mesmo tempo, não crie barreiras para o desenvolvimento de novas tecnologias: “O grande desafio é você conseguir regulamentar sem castrar a inventividade e criatividade da pesquisa”. Como a nossa sociedade normalmente trabalha com resoluções a posteriori, o professor aponta que “a inteligência artificial está ampliando a cada dia suas fronteiras, e cada vez que ela faz isso, ela coloca problemas novos”.
Inaugurada em 1950, a televisão no Brasil em pouco tempo desbancou o rádio e ganhou um lugar de destaque nos lares brasileiros. Ver televisão, mais do que um entretenimento, era um evento social, com família e amigos reunidos diante da tela. Com o passar das décadas, essa ação só se intensificou. Com a chegada da TV paga nos anos 90, o interesse se diversificou. Afinal, diferentemente das atrações oferecidas pelos canais tradicionais da TV aberta, nos canais por assinatura o espectador podia escolher que tipo de canal assistir e que tipo de programa mais lhe interessava. A segmentação havia chegado para ficar. Nos últimos anos, vimos uma mudança ainda mais radical no antes tão simplista – e ao mesmo tempo empolgante – ato de assistir TV: a chegada do streaming, como a Netflix e a HBO. Com ofertas multiplicadas e proporcionando ao espectador a possibilidade de ver filmes, documentários e séries quando quiser, ficar diante da tela agora é uma ação, digamos, bem mais complexa. Segundo pesquisa, cerca de 8% dos lares brasileiros já utilizam esse tipo de serviço. Com essa nova concorrência, a TV por assinatura perdeu seu espaço: nos últimos cinco anos, foram mais de 3 milhões de assinantes a menos. A questão pode ser econômica, claro, mas evidencia também uma mudança de hábito e de geração. Hoje, jovens preferem ver séries a assistir à TV aberta, por exemplo. Diante disso, como fica a comunicação televisiva? A questão é meramente tecnológica ou também é social? Qual o futuro das TVs abertas? Para responder a essas e outras perguntas sobre o futuro da televisão no Brasil, o Diálogos na USP, apresentado por Marcello Rollemberg, recebeu os professores Maria Arminda do Nascimento Arruda, socióloga, diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciência Humanas da USP e Renato Levi, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP, especialista em memória audiovisual e história da televisão. Maria Arminda disse acreditar que, como aparelho, a televisão não perdeu espaço no mercado, apesar de ter passado por diversas mudanças ao longo da história. “É claro que o lugar que os aparelhos ocupam na casa foi muito mudado nas últimas décadas”, afirmou, relembrando que inicialmente as televisões eram móveis e, com o passar do tempo, passaram a ocupar um lugar de destaque nas salas das casas. “A disposição dos objetos não é qualquer coisa. Eles trazem um grande significado cultural. Os objetos significam”, concluiu. Renato Levi destacou o baixo porcentual de brasileiros que utilizam o streaming, argumentando que, “se a gente olhar a nossa própria bolha, aqui dentro da Universidade, arriscaria dizer que quase 100% das pessoas. Então a gente confunde o ambiente em que vivemos com a totalidade”. Esse dado mostra que a televisão ainda possui uma força muito grande e ainda é um hábito do brasileiro,”é uma referência para as pessoas e faz companhia, seja para o bem ou para o mal”. Maria Arminda apontou para o importante papel político desempenhado pela televisão, recordando o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff: “A conjuntura daquele momento seria inconcebível sem o Jornal Nacional, mesmo que houvesse motivos para o processo”. Este exemplo demonstra o quanto as produções televisivas ainda influenciam a opinião e o debate público. “Todo esse processo político brasileiro é impensável sem a televisão, e a cultura do ódio que vemos atualmente esteve na televisão também”, afirmou Maria Arminda. Levi ressaltou que, apesar de ainda ser muito presente, a televisão está vivendo um momento decisivo. “O formato do telejornal está em crise há muito tempo, só que há dificuldade em se abandonar esse modelo”, afirmou. O professor também apontou para a nova concorrência com o WhatsApp para a divulgação de informações, plataforma em que “não existe mediação. Não se sabe da onde vêm as informações, ninguém é responsabilizado e as pessoas reeditam as coisas compondo o contexto que querem. Em termos informacionais é um caos”.
Em tempos de globalização, as parcerias e os acordos comerciais entre países estão cada vez mais valorizados. Recentemente, comemorou-se — até com um certo alarde — a finalização do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Esse acordo estava há décadas para ser concretizado. A União Europeia é a segunda maior parceira comercial do Mercosul. Só no ano de 2018 foram movimentados mais de US$ 100 bilhões no comércio entre os dois blocos. Esse acordo se coloca como o segundo maior do mundo em relação ao PIB somado de seus participantes, atrás apenas do PIB do acordo entre a União Europeia e o Japão. Por outro lado, ao mesmo tempo que vemos parcerias sendo fechadas, temos também rixas crescentes, como as disputas comerciais entre Estados Unidos e China, por exemplo. Além do mais, não é apenas a questão puramente econômica que deve ser colocada em uma mesa de negociação ou na formalização de parcerias. Questões sociais e do meio ambiente também precisam ser levadas em consideração. Mas o que essas parcerias realmente significam? Qual o papel do Brasil nesse mundo globalizado? Para responder a essas e outras perguntas sobre Parcerias Globalizadas, o Diálogos na USP recebeu Pedro Dallari, professor do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP e colunista da Rádio USP e Simão Silber, professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, especialista em Economia Internacional. Simão Silber comenta que o anúncio da aliança foi uma novidade por diversas razões e, do ponto de vista do Mercosul, será o primeiro grande acordo com países desenvolvidos, o que significa maiores mudanças para o bloco sul-americano. Por outro lado, para a União Europeia as vantagens não são evidentes, mas nota-se um interesse em abrir pontes para o agronegócio. O professor Pedro Dallari explica que essa relação é um processo e que os atuais textos publicados são ainda para fins informativos, podendo haver alterações no futuro. Os países se unem em blocos com a finalidade de derrubar barreiras alfandegárias e, com esse acordo, serão 770 milhões de pessoas dividindo o mesmo espaço de integração comercial, fortalecendo ambas as economias. Conflitos surgirão e terão que ser administrados, já que os países europeus são mais desenvolvidos nos quesitos sociais e ambientais. Reforma da Previdência e cumprimento integral do Acordo de Paris — que discute mudanças climáticas — são algumas das exigências para que os países do Mercosul se encaixem no padrão global e participem desse ambiente competitivo. Os professores comentam também sobre educação e universidade. Acreditam que, no Brasil, há um grande privilégio proporcionado pelo setor público, que oferece educação de qualidade para todos desde pessoas pobres até as mais ricas. Com isso, cria-se uma elite pensante, considerada aquela que discutirá os problemas do mundo e pensará em soluções. Diálogos na USP   Apresentação: Marcello Rollemberg Produção: Fátima Alves e Christiane Braga Edição geral: Cinderela Caldeira Edição Sonora: Guilherme Fiorentino Horário: sexta-feira, às 11h00 Você pode sintonizar a Rádio USP em São Paulo FM 107,9; ou Ribeirão Preto FM 107.9, ou pela internet em www.jornal.usp.br ou pelo aplicativo no celular para Android e iOS . .
“Um pequeno passo para um homem, um grande salto para a humanidade.” Com essa frase, dita pelo astronauta Neil Armstrong, assim que tocou o solo lunar, os Estados Unidos podiam dizer que acabavam de ganhar a corrida espacial disputada com a então União Soviética. Mas a chegada à Lua, no dia 20 de julho de 1969, há exatos 50 anos, foi muito mais do que uma vitória americana, graças à missão muito bem-sucedida da Apolo 11. A chegada do homem à Lua elevou o nível da ciência feita no mundo até então, inspirou carreiras e mostrou que o espaço era uma fronteira que poderia ser vencida. Graças ao Projeto Apolo, o desenvolvimento científico e espacial ganhou novos contornos. Sem ele, não haveriam os ônibus espaciais, missões a Marte e às profundezas do espaço e o telescópio Hubble. Mas o que de fato representou a chegada do homem à Lua? O que, meio século depois, ainda ecoa daquela frase icônica de Armstrong? Qual futuro ela inspira? Para falar sobre os 50 Anos do Homem na Lua e o seu legado, o Diálogos na USP recebeu os professores Glauco Arbix, sociólogo, professor titular da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, que integrou o Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT) – 2007-2011, e Amâncio César Friaça, astrofísico, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (IAG), com ênfase, entre outros temas, em cosmologia, evolução de galáxias e meio intergalático. Glauco Arbix relembrou a emoção proporcionada pelo acontecimento, ainda que não tenha conseguido acompanhar pela televisão: “O choque da chegada do homem à Lua é muito forte, isso é muito vivo na cabeça da gente”. Além dos sentimentos, o professor relembrou o avanço tecnológico que o evento representou. “É uma expansão dos limites humanos que pouca gente viveu na dimensão que foi”, disse Arbix. Amâncio Friaça destacou que a chegada do homem à Lua demonstrou “o quão pouco a gente acreditava na humanidade”. A chegada no satélite era desacreditada por grande parte da população, sendo que ainda hoje podemos observar grupos que argumentam que a viagem foi uma invenção da Nasa. Desta forma, a chegada à Lua seria não apenas um grande salto tecnológico, mas também filosófico. “O fato de o homem ter chegado ao espaço representa a libertação de amarras das quais ele já tinha pensado em se livrar há muito tempo”, afirmou Friaça. Arbix ressaltou que os avanços científicos vão se comercializando ao longo do tempo, e que algo semelhante parece estar acontecendo com o espaço, sendo que várias empresas estão desenvolvendo programas de turismo espacial. “O problema é que, a partir do momento em que essa situação se consolida, entra-se numa fase mais comercial. Isso coloca perguntas para as quais não temos respostas. De quem é a Lua? É de quem chegou primeiro?”, indagou o professor. Friaça disse acreditar que as viagens espaciais são viáveis, ainda que “talvez não numa escala de tempo tão curta quanto a gente pense”. O professor também se demonstrou preocupado com uma desigualdade nas viagens espaciais. “O Blue Origin, empresa do Jeff Bezos, se propõe a colocar milhões de pessoas no espaço. Mas no final serão os privilegiados que irão, o que lembra a história do Blade Runner, na qual há uma comunidade mais abastada que conseguiu sair da Terra e o planeta fica no desastre ecológico”, disse Friaça. Acompanhe a íntegra do programa pelos links acima.
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Comentários (2)

Mary Silva

O condutor do debate interrompe muito e com comentários desnecessários.

Apr 19th
Responder

victor wagner

show

Nov 21st
Responder
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