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Olá, bem-vindo ao podcast Pílulas de Saber e de Sabedoria. O meu nome é Ana Claudia Quintana Arantes, sou médica, e eu trabalho em São Paulo, no Brasil.Nestes tempos de pandemia, o que nós sabemos é que quase nada nós sabemos. Muito do sofrimento que as pessoas estão precisando enfrentar ao longo deste tempo de adoecimento diz respeito também a esse mundo desconhecido de como vamos fazer para cuidar dessas pessoas, para cuidar das famílias delas e principalmente como é que nós podemos nos cuidar para a gente poder fazer o que nós temos de fazer.Nesse tempo tão desafiador no Mundo inteiro, o que nós descobrimos é que em primeiro lugar nós precisamos dar atenção ao que nos fortalece, o que nos deixa seguros. E, para nós, profissionais de saúde, uma das coisas que nos deixa com mais insegurança, é saber, é o conhecimento técnico.Eu trabalho com Cuidados Paliativos aqui no Brasil, que é uma área de assistência que vai promover um cuidado multidimensional, na parte física, emocional, social, familiar e espiritual de cada um dos nossos pacientes.Neste momento, o conhecimento tenho visto que se tornou muito valioso, talvez até necessário, para que todos os profissionais de saúde, em especial médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, aqueles que realmente estão vivenciando isto dentro das unidades de terapia intensiva, dentro do pronto atendimento, a chance de fazer escolhas com base nesse conhecimento, e, ao mesmo tempo, não nos perdermos no sofrimento humano que necessariamente nós temos de enfrentar, dentro de fora de nós.O propósito deste podcast é esse, trazer para os profissionais de saúde alguns minutos no seu dia (na chegada e na volta para o seu lugar de descanso que nem sempre é a casa da gente, muitos de nós precisa ficar em alojamentos, em hotéis, ou na própria casa mas sozinhos, sem a presença da família, até para proteger essas pessoas que nós amamos tanto).Essas pílulas de saber e de sabedoria são nesta dosagem exatamente, curtos episódios, com conteúdo de técnica, de comunicação, de suporte emocional e música, de meditação e de palavras que podem abraçar o teu coração, através da poesia.Os episódios são curtos mas eles são intensos e nós acreditamos que essa parceria entre brasileiros e portugueses na nossa amada língua portuguesa que tem tantas palavras que sabem transformar. E, nós vamos usar muito bem essas palavras para que a que a gente possa transformar essa sabedoria esse conhecimento em algo acessível em cada um desses momentos que nós vamos ter que enfrentar ainda, que já estamos a enfrentando, e talvez nos dê um amparo por tudo aquilo que nós já vivemos e que foi muito difícil. Sejam bem-vindos!
Episódio 1 sobre a técnicaQuando que indicamos cuidados paliativos? Existe uma pergunta pode ser respondida de uma maneira bastante simplificada. Você se surpreenderia se esse paciente que está na sua frente falecesse ao longo do próximo ano? Se a sua resposta for não, eu não me surpreenderia, então essa pessoa que está na sua frente, ela vai ser beneficiada pela abordagem de cuidados paliativos.Os cuidados paliativos são uma proposta, fazem parte de uma grande proposta de intervenção do Alívio do sofrimento humano, na sua dimensão física, emocional, social, familiar e espiritual. Mas, a base de todo o processo, acontece com o alívio do suplemento físico. Toda a dimensão biológica do ser humano está a serviço de uma realização da sua existência. Nós temos um corpo que se funcionar bem, se não nos trouxer nenhuma dificuldade para a interação com o mundo, nós vamos conseguir sair muito bem na nossa vida. Então, o tratamento da dor, da falta de ar, do desconforto abdominal, de confusão mental, delírio, sintomas que fazem com que a parte física destes pacientes se torne mais desafiador para ele mesmo, para que ele possa sustentar todos as propostas que nós podemos oferecer de intervenção.O cuidado paliativo, ele se encaixa no trabalho de todas as doenças que ameaçam a continuidade da vida e, portanto, nestes tempos de COVID é uma abordagem bastante bem -vinda.Ela não atrapalha a técnica por si, ela se torna uma técnica complementar ao trabalho do nosso dia-a-dia com médicos e como profissional de saúde. Nesta dimensão física, nós entendemos que o trabalho principal, neste momento, vai ser o alívio dos sintomas respiratórios. Mais para a frente nós teremos os detalhes, bem, bem, bem claros sobre como abordar tratamento da dispneia.A definição de cuidados paliativos tem a proposta de melhorar a qualidade de vida. Infelizmente, nós não sabemos o que vai acontecer para os sobreviventes desta doença, Mas no processo, durante o adoecimento, é muito importante que nós como médicos também tenhamos a possibilidade de abordar o sofrimento físico.Os cuidados paliativos, eles vão proteger as pessoas desse desconforto, que a doença, que a intervenção, que o tratamento pode proporcionar.Muitas vezes, nós vamos encontrar neste projeto do COVID, pessoas que já tem doenças graves anteriores à infecção, e, essas pessoas, elas podem se beneficiar do tratamento de cuidados paliativos com olhar bastante atento.Essas pessoas que já têm câncer, pessoas que já têm demência e já possuem doenças em órgão vital (como o pulmão, o coração, rim, fígado) essas pessoas, quando submetidas a tratamentos de prolongamento da vida, encontram apenas o prolongamento do seu sofrimento. A não indicação de um suporte avançado, não significa a exclusão de conforto e qualidade de vida. As medidas não podem ser excludentes. Nós podemos fazer intervenção agressiva e ainda assim, proporcionar para o paciente, a percepção de conseguir passar por isso. De conseguir superar isso. De não precisar sentir dor, de não precisar sentir falta de ar, isso não é difícil de ser feito. Então, quando a proposta é de cuidado paliativo, a proposta não é de morte é uma proposta de cuidados.
Esta é uma meditação para fazer no final da sua jornada, quando você estiver a caminho de casa ou do seu lugar de repouso. Um momento para se desconectar do que aconteceu até agora – fazer uma pausa para cuidar de você, conectar-se e estar mais presente para a família e para você mesmo. Neste momento, você é a pessoa mais importante.Vamos cuidar de você da mesma maneira que você cuidaria de alguém que ama.
Ricardo Reis - Segue o teu destinoSegue o teu destino,Rega as tuas plantas,Ama as tuas rosas.O resto é a sombraDe árvores alheias.A realidadeSempre é mais ou menosDo que nós queremos.Só nós somos sempreIguais a nós-próprios.Suave é viver só.Grande e nobre é sempreViver simplesmente.Deixa a dor nas arasComo ex-voto aos deuses.Vê de longe a vida.Nunca a interrogues.Ela nada podeDizer-te. A respostaEstá além dos deuses.Mas serenamenteImita o OlimpoNo teu coração.Os deuses são deusesPorque não se pensam.
Podcast Pílulas de Saber e de SabedoriaNeste episódio, nós vamos falar sobre as indicações de cuidados paliativos nos doentes da unidade de terapia intensiva.As pessoas portadoras de doenças crônicas que apresentam complicações e exacerbações ao longo da evolução da sua doença, estão vivendo mais tempo, tanto por causa dos avanços oferecidos em seus tratamentos, como da possibilidade de acesso a esse tratamento.Em geral, eles vivem mais, entretanto com piores condições qualidade de vida. Infelizmente, sabemos que ainda existem muitas barreiras para prestar cuidados paliativos eficazes nesta área da saúde. Entre elas, nós vamos contemplar, vamos falar sobre quatro problemas principais: comunicação insuficiente sobre as decisões de fim de vida;a incapacidade dos pacientes de participarem em discussões sobre seu tratamento;expectativas não realistas, tanto por parte dos pacientes como de seus familiares, e, muitas vezes, os próprios médicos envolvidos no trabalho do cuidado desse paciente sobre prognóstico e eficácia do tratamento da UTI;E, por último, a falta de oportunidade para trazer à discussão, sobre a forma de como eles desejam receber cuidados no fim da sua vida.Todas estas conversas, elas precisariam ter acontecido antes do evento de gravidade. Entretanto, neste momento da pandemia, muitas vezes as pessoas são submetidas a intervenções agressivas pelo simples fato de terem o diagnóstico de Covid. E, a nós, profissionais de saúde, especial os médicos, cabe a decisão, muitas vezes unilateral, sobre qual o tratamento que será direcionado para qual doente. Quando falamos da comunicação ineficiente sobre decisões de fim de vida, essa condição favorece algo grande de grande estresse, tanto nosso, como do paciente, como da família. As pessoas são submetidas a tratamentos com quais elas não estão familiarizados e isso faz com que o medo sobre o que vem e o que está acontecendo aumente muito a dificuldade de enfrentamento.Essa incapacidade dos pacientes de participarem das discussões, pode acontecer pela condição clínica do paciente de muita gravidade. O paciente que está com muita falta de ar, ou já esteve um rebaixamento do nível de consciência, ele não tem condição para responder sim ou não para qualquer proposta terapêutica.A decisão vai ser muitas vezes ser unilateral, como eu disse, é o momento de quase uma situação de guerra onde a decisão não tem condição de ser compartilhada.Então, a expectativa é que nós, da área da saúde, tenhamos minimamente condição de fazer essa escolha, da melhor intervenção.As expectativas é que realmente, a gente pudéssemos ajudar as pessoas a permanecerem vivas. E, nós vamos lutar muito por isso. Mas, muitas vezes no nosso dia, nós vamos encontrar um paciente que se vai deparar com a nossa impotência, com a nossa incapacidade de mudar aquela realidade. Pacientes que tiveram complicações graves, para além da infecção, estão em insuficiência renal precisando de diálise. São pacientes que estão com distúrbios eletrolíticos muito severos. E, em algumas situações, especialmente aqui no meu país, situações onde a gente não tem recurso necessário para poder prover a necessidade do nosso paciente. Essa falta de oportunidade para discussão sobre como conduzir esse processo foi trazido por causa dessa emergência. Não houve tempo de preparo, de conversar sobre o que pode e o que não pode ser feito, sobre o que deve e o que não deve ser feito.Então o desafio talvez seja a constituir essa percepção cuidado paliativo dentro da UTI quando as coisas já estão acontecendo. É como se tivesse a necessidade de trocar o pneu do avião, antes de ele pousar, a gente tem de trocar com ele durante o voo e isso é algo muito muito desafiador para todos nós.
Musicoterapia - Inácia
Podcast Pílulas de saber e de sabedoria. Episódio sobre técnica.Agora nós vamos falar sobre os diferentes cenários e abordagem possíveis.Sabemos que o monitoramento de portadores e também de pacientes sintomáticos leves, deve ser feito em domicílio, e, todo o movimento de suporte, deve ter como foco a orientação e o treinamento desses familiares e desses pacientes de uma forma individual e/ou coletivo. O segundo cenário é o monitoramento de doentes crónicos ou com doenças crónicas em progressão e outras causas de um risco mais elevado de adoecimento. Perguntas que podem auxiliar bastante na qualificação do risco desse doente: esta pessoa está perdendo capacidade funcional de uma forma rápida? Por exemplo, ela parou de caminhar? Necessita de alguma ajuda para tomar banho, para se trocar? Para se locomover dentro de casa, para se alimentar? Esse paciente está acamado e dependente para muitas atividades ou ele vem piorando das últimas semanas ou meses? Essa pessoa apresenta-se com pouco apetite, ou está perdendo peso rapidamente nas últimas semanas? Ou esta pessoa apresenta sintomas de versos como dor, fadiga, falta de ar, confusão mental, sonolência ou outros sintomas físicos que causem desconforto e impacto no seu desempenho do dia-a-dia? E, na presença de qualquer um desses sintomas que eu acabei de listar é importante nós nos certificarmos se esses sintomas estão controlados ou não, se o paciente está sendo medicado ou ele está recebendo medidas não farmacológicas adequadas para o controlo desses sintomas.E, uma última pergunta, necessitou de internação hospitalar por sua doença de base mais de uma vez nesse último ano? Nesse caso, é importantíssimo orientar o familiar para que ele informe as equipas de cuidados, sobre a condição prévia do paciente e a presença de uma doença que está em evolução. Isso vai ajudar muito os profissionais de saúde a encontrarem a melhor alternativa de tratamento para esse paciente.Nas unidades de pronto atendimento, na avaliação inicial, uma dica muito importante: sempre se apresente, diga seu nome ou sua função, assegurando ao doente e à família dele que você vai fazer o melhor que puder para poder ajudar. Buscando os sintomas actuais de infecção pelo Covid, não deixe de entender e de buscar sinais de alerta para outras descompensações das doenças crônicas que podem estar em evolução naquele momento. E a busca rápida de dados biográficos do doente. Os poucos minutos de conversa pessoal onde se registra informação biográfica do doente são extremamente preciosos e ajudam muito a humanizar o processo, trazendo para esse paciente e para família uma percepção de confiança sobre os cuidados que vão ser oferecido. As pessoas sentem-se mais seguras quando percebem que são consideradas como pessoas e não apenas como doentes.
Wisława Szymborska, Maria Wisława Anna Szymborska (Kórnik, 2 de julho de 1923 — Cracóvia, 1 de fevereiro de 2012) foi uma escritora polaca galardoada com o Prémio Nobel na área de literatura (1996). Poetisa, crítica literária e tradutora, viveu em Cracóvia, onde se formou em Filologia Polaca e Sociologia pela Universidade Jaguellonica. A sua extensa obra, traduzida em 36 línguas, foi caracterizada pela Academia de Estocolmo como «uma poesia que, com precisão irónica, permite que o contexto histórico e biológico se manifeste em fragmentos da realidade humana», tendo sido a poetisa definida, como «o Mozart da poesia»
"O Grande Mantra da Vitória Sobre a Morte."Maha = Grande Mrityun = Morte Jaya = VitóriaOriginalmente escrito em sânscrito, o “Mahamrityunjaya Mantra” (o grande mantra que ajuda a vencer as doenças e a morte), conhecido também como “Tryambakam Mantra”, um dos mais sagrados e poderosos mantras dedicados ao Senhor Shiva, é um verso do Rigveda, também citado no Yajurveda. É dedicado a “tryambaka”, àquele que possui três olhos, um epíteto de Rudra, uma das manifestações de Shiva. Juntamente com o “Gayatri Mantra”, esse mantra é considerado um dos mais importantes, conhecidos e populares do Yoga e Hinduísmo.Composto de dois versos, o primeiro saúda, reverência e descreve poeticamente as características e os atributos de Shiva (referindo-se a suas “histórias e proezas mitológicas”; o que o torna um dos mantras prediletos dos yoguis e hindus; recitado, com muita frequência, no início das práticas do yoga); o segundo verso inicia-se também com uma reverência, seguida por uma fervorosa súplica pela libertação da ignorância, das doenças e da morte e pela conquista da imortalidade.
Comunicação Compassiva - Diário para sempre (Você está perdoado por só poder fazer aquilo que você pode fazer)
PERDOANDO A SI MESMO - MEDITAÇÃO GUIADAPode ser algo que fizemos. Uma falha grave. Algo que falamos. Um olhar mal interpretado. Uma reação.Como é difícil se perdoar. Você quer esquecer a situação, mas a mente insiste em ficar nela, proliferando ou ruminando os pensamentos. Surge um aperto no peito. Se você se sente assim, não adianta querer resolver as coisas apenas na mente. Primeiro, precisamos nos conectar com o corpo. Vamos praticar juntos?
Poema de Afonso Cruz
Música de Carlos Martins
Pílulas de Saber e de SabedoriaDra. Ana Claudia Quintana Arantes
Pílulas de Saber e de SabedoriaDenise KatoANTÍDOTO CONTRA A AGITAÇÃO - MEDITAÇÃO CAMINHANDOEsta meditação é para você que tem a sensação de estar vivendo vários dias em um. Inúmeros pacientes, procedimentos, uma sobrecarga avassaladora de trabalho. Nos poucos minutos em que você pára, o corpo pára, mas a mente continua desenfreada, e nem dá para imaginar ficar sentado, em paz. Em horas como essa, o mais eficaz é perceber e aceitar que a mente está assim. Confiar que essa agitação não será para sempre e que voltar a atenção para a respiração e o corpo poderá te centrar novamente, te dar chão. E uma boa maneira de fazer isso é levando a mente para dar um passeio…
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