Prelo
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Prelo

Author: Tiago Novaes

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Description

Prelo apresenta os recursos e reflexões para que escritores possam construir uma disciplina autoral, escrever o seu livro e publicar da melhor maneira possível. Se você nutre o desejo de escrever uma obra de ficção ou não-ficção: um romance, um livro de contos, uma peça de jornalismo literário, um ensaio, uma saga distópica, a narrativa de uma viagem, uma obra infantojuvenil ou um projeto autoficcional – ou se já publicou uma obra e gostaria de sanar as lacunas de sua formação –, você está no lugar certo. Prelo é um podcast quinzenal com o escritor e professor de criação literária Tiago Novaes, autor de uma variedade de livros, finalista dos maiores prêmios literários e vencedor de uma série de bolsas de criação. Combinando entrevistas com grandes escritores, editores e críticos, reflexões pessoais, leituras e experiências concretas na literatura, Prelo oferece os caminhos para que você possa vencer as bolhas do mercado editorial, compreender os segredos da Escrita Criativa e construir o seu projeto ficcional – da ideia original à publicação, da inspiração ao cotidiano de um escritor em tempo integral. Clique agora no botão de inscrição e assuma o seu desejo de tornar-se uma escritora ou escritor.
39 Episodes
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#039 – Durante muito tempo, convencionou-se ensinar que a primeira pessoa, ao narrar uma história, era a mais incerta, a duvidosa, porque implicava numa voz parcial, um recorte específico, que derivava muitas vezes numa perspectiva enviesada da realidade. Como confiar num narrador assim?, diziam. Ele tem muito a perder ao contar a verdade. Ora, os tempos mudaram. A verdade, se passa longe dos movimentos delirantes de massas submetidas aos torpedos de zap, nunca deixou de ser uma construção frágil, social, sujeita a questionamentos incessantes. A verdade é histórica e está muito mais perto da dúvida filosófica e científica que das convicções da audiência midiatizada. Hoje, queremos crer que já não somos ingênuos, que sabemos que não existe narrativa sem recorte ou perspectiva. Sob essa luz, a terceira pessoa tornou-se a menos confiável, justamente por ser aquela que oculta o seu sujeito, pretende-se universal, detentora do bom senso de uma classe, de uma neutralidade, um ponto zero do olhar. A loucura do narrador de Memórias do Subsolo passa a ser mais confiável, em sua parcialidade, que a requintada mot juste de Flaubert. Mas quando pensamos no foco narrativo de nossa história, serão estas as únicas implicações? O que mais devemos levar em consideração? E por que o foco narrativo é tão determinante em desatar o seu processo de escrita, dando-lhe impulso, asas, voo? E serão estas as únicas pessoas que existem, as únicas maneiras de narrar uma história?Inscreva-se no canal! Clique aqui: https://escritacriativa.net.br/
#033 – Você enfim digitou o ponto final de sua obra em seu editor de texto. O arquivo está lá, numa pasta. O resultado de meses ou anos de trabalho. E agora? Quais os primeiros passos que você deve dar para publicar o seu livro, seja no formato de autopublicação independente seja para procurar uma editora que tope lançar a sua obra?Neste episódio de Prelo, o último da primeira temporada, você vai saber o que fazer para publicar da melhor maneira possível.Em seguida à publicação deste episódio enviaremos um material para os seguidores do canal e que complementem as informações aqui contidas. Não esqueça de se inscrever, clicando no link abaixo. Desta forma, você seguirá recebendo todas as semanas dicas de leitura, de escrita, orientações e conversas por e-mail.Clique aqui: https://escritacriativa.net.br/O Prelo voltará para a segunda temporada em julho!
#032 – Não resta muita dúvida hoje que, para escrever um bom livro, você precisa ser um bom leitor. E muito se diz da importância da leitura de obras clássicas para a formação autoral – Clarice, Lygia Fagundes, Cecília Meireles, Machado de Assis – são todos incontornáveis, e sabemos disso. Pouco se fala, contudo, da importância das obras contemporâneas para a formação do escritor.No episódio de hoje, você vai saber por que a leitura dos contemporâneos é fundamental. E por que você deve começar hoje mesmo a ler um bom livro contemporâneo.Clique no link abaixo para participar do canal! https://escritacriativa.net.br/
#031 – Durante 66 dias, o Tiago se dedicou à elaboração de um ensaio. Ao longo de pouco mais de dois meses, todos os dias da semana, de segundas às sextas-feiras,  das oito da manhã ao meio-dia, o autor debruçou-se sobre o seu projeto. O resultado foram 92 páginas e algumas convicções sobre a prática deliberada.Sessenta e seis dias é o tempo médio para que um hábito novo seja incorporado, para que a plasticidade cerebral faça a sua mágica e converta uma prática em algo corriqueiro. Este tempo foi o resultado de um estudo da psicóloga Jane Wardle, da University College de Londres, em um artigo publicado no European Journal os Social Psychology.Mas a prática deliberada possui outros efeitos: e alguns deles são significativos para as escolhas que a escritora ou escritor fazem em sua vida, para o sentido de realização e de felicidade. É disso que o Tiago fala no episódio desta semana.Clique no link para se inscrever no canal: https://escritacriativa.net.br/Observação: No episódio, o Tiago faz referência a um psicólogo húngaro de nome difícil de pronunciar. Trata-se de Mihaly Csikszentmihalyi, autor de Flow  – The Psychology of Optimal Experience. 
#030 – À primeira vista, devo dizer que a obra de Malcolm Gladwell não me atraía. Mas também reconheço que se tratava apenas de uma impressão, daquelas que a gente tem sem saber nada do livro, e que pode produzir equívocos. Suas edições têm um design quase idêntico entre si: capas brancas, o mesmo tipo de fonte nas edições brasileiras e anglófonas. Uma chamada ampla, como que querendo abraçar coisas demais dentro de uma questão formulada de modo muito genérico. É por isso que só fui me aventurar a ler os seus livros por conta de uma sugestão, dessas que não se ignora. "Você já leu este cara? Analise a obra dele." E como respeito demais a autora da recomendação, resolvi fazer o que ela dizia. Analisar uma obra ultrapassa a leitura casual. É preciso buscar recorrências na leitura de mais de um de seus livros. Acompanhar as resenhas e comentários na internet, os debates nas redes sociais. Entender o fenômeno da obra, por assim dizer. Não sou jornalista, mas a curiosidade tenta suprir parte das minhas deficiências de investigador na hora de explorar os caminhos de um livro ou de um autor. Quando estamos interessados na escrita de um gênero específico, é muito interessante ir além da curiosidade mais imediata. Precisamos esticá-la nos limites do cansaço. Empregar um esforço que se volte não apenas para o chamariz imediato da leitura, mas para as suas estratégias discursivas, o modo como o autor ou autora produziram a sucessão de seduções e provocações do texto.Neste trigésimo episódio de Prelo, abro uma seção na conversa que iniciamos semana passada sobre a tipologia da não-ficção e me dedico a apresentar alguns dos resultados de um estudo de caso, o da obra de Malcolm Gladwell, autor de Blink – A decisão num piscar de olhos, Outliers – Fora de série e The tipping point – O ponto da virada. Apenas este último título teve cinco milhões de exemplares vendidos em todo o mundo. Não foi algo espontâneo, mas exigiu um projeto pessoal do autor. Em A biografia de uma ideia – a obra de Malcolm Gladwell como estudo de caso, apresento algumas pistas da popularidade de sua obra, além de recursos que você pode utilizar na elaboração de seu próprio livro.Inscreva-se no canal Escrita Criativa!http://www.escritacriativa.net.br/
#029 – Acabo de ler numa crônica de jornal a frase de Hannah Arendt em seu, "Homens em tempos sombrios": "A questão é: quanta realidade se deve reter mesmo num mundo que se tornou inumano, se não quisermos que a humanidade se reduza a uma palavra vazia ou a um fantasma."As coincidências não existem de fato. Eu ia apresentar para você o episódio novo de Prelo, em que falo sobre A tipologia da não-ficção: em outras palavras palavras, quais são os dispositivos mais comuns para apresentar uma obra "baseada em fatos reais". Na escala de bizarrices, precisamos concordar que realidade tem superado a ficção. Nós, ficcionistas, estamos à mercê da realidade, sempre um ou dez passos atrás, como um detetive perseguindo um assassino. Quando julgamos inventar alguma coisa, ela aparece nos jornais. Acabamos com o mundo na ficção, e na realidade ela consegue terminar muitas vezes seguidas, e deixar-nos sobrevivendo para contar a história. A verdade é a agulha que se esconde num palheiro de opiniões, frases motivacionais e outras, fora de contexto. Existem muitas maneiras de procurá-la, e ela, ainda que múltipla, não pode ser confundida ao relativismo niilista, nem à roleta russa dos desiludidos.E o que nós, ficcionistas, fazemos com esta batata quente? Bons tempos em que um hobbit pegava uma trilha, lutava com orcs com ajuda de anões, elfos e feiticeiros, e salvava o mundo jogando um anel de invisibilidade na boca de um vulcão. O que fariam estes heróis diante dos derivativos e das bolhas do mercado financeiro, da pesca predatória que navios de origem europeia empreendem nas costas africanas e que empurram os antigos pescadores das cidades para o campo, intensificando o extrativismo e o desmatamento, expondo a espécie humana a uma multidão de vírus e doenças? Como se conta uma história destas realidades? E nas palavras de Hannah Arendt: quanta realidade se deve reter num mundo que se tornou inumano? Como fazer com que a nossa curiosidade converse com a curiosidade dos nossos leitores? Inscreva-se no canal Escrita Criativa!http://www.escritacriativa.net.br/
#028 –  No Prelo desta semana, Paloma Vidal junta-se a nós para falar de seu novo livro, Pré-história, definido na sinopse como uma carta de amor urgente.Sobretudo, a obra é um trabalho de catarse, uma escavação arqueológica para dentro de si que busca a compreensão do luto de um amor através de eventos e lembranças.Na nossa conversa, a autora fala sobre os métodos que utilizou para fazer o que chama de um livro de processos, e como resgatou a própria história para apresentá-la ao público: um ato de coragem. Navegando pelas lembranças, Paloma traça uma linha para unir o passado de sua memória com o que ela sabe agora, no presente. Como todo fazer arqueológico, os fragmentos coletados por Paloma permitem entrever um sistema mais amplo, aspectos sociais que se manifestam também nos afetos.Inscreva-se no canal Escrita Criativa!http://www.escritacriativa.net.br/
#027 –  De um lado, um místico que garante que a sua singularidade vai florescer: você não precisará render-se à concretude da vida, pois você já não é banal. Do outro, o grande mundo, encarando o protagonista para dentro de sua casca ontológica.Nesta semana, Juliano Garcia Pessanha cava um buraco dentro de si para expor o embrião de um livro que ainda está nos primeiros estágios do desenvolvimento. Ele é escritor e filósofo, e sua obra é marcada por um hibridismo de gêneros de que já tratamos outras vezes aqui.Aqui, Juliano nos conduz por uma reflexão sobre o luto de um delírio messiânico, cultivado desde muito cedo e alimentado por uma espécie de romantismo, e o confronto inevitável com o mundo efetivo, material. Uma conta com a realidade que ultimamente todos estamos sendo obrigados a acertar enquanto seres coletivos. Inscreva-se no canal Escrita Criativa!http://www.escritacriativa.net.br/
O Salto Para a Escrita

O Salto Para a Escrita

2021-03-2333:17

#026 – Quando foi que a dúvida deixou de ser uma boa companhia?Talvez no momento em que a indiferença do escrúpulo tenha silenciado diante da pregação do inescrúpulo. Quando a verdade, sempre frágil e provisória, se viu paralisada perante as falsas verdades. Quando assistimos a uma geração de jovens apáticos e desorientados desperdiçando a vida em mundos virtuais e bolhas de proteção. Quando a dúvida passou ao corpo na forma de fibromialgias, transtornos compulsivos, automutilação e melancolias profundas. Quando nos demos conta de que o ponto de partida é um lugar em que você pode permanecer a vida toda. Um útero eterno. Quando já não conseguimos saber os critérios de escolha, e quando a única coisa que passou a nos preencher foram os pequenos índices narcísicos dos quais nos deixamos envolver, os pequenos objetos decorativos que compramos, vestimos, colocamos sobre a prateleira da sala, e que têm a nossa cara, ou mesmo quando as escolhas se desligaram dos princípios e dos valores e a nossa histeria nos impediu de dar um mergulho, qualquer mergulho que seja. A dúvida deixou de ser uma boa ideia porque perdeu toda a graça. Porque assumiu a sua covardia.Inscreva-se no canal! Clique aqui: https://escritacriativa.net.br/
Regras da Revisão

Regras da Revisão

2021-03-1638:52

#025 –  Você conseguiu. Estabeleceu rotinas de escrita, venceu a disciplina e a hesitação. Alcançou as 40 mil palavras iniciais e, se embrenhando no processo, talvez tenha decidido ir além. Desenhou todos os traumas, cacoetes e trejeitos dos seus personagens, ou criou uma digressão para contar uma outra história que estava escondida dentro da primeira. Parágrafos inteiros dedicados à descrição daquele detalhe no cenário que, na hora, pareceu crucial para o andamento da narrativa. Pois é: chegou o momento de revisar.Neste Prelo, vamos conversar um pouco sobre essa etapa do processo que é tão importante quanto a escrita em si. O autor que não se dedica o suficiente à revisão perde a oportunidade de refinar o olhar para a própria obra. Sem medo de cortar o que realmente está sobrando: é tudo parte do ofício.Inscreva-se no Canal Escrita Criativa.http://www.escritacriativa.net.br/
#024 – Escrever é um ato de enfrentamento. De corpo a corpo. Não à toa, Kafka, Enrique Vila-Matas e Maurice Blanchot assumiram de forma recorrente a sua dificuldade em relação à prática da escrita. E mais que isso: fizeram da resistência um mote, um motivo artístico.São dois afetos contraditórios. Anseio e ansiedade. Medo e desejo, traduzidos pela hesitação. A caneta corta o papel, a narrativa rasga a nossa biografia, faz aí uma alquimia. Quem escreve, proscreve e prescreve. É muito poder. Demais, talvez.Você: hesita? Qual a raiz da sua hesitação? Se você tem expectativas em relação à escrita, certamente já experimentou aquele momento epifânico de comunhão com a palavra, que justifica o desejo de escrever. Mas daí, no correr dos dias, a corrida passa a valer por si mesma. “Sonhos não enchem a barriga. Preciso cuidar da minha vida. Não sou bom, mesmo.” Sem estes anseios e a hesitação que lhes convém, não passamos disso – de barrigas. Quando os tais sonhos parecem complexos demais, há uma força pulsional que deseja nos resumir a pouco, ao minimalismo organicista das necessidades elementares.Neste episódio do Prelo, falo sobre como fazer da resistência um recurso a favor da autora, do autor, e apresento algumas soluções para transformar o medo em potência criativa, considerando em que medida a dor pode estimular a produção literária e qual as condições necessárias para se valer desse páthos, a fim de que estejamos à altura da aventura de nossa vida, sem dobrarmo-nos às nossas próprias neuroses. Inscreva-se no canal: http://escritacriativa.net.br/
#023 – Você sabe que precisa escrever. Que a ficha só vai cair depois do convívio com o ofício. Que a confiança não precede a prática, mas se nutre dela. Mas como é trabalhar todos os dias, de três a quatro horas diárias na escrita de um livro? Cansa? Doem as mãos? As costas? Como se desperta no dia seguinte? E o que é mais importante: qual é o efeito da escrita rotineira sobre o seu texto?Neste "diário de escrita", Tiago Novaes dá testemunho de sua retomada. Depois de três semanas parado, por conta das atividades da "Semana da Criação Literária", ele relata como é sentar-se todos os dias, das oito ao meio-dia para escrever, e  como você também deve considerar a missão de reservar grandes blocos de tempo para o seu projeto autoral. Inscreva-se no canal para receber dicas e material exclusivo!Clique em: https://escritacriativa.net.br/
#022 – Um livro que te faz lembrar da vida de um avô, de uma avó, que resgata lembranças e elas convivem com a novidade de uma obra que nasce um clássico. O Brasil não conhece o Brasil e seu passado mal resolvido. O tema da terra percorre toda a história de Torto Arado, livro do ano de 2020, que ganhou o Prêmio Leya, Jabuti e Oceanos. "Precisamos de um chão para pisar", nos conta Itamar nesta conversa. Sua obra expõe um mundo dividido, clivado e que perpetua suas injustiças ancestrais.Nesta conversa iluminadora, Itamar Vieira Jr. fala de como elaborou o seu livro, das primeiras versões à forma final. Itamar Vieira Junior nasceu em Salvador, em 1979. É geógrafo e doutor em estudos étnicos e africanos pela UFBA, e autor de DIAS e A ORAÇÃO DO CARRASCO. Recebeu, em 2020, os Prêmios Jabuti e Oceanos com TORTO ARADO e em 2019 o Prêmio Leya. E um aviso: nesta semana, estão abertas as inscrições para a nova turma do Curso de Introdução à Escrita Criativa. As inscrições duram apenas alguns dias. Para saber mais e garantir a sua vaga, basta clicar no link abaixo:https://escritacriativa.net.br/vidaliteraria/
#021 – Em filosofia, dizemos que é contingente aquilo que não é necessário, mas ao mesmo tempo possível. Essa proposição só serve à literatura na segunda parte: ao mesmo tempo em que é permeada de possibilidades, ela também é fatalmente necessária para a constituição de repertórios e vivências da humanidade.Walter Benjamin foi categórico ao dizer que a ação da experiência está em baixa nos nossos viveres pós-industriais. Cada vez menos sabemos como contar histórias, ainda que precisemos delas para intercambiar experiências, para emprestarmos modelos de agir em situações complexas ou crises — as internas e as externas —, como essa que agora nos encerra diante das nossas telas. Pode ser por isso que você, como eu, ainda está interessado em transitar pela ficção. Ela atiça as realidades possíveis.Os caminhos muitas vezes são híbridos ou múltiplos, mas para contar a sua história, vale a pena conhecer mais de um. Essa semana o Prelo chama você para uma conversa pé no chão sobre gêneros e mercados, diferentes formas de realizar essa atividade milenar que, afinal, é uma necessidade humana: contar histórias.Enquanto você está aqui, aproveite para juntar-se a nós na Semana da Criação Literária, um evento online e gratuito, onde vamos discutir literatura e escrita. É só clicar no link:http://escritacriativa.net.br/ec2021/
#020 – Neste papo delicioso com o escritor Eury Donavio, o Prelo revela as dores e as delícias da autopublicação. Para o que você deve atentar? Quais são os possíveis sobressaltos deste percurso? Eury Donavio é natural de Floresta do Navio, sertão pernambucano. Morador de Recife, engenheiro civil e mestre em ciência da computação, apostou no projeto de escrever a partir dos quarenta anos de idade, quando abraçou o sonho e entrou na oficina literária do mestre Raimundo Carrero. Em 2017, realizou o Curso de Introdução à Escrita Criativa e em seguida o A preparação do romance.  Desde então, não parou mais com os estudos de escrita e roteiro. Donavio dedicou nove anos a pesquisas, viagens e escrita para aprontar seu livro de estreia, "Fiados na Esquina do Céu com o Inferno", que lhe rendeu o Prêmio Álvaro Maia de melhor romance nacional, do Prêmio Literário Cidade de Manaus 2019, além de menção honrosa do Concurso Internacional de Literatura 2019 da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro.  No momento o autor trabalha no seu segundo romance e prepara a adaptação de "Fiados ..." para uma minissérie.Inscreva-se agora na Semana da Criação Literária, um evento online e gratuito entre os dias 25 e 31 de janeiro: http://escritacriativa.net.br/ec2021/E feliz 2021!
O império do medo

O império do medo

2020-12-2228:47

#019 – O medo é um lance ardiloso. Não importa que digam que se trata de um traço evolutivo importante, que se não fosse por ele nos atiraríamos na jaula do leão, nos trilhos do trem. Um afeto que nos garante a sobrevivência mas ameaça de tantas formas a vida me parece uma falha enorme na seleção natural.Estou falando do medo da escrita, mas não apenas dele. Porque às vezes o medo de escrever é precedido por um variado cortejo fúnebre. É o medo de dar as caras, de dar a cara à tapa. O medo tem muitas caras.Um deles é o da responsabilidade. Não faço isso porque seria imprudente. Como contestar?Outro é o da fadiga, do stress. Estou cansado, faço tanto, não tenho tempo! O que ouço, muitas vezes, aí, é medo.Outra face é o da dispersão. Quero isso e aquilo, não quero mais, acordo, mudo de ideia. Isso porque o medo provoca recusas e denegações, mecanismos de defesa melindrosos que se deslocam quando achamos que tínhamos nos livrado dele. O medo se esconde da gente, inclusive, sem deixar de exercer sua influência.Há o medo que provoca o sono, o torpor, uma posição passiva. Fico aí, assistindo ao espetáculo do mundo, admirado, aprendiz. Isso de ser só aprendiz, o tempo todo. De não mostrar o meu texto. De pedir autorização para tudo. Então: é medo, também.Tem o medo raivoso, que encontra falhas em toda parte. O mundo está todo equivocado, imperfeito. As pessoas não são confiáveis, não correspondem ao que esperamos delas. A raiva invocada, desconstrutivista, pode ser medo de agir. Alguém pode achar que lapidar o comportamento alheio nos ajuda a preservar-nos das críticas dos outros. É um preparo para o meu próprio agir. Que nada. É medo.Não assumo plenamente o meu desejo porque tenho medo. Faço vinte, trinta por cento do que poderia, porque tenho medo de ser inteiro, e por isso exagero ou excluo coisa minha.Na pandemia, grande parte destes temores neuróticos pareceram justificados. Vou ficar aqui, escondido. Fechado. Afinal, está todo mundo isolado. Já nem sei o que estão fazendo. Não está acontecendo nada. Melhor esperar.Esperar pode ser a coisa mais sábia do mundo. A paciência, o cuidado. Já falamos disso, também.Mas tudo tem um limite. Você saberá o seu. Sem problemas se ele for pautado pelo medo realista. Que ele não seja pautado pelo medo neurótico. Uma coisa é não querer que alguém espirre em você. Outra é deixar a alma hibernando, sonhando uma primavera quimérica.Este é o tema do episódio de hoje de Prelo.No fim de 2020, desejo a você o que desejo para mim e para todos que amo. Um ano sem medo.Nos vemos no dobrar a esquina.Muito, muito obrigado!Inscreva-se agora na Semana da Criação Literária, um evento online e gratuito entre os dias 25 e 31 de janeiro: http://escritacriativa.net.br/ec2021/
Atire no editor

Atire no editor

2020-12-0820:511

#018 – Uma montanha-russa. O processo de escrita pode atravessar diferentes ânimos, e seria uma pena se não fosse assim. A gente fala em curtir o momento, em abraçar o lado lúdico da criação. Mas como se dá isso, propriamente? E o que esta frase deixa de lado?Porque quando lemos algo de Borges, por exemplo, vemos que ele não simplesmente se entregou à pulsão livre leve solta do processo. E que é uma delícia, sem dúvida. Há ali algo de elementar, abrangente, elegante e suficientemente específico em sua prosa que pressupõe a maturação, algo além de um deixar-se levar. Ouça o novo episódio de Prelo e entenda por que às vezes você terá de dar um tiro no editor (metaforicamente falando, é claro, num sentido semelhante ao "matar o pai" do Complexo de Édipo). Sem antes, é claro, deixar de escutar o que ele tem a dizer.Inscreva-se agora na Semana da Criação Literária, um evento online e gratuito entre os dias 25 e 31 de janeiro: http://escritacriativa.net.br/ec2021/
#017 – Na tarde da sexta-feira passada, tive um bate-papo à distância com um grande amigo, o poeta Tarso de Melo. Nas mais de duas horas de conversa, colocamos em dia tudo o que vinha se passando nos últimos nove meses conosco – os projetos pessoais de pesquisa e as dificuldades que este longo hiato social tem nos apresentado. E também falamos de Bashô.Foi quando liguei o botão de "gravar" para que você pudesse participar desta conversa. É que poucos meses atrás, topei nas redes com uma fotografia de uma pilha de livros sobre o hai cai e o poeta japonês que o Tarso postara, anunciando um curso de quatro encontros sobre sua vida e obra. Impressionado pela bibliografia sugestiva, tive a ideia de convidá-lo para o Prelo.Bashô foi um andarilho, um sujeito que se propunha a desaparecer no ato da escrita. Seu poema era um dô, um caminho de orientação zen-budista. Por meio de uma entrega a um ofício, uma arte, consigo fazer silêncio e permitir que algo se faça a despeito de mim mesmo. É o começo e o fim de algo que apenas poderei apresentar – tornar presente – mas nunca nomear. Um poema é como um golpe de caratê, que revela num instante a realização de anos de treinamento. Um poema faz-se vida quando a vida se deixa levar pela poesia."Cansei da viagemhoje faz quantos dias?Vento de outono."O poeta dizia que não deveríamos imitar os antigos, mas buscar o que eles buscaram. Ouça o episódio e entenda o que buscava Bashô.Inscreva-se agora na Semana da Criação Literária, um evento online e gratuito entre os dias 25 e 31 de janeiro: http://escritacriativa.net.br/ec2021/
#016 – Existe um conto de Borges que considero particularmente angustiante. Não sei se você conhece: é A biblioteca de Babel. Começa assim:"O universo (que outros chamam a Biblioteca) compõe-se de um número indefinido, e talvez infinito, de galerias hexagonais, com vastos poços de ventilação no centro, cercados por balaustradas baixíssimas."O universo é uma biblioteca – estamos sempre perdidos em uma rede infinita de referências. Com a idade, vamos perdendo a vista e o juízo. Quando perdermos a vista, "mãos piedosas" nos jogarão pela balaustrada.Mais que uma distopia, ou o lembrete inquietante da nossa impossibilidade de compreender a nossa existência, o conto é um lembrete das obras esquecidas. Já te aconteceu de se angustiar em ler tanto e esquecer tanto?Não sei se você se dedicou a uma pesquisa para um romance policial, histórico, ou para uma ficção científica, ou mesmo em sua tese, dissertação, peça de jornalismo literário ou ensaio, e neste processo, sentiu que os instrumentos que usamos como complemento aos limites de lembrança e esquecimento do cérebro também são desorganizados e insuficientes.Será que devemos confiar tanto assim na memória quando preparamos um texto? Ou na capacidade rememorativa/associativa de um brainstorm? Esta semana, no Prelo, apresento um método que tenho utilizado há alguns meses e tem revolucionado o meu modo de ler, de escrever e de ensinar.É um sistema bastante simples, criado por um pensador alemão, um sujeito chamado Niklas Luhmann. O método vai te ajudar a escolher os seus temas "de baixo para cima", escrever textos vivos, dialógicos, impregnados de um debate vivo e corrente. Trata-se do Método Zettelkasten.E para os autores de ficção, é uma maneira de apropriar-se daquilo que lê, sem sobrecarregar a nossa atenção, criando um sistema cumulativo e processual de leitura e aprendizagem.Clique AQUI para assistir ao tutorial que preparamos. Inscreva-se agora na Semana da Criação Literária, um evento online e gratuito entre os dias 25 e 31 de janeiro: http://escritacriativa.net.br/ec2021/
#015 – A palavra mindset está em voga. Utilizada em diversas áreas, ela já desbota, talvez um tanto banal, como um placebo para silenciar as inquietações que permeiam o capitalismo tardio. Apesar de seu emprego ter sido trivializado, o mindset é um conceito que pode ajudar a compreender algumas dificuldades que acompanham o processo da escrita. Por isso, essa semana Prelo volta à origem do mindset a partir do livro de Carol Dweck, pesquisadora e professora do departamento de psicologia na Universidade de Standford. Trata-se de um enquadre mental, um conjunto de crenças interligadas, e as atitudes que advém dessas condições. Configura também as hipóteses de edificação de uma trajetória em qualquer área que seja desafiadora, aqui para nós representada pela escrita.Pensar sobre o mindset implica sobretudo uma reflexão sobre os fracassos, o que é desafiador em um mundo que nos pauta pelos sucessos. Aumentar a tolerância para as frustrações pode ser decisivo na sua formação como escritor ou escritora, pois é isso que vai permitir que você se desvencilhe dos medos de não ser bom o suficiente.Desconstruir a estética do gênio é libertador. Já no século XIX Hegel queimava as pontes que os iluministas haviam construído, em que gênio e talento são indissolúveis. O mindset dinâmico permite o empenho na construção de um caminho que escolhe enfrentar os entraves e os contratempos. O esforço pode ser tão compensador quanto o talento quando você abraça a plasticidade das suas crenças.Inscreva-se agora na Semana da Criação Literária, um evento online e gratuito entre os dias 25 e 31 de janeiro: http://escritacriativa.net.br/ec2021/
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Comments (2)

Ma Sakura

Gente... Que lindo!

Mar 4th
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Ma Sakura

Por mais podcasts maravilhosos sobre a escrita! Melhor professor.

Feb 26th
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