DiscoverJornal da USPJornal da USP no Ar – Medicina #19: Medicina USP está na vanguarda da ciência mundial
Jornal da USP no Ar – Medicina #19: Medicina USP está na vanguarda da ciência mundial

Jornal da USP no Ar – Medicina #19: Medicina USP está na vanguarda da ciência mundial

Update: 2019-12-06
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Uma pesquisa elaborada pela consultoria britânica Clarivate Analytics colocou cinco pesquisadores da USP dentre os mais influentes do mundo. André Russowsky Brunoni, professor do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, é um dos docentes citados no documento, e comentou no Jornal da USP no Ar sobre suas pesquisas nas áreas de depressão e transtornos do humor e neuromodulação não-invasiva no tratamento dos transtornos mentais.


Brunoni explicou que a neuromodulação não-invasiva é um tratamento recente que só começou a ser mais difundida fora do meio acadêmico nos últimos cinco anos. A técnica tem duas modalidades: “Uma é a passagem de uma corrente elétrica, mas de uma intensidade muito menor que a eletroconvulsoterapia, e a outra é a indução de um campo eletromagnético com uma estimulação magnética transcraniana (ETC), algo parecido com a ressonância magnética, só que a gente inverte a forma do campo: em vez de usar o campo magnético para fazer o diagnóstico, a gente usa para fazer o tratamento”, esclareceu o professor.


A neuromodulação não-invasiva vem obtendo resultados cada vez melhores no tratamento da depressão e de transtornos dolorosos. “Na prática, a gente observa que, para a depressão, a resposta com a estimulação magnética é um pouco mais rápida que os antidepressivos. Os remédios demoram de quatro a seis semanas, e a estimulação magnética começa a dar resultado já na terceira semana de tratamento”, disse Brunoni. Além da resposta mais rápida, a neuromodulação não-invasiva tem efeito comparável aos antidepressivos e a grande vantagem de não ter efeitos colaterais. A técnica também vem sendo estudada no tratamento de outras doenças, como a esquizofrenia, mas ainda está em fase experimental.


O professor ainda elencou duas prioridades para o futuro: “Uma é aumentar ainda mais a eficácia, porque a gente imagina que é algo que teria um potencial de induzir uma resposta maior do que os antidepressivos, então a gente quer desenvolver maneiras de aumentar a eficácia da estimulação. A outra possibilidade seria a personalização, ou seja, tentar identificar pacientes através de biomarcadores, assinaturas neurais ou algoritmos baseados na inteligência artificial para apontar quais os que vão responder melhor à estimulação, porque aí poderíamos dar o tratamento certo para o paciente certo”.


Já Renata Bertazzi Levy, também citada entre os pesquisadores mais influentes, do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (NUPENS) da USP, fala que é um absurdo subsidiar refrigerantes, como feito no ano passado. Holdings da produção de alimentos têm grande capacidade financeira, e uma ação de saúde pública na nutrologia “precisa de ação governamental”.


Renata defende que o exemplo das políticas antitabagismo deve ser seguido na luta contra o consumo de alimentos ultraprocessados. “Propaganda para público infantil e adolescente, venda em escola, devem ser proibidas”, enumera ao Jornal da USP no Ar. Ela esclarece que a regulação de rotulagem e o aumento de impostos também teriam um impacto positivo na saúde pública.


Os cientistas do NUPENS ganharam importância mundial ao reclassificar os alimentos em quatro novos grupos. No primeiro, estão alimentos quase sem processamento como arroz, batata, farinha e carne. Compõem o segundo ingredientes extraídos de produtos básicos, como azeites, óleos, açúcar e sal. Comidas cujo processo industrial podem ser reproduzidos em casa fazem parte do terceiro grupo, como pães, massas e compotas de frutas. Feitos com gorduras hidrogenadas, amidos e açúcares modificados, as bolachas e os salgadinhos de pacote, além de embutidos, estão no quarto grupo e nem sequer poderiam ser chamados de alimentos, de acordo com Renata. Mais informações podem ser consultadas no Guia Alimentar para a População Brasileira.


Uma nova pesquisa de Epidemiologia em Nutrição está em andamento, conta a nutricionista. O estudo vai acompanhar 200 mil pessoas de todas as regiões do País para identificar características da alimentação brasileira que aumentam ou diminuem o risco de doenças crônicas. No Brasil, 20%, em média, da dieta é composta por alimentos ultraprocessados. Nos EUA, a marca alcança 60%. Interessados em participar da pesquisa devem entrar em contato no site Nutrinet.


Não se esqueça, essas e outras entrevistas você acompanha de segunda a sexta, das 7h30 a 9h30, na Rádio USP 93,7 em São Paulo, e 107,9 em Ribeirão Preto e streaming. Você pode baixar o podcast e ouvir a qualquer hora, acessando jornal.usp.br  ou utilizar seu agregador de podcast preferido, no Spotify, iTunes e CastBox.


Apresentação e produção: Roxane Ré

Edição de Som: Cido Tavares


 

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Redação