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Lado Bi

Author: Marcio Caparica

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Lado Bi traz toda semana convidados instigantes para debater os assuntos mais relevantes da cultura e cidadania LGBT brasileira, em conversas inteligentes, descontraídas e surpreendentes.
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Essa semana o LADO BI entrevista a historiadora Larissa Ibúmi Moreira, autora do livro "Vozes Transcendentes" (Hoo Editora), em que registra a história das principais figuras da nova cena musical brasileira, formada por artistas que contestam os padrões de gênero e de raça. "É um movimento musical que tem como fio condutor a diversidade, a pluralidade estética, musical e performática", descreve. "É um grupo com enorme potência transformadora, principalmente para os jovens que se espelham neles." Moreira traça as origens desse movimento até a Tropicália, mas aponta uma diferença importante: "A Tropicália foi cooptada por uma elite burguesa e intelectual. Esses artistas vêm da periferia". Ela também aponta dois grandes responsáveis pelo seu surgimento: a internet ("a capacidade de se autopromover possibilita que esses músicos descartem as grandes gravadoras, tradicionalmente dominadas por homens cis héteros e brancos") e as cotas nas universidades ("responsáveis por formarem uma intelectualidade negra periférica que agora quer reescrever sua própria história"). São músicos que escancaram sua homoafetividade e sua relação com o corpo, finaliza, muitas vezes chocando o público tradicional: "Eles trazem o corpo à performance. As pessoas acham que quando se coloca o corpo no palco aquilo não é intelectual, que se baixou o nível. A gente tem que quebrar isso também: corpo e mente são uma coisa só!".
#195 - Vania Toledo

#195 - Vania Toledo

2018-01-2600:41:46

Esta semana o LADO BI entrevista a fotógrafa Vania Toledo, que acabou de lançar a exposição "Tarja Preta" no Museu da Diversidade, em São Paulo. Nela, Toledo resgata os retratos das inúmeras pessoas libertárias, anônimas e famosas, que registrou em 38 anos de carreira: "Eu gosto de pessoas de mente aberta, gente livre. A liberdade sexual sempre existiu, faz parte de qualquer pessoa libertária, qualquer pessoa que se entende por gente." Seu interesse por todo tipo de pessoas fez com que capturasse imagens do mundo LGBT desde a época da ditadura militar: "Eu já fotografava os bastidores das boates gays que eu ia antes de ser fotógrafa profissional. Sempre estive nessa turma contraventora, que não seguia as normas sociais ao pé da letra. A coragem que as pessoas tinham de serem autênticas na época da ditadura era muito maior que hoje. A autenticidade, hoje, saiu de moda." A fotógrafa comenta o movimento contra o assédio feminino: "Sou contra a invasão do espaço físico das mulheres. Mas também acho que os americanos têm mania de fazer caça às bruxas. Você está perdendo a capacidade de sedução entre um homem e uma mulher, dois homens, duas mulheres." Conta também como foi publicar o primeiro livro de nus masculinos da América Latina, o que aprendeu sobre ser mulher ao preparar o livro "Personagens Femininos", em que fotografou atrizes, e ensina: "A fotografia não é feita só pela pessoa que fotografa, é também feita pela pessoa que é fotografada. Tem que ter a delicadeza da curiosidade do conhecimento do outro que está em frente a sua câmera."
#194 - Indígenas

#194 - Indígenas

2018-01-1800:50:513

Esta semana o LADO BI conversa com Estevão Fernandes, autor do livro Existe Índio Gay?. O antropólogo explica como os nativos, originalmente abertos à diversidade, aprendeu a homofobia com o colonizador branco: "Há registros históricos de relacionamentos homossexuais entre indígenas desde o século 16, mas nenhum relato de punição quanto a esses afetos. Isso é algo claramente aprendido a partir do contato com o não-indígena, tanto que em vários povos a palavra para 'gay' é uma tradução literal para 'veado', o bicho". Fernandes também aponta como os não-indígenas relegam os indígenas a apenas dois papéis, o do "bom selvagem" e o do "guerreiro": "como a identidade queer acaba não se encaixando em nenhum desses dois estereótipos, é muito comum que se diga que os indígenas 'aprenderam' a homossexualidade com os brancos, o que absolutamente não é verdade". Por fim, ele repreende aqueles que pregam um isolacionismo dos indígenas: "há uma imagem de que o índio tem que morar na floresta, não pode usar celular, calça ou eletricidade... Isso serve muito mais a quem quer usurpar os direitos dos povos indígenas que aos próprios."
#193 - Aíla

#193 - Aíla

2017-09-1100:43:35

Essa semana o LADO BI entrevista a cantora e compositora Aíla, que recentemente lançou seu segundo álbum, "Em Cada Verso Um Contra-Ataque". Paraense radicada em São Paulo, Aíla fala sobre as maneiras que encontrou para unir seu trabalho com a música e seu trabalho como ativista: "quero transmitir mensagens políticas de forma pop, para as pessoas conseguirem cantar junto e compreenderem o que estão cantando." Depois de estrear com um álbum de intérprete ("Trelelê"), a artista gravou suas composições, engajada com temas atuais como o assédio: "Os caras nem querem saber se você é lésbica ou não, o assédio é diário, nas ruas, nas lotações". Ela também celebra a diversidade sexual na faixa "Lesbigay" e combate o racismo com uma faixa de Chico César, "Melanina": "Eu queria muito falar sobre racismo, mas eu sou branca, então não fazia sentido eu escrever sobre isso. Pessoas de todas as raças precisam estar juntos para lutar contra o racismo, assim como não precisa ser gay para lutar contra a homofobia". Ela frisa que política é algo que se faz todos os dias: "Todos nós somos seres políticos. Comprar um pão envolve imposto, envolve várias camadas políticas. Eu tento na minha música fazer microrrevoluções."
#192 - Futebol

#192 - Futebol

2017-08-1400:45:391

O futebol é o esporte mais popular do Brasil, e sem dúvida também um dos redutos mais resistentes da homofobia nacional. Aos poucos, porém, a comunidade LGBT está começando a minar esse preconceito dentro e fora dos gramados. Essa semana o LADO BI conversa com membros de quatro times de futebol formados apenas por gays: Guilherme Castro, do Unicorns (SP); Carlos Sebrão, do Capivaras Futebol Clube (PR); Vinicius Pellegrino, do Fubeboys (SP); e André Machado, do Bees Cats Soccer Boys (RJ), reunidos para participar da primeira Taça Hornet da Diversidade. Todos comemoram a possibilidade de bater bola sem preocupar-se com preconceitos: "é muito mais legal jogar com pessoas que te aceitam", afirma Pellegrino. Fãs do esporte, a maioria reconhece que parou de jogar futebol quando percebeu-se gay: "na época do colégio eu sofria um bullying, eu me sentia deslocado dentro de campo por causa dos preconceitos", lamenta Castro. Os times gays também querem mudar a cultura do futebol: "hétero briga por causa de lateral; o clima nas nossas partidas é muito mais carinhoso", aponta Machado. E mesmo xingamentos e atitudes homofóbicas não são mais vistas como "naturais" depois que os jogadores gays entraram em campo: "não aceitamos mais esse preconceitos estruturais do futebol", avisa Pellegrino. A paixão nacional agora vai ter que ser mais inclusiva, comemora Machado: "estamos no ano zero do futebol LGBT no Brasil!". .
#191 - Poliamor

#191 - Poliamor

2017-07-2400:45:20

Relacionar-se com duas, três ou mais pessoas é possível? O escritor Alexandre Venancio acredita que sim, e mostra o caminho no guia "Poliamor e Relacionamento Aberto", já nas livrarias. A partir das próprias experiências e pesquisas, o autor oferece um panorama dos relacionamentos poligâmicos: "as pessoas perguntam se eu não sofro com ciúmes, mas na verdade, depois que se abre o relacionamento, aquela fissura para trair acaba. Acho que a vida com permissão para se envolver com várias pessoas é mais serena". Ele acredita que abrir o relacionamento também pode reduzir os próprios preconceitos: "Você abre seu universo e se abre para novas possibilidades. Às vezes você traz uma pessoa para sua cama que não conheceria de outra maneira." Mas mesmo quem está aberto a esse tipo de experiência pode levar conceitos tradicionalistas para algo tão moderno: "Uma mulher pode ter uma atitude machista, por exemplo - permitir-se um envolvimento com outra mulher, mas se incomodar se seu marido sair com um outro homem." Venancio frisa que abrir o relacionamento não salva casamento ("os problemas do casal vão continuar presentes") e conclui: "apenas amar não é suficiente - é preciso também liberdade".
#190 - Empretecer

#190 - Empretecer

2017-07-1001:13:22

Apesar de ambos lutarem pela igualdade e representatividade, muitas vezes o movimento LGBT e o movimento negro batem cabeça. O cantor Gê de Lima, o produtor Leo Carter e a atriz Fabiana Pimenta discutem essa semana as intersecções entre essas duas identidades no Brasil de hoje. "Representatividade é algo que nos falta muito", considera Lima. "Onde você vê por aí um beijo gay entre dois negros ou duas negras? O beijo gay já é pouco mostrado, e quando ele é mostrado ele vem com um padrão de beleza". Pimenta conta como o racismo, mesmo dissimulado, afetou sua autoestima: "Quando as pessoas não queriam ficar comigo eu pensava que era porque eu era feia. Depois eu descobri que era porque eu sou negra". Os preconceitos acabam sendo internalizados: "Eu vi isso em mim e em muitos amigos, essa dificuldade de ficar com outros negros por não gostar do que vê no espelho", admite Lima. Isso tem efeito além dos relacionamentos românticos, continua Carter: "A gente acaba acreditando que a gente está por baixo mesmo, e isso interfere nosso comportamento, nossas conquistas, as nossas próprias escolhas". O racismo se manifesta com força também dentro do meio LGBT: "Eu já ouvi que ser lésbica não é coisa de negro", espanta-se Pimenta. Lima concorda: "Já me disseram: 'Um negrão desse, viado?'. Fetichizam muito o homem negro - a gente não pode nem ter pau pequeno". Carter conclui: "Se você mede seu interesse por outra pessoa pela cor da pele, você é racista, não tem conversa."
#189 - Jean Wyllys

#189 - Jean Wyllys

2017-06-0501:14:41

Esta semana o LADO BI entrevista o deputado Jean Wyllys, único membro abertamente gay da Câmara e escolhido como uma das 50 personalidades que mais trabalham pela diversidade no mundo. Ele comenta sobre a situação política atual: "Durante muito tempo algumas pessoas relutaram em admitir que se tratava de um golpe contra a democracia. Só numa republiqueta de bananas uma presidenta é derrubada com uma peça jurídica chinfrim escrita por uma psicótica." Também não poupa palavras sobre quem ocupou o poder no último ano: "Michel Temer é um corrupto. O PMDB é uma facção de ladrões. Eduardo Cunha aparecia como um homem de bem, atacando os direitos de gays, de mulheres, dos povos de religião de raiz africana. Onde está Cunha hoje? Na prisão, ele é um bandido." Wyllys também critica as reformas que estão correndo pelo legislativo, como a da Previdência: "As mudanças propostas ampliam o tempo de contribuição e elevam a idade com que as pessoas se aposentam. isso é injusto quando a gente tem um país de proporções continentais como o Brasil, em que a expectativa de vida varia não apenas de região para região, como dentro da mesma cidade. Como a gente não vai levar em conta que travestis e mulheres trans, forçadas à prostituição pela transfobia, têm uma expectativa de vida de 35 anos?" O deputado analisa o atual descaso do poder público quanto à epidemia de HIV: "A Aids a princípio estava circunscrita às classes média e alta. Quando uma doença atinge os mais ricos, é óbvio que o Estado faz mais esforços para controlar essa doença. Quando ela se pauperiza, vai para as camadas pobre, e se interioriza, vai para os rincões do Brasil, ela então deixa de ser uma preocupação maior do estado. Os casos de Aids hoje se concentram entre homens pobres, negros e pardos." Também reconhece que mesmo entre LGBTs há aqueles que não o apoiam: "Muitos gays me detestam porque eu não tenho preocupação só com os gays ricos, eu defendo também os gays pobres, negros, vulnerabilizados pela miséria. Dizem 'O Jean Wyllys não me representa'. Só porque defendo também pobre, preto, travesti, transexual? Então que se foda, não defendo mesmo." Por fim, reflete sobre o efeito que sua carreira política teve sobre sua vida pessoal: "Os homens que se relacionariam comigo têm medo da exposição involuntária que acontece com quem se relaciona comigo. Fui uma vez para a sauna e me trataram como se eu fosse um ET. Como se minha função fosse apenas ser inteligente e defender LGBTs na Câmara."
#188 - Marta Suplicy

#188 - Marta Suplicy

2017-05-2900:58:17

Essa semana o LADO BI entrevista a senadora Marta Suplicy, autora do PLS 612/2011, que visa alterar o código civil para reconhecer o casamento homoafetivo. Comemorando o avanço de sua proposta no legislativo, Suplicy lembra sua trajetória como sexóloga, prefeita e senadora. "Podia falar tudo e ao mesmo tempo não podia falar nada", conta sobre o tempo em que falava sobre sexo no TV Mulher. "Durante a ditadura, falar sobre virgindade, masturbação e homossexualidade na televisão era uma batalha constante. Meu interesse por LGBTs começou com as cartas de sofrimento e dor que eu recebi no programa." Outro projeto que guarda com carinho foi o de educação sexual nas escolas, desenvolvido com Paulo Freire: "Se hoje, em que a escola não pode 'ter partido' e outras ridiculezas do tipo, já seria ousado falar de sexo com crianças, imagina na época." Ela conta como apoiou o início da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, recorda a participação que teve como relatora do PL 122, que tentou criminalizar a homofobia mas acabou arquivado, e conta seu lado da história sobre o infame anúncio de TV que atacava a sexualidade de Kassab durante a campanha para a prefeitura de São Paulo em 2008: "essa foi a primeira que o João Santana armou para mim. Ele sujou a minha biografia de luta por LGBTs." E dá um recado para seus colegas senadores: "Como eles não falam com seus eleitores sobre a questão LGBT, eles não sabem o que eles pensam. As pessoas não deixam de votar para um candidato por seu apoio a homossexuais, bissexuais e transexuais."
#187 - Ditadura militar

#187 - Ditadura militar

2017-05-2201:01:012

Essa semana o LADO BI revê, com a ajuda do advogado e ativista Renan Quinalha, organizador do livro "Ditadura e homossexualidades", como a ditadura militar brasileira tratava a cultura LGBT enquanto esteve no poder. "Além de criar um inimigo interno político, a ditadura criou a figura do subversivo, aquela figura indesejável que não reproduz os valores tradicionais da família brasileira: o homem afeminado, a mulher masculinizada, as travestis". A luta contra esse "mal da sociedade" justificava todo tipo de violência contra LGBTs: "a polícia utilizava crimes como 'vadiagem' ou 'atentado ao pudor' para deter homossexuais e travestis, extorqui-los e espancá-los. Muitas travestis quando presas cortavam-se com giletes para que fossem levadas ao hospital e não para a delegacia." Outras maneiras de reprimir a cultura LGBT eram apreender livros ou revistas voltados para LGBTs, fazer devassas contábeis em editoras e autores que produziam esse material, ou fazer vista grossa para atentados a bomba contra quem vendia esse tipo de material. O período de maior repressão à cultura LGBT, aponta Quinalha, foi quando o regime começava a abrandar politicamente: "era uma forma de 'mostrar serviço': a política pode estar passando por uma abertura, mas isso não vai afetar os valores da nossa família". Quinalha vê também paralelos entre 1964 e atual situação política: "certamente não vivemos numa democracia. Nas periferias das grandes cidades, hoje, em um ano desaparecem mais pessoas que em 20 anos de ditadura".
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Comments (4)

Fernando Pereira

Cadê vocês? :x

Jan 29th
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Bia Doleski

não consigo ouvir nem baixar. tenho ouvido pelo canal do YouTube

Dec 16th
Reply

Iane Rocha Holanda

não consigo ouvir também

Sep 29th
Reply

Emerson Bueno

não estou conseguindo ouvir

Aug 16th
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