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Tempo ao Tempo

Author: Rui Tavares

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Tempo ao Tempo é um podcast de histórias da História, de passado, presente e futuro, e da mudança da memória no tempo. Aqui vamos percorrer a micro-história e a História global, a História europeia e a História nacional, sempre com o objetivo de atualizar os dilemas das pessoas do passado e colocar em perspetiva histórica os nossos dilemas do presente. Com o tempo, vão aparecer texturas e um padrão narrativo, que ajudará a fazer sentido do todo. Mas o todo será sempre multímodo, polifónico e eclético. De muitos caminhos. 


Todas as quintas-feiras um novo episódio escrito e narrado por Rui Tavares, com apoio à produção de Leonor Losa. 


A sonoplastia de Tempo ao Tempo é de João Luís Amorim e a capa é de Vera Tavares e Tiago Pereira Santos. 

50 Episodes
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Rui Tavares regressa ao Terramoto de Lisboa de 1755, reconhecido como primeira catástrofe moderna. O epíteto não lhe cabe pela dimensão da catástrofe, mas pela resposta política organizada no seu rescaldo: inquérito sistemático ao reino, códigos de construção inovadores e reconstrução planeada em nova escala. Este pensamento organizado perante a destruição e a necessidade de reconstrução no século XVIII, inaugurou, segundo o sociólogo Enrico Quantarelli, práticas de prevenção que hoje reconhecemos como modernas. Se tais raízes existem, cabe reflectir por que as ignoramos – em vez de as actualizar para o presente. Como usamos o conhecimento de catástrofes passadas e recentes? Transformamo-las em acções concretas ou em fatalismos comparativos?  See omnystudio.com/listener for privacy information.
Neste 17 de fevereiro cruzaram‑se duas histórias: a de uma mãe nascida nesse dia e a da derradeira atuação de Molière. Em 2026, essa mãe celebra 95 anos, tendo sido criança num mundo onde ainda se via o Zeppelin passar sobre aldeias ribatejanas. Rui Tavares leva-nos ao século de Molière, o dramaturgo francês que gozou com todos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O que nos intriga, aproxima e afasta da inteligência artificial? Porque é que nos deixamos seduzir e, ao mesmo tempo, assustar por ela? Há poucos dias, circularam relatos de que existiria uma rede social habitada apenas por bots – programas concebidos para automatizar tarefas e simular interacções humanas – onde agentes de IA conversariam entre si, se queixariam dos seus humanos e inventariam uma língua secreta. Fascinante? Inquietante? Esta ambivalência diante da máquina, que parece emancipar‑se e ultrapassar‑nos, não é nova. Muito antes da era digital, o século XVIII conheceu o fascínio pelos autómatos e multiplicou engenhos capazes de executar movimentos e tarefas “sozinhos”: pianos automáticos, caixas de música, bonecos articulados ou fonógrafos. Dispositivos exuberantes, perante os quais a alta sociedade se deixava iludir. É nesse horizonte que Rui Tavares recupera a história do Turco Mecânico, o autómato que jogava xadrez nas cortes europeias a partir de 1770. Inventado por Wolfgang von Kempelen, foi apresentado como um jogador mecânico invencível, capaz de derrotar filósofos, aristocratas e, mais tarde, figuras como Benjamin Franklin ou Napoleão. Esse engenho que percorre a Europa e os Estados Unidos da América, porém, está longe de ser tão mecânico e tão autómato quanto aparenta, como acabará por se revelar. O que escondia, afinal, o Turco Mecânico? E quem são estes bots que hoje se entretêm a falar de nós nas suas próprias redes? Estaremos perante uma tecnologia que se emancipa ou, como no século XVIII, diante de um ilusionismo sofisticado – um truque com pouca magia, mas com muito engenho? A ilustração deste episódio foi feita com recurso a IA. Saiba mais sobre a aplicação de Inteligência Artificial nas Redações da Impresa.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Duas vezes presidente, duas vezes deposto, duas vezes exilado. Nonagenário, confinado ao Norte pelo Estado Novo, dita memórias à filha: “Nasci no Rio de Janeiro”. Bernardino Machado, a figura que Rui Tavares nos traz neste episódio, nasceu no Brasil em 1851, cresceu num Império escravocrata, entre o comércio do pai minhoto e a boa sociedade da mãe brasileira, e foi criado por Máxima, a escravizada que o leva à escola. Aos nove anos muda-se para o Minho e, poucos anos mais tarde, radicaliza-se nas ideias republicanas e socialistas do ambiente estudantil de Coimbra, para onde se foi formar. Em 1872, optou pela nacionalidade portuguesa, servindo no exército e afirmando-se como português por escolha e serviço. Embora tenha sido ministro da monarquia, Bernardino Machado evoluiu do liberalismo monárquico para o republicanismo social, próximo do socialismo democrático, articulando facções no Partido Republicano Português. Embaixador no Brasil após 1910, regressa para liderar a “União Sagrada” na Grande Guerra. Presidente em 1915 deposto em 1917, e reeleito em 1925, cai em seis meses com o golpe de 28 de maio de 1926. Carioca e minhoto, intelectual e militante, quem foi Bernardino Machado, o homem de consensos que encarna o último fôlego da Primeira República?See omnystudio.com/listener for privacy information.
Há 100 anos, em dezembro de 1925, Manuel Teixeira Gomes abandonava a Presidência da República Portuguesa e embarcava no cargueiro holandês Zeus, rumo ao Mediterrâneo. Este algarvio de Portimão (1860-1941), penúltimo presidente da Primeira República, deixava para trás um país em convulsão rumo ao fim do regime republicano e ao 28 de maio de 1926. Filho de comerciantes de figos, estudou medicina em Coimbra e radicalizou-se na boémia lisboeta. Publicou “Inventário de Junho” (1899) e “Gente Singular” (1909), foi diplomata em Londres, defendeu colónias na I Guerra e foi vice-presidente da Sociedade das Nações. Eleito presidente em 1923, enfrentou 6 governos instáveis e golpes militares. Impopular, renunciou a 10/12/1925 e exilou-se em Bougie (Argélia), prevendo o colapso republicano. Chamou Portugal “a pátria erodida pela inveja”. Mas, quando desertou, deixava também Belmira das Neves, filha de pescadores de Portimão que tomou como companheira quando ela tinha apenas 15 anos e ele 40. Mãe das suas filhas Ana Rosa (1906) e Maria Manoela (1910), Belmira nunca pisou Belém nem acompanhou as viagens diplomáticas pela Europa. Ficou no Algarve como primeira-dama invisível, esquecida pela elite republicana.  See omnystudio.com/listener for privacy information.
O que liga a Gronelândia, o Prémio Nobel da Paz, a Liga das Nações para os Refugiados e Calouste Gulbenkian, o maior mecenas cultural do nosso país? A resposta é Fridtjof Nansen, o explorador do Ártico que teve a audácia de trilhar o pioneiro caminho por terra pela calota glacial da Gronelândia, em 1888, até à actual cidade de Nuuk. Unindo o seu conhecimento científico em zoologia com desenvolvimentos técnicos para enfrentar as condições mais inóspitas, Nansen explorou o território do Ártico gelado.​ Mas além de explorador, na vida de Nansen couberam muitas vidas. Dedicou-se à zoologia, desenvolveu equipamentos modernos que permitiram outras expedições, e foi nomeado Alto Comissário da Liga das Nações após a Segunda Guerra Mundial, onde criou o Passaporte Nansen, gesto humanitário que beneficiou Calouste Gulbenkian e salvou 450 mil apátridas.​ Mas afinal, em que medida tudo isto se relaciona com o verdadeiro espírito do tão falado e recentemente cobiçado Prémio Nobel da Paz? Hoje Rui Tavares leva-nos a conhecer a maravilhosa vida de Fridtjof Nansen, cuja imaginação, técnica, coragem e humanismo nos deve inspirar e dar esperança.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Ao entrar no ano novo, A Batalha, jornal do movimento operário anarcossindicalista, apresentava aos leitores uma novidade: o Almanaque para 1926. Fundado em 1919 pela União Operária Nacional, A Batalha era já, em 1926, um diário de referência. Ao invés de mera publicação doutrinária, Alexandre Vieira, o seu primeiro diretor, idealizara um jornal capaz de ocupar espaço na imprensa periódica nacional e participar activamente no debate político. Assim, conjugava textos ideológicos com temáticas diversas, competindo nas bancas com comerciais como Diário de Notícias ou O Século. A partir do Almanaque, distribuído gratuitamente no início de 1926, Rui Tavares acompanha o início da história deste jornal, e reflecte sobre o papel político do anarcossindicalismo e do movimento operário durante a Primeira República. O Almanaque, como é da sua natureza, apontava a previsibilidade do tempo: efemérides do calendário, ciclo das estações, marés e fases da Lua. Não podia prever, contudo, a mais impactante efeméride do ano: o dia 28 de maio, quando a República chegava ao fim e o tempo histórico tomava novo rumo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Por onde anda Alves dos Reis? Como terminou a saga da maior burla de que há memória no país? Rui Tavares regressa a 1926 para nos contar a história da prisão do homem que burlou aproximadamente 1% do PIB português e que se tornou num cristão renascido A história entretanto interrompida, é agora retomada para conhecermos finalmente o seu desfecho. Às portas de 1926, esse ano em que tudo mudaria, há exactamente 100 anos, alguém deteta uma incongruência: duas notas com o mesmo número de série. É o fio da meada que permite começar a compreender o que provocara o enorme desequilíbrio no sistema financeiro português e a misteriosa crise inflacionária. Preso em Dezembro de 1925, Alves dos Reis não desiste de provar a sua inocência. Em 1930, já o golpe militar de 28 de Maio de 1926 derrubara a República e o Estado mudara de direção – com Salazar no Ministério das Finanças desde 1928 –, ainda Alves dos Reis tentava a partir da prisão provar a sua inocência. Neste episódio, Rui Tavares retoma a saga de Alves dos Reis e o seu papel na descredibilização do sistema político e financeiro que faria ruir a, já em crise, democracia portuguesa. Afinal, o que podia o vilão desta história alegar em sua defesa?See omnystudio.com/listener for privacy information.
No primeiro episódio do podcast Tempo ao Tempo, Rui Tavares propõe uma viagem errante no tempo e na geografia ao encontro de pessoas cujas vidas se desencontraram por dois milénios mas que estão ligadas pela música. Do filme “Pulp Fiction” até à Grécia Antiga há muita história que se liga pela linguagem. Recorde este primeiro episódio do podcast Tempo ao Tempo.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Recorde o episódio em que Rui Tavares nos leva até 1852 e à guerra da Crimeia, para constatar que não há factos irrelevantes.See omnystudio.com/listener for privacy information.
No ano de 1924, Alfredo Marceneiro conquista pela primeira vez o primeiro lugar num concurso de fados. “Remorso”, o fado com letra de Linhares Barbosa que interpretou, dá voz a alguém que se consome de culpa, sozinho, numa noite de Natal. Dois anos depois, esse fado, entretanto celebrado por toda a cidade, parece ter adivinhado o crime passional que iria prender a atenção do país. O que terá prenunciado, afinal, o fado de Marceneiro? Que força tinha a música popular dos anos 20 do século XX, e como circulava entre o teatro de revista, os novos discos de 78 rotações e as partituras vendidas em banca? Neste episódio envolvente, Rui Tavares guia-nos pelas sombrias ruas do Bairro Alto, da Mouraria e do Intendente, mergulha na terrorífica Noite Sangrenta de 1921, entra nos teatros cheios de luz onde Lisboa se divertia em plena crise política e conduz-nos, passo a passo, até à história de um crime amoroso que de tão inesperado e chocante, desviou o olhar coletivo da ditadura que se instalava com o golpe de Estado de 28 de maio de 1926.See omnystudio.com/listener for privacy information.
O que faz um padre português no romance O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas? Será mera fantasia do autor ou eco de uma personagem histórica concreta? E, a existir, quem foi ele e como ali foi parar? Neste episódio, Rui Tavares apresenta a singular vida de José Custódio de Faria, um filho do terramoto de 1755. Goês de origem, deixou Goa e passou por Roma, Lisboa e Paris, ordenando‑se sacerdote em Roma e ficando conhecido como o Abade Faria, o tal padre português de Alexandre Dumas. A sua fama, porém, não veio da vida de sacerdócio, mas do engenho com que se  dedicou ao hipnotismo e se tornou um dos pioneiros da hipnose moderna.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Há, na história, pequenas histórias de mulheres e homens que já não guardamos memória. Viveram o seu tempo sem que as suas biografias ganhassem o relevo que a história premeia ao ser contada. Ainda assim, esses sujeitos da história votados ao anonimato, intervieram decisivamente no curso de acontecimentos impactantes, nos momentos em que a história deu as suas guinadas, mudou de rumo e abriu caminhos que ainda hoje nos alcançam. Conhecemos bem alguns desses acontecimentos, e de alguns fomos até espectadores. Mas, por detrás dos protagonistas que reconhecemos como centrais – políticos, cientistas, teóricos, entre outros – quantas mulheres e quantos homens terão tido um papel determinante e decisivo? Neste episódio, vamos seguir os passos de Juan Pujol Garcia, o espião que passou por Portugal durante a Segunda Guerra Mundial, e espreitar os bastidores dos bastidores do dia 6 de junho de 1944, o dia em que as tropas aliadas desembarcaram na Normandia. Qual o papel de Pujol neste dia em que a história ganhou um pequeno recomeço?See omnystudio.com/listener for privacy information.
Inspirando-se na mudança do conceito de “interessante” ao longo do tempo de que nos falou no último episódio, Rui Tavares propõe agora uma leitura dos séculos XVIII e XIX, sublinhando como a distinção entre Iluminismo e Romantismo se manifesta na forma como as pessoas passaram a relacionar-se com a realidade ao seu redor. Como a transformação da perceção, da relação com o “eu”, da função da arte, ao pensamento artístico e estético reconfiguraram o tempo histórico? As fronteiras entre o útil e o inútil, o interessante e o aborrecido, a destilação e a fermentação são eixos com que Rui Tavares nos instiga a compreender como o olhar estético é fundamental para compreender a história de cada época. Aqui, não está em causa um evento ou agente histórico, mas a renovação da sensibilidade e das formas de atenção que definem aquilo que cada tempo considera possível ou relevante. A passagem do tempo faz-se também da metamorfose das ideias, dos modos de sentir e das formas de perceber o mundo. Lista de Músicas utilizadas neste episódio: Luigi BOCCHERINI. Quinteto n.º 9 em DÓ maior, G. 453, “La ritirata di Madrid”, 1798Joseph HAYDN. Sinfonia n.º 101 em Ré maior "O Relógio", 1763Robert SCHUMANN. Adagio e Allegro, Op. 70 (versão para violoncelo e piano), 1849Piotr Ilitch TCHAIKOVSKY. Eugene Onegin, Op. 24: Act I, Introdução, 1878Wolfgang Amadeus MOZART. Andante e 5 Variações em Sol maior, K. 501, 1786Clara SCHUMANN. Romanzen, Op. 21: I. Andante para piano solo, 1853See omnystudio.com/listener for privacy information.
Albert Otto Hirschman destacou-se como economista e pensador de importância reconhecida, mas sobretudo como uma figura singularmente interessante. O próprio conceito de “interesse” percorre a sua obra “Paixões e Interesses”, servindo de fio condutor para uma visão inovadora sobre a génese dos valores sociais e económicos. Neste episódio, a vida de Albert Hirschman é revisitada sob o olhar de Rui Tavares, que percorre a genealogia do termo “interessante” e seus múltiplos sentidos, desde o Renascimento até à contemporaneidade. No entanto, o verdadeiro interesse da trajetória de Hirschman está além da dimensão académica. Testemunha dos horrores do nazismo, exilado pela guerra, combatente na Guerra Civil de Espanha e interventor decisivo na fuga de intelectuais judeus durante a Segunda Guerra Mundial, Hirschman deixa-nos uma lição de humanidade difícil de esquecer. No dia em que se evocam os 80 anos do início dos Julgamentos de Nuremberga, recordar Albert Otto Hirschman é invocar uma memória de resistência, empatia e ética imperiosa para os valores humanos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Será o poder capaz de corromper qualquer pessoa, ou apenas revela o lado sombrio que já existe no ser humano? Ou, na provocação de Shakespeare: “O poder muda o propósito?“. Neste episódio, voltamos ao teatro, à peça “Medida por Medida”, para explorar as tensões entre caráter, verdade, mentira, medo e confiança nos sistemas de poder. Rui Tavares mergulha no cinismo que marca a relação atual com a política e questiona: estaremos condenados, como sugere Maquiavel, a desconfiar de todos, acreditando que o poder corrompe inevitavelmente? Assumimos que a aparência substitui a verdade e, perante a mentira, desistimos de procurar algo além do óbvio? Mas e se, como sugere Montaigne, a política puder ser mais do que temor — um espaço para à confiança, ao reconhecimento e até ao amor cívico? Este episódio é um convite a pensar se ainda há esperança no espaço político. Agradecimento ao compositor Carlos Azevedo pela autorização de utilização da peça “Labirintho“, interpretada por Teresa Valente.See omnystudio.com/listener for privacy information.
No episódio anterior, Rui Tavares dava-nos conta que o jovem Orson Welles estava a ensaiar a peça “A Morte de Danton” quando gravou a sua versão de “A Guerra dos Mundos”. O que é que esse texto clássico de Georg Büchner sobre a Revolução Francesa nos pode dizer sobre a percepção que temos do tempo durante as revoluções? Georg Büchner morreu com 23 anos, a idade que tinha então Orson Welles quando representou a peça de teatro “A Morte de Danton”, que conta a história de Georges Danton, um dos líderes da Revolução Francesa. O texto é considerado um percursor do teatro documental, algures entre o romantismo e o realismo. Apesar de hoje ser considerado um texto fundamental da literatura alemã, a peça só foi encenada pela primeira vez em 1902, muitos anos depois da morte do seu autor. Neste episódio, Rui Tavares traça o contexto histórico da peça, fazendo um paralelo com a percepção do tempo na história, nomeadamente em tempos de revolução:‌ se a textura do tempo muda, que diferença faz vivê-la ao longo de uma vida ou concentrar toda a sua essência em poucos anos de vida, com significado superlativo?See omnystudio.com/listener for privacy information.
No dia 30 de outubro de 1938, Orson Welles fez história ao transmitir a célebre encenação radiofónica de “A Guerra dos Mundos”. Um episódio marcante da história da rádio, da cultura popular e da sociologia, porque em todas estas dimensões permanece como mito e advertência Na véspera da véspera de Halloween, o mundo parecia protegido de grandes ameaças. Mas era um tempo envolto por um ambiente propício a terrores imaginados, criaturas alienígenas, suspense e inquietação. A partir desse momento, a crónica do pânico que se seguiu tornou-se lendária: multidões inteiras confundiram o real com o fabricado, angustiadas pelo medo propagado pelas ondas do rádio. Ou não terá sido bem assim? Ou terá tudo não passado de uma hipérbole mediática? Certo é que este episódio não foi indiferente e resiste até hoje no imaginário coletivo do que é a manipulação de massas.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Neste episódio, é com especial regozijo que Rui Tavares celebra a rara distinção de um colega pela Real Academia Sueca das Ciências: Joel Mokyr, historiador reconhecido internacionalmente pela sua investigação sobre a história da ciência e da tecnologia. O trabalho de Mokyr, cuja relevância e originalidade foram agora distinguidas com o Prémio Nobel da Economia, reflete o profundo impacto do conhecimento científico e tecnológico no progresso económico e social.  Mas o que torna um historiador uma referência incontornável na economia? Neste podcast, ficamos a conhecer o pensamento de Joel Mokyr, a forma como analisa a evolução científica e tecnológica e o papel crítico dessas transformações no desenvolvimento dos sistemas económicos modernos.  A reflexão de Mokyr ilumina a ligação entre passado e futuro, mostra como o avanço do conhecimento moldou as sociedades e os mercados ao longo da história.See omnystudio.com/listener for privacy information.
Que episódio insólito provocou a ira de Bento Espinosa, ou Baruch Spinoza, o filósofo do século XVII judeu português? Rui Tavares mergulha na extensa biografia escrita pelo historiador Jonathan Israel para tentar responder à pergunta: Terá Espinosa inventado a modernidade? Um dos mais influentes historiadores do Iluminismo, Jonathan Israel, professor britânico que integrou o Institute for Advanced Study de Princeton, publicou recentemente “Spinoza, Life and Legacy”, uma impressionante biografia de Bento Espinosa, a quem Israel atribui o título de verdadeiro fundador do Iluminismo Radical — corrente filosófica que lançou as bases das ideias modernas de democracia. Baseando-se nas mais de 1300 páginas desta extensa obra, Rui Tavares detém-se num episódio que Israel optou por omitir: aquele em que Espinosa, ao confrontar um crime bárbaro de motivação política, revela uma faceta intensamente humana e apaixonada, perdendo as estribeiras. Que evento terá provocado tamanha irritação no autor do “Tratado Teológico-Político”? Neste episódio, somos convidados a redescobrir a biografia, o pensamento e a pertinência do legado filosófico e político de Espinosa, trazendo à luz uma reflexão que ressoa nos desafios contemporâneos.See omnystudio.com/listener for privacy information.
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Comments (4)

Paulo Bento

Sou de Gouveia, e desde sempre ouvi falar de Boto Machado, temos um vista na cidade e todos os anos a banda filarmônica comemora o seu nascimento, mas sinceramente, acho que poucos gouveienses, saibam a sua vida e a sua importância. Parabéns por mais um excelente episódio.

Mar 28th
Reply (1)

Tony Alves

Mais um excelente episódio.

Mar 27th
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Tony Alves

Excelente primeiro episódio. Que este podcast mantenha esta qualidade. Um abraço a todos os envolvidos

Feb 14th
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