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Pergunta Simples
Pergunta Simples
Author: Jorge Correia
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O Pergunta Simples é um podcast sobre comunicação. Sobre os dilemas da comunicação. Subscreva gratuitamente e ouça no seu telemóvel de forma automática: https://perguntasimples.com/subscrever/ Para todos os que querem aprender a comunicar melhor. Para si que quer aprender algo mais sobre quem pratica bem a arte de comunicar. Ouço pessoas falar do nosso mundo. De sociedade, política, economia, saúde e educação.
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Sílvia Baptista e o que fica por dizer
Há uma pergunta que Sílvia Baptista faz, ocasionalmente, a si mesma. Não aos pacientes, a si. Quando alguém a irrita desproporcionalmente, quando a reação parece vir de um lugar mais fundo do que o incidente justifica, ela para. E pergunta: o que há nesta pessoa que há em mim?
É um exercício pequeno, quase doméstico. Mas revela, melhor do que qualquer teoria, aquilo que a psicanálise é, no fundo: uma arte de se ver a si próprio no outro. De reconhecer, no que nos perturba lá fora, qualquer coisa que ficou por resolver cá dentro.
Sílvia começou pelo jornalismo. Passou pela comunicação, pela escrita, pelas perguntas feitas a outros. E depois, a dada altura, fez a pergunta mais difícil a si mesma. Tornou-se paciente. E ficou. Não como quem não tem para onde ir, mas como quem descobriu, no divã, o território mais honesto que conhecia. Hoje, do outro lado da consulta, trabalha com aquilo que as pessoas não conseguem ainda dizer.
"Na psicanálise não interessa o que as pessoas estão a dizer", explicou-me. "Interessa é o que não estão a dizer." É uma inversão radical. Numa cultura que premeia a articulação, a fluência, a capacidade de se apresentar bem — a psicanálise aposta precisamente no contrário. Acredita que o sentido habita o silêncio, o lapso, o sonho, o momento em que alguém quer dizer mãe e diz não. Acredita que a verdade escorrega pelas fissuras da narrativa apresentada.
E a narrativa muitas vezes nem sequer é nossa. "Somos, até muito tarde, aquilo que dizem que somos." Os pais, os cuidadores, a família, contam-nos uma história sobre nós, e nós acreditamos. Não por ingenuidade, mas por necessidade. As crianças dependem absolutamente de quem as tem. Não têm como não acreditar. E assim chegamos à vida adulta carregando versões de nós mesmos escritas por outros, em circunstâncias que já não existem, para propósitos que já não servem.
A terapia, neste sentido, não é uma cura. Sílvia foi clara nisto, e foi uma das coisas que mais me ficou. "Eu não acredito nas curas. A mente não é a preto e branco." O que a análise faz, o que pode fazer, no melhor dos casos, é tornar as coisas conscientes. Fazer ligações entre a dor de hoje e a sua origem. E devolver ao paciente uma narrativa que seja, pela primeira vez, genuinamente sua. "Isso", disse ela, "dá um alívio brutal."
Há qualquer coisa muito contemporânea no que Sílvia descreve. Vivemos tempos em que todos publicamos versões editadas de nós mesmos, em que a palavra "autenticidade" se tornou um valor de marketing, em que a vulnerabilidade é exortada em conferências e monetizada em podcasts. Sílvia é crítica desta inflação. A vulnerabilidade, argumenta, não se pede. Não se convoca. Decorre da confiança, que por sua vez decorre da relação, que por sua vez precisa de tempo. "Exortar as pessoas à vulnerabilidade pode ser um ato muito narcísico de quem exorta." Dito assim, com aquela precisão clínica, soa a diagnóstico.
Depois há o desejo. A conversa chegou lá a dada altura, e ficou. O desejo, em psicanálise, não é apenas o que queremos dos outros, é a força vital, o motor que nos empurra. E tem uma condição: nasce da falta. Só existe onde há ausência, onde há espera, onde há tensão entre o que é e o que poderia ser. Sílvia olhou para a geração mais nova com uma mistura de compreensão e inquietação. Têm casas para onde ir, telemóveis que comunicam em tempo real, acesso a tudo e a todos em qualquer momento. Nunca ficaram à espera de um telefonema que podia não chegar. Nunca entraram numa portada de prédio porque não havia outro sítio. E perderam, nessa abundância, qualquer coisa que ela não soube bem nomear mas que reconheceu sem hesitar: o prazer de não ter, e querer.
"O prazer hoje é um fogacho", disse. "Serve para nos excitar naquele momento. Depois apagam." A metáfora é perfeita para o que vivemos. Não há falta, por isso não há desejo. Não há desejo, por isso não há prazer verdadeiro. Não há prazer verdadeiro, por isso precisamos de outro fogacho. A dopamina como substituto do amor.
E o silêncio. Sílvia falou do silêncio como de um bem escasso. No consultório, sustenta-o. Espera. O paciente para, e ela espera. Sabe que o silêncio não é ausência, é elaboração. É o momento em que alguma coisa se organiza por baixo das palavras. Mas cá fora, o silêncio tornou-se insuportável. "Há pessoas que o único sítio onde encontram silêncio é na terapia." Quando disse isto, a sala ficou mais quieta por um segundo. Como se a frase precisasse de espaço para pousar.
No final, quando a conversa tocava nos cinquenta minutos, perguntei-lhe como arrumava a cabeça após um dia inteiro a ouvir dores. Falou dos passeios com as cadelas, dos amigos, do namorado. E depois disse, sem hesitar, algo que não esperava de uma psicanalista: "Só há uma coisa que cura tudo. É o amor. O amor ao outro. O amor ao humano."
Não o amor como conceito terapêutico. Não como técnica. O amor como facto. Como a única coisa que, no fim de tudo, funciona.
Há qualquer coisa desconcertante em ouvir isso de alguém que passou a vida a ouvir o que não se diz. Porque sugere que, debaixo de todos os lapsos, de todos os padrões repetidos, de todas as histórias herdadas — o que as pessoas estão mesmo a dizer, o tempo todo, é que querem ser amadas. E que ainda não sabem pedir.
Ler transcrição completa
Sílvia Baptista00:00Na psicanálise não interessa o que é que as pessoas estão a dizer. Interessa é o que é que elas não estão a dizer. Ou seja, nesse caso, não interessa tanto o que é que a pessoa acha que tem. Interessa é o que é que a pessoa não tem e gostava de ter, mas também ainda não sabe o que é. A verdade é que há um desconforto, há um sintoma. Se o sintoma está lá, alguma coisa está lá. Não é só uma questão de birra.
Jorge Correia00:36Imaginem que vão à consulta de psicologia, sentam-se e a terapeuta está à vossa frente e começam a falar. Contam a vossa semana, o stress do trabalho, as discussões com o parceiro, a sensação de que alguma coisa não está bem, mas não sabem bem o quê. E a terapeuta ouve. O que é que acham que ela está a ouvir? Não é o que estão a dizer, é aquilo que não estão a dizer. Foi isso mesmo que Silvia Batista me explicou quando nos sentamos para conversar. Silvia é psicanalista há mais de 20 anos, mas começou pelo jornalismo e isso, como vamos ver, não é um detalhe sem importância. A psicanálise tem uma ideia central que vai contra tudo aquilo que nos ensinaram. Desde pequenos aprendemos a articular, a explicar o que sentimos, a encontrar as palavras certas e depois chegamos a um consultório e descobrimos que as palavras certas podem ser precisamente o problema. Porque o que nos dói a sério, o sofrimento que nos traz até ali, não consegue sempre chegar à superfície em linguagem limpa. Aparece nos lapsos, nos sonhos, nos padrões que repetimos sem perceber porquê, no sagrado subconsciente, na história que nos contaram sobre nós e que muitas vezes não é a nossa. Essa foi a ideia que mais me ficou durante esta conversa, que nós temos uma narrativa sobre nós mesmos, uma versão do que somos, de onde viemos, do que nos aconteceu, mas o problema é que grande parte dessa narrativa foi escrita pelos outros. Pelos pais, pela família, pelas pessoas de quem dependíamos quando ainda não tínhamos escolha. E nós acreditamos. Claro que acreditamos. Eram as pessoas mais importantes do mundo. E o trabalho da terapia não é apagar essa história, é ajudar-nos a reescrevê-la com a nossa própria voz. Falamos também de algo que me parece cada vez mais urgente. O desejo. Não no sentido romântico, mas no sentido mais amplo. O que nos empurra, o que nos faz querer. A ideia é esta. O desejo precisa de falta para existir. Precisamos de não ter para querer ter. E aqui está o paradoxo da nossa época. Vivemos num mundo em que quase nada nos falta. Acesso imediato a tudo, entretenimento infinito, respostas instantâneas. Estamos, muitos de nós, profundamente apáticos. Não é coincidência. No fim desta conversa, perguntei-lhe algo muito simples. Como é que ela faz todos os dias, depois de ouvir dores e carregar histórias que não são suas, para conseguir sobreviver? E ela surpreendeu-me mais uma vez. Respondeu que só há uma coisa que cura tudo. É o amor. Não o amor como ideia, não como tema de conversa. O amor como prática concreta. Os amigos, a família, as pessoas que estão lá. Fiquei a pensar nisto depois de ela sair embora. Aqui está alguém que passou décadas a ouvir o sofrimento humano na sua forma mais bruta e a conclusão a que chegou, a única coisa que na sua experiência realmente funciona é o amor. Silvia Batista. Cá estamos. Psicanalista. Uma psicanalista da palavra e da voz, porque tu não és só uma psicanalista, tu dedicas muito do teu tempo a falar e a pensar sobre a questão da comunicação.
Sílvia Baptista03:43Como é que é o teu dia-a-dia? O meu dia-a-dia é muito no consultório, a ouvir e a falar, mas muito mais a ouvir do que a falar. Curiosamente, a minha primeira formação é em comunicação. Eu venho da comunicação e venho do jornalismo. Então é daí que veio o teu segredo? Não, é… Bom, eu achei, houve uma altura que eu achava que queria ser jornalista, quando entrei para a faculdade e fiz o curso todo. Ainda fui uns anos jornalista e depois percebi que não era para mim. E depois passei por várias outras áreas até me tornar paciente de psicanálise.
Jorge Correia04:26Foste fazer psicanálise?
Sílvia Baptista04:27E depois fui estudar psicanálise e psicoterapia e cá estou.
Jorge Correia04:31Todos os psicanalistas passam pelo divã primeiro?
Sílvia Baptista04:33Sim, sim. Sempre? Absolutamente fundamental.
Jorge Correia04:36E quanto tempo dura esse processo de formação?
Sílvia Baptista04:38O de formação, eu diria até que não acaba. Obviamente há um processo base, que são quatro anos teóricos, mais uma porrada de horas de clínica e de supervisão e de intervisão. E depois vai depender muito da pessoa. Eu acho que não acaba,
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Já sabes o que vais escolher antes de escolher. João Blumel passou vinte anos a estudar exatamente isso — e a transformar essa descoberta em espetáculo. Nesta conversa, o mentalista português explica como a linguagem molda decisões, como as microexpressões traem o que tentamos esconder, e por que a nossa mente segue caminhos muito mais previsíveis do que gostamos de admitir.
Destaques do episódio
A diferença entre um mentalista e um mágico — e por que importa.
Como traçar o perfil psicológico de alguém em dois minutos.
O que as redes sociais têm em comum com um truque de mentalismo.
Reframing: a técnica que muda a forma como vês o que te acontece.
Por que nunca faz truques fora do palco — e o que isso diz sobre limites.
O espetáculo que ainda não fez e que é o seu maior objetivo.
Citação de Ouro
"Somos todos previsíveis. A questão é saber para quê usar isso."
🔗 Episódio com João Blumel:
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A rádio não é para as massas; é para uma pessoa de cada vez. Nesta conversa com Pedro Ribeiro, exploramos como a rádio sobrevive à era dos algoritmos através da autenticidade e da relação humana. Num tempo de ruído digital, a rádio afirma-se como uma comunidade invisível que oferece companhia e uma ligação orgânica que nenhuma máquina consegue replicar.
Destaques do episódio
A rádio como relação: por que comunicamos para um ouvinte de cada vez.
Bastidores das Manhãs: a gestão de egos e o papel de "cola" na equipa.
Resiliência do meio: como a rádio resiste à curadoria das Big Techs.
O fator humano: a autenticidade de figuras como Nuno Markl e Cândido Costa.
Rádio como serviço: o papel crucial da antena em momentos de crise.
O poder do silêncio: a ferramenta mais eficaz para captar a atenção.
Citação de Ouro
“O megafone maior da rádio é o silêncio.”
🔗 Episódio com Pedro Ribeiro:
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O que comunica a música quando as palavras não chegam? Nesta conversa com Rita Redshoes, refletimos sobre criatividade, silêncio, medo e finitude. Num tempo saturado de discurso, talvez a música seja uma linguagem anterior à frase — uma forma de comunicação que vibra antes de explicar.
Destaques do episódio
• Como nasce uma canção: do sonho ao desassossego
• A música como linguagem emocional e biológica
• Criatividade como exercício de escuta
• Medo, finitude e consciência do tempo
• Maternidade e transformação da identidade
• O palco como espaço de comunhão
Citação de Ouro
“Se nós tivéssemos mais presente que vamos morrer, se calhar vivíamos mais.”
🔗 Episódio com Rita Redshoes:
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Quem matou o herói no futebol? Nesta conversa com Luís Cristóvão, mergulhamos no paradoxo do desporto de elite: um mundo onde a exposição total destrói a mística, os craques vivem isolados em "aquários" e a ditadura da tática ameaça sufocar a criatividade juvenil. Uma reflexão sobre a perda da dimensão humana num jogo cada vez mais formatado como espetáculo e negócio.
Destaques do episódio
A morte do herói no tempo do ecrã: Por que é impossível manter o mito quando vemos cada minuto da vida do atleta?
O "atleta de aquário": O isolamento de figuras como Cristiano Ronaldo face à liberdade perdida de Eusébio.
A cultura da zanga: Como as redes sociais e o comentário televisivo transformaram o futebol numa guerra tribal.
Matraquilhos humanos: O perigo da formatação tática que castra a criatividade desde a infância.
Rádio vs. Televisão: A responsabilidade de narrar a emoção e o contexto para quem não está a ver.
O erro como espetáculo: Porque preferimos discutir a falha do árbitro em vez da beleza da jogada.
Citação de Ouro
“Hoje em dia é quase impossível ser herói, porque nós vemos todos os minutos que cada jogador joga na sua carreira e ninguém é herói durante toda a vida.”
🔗 Episódio com Luís Cristóvão:
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O conforto digital está a aproximar-nos, ou a isolar-nos? Nesta conversa com Inês Lopes Gonçalves, refletimos sobre o paradoxo da conveniência automática, a implosão silenciosa das competências sociais e a força da rádio como último reduto de humanidade num mundo cada vez mais automatizado.
Destaques do episódio
• A rádio como porto seguro em tempos de crise
• A “máquina invisível” por trás da simplicidade da voz
• O medo do “auto-tudo” e da implosão social
• Carga mental, liberdade e condicionamento feminino
• Honestidade em direto como forma de criar comunidade
• O papel da escuta real num tempo de ruído permanente
Citação de Ouro
“Qualquer dia acho que implodimos.”
🔗 Episódio com Inês Lopes Gonçalves:
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Num mundo acelerado, polarizado e saturado de ruído, o humor continua a ser uma forma séria de ler a realidade. Nesta conversa longa e acessível, falamos de rádio, sátira política, voz, escuta e do trabalho invisível por trás do riso.
A partir da experiência diária na rádio pública e do palco, reflete-se sobre o humor como escape e como arma, sobre os limites da ironia num tempo de cancelamento e sobre a rádio como um dos últimos lugares onde a imaginação ainda trabalha sozinha.
A conversa passa também pelo teatro e pela atualidade política, com os ensaios de Senhor Engenheiro — uma espécie de musical, um espetáculo satírico onde a realidade insiste em acompanhar a ficção.
Uma conversa de serviço público sobre humor, rádio, escuta e o tempo em que vivemos.
Temas abordados
• Humor como leitura do presente
• Sátira política e polarização
• O papel da rádio na vida pública
• Voz, silêncio e timing
• Imitação, caricatura e criação
• Limites do humor e cancelamento
• Teatro, atualidade e memória coletiva
• O palco como espelho do país
Citação de Ouro
“O humor hoje em dia é um escape da realidade que estamos a viver.
E às vezes também é uma arma.”
🔗 Episódio completo:
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O que é que a inteligência artificial está a fazer à nossa mente — à atenção, à memória e à forma como nos relacionamos com os outros? Nesta conversa clara e inquietante, Miguel Oliveira ajuda a pensar o impacto psicológico da IA num tempo de aceleração, comparação permanente e delegação cognitiva.
Fala-se de fadiga mental, ansiedade, identidade, automatismos emocionais e da tentação de usar a tecnologia como muleta para evitar o esforço de pensar. A ideia central é simples e exigente: a inteligência artificial não nos substitui — expõe aquilo que deixámos de treinar.
• Atenção fragmentada e cansaço cognitivo
• Delegação mental e perda de esforço
• Ansiedade, comparação e autoimagem
• Tecnologia como espelho psicológico
• Responsabilidade individual no uso da IA
Citação de Ouro
“A tecnologia não pensa por nós — pensa onde nós deixámos de pensar.”
🔗 Episódio com Miguel Oliveira:
https://perguntasimples.com/o-que-faz-a-inteligencia-artificial-a-nossa-mente-miguel-oliveira
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O que faz alguém continuar a rir mesmo quando já sabe o fim da história? Cândido Costa fala sobre vulnerabilidade, coragem e comunicação, explicando porque contar bem não é exagerar, mas ser fiel à emoção.
• A vulnerabilidade como fonte de magnetismo.
• O humor que nasce da experiência vivida.
• A importância do ritmo e da pausa.
• O balneário como espaço emocional e de liderança.
• Instinto, risco e entrega na televisão.
Citação de Ouro
“Eu tento contar a história explicando porque é que me fez rir.”
🔗 Episódio com Cândido Costa:
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Porque é que há sabores que nunca esquecemos? Marlene Vieira explica como a memória alimentar se constrói entre cheiros, texturas, tempo e emoção, numa conversa sobre identidade, rigor, liderança e o futuro da cozinha portuguesa.
• A memória gustativa começa na infância e no cheiro da cozinha.
• Produto de qualidade exige menos técnica e mais respeito.
• Textura, tempo e temperatura mudam o sabor.
• Liderar equipas é minimizar o erro sem destruir pessoas.
• A cozinha portuguesa como património emocional e cultural.
Citação de Ouro
“A qualidade do produto exige menos transformação.”
🔗 Episódio com Marlene Vieira:
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O que faz um livro ficar connosco depois da última página? Ana Daniela Soares explica porque a leitura exige tempo, empatia e atenção ao mundo, numa conversa sobre livros que resistem, escritores atentos e o risco de deixarmos de ler em profundidade.
• Um bom livro começa sempre numa boa história.
• O leitor tem o direito de largar e regressar.
• A empatia como traço comum dos grandes escritores.
• Ler para compreender a atualidade para lá do título.
• O impacto real da leitura no cérebro e na imaginação.
Citação de Ouro
“O leitor é sempre o juiz.”
🔗 Episódio com Ana Daniela Soares:
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Rui Melo aborda a urgência da escuta ativa e da flexibilidade intelectual num mundo onde as certezas parecem cada vez mais rígidas e as opiniões não solicitadas dominam o espaço digital. O ator e encenador explora a intersecção entre o humor, a música e a representação, revelando os bastidores de projetos marcantes como Pôr do Sol e a sua visão sobre a responsabilidade da arte em provocar emoções profundas, da raiva à dor. Entre a técnica teatral e a musicalidade das palavras, Melo reflete sobre o processo de construção de personagens e a importância do ajuste fino na direção artística, defendendo que o humor só cumpre o seu propósito quando provoca um efeito real em quem o vê.
Citação de Ouro: "O humor só é humor para quem o vê. Para quem o faz não tem de ser. Se o texto for bem escrito e for bem interpretado, quem vê é que tem de se rir."
🔗 Episódio: https://perguntasimples.com/papel-da-arte-na-conversa-publica-rui-melo/ 🎦 YouTube: https://www.youtube.com/@pergunta.simples?sub_confirmation=1 🎧 Spotify: https://spoti.fi/3kb07qm 🍎 Apple Podcasts: https://podcasts.apple.com/pt/podcast/pergunta-simples/id1512308084 📺 RTP Play: https://www.rtp.pt/play/p7644/pergunta-simples 🌐 Website: https://www.perguntasimples.com
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Como se conta uma boa história sem trair quem a viveu? Nesta conversa, Rui Cardoso Martins fala da escrita como ofício e como ética: a memória como matéria-prima, o silêncio como técnica, e a linguagem como força que pode esclarecer ou envenenar. Do jornalismo nos “tempos heroicos” do Público às reportagens em cenários extremos, o fio condutor é simples e exigente: as palavras importam, porque moldam a forma como vemos o mundo — e como o mundo nos vê.
• O que distingue jornalismo, crónica, humor e romance: a mesma língua, ritmos e responsabilidades diferentes.
• Mestres, redações e “tarimba”: aprender a escrever de tudo e a aguentar a pressão sem perder a ética.
• A memória como condição da literatura: sem registo, sem caderno, sem atenção, não há escrita que resista.
• Manhãs, silêncio e método: por que a escrita longa pede outra energia e outra solidão.
• Guerra e desumanidade: Sarajevo, o medo real, e a aprendizagem brutal de que a civilização pode colapsar depressa.
• Mentira, manipulação e “verdades” concorrentes: quando o boato vale tanto como o facto, a democracia fica por um fio.
• Para que servem as histórias: transformar-nos, mesmo que por instantes, e lembrar o essencial — liberdade, dignidade, humanidade.
Citação de Ouro
“As palavras… às vezes dão cabo do mundo.”
🔗 Episódio com Rui Cardoso Martins: https://perguntasimples.com/contas-me-uma-boa-historia-rui-cardoso-martins/
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Para que serve a literatura quando a realidade se torna pesada, violenta ou difícil de suportar? Nesta conversa, Tânia Ganho fala da escrita e da leitura como exercícios de atenção, lentidão e responsabilidade. Num tempo acelerado, dominado por imagens e discursos fabricados, a literatura surge como um espaço onde ainda é possível parar, pensar e escolher palavras com cuidado.
• Escrever como trabalho contínuo, não como inspiração permanente.
• Ler como treino de concentração e resistência à pressa.
• A tradução como lugar de criação, escolha e perda inevitável.
• A linguagem como instrumento moral num mundo de desinformação.
• A literatura como forma de olhar a crueldade sem a transformar em espetáculo.
Citação de Ouro
“A leitura obriga-nos a um trabalho de lentidão.”
🔗 Episódio com Tânia Ganho:
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O que é que o palco ensina sobre comunicar melhor na vida real? Nesta conversa, Diogo Infante cruza a experiência de ator, encenador e diretor artístico para pensar a comunicação como presença, escuta e responsabilidade. Fala-se de timidez, verdade, medo de falhar, relação com o público e daquilo que não se aprende em manuais: o tempo certo, o silêncio e a atenção ao outro.
• Comunicar começa por saber exatamente o que se quer dizer.
• A escuta como base de qualquer diálogo verdadeiro.
• Voz, corpo e energia como instrumentos de comunicação.
• O erro, a dúvida e o síndrome do impostor como parte do processo.
• A arte como treino radical de empatia e atenção.
Citação de Ouro
“Comunicar bem começa por ouvir de verdade.”
🔗 Episódio com Diogo Infante:
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Como se comunica a guerra num tempo de propaganda permanente? E porque falamos tão pouco de paz quando o conflito domina o espaço público? Nesta conversa, Manuel Poejo Torres ajuda a ler o mundo atual a partir da comunicação estratégica, da geopolítica e da forma como o medo, a dissuasão e a narrativa moldam decisões políticas e perceções coletivas.
• A guerra como fenómeno comunicacional, não apenas militar.
• Propaganda, desinformação e guerra híbrida no espaço público.
• A ameaça nuclear como instrumento político e psicológico.
• O papel da Europa num sistema internacional instável.
• Os riscos democráticos quando se normaliza o discurso de guerra.
Citação de Ouro
“A guerra começa muito antes do primeiro disparo.”
🔗 Episódio com Manuel Poejo Torres:
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O que nos torna ainda humanos num mundo de máquinas, otimização e perfeição artificial? Nesta conversa longa e física, Albano Jerónimo fala do corpo como lugar de verdade, do erro como gesto urgente e da falha como aquilo que nos aproxima uns dos outros. Entre teatro, cinema, paternidade e inteligência artificial, reflete-se sobre presença, empatia, vulnerabilidade e aquilo que nenhuma máquina consegue simular: o estar vivo.
• O erro como espaço de descoberta e ligação humana.
• O corpo como instrumento primário de comunicação.
• A falha como resistência num mundo de perfeição artificial.
• A relação entre humano e máquina no palco e na vida.
• A empatia, o cuidado e o afeto como escolhas diárias.
Citação de Ouro
“O erro é urgente. A falha dá-nos corpo.”
🔗 Episódio com Albano Jerónimo:
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Como se filma uma boa história quando o mundo pede velocidade, ruído e respostas fáceis? Nesta conversa, Manuel Pureza reflete sobre o cinema como arte de escolha, implicação moral e relação com o outro. Fala-se de novelas, séries, humor, educação do olhar e da ideia de que contar histórias é, antes de tudo, um ato de responsabilidade humana.
• As histórias como estrutura profunda da experiência humana.
• Filmar não é mostrar tudo, é escolher o que fica de fora.
• A câmara como participante, não como testemunha neutra.
• O ator como criador ativo, não como tarefeiro do texto.
• O humor, a emoção e o ridículo como formas de revelar a verdade.
Citação de Ouro
“O cinema serve para emocionar — para rir ou para chorar.”
🔗 Episódio com Manuel Pureza:
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Como comunicam os bebés antes das palavras? Nesta conversa, Pedro Caldeira da Silva explica porque a comunicação começa muito antes da linguagem verbal. O choro, o olhar, o sorriso, o ritmo, o corpo e a repetição formam uma verdadeira gramática emocional que estrutura o vínculo, a confiança e o desenvolvimento humano desde os primeiros dias de vida.
Fala-se de bebés como agentes ativos, da importância da interação individual, do tom de voz, da disponibilidade emocional dos adultos e dos riscos da negligência relacional. Uma conversa essencial para perceber como se constrói a comunicação, a empatia e a autonomia muito antes de sabermos falar.
• Os bebés comunicam antes de falar — e falam connosco desde o início.
• Choro, sorriso e imitação como ferramentas de ligação.
• O vínculo como base do desenvolvimento emocional e cognitivo.
• A importância do tom, do ritmo e da repetição.
• O perigo da indisponibilidade emocional e da negligência silenciosa.
Citação de Ouro
“Os bebés não são agentes passivos: são agentes ativos na comunicação.”
🔗 Episódio com Pedro Caldeira da Silva:
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O jornalismo ainda importa? Nesta conversa, Margarida Davim defende que o verdadeiro poder do jornalismo continua a ser o mesmo: perguntar, investigar, escolher e explicar. Num mundo saturado de informação em bruto, redes sociais e ruído permanente, o jornalismo mantém um papel central na democracia precisamente porque filtra, contextualiza e dá sentido à realidade.
Falamos do ataque à credibilidade dos jornalistas, da pressão económica sobre os media, do colapso dos modelos de negócio tradicionais e da necessidade de um jornalismo mais pequeno, mais especializado e mais próximo das comunidades. Uma reflexão clara sobre liberdade, responsabilidade, ameaça às mulheres no espaço público e a coragem de dizer que a capa é verde quando todos insistem que é vermelha.
• O jornalismo como poder de perguntar e incomodar
• Informação não é jornalismo: editar também é um dever democrático
• A crise dos modelos de negócio e o futuro de nicho
• Comentário político, clareza e responsabilidade pública
• A violência dirigida às mulheres no espaço mediático
• Comunidade, verdade e liberdade de informar
Citação de Ouro
“O único poder que um jornalista tem é perguntar.”
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Não consegui parar de ouvir e quando acabei comecei outra vez.